Síndromes mentais ou comportamentais secundárias associadas a transtornos ou doenças classificados em outra parte

O que é esse grupo de condições?

Imagine que o seu cérebro é como um computador superavançado, responsável por controlar tudo: suas emoções, pensamentos, memórias e até como você se comporta no dia a dia. Agora, pense que, de repente, algo externo começa a interferir no funcionamento desse “computador” — pode ser uma doença física, um desequilíbrio químico no corpo, um medicamento ou até mesmo uma lesão. Quando isso acontece, o cérebro pode começar a apresentar sintomas que parecem transtornos mentais “comuns” (como depressão, ansiedade ou psicose), mas que, na verdade, são consequências diretas dessa interferência externa.

Esse grupo de condições, chamado na CID-11 de “Síndromes mentais ou comportamentais secundárias associadas a transtornos ou doenças classificados em outra parte”, reúne justamente esses casos. São problemas psicológicos ou comportamentais que não surgem sozinhos, mas sim como resultado de outra doença ou condição médica que está afetando o cérebro ou o corpo de forma indireta. Por exemplo:
– Uma pessoa com doença de Parkinson pode desenvolver depressão não porque “está triste com a doença”, mas porque a própria degeneração dos neurônios que causa o Parkinson também afeta áreas do cérebro ligadas ao humor.
– Alguém com hipotireoidismo (quando a tireoide funciona menos do que deveria) pode ter sintomas de ansiedade ou lentidão mental, não por um transtorno de ansiedade em si, mas porque a falta de hormônios tireoidianos deixa o cérebro “desregulado”.
– Um paciente com epilepsia pode ter episódios de psicose (como alucinações ou delírios) entre as crises convulsivas, não por esquizofrenia, mas porque a atividade elétrica anormal do cérebro durante a epilepsia também afeta a percepção da realidade.

O que une essas condições?

O que todas têm em comum é que os sintomas mentais ou comportamentais são uma consequência direta de uma doença física ou neurológica, e não de um transtorno psiquiátrico primário (como depressão maior ou transtorno bipolar, que surgem sem uma causa médica clara). Para os médicos, isso faz toda a diferença no tratamento: em vez de focar apenas nos sintomas psicológicos, é preciso tratar a causa de base (a doença física) para que os sintomas mentais melhorem.

Outra característica importante é que, muitas vezes, esses quadros não seguem o “roteiro” clássico dos transtornos mentais. Por exemplo:
– Uma depressão secundária ao Parkinson pode não melhorar com antidepressivos comuns, porque o problema não está só na “falta de serotonina”, mas na degeneração dos neurônios.
– Uma psicose causada por lúpus (uma doença autoimune) pode aparecer e desaparecer conforme a atividade da doença no corpo.
– Uma pessoa com esclerose múltipla pode ter mudanças bruscas de humor que não se encaixam em nenhum transtorno de personalidade, mas que estão ligadas às lesões no cérebro.

Uma analogia para entender melhor

Imagine que o seu cérebro é como um jardim bem cuidado, onde as flores (suas emoções e pensamentos) crescem de forma equilibrada. Agora, pense que:
Uma doença física é como uma praga que invade o jardim. Ela não destrói as flores diretamente, mas enfraquece as raízes, suga os nutrientes do solo e faz com que algumas plantas murchem ou cresçam de forma estranha.
Os sintomas mentais são as flores doentes: elas podem parecer murchas (depressão), crescerem de forma descontrolada (ansiedade) ou até darem frutos estranhos (alucinações). Mas o problema não está nas flores em si — está na praga que está afetando o solo (o corpo ou o cérebro).

Nesses casos, regar as flores (tomar antidepressivos ou terapia) pode ajudar um pouco, mas não resolve o problema de verdade. O que precisa ser feito é eliminar a praga (tratar a doença física) para que o jardim volte a florescer naturalmente.

Quem é mais afetado?

Não há um perfil único, porque essas condições dependem da doença de base. Mas alguns padrões são observados:
Idosos: Doenças como Parkinson, Alzheimer e AVCs são mais comuns nessa faixa etária e podem causar sintomas psiquiátricos secundários.
Pessoas com doenças crônicas: Pacientes com lúpus, esclerose múltipla, HIV, câncer ou doenças da tireoide têm maior risco.
Usuários de medicamentos: Alguns remédios (como corticoides, quimioterápicos ou até anticoncepcionais) podem desencadear sintomas psiquiátricos.
Crianças e adolescentes: Doenças metabólicas, epilepsia ou lesões cerebrais podem se manifestar com alterações de comportamento.

Estima-se que até 20% das pessoas com doenças neurológicas ou sistêmicas desenvolvam algum tipo de sintoma psiquiátrico secundário. No Brasil, onde muitas doenças crônicas (como diabetes e hipertensão) são subdiagnosticadas ou mal controladas, esse número pode ser ainda maior.

Como a medicina entende essas condições hoje?

Durante muito tempo, a psiquiatria e a neurologia eram vistas como áreas separadas. Se uma pessoa tinha depressão e Parkinson, por exemplo, os médicos tratavam cada problema de forma isolada, sem perceber que um poderia estar causando o outro. Foi só nas últimas décadas, com avanços em exames de imagem cerebral (como ressonância magnética) e estudos sobre neurotransmissores, que a ciência começou a entender melhor essa relação.

Hoje, sabe-se que:
O cérebro não funciona de forma isolada: Ele faz parte de um corpo, e doenças em outros órgãos (como fígado, rins ou tireoide) podem afetar seu funcionamento.
Inflamações no corpo podem “confundir” o cérebro: Doenças autoimunes (como lúpus) ou infecções crônicas podem desencadear sintomas psiquiátricos.
Algumas doenças neurológicas “imitam” transtornos mentais: Por exemplo, a epilepsia do lobo temporal pode causar alucinações que parecem esquizofrenia, mas têm uma causa completamente diferente.

Por isso, a CID-11 e o DSM-5 (os dois principais manuais de diagnóstico em saúde mental) passaram a dar mais importância a esse grupo de condições, incentivando os médicos a investigarem sempre se há uma causa física por trás dos sintomas psicológicos.


Quais condições fazem parte deste grupo?

Esse grupo é bem diverso, porque inclui qualquer sintoma mental ou comportamental que seja causado por uma doença física ou neurológica. Abaixo, listamos as condições mais comuns, explicando como cada uma se manifesta e o que a diferencia das outras.


1. Depressão secundária a doenças neurológicas ou sistêmicas

O que é?
É um quadro de tristeza profunda, desânimo, perda de interesse pela vida e cansaço extremo que não surge sozinho, mas sim como consequência de outra doença. Diferente da depressão “comum” (que pode ter causas genéticas, ambientais ou psicológicas), aqui o gatilho é uma condição médica que afeta o cérebro ou o corpo.

Como se manifesta?
Na doença de Parkinson: A pessoa pode ficar deprimida anos antes de aparecerem os tremores ou a rigidez muscular. Às vezes, a depressão é tão intensa que os médicos suspeitam de Parkinson justamente porque os antidepressivos não fazem efeito.
No hipotireoidismo: Além do cansaço e do ganho de peso, a pessoa pode sentir uma tristeza “sem motivo”, como se estivesse carregando um peso invisível.
Após um AVC: Dependendo da área do cérebro afetada, o paciente pode desenvolver uma depressão que não tem relação com a dificuldade de falar ou se movimentar, mas sim com a lesão cerebral em si.
Em doenças autoimunes (como lúpus): A inflamação crônica no corpo pode “confundir” o cérebro, levando a sintomas depressivos que vão e voltam conforme a doença está ativa ou controlada.

Exemplo do dia a dia:
Imagine uma pessoa que sempre foi animada, mas, depois de um diagnóstico de esclerose múltipla, começa a se isolar, chorar sem motivo e perder o prazer em coisas que antes adorava. Ela pode pensar: “Estou fracassando, não consigo lidar com a doença”, mas, na verdade, a esclerose está afetando áreas do cérebro ligadas ao humor. Nesse caso, tratar só a depressão com terapia pode não ser suficiente — é preciso controlar a esclerose para que o humor melhore.

Prevalência:
– Até 50% das pessoas com Parkinson desenvolvem depressão em algum momento.
20-30% dos pacientes com AVC têm depressão nos primeiros meses após o evento.
10-15% das pessoas com hipotireoidismo apresentam sintomas depressivos.


2. Psicose secundária a doenças neurológicas, metabólicas ou uso de medicamentos

O que é?
São episódios em que a pessoa perde o contato com a realidade, tendo alucinações (ver ou ouvir coisas que não existem) ou delírios (acreditar em coisas que não são verdadeiras), mas que são causados por uma doença física, um desequilíbrio metabólico ou até mesmo um remédio.

Como se manifesta?
Na epilepsia do lobo temporal: Entre as crises convulsivas, a pessoa pode ter alucinações (como ouvir vozes) ou delírios (como achar que está sendo perseguida). Esses sintomas podem durar horas ou dias e desaparecem quando a epilepsia é controlada.
Em doenças metabólicas (como porfiria ou doença de Wilson): O acúmulo de substâncias tóxicas no sangue pode “envenenar” o cérebro, levando a sintomas psicóticos.
Com o uso de corticoides: Pessoas que tomam esses remédios (usados em doenças como lúpus ou asma) podem desenvolver paranoia, alucinações ou até mania.
Em infecções (como HIV ou sífilis): O vírus ou a bactéria podem atacar o cérebro, causando sintomas psicóticos que melhoram com o tratamento da infecção.

Exemplo do dia a dia:
Um jovem começa a ouvir vozes dizendo que ele é “especial” e que precisa “salvar o mundo”. Ele também passa a acreditar que seus vizinhos estão espionando-o. Os familiares ficam assustados e pensam em esquizofrenia, mas, após exames, descobre-se que ele tem doença de Wilson (um problema genético que faz o cobre se acumular no fígado e no cérebro). Quando ele começa a tomar remédios para eliminar o excesso de cobre, as vozes e os delírios desaparecem.

Prevalência:
5-10% das pessoas com epilepsia desenvolvem psicose interictal (entre as crises).
Até 20% dos pacientes com lúpus têm sintomas psicóticos em algum momento.
1-2% das pessoas que usam corticoides desenvolvem psicose como efeito colateral.


3. Ansiedade secundária a doenças físicas ou desequilíbrios metabólicos

O que é?
É uma ansiedade intensa, com crises de pânico, medo constante ou preocupações excessivas, que não tem uma causa psicológica clara, mas sim uma origem física. Pode ser confundida com transtorno de ansiedade generalizada ou síndrome do pânico, mas aqui o “gatilho” é uma doença ou desequilíbrio no corpo.

Como se manifesta?
No hipertireoidismo: A tireoide acelerada faz o coração bater mais rápido, a pessoa suar muito e sentir uma ansiedade que parece “sair do nada”. Muitas vezes, o médico só descobre o hipertireoidismo porque os remédios para ansiedade não funcionam.
Na hipoglicemia (baixo açúcar no sangue): A pessoa pode ter crises de tremores, suor frio e uma sensação de morte iminente, que melhoram assim que ela come algo doce.
Em doenças cardíacas (como arritmias): O coração batendo de forma irregular pode causar uma sensação de pânico que não passa, mesmo depois de a crise cardíaca ser controlada.
Com o uso de cafeína em excesso ou descongestionantes nasais: Alguns remédios para gripe ou até muito café podem deixar a pessoa “ligada”, com tremores e sensação de que algo ruim vai acontecer.

