Transtornos devidos ao uso de outras substâncias psicoativas especificadas, incluindo medicamentos (CID-11: 6C4E)

O que é?

Imagine que você tem uma caixa de ferramentas em casa. Cada ferramenta serve para algo específico: o martelo para pregar, a chave de fenda para apertar parafusos, a furadeira para fazer buracos. Agora, pense que alguém começa a usar essas ferramentas de um jeito que não foi feito para elas – como tentar cortar madeira com uma chave de fenda ou pregar um quadro com uma colher. Com o tempo, a ferramenta se desgasta, a pessoa se machuca, e as coisas que ela tenta consertar acabam ficando piores.

É mais ou menos isso que acontece com os transtornos devidos ao uso de outras substâncias psicoativas. Estamos falando de medicamentos ou substâncias que não são as mais conhecidas quando se pensa em dependência – como álcool, maconha ou cocaína – mas que, quando usadas de forma inadequada, podem causar problemas sérios na vida de uma pessoa. Essas substâncias incluem desde remédios controlados que alguém começou a tomar por conta própria até produtos químicos que nunca foram feitos para serem consumidos por humanos.

A diferença entre um uso recreativo ou ocasional e um transtorno está no impacto que essa substância causa na vida da pessoa. Não é só sobre “usar muito” ou “usar com frequência”, mas sobre como esse uso começa a atrapalhar coisas importantes: relacionamentos, trabalho, saúde, finanças. É como se a substância passasse a ser o maestro da orquestra da vida da pessoa, ditando o ritmo de tudo, enquanto as outras áreas – família, amigos, hobbies, responsabilidades – vão ficando cada vez mais desafinadas.

No Brasil, não temos números exatos sobre quantas pessoas têm esse diagnóstico específico, porque ele engloba uma variedade enorme de substâncias. Mas sabemos que, no geral, os transtornos por uso de substâncias afetam cerca de 5% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. O que chama atenção nesse grupo específico (6C4E) é que muitas vezes as pessoas nem sabem que estão desenvolvendo um problema, porque estão usando medicamentos receitados por médicos ou substâncias que parecem “inofensivas” – como alguns remédios para dormir, analgésicos fortes ou até mesmo produtos vendidos em farmácias sem receita.

Historicamente, a medicina demorou a reconhecer que medicamentos poderiam causar dependência. Nos anos 1950 e 1960, por exemplo, remédios como os barbitúricos (usados para ansiedade e insônia) eram prescritos livremente, e só depois descobriu-se o quanto podiam viciar. Hoje, com o avanço da ciência, entendemos melhor esses riscos, mas ainda há muito desconhecimento – tanto entre profissionais de saúde quanto entre a população geral – sobre como até mesmo medicamentos comuns podem se tornar um problema quando usados de forma inadequada.

Quais são os sintomas?

Para entender se o uso de uma substância está se tornando um transtorno, os médicos usam uma lista de critérios. Pense neles como sinais de alerta em um painel de carro: um ou dois acendendo podem não ser motivo de preocupação, mas quando vários começam a piscar juntos, é hora de levar para uma revisão. Vamos explicar cada um desses sinais em detalhes, com exemplos do dia a dia.

1. Uso em quantidades maiores ou por mais tempo do que o pretendido

O que significa: A pessoa começa usando a substância com um plano em mente (“vou tomar só um comprimido para dormir”), mas acaba excedendo esse limite sem perceber.

Exemplos concretos:
– Maria tem insônia e seu médico receitou um remédio para tomar “quando necessário”. No começo, ela tomava só meio comprimido quando não conseguia dormir. Depois de algumas semanas, percebe que está tomando um comprimido inteiro quase todas as noites, e às vezes até dois quando a ansiedade está muito forte.
– João começou a usar um relaxante muscular que encontrou no armário da mãe para aliviar dores nas costas. No início, tomava só quando a dor estava insuportável. Agora, toma preventivamente antes de qualquer atividade física, mesmo quando não está sentindo dor.
– Ana descobriu que os remédios para enxaqueca da irmã também ajudam com sua ansiedade. Ela planejava usar só nos dias de crise, mas agora está tomando quase diariamente, mesmo quando não está ansiosa, “por precaução”.

Normal vs. Sintomático:
Todo mundo às vezes exagera – como tomar um segundo café quando já está nervoso ou tomar um analgésico a mais quando a dor é muito forte. A diferença está na perda de controle: quando a pessoa tenta diminuir e não consegue, quando passa a precisar de doses maiores para ter o mesmo efeito, ou quando o uso se torna automático, como um reflexo.


2. Desejo persistente ou esforços malsucedidos para diminuir ou controlar o uso

O que significa: A pessoa reconhece que o uso está causando problemas e tenta parar ou reduzir, mas não consegue.

Exemplos concretos:
– Pedro percebeu que está gastando muito dinheiro com um xarope para tosse que contém codeína (um opioide). Ele já tentou parar três vezes, mas sempre volta a comprar depois de alguns dias, dizendo a si mesmo que “só mais uma vez”.
– Carla prometeu ao marido que pararia de tomar os calmantes da mãe, mas toda vez que tenta, fica tão ansiosa que acaba cedendo. Ela já escondeu os comprimidos em lugares diferentes da casa para não achar, mas sempre acaba encontrando.
– Rafael fez um acordo com seu médico para reduzir gradualmente os remédios para TDAH, mas toda vez que chega na metade da dose, sente que não consegue funcionar no trabalho e volta a tomar a dose completa.

Como isso aparece no dia a dia:
É como tentar fazer dieta, mas toda vez que passa na frente de uma padaria, não resiste a um pãozinho. A diferença é que, no transtorno, essa luta interna acontece quase diariamente, e a pessoa se sente impotente diante do desejo de usar a substância.


3. Muito tempo gasto para obter, usar ou se recuperar dos efeitos da substância

O que significa: A substância começa a ocupar um espaço desproporcional na vida da pessoa.

Exemplos concretos:
– Lucas passa horas pesquisando na internet onde comprar um medicamento para emagrecer que não precisa de receita. Ele já viajou para três cidades diferentes para comprar em farmácias que não pedem receita.
– Fernanda gasta tanto tempo se recuperando dos efeitos colaterais de um remédio para ansiedade (sonolência, tontura) que acabou faltando a vários compromissos importantes.
– Rodrigo precisa tomar um anti-inflamatório forte antes de qualquer atividade física. Ele já deixou de ir a festas, viagens e até entrevistas de emprego porque não teria como tomar o remédio no horário certo.

Normal vs. Sintomático:
É normal gastar algum tempo cuidando da saúde – como ir à farmácia comprar um remédio ou descansar depois de tomar um antibiótico. O problema começa quando essa atividade passa a dominar o dia, como se a pessoa estivesse sempre correndo atrás da substância ou se recuperando dela.


4. Fissura ou forte desejo de usar a substância

O que significa: Um desejo intenso e difícil de ignorar, como uma coceira mental que só passa quando a pessoa usa a substância.

Exemplos concretos:
– Toda vez que Juliana vê uma farmácia, sente uma vontade quase incontrolável de entrar e comprar o remédio para dormir que usa. Ela já chegou a dar voltas no quarteirão para evitar passar na frente de uma.
– Marcos sente uma ansiedade tão forte quando o efeito do relaxante muscular começa a passar que não consegue se concentrar em nada até tomar a próxima dose.
– Patrícia descreve a vontade de tomar o remédio para enxaqueca como “uma fome que não é no estômago, mas na cabeça”. Mesmo quando não está com dor, ela sente que “precisa” tomar.

Como isso aparece no dia a dia:
É como quando você está com muita sede e só pensa em água. A diferença é que, no transtorno, esse desejo não passa com o tempo – ele fica cada vez mais forte, e a pessoa sente que não consegue funcionar normalmente sem a substância.


5. Uso recorrente resultando em fracasso em cumprir obrigações no trabalho, escola ou casa

O que significa: A substância começa a atrapalhar as responsabilidades básicas da vida.

Exemplos concretos:
– Daniel toma um remédio para dormir que o deixa grogue pela manhã. Ele já chegou atrasado ao trabalho várias vezes, e seu chefe já chamou sua atenção.
– Sofia usa um xarope para tosse que a deixa sonolenta. Ela já cochilou durante aulas importantes na faculdade e perdeu prazos de trabalhos.
– Tiago toma um anti-inflamatório forte antes de jogar futebol com os amigos. Ele já machucou outras pessoas durante os jogos porque não consegue calcular bem os movimentos por causa do efeito do remédio.

Normal vs. Sintomático:
Todo mundo tem dias ruins – como quando você toma um remédio para alergia que dá sono e acaba cochilando no sofá. O problema é quando isso acontece repetidamente e começa a prejudicar áreas importantes da vida.


6. Uso continuado apesar de problemas sociais ou interpessoais causados ou exacerbados pela substância

O que significa: A pessoa continua usando mesmo quando a substância está causando brigas, isolamento ou outros problemas nos relacionamentos.

Exemplos concretos:
– A esposa de Ricardo já pediu várias vezes para ele parar de tomar os calmantes que encontra na casa da mãe, porque ele fica irritado e distante quando usa. Mesmo assim, ele continua tomando.
– Os amigos de Amanda já pararam de convidá-la para sair porque ela sempre cancela no último minuto, dizendo que precisa ficar em casa para tomar seus remédios.
– A família de Eduardo já tentou intervir várias vezes porque ele gasta todo o dinheiro do mês em um remédio para emagrecer que compra pela internet. Mesmo assim, ele continua comprando.

Como isso aparece no dia a dia:
É como continuar comendo um alimento que você sabe que faz mal, mesmo depois que seu médico e sua família já alertaram sobre os riscos. A diferença é que, no transtorno, a pessoa não consegue parar, mesmo vendo os danos acontecendo.


7. Redução ou abandono de atividades sociais, ocupacionais ou recreativas importantes

O que significa: A pessoa começa a abrir mão de coisas que antes eram importantes para ela por causa da substância.

Exemplos concretos:
– Clara adorava pintar, mas parou porque os remédios para ansiedade deixam suas mãos trêmulas.
– João costumava jogar futebol todo sábado, mas parou porque o relaxante muscular que toma o deixa sem coordenação.
– Mariana sempre gostou de cozinhar, mas agora só pede delivery porque os remédios para enxaqueca a deixam sem energia para preparar comida.

Normal vs. Sintomático:
É normal ter fases em que você não tem tempo para hobbies – como quando está estudando para uma prova importante. O problema é quando a pessoa abandona permanentemente atividades que antes davam prazer ou eram importantes para sua identidade.


8. Uso recorrente em situações fisicamente perigosas

O que significa: Usar a substância em situações onde isso pode colocar a pessoa ou outros em risco.

Exemplos concretos:
– Paula toma um remédio para dormir e depois dirige para o trabalho, mesmo sabendo que o remédio pode deixá-la sonolenta.
– Carlos toma um relaxante muscular e depois opera máquinas pesadas no trabalho.
– Renata toma um remédio para ansiedade e depois nada na piscina, mesmo sabendo que o remédio pode causar tontura.

Como isso aparece no dia a dia:
É como dirigir depois de beber – você sabe que é perigoso, mas faz mesmo assim. No transtorno, essa falta de cuidado acontece repetidamente, mesmo quando a pessoa sabe dos riscos.


9. Uso continuado apesar de saber que tem um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que provavelmente foi causado ou exacerbado pela substância

O que significa: A pessoa continua usando mesmo quando a substância está piorando um problema de saúde.

Exemplos concretos:
– André sabe que os remédios para dormir estão piorando sua depressão, mas continua tomando porque não consegue dormir sem eles.
– Beatriz tem problemas no fígado por causa de um anti-inflamatório que toma para dores nas costas, mas não consegue parar de tomar.
– Lucas sabe que os remédios para emagrecer estão causando arritmia cardíaca, mas continua tomando porque tem medo de engordar.

Normal vs. Sintomático:
É como continuar comendo doces mesmo sabendo que você é diabético. A diferença é que, no transtorno, a pessoa sente que não tem escolha – como se precisasse da substância para sobreviver.


10. Tolerância

O que significa: A pessoa precisa de doses cada vez maiores para ter o mesmo efeito, ou o efeito da mesma dose diminui com o tempo.

Exemplos concretos:
– No começo, meio comprimido do remédio para dormir era suficiente para Ana. Agora, ela precisa de dois comprimidos para conseguir dormir.
– Quando Pedro começou a tomar o relaxante muscular, uma dose aliviava sua dor por 8 horas. Agora, a mesma dose só alivia por 2 horas.
– Carla percebeu que precisa tomar o remédio para ansiedade em horários cada vez mais próximos para se sentir calma.

Como isso aparece no dia a dia:
É como quando você se acostuma com um perfume – no começo, sente o cheiro forte, mas depois de um tempo, precisa passar mais para sentir o mesmo efeito. No transtorno, esse processo acontece com substâncias que afetam o cérebro, e pode ser perigoso porque a pessoa acaba tomando doses muito altas.


11. Abstinência

O que significa: Quando a pessoa para de usar a substância, aparecem sintomas físicos ou psicológicos desconfortáveis.

Exemplos concretos:
– Quando tenta parar de tomar o remédio para dormir, Roberto fica tão ansioso que não consegue ficar parado, tem tremores e suor frio.
– Se passa mais de 6 horas sem tomar o relaxante muscular, Camila sente dores pelo corpo todo, como se estivesse gripada.
– Quando fica sem o remédio para ansiedade por um dia, Daniel fica irritado, com dor de cabeça e dificuldade para se concentrar.

Normal vs. Sintomático:
É normal sentir algum desconforto quando para de tomar um remédio – como quando você para de tomar café e fica com dor de cabeça. O problema é quando os sintomas são tão intensos que a pessoa não consegue funcionar sem a substância.


Importante: O que faz o diagnóstico?

Ter um ou dois desses sintomas não significa que a pessoa tem um transtorno. O que importa é:
1. O conjunto: Vários sintomas acontecendo ao mesmo tempo.
2. A intensidade: Os sintomas estão causando sofrimento real ou prejudicando a vida da pessoa.
3. A duração: Os sintomas persistem por semanas ou meses, não são algo passageiro.
4. O impacto: A substância está atrapalhando áreas importantes da vida – trabalho, relacionamentos, saúde.

É como uma receita de bolo: um ingrediente sozinho não faz um bolo, mas quando você combina vários na quantidade certa, o resultado é diferente. Da mesma forma, é a combinação desses sintomas que indica um transtorno.

Como se manifesta no dia a dia?

Os transtornos por uso de substâncias não afetam só a pessoa que usa – eles reverberam em todas as áreas da vida, como uma pedra jogada em um lago que cria ondas cada vez maiores. Vamos ver como isso acontece na prática.

No trabalho ou na escola

Imagine que o trabalho ou a escola são como um videogame onde você precisa cumprir missões diárias. Quando uma substância começa a causar problemas, é como se o jogo ficasse cada vez mais difícil, mesmo que você não tenha mudado nada na sua estratégia.

Exemplos concretos:
Faltas e atrasos: João trabalha em um escritório e toma um remédio para dormir que o deixa grogue pela manhã. Ele já chegou atrasado tantas vezes que seu chefe ameaçou demiti-lo. Na escola, Sofia cochila durante as aulas porque o xarope para tosse que toma à noite a deixa sonolenta.
Queda no desempenho: Ana é designer e precisa de mãos firmes para trabalhar. Desde que começou a tomar remédios para ansiedade que causam tremores, seus projetos estão saindo com erros que antes não aconteciam. Na faculdade, Pedro não consegue se concentrar nas provas porque passa a noite acordado, tentando reduzir os remédios para dormir.
Problemas com colegas: Marcos trabalha em uma fábrica e toma um relaxante muscular que o deixa irritado. Ele já brigou com dois colegas de trabalho por coisas pequenas, e agora ninguém quer fazer dupla com ele. Na escola, Carla cancela trabalhos em grupo porque não consegue combinar horários que não entrem em conflito com seus “horários de remédio”.
Riscos profissionais: Daniel é motorista de aplicativo e toma um remédio para enxaqueca que causa tontura. Ele já quase bateu o carro duas vezes porque não conseguiu frear a tempo. Na construção civil, Eduardo opera máquinas pesadas depois de tomar um anti-inflamatório que o deixa sonolento – um risco enorme para ele e seus colegas.

