Transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas, incluindo quetamina e fenciclidina [PCP] (CID-11: 6C4D)

O que é?

Imagine que o seu cérebro é como um computador com vários programas rodando ao mesmo tempo. A quetamina e a PCP (fenciclidina) são como vírus que bagunçam esses programas, fazendo com que você perca a conexão entre o que está acontecendo de verdade e o que você está sentindo, vendo ou pensando. Essas drogas são chamadas de “dissociativas” porque elas literalmente “desconectam” partes do seu cérebro que normalmente trabalham juntas. É como se você estivesse assistindo à sua própria vida de fora do corpo, ou como se o mundo ao redor perdesse o sentido de realidade.

Quando alguém usa essas substâncias de forma repetida, o cérebro começa a se acostumar com essa bagunça e passa a funcionar de um jeito diferente mesmo quando a droga não está mais no corpo. Isso pode levar a problemas sérios: dificuldade para pensar com clareza, mudanças bruscas de humor, comportamentos perigosos (como se machucar sem perceber), e até mesmo sintomas parecidos com os da esquizofrenia, como ouvir vozes ou acreditar em coisas que não são reais. O diagnóstico de “transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas” é dado quando o uso dessas substâncias começa a causar sofrimento ou prejuízos na vida da pessoa, seja por intoxicação aguda (quando a droga está no corpo), dependência (quando o cérebro “pede” a droga para funcionar) ou por danos que persistem mesmo depois que a droga sai do organismo.

Essa condição não é a mesma coisa que uma “viagem” ocasional com drogas. Todo mundo já ouviu histórias de alguém que experimentou um alucinógeno uma vez e teve uma experiência estranha, mas voltou ao normal depois. O problema aqui é quando o uso se torna frequente, quando a pessoa não consegue mais controlar o quanto usa, ou quando os efeitos da droga começam a atrapalhar a vida de verdade: perder o emprego, brigar com a família, ter problemas de saúde, ou até mesmo se colocar em situações de risco sem perceber. É como se a droga deixasse de ser uma “experiência” e passasse a ser um problema que não dá para ignorar.

No Brasil, não temos dados muito precisos sobre quantas pessoas sofrem especificamente com transtornos por quetamina ou PCP, mas sabemos que o uso dessas drogas tem crescido, especialmente entre jovens. A quetamina, por exemplo, é usada em festas e raves, muitas vezes misturada com outras substâncias, o que aumenta os riscos. Já a PCP é menos comum aqui, mas ainda aparece em alguns contextos. O que chama atenção é que essas drogas são especialmente perigosas porque seus efeitos são imprevisíveis: uma dose que para uma pessoa pode causar uma sensação de relaxamento, para outra pode levar a um surto psicótico. Além disso, elas são mais comuns entre homens jovens (entre 18 e 30 anos), mas mulheres também são afetadas, especialmente em contextos de festas ou uso recreativo.

Historicamente, a quetamina foi desenvolvida nos anos 1960 como um anestésico para cirurgias, e até hoje é usada em hospitais para esse fim. Já a PCP foi criada na mesma época, mas logo foi abandonada para uso médico por causa dos seus efeitos colaterais graves. Ambas as drogas foram parar nas ruas e se tornaram populares em cenas de festas e entre grupos que buscam experiências “fora do corpo”. O problema é que, ao contrário do que muitos pensam, essas substâncias não são “inofensivas” ou “naturais”. Elas mexem com o cérebro de um jeito profundo e, em algumas pessoas, podem deixar marcas permanentes.


Quais são os sintomas?

Os sintomas dos transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas podem ser divididos em algumas categorias principais: intoxicação aguda (quando a droga está no corpo), dependência (quando o cérebro se acostuma com a droga e passa a “exigir” mais), sintomas psicóticos (como alucinações ou delírios), problemas de humor (depressão ou euforia exagerada) e danos físicos. Vamos explicar cada um deles com exemplos do dia a dia, para que você consiga identificar o que é normal e o que pode ser um sinal de alerta.