Exemplo do dia a dia:
Uma mulher de 35 anos começa a ter crises de ansiedade no trabalho: coração acelerado, falta de ar e uma sensação de que vai desmaiar. Ela vai ao cardiologista, faz exames e descobre que está tudo normal. Então, procura um psiquiatra, que receita ansiolíticos, mas os sintomas continuam. Só depois de um endocrinologista pedir exames de tireoide é que se descobre um hipertireoidismo. Quando ela começa a tratar a tireoide, a ansiedade some.

Prevalência:
Até 30% das pessoas com hipertireoidismo desenvolvem sintomas de ansiedade.
10-15% dos pacientes com doenças cardíacas têm crises de pânico secundárias à arritmia.
5-10% das pessoas com diabetes têm ansiedade relacionada à hipoglicemia.


4. Alterações de comportamento secundárias a lesões cerebrais (TCE, AVC, tumores)

O que é?
São mudanças bruscas na personalidade, no humor ou no comportamento que acontecem depois de uma lesão no cérebro, como um traumatismo craniano (TCE), um AVC ou um tumor. A pessoa pode se tornar agressiva, impulsiva, apática ou até perder a capacidade de sentir empatia, como se “algo tivesse mudado dentro dela”.

Como se manifesta?
Após um AVC: Dependendo da área afetada, a pessoa pode ficar desinibida (falando coisas inapropriadas, gastando dinheiro sem controle) ou apática (sem vontade de fazer nada, como se tivesse “desligado”).
Em traumatismos cranianos (TCE): Mesmo uma pancada “leve” na cabeça pode causar irritabilidade, dificuldade de concentração e explosões de raiva que não existiam antes.
Com tumores cerebrais: Alguns tumores (como os do lobo frontal) podem fazer a pessoa perder o filtro social, agir de forma infantil ou até cometer atos impulsivos (como roubar ou ser sexualmente inapropriada).
Na esclerose múltipla: As lesões no cérebro podem causar labilidade emocional (a pessoa ri ou chora sem motivo, de forma exagerada).

Exemplo do dia a dia:
Um homem de 50 anos, sempre calmo e paciente, sofre um AVC leve. Depois disso, ele começa a fazer comentários grosseiros com a esposa, gasta todo o dinheiro do mês em compras desnecessárias e não consegue mais planejar tarefas simples, como fazer uma lista de supermercado. A família fica chocada, porque “ele não é mais a mesma pessoa”. Após uma ressonância, descobre-se que o AVC afetou o lobo frontal, área responsável pelo controle dos impulsos e pelo julgamento.

Prevalência:
Até 60% das pessoas com TCE moderado ou grave desenvolvem alterações de comportamento.
30-50% dos pacientes com AVC têm mudanças de personalidade.
20-40% das pessoas com esclerose múltipla apresentam labilidade emocional.


5. Síndrome de fadiga crônica e sintomas somáticos secundários a doenças físicas

O que é?
É quando a pessoa desenvolve sintomas físicos persistentes e incapacitantes (como dor, cansaço extremo ou tontura) que não têm uma causa médica clara, mas que estão ligados a uma doença física ou a um desequilíbrio no corpo. Diferente dos transtornos somatoformes (em que os sintomas são psicológicos), aqui há uma base física que desencadeia o problema.

Como se manifesta?
Na fibromialgia: A pessoa sente dores pelo corpo todo, cansaço extremo e dificuldade de concentração, mas os exames não mostram nada de errado. Acredita-se que a fibromialgia esteja ligada a um desequilíbrio na forma como o cérebro processa a dor.
Na síndrome pós-COVID: Muitas pessoas que tiveram COVID-19 desenvolvem fadiga crônica, “névoa cerebral” (dificuldade de pensar) e dores musculares que persistem por meses, mesmo depois de o vírus ter sido eliminado.
Em doenças autoimunes (como artrite reumatoide): A inflamação crônica pode causar um cansaço tão intenso que a pessoa mal consegue sair da cama, mesmo quando a doença está controlada.
Com o uso de quimioterápicos: Alguns tratamentos contra o câncer causam uma fadiga profunda, que não melhora com descanso e pode durar anos.

Exemplo do dia a dia:
Uma mulher de 40 anos, ativa e saudável, contrai COVID-19. Ela se recupera da infecção, mas, meses depois, ainda sente um cansaço extremo, como se tivesse corrido uma maratona todos os dias. Ela também tem dificuldade para se concentrar no trabalho e esquece coisas simples, como onde deixou as chaves. Os exames mostram que seus pulmões e coração estão normais, mas ela continua sentindo os sintomas. Isso é a síndrome pós-COVID, em que o corpo não se recuperou totalmente da inflamação causada pelo vírus.

Prevalência:
Até 50% das pessoas com fibromialgia têm sintomas de depressão ou ansiedade secundários à dor crônica.
10-30% dos pacientes com COVID-19 desenvolvem sintomas persistentes (síndrome pós-COVID).
70-90% das pessoas em quimioterapia relatam fadiga intensa.


6. Delirium secundário a doenças clínicas ou uso de medicamentos

O que é?
É uma confusão mental aguda, em que a pessoa fica desorientada, agitada ou sonolenta demais, e que surge de repente, geralmente por causa de uma doença física, uma infecção ou um remédio. Diferente da demência (que é lenta e progressiva), o delirium começa de uma hora para outra e pode melhorar quando a causa é tratada.

Como se manifesta?
Em idosos com infecção urinária: Uma pessoa de 80 anos, que sempre foi lúcida, de repente começa a falar coisas sem sentido, não reconhece os familiares e fica agitada à noite. Isso pode ser um delirium causado pela infecção.
Após cirurgias: Muitos idosos desenvolvem delirium nos primeiros dias depois de uma operação, por causa da anestesia, da dor ou da desidratação.
Com o uso de remédios para Parkinson ou Alzheimer: Alguns medicamentos para essas doenças podem causar alucinações e confusão mental.
Em pacientes internados na UTI: O ambiente estranho, a falta de sono e os remédios podem desencadear delirium, fazendo a pessoa ficar agitada ou muito sonolenta.

Exemplo do dia a dia:
Um senhor de 75 anos, que mora sozinho, é levado ao hospital porque está desorientado: ele não sabe onde está, confunde o filho com o irmão falecido e fica chamando por pessoas que não estão lá. Os médicos descobrem que ele tem uma pneumonia, que está causando o delirium. Quando ele começa a tomar antibióticos, a confusão mental melhora em poucos dias.

Prevalência:
Até 50% dos idosos internados em hospitais desenvolvem delirium.
10-30% dos pacientes em UTI têm delirium.
15-25% dos idosos com infecção urinária apresentam confusão mental.


Como essas condições se manifestam no dia a dia?

As síndromes mentais secundárias podem afetar pessoas de todas as idades, mas os sinais variam bastante dependendo da fase da vida. Vamos ver como elas aparecem em diferentes contextos e o que você pode observar no comportamento de quem está passando por isso.


Na infância

Crianças não conseguem explicar o que estão sentindo da mesma forma que os adultos, então os sinais costumam aparecer no comportamento e no desempenho escolar. Alguns exemplos:

  • Se seu filho de 6 anos, que sempre foi calmo, de repente começa a ter crises de birra violentas, quebrar coisas ou bater nos colegas, pode ser um sinal de que algo físico está afetando seu cérebro. Por exemplo:
  • Epilepsia não diagnosticada: Algumas crises epilépticas são sutis (como “ausências”, em que a criança fica alguns segundos “desligada”) e podem ser confundidas com desatenção. Mas, entre as crises, ela pode ficar irritada ou agressiva.
  • Doenças metabólicas (como fenilcetonúria): Se não tratadas, podem causar hiperatividade, impulsividade e dificuldade de aprendizado.
  • Traumatismo craniano (TCE): Uma queda ou pancada na cabeça pode causar mudanças de humor, dificuldade de concentração e até regressão em habilidades (como voltar a fazer xixi na cama).

  • Se uma criança que sempre gostou da escola começa a se recusar a ir, chora sem motivo ou diz que “não consegue pensar”, pode ser um sinal de:

  • Hipotireoidismo congênito: Se não tratado, pode causar lentidão mental e desinteresse pelas atividades.
  • Anemia grave: A falta de ferro no sangue deixa a criança cansada, pálida e com dificuldade de se concentrar.
  • Efeitos colaterais de remédios: Alguns antialérgicos ou remédios para asma podem causar sonolência ou agitação.

  • Se seu filho tem dificuldade para dormir, acorda assustado ou tem pesadelos frequentes, pode estar relacionado a:

  • Refluxo gastroesofágico: A dor pode acordar a criança e deixá-la irritada durante o dia.
  • Apneia do sono: A falta de oxigênio durante a noite pode causar cansaço, dificuldade de aprendizado e até hiperatividade (porque a criança fica “ligada” para compensar o sono ruim).
  • Doenças neurológicas (como enxaqueca): Algumas crianças têm dores de cabeça que as deixam irritadas e sensíveis à luz.

O que fazer?
Se você notar mudanças bruscas e persistentes no comportamento do seu filho, o primeiro passo é levá-lo ao pediatra para descartar causas físicas. Muitas vezes, os pais são orientados a procurar um psicólogo ou psiquiatra infantil, mas, se a causa for uma doença não diagnosticada (como hipotireoidismo ou epilepsia), a terapia sozinha não vai resolver.


Na adolescência

A adolescência já é uma fase de muitas mudanças emocionais, então pode ser difícil distinguir o que é “normal” do que é um sinal de alerta. Alguns comportamentos que merecem atenção:

  • Se um adolescente que sempre foi sociável começa a se isolar, perde o interesse em sair com os amigos e passa horas no quarto, pode ser:
  • Depressão secundária a doenças autoimunes (como lúpus): A inflamação no corpo pode afetar o humor, mesmo que a doença ainda não tenha sido diagnosticada.
  • Anemia ou deficiência de vitaminas (como B12): A falta de nutrientes pode causar cansaço extremo e desânimo.
  • Uso de drogas ou álcool: Algumas substâncias (como maconha ou remédios para emagrecer) podem desencadear sintomas psiquiátricos.

  • Se um jovem começa a ter crises de pânico, medo de sair de casa ou pensamentos obsessivos, pode estar relacionado a:

  • Hipertireoidismo: A tireoide acelerada pode causar ansiedade, tremores e sensação de que algo ruim vai acontecer.
  • Doenças cardíacas (como prolapso da válvula mitral): Algumas arritmias causam palpitações e falta de ar, que podem ser confundidas com ansiedade.
  • Efeitos colaterais de remédios: Alguns antidepressivos ou remédios para TDAH podem piorar a ansiedade.

  • Se um adolescente começa a ter comportamentos estranhos, como falar sozinho, acreditar em coisas sem sentido ou ter alucinações, pode ser:

  • Psicose secundária a epilepsia: Algumas crises epilépticas causam sintomas psicóticos entre os episódios.
  • Doenças metabólicas (como porfiria): O acúmulo de substâncias tóxicas no sangue pode causar delírios.
  • Uso de esteroides anabolizantes: Alguns jovens que usam esses remédios para ganhar músculo desenvolvem paranoia ou agressividade.

O que fazer?
Adolescentes costumam resistir a procurar ajuda, então é importante abordar o assunto com cuidado. Em vez de dizer “Você está com depressão, precisa de terapia”, tente:
“Percebi que você anda muito cansado ultimamente. Será que não é bom fazer uns exames para ver se está tudo bem?”
“Você parece mais irritado do que o normal. Será que alguma coisa está te incomodando ou será que é algo físico?”

Se os sintomas persistirem, um clínico geral ou endocrinologista pode ajudar a investigar causas físicas antes de encaminhar para um psiquiatra.


