Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinóides (CID-10: F12)

O que é?

Imagine que você está dirigindo um carro. O volante responde bem, os freios funcionam, você consegue acelerar e parar quando precisa. Agora, imagine que alguém coloca um peso enorme no porta-malas sem você saber. De repente, o carro fica mais lento, o volante parece mais pesado, e frear vira um desafio. Você ainda consegue dirigir, mas tudo fica mais difícil, menos previsível e, às vezes, até perigoso.

Os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinóides são algo parecido com isso, mas no lugar do carro, estamos falando do seu cérebro e da sua mente. Os canabinóides — substâncias encontradas na maconha, como o THC (tetrahidrocanabinol) — agem como esse “peso extra” no sistema nervoso. Eles podem alterar a forma como você pensa, sente, age e até como percebe a realidade. Para algumas pessoas, esses efeitos são passageiros e leves. Para outras, especialmente quando o uso é frequente, intenso ou em momentos de vulnerabilidade (como estresse, adolescência ou predisposição genética), os canabinóides podem desencadear ou piorar problemas sérios de saúde mental.

O que diferencia isso de uma “onda” normal?

Todo mundo que já fumou maconha sabe que ela pode causar risos, fome, relaxamento ou até sonolência. Esses são efeitos esperados e, para a maioria das pessoas, passageiros. O problema começa quando:
– Os efeitos não passam depois que a substância sai do corpo (o que pode levar dias ou semanas, dependendo do uso).
– A pessoa perde o controle sobre o uso, mesmo sabendo que está prejudicando sua vida.
– Surgem sintomas psiquiátricos que não existiam antes, como paranoia intensa, alucinações, ansiedade extrema ou até episódios psicóticos.
– O uso interfere no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na saúde física.

É como se o “peso no porta-malas” não fosse embora quando você para o carro. O cérebro, que deveria voltar ao normal, fica “preso” em um modo alterado, mesmo sem a substância.

Quem é mais afetado?

No Brasil, o uso de maconha é comum, especialmente entre jovens. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE, 2019), cerca de 13% dos estudantes do 9º ano já experimentaram maconha. Entre adultos, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2019) mostra que 7,7% dos brasileiros já usaram a substância pelo menos uma vez na vida.

Mas nem todo mundo que usa maconha desenvolve um transtorno. Os fatores de risco incluem:
Idade: Adolescentes e adultos jovens (15 a 25 anos) são mais vulneráveis porque o cérebro ainda está em desenvolvimento. O THC pode interferir na formação de conexões neurais importantes para o raciocínio, a memória e o controle de impulsos.
Frequência e quantidade: Quem fuma diariamente ou usa doses altas (como haxixe ou óleos concentrados) tem mais chances de desenvolver problemas.
Genética: Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia, psicose ou transtornos de ansiedade têm maior risco.
Contexto de vida: Quem usa maconha para lidar com estresse, traumas ou solidão tem mais chances de desenvolver dependência ou transtornos mentais.

Homens vs. mulheres: Os homens usam maconha com mais frequência, mas as mulheres podem desenvolver transtornos mais rapidamente e com doses menores. Isso acontece por diferenças hormonais e na forma como o corpo metaboliza o THC.

Um pouco de história

A maconha é usada há milhares de anos, seja como remédio, em rituais religiosos ou como droga recreativa. No Brasil, ela chegou com os escravizados africanos e se espalhou entre as classes populares. Durante o século XX, foi criminalizada em muitos países, incluindo o Brasil, mas nas últimas décadas, seu uso medicinal e recreativo vem sendo discutido e, em alguns lugares, legalizado.

O que mudou nos últimos anos é a potência da maconha. Antigamente, a concentração de THC (a substância psicoativa) era de cerca de 3-5%. Hoje, com técnicas de cultivo avançadas e extração de óleos, alguns produtos chegam a 20-30% de THC — ou até mais. Isso aumenta muito o risco de efeitos colaterais, especialmente para quem já tem predisposição a problemas mentais.


Quais são os sintomas?

Os transtornos relacionados ao uso de canabinóides podem se manifestar de várias formas. Alguns sintomas são físicos, outros emocionais, cognitivos (relacionados ao pensamento) ou comportamentais. Vamos detalhar cada um deles, explicando o que é normal e o que já é sinal de alerta.

1. Intoxicação por canabinóides (F12.0)

É o famoso “barato” da maconha. Os efeitos variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem:

Sintomas físicos

  • Olhos vermelhos: A maconha dilata os vasos sanguíneos nos olhos, deixando-os avermelhados. É como se alguém tivesse jogado um pouco de álcool nos seus olhos — eles ficam irritados e sensíveis à luz.
  • Boca seca: A sensação é de ter engolido um punhado de areia. A maconha reduz a produção de saliva, então a boca fica seca e grudenta.
  • Fome intensa (“larica”): O THC ativa receptores no cérebro que aumentam o apetite. É como se o seu estômago virasse um buraco negro, sugando tudo o que vê pela frente.
  • Coração acelerado: Algumas pessoas sentem o coração bater mais rápido, como se tivessem corrido uma maratona sem sair do lugar. Isso pode ser assustador, especialmente para quem já tem ansiedade.
  • Tontura ou enjoo: Em doses altas, a maconha pode causar vertigem, como se o chão estivesse se movendo. Algumas pessoas até vomitam.

O que é normal? Esses sintomas são esperados e costumam passar em algumas horas.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa tiver dor no peito, desmaios, convulsões ou vômitos incontroláveis, é preciso procurar ajuda médica imediatamente.

Sintomas emocionais e cognitivos

  • Euforia ou relaxamento: A pessoa pode se sentir extremamente feliz, leve ou desinibida, como se estivesse flutuando. É como tomar um gole de vinho, mas multiplicado por dez.
  • Ansiedade ou paranoia: Em vez de relaxar, algumas pessoas ficam extremamente ansiosas, com medo de que algo ruim aconteça. É como se o cérebro ficasse preso em um loop de pensamentos negativos: “E se a polícia chegar? E se eu passar mal? E se eu nunca mais voltar ao normal?”
  • Alteração na percepção do tempo: Minutos podem parecer horas, e horas podem voar. É como se o relógio interno da pessoa ficasse desregulado.
  • Dificuldade de concentração: A pessoa pode ter dificuldade para acompanhar uma conversa, ler um livro ou assistir a um filme. É como tentar assistir TV com alguém mudando de canal a cada 10 segundos.
  • Memória prejudicada: Esquecer o que acabou de falar ou onde deixou as chaves é comum. Em casos extremos, a pessoa pode ter blackouts (lacunas de memória).

O que é normal? Um pouco de desorientação ou risos exagerados são esperados.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa não reconhece familiares, tem alucinações (vê ou ouve coisas que não existem) ou fica agressiva, pode estar tendo uma intoxicação grave ou um episódio psicótico.

Sintomas comportamentais

  • Risos incontroláveis: A pessoa ri de coisas que não são engraçadas, como se estivesse em um stand-up comedy invisível.
  • Letargia: Ficar “chapado” pode deixar a pessoa sonolenta, como se tivesse tomado um remédio para dormir.
  • Comportamento desinibido: Fazer coisas que normalmente não faria, como falar palavrões em público ou dançar no meio da rua.