Intoxicação aguda (quando a droga está no corpo)

Quando alguém usa quetamina ou PCP, os efeitos começam rápido (em minutos) e podem durar horas. Durante esse período, a pessoa pode apresentar:

  1. Desconexão da realidade
  2. O que é: A pessoa sente como se estivesse “fora do corpo” ou como se o mundo ao redor não fosse real. É como assistir a um filme em que você é o personagem principal, mas não consegue controlar o que está acontecendo.
  3. Exemplo 1: João usou quetamina em uma festa e, de repente, sentiu que estava flutuando acima do próprio corpo, olhando para si mesmo de cima. Ele tentou falar, mas as palavras não saíam como ele queria, e teve a sensação de que o tempo estava passando mais devagar.
  4. Exemplo 2: Maria usou PCP e, durante a viagem, teve a impressão de que as paredes do quarto estavam se movendo e que os objetos tinham vida própria. Ela tentou tocar em uma cadeira, mas sua mão “passou” por ela, como se não fosse sólida.
  5. Normal vs. sintomático: É comum sentir tontura ou um pouco de confusão depois de beber álcool ou fumar maconha, mas na intoxicação por drogas dissociativas, a sensação é muito mais intensa e assustadora. A pessoa pode não reconhecer onde está, quem são as pessoas ao redor, ou até mesmo esquecer quem ela é.

  6. Alterações na percepção

  7. O que é: A pessoa vê, ouve ou sente coisas que não estão lá, ou distorce o que é real. Isso pode incluir alucinações (ver coisas que não existem), ilusões (interpretar errado o que está vendo) ou sinestesia (misturar sentidos, como “ouvir cores”).
  8. Exemplo 1: Pedro usou quetamina e começou a ver padrões geométricos coloridos nas paredes, mesmo com os olhos fechados. Ele também sentiu que podia “saborear” as cores que via, como se o azul tivesse gosto de limão.
  9. Exemplo 2: Ana usou PCP e ouviu vozes que pareciam vir de dentro da sua cabeça, dizendo coisas sem sentido ou ameaçadoras. Ela também sentiu que seu corpo estava se transformando em pedra, e teve medo de não conseguir se mexer.
  10. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve a sensação de ouvir o telefone tocar quando não tocou, ou ver um vulto no escuro e depois perceber que era só uma sombra. Mas na intoxicação por drogas dissociativas, essas experiências são muito mais vívidas, assustadoras e difíceis de ignorar. A pessoa pode acreditar que as alucinações são reais e agir com base nelas, como tentar fugir de algo que não existe.

  11. Comportamentos agressivos ou imprevisíveis

  12. O que é: A pessoa pode ficar violenta, agitada ou fazer coisas perigosas sem perceber o risco. Isso acontece porque a droga afeta a parte do cérebro que controla os impulsos e o julgamento.
  13. Exemplo 1: Lucas usou PCP e, de repente, começou a gritar com os amigos, acusando-os de estarem “contra ele”. Ele quebrou objetos na casa e tentou pular da janela, achando que podia voar.
  14. Exemplo 2: Carla usou quetamina e, durante a viagem, sentiu uma raiva inexplicável. Ela começou a discutir com estranhos na rua e quase entrou em uma briga física, mesmo sendo uma pessoa tranquila quando não está sob efeito.
  15. Normal vs. sintomático: Todo mundo fica irritado ou impulsivo às vezes, especialmente depois de uma noite mal dormida ou de um dia estressante. Mas na intoxicação por drogas dissociativas, a agressividade é desproporcional, sem motivo aparente, e a pessoa pode não se lembrar do que fez depois que o efeito passa.