O que pode acontecer:
– Advertências no trabalho ou na escola
– Demissão ou reprovação
– Perda de oportunidades (promoções, bolsas de estudo)
– Acidentes de trabalho
– Processos por negligência (em profissões de risco)


Nos relacionamentos

Relacionamentos são como plantas: precisam de cuidado constante para crescer, e se você para de regar, elas murcham. Quando uma substância começa a ocupar muito espaço na vida de alguém, os relacionamentos são os primeiros a sentir a falta de atenção.

Exemplos concretos:
Brigas constantes: A esposa de Ricardo já pediu várias vezes para ele parar de tomar os calmantes que encontra na casa da mãe, porque ele fica agressivo quando usa. Eles já tiveram discussões tão fortes que ela ameaçou pedir o divórcio.
Isolamento: Os amigos de Amanda já pararam de convidá-la para sair porque ela sempre cancela no último minuto, dizendo que precisa ficar em casa para tomar seus remédios. Ela se sente sozinha, mas não consegue mudar.
Desconfiança: A família de Eduardo desconfia que ele está usando drogas porque ele gasta muito dinheiro em remédios que compra pela internet. Ele jura que não é nada grave, mas eles já revistaram seu quarto várias vezes.
Falta de intimidade: Paula e seu marido não têm mais relações sexuais porque os remédios para dormir que ela toma a deixam sem libido. Ele se sente rejeitado, e ela se sente culpada, mas não consegue parar de tomar.
Problemas com os filhos: Lucas toma um remédio para ansiedade que o deixa sonolento. Ele já perdeu momentos importantes dos filhos, como apresentações na escola e jogos de futebol, porque estava dormindo ou se recuperando dos efeitos do remédio.

O que pode acontecer:
– Separações e divórcios
– Afastamento de amigos e familiares
– Conflitos constantes
– Perda da guarda dos filhos (em casos extremos)
– Sentimentos de solidão e abandono


Na rotina

A rotina de uma pessoa é como um trem: quando está funcionando bem, ele segue nos trilhos, chegando nos lugares certos na hora certa. Quando uma substância começa a causar problemas, é como se alguém tivesse tirado os trilhos – o trem continua andando, mas de forma desordenada, sem chegar a lugar nenhum.

Exemplos concretos:
Sono desregulado: Clara toma remédios para dormir, mas acorda várias vezes durante a noite porque o efeito passa. Durante o dia, ela cochila em momentos inapropriados, como durante reuniões ou enquanto dirige.
Alimentação irregular: João esquece de comer porque passa muito tempo se recuperando dos efeitos colaterais de um remédio para emagrecer. Quando lembra, come qualquer coisa rápida e pouco saudável.
Falta de autocuidado: Ana parou de ir ao dentista e ao ginecologista porque os remédios para ansiedade a deixam tão nervosa que ela não consegue sair de casa. Ela também parou de se exercitar porque os remédios a deixam sem energia.
Lazer comprometido: Pedro adorava jogar videogame com os amigos, mas agora passa as noites pesquisando sobre novos remédios para dormir na internet. Ele já perdeu o interesse em hobbies que antes adorava.
Higiene pessoal: Sofia toma um xarope para tosse que a deixa tão sonolenta que ela já foi trabalhar sem tomar banho ou escovar os dentes porque não conseguiu acordar a tempo.

O que pode acontecer:
– Problemas de saúde por falta de cuidados básicos
– Isolamento social
– Perda de prazer nas atividades diárias
– Dificuldade em manter uma rotina saudável
– Sensação de que a vida está “fora de controle”


Na saúde física

O corpo é como um carro: se você coloca combustível de má qualidade ou não faz a manutenção, ele começa a dar sinais de que algo está errado. Quando uma substância está causando problemas, o corpo envia alertas – mas muitas vezes a pessoa ignora esses sinais ou os atribui a outras causas.

Exemplos concretos:
Problemas digestivos: Maria toma anti-inflamatórios fortes para dores nas costas todos os dias. Ela já desenvolveu gastrite e úlcera, mas continua tomando porque a dor nas costas é insuportável sem eles.
Problemas cardíacos: Lucas toma um remédio para emagrecer que acelera seu coração. Ele já teve duas crises de taquicardia, mas continua tomando porque tem medo de engordar.
Problemas hepáticos: Eduardo toma um relaxante muscular que sobrecarrega seu fígado. Ele já teve icterícia (pele e olhos amarelados), mas não consegue parar de tomar.
Problemas renais: Ana toma diuréticos para emagrecer e já desenvolveu pedras nos rins. Mesmo assim, ela continua tomando porque não quer parar de perder peso.
Problemas neurológicos: Pedro toma um remédio para dormir que causa lapsos de memória. Ele já esqueceu compromissos importantes e até onde estacionou o carro, mas não consegue dormir sem o remédio.

O que pode acontecer:
– Doenças crônicas (diabetes, hipertensão)
– Danos permanentes a órgãos (fígado, rins, coração)
– Overdose (em casos de medicamentos controlados)
– Internações hospitalares
– Morte (em casos extremos)


O que causa essa condição?

Entender as causas de um transtorno por uso de substâncias é como tentar montar um quebra-cabeça com várias peças. Não existe uma única causa – é sempre uma combinação de fatores que se encaixam de forma única para cada pessoa. Vamos explorar cada uma dessas peças.

Fatores genéticos

Imagine que seu corpo é como um computador. Você nasce com um “hardware” – seu DNA – que influencia como você reage às coisas. Algumas pessoas têm um hardware que as torna mais vulneráveis a desenvolver problemas com substâncias.

Como isso funciona:
– Se seus pais ou avós tiveram problemas com álcool, drogas ou até mesmo medicamentos, você tem uma chance maior de desenvolver um transtorno por uso de substâncias. Não é uma sentença, mas uma predisposição – como ter olhos claros ou ser alto.
– Estudos com gêmeos mostram que, quando um gêmeo idêntico desenvolve um transtorno por uso de substâncias, o outro tem uma chance muito maior de desenvolver também, mesmo que sejam criados em ambientes diferentes.
– Alguns genes podem fazer com que uma pessoa sinta mais prazer com determinadas substâncias ou tenha mais dificuldade para parar de usá-las.

Exemplo prático:
João sempre achou estranho como seu irmão mais velho conseguia tomar vários drinks em uma festa e parar quando queria, enquanto ele ficava “alto” com muito menos e tinha dificuldade para parar. Anos depois, descobriu que tem uma variação genética que faz com que seu corpo processe o álcool de forma diferente – e que essa mesma variação está associada a um risco maior de dependência.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Se meus pais tiveram problemas com álcool, eu também vou ter.”
Verdade: A genética aumenta o risco, mas não determina o futuro. É como ter uma predisposição para diabetes – você pode desenvolver a doença se não cuidar da alimentação, mas também pode prevenir com hábitos saudáveis.


Fatores neurobiológicos

Seu cérebro é como uma orquestra, com diferentes instrumentos (neurotransmissores) tocando juntos para criar uma sinfonia harmoniosa. Quando uma substância psicoativa entra nessa orquestra, é como se alguém começasse a tocar um instrumento fora do ritmo – a sinfonia fica desafinada, e o cérebro precisa se adaptar.

Como isso funciona:
Sistema de recompensa: Nosso cérebro tem um sistema que nos faz sentir prazer quando fazemos coisas importantes para a sobrevivência, como comer ou fazer sexo. Substâncias psicoativas “hackeiam” esse sistema, fazendo o cérebro liberar muito mais dopamina (o neurotransmissor do prazer) do que o normal.
Neuroadaptação: Com o tempo, o cérebro se acostuma com essa quantidade extra de dopamina e começa a produzir menos naturalmente. É como se o cérebro dissesse: “Já estou recebendo dopamina de fora, então não preciso produzir a minha”. Isso faz com que a pessoa precise de doses cada vez maiores da substância para sentir o mesmo prazer.
Memória e aprendizado: O cérebro também cria associações fortes entre a substância e o prazer. É por isso que, mesmo depois de parar de usar, a pessoa pode sentir fissura quando vê algo que lembra a substância – como uma farmácia ou um copo de água (se a substância era tomada com água).

Exemplo prático:
Ana começou a tomar um remédio para ansiedade que seu médico receitou. No começo, meia pílula a deixava calma. Depois de algumas semanas, ela precisava de uma pílula inteira para ter o mesmo efeito. Seu cérebro tinha se adaptado à presença do remédio e parado de produzir seus próprios “calmantes naturais”.

Analogia:
Imagine que você está com sede e bebe um copo de água. Você sente alívio, certo? Agora, imagine que alguém inventa uma “água mágica” que faz você se sentir 10 vezes mais aliviado do que a água normal. Com o tempo, seu corpo se acostuma com essa “água mágica” e para de reagir à água normal. Quando você tenta voltar a beber água normal, sente que não está matando sua sede. É mais ou menos isso que acontece no cérebro com substâncias psicoativas.


Fatores ambientais

O ambiente em que vivemos é como o solo onde uma planta cresce. Se o solo é fértil e bem cuidado, a planta tem mais chances de crescer saudável. Se o solo é pobre ou tóxico, a planta pode crescer torta ou adoecer.

Como isso funciona:
Disponibilidade: Se uma substância é fácil de conseguir (como remédios no armário de casa ou vendidos sem receita), o risco de uso problemático aumenta.
Pressão social: Em alguns grupos, usar certas substâncias é visto como “normal” ou até desejável. Por exemplo, em alguns ambientes de trabalho, tomar remédios para ficar acordado e produtivo é quase uma exigência.
Traumas e estresse: Pessoas que passaram por traumas (abuso, violência, negligência) ou que vivem em situações de estresse crônico (pobreza, desemprego, relacionamentos abusivos) têm mais chances de usar substâncias como forma de lidar com a dor.
Falta de alternativas: Quando uma pessoa não tem acesso a outras formas de lidar com problemas (terapia, exercícios, hobbies, apoio social), ela pode recorrer a substâncias como única saída.
Modelos familiares: Se os pais ou cuidadores usam substâncias de forma problemática, a criança cresce vendo isso como um comportamento normal.

Exemplo prático:
Carlos cresceu em uma casa onde todos tomavam remédios para dormir. Sua mãe, seu pai e até sua avó tinham caixinhas de comprimidos na mesa de cabeceira. Quando ele começou a ter insônia na adolescência, achou natural ir até o armário da mãe e pegar um remédio. Anos depois, ele percebeu que estava tomando doses cada vez maiores e não conseguia dormir sem eles.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Pessoas que desenvolvem dependência são fracas ou sem força de vontade.”
Verdade: O ambiente tem um papel enorme. É como culpar uma planta por não crescer bem em um solo pobre – o problema não é a planta, mas as condições em que ela está tentando crescer.


Fatores da gestação e desenvolvimento

A forma como fomos cuidados nos primeiros anos de vida é como o alicerce de uma casa. Se o alicerce é forte, a casa pode aguentar tempestades. Se é fraco, a casa pode desabar com o primeiro vento forte.

Como isso funciona:
Exposição pré-natal: Se a mãe usou substâncias durante a gravidez, o bebê pode nascer com alterações no cérebro que aumentam o risco de desenvolver problemas com substâncias mais tarde.
Apego na infância: Crianças que não recebem cuidado e atenção adequados nos primeiros anos de vida podem desenvolver dificuldades em regular emoções, o que as torna mais vulneráveis a usar substâncias como forma de lidar com sentimentos difíceis.
Traumas na infância: Abuso, negligência ou violência na infância alteram o desenvolvimento do cérebro, aumentando o risco de problemas com substâncias na vida adulta.
Adolescência: O cérebro adolescente é especialmente vulnerável porque a parte responsável pelo controle de impulsos (o córtex pré-frontal) ainda não está totalmente desenvolvida. Isso faz com que os adolescentes sejam mais propensos a comportamentos de risco, incluindo o uso de substâncias.

Exemplo prático:
Daniela foi adotada quando bebê e só descobriu na adolescência que sua mãe biológica tinha problemas com álcool e drogas durante a gravidez. Quando ela começou a ter problemas com remédios para ansiedade na vida adulta, seu terapeuta ajudou-a a entender como sua exposição pré-natal pode ter contribuído para sua vulnerabilidade.

Analogia:
Imagine que seu cérebro é como um jardim. Nos primeiros anos de vida, esse jardim está sendo plantado. Se os jardineiros (seus cuidadores) regam as plantas certas (dão amor, segurança, estímulos adequados), o jardim cresce bonito e resistente. Se eles regam as plantas erradas (negligenciam, abusam, expõem a traumas), o jardim pode crescer com ervas daninhas (dificuldades emocionais) que precisarão ser cuidadas mais tarde.


Modelo biopsicossocial

Nenhum desses fatores age sozinho. É sempre uma combinação de biologia (seu hardware), psicologia (seus pensamentos e emoções) e ambiente (o mundo ao seu redor). É como uma receita de bolo: se você mudar um ingrediente, o resultado final é diferente.

Exemplo prático:
Vamos pegar o caso de Rafael:
Biologia: Ele tem uma predisposição genética para ansiedade (herdada da mãe).
Psicologia: Ele cresceu em uma família onde expressar emoções era visto como “fraqueza”, então aprendeu a reprimir seus sentimentos.
Ambiente: Ele trabalha em um emprego muito estressante, onde tomar remédios para “aguentar o tranco” é quase uma norma.

Quando Rafael começou a tomar um remédio para ansiedade que encontrou no armário da mãe, todos esses fatores se combinaram para criar um terreno fértil para o desenvolvimento de um transtorno.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Dependência é uma escolha. Se a pessoa quisesse, parava.”
Verdade: A dependência é o resultado de uma combinação complexa de fatores. É como culpar alguém por ter diabetes tipo 2 – a pessoa pode ter contribuído com hábitos pouco saudáveis, mas também há fatores genéticos e ambientais que ela não controla.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno por uso de substâncias pode ser um momento de alívio (“finalmente alguém entende o que estou passando”) ou de negação (“eu não tenho problema nenhum”). O processo de diagnóstico é como um mapa: ele ajuda a entender onde você está e para onde precisa ir, mas não diz como você deve caminhar.

O processo de avaliação passo a passo

  1. Primeiro contato:
  2. Você ou alguém da sua família marca uma consulta com um profissional de saúde mental (psiquiatra, psicólogo ou médico de família).
  3. No SUS, você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). No particular, pode marcar diretamente com um psiquiatra ou psicólogo.
  4. O que esperar: A primeira consulta costuma ser mais longa (40-60 minutos) e focada em entender sua história.

  5. Entrevista clínica:

  6. O profissional vai fazer perguntas sobre:
    • Seu uso de substâncias: Quais substâncias você usa, com que frequência, em que quantidade, há quanto tempo.
    • Seus sintomas: Como o uso está afetando sua vida (trabalho, relacionamentos, saúde).
    • Sua história: Problemas de saúde mental na família, traumas, estresses recentes.
    • Seu funcionamento geral: Sono, alimentação, rotina, hobbies.
  7. Exemplo de perguntas:

    • “Quando você começou a usar [substância]?”
    • “Como você se sente quando não usa?”
    • “Já tentou parar ou reduzir? Como foi?”
    • “O uso já causou problemas no trabalho ou nos relacionamentos?”
    • “Como está seu sono e sua alimentação?”
  8. Exames complementares:

  9. Exames de sangue e urina: Para verificar se há danos a órgãos (fígado, rins) ou para confirmar o uso de substâncias.
  10. Avaliação psicológica: Alguns profissionais usam questionários padronizados para avaliar a gravidade dos sintomas.
  11. Exames de imagem (em alguns casos): Como ressonância magnética, para verificar danos cerebrais em casos graves.