O que é normal? Um pouco de descontrole é esperado.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa colocar a si mesma ou outros em risco (dirigir, nadar, operar máquinas), é preciso intervir.


2. Uso nocivo de canabinóides (F12.1)

Aqui, o problema não é só o “barato”, mas o padrão de uso que já está prejudicando a vida da pessoa. É como se a maconha tivesse virado um hóspede indesejado na casa: ela chega, faz bagunça e se recusa a ir embora.

Critérios diagnósticos (traduzidos para linguagem leiga)

  1. A pessoa usa maconha de forma recorrente, mesmo sabendo que está causando problemas.
  2. Exemplo 1: João fuma todo dia antes de ir para a faculdade. Ele sabe que está tirando notas baixas, mas não consegue parar.
  3. Exemplo 2: Maria usa maconha para dormir, mas acorda ainda mais cansada no dia seguinte. Mesmo assim, continua fumando.
  4. Como perceber: A pessoa sabe que está prejudicando a si mesma, mas não consegue (ou não quer) mudar.

  5. O uso causa prejuízos significativos em áreas importantes da vida.

  6. No trabalho/escola: Faltar aulas, chegar atrasado, perder promoções, ser demitido.
  7. Nos relacionamentos: Brigas com familiares, término de namoros, isolamento social.
  8. Na saúde: Problemas respiratórios (bronquite, tosse crônica), piora da ansiedade ou depressão.
  9. Exemplo concreto: Pedro era um ótimo aluno, mas depois que começou a fumar maconha diariamente, suas notas caíram, ele perdeu a bolsa de estudos e agora está devendo mensalidades.

  10. A pessoa continua usando mesmo depois de ter problemas legais, sociais ou de saúde.

  11. Exemplo: Ana foi pega com maconha na escola e recebeu uma advertência. Mesmo assim, continuou fumando escondido.
  12. Exemplo: Carlos desenvolveu bronquite por fumar todos os dias, mas não parou.

O que é normal? Experimentar maconha uma vez ou usar esporadicamente (como em festas) não é necessariamente um problema.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa não consegue parar mesmo querendo, ou se o uso está atrapalhando metas importantes (estudos, trabalho, família), pode ser um transtorno.


3. Síndrome de dependência de canabinóides (F12.2)

A dependência é como um vício em um hábito que virou necessidade. O cérebro se acostuma tanto com a maconha que, sem ela, a pessoa se sente incompleta, irritada ou até doente.

Critérios diagnósticos (traduzidos)

  1. Tolerância: A pessoa precisa de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito.
  2. Exemplo: No começo, Maria fumava um baseado e ficava relaxada. Agora, precisa de três para sentir algo.
  3. Analogia: É como tomar café. No começo, uma xícara te deixava acordado. Depois de um tempo, você precisa de duas, três…

  4. Abstinência: Quando a pessoa para de usar, sente sintomas físicos e emocionais desagradáveis.

  5. Sintomas comuns:
    • Irritabilidade (como se estivesse com os nervos à flor da pele).
    • Ansiedade (uma sensação de que algo ruim vai acontecer).
    • Insônia (dificuldade para dormir, mesmo cansado).
    • Falta de apetite (o oposto da “larica”).
    • Suor frio, tremores ou náusea.
  6. Exemplo: Pedro tentou parar de fumar para um exame importante, mas passou três noites sem dormir, irritado e sem fome. Acabou voltando a usar para “se acalmar”.

  7. A pessoa usa mais maconha do que pretendia, ou por mais tempo do que queria.

  8. Exemplo: Lucas planejava fumar só um baseado no fim de semana, mas acabou fumando todos os dias.
  9. Exemplo: Carla disse que ia parar depois do vestibular, mas já se passaram dois anos e ela ainda fuma diariamente.

  10. Desejo persistente ou esforços malsucedidos para parar.

  11. Exemplo: “Eu já tentei parar cinco vezes, mas sempre volto. É mais forte do que eu.”
  12. Exemplo: A pessoa marca uma data para parar, mas no dia seguinte já está fumando de novo.

  13. Muita energia é gasta para obter, usar ou se recuperar dos efeitos da maconha.

  14. Exemplo: João passa horas procurando um traficante confiável, gasta todo o dinheiro do mês com maconha e depois fica o resto do tempo “chapado” ou se recuperando.
  15. Exemplo: Maria deixa de sair com amigos para ficar em casa fumando.

  16. A pessoa abandona atividades importantes por causa da maconha.

  17. Exemplo: Carlos parou de jogar futebol, algo que amava, porque preferia fumar com os amigos.
  18. Exemplo: Ana deixou de estudar para o ENEM porque passava as tardes fumando.

  19. A pessoa continua usando mesmo sabendo que está causando problemas físicos ou psicológicos.

  20. Exemplo: Bruno sabe que a maconha piora sua ansiedade, mas continua fumando porque “ajuda a relaxar”.
  21. Exemplo: Fernanda tem crises de pânico depois de fumar, mas não consegue parar.

O que é normal? Gostar dos efeitos da maconha e usá-la ocasionalmente não é dependência.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa não consegue viver sem ela, ou se o uso está controlando a vida dela (e não o contrário), pode ser dependência.


4. Transtorno psicótico induzido por canabinóides (F12.5)

Esse é o mais grave dos transtornos relacionados à maconha. Aqui, o uso da substância desencadeia sintomas psicóticos, como delírios (crenças falsas e inabaláveis) ou alucinações (ver ou ouvir coisas que não existem).

Como isso acontece?

O THC interfere em neurotransmissores como a dopamina, que está ligada à percepção da realidade. Em algumas pessoas, especialmente aquelas com predisposição genética, o THC pode “desregular” esse sistema, levando a sintomas psicóticos.

Sintomas (traduzidos para linguagem leiga)

  1. Delírios: Crenças falsas que a pessoa defende com convicção, mesmo quando confrontada com fatos.
  2. Exemplo 1: “A polícia está me perseguindo e grampeou meu celular.” (Mesmo sem provas.)
  3. Exemplo 2: “Meus amigos estão planejando me matar.” (Sem nenhum motivo real.)
  4. Exemplo 3: “Eu sou o escolhido para salvar o mundo.” (Grandiosidade.)
  5. Como perceber: A pessoa não aceita argumentos lógicos e fica defensiva ou agressiva quando questionada.

  6. Alucinações: Percepções falsas, como ouvir vozes ou ver coisas que não existem.

  7. Exemplo 1: Ouvir alguém chamando seu nome quando não tem ninguém por perto.
  8. Exemplo 2: Ver sombras se movendo ou pessoas que não estão lá.
  9. Exemplo 3: Sentir que está sendo tocado quando não tem ninguém por perto.
  10. Como perceber: A pessoa pode olhar fixamente para um ponto vazio, falar sozinha ou reagir a estímulos que não existem.

  11. Discurso desorganizado: A pessoa fala de forma confusa, pulando de um assunto para outro sem conexão.

  12. Exemplo: “Eu fui na padaria comprar pão, mas o céu está azul, então o governo está me espionando através das nuvens, e meu cachorro sabe disso.”
  13. Como perceber: É difícil acompanhar o raciocínio da pessoa.