Na vida adulta

Na fase adulta, essas condições costumam afetar o trabalho, os relacionamentos e a rotina diária. Alguns sinais comuns:

  • No trabalho:
  • Dificuldade de concentração e esquecimento frequente podem ser sinais de:
    • Hipotireoidismo: A falta de hormônios tireoidianos deixa o cérebro “lento”.
    • Síndrome da fadiga crônica: O cansaço extremo dificulta a realização de tarefas simples.
    • Efeitos colaterais de remédios: Alguns antidepressivos ou remédios para pressão alta causam sonolência.
  • Irritabilidade e explosões de raiva podem estar relacionadas a:

    • Lesões cerebrais (como TCE ou AVC): Áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos impulsos podem ser afetadas.
    • Doenças autoimunes (como esclerose múltipla): A inflamação no cérebro pode causar mudanças de humor.
    • Abstinência de álcool ou drogas: Parar de usar substâncias pode causar irritabilidade e ansiedade.
  • Nos relacionamentos:

  • Perda de interesse em sexo ou intimidade pode ser causada por:
    • Depressão secundária a doenças crônicas (como diabetes ou câncer): O corpo e a mente ficam exaustos.
    • Desequilíbrios hormonais (como testosterona baixa em homens ou menopausa em mulheres): Afetam o desejo e o humor.
    • Efeitos colaterais de remédios (como antidepressivos ou anticoncepcionais): Alguns medicamentos diminuem a libido.
  • Isolamento social e dificuldade de se comunicar podem estar ligados a:

    • Doenças neurológicas (como Parkinson ou Alzheimer): A pessoa pode ter vergonha de seus sintomas e evitar contato.
    • Surdez ou problemas de visão não diagnosticados: A dificuldade de ouvir ou enxergar pode ser confundida com “falta de vontade” de socializar.
  • Na rotina diária:

  • Dificuldade para realizar tarefas simples (como cozinhar ou dirigir) pode ser sinal de:
    • Demência precoce (como Alzheimer): Mas também pode ser causada por deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo ou efeitos de quimioterapia.
    • Síndrome pós-COVID: Muitas pessoas relatam “névoa cerebral” e esquecimento após a infecção.
  • Mudanças nos hábitos de sono (insônia ou sono excessivo) podem estar relacionadas a:
    • Doenças da tireoide: O hipertireoidismo causa insônia, e o hipotireoidismo causa sonolência.
    • Apneia do sono: A falta de oxigênio durante a noite deixa a pessoa cansada durante o dia.
    • Depressão secundária a doenças crônicas: O corpo fica tão exausto que a pessoa dorme o dia todo.

O que fazer?
Se você ou alguém próximo está passando por isso, o primeiro passo é fazer um check-up completo com um clínico geral. Muitas vezes, os sintomas melhoram quando a causa física é tratada. Se os exames não mostrarem nada, aí sim pode ser hora de procurar um psiquiatra.


Na família

Quando alguém da família desenvolve uma síndrome mental secundária, todos são afetados. Os familiares podem se sentir confusos, frustrados ou até culpados, achando que “deveriam ter percebido antes” ou que “a pessoa está exagerando”. Alguns desafios comuns:

  • Dificuldade de entender o que está acontecendo:
  • “Ele sempre foi tão calmo, por que agora está agressivo?” (Pode ser um tumor cerebral ou lesão no lobo frontal.)
  • “Ela não é mais a mesma pessoa depois do AVC.” (As lesões cerebrais mudam a personalidade.)
  • “Ele diz que ouve vozes, mas não tem esquizofrenia.” (Pode ser epilepsia ou lúpus.)

  • Culpa e frustração:

  • “Será que fizemos algo errado?” (Não, essas condições têm causas físicas.)
  • “Por que os remédios não estão funcionando?” (Porque o problema não é só psicológico, mas também físico.)
  • “Ele não quer se tratar, o que eu faço?” (Às vezes, a pessoa não tem consciência da doença, como no delirium ou em lesões cerebrais.)

  • Sobrecarga emocional e física:

  • Cuidar de alguém com uma doença crônica (como Parkinson ou esclerose múltipla) é desgastante, e os sintomas psiquiátricos secundários (como depressão ou agressividade) podem tornar tudo ainda mais difícil.
  • Muitas famílias não sabem onde buscar ajuda e acabam se isolando.

Como a família pode ajudar?
1. Informar-se sobre a doença de base: Entender que os sintomas mentais são consequência da doença física ajuda a ter mais paciência.
2. Buscar apoio profissional: Um psiquiatra ou neurologista pode orientar sobre o tratamento. Grupos de apoio (como os da ABRAz para Alzheimer ou da ABP para Parkinson) também são úteis.
3. Cuidar da própria saúde mental: Familiares que cuidam de pacientes crônicos têm maior risco de desenvolver depressão e ansiedade. Terapia e grupos de apoio são essenciais.
4. Não levar os sintomas para o lado pessoal: Se a pessoa está agressiva ou apática, não é “por mal” — é a doença falando.
5. Estabelecer rotinas: Doenças como Parkinson ou Alzheimer pioram com o estresse. Manter horários para refeições, sono e atividades ajuda a reduzir os sintomas.


Um aviso importante

Ter um ou dois sintomas listados aqui não significa que você ou seu familiar tenha uma síndrome mental secundária. O que diferencia um problema passageiro de um transtorno é:
Intensidade: Os sintomas são tão fortes que atrapalham a vida da pessoa?
Persistência: Eles duram semanas ou meses, mesmo com mudanças na rotina?
Impacto funcional: A pessoa não consegue mais trabalhar, estudar ou se relacionar como antes?

Se a resposta for sim para essas perguntas, é hora de procurar ajuda médica.


O que pode causar essas condições?

Entender as causas dessas síndromes é como montar um quebra-cabeça: vários fatores se combinam para criar o quadro. Não é como uma gripe, que tem uma causa única (um vírus), mas sim como uma receita complexa, em que cada ingrediente contribui de uma forma. Vamos ver os principais “ingredientes” desse quebra-cabeça.


Fatores genéticos: “A tendência que você herda”

Quando falamos em genética, muitas pessoas pensam em algo determinista: “Se meu pai teve depressão, eu também vou ter”. Mas não é bem assim. Nos transtornos mentais secundários, a genética funciona mais como uma predisposição, ou seja, uma tendência que pode ou não se manifestar, dependendo de outros fatores.

Como isso funciona?
Imagine que o seu cérebro é como um carro:
Os genes são o modelo do carro: Alguns modelos (como os esportivos) têm motores mais potentes e são mais sensíveis a mudanças na estrada. Outros (como os utilitários) são mais resistentes.
As doenças físicas são buracos na estrada: Se o carro (cérebro) já tem uma predisposição genética (modelo esportivo), um buraco (doença física) pode fazer com que ele derrape mais facilmente, desenvolvendo sintomas psiquiátricos.

Exemplos:
Depressão na doença de Parkinson: Sabe-se que algumas pessoas têm uma maior vulnerabilidade genética para desenvolver depressão quando o Parkinson afeta certas áreas do cérebro.
Psicose na epilepsia: Algumas famílias têm uma maior tendência a desenvolver sintomas psicóticos quando a epilepsia afeta o lobo temporal.
Ansiedade no hipertireoidismo: Pessoas com histórico familiar de transtornos de ansiedade podem ter sintomas mais intensos quando a tireoide fica desregulada.

Mito comum:
“Se meu pai teve depressão por causa do Parkinson, eu também vou ter.”
Verdade: A genética aumenta o risco, mas não é uma sentença. Muitas pessoas com predisposição nunca desenvolvem sintomas, enquanto outras, sem histórico familiar, podem ter quadros graves. O que importa é a combinação de fatores.


Fatores neurobiológicos: “O que acontece dentro do cérebro”

O cérebro é como uma rede elétrica complexa, onde bilhões de neurônios se comunicam o tempo todo usando neurotransmissores (substâncias químicas que transmitem mensagens). Quando uma doença física afeta essa rede, os sintomas mentais aparecem.

Os principais neurotransmissores envolvidos:
| Neurotransmissor | Função | O que acontece quando está desregulado? |
|——————|——–|—————————————-|
| Dopamina | Prazer, motivação, movimento | Excesso: psicose, agitação. Falta: depressão, apatia, Parkinson. |
| Serotonina | Humor, sono, apetite | Falta: depressão, ansiedade, irritabilidade. |
| Noradrenalina | Atenção, energia, resposta ao estresse | Falta: cansaço, desânimo. Excesso: ansiedade, agitação. |
| GABA | Calma, relaxamento | Falta: ansiedade, insônia, convulsões. |
| Glutamato | Aprendizado, memória | Excesso: neurotoxicidade (pode piorar Alzheimer, AVC). |

Como as doenças físicas afetam esses neurotransmissores?
1. Doenças neurológicas (Parkinson, Alzheimer, AVC):
– No Parkinson, os neurônios que produzem dopamina morrem, causando tremores e depressão.
– No Alzheimer, o acúmulo de proteínas tóxicas destrói neurônios, levando a perda de memória e alterações de comportamento.
– Após um AVC, áreas do cérebro responsáveis pelo humor (como o lobo frontal) podem ser danificadas, causando depressão ou apatia.

  1. Doenças metabólicas (diabetes, hipotireoidismo):
  2. No hipotireoidismo, a falta de hormônios tireoidianos deixa o cérebro “lento”, afetando a serotonina e a noradrenalina, o que causa depressão e cansaço.
  3. No diabetes descontrolado, o excesso de açúcar no sangue pode danificar os vasos sanguíneos do cérebro, levando a dificuldade de concentração e irritabilidade.

  4. Doenças autoimunes (lúpus, esclerose múltipla):

  5. O sistema imunológico ataca o próprio corpo, causando inflamação no cérebro. Essa inflamação pode alterar a produção de neurotransmissores, levando a depressão, ansiedade ou psicose.
  6. Na esclerose múltipla, as lesões no cérebro podem afetar áreas ligadas ao humor e ao controle dos impulsos.

  7. Uso de medicamentos:

  8. Corticoides (usados em lúpus, asma): Podem aumentar a dopamina, causando euforia, paranoia ou psicose.
  9. Interferon (usado em hepatite C): Pode diminuir a serotonina, levando a depressão.
  10. Quimioterápicos: Alguns danificam neurônios, causando “névoa cerebral” e fadiga.

Uma analogia para entender:
Imagine que os neurotransmissores são como mensageiros que levam recados entre os neurônios. Se uma doença física quebra as pontes (sinapses) por onde eles passam, os recados não chegam direito. É como se, de repente, o seu celular perdesse sinal: as mensagens (pensamentos e emoções) ficam truncadas, lentas ou distorcidas.


Fatores ambientais: “O que acontece fora do corpo”

Além dos fatores biológicos, o que vivemos no dia a dia também influencia o surgimento dessas condições. Estresse, traumas, alimentação e até a poluição podem piorar ou desencadear sintomas.

1. Estresse crônico:
– O estresse libera cortisol, um hormônio que, em excesso, danifica neurônios e piora doenças como Parkinson e Alzheimer.
– Pessoas com doenças crônicas (como diabetes ou lúpus) já vivem em um estado de estresse constante, o que pode desencadear ou piorar sintomas de depressão e ansiedade.

2. Traumas e eventos de vida:
– Um diagnóstico de câncer ou um AVC pode ser um trauma tão grande que desencadeia um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou depressão.
– Crianças que sofrem negligência ou abuso têm maior risco de desenvolver sintomas psiquiátricos se tiverem uma doença física no futuro.

3. Alimentação e estilo de vida:
Deficiências nutricionais (como falta de vitamina B12, ferro ou ômega-3) podem piorar sintomas de depressão e ansiedade.
Dieta inflamatória (rica em açúcar, gorduras ruins e ultraprocessados) aumenta a inflamação no corpo, o que pode afetar o cérebro.
Sedentarismo: A falta de exercício piora doenças como Parkinson e depressão, porque o movimento ajuda a produzir neurotransmissores como a serotonina e a dopamina.