  12. Critérios diagnósticos:

  13. O profissional vai comparar suas respostas com os critérios do DSM-5 ou CID-11 (aqueles que explicamos na seção de sintomas).
  14. Ele vai avaliar quantos critérios você preenche e com que intensidade.

  15. Diagnóstico diferencial:

  16. O profissional vai descartar outras condições que podem causar sintomas parecidos, como:

    • Transtornos de ansiedade ou depressão: Às vezes, o uso de substâncias é uma tentativa de automedicação para esses transtornos.
    • Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): Algumas pessoas usam substâncias para tentar se concentrar.
    • Transtornos de personalidade: Como o transtorno borderline, que pode envolver comportamentos impulsivos.
    • Doenças clínicas: Como problemas de tireoide, que podem causar sintomas parecidos com ansiedade ou depressão.
  17. Gravidade:

  18. O diagnóstico pode ser classificado como:
    • Leve: 2-3 critérios.
    • Moderado: 4-5 critérios.
    • Grave: 6 ou mais critérios.
  19. Isso ajuda a guiar o tratamento.

  20. Devolutiva:

  21. O profissional vai explicar o diagnóstico, responder suas dúvidas e discutir opções de tratamento.
  22. O que você pode perguntar:
    • “O que esse diagnóstico significa?”
    • “Quais são as opções de tratamento?”
    • “Quanto tempo costuma durar o tratamento?”
    • “Quais são as chances de melhora?”
    • “O que eu posso fazer para ajudar no meu tratamento?”

Quanto tempo leva para ser diagnosticado?

Não existe um prazo exato, mas geralmente:
Primeiros sintomas até busca por ajuda: Pode levar meses ou anos. Muitas pessoas só procuram ajuda quando o problema já está grave.
Primeira consulta até diagnóstico: Geralmente 1-3 consultas, dependendo da complexidade do caso.
Diagnóstico até início do tratamento: Pode ser imediato (na mesma consulta) ou levar algumas semanas, dependendo da disponibilidade de serviços.

Por que pode demorar?
Negação: A pessoa pode não reconhecer que tem um problema.
Estigma: Medo de ser julgado ou rotulado.
Falta de informação: Não saber que o uso de medicamentos pode causar dependência.
Dificuldade de acesso: Filas no SUS, falta de profissionais na rede particular.


Quem pode diagnosticar?

  • Psiquiatras: Médicos especializados em saúde mental. Podem diagnosticar e prescrever medicamentos.
  • Psicólogos: Podem diagnosticar (exceto no SUS, onde o diagnóstico formal precisa ser feito por um médico) e oferecer psicoterapia.
  • Médicos de família: Podem fazer uma avaliação inicial e encaminhar para especialistas.
  • Outros profissionais de saúde mental: Como enfermeiros psiquiátricos e terapeutas ocupacionais, que podem ajudar no processo.

No SUS:
1. Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde).
2. O médico de família vai fazer uma avaliação inicial.
3. Se necessário, ele vai encaminhar para um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou para um psiquiatra.
4. Em casos graves, pode ser necessário internação em uma unidade psiquiátrica.

No particular:
1. Marque uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo.
2. Alguns planos de saúde cobrem consultas com psiquiatras, mas é bom verificar antes.
3. O valor da consulta varia muito (de R$ 200 a R$ 800, em média).


O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se você nunca foi a um profissional de saúde mental antes. É normal sentir ansiedade ou vergonha. Lembre-se: o profissional está ali para ajudar, não para julgar.

Como se preparar:
Faça uma lista: Anote os sintomas que você tem observado, há quanto tempo eles acontecem e como eles afetam sua vida.
Traga informações: Se possível, traga uma lista dos medicamentos que você usa (mesmo os que não são controlados), histórico de saúde da família e exames recentes.
Pense em perguntas: Anote dúvidas que você quer tirar durante a consulta.
Leve alguém: Se você se sentir mais confortável, pode levar um familiar ou amigo para te acompanhar.

O que o profissional pode perguntar:
– “O que te trouxe aqui hoje?”
– “Há quanto tempo você usa [substância]?”
– “Como você se sente quando não usa?”
– “Já tentou parar ou reduzir? Como foi?”
– “O uso já causou problemas no trabalho, na escola ou nos relacionamentos?”
– “Como está sua rotina? Sono, alimentação, exercícios?”
– “Você tem histórico de problemas de saúde mental na família?”
– “Você já passou por algum trauma ou situação estressante recentemente?”

O que você pode perguntar:
– “O que você acha que está acontecendo?”
– “Quais são as opções de tratamento?”
– “Quanto tempo costuma durar o tratamento?”
– “Quais são as chances de melhora?”
– “O que eu posso fazer para ajudar no meu tratamento?”
– “Você pode me explicar o diagnóstico de uma forma que eu entenda?”

Dicas para a consulta:
Seja honesto: Não minimize seus sintomas por vergonha. O profissional já ouviu histórias parecidas antes.
Pergunte tudo: Não saia da consulta com dúvidas. Se não entender algo, peça para o profissional explicar de outra forma.
Tire notas: Anote as informações importantes para não esquecer depois.
Não tenha pressa: Se a consulta estiver acabando e você ainda tiver dúvidas, peça para continuar na próxima vez.


Diagnóstico diferencial: O que pode ser confundido?

Algumas condições podem causar sintomas parecidos com os de um transtorno por uso de substâncias. O profissional vai avaliar cuidadosamente para descartar essas possibilidades.

  1. Transtornos de ansiedade ou depressão:
  2. Como diferenciar: Às vezes, o uso de substâncias é uma tentativa de automedicação para ansiedade ou depressão. O profissional vai avaliar se os sintomas de ansiedade/depressão começaram antes ou depois do uso da substância.
  3. Exemplo: Maria começou a tomar um remédio para dormir porque estava com insônia por causa da ansiedade. Com o tempo, desenvolveu um transtorno por uso do remédio. O profissional vai avaliar se a ansiedade é a causa do uso ou se o uso está piorando a ansiedade.

  4. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH):

  5. Como diferenciar: Algumas pessoas usam substâncias estimulantes (como remédios para TDAH) para tentar se concentrar. O profissional vai avaliar se os sintomas de desatenção e hiperatividade começaram na infância (o que sugere TDAH) ou se apareceram depois do uso da substância.
  6. Exemplo: João começou a tomar o remédio para TDAH do irmão porque achava que o ajudava a estudar. Com o tempo, desenvolveu um transtorno por uso. O profissional vai avaliar se ele realmente tem TDAH ou se os sintomas de desatenção são causados pelo uso do remédio.

  7. Transtornos de personalidade:

  8. Como diferenciar: Alguns transtornos de personalidade, como o borderline, envolvem comportamentos impulsivos que podem incluir o uso de substâncias. O profissional vai avaliar se o uso da substância faz parte de um padrão mais amplo de impulsividade.
  9. Exemplo: Ana tem diagnóstico de transtorno borderline e usa remédios para ansiedade de forma impulsiva. O profissional vai avaliar se o uso da substância é um sintoma do transtorno de personalidade ou se configura um transtorno por uso separado.

  10. Doenças clínicas:

  11. Como diferenciar: Algumas doenças, como problemas de tireoide ou deficiências vitamínicas, podem causar sintomas parecidos com ansiedade ou depressão, que podem levar ao uso de substâncias. O profissional pode pedir exames para descartar essas possibilidades.
  12. Exemplo: Pedro começou a tomar um remédio para ansiedade porque estava se sentindo nervoso e com o coração acelerado. Depois de alguns exames, descobriu que tinha hipertireoidismo, uma condição que causa sintomas parecidos com ansiedade.

  13. Uso recreativo ou ocasional:

  14. Como diferenciar: Nem todo uso de substâncias é problemático. O profissional vai avaliar se o uso está causando prejuízos significativos na vida da pessoa.
  15. Exemplo: Carla toma um remédio para dormir ocasionalmente, quando está muito estressada. Ela consegue parar quando quer e o uso não está causando problemas em sua vida. Nesse caso, não se configura um transtorno.

Tratamento

Receber um diagnóstico de transtorno por uso de substâncias pode ser um momento de virada. É como quando você está perdido em uma floresta e finalmente encontra uma placa indicando o caminho de volta. O tratamento é esse caminho – ele não é sempre fácil, mas é o que vai te levar de volta para uma vida mais saudável e equilibrada.

Medicamentos

Os medicamentos são como ferramentas em uma caixa: cada um serve para um propósito específico, e o médico vai escolher quais são mais adequados para o seu caso. Eles podem ajudar a:
– Reduzir a fissura (vontade intensa de usar a substância)
– Aliviar os sintomas de abstinência
– Tratar condições associadas (como ansiedade ou depressão)
– Prevenir recaídas

Importante: Os medicamentos não são uma “cura mágica”. Eles funcionam melhor quando combinados com outras formas de tratamento, como psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

Quais classes são usadas?

  1. Medicamentos para abstinência:
  2. Para que servem: Aliviar os sintomas físicos e psicológicos que aparecem quando a pessoa para de usar a substância.
  3. Exemplos:
    • Benzodiazepínicos (em casos específicos): Como diazepam ou clonazepam, usados para aliviar sintomas de abstinência de álcool ou outros depressores do sistema nervoso. Atenção: Esses medicamentos também podem causar dependência, então são usados por curtos períodos e com supervisão médica.
    • Clonidina: Usada para aliviar sintomas como ansiedade, agitação e sudorese na abstinência de opioides.
  4. Como funcionam: Eles “enganam” o cérebro, aliviando os sintomas sem causar os mesmos efeitos da substância original.

  5. Medicamentos para reduzir a fissura:

  6. Para que servem: Diminuir a vontade intensa de usar a substância.
  7. Exemplos:
    • Naltrexona: Usada para reduzir a fissura por álcool e opioides. Ela bloqueia os receptores de opioides no cérebro, diminuindo o prazer associado ao uso.
    • Acamprosato: Usado para reduzir a fissura por álcool. Ele ajuda a restaurar o equilíbrio químico no cérebro que foi alterado pelo uso crônico de álcool.
    • Bupropiona: Usada para reduzir a fissura por nicotina (em cigarros) e, em alguns casos, por outras substâncias.
  8. Como funcionam: Eles atuam nos mesmos caminhos cerebrais que a substância, mas de forma mais suave e controlada.

  9. Medicamentos para prevenir recaídas:

  10. Para que servem: Ajudar a pessoa a manter a abstinência a longo prazo.
  11. Exemplos:
    • Dissulfiram: Usado para prevenir recaídas no uso de álcool. Ele causa uma reação desagradável (náusea, vômito, dor de cabeça) se a pessoa beber álcool, desencorajando o uso.
    • Metadona e buprenorfina: Usadas para tratar dependência de opioides. Elas ativam os mesmos receptores que a heroína ou outros opioides, mas de forma mais lenta e controlada, reduzindo a fissura e os sintomas de abstinência sem causar o “barato” associado ao uso.
  12. Como funcionam: Eles criam uma barreira física ou psicológica para o uso da substância.

  13. Medicamentos para tratar condições associadas:

  14. Para que servem: Muitas pessoas com transtorno por uso de substâncias também têm outros problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão ou TDAH. Tratar essas condições pode ajudar no tratamento do transtorno por uso.
  15. Exemplos:
    • Antidepressivos (ISRS): Como fluoxetina ou sertralina, usados para tratar depressão e ansiedade.
    • Estabilizadores de humor: Como lítio ou valproato, usados para tratar transtorno bipolar.
    • Estimulantes: Como metilfenidato, usados para tratar TDAH.
  16. Como funcionam: Eles ajudam a restaurar o equilíbrio químico no cérebro, melhorando o humor, a ansiedade e a capacidade de concentração.

Quanto tempo para fazer efeito?

Os medicamentos não funcionam como um interruptor – você não toma um comprimido e acorda no dia seguinte “curado”. Eles são mais como um termostato: vão ajustando gradualmente o funcionamento do seu cérebro até que ele volte a um estado mais equilibrado.

  • Medicamentos para abstinência: Começam a fazer efeito em horas ou dias, dependendo da substância.
  • Medicamentos para fissura: Podem levar algumas semanas para fazer efeito completo.
  • Medicamentos para condições associadas (como antidepressivos): Podem levar de 4 a 6 semanas para fazer efeito completo.

Importante: Não desanime se não sentir melhora imediata. Muitas pessoas desistem do tratamento porque acham que o medicamento “não está funcionando”, mas na verdade ele só precisa de mais tempo.


Desmistificando: “Não vicia”, “Não muda quem você é”, efeitos colaterais

Muitas pessoas têm medo de tomar medicamentos psiquiátricos por causa de mitos que circulam por aí. Vamos esclarecer alguns deles:

Mito: “Medicamentos psiquiátricos viciam.”
Verdade: Alguns medicamentos, como os benzodiazepínicos, podem causar dependência se usados de forma inadequada. Mas a maioria dos medicamentos usados no tratamento de transtornos por uso de substâncias não causa dependência quando usados conforme a prescrição médica. Na verdade, eles ajudam a tratar a dependência.

Mito: “Medicamentos psiquiátricos mudam sua personalidade.”
Verdade: Os medicamentos não mudam quem você é. Eles ajudam a restaurar o equilíbrio químico no seu cérebro, para que você possa ser a melhor versão de si mesmo. É como usar óculos: eles não mudam quem você é, só ajudam você a enxergar melhor.

Mito: “Se eu tomar medicamento, vou precisar tomar para sempre.”
Verdade: Alguns medicamentos são usados por curtos períodos (como os para abstinência), enquanto outros podem ser usados por meses ou anos, dependendo do caso. O objetivo é sempre reduzir a dose gradualmente, sob supervisão médica, quando você estiver estável.

Mito: “Medicamentos psiquiátricos têm efeitos colaterais horríveis.”
Verdade: Todo medicamento pode ter efeitos colaterais, mas a maioria deles é leve e temporária. Os efeitos colaterais mais comuns incluem sonolência, boca seca ou náusea, que geralmente melhoram depois de algumas semanas. O médico vai monitorar você de perto e ajustar a dose ou o medicamento se necessário.

Efeitos colaterais comuns e o que fazer:
Sonolência: Tome o medicamento à noite ou converse com seu médico sobre ajustar a dose.
Boca seca: Beba água, masque chiclete sem açúcar ou use saliva artificial.
Náusea: Tome o medicamento com comida ou converse com seu médico sobre reduzir a dose gradualmente.
Dor de cabeça: Tome um analgésico comum (como paracetamol) e converse com seu médico se a dor persistir.
Insônia: Tome o medicamento pela manhã ou converse com seu médico sobre ajustar a dose.

Importante: Nunca pare de tomar um medicamento por conta própria, mesmo que esteja se sentindo melhor. Parar abruptamente pode causar sintomas de abstinência ou piorar sua condição. Sempre converse com seu médico antes de fazer qualquer mudança.


Psicoterapia

Se os medicamentos são as ferramentas que ajudam a consertar o “hardware” do seu cérebro, a psicoterapia é como um manual de instruções que te ensina a usar essas ferramentas da melhor forma. Ela ajuda você a entender por que começou a usar a substância, como lidar com a fissura e como construir uma vida que não dependa dela.