  14. Comportamento desorganizado ou catatônico:

  15. Desorganizado: Agir de forma estranha, como rir sem motivo, gritar ou se vestir de maneira bizarra.
  16. Catatônico: Ficar imóvel por horas, como uma estátua, ou repetir movimentos sem propósito.

  17. Sintomas negativos: Falta de emoção, motivação ou prazer.

  18. Exemplo: A pessoa fica apática, não sente vontade de fazer nada, nem mesmo coisas que gostava.
  19. Exemplo: Fala de forma monótona, sem expressão facial.

O que é normal? Ficar um pouco paranoico depois de fumar (“Será que a polícia vai chegar?”) é comum e passageiro.
O que é sinal de alerta? Se a pessoa acredita firmemente em coisas irreais, ouve vozes ou age de forma muito estranha por mais de algumas horas, pode estar tendo um episódio psicótico.

Quanto tempo dura?

  • Episódio psicótico breve: Os sintomas duram menos de um mês e desaparecem depois que a substância sai do corpo.
  • Transtorno psicótico persistente: Se os sintomas duram mais de um mês, pode ser um sinal de um transtorno psicótico primário (como esquizofrenia), especialmente se a pessoa já tinha predisposição.

5. Outros transtornos induzidos por canabinóides (F12.8)

Além dos transtornos já mencionados, o uso de maconha pode desencadear ou piorar outros problemas mentais, como:
Transtorno de ansiedade induzido por canabinóides: Crises de pânico, medo intenso ou ansiedade generalizada após o uso.
Transtorno depressivo induzido por canabinóides: Tristeza profunda, falta de energia e desesperança que começam ou pioram com o uso.
Transtorno do sono induzido por canabinóides: Insônia ou sonolência excessiva.
Síndrome amotivacional: Falta de vontade de fazer qualquer coisa, como se a pessoa tivesse “desistido da vida”. É comum em usuários crônicos.


Um aviso importante

Ter um ou dois sintomas isolados não significa que a pessoa tenha um transtorno. O diagnóstico depende de:
Intensidade: Os sintomas são leves ou incapacitantes?
Duração: Eles duram horas, dias ou semanas?
Impacto na vida: Estão prejudicando trabalho, estudos, relacionamentos ou saúde?
Padrão de uso: A pessoa usa esporadicamente ou de forma compulsiva?

Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, não é “frescura” nem “falta de força de vontade”. É um problema de saúde que pode ser tratado.


Como se manifesta no dia a dia?

Os transtornos relacionados ao uso de canabinóides não afetam só a mente — eles transformam a rotina da pessoa e de quem convive com ela. Vamos ver como isso acontece em diferentes áreas da vida.

No trabalho ou na escola

  • Falta de foco: A pessoa pode ter dificuldade para se concentrar em tarefas simples, como ler um relatório ou assistir a uma aula. É como tentar estudar com o celular tocando a cada dois minutos.
  • Exemplo: João era um ótimo aluno, mas depois que começou a fumar maconha diariamente, suas notas caíram. Ele não conseguia terminar as lições e vivia esquecendo prazos.
  • Procrastinação: Deixar tudo para última hora, mesmo sabendo que vai se prejudicar.
  • Exemplo: Maria adia a entrega de um trabalho importante porque prefere fumar e assistir séries.
  • Faltas e atrasos: A pessoa pode faltar ao trabalho ou à escola porque está “chapada”, com ressaca de maconha ou simplesmente sem vontade.
  • Exemplo: Carlos faltou a uma prova importante porque passou a noite fumando e não conseguiu acordar.
  • Problemas com colegas ou chefes: Irritabilidade, paranoia ou comportamento desorganizado podem levar a conflitos.
  • Exemplo: Ana brigou com o chefe porque achou que ele estava “armando contra ela” depois de fumar.

Nos relacionamentos

  • Isolamento: A pessoa pode se afastar de amigos e familiares para ficar sozinha fumando.
  • Exemplo: Pedro parou de sair com os amigos de infância porque eles não fumavam maconha.
  • Brigas frequentes: Irritabilidade, paranoia ou ciúmes podem levar a discussões constantes.
  • Exemplo: Maria acusou o namorado de traição porque “viu algo suspeito no celular dele” depois de fumar.
  • Desconfiança: A pessoa pode achar que os outros estão “contra ela”, mesmo sem motivo.
  • Exemplo: João parou de confiar nos pais porque acreditava que eles estavam “escondendo algo”.
  • Falta de empatia: Dificuldade para entender os sentimentos dos outros.
  • Exemplo: Carla não percebeu que a amiga estava triste porque estava focada em fumar.

Na rotina diária

  • Sono desregulado: A pessoa pode dormir de dia e ficar acordada à noite, ou ter insônia mesmo cansada.
  • Exemplo: Lucas dorme às 4h da manhã e acorda ao meio-dia, perdendo compromissos importantes.
  • Alimentação desequilibrada: A “larica” pode levar a excessos, enquanto a abstinência pode causar falta de apetite.
  • Exemplo: Ana come fast food todos os dias porque a maconha dá muita fome, mas não tem energia para cozinhar.
  • Falta de higiene: A pessoa pode parar de tomar banho, escovar os dentes ou trocar de roupa.
  • Exemplo: Pedro passou uma semana sem tomar banho porque “não via motivo”.
  • Descuido com a saúde: Deixar de tomar remédios, ignorar consultas médicas ou exames.
  • Exemplo: Maria parou de tomar o anticoncepcional porque esquecia com frequência.

Na saúde física

  • Problemas respiratórios: Fumar maconha pode causar tosse crônica, bronquite ou piorar asma.
  • Exemplo: Carlos desenvolveu uma tosse persistente que não melhorava com remédios.
  • Dores de cabeça: Algumas pessoas têm enxaquecas frequentes.
  • Problemas cardíacos: O THC pode aumentar a frequência cardíaca, o que é perigoso para quem tem problemas no coração.
  • Sistema imunológico enfraquecido: Usuários crônicos podem ficar doentes com mais facilidade.

O que causa essa condição?

Não existe uma única causa para os transtornos relacionados ao uso de canabinóides. Eles surgem de uma combinação de fatores, como uma receita em que cada ingrediente aumenta o risco. Vamos entender cada um deles.

1. Fatores genéticos: “A roleta da herança”

Imagine que o cérebro é como um jogo de cartas. Algumas pessoas nascem com cartas “fortes” (genes que as protegem de problemas mentais), enquanto outras recebem cartas “fracas” (genes que aumentam o risco).

  • Histórico familiar de psicose ou esquizofrenia: Se um parente próximo (pai, mãe, irmão) tem esquizofrenia, o risco de desenvolver um transtorno psicótico após usar maconha é até 5 vezes maior.
  • Histórico de transtornos de ansiedade ou depressão: Pessoas com esses transtornos têm mais chances de desenvolver dependência ou piorar os sintomas com o uso de maconha.
  • Sensibilidade ao THC: Algumas pessoas têm uma reação exagerada ao THC, mesmo em doses pequenas. É como se o cérebro delas fosse “alérgico” à substância.