4. Exposição a toxinas:
Metais pesados (como chumbo ou mercúrio) podem danificar o cérebro, causando sintomas psicóticos ou depressão.
Poluição do ar: Estudos mostram que a exposição prolongada à poluição aumenta o risco de doenças neurológicas e psiquiátricas.

5. Sono ruim:
– A falta de sono aumenta a inflamação no corpo e piora doenças como Alzheimer e Parkinson.
– Doenças como apneia do sono (em que a pessoa para de respirar várias vezes durante a noite) podem causar fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Exemplo prático:
Uma pessoa com esclerose múltipla que vive em uma cidade poluída, come mal, dorme pouco e está estressada com o trabalho tem muito mais chances de desenvolver depressão do que alguém com a mesma doença que se alimenta bem, faz exercícios e tem uma rede de apoio.


Fatores da gestação e parto: “O que acontece antes de nascermos”

Algumas condições psiquiátricas secundárias têm origem antes mesmo do nascimento, durante a gestação ou no parto.

1. Infecções durante a gravidez:
– Se a mãe teve toxoplasmose, rubéola ou citomegalovírus durante a gestação, o bebê pode ter maior risco de desenvolver esquizofrenia, autismo ou epilepsia no futuro.
– A COVID-19 na gravidez também está sendo estudada como um possível fator de risco para problemas neurológicos no bebê.

2. Complicações no parto:
Falta de oxigênio durante o parto (hipóxia) pode causar lesões cerebrais que levam a paralisia cerebral, epilepsia ou dificuldades de aprendizado.
Parto prematuro aumenta o risco de TDAH e transtornos de ansiedade na infância.

3. Exposição a substâncias na gestação:
Álcool: O consumo de álcool na gravidez pode causar síndrome alcoólica fetal, que inclui dificuldades de aprendizado, hiperatividade e problemas de comportamento.
Tabaco e drogas: Aumentam o risco de TDAH, ansiedade e depressão na criança.
Medicamentos: Alguns remédios (como anticonvulsivantes ou antidepressivos) podem afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê.

4. Desnutrição materna:
– A falta de ácido fólico, ferro ou iodo durante a gravidez pode causar malformações cerebrais e aumentar o risco de esquizofrenia e autismo.

Exemplo prático:
Uma criança que nasceu prematura e teve falta de oxigênio no parto pode desenvolver epilepsia na infância. Entre as crises, ela pode ter sintomas psicóticos (como ouvir vozes), que são secundários à epilepsia, e não a um transtorno psiquiátrico primário.


Interação entre fatores: O modelo biopsicossocial

Nenhuma dessas condições é causada por apenas um fator. É sempre uma combinação de:
Biológico (genes, neurotransmissores, doenças físicas).
Psicológico (estresse, traumas, personalidade).
Social (rede de apoio, acesso a tratamento, condições de vida).

Uma analogia para entender:
Imagine que desenvolver uma síndrome mental secundária é como acender uma fogueira:
A lenha (fatores biológicos): São os gravetos secos (genes, doenças físicas, neurotransmissores). Sozinhos, eles não pegam fogo.
O fósforo (fatores psicológicos): É o estresse, o trauma ou a falta de sono. Ele acende a lenha, mas se não houver gravetos, o fogo não pega.
O vento (fatores sociais): É a falta de apoio, a pobreza ou o preconceito. Ele pode apagar a fogueira ou fazer com que ela se alastre.

Para que a fogueira (a síndrome mental) acenda, todos os fatores precisam se combinar. Por isso, duas pessoas com a mesma doença física (como Parkinson) podem ter sintomas psiquiátricos completamente diferentes, dependendo de sua genética, história de vida e ambiente.


Mitos comuns (e suas verdades)

Mito 1: “Se os sintomas são causados por uma doença física, não adianta tratar a parte psicológica.”
Verdade: Tratar a causa física é essencial, mas a terapia e os medicamentos psiquiátricos também ajudam a controlar os sintomas enquanto a doença de base é tratada. Por exemplo:
– Uma pessoa com depressão secundária ao Parkinson pode tomar antidepressivos para aliviar os sintomas enquanto o neurologista ajusta os remédios para o Parkinson.
– Alguém com ansiedade secundária ao hipertireoidismo pode fazer terapia para aprender a lidar com o estresse enquanto o endocrinologista trata a tireoide.


Mito 2: “Essas condições são ‘frescura’ ou falta de força de vontade.”
Verdade: Não são frescura. Assim como uma pneumonia não é “falta de ar por preguiça”, uma depressão secundária ao Parkinson não é “tristeza por falta de vontade”. São doenças reais, com bases biológicas, que precisam de tratamento.


Mito 3: “Se a doença física for tratada, os sintomas mentais vão embora sozinhos.”
Verdade: Nem sempre. Às vezes, os sintomas mentais persistem mesmo depois de a doença física ser controlada, porque o cérebro “aprendeu” aquele padrão. Por exemplo:
– Uma pessoa com depressão secundária a um AVC pode continuar deprimida mesmo depois de se recuperar do derrame, porque o cérebro ficou “marcado” pela lesão.
– Alguém com ansiedade secundária ao hipertireoidismo pode continuar ansioso mesmo depois de normalizar os hormônios, porque o corpo “se acostumou” com aquele estado.

Nesses casos, o tratamento psicológico e psiquiátrico continua sendo necessário.


Mito 4: “Só idosos desenvolvem essas condições.”
Verdade: Pessoas de todas as idades podem ser afetadas, inclusive crianças e adolescentes. Por exemplo:
Crianças com epilepsia podem desenvolver psicose interictal.
Adolescentes com lúpus podem ter depressão ou ansiedade.
Adultos jovens com esclerose múltipla podem apresentar alterações de comportamento.


Mito 5: “Se eu tenho uma dessas condições, meus filhos também vão ter.”
Verdade: Não necessariamente. A genética aumenta o risco, mas não é uma garantia. Além disso, muitas dessas condições dependem de fatores ambientais (como estresse, alimentação e acesso a tratamento), que podem ser modificados.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de uma síndrome mental secundária pode ser um alívio (porque finalmente há uma explicação para os sintomas) ou uma frustração (porque muitas vezes é um processo longo e cheio de incertezas). Vamos entender como funciona esse caminho, passo a passo.


O que NÃO existe (ainda)

Antes de mais nada, é importante saber que não existe um exame de sangue ou de imagem que diga, com 100% de certeza, que uma pessoa tem uma síndrome mental secundária. Diferente de uma diabetes (que é diagnosticada com um exame de glicemia) ou de uma pneumonia (que aparece na radiografia), essas condições são identificadas por meio de:
Histórico médico detalhado (o que a pessoa sente, quando começou, o que piora ou melhora os sintomas).
Exames físicos e neurológicos (para descartar outras doenças).
Exames complementares (como ressonância magnética, exames de sangue ou eletroencefalograma).
Avaliação psiquiátrica (para entender se os sintomas se encaixam em algum transtorno mental).

Isso não significa que o diagnóstico é “chute” ou “achismo”. Significa que os médicos juntam pistas, como um detetive, para chegar à conclusão mais provável.


Passo a passo do diagnóstico

1. A primeira consulta: “Conta pra mim o que está acontecendo”

O processo geralmente começa com uma consulta com um clínico geral, neurologista ou psiquiatra. O médico vai fazer perguntas como:
“Quais sintomas você está tendo?” (tristeza, ansiedade, alucinações, cansaço, etc.).
“Quando esses sintomas começaram?” (de repente? depois de uma doença?).
“Você tem alguma doença física?” (diabetes, Parkinson, lúpus, etc.).
“Está tomando algum remédio?” (alguns medicamentos causam sintomas psiquiátricos).
“Alguém na sua família tem doenças neurológicas ou psiquiátricas?” (para avaliar fatores genéticos).
“Como esses sintomas afetam sua vida?” (trabalho, relacionamentos, rotina).

Dica: Leve anotações com os sintomas, quando começaram e o que parece piorá-los ou melhorá-los. Isso ajuda muito o médico.

2. Exame físico e neurológico: “Vamos ver como seu corpo está”

O médico vai fazer um exame físico completo, incluindo:
Pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura (para descartar infecções ou problemas metabólicos).
Avaliação neurológica (reflexos, força muscular, coordenação, equilíbrio).
Exame da tireoide (palpação do pescoço para ver se está aumentada).
Avaliação da pele (algumas doenças, como lúpus, deixam marcas na pele).

Se o médico suspeitar de algo específico (como Parkinson ou esclerose múltipla), pode encaminhar para um neurologista.

3. Exames complementares: “Vamos investigar mais a fundo”

Dependendo dos sintomas, o médico pode pedir:
| Exame | Para que serve? | O que pode detectar? |
|——-|—————-|———————-|
| Exames de sangue | Avaliar hormônios, vitaminas, inflamação, infecções. | Hipotireoidismo, anemia, deficiência de B12, lúpus, HIV. |
| Ressonância magnética (RM) | Ver a estrutura do cérebro. | Tumores, AVCs, esclerose múltipla, lesões. |
| Tomografia computadorizada (TC) | Ver ossos e estruturas cerebrais. | Hemorragias, fraturas, tumores. |
| Eletroencefalograma (EEG) | Medir a atividade elétrica do cérebro. | Epilepsia, delirium. |
| Punção lombar | Analisar o líquido da medula espinhal. | Infecções (meningite), esclerose múltipla. |
| Testes neuropsicológicos | Avaliar memória, atenção, linguagem. | Alzheimer, lesões cerebrais. |

Exemplo:
Se uma pessoa tem depressão e tremores, o médico pode pedir:
– Exames de tireoide (para descartar hipotireoidismo).
Ressonância magnética (para ver se há sinais de Parkinson ou lesões cerebrais).
Dosagem de vitamina B12 (a falta dela pode causar depressão e problemas neurológicos).

4. Avaliação psiquiátrica: “Vamos entender seus pensamentos e emoções”

Se os exames não mostrarem nada de errado (ou se os sintomas persistirem mesmo depois de tratar a doença física), o médico pode encaminhar para um psiquiatra. O psiquiatra vai:
– Fazer uma entrevista detalhada sobre os sintomas mentais.
– Perguntar sobre histórico familiar de transtornos mentais.
– Avaliar se os sintomas se encaixam em algum transtorno psiquiátrico primário (como depressão maior ou transtorno bipolar) ou se são secundários a uma doença física.
– Observar sinais de alerta (como ideação suicida ou psicose).

Dica: Se possível, leve um familiar ou amigo para a consulta. Às vezes, a pessoa não percebe alguns sintomas (como esquecimento ou mudanças de personalidade), e quem convive com ela pode ajudar a descrever o que está acontecendo.

5. Diagnóstico diferencial: “O que não é, mas pode parecer”

Um dos maiores desafios é diferenciar uma síndrome mental secundária de um transtorno psiquiátrico primário. Por exemplo:
Depressão secundária ao Parkinson vs. depressão maior:
– Na depressão secundária, os sintomas melhoram quando o Parkinson é tratado.
– Na depressão maior, os sintomas persistem mesmo sem uma causa física.
Psicose secundária à epilepsia vs. esquizofrenia:
– Na psicose secundária, as alucinações acontecem entre as crises epilépticas e melhoram com o controle da epilepsia.
– Na esquizofrenia, as alucinações são constantes e não têm relação com crises convulsivas.

Para fazer essa diferenciação, os médicos usam critérios da CID-11 e do DSM-5, além de sua experiência clínica.