  16. Problemas de coordenação e fala

  17. O que é: A pessoa pode ter dificuldade para andar, falar ou segurar objetos, como se estivesse bêbada ou dopada. Isso acontece porque a droga afeta o cerebelo, a parte do cérebro responsável pelo equilíbrio e movimentos.
  18. Exemplo 1: Rafael usou quetamina e, ao tentar se levantar, caiu no chão porque suas pernas “não obedeciam”. Ele também teve dificuldade para formar frases, misturando as palavras ou falando de forma arrastada.
  19. Exemplo 2: Juliana usou PCP e, ao tentar pegar um copo de água, derrubou tudo porque suas mãos tremiam muito. Ela também gaguejava e repetia as mesmas palavras várias vezes.
  20. Normal vs. sintomático: É comum tropeçar ou falar enrolado depois de beber muito álcool, mas na intoxicação por drogas dissociativas, os sintomas são mais intensos e podem durar horas. A pessoa pode até mesmo perder a capacidade de se mover ou falar por um tempo.

  21. Ansiedade ou pânico

  22. O que é: A pessoa pode sentir um medo intenso, como se algo muito ruim estivesse prestes a acontecer, mesmo sem motivo real. Isso é chamado de “bad trip” (viagem ruim) e pode ser extremamente assustador.
  23. Exemplo 1: Thiago usou quetamina e, de repente, sentiu que estava morrendo. Seu coração acelerou, ele começou a suar frio e teve certeza de que não ia sobreviver. Ele tentou pedir ajuda, mas não conseguia falar.
  24. Exemplo 2: Fernanda usou PCP e entrou em pânico ao perceber que não conseguia se mexer. Ela achou que estava paralisada para sempre e começou a chorar desesperadamente, mesmo estando em um lugar seguro.
  25. Normal vs. sintomático: Todo mundo já sentiu ansiedade em situações de estresse, como antes de uma prova ou de uma apresentação. Mas na intoxicação por drogas dissociativas, o pânico é avassalador e pode levar a pessoa a fazer coisas perigosas, como correr para a rua ou se machucar.

Dependência (quando o cérebro se acostuma com a droga)

Com o uso repetido, o cérebro começa a se adaptar à presença da droga e passa a “exigir” mais para funcionar normalmente. Isso é chamado de dependência, e pode se manifestar de várias formas:

  1. Tolerância
  2. O que é: A pessoa precisa de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito. É como se o cérebro “se acostumasse” com a droga e parasse de reagir a ela.
  3. Exemplo 1: No começo, Marcos usava 50 mg de quetamina para se sentir “alto”. Depois de alguns meses, essa mesma dose não fazia mais efeito, e ele precisou aumentar para 100 mg, depois para 200 mg.
  4. Exemplo 2: Clara começou usando PCP uma vez por mês, mas com o tempo passou a usar toda semana, e depois todos os dias, porque o efeito não durava mais.
  5. Normal vs. sintomático: É normal que o corpo se acostume com algumas substâncias, como café ou álcool, e que a pessoa precise de mais para sentir o mesmo efeito. Mas na dependência de drogas dissociativas, esse aumento é rápido e perigoso, porque as doses altas podem causar overdose ou danos permanentes ao cérebro.

  6. Síndrome de abstinência

  7. O que é: Quando a pessoa para de usar a droga, o corpo reage com sintomas físicos e emocionais desagradáveis, como se estivesse “pedindo” a substância de volta.
  8. Exemplo 1: Depois de parar de usar quetamina, Pedro sentiu dores no corpo, tremores, suor frio e uma ansiedade tão forte que não conseguia dormir. Ele também teve pesadelos vívidos e se sentiu deprimido.
  9. Exemplo 2: Ana tentou parar de usar PCP, mas nos primeiros dias teve crises de choro, irritabilidade e uma vontade incontrolável de usar novamente. Ela também sentiu dores de cabeça e náuseas.
  10. Normal vs. sintomático: Todo mundo já sentiu mal-estar depois de parar de tomar café ou de fumar, mas na abstinência de drogas dissociativas, os sintomas são mais intensos e podem durar semanas. Além disso, a pessoa pode ter sintomas psicológicos graves, como depressão ou pensamentos suicidas.