Mito vs. Verdade
Mito: “Se meus pais usaram maconha e não tiveram problemas, eu também não vou ter.”
Verdade: A genética não é uma sentença, mas aumenta o risco. Além disso, a maconha de hoje é muito mais forte do que a de 30 anos atrás.


2. Fatores neurobiológicos: “O cérebro em curto-circuito”

O cérebro é como uma rede elétrica complexa, com bilhões de neurônios se comunicando o tempo todo. O THC “bagunça” essa rede de várias formas:

  • Dopamina em excesso: A dopamina é um neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação. O THC faz o cérebro liberar muita dopamina de uma vez, o que dá a sensação de euforia. Mas, com o tempo, o cérebro se acostuma e passa a precisar de mais THC para sentir o mesmo efeito (tolerância). Quando a pessoa para de usar, a dopamina cai, causando irritabilidade, ansiedade e depressão (abstinência).
  • Glutamato desregulado: O glutamato é responsável pela memória e pelo aprendizado. O THC interfere nesse sistema, o que explica por que usuários crônicos têm dificuldade para se concentrar e lembrar das coisas.
  • Receptores canabinoides: O cérebro tem receptores naturais para canabinóides (chamados CB1 e CB2). O THC se liga a esses receptores, alterando funções como humor, apetite e sono. Com o uso frequente, o cérebro reduz a produção dos próprios canabinóides (como a anandamida), o que pode levar a sintomas de abstinência.

Analogia: É como se o cérebro fosse um termostato. O THC aumenta a temperatura (dopamina, euforia), mas depois o termostato quebra e a temperatura cai demais (abstinência, depressão).


3. Fatores ambientais: “O solo onde a semente cresce”

Nem todo mundo que usa maconha desenvolve um transtorno. Isso depende muito do ambiente em que a pessoa vive.

  • Adolescência: O cérebro dos adolescentes está em pleno desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pelo controle de impulsos, tomada de decisões e memória. O THC pode atrapalhar esse processo, aumentando o risco de dependência e problemas mentais.
  • Exemplo: Um estudo mostrou que adolescentes que usam maconha têm mais chances de desenvolver esquizofrenia do que adultos.
  • Traumas e estresse: Pessoas que passaram por abuso, violência, bullying ou perdas têm mais chances de usar maconha como “válvula de escape” e desenvolver dependência.
  • Exemplo: Maria começou a fumar maconha para “esquecer” os abusos que sofreu na infância. Com o tempo, desenvolveu depressão e ansiedade.
  • Pressão social: O uso de maconha é glamourizado em músicas, filmes e redes sociais. Muitos jovens começam a usar por pressão dos amigos ou para “se encaixar”.
  • Exemplo: João começou a fumar porque “todo mundo na escola fumava”. Hoje, não consegue parar.
  • Falta de apoio familiar: Famílias desestruturadas, com pouco diálogo ou muito conflito, aumentam o risco de uso problemático.
  • Exemplo: Ana cresceu em uma casa onde os pais brigavam o tempo todo. Ela encontrou na maconha uma forma de “fugir” dos problemas.

Mito vs. Verdade
Mito: “Maconha é natural, então não faz mal.”
Verdade: Natural não significa seguro. Cogumelos venenosos e arsênico também são naturais. O THC é uma substância psicoativa que altera o funcionamento do cérebro.


4. Fatores da gestação e desenvolvimento: “As raízes do problema”

O que acontece antes do nascimento pode influenciar o risco de desenvolver transtornos relacionados à maconha.

  • Exposição pré-natal: Bebês cujas mães usaram maconha durante a gravidez podem ter problemas de atenção, memória e controle de impulsos na infância e adolescência.
  • Exemplo: Um estudo mostrou que crianças expostas ao THC no útero têm mais chances de desenvolver TDAH.
  • Complicações no parto: Partos prematuros ou com falta de oxigênio podem aumentar a vulnerabilidade a transtornos mentais.
  • Desnutrição na infância: Crianças que não recebem nutrientes suficientes podem ter desenvolvimento cerebral prejudicado, aumentando o risco de problemas com substâncias no futuro.

5. Modelo biopsicossocial: “A tempestade perfeita”

Os transtornos relacionados ao uso de canabinóides não têm uma causa única. Eles surgem da combinação de:
Biologia (genética, neuroquímica).
Psicologia (traumas, personalidade, saúde mental).
Social (ambiente, família, cultura).

Exemplo: João tem predisposição genética para esquizofrenia (biologia), passou por bullying na escola (psicologia) e começou a fumar maconha para se enturmar (social). Aos 19 anos, teve um episódio psicótico após fumar haxixe.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico pode ser assustador, mas também é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e buscar ajuda. Vamos explicar como funciona esse processo.

1. O primeiro passo: Reconhecer que algo não está certo

Muitas pessoas demoram para procurar ajuda porque:
– Acham que é “só uma fase”.
– Têm vergonha ou medo de serem julgadas.
– Não sabem que o uso de maconha pode causar problemas mentais.

Sinais de que é hora de procurar ajuda:
✔ Você não consegue parar de usar maconha, mesmo querendo.
✔ O uso está prejudicando seu trabalho, estudos ou relacionamentos.
✔ Você sente sintomas estranhos depois de fumar (paranoia, alucinações, ansiedade extrema).
✔ Familiares ou amigos já expressaram preocupação.
✔ Você esconde o uso ou mente sobre a quantidade.


2. Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde mental, como:
Psiquiatra: Médico especializado em transtornos mentais. Ele pode receitar remédios e fazer o diagnóstico.
Psicólogo: Pode ajudar a entender os padrões de uso e oferecer terapia, mas não pode receitar remédios.
Médico de família ou clínico geral: Pode fazer uma avaliação inicial e encaminhar para um especialista.

No SUS:
– Você pode procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e pedir encaminhamento para um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou CAPS AD (para álcool e drogas).
– O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional pelo telefone (188) ou chat online.

Na rede particular:
– Clínicas de psiquiatria ou psicologia.
– Hospitais com serviço de saúde mental.


3. O que esperar na primeira consulta?

A primeira consulta costuma durar 40 a 60 minutos. O profissional vai fazer perguntas para entender:
Seu padrão de uso: Com que frequência você usa? Quanto usa? Há quanto tempo?
Sintomas: Você tem ansiedade, depressão, paranoia ou alucinações?
Histórico familiar: Alguém na sua família tem transtornos mentais?
Impacto na vida: O uso está prejudicando seu trabalho, estudos ou relacionamentos?
Outros problemas de saúde: Você tem doenças físicas ou mentais?

Exemplo de perguntas que o médico pode fazer:
– “Quando você começou a usar maconha?”
– “Com que frequência você usa?”
– “Você já tentou parar? Como foi?”
– “Você sente que a maconha está atrapalhando sua vida?”
– “Você já teve sintomas como ouvir vozes ou achar que estão te perseguindo?”

É normal se sentir nervoso, mas lembre-se: o profissional está ali para ajudar, não julgar.