6. O diagnóstico final: “Juntando todas as peças”

Depois de todas as avaliações, o médico vai juntar as informações e dar o diagnóstico. Pode ser algo como:
“Você tem depressão secundária à doença de Parkinson.”
“Seus sintomas de ansiedade são causados pelo hipertireoidismo.”
“As alucinações são um efeito colateral do corticoide que você está tomando.”

Importante: Às vezes, o diagnóstico não é claro de primeira. Pode ser necessário repetir exames ou tentar tratamentos para ver se os sintomas melhoram.


Quanto tempo leva para ter um diagnóstico?

Depende da complexidade do caso:
Casos simples (como ansiedade por hipertireoidismo): 1-2 consultas + exames de sangue.
Casos moderados (como depressão por Parkinson): 2-3 meses (consultas com neurologista, psiquiatra e exames de imagem).
Casos complexos (como psicose por doença rara): Pode levar anos, porque exige investigação detalhada.

Dica: Se você está há muito tempo sem um diagnóstico, procure uma segunda opinião. Às vezes, outro médico pode enxergar algo que passou despercebido.


Quem pode diagnosticar?

Profissional O que faz? Quando procurar?
Clínico geral Faz a primeira avaliação e pede exames básicos. Se os sintomas são leves ou começaram recentemente.
Neurologista Investiga doenças do sistema nervoso (Parkinson, Alzheimer, epilepsia). Se há sintomas neurológicos (tremores, convulsões, perda de memória).
Psiquiatra Avalia sintomas mentais e prescreve medicamentos psiquiátricos. Se os sintomas são graves (depressão, psicose, ideação suicida).
Endocrinologista Trata doenças hormonais (tireoide, diabetes). Se há suspeita de desequilíbrio hormonal.
Psicólogo Faz terapia e avaliações psicológicas. Para ajudar no manejo dos sintomas enquanto a causa física é tratada.

Dica: Em muitos casos, mais de um profissional é necessário. Por exemplo:
– Uma pessoa com depressão e Parkinson pode precisar de neurologista + psiquiatra.
– Alguém com ansiedade e hipertireoidismo pode precisar de endocrinologista + psiquiatra.


Diagnóstico pelo SUS vs. particular

Pelo SUS (Sistema Único de Saúde)

  1. Primeiro passo: UBS (Unidade Básica de Saúde)
  2. Você agenda uma consulta com um clínico geral.
  3. Ele faz a primeira avaliação e, se necessário, encaminha para um especialista (neurologista, psiquiatra, endocrinologista).
  4. Segundo passo: Encaminhamento para especialistas
  5. Dependendo da suspeita, você pode ser encaminhado para:
    • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Para transtornos mentais graves.
    • Ambulatório de especialidades: Para neurologia, endocrinologia, etc.
    • Hospital universitário: Para casos complexos que exigem exames mais detalhados.
  6. Terceiro passo: Exames e acompanhamento
  7. Os exames (como ressonância magnética) podem ter fila de espera.
  8. O acompanhamento com psiquiatra ou neurologista também pode demorar, dependendo da região.

Dicas para agilizar no SUS:
Leve todos os exames e receitas anteriores (mesmo que sejam de outro médico).
Peça ao clínico geral para escrever no encaminhamento o motivo da suspeita (ex.: “Encaminho para neurologista por suspeita de Parkinson com sintomas depressivos”).
Se a fila estiver muito longa, procure a Ouvidoria do SUS ou um advogado (em casos de urgência).

Pelo particular

  1. Primeira consulta com clínico geral ou especialista
  2. Você pode escolher o médico (neurologista, psiquiatra, endocrinologista).
  3. A consulta costuma ser mais longa (30-60 minutos).
  4. Exames
  5. Os exames são agendados mais rápido (em alguns casos, no mesmo dia).
  6. Alguns planos de saúde cobrem ressonância magnética e exames de sangue.
  7. Acompanhamento
  8. Você pode escolher o profissional e trocar se não se adaptar.
  9. O retorno costuma ser mais rápido do que no SUS.

Dicas para escolher um profissional particular:
Pesquise avaliações no Google ou em sites como Doctoralia.
Verifique se o médico tem experiência com o seu tipo de sintoma (ex.: um psiquiatra que trabalha com Parkinson).
Pergunte sobre valores antes da consulta (alguns médicos não aceitam plano de saúde).


O que esperar da primeira consulta?

Muitas pessoas ficam ansiosas antes da primeira consulta, especialmente se nunca foram a um psiquiatra ou neurologista. Veja o que costuma acontecer:

  1. Chegada e cadastro
  2. Você preenche uma ficha com seus dados e histórico médico.
  3. Se for pelo SUS, pode ter que esperar um pouco (dependendo da demanda).

  4. Conversa com o médico

  5. O médico vai fazer perguntas sobre seus sintomas, histórico familiar e doenças prévias.
  6. Não tenha vergonha de falar tudo, mesmo que pareça “bobo” ou “exagerado”. Por exemplo:

    • “Às vezes, ouço vozes quando estou sozinho.”
    • “Não tenho mais vontade de fazer nada, nem as coisas que eu gostava.”
    • “Meu humor muda muito rápido, como se eu fosse duas pessoas diferentes.”
  7. Exame físico

  8. O médico pode medir sua pressão, verificar seus reflexos ou examinar sua tireoide.

  9. Explicação do médico

  10. Ele vai explicar o que suspeita e quais exames são necessários.
  11. Faça perguntas! Por exemplo:

    • “O que pode estar causando meus sintomas?”
    • “Quais exames você vai pedir?”
    • “Quanto tempo leva para ter um diagnóstico?”
  12. Encaminhamentos

  13. Se necessário, o médico vai encaminhar para outros especialistas ou pedir exames.

Dica: Anote tudo o que o médico disser. Às vezes, a ansiedade da consulta faz a gente esquecer as informações.


Exames complementares: Por que são pedidos?

Os exames não são pedidos “por acaso”. Cada um tem um motivo específico. Vamos ver os mais comuns:

Exame Por que é pedido? O que pode mostrar?
Hemograma completo Ver se há anemia, infecção ou inflamação. Anemia (cansaço, depressão), infecção (delirium).
TSH e T4 livre Avaliar a tireoide. Hipotireoidismo (depressão, cansaço), hipertireoidismo (ansiedade, insônia).
Vitamina B12 e ácido fólico Ver se há deficiência nutricional. Falta de B12 (depressão, problemas de memória).
Glicemia e hemoglobina glicada Avaliar diabetes. Diabetes descontrolado (irritabilidade, cansaço).
Função hepática e renal Ver se fígado e rins estão funcionando bem. Doenças hepáticas ou renais podem causar confusão mental.
Ressonância magnética (RM) Ver a estrutura do cérebro. Tumores, AVCs, esclerose múltipla, lesões.
Tomografia computadorizada (TC) Ver ossos e estruturas cerebrais. Hemorragias, fraturas, tumores.
Eletroencefalograma (EEG) Medir a atividade elétrica do cérebro. Epilepsia, delirium.
Punção lombar Analisar o líquido da medula espinhal. Infecções (meningite), esclerose múltipla.

Exemplo:
Se uma pessoa tem depressão e tremores, o médico pode pedir:
TSH e T4 livre (para descartar hipotireoidismo).
Vitamina B12 (a falta dela causa depressão e problemas neurológicos).
Ressonância magnética (para ver se há sinais de Parkinson ou lesões cerebrais).


Quais são as opções de tratamento?

Descobrir que os sintomas mentais são causados por uma doença física pode trazer alívio (porque finalmente há uma explicação) e, ao mesmo tempo, preocupação (porque o tratamento pode ser complexo). A boa notícia é que, na maioria dos casos, os sintomas melhoram quando a causa de base é tratada.

O tratamento dessas condições costuma ser multidisciplinar, ou seja, envolve vários profissionais trabalhando juntos:
Médicos (clínico geral, neurologista, psiquiatra, endocrinologista).
Psicólogos (para terapia).
Fisioterapeutas (para doenças neurológicas).
Nutricionistas (para ajustar a alimentação).
Assistentes sociais (para ajudar com direitos e benefícios).

Vamos ver as principais abordagens.


Medicamentos

Os remédios são uma ferramenta importante, mas não são a única solução. Eles ajudam a controlar os sintomas enquanto a causa física é tratada. Vamos entender como cada classe de medicamento funciona.


1. Antidepressivos

Para que servem?
Tratar depressão, ansiedade e alguns tipos de dor crônica (como na fibromialgia).

Como funcionam?
Eles aumentam a disponibilidade de neurotransmissores (como serotonina, noradrenalina e dopamina) no cérebro, melhorando o humor e reduzindo a ansiedade.

Principais tipos:
| Classe | Exemplos | Como age? | Efeitos colaterais comuns |
|——–|———-|———–|—————————|
| ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina) | Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram | Aumenta a serotonina. | Náusea, insônia, diminuição da libido. |
| IRSN (Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina) | Venlafaxina, Duloxetina | Aumenta serotonina e noradrenalina. | Boca seca, sudorese, aumento da pressão. |
| Tricíclicos | Amitriptilina, Nortriptilina | Aumenta serotonina e noradrenalina. | Sonolência, ganho de peso, boca seca. |
| Outros | Bupropiona, Mirtazapina | Aumenta dopamina e noradrenalina (Bupropiona) ou bloqueia receptores específicos (Mirtazapina). | Bupropiona: agitação, insônia. Mirtazapina: sonolência, aumento do apetite. |

Quando são usados?
Depressão secundária ao Parkinson ou Alzheimer.
Ansiedade secundária ao hipertireoidismo (enquanto a tireoide é tratada).
Dor crônica na fibromialgia.

Mitos sobre antidepressivos:
“Antidepressivos viciam.”
Verdade: Eles não causam dependência, mas podem causar síndrome de abstinência se parados de repente. Por isso, a retirada deve ser gradual.

“Eles mudam minha personalidade.”
Verdade: Eles não mudam quem você é, apenas ajudam a recuperar o equilíbrio emocional que a doença tirou.

“Só funcionam depois de meses.”
Verdade: Alguns efeitos (como melhora do sono) aparecem em 1-2 semanas, mas o efeito completo pode levar 4-6 semanas.


2. Estabilizadores de humor

Para que servem?
Tratar oscilações de humor (como na depressão bipolar secundária a doenças neurológicas) e impulsividade.

Como funcionam?
Eles estabilizam a atividade elétrica do cérebro, prevenindo episódios de euforia ou depressão.

Principais tipos:
| Medicamento | Como age? | Efeitos colaterais comuns |
|————-|———–|—————————|
| Lítio | Regula neurotransmissores. | Sede, tremores, ganho de peso. |
| Ácido valproico | Aumenta o GABA (neurotransmissor calmante). | Sonolência, ganho de peso, tremores. |
| Carbamazepina | Estabiliza a atividade elétrica do cérebro. | Tontura, náusea, sonolência. |
| Lamotrigina | Modula o glutamato (neurotransmissor excitatório). | Dor de cabeça, erupção cutânea (raro, mas grave). |

Quando são usados?
Depressão bipolar secundária à esclerose múltipla.
Impulsividade após lesão cerebral (TCE ou AVC).
Oscilações de humor na epilepsia.

Cuidados importantes:
– O lítio exige exames de sangue regulares para evitar intoxicação.
– Alguns estabilizadores (como o ácido valproico) não podem ser usados na gravidez.


3. Antipsicóticos

Para que servem?
Tratar psicose (alucinações, delírios), agitação e, em alguns casos, depressão resistente.

Como funcionam?
Eles bloqueiam a dopamina (neurotransmissor ligado à psicose) e, em alguns casos, também afetam a serotonina.