  11. Dificuldade para controlar o uso

  12. O que é: A pessoa tenta parar ou reduzir o uso, mas não consegue, mesmo sabendo que a droga está causando problemas.
  13. Exemplo 1: Lucas prometeu para a família que ia parar de usar quetamina, mas toda vez que via os amigos, acabava usando de novo. Ele se sentia culpado, mas não conseguia resistir.
  14. Exemplo 2: Mariana queria parar de usar PCP porque estava tendo problemas no trabalho, mas sempre encontrava uma desculpa para usar “só mais uma vez”. Ela perdia o controle e acabava usando mais do que pretendia.
  15. Normal vs. sintomático: Todo mundo já quebrou uma promessa de dieta ou de parar de fumar, mas na dependência, a pessoa perde o controle de verdade. Ela pode até querer parar, mas o cérebro “sabota” essa decisão, fazendo com que ela use mesmo quando não quer.

  16. Negligência de outras áreas da vida

  17. O que é: A pessoa passa a priorizar a droga em detrimento de outras coisas importantes, como trabalho, estudos, família ou saúde.
  18. Exemplo 1: Depois que começou a usar quetamina, Rodrigo parou de ir ao trabalho e perdeu o emprego. Ele também deixou de lado os amigos e a família, passando os dias trancado no quarto usando a droga.
  19. Exemplo 2: Carla abandonou a faculdade porque não conseguia se concentrar nas aulas. Ela também parou de cuidar da saúde, deixando de comer direito e de tomar os remédios que precisava.
  20. Normal vs. sintomático: Todo mundo já deixou de fazer algo importante por preguiça ou desânimo, mas na dependência, a droga se torna a prioridade número um. A pessoa pode até saber que está prejudicando a própria vida, mas não consegue parar.

Sintomas psicóticos (alucinações e delírios)

Em algumas pessoas, o uso de drogas dissociativas pode desencadear sintomas psicóticos, que são semelhantes aos da esquizofrenia. Esses sintomas podem acontecer durante a intoxicação ou persistir mesmo depois que a droga sai do corpo:

  1. Alucinações
  2. O que é: A pessoa vê, ouve ou sente coisas que não existem. As alucinações mais comuns são auditivas (ouvir vozes) e visuais (ver coisas que não estão lá).
  3. Exemplo 1: Depois de usar quetamina, João começou a ouvir vozes que o mandavam se machucar. Ele também via sombras se movendo nas paredes, mesmo sabendo que não eram reais.
  4. Exemplo 2: Maria usou PCP e, dias depois, ainda ouvia uma voz que a acusava de coisas que ela não tinha feito. Ela também sentia insetos rastejando na sua pele, mesmo sem ter nada lá.
  5. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve a sensação de ouvir o próprio nome sendo chamado ou ver um vulto no escuro, mas na psicose induzida por drogas, as alucinações são persistentes, vívidas e assustadoras. A pessoa pode acreditar que elas são reais e agir com base nelas.

  6. Delírios

  7. O que é: A pessoa acredita em coisas que não são verdadeiras, mesmo quando há provas do contrário. Os delírios mais comuns são de perseguição (achar que alguém está atrás dela) ou de grandeza (achar que tem poderes especiais).
  8. Exemplo 1: Pedro usou quetamina e, depois, passou a acreditar que os vizinhos estavam espionando ele. Ele trancou todas as portas e janelas e se recusava a sair de casa.
  9. Exemplo 2: Ana usou PCP e começou a achar que era uma enviada de Deus com a missão de salvar o mundo. Ela tentou convencer os amigos a segui-la em uma “missão divina”.
  10. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve uma ideia estranha ou supersticiosa, como achar que um trevo de quatro folhas dá sorte. Mas nos delírios, a pessoa acredita piamente em algo que não faz sentido, mesmo quando há provas de que é mentira.