Abordagens com mais evidência para essa condição

  1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC):
  2. O que é: Um tipo de terapia focada em identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para o uso de substâncias.
  3. Como funciona:
    • Identificação de gatilhos: Você aprende a reconhecer situações, emoções ou pensamentos que desencadeiam a vontade de usar a substância.
    • Manejo de fissura: Você aprende técnicas para lidar com a vontade intensa de usar, como respiração profunda, distração ou autoinstrução.
    • Prevenção de recaídas: Você aprende a identificar sinais de alerta de uma recaída e a criar um plano para evitá-la.
    • Habilidades de enfrentamento: Você aprende novas formas de lidar com estresse, ansiedade e outros problemas que antes eram “resolvidos” com a substância.
  4. Exemplo prático:
    • Gatilho: Toda vez que João sente ansiedade, ele toma um remédio para dormir.
    • Trabalho na terapia: João aprende a reconhecer os primeiros sinais de ansiedade (coração acelerado, pensamentos acelerados) e a usar técnicas de relaxamento (respiração profunda, meditação) em vez de tomar o remédio.
  5. Duração: Geralmente 12-20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo do caso.

  6. Entrevista Motivacional:

  7. O que é: Um tipo de terapia focada em aumentar a motivação da pessoa para mudar seu comportamento.
  8. Como funciona:
    • Ambivalência: Muitas pessoas com transtorno por uso de substâncias sentem-se ambivalentes – ao mesmo tempo querem parar de usar, mas também têm medo de viver sem a substância. A entrevista motivacional ajuda a explorar essa ambivalência e a encontrar motivos para mudar.
    • Metas pessoais: Você identifica o que é importante para você (família, trabalho, saúde) e como o uso da substância está atrapalhando esses objetivos.
    • Autonomia: O terapeuta não diz o que você deve fazer, mas ajuda você a encontrar suas próprias razões para mudar.
  9. Exemplo prático:
    • Situação: Maria não tem certeza se quer parar de tomar os calmantes que usa.
    • Trabalho na terapia: O terapeuta pergunta: “O que é mais importante para você: continuar usando os calmantes ou conseguir passar mais tempo com sua filha sem se sentir grogue?” Maria reflete e percebe que passar tempo com a filha é mais importante.
  10. Duração: Geralmente 1-4 sessões, mas pode ser combinada com outras abordagens.

  11. Terapia de Prevenção de Recaída:

  12. O que é: Um tipo de terapia focada em identificar e lidar com situações de alto risco para recaída.
  13. Como funciona:
    • Identificação de situações de risco: Você aprende a reconhecer situações que aumentam o risco de recaída, como estar perto de pessoas que usam a substância ou passar por momentos de estresse.
    • Plano de prevenção: Você cria um plano detalhado para lidar com essas situações, incluindo estratégias de enfrentamento e pessoas de apoio para contatar.
    • Manejo de lapsos: Você aprende a diferenciar um lapso (uso ocasional) de uma recaída (retorno ao padrão problemático) e a lidar com ambos de forma construtiva.
  14. Exemplo prático:
    • Situação de risco: Pedro sabe que sempre toma um remédio para dormir quando está estressado com o trabalho.
    • Plano de prevenção: Pedro cria uma lista de alternativas para lidar com o estresse (exercício, meditação, ligar para um amigo) e identifica pessoas para contatar se sentir vontade de tomar o remédio.
  15. Duração: Geralmente 12-24 sessões, mas pode ser mais longa dependendo do caso.

  16. Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT):

  17. O que é: Um tipo de terapia que combina técnicas de mindfulness (atenção plena) com estratégias para aumentar a flexibilidade psicológica.
  18. Como funciona:
    • Aceitação: Você aprende a aceitar pensamentos e emoções difíceis (como fissura ou ansiedade) sem tentar lutar contra eles ou se deixar levar por eles.
    • Desfusão cognitiva: Você aprende a observar seus pensamentos de forma distanciada, sem se identificar com eles. Por exemplo, em vez de pensar “Eu preciso tomar esse remédio”, você aprende a pensar “Estou tendo o pensamento de que preciso tomar esse remédio”.
    • Valores: Você identifica o que é realmente importante para você (família, trabalho, saúde) e usa isso como motivação para mudar.
    • Ação comprometida: Você cria metas alinhadas com seus valores e age para alcançá-las, mesmo quando é difícil.
  19. Exemplo prático:
    • Situação: Ana sente uma vontade intensa de tomar um remédio para ansiedade.
    • Trabalho na terapia: Em vez de lutar contra a vontade ou ceder a ela, Ana observa a vontade como uma onda no mar – ela vem, fica forte por um tempo e depois passa. Ela lembra que seu valor é “ser uma mãe presente” e decide ligar para sua filha em vez de tomar o remédio.
  20. Duração: Geralmente 12-20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo do caso.

  21. Terapia Familiar:

  22. O que é: Um tipo de terapia que envolve a família no tratamento.
  23. Como funciona:
    • Educação: A família aprende sobre o transtorno por uso de substâncias e como ele afeta a pessoa.
    • Comunicação: A família aprende a se comunicar de forma mais eficaz, sem julgamentos ou críticas.
    • Apoio: A família aprende como apoiar a pessoa sem habilitar o uso da substância (por exemplo, não dando dinheiro para comprar remédios).
    • Resolução de conflitos: A família aprende a lidar com conflitos de forma construtiva.
  24. Exemplo prático:
    • Situação: A esposa de Ricardo fica brava toda vez que ele toma os calmantes da mãe e ameaça deixá-lo.
    • Trabalho na terapia: A esposa de Ricardo aprende a expressar sua preocupação sem ameaças e a apoiá-lo em suas tentativas de parar. Ricardo aprende a pedir ajuda quando sente vontade de tomar os calmantes.
  25. Duração: Geralmente 12-24 sessões, mas pode ser mais longa dependendo do caso.

O que acontece numa sessão na prática?

Uma sessão de psicoterapia é como uma conversa guiada, onde o terapeuta faz perguntas e propõe exercícios para ajudar você a entender e mudar seus padrões de pensamento e comportamento. Não é como nos filmes, onde você deita em um divã e fala sobre sua infância (embora algumas terapias possam explorar isso). É mais como um treinamento, onde você aprende habilidades práticas para lidar com seus problemas.

Exemplo de uma sessão de TCC:
1. Revisão da semana: O terapeuta pergunta como foi sua semana, se você teve vontade de usar a substância e como lidou com isso.
Exemplo: “Como foi sua semana? Você sentiu vontade de tomar o remédio para dormir?”
2. Identificação de gatilhos: Vocês identificam situações, emoções ou pensamentos que desencadearam a vontade de usar.
Exemplo: “O que estava acontecendo quando você sentiu vontade de tomar o remédio? Estava estressado? Ansioso?”
3. Análise de pensamentos: Vocês exploram os pensamentos que passaram pela sua cabeça naquele momento.
Exemplo: “O que você pensou quando sentiu vontade de tomar o remédio? ‘Eu não consigo dormir sem ele’? ‘Vou ficar louco se não tomar’?”
4. Desafio de pensamentos: Vocês questionam a veracidade desses pensamentos e exploram alternativas.
Exemplo: “Esse pensamento é verdadeiro? Você já conseguiu dormir sem o remédio antes? O que aconteceu?”
5. Plano de ação: Vocês criam um plano para lidar com situações semelhantes no futuro.
Exemplo: “Da próxima vez que sentir vontade de tomar o remédio, o que você pode fazer em vez disso? Ligar para um amigo? Fazer uma meditação?”
6. Tarefa de casa: O terapeuta propõe um exercício para você praticar durante a semana.
Exemplo: “Vou pedir para você anotar toda vez que sentir vontade de tomar o remédio e o que fez para lidar com isso. Traz essas anotações na próxima sessão.”

Exemplo de uma sessão de Entrevista Motivacional:
1. Exploração de ambivalência: O terapeuta pergunta sobre os prós e contras de continuar usando a substância.
Exemplo: “O que você gosta em tomar o remédio para dormir? O que não gosta?”
2. Escala de importância: O terapeuta pede para você avaliar, em uma escala de 0 a 10, o quanto é importante para você parar de usar.
Exemplo: “De 0 a 10, o quanto é importante para você parar de tomar o remédio?”
3. Exploração de valores: Vocês exploram o que é realmente importante para você e como o uso da substância está atrapalhando esses objetivos.
Exemplo: “O que é mais importante para você: continuar tomando o remédio ou conseguir passar mais tempo com sua família sem se sentir grogue?”
4. Plano de ação: Vocês criam um plano para dar os primeiros passos em direção à mudança.
Exemplo: “O que você poderia fazer esta semana para dar um passo em direção a parar de tomar o remédio? Reduzir a dose? Tentar dormir sem ele uma noite?”


Terapia individual vs. grupo vs. familiar

  1. Terapia individual:
  2. O que é: Sessões one-on-one com o terapeuta.
  3. Vantagens:
    • Atenção individualizada.
    • Flexibilidade para focar nos seus problemas específicos.
    • Ambiente seguro para explorar questões pessoais.
  4. Desvantagens:

    • Pode ser mais cara.
    • Menos oportunidades de aprender com as experiências de outras pessoas.
  5. Terapia de grupo:

  6. O que é: Sessões com um terapeuta e um grupo de pessoas com problemas semelhantes.
  7. Vantagens:
    • Você percebe que não está sozinho.
    • Pode aprender com as experiências de outras pessoas.
    • Geralmente é mais barata.
    • Pode oferecer um senso de comunidade e apoio.
  8. Desvantagens:

    • Menos atenção individualizada.
    • Pode ser desconfortável compartilhar problemas pessoais em grupo.
    • Nem todo mundo se sente à vontade em grupos.
  9. Terapia familiar:

  10. O que é: Sessões com o terapeuta e membros da família.
  11. Vantagens:
    • Ajuda a família a entender o transtorno e como apoiar a pessoa.
    • Melhora a comunicação e reduz conflitos.
    • Pode ajudar a identificar padrões familiares que contribuem para o problema.
  12. Desvantagens:
    • Nem todos os membros da família estão dispostos a participar.
    • Pode ser emocionalmente intenso.
    • Nem sempre é fácil agendar horários que funcionem para todos.

Qual escolher?
Depende das suas necessidades e preferências. Muitas pessoas combinam diferentes tipos de terapia. Por exemplo:
– Terapia individual para trabalhar questões pessoais.
– Terapia de grupo para apoio e aprendizado com outras pessoas.
– Terapia familiar para melhorar a comunicação com a família.


Mudanças no dia a dia

O tratamento de um transtorno por uso de substâncias não acontece só no consultório do médico ou do terapeuta. Ele acontece principalmente no seu dia a dia, nas pequenas escolhas que você faz a cada momento. É como construir uma casa: os medicamentos e a terapia são as ferramentas e o projeto, mas você é quem coloca os tijolos, um por um, todos os dias.

Exercício físico

O exercício físico é como um remédio natural para o cérebro. Ele ajuda a:
– Reduzir a fissura por substâncias.
– Melhorar o humor e reduzir a ansiedade.
– Melhorar o sono.
– Aumentar a autoestima.
– Fornecer uma alternativa saudável para lidar com o estresse.

Quais tipos ajudam mais?
Não existe um “melhor” exercício – o importante é encontrar algo que você goste e consiga manter a longo prazo. Algumas opções com boa evidência científica:

  1. Exercícios aeróbicos:
  2. Exemplos: Caminhada, corrida, natação, ciclismo, dança.
  3. Benefícios: Melhoram o humor, reduzem a ansiedade e aumentam a produção de endorfinas (substâncias naturais do cérebro que causam sensação de bem-estar).
  4. Dica: Comece devagar, com 10-15 minutos por dia, e vá aumentando gradualmente.

  5. Exercícios de força:

  6. Exemplos: Musculação, pilates, treinamento funcional.
  7. Benefícios: Melhoram a autoestima, aumentam a sensação de controle e ajudam a regular o sono.
  8. Dica: Você não precisa ir à academia – pode fazer exercícios em casa com o peso do próprio corpo (flexões, agachamentos, abdominais).

  9. Exercícios mente-corpo:

  10. Exemplos: Yoga, tai chi chuan, meditação.
  11. Benefícios: Melhoram a atenção plena (mindfulness), reduzem o estresse e ajudam a lidar com a fissura.
  12. Dica: Existem muitos vídeos gratuitos na internet para iniciantes.

  13. Exercícios em grupo:

  14. Exemplos: Futebol, vôlei, aulas de dança, grupos de corrida.
  15. Benefícios: Além dos benefícios físicos, proporcionam apoio social e senso de comunidade.
  16. Dica: Procure grupos ou aulas na sua cidade – muitos são gratuitos ou de baixo custo.

Como começar:
Comece pequeno: Não tente mudar tudo de uma vez. Comece com 10 minutos por dia e vá aumentando.
Encontre algo que você goste: Se você odeia correr, não adianta se forçar a correr. Experimente diferentes atividades até encontrar algo que te dê prazer.
Faça um plano: Anote na agenda os dias e horários em que vai se exercitar, como se fosse um compromisso importante.
Encontre um parceiro: Fazer exercício com um amigo ou familiar pode aumentar a motivação.
Celebre as pequenas vitórias: Cada vez que você se exercitar, comemore. Isso ajuda a criar o hábito.

Exemplo prático:
João costumava tomar um remédio para ansiedade sempre que se sentia estressado no trabalho. Depois de começar a fazer caminhadas de 20 minutos na hora do almoço, percebeu que a ansiedade diminuía naturalmente e não precisava mais do remédio com tanta frequência.


Sono

O sono é como o sistema de recarga do seu corpo. Quando você não dorme bem, tudo fica mais difícil – a fissura aumenta, o humor piora, a capacidade de tomar decisões fica comprometida. Melhorar o sono é uma das coisas mais importantes que você pode fazer no tratamento de um transtorno por uso de substâncias.

Higiene do sono específica para essa condição:

  1. Rotina consistente:
  2. O que fazer: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana.
  3. Por quê: Isso ajuda a regular seu relógio biológico, fazendo com que seu corpo saiba quando é hora de dormir e quando é hora de acordar.
  4. Exemplo: Se você costuma dormir às 23h e acordar às 7h durante a semana, tente manter esse horário no sábado e domingo.

  5. Ambiente propício:

  6. O que fazer: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco. Use cortinas blackout, tampões de ouvido ou uma máquina de ruído branco se necessário.
  7. Por quê: Um ambiente confortável facilita o sono profundo.
  8. Exemplo: Ana comprou cortinas blackout e um ventilador para deixar o quarto mais fresco. Agora, ela dorme melhor e não precisa tomar o remédio para dormir com tanta frequência.

  9. Rotina relaxante antes de dormir:

  10. O que fazer: Crie uma rotina relaxante de 30-60 minutos antes de dormir. Isso pode incluir ler um livro, tomar um banho quente, ouvir música calma ou fazer alongamentos.
  11. Por quê: Isso sinaliza para o seu cérebro que é hora de desacelerar.
  12. Exemplo: Pedro costumava assistir TV até tarde e depois tomar um remédio para dormir. Agora, ele desliga a TV uma hora antes de dormir e lê um livro. Ele percebeu que adormece mais facilmente e não precisa do remédio.

  13. Evite estimulantes:

  14. O que fazer: Evite cafeína (café, chá preto, refrigerantes, chocolate), nicotina e álcool pelo menos 4-6 horas antes de dormir.
  15. Por quê: Essas substâncias podem interferir no sono.
  16. Exemplo: Maria costumava tomar um café depois do jantar para se manter acordada. Quando parou, percebeu que dormia melhor e não precisava tomar o remédio para dormir.

  17. Evite telas antes de dormir:

  18. O que fazer: Evite celular, tablet, computador e TV pelo menos 1 hora antes de dormir.
  19. Por quê: A luz azul emitida por esses aparelhos interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono.
  20. Exemplo: João costumava ficar no celular até tarde. Quando parou, percebeu que adormecia mais facilmente.