Principais tipos:
| Classe | Exemplos | Como age? | Efeitos colaterais comuns |
|——–|———-|———–|—————————|
| Típicos (1ª geração) | Haloperidol, Clorpromazina | Bloqueiam fortemente a dopamina. | Tremores, rigidez muscular, sonolência. |
| Atípicos (2ª geração) | Risperidona, Quetiapina, Olanzapina | Bloqueiam dopamina e serotonina. | Ganho de peso, sonolência, aumento do açúcar no sangue. |

Quando são usados?
Psicose secundária à epilepsia.
Alucinações na doença de Parkinson (com cuidado, porque alguns antipsicóticos pioram os tremores).
Agitação no delirium.

Mitos sobre antipsicóticos:
“Eles são só para ‘loucos’.”
Verdade: Eles são usados em várias condições, não só na esquizofrenia. Por exemplo, a quetiapina é usada para insônia e depressão bipolar.

“Vão me deixar ‘zumbi’.”
Verdade: Os antipsicóticos mais novos (atípicos) têm menos efeitos colaterais e não deixam a pessoa “dopada”. A dose é ajustada para evitar sonolência excessiva.


4. Ansiolíticos (benzodiazepínicos)

Para que servem?
Aliviar ansiedade intensa, insônia e agitação em curto prazo.

Como funcionam?
Eles aumentam o GABA (neurotransmissor que “acalma” o cérebro), causando relaxamento.

Principais tipos:
| Medicamento | Duração do efeito | Efeitos colaterais comuns |
|————-|——————-|—————————|
| Diazepam | Longa (até 48h) | Sonolência, risco de dependência. |
| Clonazepam | Média (12-24h) | Sonolência, tontura. |
| Alprazolam | Curta (6-12h) | Ansiedade de rebote, risco de dependência. |

Quando são usados?
Ansiedade secundária ao hipertireoidismo (enquanto a tireoide é tratada).
Insônia na fibromialgia.
Agitação no delirium.

Cuidados importantes:
Não devem ser usados por muito tempo, porque causam dependência.
Não devem ser misturados com álcool, porque aumentam o risco de depressão respiratória.
Devem ser retirados gradualmente, para evitar síndrome de abstinência.


5. Outros medicamentos

Dependendo da causa dos sintomas, outros remédios podem ser usados:
| Medicamento | Para que serve? | Exemplo de uso |
|————-|—————-|—————-|
| Levodopa | Tratar Parkinson. | Melhora os tremores e, indiretamente, a depressão. |
| Hormônios tireoidianos | Tratar hipotireoidismo. | Melhora a depressão e o cansaço. |
| Imunossupressores | Tratar doenças autoimunes (lúpus, esclerose múltipla). | Reduz a inflamação no cérebro, melhorando sintomas psiquiátricos. |
| Anticonvulsivantes | Tratar epilepsia e estabilizar o humor. | Controla crises epilépticas e, em alguns casos, a psicose interictal. |


Psicoterapia

Os medicamentos ajudam a controlar os sintomas, mas a psicoterapia é fundamental para:
Aprender a lidar com a doença física (como conviver com Parkinson ou esclerose múltipla).
Melhorar a autoestima (muitas pessoas se sentem “fracas” por ter sintomas psiquiátricos).
Desenvolver estratégias de enfrentamento (como técnicas de relaxamento para ansiedade).
Fortalecer a rede de apoio (envolver a família no tratamento).

Principais abordagens:

1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

O que é?
Uma terapia prática e focada no presente, que ajuda a identificar e mudar pensamentos e comportamentos disfuncionais.

Como funciona?
– O terapeuta ajuda a pessoa a reconhecer padrões de pensamento negativos (ex.: “Nunca vou melhorar”).
– Ensina técnicas para lidar com a ansiedade e a depressão (como respiração diafragmática e reestruturação cognitiva).
– Trabalha habilidades sociais (para quem se isolou por causa da doença).

Para quem é indicada?
Depressão e ansiedade secundárias a doenças crônicas.
Fobias e pânico (como medo de sair de casa após um AVC).
Dor crônica (ajuda a lidar com a fibromialgia).

Exemplo prático:
Uma pessoa com esclerose múltipla que desenvolveu depressão pode aprender na TCC:
– A identificar pensamentos catastróficos (“Minha vida acabou porque tenho essa doença”).
– A substituí-los por pensamentos realistas (“Tenho limitações, mas ainda posso fazer muitas coisas que gosto”).
– A agendar atividades prazerosas para melhorar o humor.


2. Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

O que é?
Uma terapia que ensina a aceitar as emoções difíceis (como tristeza ou raiva) sem deixar que elas controlem a vida.

Como funciona?
– Ajuda a pessoa a se distanciar dos pensamentos negativos (ex.: em vez de “Sou um fracasso”, pensar “Estou tendo o pensamento de que sou um fracasso”).
– Encoraja a agir de acordo com seus valores, mesmo com os sintomas.
– Ensina técnicas de mindfulness (atenção plena) para lidar com a dor e o estresse.

Para quem é indicada?
Doenças crônicas com dor (fibromialgia, artrite).
Depressão resistente a medicamentos.
Ansiedade secundária a doenças físicas.

Exemplo prático:
Uma pessoa com fibromialgia que evita sair de casa por medo da dor pode aprender na ACT:
– A aceitar a dor (sem lutar contra ela, o que só a aumenta).
– A focar no que é importante (como passar tempo com a família, mesmo com desconforto).
– A agir de acordo com seus valores (ex.: se valoriza ajudar os outros, pode fazer trabalho voluntário adaptado à sua condição).


3. Terapia Familiar

O que é?
Uma terapia que envolve a família no tratamento, ajudando a melhorar a comunicação e reduzir o estresse.

Como funciona?
– Ensina a família a entender a doença (ex.: que a irritabilidade do paciente com Parkinson não é “má vontade”, mas um sintoma).
– Ajuda a distribuir as tarefas de cuidado para evitar sobrecarga.
– Trabalha conflitos familiares que podem estar piorando os sintomas.

Para quem é indicada?
Doenças neurológicas (Parkinson, Alzheimer, AVC).
Transtornos mentais graves (psicose, depressão profunda).
Crianças e adolescentes com doenças crônicas.

Exemplo prático:
Uma família que cuida de um idoso com Alzheimer pode aprender na terapia familiar:
– A não levar para o lado pessoal quando o paciente fica agressivo.
– A criar rotinas que reduzam a confusão mental.
– A cuidar da própria saúde mental para não adoecerem também.


4. Grupos de apoio

O que são?
Encontros com outras pessoas que passam pela mesma situação, mediadas por um profissional.

Como funcionam?
– As pessoas compartilham experiências e dão dicas de como lidar com os sintomas.
– Ouvir histórias semelhantes reduz o sentimento de solidão.
– Alguns grupos têm palestras com especialistas.

Para quem é indicado?
Doenças raras (como esclerose múltipla ou lúpus).
Doenças neurológicas (Parkinson, Alzheimer).
Sobreviventes de AVC ou TCE.

Onde encontrar no Brasil?
ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer): www.abraz.org.br
ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria): www.abp.org.br
APAE (para doenças genéticas): www.apaebrasil.org.br
Grupos no Facebook: Muitos grupos de apoio são organizados por pacientes e familiares.


Mudanças no estilo de vida

Os medicamentos e a terapia são essenciais, mas pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida.


1. Exercício físico

Por que ajuda?
Aumenta a produção de neurotransmissores (como serotonina e dopamina), melhorando o humor.
Reduz a inflamação no corpo, o que pode melhorar doenças autoimunes.
Melhora o sono e a energia.
Ajuda a controlar o peso, o que é importante para doenças como diabetes e hipotireoidismo.

Quais exercícios são melhores?
| Doença | Exercícios recomendados | Benefícios |
|——–|————————|————|
| Parkinson | Caminhada, dança, tai chi chuan. | Melhora o equilíbrio e reduz os tremores. |
| Depressão/ansiedade | Corrida, natação, ioga. | Reduz o cortisol (hormônio do estresse). |
| Fibromialgia | Hidroginástica, pilates, alongamento. | Reduz a dor e melhora a flexibilidade. |
| Esclerose múltipla | Natação, bicicleta ergométrica. | Fortalece os músculos sem sobrecarregar as articulações. |

Dica:
Comece devagar: 10-15 minutos por dia e vá aumentando.
Escolha algo que goste: Se não gosta de academia, dance, caminhe no parque ou faça jardinagem.
Peça ajuda: Se tiver dificuldade de se movimentar (como no Parkinson), um fisioterapeuta pode criar um programa adaptado.


2. Higiene do sono

Por que é importante?
– O sono ruim piora a depressão, a ansiedade e a dor crônica.
– Doenças como Parkinson e Alzheimer já causam distúrbios do sono, então é preciso compensar com bons hábitos.

Dicas para dormir melhor:
Mantenha um horário regular: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
Evite telas antes de dormir: A luz azul do celular e da TV inibe a melatonina (hormônio do sono).
Crie um ritual relaxante: Tome um banho quente, leia um livro ou ouça música calma.
Evite cafeína à tarde: Café, chá preto e refrigerantes podem atrapalhar o sono.
Faça do quarto um ambiente tranquilo: Escuro, silencioso e fresco.
Não fique na cama se não conseguir dormir: Se estiver acordado há mais de 20 minutos, levante-se e faça algo relaxante até sentir sono.

Para quem tem insônia:
Terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I): É o tratamento mais eficaz, ensinando técnicas para “reprogramar” o sono.
Melatonina: Pode ser usada em alguns casos (mas só com orientação médica).


3. Alimentação

Como a comida afeta o cérebro?
Inflamação: Alguns alimentos (como açúcar e gorduras ruins) aumentam a inflamação no corpo, piorando doenças autoimunes e sintomas psiquiátricos.
Neurotransmissores: Alguns nutrientes são essenciais para a produção de serotonina e dopamina.
Energia: Uma dieta equilibrada ajuda a combater o cansaço.

Alimentos que ajudam:
| Nutriente | Onde encontrar? | Benefício |
|———–|——————|———–|
| Ômega-3 | Peixes (salmão, sardinha), linhaça, nozes. | Reduz inflamação e melhora o humor. |
| Vitamina B12 | Carnes, ovos, leite. | Previne depressão e problemas neurológicos. |
| Magnésio | Espinafre, amêndoas, abacate. | Reduz ansiedade e melhora o sono. |
| Triptofano | Banana, ovos, queijo. | Ajuda na produção de serotonina. |
| Probióticos | Iogurte natural, kefir, chucrute. | Melhoram a saúde intestinal, que está ligada ao cérebro. |

Alimentos que pioram:
Açúcar refinado: Causa picos de glicemia, piorando a ansiedade e a depressão.
Gorduras trans: Aumentam a inflamação (presente em frituras e alimentos industrializados).
Álcool: Pode piorar a depressão e interferir nos medicamentos.
Cafeína em excesso: Pode causar ansiedade e insônia.

Dica:
Consulte um nutricionista: Ele pode criar um plano alimentar personalizado para a sua doença.
Beba água: A desidratação piora a fadiga e a confusão mental.


4. Rede de apoio social

Por que é importante?
Isolamento social piora a depressão e a ansiedade.
Ter alguém para conversar reduz o estresse.
Apoio prático (como alguém para ajudar nas tarefas) alivia a sobrecarga.

Como construir uma rede de apoio?
Converse com amigos e familiares: Explique o que você está passando e como eles podem ajudar.
Participe de grupos de apoio: Ver que outras pessoas passam pelo mesmo reduz a sensação de solidão.
Procure atividades em grupo: Cursos, voluntariado ou hobbies (como pintura ou música) ajudam a se conectar com outras pessoas.
Use a tecnologia: Se não puder sair de casa, participe de fóruns online ou grupos no WhatsApp.