  11. Pensamento desorganizado

  12. O que é: A pessoa tem dificuldade para organizar as ideias e falar de forma coerente. É como se os pensamentos estivessem “soltos” e não fizessem sentido juntos.
  13. Exemplo 1: Depois de usar quetamina, Lucas tentava contar uma história, mas pulava de um assunto para outro sem conexão. Ele também usava palavras inventadas ou repetia as mesmas frases várias vezes.
  14. Exemplo 2: Carla usou PCP e, ao tentar explicar o que estava sentindo, misturava ideias sem lógica. Ela dizia coisas como: “O céu está me chamando, mas o gato comeu o relógio”.
  15. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve dificuldade para se expressar quando está cansado ou nervoso, mas no pensamento desorganizado, a pessoa não consegue formar frases que façam sentido, mesmo quando está calma.

Problemas de humor

O uso de drogas dissociativas também pode causar alterações no humor, como depressão ou euforia exagerada:

  1. Depressão
  2. O que é: A pessoa se sente triste, sem energia e sem vontade de fazer nada, mesmo quando não há motivo aparente.
  3. Exemplo 1: Depois de parar de usar quetamina, João se sentiu tão deprimido que não conseguia sair da cama. Ele perdeu o interesse em tudo o que gostava e passou a ter pensamentos suicidas.
  4. Exemplo 2: Maria usou PCP por um tempo e, depois, entrou em uma depressão profunda. Ela chorava sem motivo, se sentia culpada e achava que não merecia ser feliz.
  5. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve dias ruins, mas na depressão induzida por drogas, os sintomas são intensos e duram semanas ou meses. A pessoa pode ter dificuldade para trabalhar, estudar ou cuidar de si mesma.

  6. Euforia exagerada

  7. O que é: A pessoa se sente extremamente feliz, cheia de energia e invencível, mesmo sem motivo real.
  8. Exemplo 1: Pedro usou quetamina e, durante a viagem, se sentiu como se pudesse voar. Ele ria sem parar e achava que tudo era engraçado, mesmo quando não era.
  9. Exemplo 2: Ana usou PCP e entrou em um estado de euforia tão intenso que começou a falar sem parar e a fazer planos impossíveis, como “comprar a Lua”.
  10. Normal vs. sintomático: Todo mundo já se sentiu feliz depois de uma conquista ou de um momento especial, mas na euforia exagerada, a pessoa perde o contato com a realidade e pode fazer coisas perigosas, como gastar todo o dinheiro ou se colocar em situações de risco.

Danos físicos

Além dos sintomas psicológicos, o uso de drogas dissociativas pode causar danos físicos graves:

  1. Problemas urinários (cistite ulcerativa)
  2. O que é: A quetamina pode causar inflamação e danos na bexiga, levando a dores intensas, sangue na urina e dificuldade para urinar.
  3. Exemplo: Depois de usar quetamina por alguns meses, Lucas começou a sentir dores fortes na bexiga e a urinar sangue. Ele também tinha vontade de ir ao banheiro o tempo todo, mesmo quando não tinha nada para eliminar.
  4. Normal vs. sintomático: Todo mundo já sentiu dor ao urinar depois de uma infecção urinária, mas na cistite ulcerativa, os sintomas são crônicos e podem levar à perda da função da bexiga.

  5. Problemas no fígado e nos rins

  6. O que é: O uso prolongado de quetamina ou PCP pode sobrecarregar o fígado e os rins, levando a danos permanentes.
  7. Exemplo: Carla usou quetamina por anos e desenvolveu problemas no fígado, como icterícia (pele e olhos amarelados) e inchaço na barriga. Ela também teve insuficiência renal e precisou fazer hemodiálise.
  8. Normal vs. sintomático: Todo mundo já teve uma ressaca depois de beber muito, mas os danos no fígado e nos rins causados por drogas dissociativas são permanentes e podem levar à morte.