  21. Exercício físico regular:

  22. O que fazer: Faça exercício físico regularmente, mas evite exercícios intensos perto da hora de dormir.
  23. Por quê: O exercício ajuda a regular o sono, mas exercícios intensos perto da hora de dormir podem deixar você muito alerta.
  24. Exemplo: Carla começou a fazer caminhadas pela manhã. Ela percebeu que dormia melhor à noite e não precisava tomar o remédio para dormir.

  25. Evite cochilos longos durante o dia:

  26. O que fazer: Se precisar cochilar, limite a 20-30 minutos e evite cochilar depois das 15h.
  27. Por quê: Cochilos longos ou tarde demais podem interferir no sono noturno.
  28. Exemplo: Pedro costumava cochilar por 2 horas à tarde. Quando reduziu para 20 minutos, percebeu que dormia melhor à noite.

  29. Use a cama só para dormir (e sexo):

  30. O que fazer: Evite usar a cama para trabalhar, estudar, assistir TV ou comer.
  31. Por quê: Isso ajuda seu cérebro a associar a cama com o sono.
  32. Exemplo: Ana costumava trabalhar na cama. Quando começou a trabalhar só na mesa, percebeu que adormecia mais facilmente.

  33. Se não conseguir dormir, levante-se:

  34. O que fazer: Se você não conseguir dormir depois de 20-30 minutos, levante-se e faça algo relaxante (como ler um livro) até sentir sono.
  35. Por quê: Ficar na cama rolando de um lado para o outro pode aumentar a ansiedade e piorar a insônia.
  36. Exemplo: João costumava ficar na cama por horas quando não conseguia dormir. Quando começou a levantar e ler um livro até sentir sono, percebeu que adormecia mais facilmente.

  37. Exposição à luz natural:

    • O que fazer: Exponha-se à luz natural pela manhã, logo depois de acordar.
    • Por quê: Isso ajuda a regular seu relógio biológico.
    • Exemplo: Maria começou a tomar café da manhã na varanda. Ela percebeu que acordava mais disposta e dormia melhor à noite.

Dica extra:
Se você está acostumado a tomar remédios para dormir, converse com seu médico sobre como reduzir a dose gradualmente. Parar abruptamente pode causar insônia de rebote (piora temporária da insônia).


Alimentação

A alimentação é como o combustível do seu corpo. Se você coloca combustível de má qualidade, seu corpo não funciona bem. Uma alimentação equilibrada pode ajudar a:
– Reduzir a fissura por substâncias.
– Melhorar o humor e a energia.
– Reparar danos causados pelo uso de substâncias.
– Regular o sono e o apetite.

O que a ciência diz:

  1. Coma alimentos ricos em triptofano:
  2. O que é: Um aminoácido precursor da serotonina, um neurotransmissor que regula o humor e o sono.
  3. Onde encontrar: Banana, aveia, ovos, queijo, tofu, peixes, frango, castanhas.
  4. Exemplo: João começou a comer uma banana com aveia no café da manhã. Ele percebeu que se sentia mais calmo durante o dia e tinha menos vontade de tomar o remédio para ansiedade.

  5. Coma alimentos ricos em ômega-3:

  6. O que é: Um tipo de gordura que ajuda a reduzir a inflamação no cérebro e melhorar o humor.
  7. Onde encontrar: Peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum), sementes de linhaça, chia, nozes.
  8. Exemplo: Maria começou a comer salmão duas vezes por semana. Ela percebeu que seu humor melhorou e tinha menos vontade de tomar o remédio para dormir.

  9. Coma alimentos ricos em magnésio:

  10. O que é: Um mineral que ajuda a reduzir a ansiedade e melhorar o sono.
  11. Onde encontrar: Espinafre, amêndoas, abacate, banana, chocolate amargo (70% cacau ou mais).
  12. Exemplo: Pedro começou a comer um punhado de amêndoas como lanche da tarde. Ele percebeu que se sentia mais calmo e dormia melhor.

  13. Evite açúcar refinado e carboidratos simples:

  14. O que são: Açúcar branco, farinha branca, refrigerantes, doces, pães brancos.
  15. Por quê: Eles causam picos de glicose no sangue, seguidos de quedas bruscas, o que pode aumentar a ansiedade e a fissura por substâncias.
  16. Exemplo: Ana costumava comer um brigadeiro toda vez que se sentia ansiosa. Quando substituiu por uma maçã com canela, percebeu que a ansiedade diminuía e não precisava tomar o remédio para ansiedade com tanta frequência.

  17. Coma alimentos ricos em fibras:

  18. O que são: Frutas, verduras, legumes, grãos integrais, sementes.
  19. Por quê: Eles ajudam a regular o intestino e a manter os níveis de glicose no sangue estáveis.
  20. Exemplo: João começou a comer uma salada no almoço todos os dias. Ele percebeu que tinha mais energia à tarde e menos vontade de tomar o remédio para dormir.

  21. Beba bastante água:

  22. Por quê: A desidratação pode causar fadiga, dor de cabeça e irritabilidade, o que pode aumentar a fissura por substâncias.
  23. Exemplo: Maria começou a levar uma garrafinha de água para todo lugar. Ela percebeu que se sentia mais disposta e tinha menos vontade de tomar o remédio para ansiedade.

  24. Evite alimentos processados:

  25. O que são: Salgadinhos, biscoitos recheados, comidas congeladas, fast food.
  26. Por quê: Eles são ricos em aditivos químicos, gorduras trans e açúcar, que podem piorar o humor e aumentar a inflamação no cérebro.
  27. Exemplo: Pedro costumava almoçar fast food todos os dias. Quando começou a levar marmita de casa, percebeu que tinha mais energia e menos vontade de tomar o remédio para dormir.

Dica extra:
Não tente mudar tudo de uma vez. Comece com pequenas mudanças, como adicionar uma fruta no café da manhã ou trocar o refrigerante por água. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo.


Rotina

Uma rotina estruturada é como um esqueleto para o seu dia. Ela dá suporte e ajuda você a se manter no caminho certo, mesmo quando as coisas ficam difíceis. Quando você está tratando um transtorno por uso de substâncias, uma rotina pode ajudar a:
– Reduzir a fissura por substâncias.
– Melhorar o humor e a energia.
– Aumentar a sensação de controle.
– Criar hábitos saudáveis.

Como estruturar o dia:

  1. Acordar no mesmo horário todos os dias:
  2. Por quê: Isso ajuda a regular seu relógio biológico e melhora o sono.
  3. Exemplo: João costumava acordar em horários diferentes todos os dias. Quando começou a acordar às 7h todos os dias, percebeu que dormia melhor à noite e tinha mais energia durante o dia.

  4. Tomar café da manhã:

  5. Por quê: O café da manhã ajuda a regular o apetite e fornece energia para o dia.
  6. Exemplo: Maria costumava pular o café da manhã. Quando começou a comer uma fruta com aveia todas as manhãs, percebeu que tinha mais energia e menos vontade de tomar o remédio para ansiedade.

  7. Fazer exercício físico:

  8. Por quê: O exercício ajuda a reduzir a fissura, melhorar o humor e aumentar a energia.
  9. Exemplo: Pedro começou a fazer uma caminhada de 20 minutos todas as manhãs. Ele percebeu que se sentia mais calmo durante o dia e tinha menos vontade de tomar o remédio para dormir.

  10. Ter horários fixos para refeições:

  11. Por quê: Isso ajuda a regular o apetite e evita que você fique muito tempo sem comer, o que pode aumentar a fissura.
  12. Exemplo: Ana costumava pular refeições quando estava ocupada. Quando começou a almoçar e jantar em horários fixos, percebeu que tinha mais energia e menos vontade de tomar o remédio para ansiedade.

  13. Ter horários fixos para trabalho/estudo:

  14. Por quê: Isso ajuda a manter o foco e evita que você fique sobrecarregado.
  15. Exemplo: João costumava trabalhar até tarde todos os dias. Quando começou a parar às 18h, percebeu que tinha mais tempo para relaxar e dormia melhor.

  16. Ter horários fixos para lazer:

  17. Por quê: O lazer ajuda a reduzir o estresse e aumenta a sensação de bem-estar.
  18. Exemplo: Maria costumava passar as noites assistindo TV. Quando começou a reservar uma hora por noite para ler ou ouvir música, percebeu que se sentia mais relaxada e tinha menos vontade de tomar o remédio para dormir.

  19. Ter uma rotina relaxante antes de dormir:

  20. Por quê: Isso ajuda a sinalizar para o seu cérebro que é hora de desacelerar.
  21. Exemplo: Pedro costumava ficar no celular até tarde. Quando começou a ler um livro antes de dormir, percebeu que adormecia mais facilmente.

  22. Dormir no mesmo horário todos os dias:

  23. Por quê: Isso ajuda a regular seu relógio biológico e melhora o sono.
  24. Exemplo: Ana costumava dormir em horários diferentes todos os dias. Quando começou a dormir às 23h todos os dias, percebeu que acordava mais disposta.

Dica extra:
Use um planner ou aplicativo de organização para planejar seu dia. Isso pode ajudar a manter a rotina e aumentar a sensação de controle.


Técnicas de manejo específicas para os sintomas dessa condição

  1. Manejo de fissura:
  2. Técnica do 15 minutos: Quando sentir vontade de usar a substância, diga a si mesmo: “Vou esperar 15 minutos antes de decidir”. Muitas vezes, a fissura passa nesse tempo.
  3. Distração: Faça algo que ocupe sua mente, como ligar para um amigo, assistir a um vídeo engraçado ou fazer um quebra-cabeça.
  4. Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita até se sentir mais calmo.
  5. Autoinstrução: Diga a si mesmo frases como: “Essa vontade vai passar”, “Eu sou mais forte do que essa vontade”, “Eu já passei por isso antes e consegui”.
  6. Exemplo prático: Toda vez que João sentia vontade de tomar o remédio para dormir, ele ia até a cozinha e tomava um copo de água. Quando voltava para o quarto, a vontade geralmente tinha passado.

  7. Manejo de ansiedade:

  8. Técnica do 5-4-3-2-1: Nomeie 5 coisas que você vê, 4 coisas que você toca, 3 coisas que você ouve, 2 coisas que você cheira e 1 coisa que você prova. Isso ajuda a trazer sua atenção para o presente.
  9. Grounding: Sente-se em uma cadeira e sinta seus pés no chão, suas costas no encosto e suas mãos no colo. Isso ajuda a se conectar com o momento presente.
  10. Exercício físico: Uma caminhada de 10 minutos pode ajudar a reduzir a ansiedade.
  11. Exemplo prático: Quando Maria sentia ansiedade, ela ia até a janela e observava as árvores, contando quantas folhas conseguia ver. Isso a ajudava a se acalmar.

  12. Manejo de insônia:

  13. Técnica da restrição do sono: Se você não consegue dormir, levante-se e faça algo relaxante até sentir sono. Isso ajuda a associar a cama com o sono.
  14. Relaxamento muscular progressivo: Tensione e relaxe cada grupo muscular do seu corpo, começando pelos pés e subindo até a cabeça. Isso ajuda a relaxar o corpo e a mente.
  15. Visualização: Imagine um lugar calmo e seguro, como uma praia ou uma floresta. Tente visualizar os detalhes – o som das ondas, o cheiro das flores, a sensação do vento.
  16. Exemplo prático: Quando Pedro não conseguia dormir, ele se levantava e lia um livro até sentir sono. Isso o ajudava a não associar a cama com a frustração de não conseguir dormir.

  17. Manejo de estresse:

  18. Técnica do semáforo: Quando sentir que o estresse está aumentando, pare (vermelho), respire profundamente (amarelo) e escolha uma ação construtiva (verde), como conversar com alguém ou fazer uma atividade relaxante.
  19. Lista de tarefas: Anote tudo o que você precisa fazer e priorize as tarefas mais importantes. Isso ajuda a reduzir a sensação de sobrecarga.
  20. Exemplo prático: Quando Ana se sentia estressada no trabalho, ela parava por um minuto, respirava profundamente e fazia uma lista das tarefas mais importantes. Isso a ajudava a se sentir mais no controle.

  21. Manejo de impulsividade:

  22. Técnica do 10 segundos: Quando sentir vontade de fazer algo impulsivo (como tomar a substância), conte até 10 antes de agir. Isso ajuda a criar um espaço entre o impulso e a ação.
  23. Automonitoramento: Anote as situações em que você age impulsivamente e tente identificar padrões. Isso ajuda a antecipar e evitar situações de risco.
  24. Exemplo prático: Ricardo costumava tomar os calmantes da mãe sempre que se sentia ansioso. Ele começou a contar até 10 antes de tomar e, muitas vezes, percebia que a vontade passava.

Convivendo com o diagnóstico

Receber um diagnóstico de transtorno por uso de substâncias pode ser um momento de virada, mas também pode trazer muitas dúvidas e desafios. É como quando você descobre que tem diabetes: no começo, pode parecer assustador, mas com o tempo você aprende a conviver com a condição e a levar uma vida plena. Vamos falar sobre como lidar com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.

Para a pessoa com o diagnóstico

  1. Aceite que você não está sozinho:
  2. Milhões de pessoas no mundo têm transtornos por uso de substâncias. Você não é fraco, não é “louco” e não está sozinho. Muitas pessoas passaram pelo que você está passando e conseguiram se recuperar.
  3. Exemplo: João se sentiu envergonhado quando recebeu o diagnóstico, mas depois de participar de um grupo de apoio, percebeu que muitas pessoas tinham histórias parecidas com a dele.

  4. Seja gentil consigo mesmo:

  5. A recuperação é um processo, não um evento. Haverá dias bons e dias ruins. Não se cobre perfeição – celebre as pequenas vitórias.
  6. Exemplo: Maria teve uma recaída depois de duas semanas sem tomar o remédio para dormir. Em vez de se culpar, ela reconheceu que foi um passo atrás, mas não o fim do mundo, e continuou tentando.

  7. Construa uma rede de apoio:

  8. Ter pessoas com quem contar faz toda a diferença. Isso pode incluir familiares, amigos, terapeuta, grupo de apoio ou até mesmo um padrinho/madrinha de recuperação.
  9. Exemplo: Pedro começou a frequentar um grupo de apoio e fez amizade com um homem chamado Carlos, que tinha uma história parecida com a dele. Eles começaram a se encontrar semanalmente para conversar e se apoiar.

  10. Aprenda sobre sua condição:

  11. Quanto mais você souber sobre o transtorno por uso de substâncias, melhor poderá lidar com ele. Leia livros, assista a vídeos, participe de grupos de apoio.
  12. Exemplo: Ana começou a ler sobre como os medicamentos para ansiedade afetam o cérebro. Isso a ajudou a entender por que tinha tanta dificuldade para parar de tomar e a se sentir menos culpada.

  13. Crie um plano de prevenção de recaídas:

  14. Trabalhe com seu terapeuta para identificar situações de risco e criar estratégias para lidar com elas.
  15. Exemplo: João identificou que sempre tomava o remédio para dormir quando estava estressado com o trabalho. Ele criou um plano que incluía ligar para um amigo, fazer exercício ou meditar nesses momentos.

  16. Encontre novas formas de lidar com emoções:

  17. Muitas pessoas usam substâncias para lidar com emoções difíceis, como ansiedade, tristeza ou raiva. Aprender novas formas de lidar com essas emoções é fundamental.
  18. Exemplo: Maria costumava tomar um remédio para ansiedade toda vez que se sentia triste. Ela começou a escrever em um diário e a conversar com sua terapeuta sobre seus sentimentos, o que a ajudou a reduzir o uso do remédio.