4. Exames e avaliações

Não existe um exame de sangue ou de imagem que diagnostique transtornos relacionados ao uso de maconha. O diagnóstico é feito com base em:
Entrevista clínica: Conversa detalhada com o profissional.
Testes psicológicos: Questionários que avaliam sintomas de ansiedade, depressão, psicose, etc.
Exames físicos: Para descartar outras causas (como problemas de tireoide ou infecções).
Exame de urina ou sangue: Pode ser pedido para confirmar o uso recente de maconha, mas não diagnostica o transtorno.


5. Diagnóstico diferencial: “O que mais pode ser?”

Alguns sintomas dos transtornos relacionados à maconha podem ser confundidos com outras condições. O profissional vai avaliar se os sintomas são causados por:
Transtorno de ansiedade ou depressão: A maconha pode piorar esses transtornos, mas eles também podem existir independentemente do uso.
Esquizofrenia ou transtorno bipolar: Se os sintomas psicóticos persistirem por mais de um mês após parar de usar maconha, pode ser um transtorno psicótico primário.
TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade): Dificuldade de concentração e impulsividade podem ser confundidas com os efeitos da maconha.
Outras substâncias: Álcool, cocaína ou medicamentos também podem causar sintomas semelhantes.

Exemplo: Se uma pessoa tem alucinações depois de fumar maconha, mas os sintomas desaparecem em uma semana, o diagnóstico pode ser transtorno psicótico induzido por canabinóides. Se os sintomas persistirem por meses, pode ser esquizofrenia.


6. Quanto tempo leva para ser diagnosticado?

Depende de cada caso. Algumas pessoas recebem o diagnóstico na primeira consulta, outras precisam de várias avaliações. O importante é não desistir e seguir as orientações do profissional.


Tratamento

Receber um diagnóstico pode ser um alívio (“Finalmente sei o que tenho!”) ou um choque (“Como vou viver com isso?”). A boa notícia é que os transtornos relacionados ao uso de canabinóides têm tratamento e muitas pessoas conseguem recuperar o controle da vida.

O tratamento geralmente combina:
Medicamentos (quando necessário).
Psicoterapia (para entender e mudar padrões de pensamento e comportamento).
Mudanças no estilo de vida (sono, alimentação, exercícios).
Apoio familiar e social.

Vamos detalhar cada um.


1. Medicamentos

Os remédios não são a solução mágica, mas podem aliviar sintomas e ajudar a pessoa a se recuperar. Eles são usados principalmente para:
Controlar sintomas de abstinência (ansiedade, insônia, irritabilidade).
Tratar transtornos associados (depressão, ansiedade, psicose).
Reduzir a fissura (vontade intensa de usar).

Principais classes de medicamentos

Classe Para que serve Exemplos Como funciona
Antipsicóticos Tratam sintomas psicóticos (delírios, alucinações). Risperidona, Quetiapina, Olanzapina Bloqueiam a dopamina em excesso, reduzindo alucinações e delírios.
Antidepressivos Tratam depressão e ansiedade associadas ao uso ou à abstinência. Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram Aumentam a serotonina, melhorando o humor e reduzindo a ansiedade.
Estabilizadores de humor Usados em casos de transtorno bipolar ou oscilações de humor. Lítio, Ácido Valpróico Equilibram os neurotransmissores, evitando altos e baixos emocionais.
Ansiolíticos Aliviam ansiedade e insônia durante a abstinência. Clonazepam, Diazepam Aumentam o GABA (neurotransmissor calmante), reduzindo a ansiedade. Cuidado: podem causar dependência.
Medicamentos para fissura Reduzem a vontade de usar maconha. Naltrexona, Bupropiona Bloqueiam os receptores de prazer, diminuindo a recompensa do uso.

Perguntas comuns sobre medicamentos

“Os remédios vão me deixar ‘dopado’?”
Não. Os medicamentos psiquiátricos são ajustados para aliviar sintomas sem deixar a pessoa sedada. Alguns podem causar sonolência no começo, mas o médico ajusta a dose.

“Vou ficar dependente dos remédios?”
A maioria dos medicamentos psiquiátricos não causa dependência. Os ansiolíticos (como o clonazepam) são os que têm maior risco, por isso são usados por pouco tempo.

“Quanto tempo vou precisar tomar?”
Depende. Alguns remédios são usados por alguns meses (como os ansiolíticos), outros por anos (como os antipsicóticos, em casos de psicose). O médico vai avaliar caso a caso.

“Posso parar de tomar quando me sentir melhor?”
Não. Parar os remédios de repente pode causar recaída ou piora dos sintomas. Sempre converse com o médico antes de fazer qualquer mudança.


2. Psicoterapia

A terapia é tão importante quanto os remédios (e, em alguns casos, até mais). Ela ajuda a pessoa a:
– Entender por que usa maconha.
– Desenvolver estratégias para lidar com a fissura.
– Mudar padrões de pensamento que levam ao uso.
– Melhorar autoestima e habilidades sociais.

Abordagens com mais evidência

a) Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

O que é? Uma terapia prática e focada no presente, que ajuda a identificar e mudar pensamentos e comportamentos disfuncionais.

Como funciona?
Identificação de gatilhos: O que faz a pessoa querer usar maconha? Estresse? Solidão? Tédio?
Técnicas de enfrentamento: Como lidar com a fissura sem usar? (Ex.: respirar fundo, sair para caminhar, ligar para um amigo.)
Prevenção de recaída: Como evitar situações de risco? (Ex.: não frequentar lugares onde todos fumam.)
Mudança de crenças: “Eu preciso da maconha para relaxar” → “Eu posso relaxar de outras formas.”

Exemplo de sessão:
Terapeuta: “O que aconteceu antes de você fumar ontem?”
Paciente: “Eu tive uma briga com minha mãe e fiquei muito nervoso.”
Terapeuta: “E o que você poderia ter feito em vez de fumar?”
Paciente: “Poderia ter saído para caminhar ou ligado para um amigo.”
Terapeuta: “Vamos treinar isso na próxima vez?”

Duração: Geralmente 12 a 20 sessões, mas pode ser mais longa em casos graves.


b) Entrevista Motivacional

O que é? Uma abordagem que ajuda a pessoa a encontrar motivação para mudar, sem julgamentos.

Como funciona?
– O terapeuta não diz o que a pessoa deve fazer, mas a ajuda a refletir sobre seus objetivos.
Foco nas ambivalências: “Eu quero parar, mas tenho medo de não conseguir.”
Reforço dos motivos para mudar: “O que você ganha parando? O que perde continuando?”

Exemplo de diálogo:
Terapeuta: “O que você acha que vai acontecer se continuar fumando?”
Paciente: “Vou continuar tirando notas baixas e brigando com minha família.”
Terapeuta: “E o que você gostaria que acontecesse?”
Paciente: “Quero me formar e ter um bom relacionamento com meus pais.”
Terapeuta: “Como parar de fumar pode te ajudar a chegar lá?”

Duração: 4 a 6 sessões, mas pode ser combinada com outras terapias.


c) Terapia de Prevenção de Recaída

O que é? Uma abordagem focada em evitar recaídas após a pessoa parar de usar.