  9. Problemas cardíacos

  10. O que é: A PCP pode causar aumento da pressão arterial, arritmias e até parada cardíaca.
  11. Exemplo: João usou PCP e, durante a viagem, sentiu o coração disparar. Ele teve uma arritmia e precisou ser internado na UTI.
  12. Normal vs. sintomático: Todo mundo já sentiu o coração acelerar depois de um susto ou de um exercício intenso, mas na intoxicação por PCP, os sintomas são perigosos e podem levar à morte.

  13. Danos cerebrais

  14. O que é: O uso prolongado de drogas dissociativas pode causar danos permanentes no cérebro, levando a problemas de memória, atenção e raciocínio.
  15. Exemplo: Depois de anos usando quetamina, Maria começou a ter dificuldade para se lembrar de coisas simples, como o nome dos amigos ou onde deixou as chaves. Ela também tinha dificuldade para se concentrar no trabalho.
  16. Normal vs. sintomático: Todo mundo já esqueceu onde deixou o celular ou teve dificuldade para se concentrar depois de uma noite mal dormida, mas os danos cerebrais causados por drogas dissociativas são permanentes e podem piorar com o tempo.

Importante: Ter um ou dois desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha um transtorno devido ao uso de drogas dissociativas. O que importa é o conjunto de sintomas, a intensidade deles, a duração e o impacto na vida. Por exemplo, sentir tontura depois de usar quetamina uma vez não é um transtorno, mas se a pessoa usa a droga todos os dias, perde o emprego por causa disso e desenvolve alucinações, aí sim pode ser um sinal de que algo está errado. Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, procure ajuda de um profissional de saúde mental.


Como se manifesta no dia a dia?

Os transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas não afetam só a pessoa que usa a substância — eles bagunçam toda a vida dela e das pessoas ao redor. Vamos ver como isso aparece no trabalho, nos relacionamentos, na rotina e na saúde física.

No trabalho ou na escola

Imagine que o seu cérebro é como um escritório onde várias tarefas precisam ser feitas ao mesmo tempo: responder e-mails, atender telefonemas, organizar arquivos, etc. Quando alguém usa drogas dissociativas com frequência, é como se esse escritório fosse invadido por um vírus que desliga os computadores, bagunça os papéis e faz os funcionários agirem de forma estranha. No trabalho ou na escola, isso pode aparecer de várias formas:

  1. Falta de concentração
  2. O que acontece: A pessoa não consegue se concentrar em uma tarefa por muito tempo. É como tentar ler um livro enquanto alguém grita no seu ouvido.
  3. Exemplo: João trabalhava em um escritório e, depois que começou a usar quetamina, não conseguia mais terminar os relatórios. Ele lia a mesma frase várias vezes e não entendia o que estava escrito. No fim do dia, tinha feito muito pouco e precisava levar trabalho para casa.
  4. Exemplo 2: Maria era estudante de medicina e, depois de usar PCP, não conseguia mais prestar atenção nas aulas. Ela olhava para o professor, mas sua mente viajava para outros lugares, e ela não absorvia nada do que era ensinado.

  5. Esquecimento frequente

  6. O que acontece: A pessoa esquece compromissos, prazos ou até mesmo o que acabou de fazer. É como se o cérebro tivesse um “bug” e não salvasse as informações direito.
  7. Exemplo: Pedro era programador e, depois de usar quetamina, começou a esquecer reuniões importantes. Ele também perdia arquivos no computador e precisava refazer o trabalho várias vezes.
  8. Exemplo 2: Ana trabalhava em uma loja e, depois de usar PCP, esquecia onde tinha guardado as chaves do caixa ou o que os clientes tinham pedido. Ela também esquecia de passar troco e causava confusão.