  19. Cuide da sua saúde física:

  20. Uma alimentação equilibrada, exercício físico regular e sono de qualidade podem fazer uma grande diferença na sua recuperação.
  21. Exemplo: Pedro começou a fazer caminhadas diárias e a comer mais frutas e verduras. Ele percebeu que se sentia mais disposto e tinha menos vontade de tomar o remédio para dormir.

  22. Encontre propósito:

  23. Ter um propósito pode ser uma grande motivação para a recuperação. Isso pode ser sua família, seu trabalho, um hobby ou uma causa que você acredita.
  24. Exemplo: Ana sempre quis aprender a tocar violão, mas nunca teve tempo. Ela começou a fazer aulas e descobriu que a música a ajudava a lidar com a ansiedade.

  25. Seja paciente:

  26. A recuperação é um processo que leva tempo. Não desanime se os resultados não aparecerem imediatamente.
  27. Exemplo: João esperava se sentir “curado” depois de um mês de tratamento, mas percebeu que a recuperação é um processo contínuo. Ele aprendeu a celebrar as pequenas vitórias ao longo do caminho.

  28. Peça ajuda quando precisar:

    • Não espere até estar em crise para pedir ajuda. Se estiver com dificuldades, converse com seu terapeuta, médico ou alguém de confiança.
    • Exemplo: Maria começou a sentir uma vontade intensa de tomar o remédio para ansiedade depois de uma semana estressante no trabalho. Em vez de esperar até ceder à vontade, ela ligou para sua terapeuta e marcou uma sessão extra.

Para familiares e amigos

Quando alguém que você ama recebe um diagnóstico de transtorno por uso de substâncias, pode ser difícil saber como ajudar. Você pode se sentir frustrado, assustado ou até mesmo culpado. Lembre-se: você não é responsável pelo diagnóstico da pessoa, mas pode ser uma parte importante da solução. Vamos falar sobre como ajudar de forma efetiva e como cuidar de si mesmo nesse processo.

Como ajudar de forma efetiva

  1. Informe-se sobre a condição:
  2. Quanto mais você souber sobre o transtorno por uso de substâncias, melhor poderá ajudar. Leia livros, assista a vídeos, participe de grupos de apoio para familiares.
  3. Exemplo: A esposa de João começou a ler sobre como os medicamentos para dormir afetam o cérebro. Isso a ajudou a entender por que ele tinha tanta dificuldade para parar de tomar e a se sentir menos frustrada.

  4. Seja um ouvinte ativo:

  5. Às vezes, a pessoa só precisa de alguém para ouvir sem julgar. Mostre que você está ali para apoiar, não para criticar.
  6. Exemplo: O filho de Maria costumava ficar bravo quando ela tentava parar de tomar o remédio para ansiedade. Ele começou a ouvir mais e criticar menos, o que ajudou Maria a se sentir mais à vontade para falar sobre suas dificuldades.

  7. Evite habilitar o uso:

  8. Habilitar é fazer coisas que, mesmo sem intenção, facilitam o uso da substância. Isso pode incluir dar dinheiro para a pessoa comprar a substância, cobrir suas responsabilidades ou minimizar os problemas causados pelo uso.
  9. Exemplo: A mãe de Pedro costumava dar dinheiro para ele comprar o remédio para dormir, achando que estava ajudando. Quando parou, Pedro teve que enfrentar as consequências de não ter o remédio e buscou ajuda.

  10. Estabeleça limites saudáveis:

  11. É importante apoiar a pessoa, mas também é importante cuidar de si mesmo. Estabeleça limites claros sobre o que você está disposto e não está disposto a fazer.
  12. Exemplo: A esposa de João disse a ele que não iria mais cobrir suas faltas no trabalho por causa do remédio para dormir. Isso o motivou a buscar ajuda para lidar com a insônia.

  13. Incentive o tratamento:

  14. Incentive a pessoa a buscar tratamento e a seguir as recomendações do médico e do terapeuta. Ofereça-se para acompanhá-la às consultas, se ela se sentir confortável com isso.
  15. Exemplo: O irmão de Ana ofereceu-se para levá-la às consultas com o psiquiatra. Isso a ajudou a se sentir mais apoiada e motivada a seguir o tratamento.

  16. Ajude a criar um ambiente seguro:

  17. Remova ou tranque substâncias que possam ser usadas de forma inadequada. Isso pode incluir medicamentos, álcool ou até mesmo produtos químicos.
  18. Exemplo: A família de Maria trancou todos os medicamentos em um armário com chave. Isso ajudou Maria a resistir à tentação de tomar os remédios da mãe.

  19. Seja paciente:

  20. A recuperação é um processo que leva tempo. Não espere que a pessoa mude da noite para o dia.
  21. Exemplo: O marido de Carla costumava ficar frustrado quando ela tinha recaídas. Ele aprendeu a ser mais paciente e a celebrar as pequenas vitórias ao longo do caminho.

  22. Ofereça apoio prático:

  23. Às vezes, a pessoa pode precisar de ajuda com tarefas práticas, como cuidar dos filhos, cozinhar ou limpar a casa. Ofereça ajuda, mas respeite se a pessoa preferir fazer as coisas sozinha.
  24. Exemplo: A amiga de Pedro ofereceu-se para cozinhar para ele uma vez por semana. Isso o ajudou a ter mais tempo para se dedicar ao tratamento.

  25. Incentive atividades saudáveis:

  26. Incentive a pessoa a participar de atividades que não envolvam o uso de substâncias, como exercício físico, hobbies ou grupos de apoio.
  27. Exemplo: O pai de Ana incentivou-a a voltar a pintar, um hobby que ela tinha abandonado. Isso a ajudou a lidar com a ansiedade de forma mais saudável.

  28. Cuide de si mesmo:

    • Cuidar de alguém com transtorno por uso de substâncias pode ser emocionalmente desgastante. Certifique-se de cuidar também da sua saúde física e mental.
    • Exemplo: A esposa de João começou a frequentar um grupo de apoio para familiares de pessoas com transtorno por uso de substâncias. Isso a ajudou a lidar com o estresse e a se sentir menos sozinha.

O que NÃO fazer

  1. Não julgue ou critique:
  2. Frases como “Você é fraco”, “Isso é falta de força de vontade” ou “Você está fazendo isso de propósito” só vão fazer a pessoa se sentir pior e menos motivada a buscar ajuda.
  3. Exemplo: O marido de Maria costumava dizer que ela era “dramática” quando falava sobre sua ansiedade. Quando ele parou de julgar e começou a ouvir, Maria se sentiu mais à vontade para falar sobre suas dificuldades.

  4. Não minimize o problema:

  5. Frases como “Todo mundo toma remédio para dormir às vezes” ou “Isso não é tão grave” podem fazer a pessoa sentir que seu problema não é importante.
  6. Exemplo: A mãe de Pedro costumava dizer que “todo mundo toma um remedinho para dormir às vezes”. Quando ela começou a levar o problema a sério, Pedro se sentiu mais motivado a buscar ajuda.

  7. Não tente controlar a pessoa:

  8. Você não pode controlar o comportamento da pessoa, por mais que queira. Tentar controlar só vai gerar frustração e conflitos.
  9. Exemplo: A esposa de João costumava revistar o quarto dele em busca de remédios. Quando ela parou e começou a confiar mais nele, João se sentiu mais motivado a ser honesto sobre suas dificuldades.

  10. Não ignore seus próprios sentimentos:

  11. É normal sentir raiva, frustração, tristeza ou medo. Ignorar esses sentimentos só vai fazer com que eles se acumulem e explodam em algum momento.
  12. Exemplo: O filho de Maria costumava guardar sua raiva e frustração para si mesmo. Quando começou a falar sobre seus sentimentos com um terapeuta, se sentiu mais aliviado e capaz de apoiar a mãe.

  13. Não espere mudanças imediatas:

  14. A recuperação é um processo que leva tempo. Não espere que a pessoa mude da noite para o dia.
  15. Exemplo: A esposa de João esperava que ele parasse de tomar o remédio para dormir depois de uma semana de tratamento. Quando percebeu que a recuperação é um processo, ela se sentiu menos frustrada.

Como cuidar de si mesmo enquanto cuida do outro

Cuidar de alguém com transtorno por uso de substâncias pode ser emocionalmente desgastante. É como quando você está em um avião e a máscara de oxigênio cai: você precisa colocar a sua máscara primeiro antes de ajudar os outros. Vamos falar sobre como cuidar de si mesmo nesse processo.

  1. Reconheça seus limites:
  2. Você não pode fazer tudo sozinho. Reconheça seus limites e peça ajuda quando precisar.
  3. Exemplo: A esposa de João percebeu que estava se sentindo sobrecarregada e pediu para o irmão de João ajudar com algumas tarefas.

  4. Cuide da sua saúde física:

  5. Certifique-se de dormir bem, comer de forma equilibrada e fazer exercício físico regularmente.
  6. Exemplo: O marido de Maria começou a fazer caminhadas diárias para reduzir o estresse.

  7. Cuide da sua saúde mental:

  8. Considere fazer terapia para lidar com seus próprios sentimentos e estresse.
  9. Exemplo: A filha de Pedro começou a fazer terapia para lidar com a ansiedade causada pela situação do pai.

  10. Mantenha seus hobbies e interesses:

  11. Não abandone suas próprias atividades e interesses. Isso ajuda a manter sua identidade e bem-estar.
  12. Exemplo: A amiga de Ana continuou a frequentar suas aulas de dança, mesmo quando Ana estava passando por um momento difícil.

  13. Estabeleça limites saudáveis:

  14. É importante apoiar a pessoa, mas também é importante cuidar de si mesmo. Estabeleça limites claros sobre o que você está disposto e não está disposto a fazer.
  15. Exemplo: O irmão de João disse a ele que não iria mais cobrir suas faltas no trabalho. Isso ajudou João a assumir a responsabilidade por suas ações.

  16. Encontre apoio:

  17. Participe de grupos de apoio para familiares de pessoas com transtorno por uso de substâncias. Isso pode ajudar a se sentir menos sozinho e a aprender com as experiências de outras pessoas.
  18. Exemplo: A esposa de Pedro começou a frequentar um grupo de apoio para familiares. Isso a ajudou a lidar com o estresse e a se sentir menos sozinha.

  19. Pratique o autocuidado:

  20. Reserve um tempo para fazer coisas que te dão prazer e te ajudam a relaxar, como ler um livro, tomar um banho quente ou meditar.
  21. Exemplo: A mãe de Maria começou a reservar 30 minutos por dia para ler um livro. Isso a ajudou a reduzir o estresse e a se sentir mais equilibrada.

  22. Não se isole:

  23. Mantenha contato com amigos e familiares. Não deixe que a situação da pessoa tome conta de toda a sua vida.
  24. Exemplo: O marido de Carla continuou a sair com seus amigos, mesmo quando Carla estava passando por um momento difícil.

  25. Seja gentil consigo mesmo:

  26. Não se cobre perfeição. Você está fazendo o melhor que pode em uma situação difícil.
  27. Exemplo: A filha de Pedro se sentiu culpada por ficar frustrada com o pai. Ela aprendeu a ser mais gentil consigo mesma e a reconhecer que seus sentimentos são normais.

  28. Lembre-se de que você não é responsável pelo diagnóstico da pessoa:

    • Você pode apoiar, mas não pode controlar o comportamento da pessoa. A responsabilidade pela recuperação é dela.
    • Exemplo: A esposa de João percebeu que estava se sentindo responsável pela recuperação dele. Ela aprendeu a apoiá-lo sem se sentir culpada pelos seus passos atrás.

Como explicar para outras pessoas

Explicar o diagnóstico de transtorno por uso de substâncias para outras pessoas pode ser desafiador, especialmente por causa do estigma associado a essa condição. Vamos falar sobre como fazer isso de forma clara e sem julgamentos.

  1. Escolha o momento certo:
  2. Escolha um momento em que a pessoa esteja calma e receptiva. Evite falar sobre o assunto em momentos de estresse ou conflito.
  3. Exemplo: João esperou até que sua irmã estivesse relaxada depois do jantar para falar sobre seu diagnóstico.

  4. Seja honesto e direto:

  5. Não tente minimizar o problema ou usar eufemismos. Seja claro sobre o que está acontecendo.
  6. Exemplo: “Eu fui diagnosticado com um transtorno por uso de medicamentos para dormir. Isso significa que estou tendo dificuldade para parar de tomar, mesmo sabendo que está me fazendo mal.”

  7. Explique o que é o transtorno:

  8. Muitas pessoas não entendem o que é um transtorno por uso de substâncias. Explique de forma simples.
  9. Exemplo: “É como quando alguém tem diabetes e precisa tomar insulina para regular o açúcar no sangue. No meu caso, meu cérebro se acostumou com o remédio para dormir e agora tem dificuldade para funcionar sem ele.”

  10. Fale sobre o tratamento:

  11. Explique que o transtorno é tratável e que você está buscando ajuda.
  12. Exemplo: “Estou fazendo terapia e tomando medicamentos para ajudar meu cérebro a se recuperar. É um processo, mas estou me sentindo mais esperançoso.”

  13. Peça apoio:

  14. Se a pessoa for próxima, peça apoio específico, como acompanhá-lo a uma consulta ou simplesmente ouvir quando você precisar desabafar.
  15. Exemplo: “Será que você poderia me acompanhar a uma consulta com meu psiquiatra? Às vezes, é bom ter alguém junto para me apoiar.”

  16. Lide com perguntas e julgamentos:

  17. Algumas pessoas podem fazer perguntas insensíveis ou julgamentos. Tente não levar para o lado pessoal e use essas situações como oportunidades para educar.
  18. Exemplo de pergunta insensível: “Por que você não para de tomar logo? É só força de vontade.”
  19. Resposta: “Na verdade, não é só força de vontade. É como se meu cérebro tivesse se acostumado com o remédio e agora precisasse de ajuda para se recuperar. É por isso que estou fazendo tratamento.”

  20. Seja paciente:

  21. Algumas pessoas podem precisar de tempo para entender e aceitar o diagnóstico. Não force a barra.
  22. Exemplo: O pai de Maria não entendeu o diagnóstico de primeira. Maria deu tempo a ele e continuou conversando sobre o assunto aos poucos.

  23. Use recursos educativos:

  24. Se a pessoa tiver dificuldade para entender, sugira que ela leia um artigo ou assista a um vídeo sobre o assunto.
  25. Exemplo: “Se você quiser entender melhor, posso te enviar um artigo que explica o que é um transtorno por uso de substâncias.”

  26. Proteja sua privacidade:

  27. Você não é obrigado a contar para todo mundo. Escolha pessoas de confiança para compartilhar o diagnóstico.
  28. Exemplo: João contou para sua família e alguns amigos próximos, mas preferiu não contar para seus colegas de trabalho.

  29. Lembre-se de que você não precisa se justificar:

    • Você não deve explicações para ninguém. Se alguém não entender ou julgar, isso diz mais sobre a pessoa do que sobre você.
    • Exemplo: Quando a vizinha de Ana fez um comentário insensível, Ana respondeu: “Eu não preciso me justificar para você. Estou fazendo o melhor que posso para cuidar da minha saúde.”

Quando os sintomas podem piorar?

Mesmo com tratamento, algumas situações podem fazer com que os sintomas piorem temporariamente. É como quando você está se recuperando de uma gripe e volta a ter sintomas quando se expõe ao frio. Vamos falar sobre algumas situações que podem desencadear uma piora e como lidar com elas.