Exemplo prático:
Uma pessoa com esclerose múltipla pode:
– Participar de um grupo de apoio presencial (como os da ABEM).
– Fazer terapia em grupo para aprender a lidar com a doença.
– Encontrar um parceiro de exercícios (para caminhar ou fazer hidroginástica juntos).


5. Técnicas de manejo do estresse

O estresse piora todas as doenças físicas e mentais, então aprender a controlá-lo é fundamental.

Técnicas que ajudam:
1. Respiração diafragmática
– Inspire profundamente pelo nariz, enchendo a barriga (não o peito).
– Segure por 3 segundos.
– Expire lentamente pela boca.
– Repita por 5 minutos.
Benefício: Reduz a ansiedade na hora.

  1. Mindfulness (atenção plena)
  2. Foque no momento presente, sem julgar os pensamentos.
  3. Pode ser feito meditando (aplicativos como Headspace ou Lojong ajudam) ou durante atividades cotidianas (como lavar a louça prestando atenção na água e no sabão).
  4. Benefício: Reduz a ruminação de pensamentos negativos.

  5. Yoga e tai chi chuan

  6. Combina movimento, respiração e meditação.
  7. Benefício: Melhora o equilíbrio (importante para Parkinson), reduz a dor e a ansiedade.

  8. Escrita terapêutica

  9. Escrever sobre emoções e experiências ajuda a organizar os pensamentos.
  10. Benefício: Reduz o estresse e melhora a clareza mental.

  11. Técnica do 5-4-3-2-1 (para ansiedade)

  12. 5 coisas que você vê (ex.: uma planta, um quadro, um livro).
  13. 4 coisas que você toca (ex.: o tecido da roupa, a textura da mesa).
  14. 3 coisas que você ouve (ex.: o barulho do ventilador, vozes na rua).
  15. 2 coisas que você cheira (ex.: café, perfume).
  16. 1 coisa que você prova (ex.: um chiclete, água).
  17. Benefício: “Ancorar” a pessoa no presente, reduzindo a ansiedade.

Dica:
Experimente diferentes técnicas e veja qual funciona melhor para você.
Pratique diariamente, mesmo que por poucos minutos.


Suporte familiar e social

Quando alguém da família desenvolve uma síndrome mental secundária, todos são afetados. O apoio da família é essencial para o tratamento, mas também é importante que os familiares cuidem de si mesmos.


Como a família pode ajudar?

  1. Informe-se sobre a doença
  2. Entender que os sintomas (como irritabilidade ou apatia) não são “frescura” ajuda a ter mais paciência.
  3. Fontes confiáveis: Sites de associações de pacientes (como ABRAz, ABP), livros e vídeos de médicos.

  4. Ajude com as tarefas práticas

  5. Doenças como Parkinson ou Alzheimer podem dificultar atividades do dia a dia (como tomar banho ou cozinhar).
  6. Ofereça ajuda específica: Em vez de “Precisa de algo?”, diga “Posso te ajudar a preparar o jantar hoje?”.

  7. Incentive o tratamento

  8. Muitas pessoas resistem a tomar remédios ou ir à terapia, especialmente no início.
  9. Seja paciente: Lembre-se de que a pessoa não está no controle dos sintomas.
  10. Acompanhe nas consultas: Às vezes, o paciente esquece de contar algo importante.

  11. Cuide da comunicação

  12. Evite frases como:
    • “Isso é coisa da sua cabeça.”
    • “Você só precisa se esforçar mais.”
    • “Todo mundo tem problemas, você não é especial.”
  13. Use frases como:

    • “Estou aqui para te ouvir.”
    • “Como posso te ajudar hoje?”
    • “Vamos juntos resolver isso.”
  14. Respeite os limites

  15. Algumas pessoas precisam de mais tempo sozinhas para se recuperar.
  16. Não force a socialização ou atividades se a pessoa não estiver disposta.

Grupos de apoio para familiares

Cuidar de alguém com uma doença crônica é desgastante. Participar de grupos de apoio ajuda a:
Compartilhar experiências com outras pessoas na mesma situação.
Aprender estratégias para lidar com os desafios.
Reduzir a sensação de solidão.

Onde encontrar no Brasil?
ABRAz (para familiares de pessoas com Alzheimer): www.abraz.org.br
APAE (para doenças genéticas): www.apaebrasil.org.br
Grupos no Facebook: Busque por “familiares de pacientes com [nome da doença]”.


Direitos da pessoa com transtorno mental no Brasil

A Lei 10.216/2001 (Lei da Reforma Psiquiátrica) garante direitos importantes para pessoas com transtornos mentais, incluindo as síndromes secundárias. Alguns deles:

  1. Tratamento humanizado
  2. A pessoa não pode ser internada à força, exceto em casos de risco iminente para si ou para outros.
  3. A internação deve ser a última opção, priorizando tratamentos ambulatoriais.

  4. Acesso ao SUS

  5. CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Oferece atendimento multidisciplinar (psiquiatra, psicólogo, assistente social).
  6. CAPS infantil (CAPSi): Para crianças e adolescentes.
  7. CAPS AD: Para pessoas com transtornos por uso de álcool e drogas.
  8. CAPS III: Funciona 24 horas, para casos de crise.

  9. Benefícios sociais

  10. BPC-LOAS: Benefício de um salário mínimo por mês para pessoas com deficiência (incluindo transtornos mentais graves) que não conseguem trabalhar.
  11. Auxílio-doença: Para quem precisa se afastar do trabalho por mais de 15 dias.
  12. Isenção de impostos: Pessoas com doenças graves (como Parkinson ou Alzheimer) têm direito a isenção de IPVA, IPI e ICMS na compra de carros adaptados.

  13. Proteção contra discriminação

  14. A pessoa não pode ser demitida por ter um transtorno mental.
  15. Empresas com mais de 100 funcionários devem ter 2-5% de vagas para pessoas com deficiência (incluindo transtornos mentais).

Como acessar esses direitos?
BPC-LOAS: Procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade.
Auxílio-doença: Agende uma perícia no INSS (pelo site ou telefone 135).
Isenção de impostos: Procure a Receita Federal com laudos médicos.


Quando procurar ajuda?

Saber quando buscar ajuda pode fazer toda a diferença. Às vezes, as pessoas adiam a consulta por medo, vergonha ou porque acham que “vai passar”. Mas, em muitos casos, quanto antes o tratamento começar, melhor.

Vamos ver os sinais de alerta, organizados por gravidade.


Sinais preocupantes (procure ajuda nos próximos dias)

São sintomas que já estão atrapalhando a vida, mas que não são emergências. Se você ou alguém próximo apresentar esses sinais, agende uma consulta com um clínico geral ou psiquiatra nos próximos dias.

Sintoma O que pode indicar? O que fazer?
Tristeza profunda por mais de 2 semanas, sem motivo aparente. Depressão secundária a doenças como Parkinson, hipotireoidismo ou anemia. Procure um clínico geral para exames e, se necessário, um psiquiatra.
Ansiedade intensa, com crises de pânico frequentes. Ansiedade secundária a hipertireoidismo, doenças cardíacas ou uso de medicamentos. Faça exames de tireoide e coração.
Mudanças bruscas de humor, como passar da euforia à tristeza em poucas horas. Transtorno bipolar secundário a esclerose múltipla ou lesões cerebrais. Consulte um neurologista e um psiquiatra.
Esquecimento frequente, dificuldade de se concentrar. Demência precoce (Alzheimer), deficiência de B12 ou hipotireoidismo. Faça exames de sangue e uma ressonância magnética.
Dor crônica sem causa aparente, que não melhora com analgésicos. Fibromialgia, doenças autoimunes ou síndrome pós-COVID. Procure um reumatologista ou neurologista.
Fadiga extrema, mesmo depois de dormir bem. Anemia, hipotireoidismo, síndrome da fadiga crônica ou depressão. Faça exames de sangue e avalie a tireoide.

Sinais urgentes (procure ajuda em até 24 horas)

São sintomas que precisam de avaliação rápida, porque podem indicar uma doença grave ou um risco iminente.

Sintoma O que pode indicar? O que fazer?
Confusão mental súbita, não reconhecer familiares ou não saber onde está. Delirium (causado por infecção, desidratação ou medicamentos). Leve ao pronto-socorro para avaliação.
Alucinações ou delírios (ver ou ouvir coisas que não existem, acreditar em coisas sem sentido). Psicose secundária a epilepsia, lúpus, tumores cerebrais ou uso de drogas. Procure um neurologista ou psiquiatra com urgência.
Ideias suicidas (falar em morte, fazer planos de se matar). Depressão grave, efeito colateral de medicamentos ou doenças neurológicas. Não deixe a pessoa sozinha. Leve ao pronto-socorro ou CAPS III.
Agitação extrema, agressividade ou comportamento violento. Lesões cerebrais, delirium, psicose ou efeito colateral de medicamentos. Procure ajuda imediata (SAMU 192 ou CAPS III).
Fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar. AVC (derrame), que pode causar depressão ou alterações de comportamento. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro imediatamente.
Crises convulsivas (desmaios, movimentos involuntários, salivação excessiva). Epilepsia, que pode causar psicose interictal. Procure um neurologista com urgência.

Sinais de emergência (procure ajuda IMEDIATA)

São sintomas que colocam a vida em risco e exigem atendimento de emergência.

Sintoma O que pode indicar? O que fazer?
Tentativa de suicídio. Depressão grave, psicose ou efeito colateral de medicamentos. Ligue para o SAMU (192) ou leve ao pronto-socorro.
Overdose de medicamentos ou drogas. Intoxicação, que pode causar delírio, coma ou morte. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.
Perda de consciência. AVC, traumatismo craniano, hipoglicemia grave. Ligue para o SAMU (192).
Dor no peito + falta de ar. Infarto, que pode causar ansiedade extrema ou delirium. Ligue para o SAMU (192).
Febre alta + confusão mental. Meningite, sepse ou outras infecções graves. Vá ao pronto-socorro imediatamente.

Como buscar atendimento no Brasil?

1. Pelo SUS (Sistema Único de Saúde)

Situação Onde ir? Telefone
Sintomas leves a moderados UBS (Unidade Básica de Saúde) → Clínico geral. Agende pelo 136 (Disque Saúde).
Sintomas urgentes (não emergenciais) UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou pronto-socorro.
Crise psiquiátrica (agitação, psicose, ideação suicida) CAPS III (24 horas) ou pronto-socorro psiquiátrico.
Emergência (tentativa de suicídio, overdose, AVC) SAMU (192) ou pronto-socorro. 192

Dicas para o SUS:
Leve documentos e exames anteriores.
Peça um encaminhamento por escrito se o médico da UBS não resolver seu caso.
Se a fila estiver muito longa, procure a Ouvidoria do SUS ou um advogado (em casos de urgência).

2. Pelo particular

Situação Onde ir? Como escolher?
Consulta com especialista Clínica particular ou consultório. Pesquise avaliações no Google ou Doctoralia.
Exames Laboratórios particulares (como Fleury, Delboni). Verifique se seu plano de saúde cobre.
Emergência Pronto-socorro particular (como Hospital Albert Einstein, Sírio-Libanês). Ligue para o plano de saúde para saber quais hospitais são credenciados.

Dicas para o particular:
Pergunte sobre valores antes da consulta.
Verifique se o médico tem experiência com a sua condição.
Peça um recibo para reembolso do plano de saúde.

3. Em casos de sofrimento emocional agudo

Se você ou alguém próximo estiver em crise emocional (ansiedade extrema, desespero, vontade de morrer), não espere:
Ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida): 188 (ligação gratuita, 24 horas).
Vá a um CAPS III (funciona 24 horas).
Procure um pronto-socorro se houver risco de suicídio.