  9. Faltas ou atrasos frequentes

  10. O que acontece: A pessoa passa a faltar ao trabalho ou à escola sem motivo, ou chega atrasada com frequência. Isso pode acontecer porque ela está sob efeito da droga, porque está com ressaca ou porque simplesmente não tem energia para sair de casa.
  11. Exemplo: Lucas era professor e, depois que começou a usar quetamina, passou a faltar às aulas sem avisar. Ele também chegava atrasado e, às vezes, nem aparecia. Os alunos começaram a reclamar, e ele acabou sendo demitido.
  12. Exemplo 2: Carla era estudante e, depois de usar PCP, parou de ir às aulas. Ela passava os dias trancada no quarto usando a droga e, quando ia à faculdade, chegava atrasada e não conseguia acompanhar a matéria.

  13. Queda no desempenho

  14. O que acontece: A qualidade do trabalho ou das notas cai drasticamente. É como se a pessoa estivesse “funcionando no automático”, sem conseguir dar o melhor de si.
  15. Exemplo: Rafael era designer e, depois de usar quetamina, seus projetos ficaram cada vez piores. Ele entregava trabalhos incompletos, com erros básicos, e os clientes começaram a reclamar.
  16. Exemplo 2: Juliana era uma aluna nota 10, mas depois de usar PCP, suas notas caíram. Ela não conseguia mais estudar e tirava notas baixas nas provas, mesmo sabendo a matéria.

  17. Comportamentos inadequados

  18. O que acontece: A pessoa pode agir de forma estranha ou agressiva no trabalho ou na escola, especialmente se estiver sob efeito da droga.
  19. Exemplo: Thiago trabalhava em um banco e, depois de usar quetamina, começou a discutir com os colegas sem motivo. Ele também fazia piadas inapropriadas com os clientes e quase foi demitido.
  20. Exemplo 2: Fernanda era estudante e, depois de usar PCP, começou a gritar com os professores durante as aulas. Ela também se isolava dos colegas e não participava das atividades em grupo.

Nos relacionamentos

Os relacionamentos são como plantas: precisam de cuidado, atenção e água para crescer. Quando alguém usa drogas dissociativas com frequência, é como se essa planta fosse regada com algo que a envenena aos poucos. Os relacionamentos começam a murchar, e as pessoas ao redor se sentem magoadas, confusas ou até mesmo com medo. Veja como isso acontece:

  1. Isolamento
  2. O que acontece: A pessoa passa a se afastar da família e dos amigos, preferindo ficar sozinha ou com outras pessoas que também usam drogas.
  3. Exemplo: Depois que começou a usar quetamina, João parou de atender as ligações dos pais e não ia mais aos almoços de família. Ele também deixou de sair com os amigos antigos e passou a frequentar apenas festas onde sabia que teria acesso à droga.
  4. Exemplo 2: Maria era muito próxima da irmã, mas depois de usar PCP, passou a evitá-la. Ela inventava desculpas para não sair de casa e, quando a irmã ia visitá-la, trancava-se no quarto.

  5. Brigas frequentes

  6. O que acontece: A pessoa fica irritada, impaciente ou agressiva com facilidade, levando a discussões constantes.
  7. Exemplo: Pedro e a namorada sempre tiveram uma relação tranquila, mas depois que ele começou a usar quetamina, passou a brigar por qualquer coisa. Ele gritava com ela sem motivo e, às vezes, a empurrava durante as discussões.
  8. Exemplo 2: Carla morava com os pais e, depois de usar PCP, começou a discutir com eles todos os dias. Ela acusava os pais de estarem “contra ela” e, em uma briga, quebrou objetos da casa.

  9. Mentiras e desconfiança

  10. O que acontece: A pessoa mente para esconder o uso da droga ou para conseguir dinheiro para comprá-la. Isso gera desconfiança e quebra a confiança nos relacionamentos.
  11. Exemplo: Lucas sempre foi honesto com a esposa, mas depois que começou a usar quetamina, passou a mentir sobre onde estava e com quem. Ele também pedia dinheiro emprestado e não devolvia, inventando desculpas.
  12. Exemplo 2: Ana era muito próxima da mãe, mas depois de usar PCP, passou a esconder coisas dela. Ela mentia sobre onde estava e, quando a mãe descobria, ficava agressiva e acusava-a de “se meter na sua vida”.