Como funciona?
Identificação de situações de risco: Lugares, pessoas ou emoções que aumentam a vontade de usar.
Plano de ação: O que fazer quando a fissura aparecer? (Ex.: ligar para um amigo, praticar exercícios, usar técnicas de relaxamento.)
Manejo de lapsos: Como lidar se a pessoa usar “só uma vez”? (Ex.: não se culpar, aprender com o erro, voltar ao tratamento.)

Exemplo:
Situação de risco: “Vou a uma festa onde todo mundo fuma.”
Plano de ação: “Vou levar um amigo que não fuma, ficar perto das pessoas que estão bebendo refrigerante e sair se a fissura ficar muito forte.”

Duração: 8 a 12 sessões, mas pode ser mais longa.


d) Terapia Familiar

O que é? Uma abordagem que envolve familiares no tratamento, pois eles podem ser aliados ou obstáculos na recuperação.

Como funciona?
Educação sobre o transtorno: Explicar para a família o que é dependência e como ela funciona.
Melhoria da comunicação: Ensinar a família a falar sem julgamentos e a pessoa a expressar suas necessidades.
Resolução de conflitos: Lidar com brigas e ressentimentos que podem levar à recaída.

Exemplo:
Problema: “Meu filho mente sobre o uso de maconha e eu não sei como lidar.”
Solução: A família aprende a abordar o assunto sem acusações (“Estamos preocupados com você” em vez de “Você é um mentiroso”).

Duração: 6 a 12 sessões.


e) Grupos de Apoio (como Narcóticos Anônimos – NA)

O que é? Grupos de pessoas que compartilham experiências e se apoiam na recuperação.

Como funciona?
Compartilhamento de histórias: “Eu também passei por isso e consegui parar.”
Apoio mútuo: A pessoa não se sente sozinha na luta contra a dependência.
Programa de 12 passos: Um método estruturado para a recuperação (ex.: admitir que tem um problema, buscar ajuda, fazer reparações).

Exemplo de frase que se ouve nos grupos:
– “Eu tentei parar sozinho várias vezes, mas só consegui quando encontrei pessoas que entendiam o que eu estava passando.”

Duração: Indefinida. Muitas pessoas frequentam grupos por anos, mesmo depois de parar de usar.


3. Mudanças no dia a dia

A recuperação não acontece só no consultório do médico ou na terapia. Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença.

a) Exercício físico

Por que ajuda?
– Libera endorfina e dopamina (os mesmos neurotransmissores ativados pela maconha, mas de forma natural).
– Reduz ansiedade e depressão.
– Melhora sono e energia.

Quais exercícios são melhores?
Caminhada ou corrida: Liberam endorfina e ajudam a clarear a mente.
Yoga ou meditação: Reduzem o estresse e melhoram o controle emocional.
Musculação: Aumenta a autoestima e a disciplina.
Esportes em grupo: Futebol, vôlei ou basquete ajudam na socialização.

Dica: Comece com 10 minutos por dia e aumente gradualmente. O importante é criar o hábito.


b) Sono

Por que é importante?
– A maconha desregula o sono, deixando a pessoa sonolenta de dia e acordada à noite.
– Dormir bem reduz a fissura e melhora o humor.

Dicas para uma boa noite de sono:
Rotina: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias (mesmo nos fins de semana).
Ambiente: O quarto deve ser escuro, silencioso e fresco.
Evite telas: Desligue celular, TV e computador 1 hora antes de dormir.
Relaxamento: Tome um banho quente, leia um livro ou ouça música calma antes de dormir.
Evite cafeína: Café, chá preto e refrigerantes à base de cola podem atrapalhar o sono.


c) Alimentação

Por que é importante?
– A maconha causa desequilíbrios no apetite (larica vs. falta de fome na abstinência).
– Uma alimentação saudável melhora o humor e a energia.

Dicas:
Coma regularmente: Não pule refeições. Isso pode aumentar a fissura.
Evite açúcar e junk food: Eles causam picos de energia seguidos de queda, piorando a ansiedade.
Inclua alimentos ricos em:
Ômega-3 (salmão, nozes, linhaça): Melhora o humor.
Triptofano (banana, ovos, chocolate amargo): Ajuda na produção de serotonina.
Magnésio (espinafre, amêndoas, abacate): Reduz a ansiedade.
Beba água: A desidratação piora a irritabilidade e a dor de cabeça.


d) Rotina

Por que é importante?
– A maconha desorganiza a rotina, deixando a pessoa sem horários fixos.
– Ter uma rotina dá senso de controle e reduz a fissura.

Como estruturar o dia:
Manhã: Acorde no mesmo horário, tome café da manhã, faça exercícios.
Tarde: Trabalho, estudos ou atividades produtivas.
Noite: Tempo para lazer, socialização e relaxamento.
Antes de dormir: Rotina de relaxamento (leitura, meditação).

Dica: Use um planner ou aplicativo para organizar as tarefas.


e) Técnicas de manejo de sintomas

Algumas técnicas podem ajudar a lidar com a fissura e os sintomas de abstinência:

Sintoma Técnica
Fissura Distração (assistir a um filme, ligar para um amigo), respiração profunda.
Ansiedade Meditação, exercícios de grounding (ex.: nomear 5 coisas que vê, 4 que toca, 3 que ouve, 2 que cheira, 1 que saboreia).
Insônia Banho quente antes de dormir, chá de camomila, evitar telas.
Irritabilidade Exercícios físicos, escrever em um diário, conversar com alguém de confiança.
Depressão Atividades prazerosas (pintura, música, jardinagem), terapia.

Convivendo com o diagnóstico

Receber um diagnóstico de transtorno relacionado ao uso de canabinóides pode ser desafiador, mas também é uma oportunidade de mudança. Vamos ver como lidar com isso, tanto para a pessoa quanto para familiares e amigos.


Para a pessoa com o diagnóstico

1. Aceitação: “Não é culpa minha, mas é minha responsabilidade”

  • Não se culpe: A dependência não é falta de força de vontade. É uma doença, como diabetes ou hipertensão.
  • Não se vitimize: Aceitar o diagnóstico não significa desistir. Significa assumir o controle da sua vida.
  • Peça ajuda: Você não precisa enfrentar isso sozinho. Terapia, grupos de apoio e medicamentos podem te ajudar.

2. Paciência: “A recuperação é uma maratona, não uma corrida”

  • Não espere mudanças da noite para o dia: A abstinência pode durar semanas ou meses.
  • Celebre pequenas vitórias: “Hoje não fumei”, “Fui à terapia”, “Conversei com um amigo”.
  • Aprenda com as recaídas: Se você usar de novo, não desista. Recaídas fazem parte do processo. O importante é voltar ao tratamento.

3. Autocuidado: “Você não pode encher o copo dos outros se o seu estiver vazio”

  • Cuide do seu corpo: Exercícios, alimentação saudável e sono são essenciais.
  • Cuide da sua mente: Terapia, meditação e hobbies ajudam a manter o equilíbrio.
  • Cuide das suas relações: Afaste-se de pessoas que incentivam o uso e aproxime-se de quem te apoia.