Lembre-se: Pedir ajuda não é fraqueza. É um ato de coragem.


Perguntas frequentes

1. “Essas condições têm cura?”

Depende da causa de base:
Se a doença física for tratável (como hipotireoidismo ou anemia), os sintomas mentais podem desaparecer completamente.
– Exemplo: Uma pessoa com depressão por hipotireoidismo pode se curar depois de normalizar os hormônios.
Se a doença física for crônica (como Parkinson ou esclerose múltipla), os sintomas mentais podem ser controlados, mas não curados.
– Exemplo: Uma pessoa com depressão secundária ao Parkinson pode melhorar com antidepressivos e terapia, mas provavelmente precisará de tratamento contínuo.
Se a causa for uma lesão cerebral (como AVC ou TCE), os sintomas podem melhorar com reabilitação, mas algumas sequelas podem permanecer.
– Exemplo: Uma pessoa com alterações de comportamento após um AVC pode recuperar parte da personalidade com fisioterapia e terapia, mas algumas mudanças podem ser permanentes.

O importante é:
Tratar a causa física (se possível).
Controlar os sintomas mentais com medicamentos e terapia.
Adaptar-se à nova realidade (se a doença for crônica).


2. “É culpa dos pais?”

Não. Essas condições não são causadas por “erros” na criação ou por falta de amor. Elas têm causas biológicas (doenças físicas, genética, lesões cerebrais).

Exceções (que não são “culpa” dos pais):
Traumas na infância (abuso, negligência) podem aumentar o risco de desenvolver sintomas psiquiátricos se a pessoa tiver uma doença física no futuro. Mas isso não significa que os pais “causaram” a doença.
Exposição a substâncias na gravidez (álcool, drogas) pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê, aumentando o risco de transtornos mentais. Mas, mesmo nesses casos, não é uma questão de culpa, e sim de falta de informação ou acesso a tratamento.

O que os pais podem fazer?
Buscar tratamento precoce se perceberem sintomas na criança.
Oferecer apoio emocional (sem julgamentos).
Cuidar da própria saúde mental (para não se sobrecarregarem).


3. “Pode piorar com o tempo?”

Depende da doença de base:
Se a doença física piorar, os sintomas mentais também podem piorar.
– Exemplo: Uma pessoa com Alzheimer pode desenvolver depressão e agitação conforme a doença progride.
Se a doença física for controlada, os sintomas mentais podem melhorar ou estabilizar.
– Exemplo: Uma pessoa com depressão por hipotireoidismo pode melhorar depois de tratar a tireoide.
Se não for tratada, a condição pode se agravar, levando a:
Depressão profunda (com risco de suicídio).
Psicose crônica (alucinações e delírios persistentes).
Demência precoce (em casos de lesões cerebrais não tratadas).

O que fazer para evitar a piora?
Tratar a doença física (seguir as orientações médicas).
Controlar os sintomas mentais (tomar os medicamentos e fazer terapia).
Adotar um estilo de vida saudável (alimentação, exercício, sono).
Evitar o isolamento (manter contato com amigos e familiares).


4. “Meus filhos podem ter também?”

O risco depende de dois fatores:
1. Herança da doença física:
– Se a doença de base for genética (como doença de Wilson ou algumas formas de epilepsia), os filhos podem herdar.
– Se for adquirida (como um AVC ou TCE), não há risco de herança.
2. Predisposição genética para transtornos mentais:
– Se houver histórico familiar de depressão, ansiedade ou psicose, os filhos podem ter maior risco de desenvolver sintomas psiquiátricos se tiverem uma doença física no futuro.

O que fazer?
Informe o pediatra sobre o histórico familiar.
Observe sinais precoces (mudanças de comportamento, dificuldade escolar).
Não entre em pânico: Ter um risco aumentado não significa que os filhos vão desenvolver a doença. Muitos fatores ambientais (como alimentação e estresse) também influenciam.


5. “Posso fazer algo em casa para ajudar?”

Sim! Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença. Algumas ideias:

  1. Para depressão e ansiedade:
  2. Exponha-se à luz solar (pelo menos 15 minutos por dia). A luz do sol ajuda a regular o humor.
  3. Ouça música alegre ou assista a filmes que te façam rir. O riso libera endorfinas (hormônios do bem-estar).
  4. Escreva um diário de gratidão: Anote 3 coisas pelas quais você é grato todos os dias. Isso ajuda a focar no positivo.

  5. Para fadiga e cansaço:

  6. Faça pequenas pausas durante o dia (5 minutos a cada hora) para descansar.
  7. Beba água (a desidratação piora a fadiga).
  8. Coma alimentos energéticos (como banana, aveia e castanhas).

  9. Para dor crônica (fibromialgia, artrite):

  10. Aplique calor ou frio na região dolorida (bolsa de água quente ou gelo).
  11. Faça alongamentos suaves (yoga ou pilates ajudam).
  12. Massageie a região com óleos essenciais (como lavanda, que relaxa).

  13. Para insônia:

  14. Evite cafeína depois das 14h.
  15. Tome um chá calmante (camomila, maracujá) antes de dormir.
  16. Use técnicas de relaxamento (respiração diafragmática, meditação).

  17. Para memória e concentração:

  18. Faça palavras cruzadas ou jogos de memória (estimula o cérebro).
  19. Use lembretes no celular para tarefas importantes.
  20. Divida as tarefas em etapas menores (facilita a execução).

Lembre-se:
Não substitua o tratamento médico por essas dicas. Elas são complementares.
Se os sintomas piorarem, procure ajuda profissional.


6. “Como lidar com a vergonha de ter um transtorno mental?”

Muitas pessoas se sentem envergonhadas por terem sintomas psiquiátricos, especialmente quando eles são causados por uma doença física. Alguns motivos comuns:
“As pessoas vão pensar que estou louco.”
“Vão me tratar diferente.”
“Não quero ser um fardo para minha família.”

Como superar a vergonha?
1. Lembre-se: não é culpa sua.
– Assim como ninguém escolhe ter diabetes ou Parkinson, ninguém escolhe ter depressão ou ansiedade.
2. Informe-se sobre a doença.
– Entender que os sintomas têm uma causa biológica ajuda a reduzir a culpa.
3. Fale com pessoas de confiança.
– Escolha 1 ou 2 pessoas (amigos, familiares) para compartilhar o que está sentindo. Muitas vezes, elas não sabem como ajudar porque não entendem o que você está passando.
4. Procure grupos de apoio.
– Ver que outras pessoas passam pelo mesmo reduz a sensação de solidão.
5. Lembre-se: você não é seus sintomas.
– Ter depressão não faz de você uma pessoa “fraca”. Ter ansiedade não faz de você “dramático”. Você é muito mais do que sua doença.

Frase para se lembrar:
“Não tenho vergonha de ter uma doença. Tenho vergonha de não buscar ajuda por medo do que os outros vão pensar.”


7. “Como explicar para as crianças o que está acontecendo?”

Se você tem filhos e está passando por uma síndrome mental secundária, pode ser difícil explicar o que está acontecendo. Crianças percebem quando algo está errado, e não falar sobre isso pode deixá-las confusas e assustadas.

Dicas para conversar com crianças:
1. Use uma linguagem simples e honesta.
Para crianças pequenas (3-6 anos):
“O papai/mamãe está doente, mas não é uma doença que pega. Às vezes, ele fica triste ou cansado, mas os médicos estão ajudando.”
Para crianças maiores (7-12 anos):
“Meu cérebro está funcionando diferente por causa de uma doença no corpo. Por isso, às vezes fico irritado ou triste. Mas estou tomando remédios e fazendo terapia para melhorar.”
Para adolescentes:
“Estou com [nome da doença], que está afetando meu humor e minha energia. Não é frescura, nem falta de vontade. É como se meu cérebro estivesse ‘desregulado’ por causa da doença física. Estou me tratando, e conto com você para me apoiar.”

  1. Diga que não é culpa delas.
  2. Muitas crianças se culpam quando os pais estão doentes.
  3. “Isso não tem nada a ver com você. Você não fez nada de errado.”

  4. Explique como elas podem ajudar.

  5. “Você pode me ajudar fazendo [tarefa simples, como arrumar a cama ou me lembrar de tomar o remédio].”
  6. “Se você ficar preocupado, pode me perguntar como estou. Vou sempre te responder com sinceridade.”

  7. Use livros ou desenhos.

  8. Para crianças pequenas, livros infantis sobre doenças (como “O menino que tinha medo de errar”, sobre ansiedade) podem ajudar.
  9. Para crianças maiores, desenhos animados ou filmes (como “Divertida Mente”) podem ser uma forma leve de falar sobre emoções.

  10. Mantenha a rotina.

  11. Crianças se sentem seguras com rotinas previsíveis. Tente manter horários para refeições, escola e brincadeiras.

O que evitar:
Mentir ou esconder a doença (as crianças percebem quando algo está errado).
Sobrecarregá-las (não peça para elas “cuidarem” de você como um adulto).
Falar de forma assustadora (evite frases como “Pode ser que eu morra”).


8. “Como convencer alguém a procurar ajuda?”

Se você percebe que um familiar ou amigo está com sintomas de uma síndrome mental secundária, mas ele se recusa a procurar ajuda, pode ser frustrante. Algumas estratégias:

  1. Escolha o momento certo.
  2. Não tente conversar quando a pessoa estiver irritada, cansada ou na defensiva.
  3. Escolha um momento calmo, em que ela esteja receptiva.

  4. Use uma abordagem empática.

  5. Em vez de: “Você precisa se tratar, isso é frescura.”
  6. Diga: “Percebi que você anda muito cansado/triste/irritado. Será que não é bom fazer uns exames para ver se está tudo bem?”

  7. Fale sobre os sintomas, não sobre o diagnóstico.

  8. Muitas pessoas resistem a rótulos (como “depressão” ou “ansiedade”).
  9. Em vez de: “Acho que você está com depressão.”
  10. Diga: “Você anda dormindo mal, sem energia e sem vontade de fazer as coisas que gostava. Isso não é normal. Vamos ver o que está acontecendo?”

  11. Ofereça-se para ir junto.

  12. “Posso ir com você na consulta, se quiser.”
  13. “Vamos marcar juntos e eu te acompanho.”

  14. Use exemplos de pessoas conhecidas.

  15. “O fulano também teve esses sintomas e melhorou depois de tratar a tireoide. Vamos ver se não é algo parecido?”

  16. Se a pessoa estiver em negação, procure ajuda profissional.

  17. Se ela recusar ajuda mesmo com sintomas graves (como ideação suicida ou psicose), procure um psiquiatra ou o CAPS para orientação.
  18. Em casos extremos, pode ser necessário uma intervenção familiar (com ajuda de um profissional).

Lembre-se:
Não force a barra. Se a pessoa não estiver pronta, dê um tempo e tente novamente depois.
Não leve para o lado pessoal. A resistência em buscar ajuda não é contra você, mas contra a ideia de estar doente.


Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022. Disponível em: https://icd.who.int/
  2. American Psychiatric Association (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  3. Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  4. Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado em Saúde Mental. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  5. Clínica Psiquiátrica da USP. Clínica Psiquiátrica. 2ª ed. Barueri: Manole, 2011.
  6. Mayo Clinic. Mental illness: Symptoms & causes. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/
  7. National Institute of Mental Health (NIMH). Mental Health Information. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/
  8. ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer). Alzheimer: O que é, sintomas e tratamento. Disponível em: https://abraz.org.br/
  9. ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). Saúde Mental. Disponível em: https://www.abp.org.br/
  10. CVV (Centro de Valorização da Vida). Prevenção do suicídio. Disponível em: https://www.cvv.org.br/

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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