  1. Estresse:
  2. Por que piora: O estresse aumenta a produção de cortisol, um hormônio que pode aumentar a fissura por substâncias.
  3. Exemplos de situações estressantes: Problemas no trabalho, conflitos familiares, dificuldades financeiras, perda de um ente querido.
  4. Como lidar:

    • Técnicas de relaxamento: Respiração profunda, meditação, yoga.
    • Exercício físico: Uma caminhada ou corrida pode ajudar a reduzir o estresse.
    • Rede de apoio: Converse com amigos, familiares ou seu terapeuta.
    • Plano de prevenção: Tenha um plano pronto para situações de estresse, como ligar para alguém ou fazer uma atividade relaxante.
  5. Exposição a gatilhos:

  6. Por que piora: Gatilhos são situações, pessoas, lugares ou emoções que estão associados ao uso da substância. Quando você é exposto a um gatilho, pode sentir uma vontade intensa de usar.
  7. Exemplos de gatilhos: Ver uma farmácia, passar por um lugar onde você costumava usar, sentir ansiedade ou tristeza, estar perto de pessoas que usam a substância.
  8. Como lidar:

    • Identifique seus gatilhos: Anote as situações que desencadeiam a vontade de usar.
    • Evite gatilhos quando possível: Se um gatilho é muito forte, tente evitá-lo, pelo menos no começo da recuperação.
    • Crie estratégias de enfrentamento: Tenha um plano para lidar com gatilhos, como sair da situação, ligar para alguém ou fazer uma atividade que ocupe sua mente.
    • Trabalhe com seu terapeuta: A terapia pode ajudar a lidar com gatilhos de forma mais eficaz.
  9. Mudanças na rotina:

  10. Por que piora: Mudanças na rotina podem desestabilizar seu humor e aumentar a fissura.
  11. Exemplos de mudanças: Mudança de emprego, mudança de cidade, nascimento de um filho, casamento, divórcio.
  12. Como lidar:

    • Mantenha hábitos saudáveis: Mesmo com a mudança, tente manter hábitos como exercício físico, alimentação equilibrada e sono de qualidade.
    • Peça apoio: Converse com amigos, familiares ou seu terapeuta sobre como está se sentindo.
    • Seja paciente: Lembre-se de que é normal sentir-se desestabilizado com mudanças. Dê tempo a si mesmo para se adaptar.
  13. Doenças físicas:

  14. Por que piora: Doenças físicas podem aumentar o estresse e a ansiedade, o que pode aumentar a fissura.
  15. Exemplos de doenças: Gripe, dor crônica, problemas de tireoide.
  16. Como lidar:

    • Cuide da sua saúde: Siga as recomendações do médico e tome os medicamentos prescritos.
    • Comunique seu médico: Se você estiver tomando medicamentos para o transtorno por uso de substâncias, informe seu médico sobre qualquer nova medicação que você precise tomar.
    • Peça apoio: Converse com amigos, familiares ou seu terapeuta sobre como está se sentindo.
  17. Recaídas:

  18. Por que piora: Uma recaída pode fazer você se sentir culpado, frustrado ou desesperançoso, o que pode levar a mais uso.
  19. Como lidar:

    • Não se culpe: Uma recaída não é um fracasso. É uma parte comum do processo de recuperação.
    • Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída e o que você pode fazer diferente da próxima vez.
    • Peça ajuda: Converse com seu terapeuta, médico ou alguém de confiança sobre o que aconteceu.
    • Volte ao tratamento: Se você parou de tomar medicamentos ou de ir à terapia, volte o mais rápido possível.
  20. Isolamento social:

  21. Por que piora: O isolamento pode aumentar a ansiedade e a depressão, o que pode aumentar a fissura.
  22. Exemplos de situações de isolamento: Ficar em casa o tempo todo, evitar contato com amigos e familiares, parar de participar de atividades sociais.
  23. Como lidar:

    • Mantenha contato: Mesmo que você não esteja com vontade, tente manter contato com amigos e familiares.
    • Participe de grupos de apoio: Grupos de apoio podem proporcionar um senso de comunidade e apoio.
    • Volte a atividades que você gosta: Mesmo que você não esteja com vontade, tente voltar a atividades que antes te davam prazer.
  24. Falta de sono:

  25. Por que piora: A falta de sono pode aumentar a ansiedade, a irritabilidade e a fissura.
  26. Exemplos de situações de falta de sono: Insônia, trabalhar até tarde, cuidar de um bebê.
  27. Como lidar:

    • Priorize o sono: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias.
    • Crie uma rotina relaxante antes de dormir: Leia um livro, tome um banho quente ou ouça música calma.
    • Evite estimulantes: Evite cafeína, nicotina e álcool perto da hora de dormir.
    • Converse com seu médico: Se você estiver tendo dificuldade para dormir, converse com seu médico sobre opções de tratamento.
  28. Falta de propósito:

  29. Por que piora: Quando você não tem um propósito, pode se sentir vazio e sem motivação, o que pode aumentar a fissura.
  30. Exemplos de situações de falta de propósito: Desemprego, aposentadoria, sentir que sua vida não tem sentido.
  31. Como lidar:
    • Encontre algo que te motive: Pode ser um hobby, um projeto, um trabalho voluntário ou até mesmo cuidar de um animal de estimação.
    • Estabeleça metas: Metas pequenas e alcançáveis podem dar um senso de propósito e realização.
    • Converse com seu terapeuta: A terapia pode ajudar a explorar seus valores e encontrar um propósito.

Dica extra:
Tenha um plano de emergência para situações de crise. Isso pode incluir:
– Uma lista de pessoas para ligar (terapeuta, médico, amigos, familiares).
– Técnicas de relaxamento para usar na hora.
– Um lugar seguro para ir, se necessário.


Perguntas frequentes

Quando recebemos um diagnóstico como esse, é normal ter muitas dúvidas. Vamos responder algumas das perguntas mais comuns que pacientes e familiares fazem.

1. “Eu sou viciado?”

Resposta:
A palavra “viciado” carrega muito estigma e pode fazer a pessoa se sentir rotulada ou julgada. Em vez disso, prefiro usar termos como “pessoa com transtorno por uso de substâncias” ou “em recuperação”. O que importa não é o rótulo, mas o fato de que você reconheceu que o uso da substância está causando problemas na sua vida e está buscando ajuda. Isso mostra força, não fraqueza.

O transtorno por uso de substâncias é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão. Não é uma questão de força de vontade ou caráter. É uma combinação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais que fazem com que algumas pessoas tenham mais dificuldade para controlar o uso de substâncias.

Se você está se fazendo essa pergunta, é um sinal de que está refletindo sobre seu uso e isso já é um primeiro passo importante. O próximo passo é conversar com um profissional de saúde mental para entender melhor sua situação.


2. “Eu vou precisar parar de usar a substância para sempre?”

Resposta:
Depende da substância e da gravidade do transtorno. Em alguns casos, como no uso de opioides ou álcool, a abstinência total é geralmente recomendada. Em outros casos, como no uso de alguns medicamentos, pode ser possível reduzir o uso a níveis seguros com supervisão médica.

O objetivo do tratamento não é necessariamente a abstinência total, mas sim reduzir os danos e melhorar sua qualidade de vida. Para algumas pessoas, isso significa parar completamente. Para outras, pode significar reduzir o uso a níveis que não causem problemas.

O mais importante é que você esteja no controle, não a substância. Se você está usando a substância para lidar com emoções difíceis, como ansiedade ou tristeza, o tratamento vai te ajudar a encontrar outras formas de lidar com essas emoções, para que você não precise mais depender da substância.

Exemplo:
João tomava um remédio para dormir todas as noites e não conseguia dormir sem ele. Com o tratamento, ele conseguiu reduzir o uso para duas vezes por semana, em noites em que realmente precisava. Isso melhorou sua qualidade de vida e ele se sentiu mais no controle.


3. “Como eu explico isso para minha família?”

Resposta:
Explicar o diagnóstico para a família pode ser desafiador, especialmente porque muitas pessoas não entendem o que é um transtorno por uso de substâncias. Aqui estão algumas dicas:

  1. Escolha o momento certo: Escolha um momento em que todos estejam calmos e receptivos. Evite falar sobre o assunto em momentos de estresse ou conflito.
  2. Seja honesto e direto: Não tente minimizar o problema. Seja claro sobre o que está acontecendo.
  3. Exemplo: “Eu fui diagnosticado com um transtorno por uso de medicamentos para ansiedade. Isso significa que estou tendo dificuldade para parar de tomar, mesmo sabendo que está me fazendo mal.”
  4. Explique o que é o transtorno: Muitas pessoas não entendem o que é um transtorno por uso de substâncias. Explique de forma simples.
  5. Exemplo: “É como quando alguém tem diabetes e precisa tomar insulina para regular o açúcar no sangue. No meu caso, meu cérebro se acostumou com o remédio e agora tem dificuldade para funcionar sem ele.”
  6. Fale sobre o tratamento: Explique que o transtorno é tratável e que você está buscando ajuda.
  7. Exemplo: “Estou fazendo terapia e tomando medicamentos para ajudar meu cérebro a se recuperar. É um processo, mas estou me sentindo mais esperançoso.”
  8. Peça apoio: Se a família for próxima, peça apoio específico, como acompanhá-lo a uma consulta ou simplesmente ouvir quando você precisar desabafar.
  9. Exemplo: “Será que vocês poderiam me acompanhar a uma consulta com meu psiquiatra? Às vezes, é bom ter alguém junto para me apoiar.”
  10. Lide com perguntas e julgamentos: Algumas pessoas podem fazer perguntas insensíveis ou julgamentos. Tente não levar para o lado pessoal e use essas situações como oportunidades para educar.
  11. Exemplo de pergunta insensível: “Por que você não para de tomar logo? É só força de vontade.”
  12. Resposta: “Na verdade, não é só força de vontade. É como se meu cérebro tivesse se acostumado com o remédio e agora precisasse de ajuda para se recuperar. É por isso que estou fazendo tratamento.”
  13. Seja paciente: Algumas pessoas podem precisar de tempo para entender e aceitar o diagnóstico. Não force a barra.
  14. Exemplo: O pai de Maria não entendeu o diagnóstico de primeira. Maria deu tempo a ele e continuou conversando sobre o assunto aos poucos.

Dica extra:
Se a família tiver dificuldade para entender, sugira que eles leiam um artigo ou assistam a um vídeo sobre o assunto. Às vezes, ouvir de outra pessoa pode ajudar.


4. “E se eu tiver uma recaída?”

Resposta:
Uma recaída não é um fracasso. É uma parte comum do processo de recuperação. Muitas pessoas têm recaídas antes de alcançar a recuperação estável. O importante é não desistir e aprender com o que aconteceu.

O que fazer se tiver uma recaída:
1. Não se culpe: Uma recaída não significa que você é fraco ou que o tratamento não está funcionando. É apenas um passo atrás no caminho da recuperação.
2. Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída. Foi estresse? Exposição a um gatilho? Falta de sono? Identificar a causa pode ajudar a evitar recaídas futuras.
3. Peça ajuda: Converse com seu terapeuta, médico ou alguém de confiança sobre o que aconteceu. Eles podem ajudar você a entender o que deu errado e como evitar no futuro.
4. Volte ao tratamento: Se você parou de tomar medicamentos ou de ir à terapia, volte o mais rápido possível. Não espere até que as coisas piorem.
5. Ajuste seu plano de prevenção: Trabalhe com seu terapeuta para ajustar seu plano de prevenção de recaídas, levando em conta o que você aprendeu com essa experiência.

Exemplo:
Maria teve uma recaída depois de duas semanas sem tomar o remédio para ansiedade. Em vez de se culpar, ela conversou com sua terapeuta sobre o que aconteceu. Elas identificaram que a recaída aconteceu depois de um dia muito estressante no trabalho. Maria ajustou seu plano de prevenção para incluir técnicas de manejo de estresse e continuou tentando.

Dica extra:
Tenha um plano de emergência para recaídas. Isso pode incluir:
– Uma lista de pessoas para ligar (terapeuta, médico, amigos, familiares).
– Técnicas de relaxamento para usar na hora.
– Um lugar seguro para ir, se necessário.


5. “Quanto tempo vai durar o tratamento?”

Resposta:
Não existe um prazo exato para o tratamento de um transtorno por uso de substâncias. Cada pessoa é única e o tempo de tratamento varia de acordo com vários fatores, como:
– A gravidade do transtorno.
– A substância envolvida.
– A presença de outros problemas de saúde mental.
– O apoio social e familiar.
– A motivação da pessoa.

Algumas pessoas conseguem se recuperar em alguns meses, enquanto outras podem precisar de anos de tratamento. O importante é não desistir e continuar seguindo as recomendações do seu médico e terapeuta.

Fases do tratamento:
1. Desintoxicação (quando necessário): Pode durar de alguns dias a algumas semanas, dependendo da substância e da gravidade do transtorno.
2. Tratamento ativo: Geralmente dura de 3 a 12 meses. Nessa fase, você vai trabalhar com seu terapeuta para entender as causas do transtorno e aprender novas formas de lidar com a fissura e as emoções difíceis.
3. Manutenção: Pode durar anos ou até mesmo a vida toda. Nessa fase, o objetivo é manter a recuperação e prevenir recaídas. Isso pode incluir terapia de manutenção, grupos de apoio e, em alguns casos, medicamentos.

Exemplo:
João começou o tratamento com um psiquiatra e um terapeuta. Nos primeiros três meses, ele fez terapia duas vezes por semana e tomou medicamentos para ajudar com a fissura. Depois desse período, ele reduziu a terapia para uma vez por semana e continuou tomando os medicamentos. Um ano depois, ele estava estável e reduziu a terapia para uma vez por mês, mas continuou frequentando um grupo de apoio.

Dica extra:
Não se preocupe com o tempo. O importante é focar em um dia de cada vez e celebrar as pequenas vitórias ao longo do caminho.


6. “Posso tomar outros medicamentos enquanto estou em tratamento?”

Resposta:
Depende do medicamento. Alguns medicamentos podem interagir com os medicamentos usados no tratamento do transtorno por uso de substâncias ou podem aumentar o risco de recaída. Por isso, é muito importante sempre informar seu médico sobre todos os medicamentos que você está tomando, incluindo:
– Medicamentos prescritos.
– Medicamentos de venda livre (como analgésicos, antiácidos, remédios para gripe).
– Suplementos (como vitaminas, ervas, probióticos).
– Substâncias recreativas (como álcool, maconha, cigarro).

Medicamentos que podem ser problemáticos:
1. Benzodiazepínicos (como diazepam, clonazepam, alprazolam): Podem causar dependência e aumentar o risco de recaída, especialmente se você já teve problemas com substâncias depressoras do sistema nervoso.
2. Opioides (como codeína, tramadol, morfina): Podem aumentar o risco de recaída se você já teve problemas com opioides.
3. Estimulantes (como metilfenidato, anfetaminas): Podem aumentar o risco de recaída se você já teve problemas com estimulantes.
4. Álcool: Pode interagir com medicamentos usados no tratamento e aumentar o risco de recaída.

O que fazer:
Informe seu médico: Sempre informe seu médico sobre todos os medicamentos que você está tomando.
Pergunte sobre alternativas: Se você precisar tomar um medicamento que pode ser problemático, pergunte ao seu médico se existem alternativas mais seguras.
Monitore seus sintomas: Fique atento a sinais de fissura ou outros sintomas que possam indicar um risco de recaída.

Exemplo:
Maria precisava tomar um antibiótico para uma infecção urinária. Ela informou seu psiquiatra, que verificou se o antibiótico interagia com seus medicamentos para o transtorno por uso de substâncias. Como não havia interação, ela pôde tomar o antibiótico sem problemas.


7. “Como eu lido com a fissura?”

Resposta:
A fissura é uma vontade intensa de usar a substância. Ela pode ser desencadeada por gatilhos, como estresse, ansiedade, lugares ou pessoas associadas ao uso. A boa notícia é que a fissura sempre passa, mesmo que no momento pareça insuportável. Vamos falar sobre algumas técnicas para lidar com a fissura.