4. Novos hábitos: “Substitua o vazio por algo significativo”

  • Encontre novos prazeres: A maconha não é a única fonte de prazer. Experimente:
  • Arte (pintura, música, escrita).
  • Esportes (corrida, natação, dança).
  • Voluntariado (ajudar os outros dá um senso de propósito).
  • Viagens (conhecer novos lugares e culturas).
  • Redescubra antigos hobbies: O que você gostava de fazer antes da maconha? Volte a fazer!

5. Rede de apoio: “Ninguém se recupera sozinho”

  • Família e amigos: Conte para as pessoas em quem confia. Elas podem te apoiar.
  • Grupos de apoio: Narcóticos Anônimos (NA), grupos de terapia.
  • Profissionais: Psiquiatra, psicólogo, médico de família.

Para familiares e amigos

1. Como ajudar (sem sufocar)

  • Escute sem julgar: A pessoa já se sente culpada. Não a acuse ou critique.
  • Ofereça apoio prático: “Posso te acompanhar na terapia?”, “Vamos fazer algo juntos hoje?”.
  • Incentive o tratamento: “Você já pensou em procurar um médico?”.
  • Celebre as conquistas: “Fico feliz que você tenha ido à terapia hoje!”.

2. O que NÃO fazer

  • Não minimize o problema: “É só maconha, todo mundo usa” não ajuda.
  • Não vigie ou controle: Revistar o quarto ou o celular só aumenta a desconfiança.
  • Não faça ameaças: “Se você não parar, vou te expulsar de casa” pode piorar a situação.
  • Não use junto: Se você também fuma, pare ou pelo menos não fume na frente da pessoa.

3. Como cuidar de si mesmo

  • Não negligencie sua saúde: Cuidar de alguém com dependência é exaustivo. Procure terapia ou grupos de apoio para familiares (como o Al-Anon).
  • Estabeleça limites: Você não é responsável pela recuperação da pessoa. Ela precisa querer mudar.
  • Não se isole: Converse com amigos, familiares ou profissionais sobre o que está sentindo.

4. Como explicar para outras pessoas

  • Seja honesto, mas discreto: “Ele está passando por um momento difícil e está buscando ajuda”.
  • Evite detalhes desnecessários: Não precisa contar para todo mundo que a pessoa tem um transtorno.
  • Peça apoio: “Se você puder, evite oferecer maconha para ele”.

Quando os sintomas podem piorar?

Algumas situações podem desencadear recaídas ou piorar os sintomas. Fique atento a:

1. Estresse

  • Exemplos: Problemas no trabalho, brigas familiares, dificuldades financeiras.
  • Como lidar: Técnicas de relaxamento, terapia, conversar com alguém de confiança.

2. Ambientes de risco

  • Exemplos: Festas onde todo mundo fuma, conviver com pessoas que usam.
  • Como lidar: Evitar esses ambientes, levar um amigo de apoio, ter um plano de saída.

3. Emoções intensas

  • Exemplos: Tristeza profunda, raiva, solidão.
  • Como lidar: Escrever em um diário, praticar exercícios, buscar terapia.

4. Tédio ou falta de propósito

  • Exemplos: Ficar em casa sem fazer nada, não ter metas.
  • Como lidar: Criar uma rotina, buscar hobbies, estabelecer objetivos.

5. Doenças físicas ou mentais

  • Exemplos: Gripe, depressão, ansiedade.
  • Como lidar: Procurar um médico, seguir o tratamento, descansar.

Perguntas frequentes

1. “Maconha não vicia, certo?”

Mito. A maconha pode causar dependência, especialmente em pessoas com predisposição genética ou que usam com frequência. Cerca de 9% dos usuários desenvolvem dependência, e esse número sobe para 17% entre adolescentes.

Sinais de dependência:
– Precisar de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito.
– Sentir sintomas de abstinência (ansiedade, insônia, irritabilidade) quando para de usar.
– Não conseguir parar, mesmo querendo.


2. “Se eu parar de usar, meu cérebro volta ao normal?”

Depende. Em muitos casos, sim. O cérebro tem uma grande capacidade de recuperação (neuroplasticidade). No entanto:
Usuários crônicos podem ter déficits de memória e atenção que persistem por meses ou anos.
Pessoas com predisposição a psicose podem ter sintomas que não desaparecem mesmo após parar de usar.

O que ajuda na recuperação:
Abstinência: Quanto mais tempo sem usar, melhor.
Exercícios físicos: Aumentam a neuroplasticidade.
Alimentação saudável: Fornece nutrientes essenciais para o cérebro.
Terapia: Ajuda a reorganizar pensamentos e comportamentos.


3. “Maconha medicinal é segura?”

Sim, mas com supervisão médica. A maconha medicinal (com CBD ou THC em doses controladas) pode ser usada para:
Dor crônica.
Epilepsia refratária.
Náusea e vômitos em pacientes com câncer.
Espasticidade em esclerose múltipla.

Diferenças entre maconha recreativa e medicinal:
| Maconha recreativa | Maconha medicinal |
|——————————|——————————–|
| Alta concentração de THC. | Baixa concentração de THC ou alto CBD. |
| Uso sem controle. | Uso com prescrição médica. |
| Risco de dependência e psicose. | Risco reduzido (depende da dose). |

Cuidados:
Não se automedique: O uso de maconha medicinal deve ser orientado por um médico.
Evite fumar: O ideal é usar óleos, cápsulas ou vaporizadores para não prejudicar os pulmões.


4. “Meu filho usa maconha. Como saber se é um problema?”

Sinais de alerta:
Mudanças de comportamento: Isolamento, mentiras, agressividade.
Queda no desempenho: Notas baixas, faltas na escola, perda de emprego.
Mudanças físicas: Olhos vermelhos com frequência, tosse crônica, perda ou ganho de peso.
Descuido com a aparência: Parar de tomar banho, trocar de roupa, escovar os dentes.
Dinheiro desaparecendo: Pedir dinheiro emprestado, vender objetos pessoais.

O que fazer:
Converse sem julgar: “Estou preocupado com você. Como posso te ajudar?”.
Busque ajuda profissional: Um psicólogo ou psiquiatra pode avaliar a situação.
Não minimize: “É só uma fase” pode adiar o tratamento.
Cuide de si mesmo: Procure grupos de apoio para familiares (como o Al-Anon).


5. “Posso usar maconha socialmente sem desenvolver um transtorno?”

Possível, mas não garantido. Algumas pessoas conseguem usar maconha esporadicamente sem desenvolver problemas. No entanto, fatores de risco aumentam as chances de transtornos:
Genética: Histórico familiar de dependência ou psicose.
Idade: Adolescentes têm mais risco.
Frequência: Uso diário ou em grandes quantidades.
Contexto: Usar para lidar com estresse, ansiedade ou depressão.

Dicas para reduzir riscos:
Evite usar na adolescência: O cérebro ainda está em desenvolvimento.
Não use diariamente: Dê tempo para o cérebro se recuperar.
Evite doses altas: Quanto mais THC, maior o risco de efeitos colaterais.
Não use para lidar com emoções: Procure terapia ou outras formas de enfrentamento.


6. “Maconha causa esquizofrenia?”