  1. Técnica do 15 minutos:
  2. Quando sentir vontade de usar a substância, diga a si mesmo: “Vou esperar 15 minutos antes de decidir”. Muitas vezes, a fissura passa nesse tempo.
  3. Exemplo: João sentiu uma vontade intensa de tomar o remédio para dormir. Ele olhou no relógio e disse a si mesmo que esperaria 15 minutos. Quando os 15 minutos passaram, a vontade tinha diminuído.

  4. Distração:

  5. Faça algo que ocupe sua mente, como ligar para um amigo, assistir a um vídeo engraçado, fazer um quebra-cabeça ou ler um livro.
  6. Exemplo: Maria sentiu vontade de tomar o remédio para ansiedade. Ela ligou para sua irmã e as duas conversaram sobre um programa de TV que estavam assistindo. Quando desligou o telefone, a vontade tinha passado.

  7. Respiração profunda:

  8. Inspire profundamente pelo nariz, segure por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita até se sentir mais calmo.
  9. Exemplo: Pedro sentiu uma vontade intensa de tomar o relaxante muscular. Ele parou o que estava fazendo e fez 10 respirações profundas. Quando terminou, a vontade tinha diminuído.

  10. Autoinstrução:

  11. Diga a si mesmo frases como: “Essa vontade vai passar”, “Eu sou mais forte do que essa vontade”, “Eu já passei por isso antes e consegui”.
  12. Exemplo: Ana sentiu vontade de tomar o remédio para enxaqueca. Ela disse a si mesma: “Essa vontade vai passar. Eu não preciso tomar o remédio agora. Eu consigo lidar com isso”. A vontade diminuiu depois de alguns minutos.

  13. Mudança de ambiente:

  14. Se você estiver em um lugar que desencadeia a fissura, mude de ambiente. Vá para outro cômodo, saia para uma caminhada ou vá para um lugar seguro.
  15. Exemplo: Ricardo sentiu vontade de tomar os calmantes da mãe quando passou pela farmácia perto de casa. Ele atravessou a rua e entrou em uma livraria. Quando saiu da livraria, a vontade tinha passado.

  16. Atividade física:

  17. Faça uma atividade física, como uma caminhada, corrida ou alongamento. O exercício ajuda a reduzir a fissura e melhora o humor.
  18. Exemplo: Carla sentiu vontade de tomar o remédio para dormir. Ela colocou seus tênis e foi caminhar pelo quarteirão. Quando voltou para casa, a vontade tinha passado.

  19. Técnica do 5-4-3-2-1:

  20. Nomeie 5 coisas que você vê, 4 coisas que você toca, 3 coisas que você ouve, 2 coisas que você cheira e 1 coisa que você prova. Isso ajuda a trazer sua atenção para o presente e reduzir a fissura.
  21. Exemplo: João sentiu vontade de tomar o remédio para dormir. Ele olhou ao redor e nomeou 5 coisas que via (uma cadeira, uma mesa, um quadro, uma planta, um livro), 4 coisas que tocava (a textura do sofá, o tecido da sua camisa, o chão frio, o controle remoto), 3 coisas que ouvia (o som da TV, o barulho da geladeira, o vento lá fora), 2 coisas que cheirava (o cheiro do café, o perfume da sua esposa) e 1 coisa que provava (o gosto da pasta de dente). Quando terminou, a vontade tinha diminuído.

  22. Visualização:

  23. Imagine um lugar calmo e seguro, como uma praia ou uma floresta. Tente visualizar os detalhes – o som das ondas, o cheiro das flores, a sensação do vento.
  24. Exemplo: Maria sentiu vontade de tomar o remédio para ansiedade. Ela fechou os olhos e imaginou que estava deitada na praia, ouvindo o som das ondas e sentindo o sol no rosto. Quando abriu os olhos, a vontade tinha passado.

Dica extra:
Anote as situações em que você sente fissura e as técnicas que funcionam para você. Isso pode ajudar a criar um plano personalizado para lidar com a fissura.


8. “Como eu lido com a vergonha e o estigma?”

Resposta:
A vergonha e o estigma são alguns dos maiores obstáculos para a recuperação. Muitas pessoas se sentem envergonhadas por terem um transtorno por uso de substâncias e têm medo de serem julgadas. Vamos falar sobre como lidar com esses sentimentos.

  1. Lembre-se de que você não está sozinho:
  2. Milhões de pessoas no mundo têm transtornos por uso de substâncias. Você não é fraco, não é “louco” e não está sozinho. Muitas pessoas passaram pelo que você está passando e conseguiram se recuperar.
  3. Exemplo: João se sentiu envergonhado quando recebeu o diagnóstico, mas depois de participar de um grupo de apoio, percebeu que muitas pessoas tinham histórias parecidas com a dele.

  4. Eduque-se sobre o transtorno:

  5. Quanto mais você souber sobre o transtorno por uso de substâncias, mais fácil será entender que não é uma questão de caráter ou força de vontade. É uma condição médica, como diabetes ou hipertensão.
  6. Exemplo: Maria começou a ler sobre como os medicamentos para ansiedade afetam o cérebro. Isso a ajudou a entender por que tinha tanta dificuldade para parar de tomar e a se sentir menos culpada.

  7. Desafie pensamentos negativos:

  8. Quando você tiver pensamentos como “Eu sou fraco” ou “Eu sou um fracasso”, desafie esses pensamentos. Pergunte a si mesmo: “Esse pensamento é verdadeiro? O que eu diria a um amigo que estivesse passando pela mesma situação?”
  9. Exemplo: Ana teve o pensamento “Eu sou uma pessoa horrível por não conseguir parar de tomar esse remédio”. Ela desafiou esse pensamento perguntando: “Isso é verdade? Eu sou uma pessoa horrível ou estou passando por um momento difícil? O que eu diria a um amigo que estivesse nessa situação?”

  10. Converse com pessoas de confiança:

  11. Compartilhar seus sentimentos com pessoas de confiança pode ajudar a reduzir a vergonha e o isolamento.
  12. Exemplo: Pedro conversou com seu melhor amigo sobre seu diagnóstico. Seu amigo o apoiou e disse que estava ali para o que ele precisasse. Isso ajudou Pedro a se sentir menos sozinho.

  13. Participe de grupos de apoio:

  14. Grupos de apoio podem proporcionar um senso de comunidade e apoio. Ouvir as histórias de outras pessoas pode ajudar a reduzir a vergonha e o estigma.
  15. Exemplo: Carla começou a frequentar um grupo de apoio para pessoas com transtorno por uso de substâncias. Ouvir as histórias de outras pessoas a ajudou a se sentir menos envergonhada e mais motivada a se recuperar.

  16. Seja gentil consigo mesmo:

  17. Não se cobre perfeição. Você está fazendo o melhor que pode em uma situação difícil. Celebre as pequenas vitórias e seja gentil consigo mesmo.
  18. Exemplo: João teve uma recaída depois de duas semanas sem tomar o remédio para dormir. Em vez de se culpar, ele reconheceu que foi um passo atrás, mas não o fim do mundo, e continuou tentando.

  19. Lembre-se de que a recuperação é um processo:

  20. A recuperação não acontece da noite para o dia. É um processo que leva tempo e envolve altos e baixos. Não desanime se os resultados não aparecerem imediatamente.
  21. Exemplo: Maria esperava se sentir “curada” depois de um mês de tratamento, mas percebeu que a recuperação é um processo contínuo. Ela aprendeu a celebrar as pequenas vitórias ao longo do caminho.

  22. Ajude a combater o estigma:

  23. Quando você se sentir confortável, compartilhe sua história para ajudar a combater o estigma associado ao transtorno por uso de substâncias. Isso pode ajudar outras pessoas a se sentirem menos sozinhas e mais motivadas a buscar ajuda.
  24. Exemplo: Ana começou a compartilhar sua história em um blog. Isso a ajudou a se sentir mais empoderada e a combater o estigma associado ao transtorno.

Dica extra:
Se a vergonha e o estigma estiverem atrapalhando sua recuperação, converse com seu terapeuta. A terapia pode ajudar a lidar com esses sentimentos de forma mais eficaz.


9. “Como eu lido com a culpa por ter causado problemas para minha família?”

Resposta:
É normal sentir culpa quando percebemos que nosso comportamento causou problemas para as pessoas que amamos. Mas é importante lembrar que a culpa não ajuda ninguém – nem você, nem sua família. Vamos falar sobre como lidar com esse sentimento.

  1. Reconheça seus sentimentos:
  2. É normal sentir culpa, mas não deixe que esse sentimento te paralise. Reconheça seus sentimentos e aceite que eles fazem parte do processo de recuperação.
  3. Exemplo: João se sentiu culpado por ter causado problemas no trabalho por causa do remédio para dormir. Ele reconheceu esse sentimento, mas não deixou que ele o impedisse de buscar ajuda.

  4. Peça desculpas, mas não se martirize:

  5. Peça desculpas às pessoas que você magoou, mas não se martirize. Lembre-se de que você está buscando ajuda e trabalhando para mudar.
  6. Exemplo: Maria pediu desculpas ao marido por ter mentido sobre o uso do remédio para ansiedade. Ela reconheceu que errou, mas não se martirizou. Em vez disso, focou em seguir o tratamento.

  7. Foque no presente e no futuro:

  8. Não fique remoendo o passado. Foque no presente e no que você pode fazer agora para melhorar sua vida e a vida das pessoas ao seu redor.
  9. Exemplo: Pedro se sentiu culpado por ter causado problemas financeiros para sua família. Em vez de ficar remoendo o passado, ele focou em seguir o tratamento e em encontrar formas de contribuir para a família.

  10. Mostre através de ações:

  11. Em vez de ficar se desculpando o tempo todo, mostre através de ações que você está mudando. Isso pode ser mais poderoso do que palavras.
  12. Exemplo: Ana se sentiu culpada por ter causado problemas para sua filha. Em vez de ficar se desculpando, ela começou a passar mais tempo de qualidade com a filha, sem o remédio para ansiedade.

  13. Converse com seu terapeuta:

  14. Se a culpa estiver atrapalhando sua recuperação, converse com seu terapeuta. A terapia pode ajudar a lidar com esse sentimento de forma mais eficaz.
  15. Exemplo: João conversou com seu terapeuta sobre a culpa que sentia. O terapeuta o ajudou a entender que a culpa não o ajudaria a se recuperar e o encorajou a focar no presente.

  16. Lembre-se de que você merece recuperação:

  17. Você merece se recuperar, não importa o que tenha acontecido no passado. Sua família também quer que você se recupere, porque isso vai melhorar a vida de todos.
  18. Exemplo: Maria se sentiu culpada por ter causado problemas para sua família. Ela conversou com sua terapeuta, que a ajudou a entender que sua recuperação também seria um presente para sua família.

Dica extra:
Escreva uma carta para sua família (você não precisa entregar). Na carta, reconheça os problemas que causou, peça desculpas e fale sobre seu compromisso com a recuperação. Isso pode ajudar a organizar seus sentimentos.


10. “Como eu explico isso para meu empregador?”

Resposta:
Explicar seu diagnóstico para seu empregador pode ser assustador, especialmente por causa do estigma associado ao transtorno por uso de substâncias. Mas lembre-se: você não é obrigado a contar para seu empregador, a menos que precise de acomodações no trabalho. Vamos falar sobre como lidar com essa situação.

  1. Avalie se é necessário contar:
  2. Você só precisa contar para seu empregador se precisar de acomodações no trabalho, como horários flexíveis para consultas ou um ambiente de trabalho mais tranquilo.
  3. Exemplo: João precisava de horários flexíveis para ir às consultas com seu psiquiatra. Ele decidiu contar para seu empregador para poder ajustar seus horários.

  4. Escolha o momento certo:

  5. Escolha um momento em que você e seu empregador estejam calmos. Evite falar sobre o assunto em momentos de estresse ou conflito.
  6. Exemplo: Maria esperou até depois de uma reunião importante para conversar com seu chefe sobre seu diagnóstico.

  7. Seja honesto, mas não dê mais detalhes do que o necessário:

  8. Você não precisa contar todos os detalhes do seu diagnóstico. Seja honesto, mas mantenha a conversa focada em como o diagnóstico afeta seu trabalho e o que você precisa para se recuperar.
  9. Exemplo: “Eu estou passando por um problema de saúde que está afetando meu sono. Estou buscando tratamento e, por enquanto, preciso de horários mais flexíveis para ir às consultas.”

  10. Foque nas soluções:

  11. Em vez de focar no problema, foque nas soluções. Explique o que você está fazendo para se recuperar e o que precisa do empregador para isso.
  12. Exemplo: “Estou fazendo terapia e tomando medicamentos para lidar com a insônia. Por enquanto, preciso sair uma hora mais cedo às terças e quintas para ir às consultas. Posso compensar esse tempo trabalhando de casa ou chegando mais cedo nos outros dias.”

  13. Conheça seus direitos:

  14. No Brasil, a Lei 10.216 protege os direitos das pessoas com transtornos mentais, incluindo o direito à confidencialidade e a não discriminação no trabalho. Você não pode ser demitido por ter um transtorno por uso de substâncias, desde que esteja buscando tratamento.
  15. Exemplo: Pedro conversou com um advogado antes de falar com seu empregador. O advogado o ajudou a entender seus direitos e a preparar a conversa.

  16. Peça apoio:

  17. Se você se sentir confortável, peça apoio ao seu empregador. Isso pode incluir horários flexíveis, um ambiente de trabalho mais tranquilo ou a possibilidade de trabalhar de casa em alguns dias.
  18. Exemplo: Ana pediu ao seu chefe para trabalhar de casa às sextas-feiras, para poder ir às consultas com seu terapeuta. Seu chefe concordou e isso ajudou Ana a seguir o tratamento.

  19. Lide com perguntas e julgamentos:

  20. Algumas pessoas podem fazer perguntas insensíveis ou julgamentos. Tente não levar para o lado pessoal e use essas situações como oportunidades para educar.
  21. Exemplo de pergunta insensível: “Você é alcoólatra?”
  22. Resposta: “Na verdade, eu tenho um transtorno por uso de medicamentos para ansiedade. É uma condição médica, como diabetes ou hipertensão. Estou buscando tratamento e, por enquanto, preciso de algumas acomodações no trabalho.”

  23. Proteja sua privacidade:

  24. Você não é obrigado a contar para todo mundo no trabalho. Escolha pessoas de confiança para compartilhar o diagnóstico.
  25. Exemplo: João contou para seu chefe e para um colega de confiança, mas preferiu não contar para os outros colegas.

  26. Lembre-se de que você não precisa se justificar:

  27. Você não deve explicações para ninguém. Se alguém não entender ou julgar, isso diz mais sobre a pessoa do que sobre você.
  28. Exemplo: Quando um colega de Maria fez um comentário insensível, ela respondeu: “Eu não preciso me justificar para você. Estou fazendo o melhor que posso para cuidar da minha saúde.”

Dica extra:
Se você não se sentir confortável em contar para seu empregador, converse com seu terapeuta ou médico sobre outras formas de lidar com a situação. Eles podem te ajudar a encontrar soluções que não envolvam compartilhar seu diagnóstico.


Quando procurar ajuda urgente

Alguns sinais indicam que você ou alguém que você ama precisa de ajuda imediata. É como quando você está dirigindo e vê uma luz vermelha no painel do carro – você não espera até o carro quebrar no meio da estrada, você leva para a oficina o mais rápido possível. Vamos falar sobre os sinais de alerta que indicam a necessidade de ajuda urgente.

Sinais de alerta moderados (procure ajuda nas próximas 24-48 horas):

  1. Fissura intensa que não passa:
  2. Você sente uma vontade tão forte de usar a substância que não consegue pensar em outra coisa.
  3. Exemplo: João sente uma vontade tão intensa de tomar o remédio para dormir que não consegue se concentrar no trabalho. Ele já tentou várias técnicas para lidar com a fissura, mas nada funciona.

  4. Sintomas de abstinência:

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