Não causa diretamente, mas pode desencadear em pessoas predispostas. Estudos mostram que:
– O uso de maconha dobra o risco de desenvolver esquizofrenia em pessoas com predisposição genética.
– O risco é maior em adolescentes e em usuários de maconha com alto THC.
Não é uma relação de causa e efeito: Nem todo mundo que usa maconha desenvolve esquizofrenia, e nem todo mundo com esquizofrenia usou maconha.

Sinais de que a maconha pode estar desencadeando psicose:
Paranoia intensa que não passa depois que o efeito da maconha acaba.
Alucinações (ouvir vozes, ver coisas que não existem).
Delírios (acreditar em coisas irreais, como estar sendo perseguido).
Comportamento desorganizado (falar coisas sem sentido, agir de forma estranha).

O que fazer:
Parar de usar maconha imediatamente.
Procurar um psiquiatra para avaliação.
Seguir o tratamento (medicamentos e terapia).


7. “Como lidar com a fissura?”

A fissura (vontade intensa de usar) é normal durante a abstinência, mas passa. Algumas estratégias para lidar com ela:

  1. Distração:
  2. Assista a um filme.
  3. Jogue um videogame.
  4. Ligue para um amigo.
  5. Faça uma caminhada.

  6. Respiração profunda:

  7. Inspire pelo nariz contando até 4.
  8. Segure o ar contando até 4.
  9. Expire pela boca contando até 6.
  10. Repita 5 vezes.

  11. Grounding (ancoragem):

  12. Nomeie 5 coisas que você vê.
  13. 4 coisas que você toca.
  14. 3 coisas que você ouve.
  15. 2 coisas que você cheira.
  16. 1 coisa que você saboreia.

  17. Beba água ou coma algo saudável:

  18. Às vezes, a fissura é confundida com sede ou fome.

  19. Lembre-se dos motivos para parar:

  20. Anote em um papel: “Por que eu quero parar?” e leia quando a fissura aparecer.

  21. Evite gatilhos:

  22. Lugares, pessoas ou situações que te fazem querer usar.

8. “Quanto tempo dura a abstinência?”

Os sintomas de abstinência costumam piorar nos primeiros 3 dias e diminuir gradualmente nas semanas seguintes. No entanto, alguns sintomas (como insônia e irritabilidade) podem durar até 6 meses.

Cronograma típico:
| Tempo | Sintomas comuns |
|—————–|————————————————————————————|
| 1-3 dias | Ansiedade, irritabilidade, insônia, falta de apetite, suor frio. |
| 1 semana | Melhora da ansiedade, mas ainda pode haver insônia e irritabilidade. |
| 2-4 semanas | Sintomas físicos diminuem, mas podem persistir alterações de humor e fissura. |
| 1-6 meses | Melhora gradual do sono, humor e energia. Fissura pode aparecer em situações de estresse. |

O que ajuda:
Terapia.
Exercícios físicos.
Alimentação saudável.
Rede de apoio.


9. “Posso beber álcool ou usar outras drogas enquanto estou parando de maconha?”

Não é recomendado. Misturar substâncias pode:
Aumentar o risco de recaída.
Piorar sintomas de abstinência (ansiedade, depressão).
Causar interações perigosas (ex.: álcool + maconha = maior risco de desmaios ou acidentes).

Exceções:
Cafeína: Em doses moderadas, não costuma ser um problema.
Medicamentos prescritos: Devem ser usados conforme orientação médica.


10. “Como saber se estou melhorando?”

A recuperação não é linear (alguns dias são bons, outros são ruins), mas alguns sinais mostram que você está no caminho certo:

Sintomas físicos melhoram: Menos tosse, mais energia, sono regulado.
Sintomas emocionais melhoram: Menos ansiedade, mais motivação, melhor humor.
Relações melhoram: Menos brigas, mais confiança, mais tempo com pessoas queridas.
Produtividade aumenta: Melhor desempenho no trabalho ou nos estudos.
Autoestima melhora: Você se sente mais no controle da sua vida.

Lembre-se: A recuperação é um processo, não um destino. Celebre cada passo!


Quando procurar ajuda urgente

A maioria dos sintomas dos transtornos relacionados ao uso de canabinóides não é emergência, mas alguns sinais exigem ajuda imediata. Procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192) se você ou alguém próximo apresentar:

Sinais de alerta vermelho (procure ajuda IMEDIATA)

🚨 Sintomas psicóticos graves:
– Acreditar firmemente em coisas irreais (ex.: “Estou sendo perseguido pela CIA”).
Ouvir vozes que mandam fazer mal a si mesmo ou aos outros.
Ver coisas que não existem (ex.: pessoas, sombras, monstros).
Comportamento violento ou agressivo sem motivo aparente.

🚨 Risco de suicídio:
– Falar em morte ou suicídio (“Eu não aguento mais”, “Seria melhor se eu não existisse”).
Planejar como se matar (ex.: pesquisar métodos, escrever uma carta de despedida).
Tentar se machucar (cortes, enforcamento, overdose).

🚨 Overdose ou intoxicação grave:
Convulsões.
Desmaios ou perda de consciência.
Dor no peito ou falta de ar.
Vômitos incontroláveis.
Comportamento extremamente confuso ou desorientado.

🚨 Sintomas físicos graves:
Dor forte no peito (pode indicar problemas cardíacos).
Dificuldade para respirar.
Febre alta e confusão (pode indicar infecção ou síndrome de abstinência grave).

Sinais de alerta amarelo (procure ajuda o quanto antes)

🟡 Sintomas psicóticos leves a moderados:
– Paranoia intensa que não passa depois de alguns dias.
– Alucinações ocasionalmente (ex.: ouvir vozes de vez em quando).
– Dificuldade para diferenciar realidade de fantasia.

🟡 Depressão ou ansiedade graves:
Tristeza profunda que dura mais de duas semanas.
Pânico (coração acelerado, falta de ar, medo de morrer).
Isolamento extremo (não sair de casa, não falar com ninguém).

🟡 Sintomas de abstinência intensos:
Insônia que dura mais de uma semana.
Ansiedade ou irritabilidade que atrapalham o dia a dia.
Fissura intensa que leva a comportamentos de risco (ex.: roubar para comprar maconha).

Onde procurar ajuda:
SAMU (192): Para emergências.
CVV (188): Para apoio emocional (prevenção do suicídio).
CAPS ou UBS: Para encaminhamento a tratamento.
Pronto-socorro psiquiátrico: Em casos de crise.


Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
  2. American Psychiatric Association (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  3. Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  4. Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  5. National Institute on Drug Abuse (NIDA). Marijuana. Disponível em: https://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/marijuana.
  6. Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). IBGE, 2019. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html.
  7. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). IBGE, 2019. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/educacao/9134-pesquisa-nacional-de-saude-do-escolar.html.
  8. Volkow, N. D. et al. Adverse Health Effects of Marijuana Use. New England Journal of Medicine, 2014.
  9. Hall, W. What has research over the past two decades revealed about the adverse health effects of recreational cannabis use? Addiction, 2015.
  10. Leweke, F. M. et al. Cannabidiol enhances anandamide signaling and alleviates psychotic symptoms of schizophrenia. Translational Psychiatry, 2012.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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