  13. Falta de empatia

  14. O que acontece: A pessoa passa a não se importar com os sentimentos dos outros, agindo de forma egoísta ou fria.
  15. Exemplo: Rafael sempre foi carinhoso com a namorada, mas depois que começou a usar quetamina, passou a ignorar os sentimentos dela. Ele não perguntava como ela estava e, quando ela chorava, ria e dizia que era “frescura”.
  16. Exemplo 2: Juliana era muito próxima do irmão, mas depois de usar PCP, passou a tratá-lo com indiferença. Ela não se importava quando ele estava triste e, às vezes, fazia piadas sobre os problemas dele.

  17. Violência

  18. O que acontece: Em alguns casos, a pessoa pode se tornar violenta com as pessoas ao redor, especialmente se estiver sob efeito da droga.
  19. Exemplo: Thiago sempre foi tranquilo, mas depois de usar quetamina, passou a agredir fisicamente a esposa. Ele a empurrava, batia nela e, em uma ocasião, a trancou no quarto.
  20. Exemplo 2: Fernanda era uma pessoa calma, mas depois de usar PCP, começou a agredir verbalmente a mãe. Ela gritava, xingava e, em uma discussão, jogou um prato na parede perto da cabeça dela.

Na rotina

A rotina é como um trem que segue um trilho: se algo desvia esse trem, ele pode sair dos trilhos e causar um acidente. Quando alguém usa drogas dissociativas com frequência, é como se esse trem perdesse o controle, e a rotina da pessoa vira uma bagunça. Veja como isso acontece:

  1. Sono desregulado
  2. O que acontece: A pessoa passa a dormir em horários estranhos, dorme demais ou de menos, e acorda cansada.
  3. Exemplo: Depois que começou a usar quetamina, João passou a dormir durante o dia e ficar acordado à noite. Ele ia dormir às 6 da manhã e acordava às 3 da tarde, sentindo-se cansado o tempo todo.
  4. Exemplo 2: Maria sempre teve um sono tranquilo, mas depois de usar PCP, passou a ter insônia. Ela ficava acordada até de madrugada e, quando dormia, tinha pesadelos.

  5. Alimentação desregulada

  6. O que acontece: A pessoa perde o apetite ou come em excesso, especialmente alimentos pouco saudáveis.
  7. Exemplo: Pedro sempre foi magro, mas depois de usar quetamina, perdeu muito peso. Ele pulava refeições e, quando comia, escolhia alimentos gordurosos e doces.
  8. Exemplo 2: Carla sempre teve uma alimentação equilibrada, mas depois de usar PCP, passou a comer compulsivamente. Ela devorava pacotes de biscoito e refrigerante, e ganhou muito peso em pouco tempo.

  9. Falta de higiene

  10. O que acontece: A pessoa para de cuidar da higiene pessoal, como tomar banho, escovar os dentes ou trocar de roupa.
  11. Exemplo: Lucas sempre foi vaidoso, mas depois de usar quetamina, parou de tomar banho e de escovar os dentes. Ele também usava as mesmas roupas por dias seguidos e não cortava o cabelo.
  12. Exemplo 2: Ana sempre foi cuidadosa com a aparência, mas depois de usar PCP, passou a se descuidar. Ela não lavava o rosto, não passava desodorante e, às vezes, nem trocava de roupa.

  13. Falta de lazer

  14. O que acontece: A pessoa perde o interesse em atividades que antes gostava, como esportes, hobbies ou sair com amigos.
  15. Exemplo: Rafael adorava jogar futebol, mas depois de usar quetamina, parou de ir aos treinos. Ele também deixou de lado os videogames e os livros que gostava.
  16. Exemplo 2: Juliana sempre gostou de pintar, mas depois de usar PCP, parou de fazer isso. Ela também deixou de sair com as amigas e passava os dias trancada no quarto.

  17. Desorganização

  18. O que acontece: A pessoa não consegue mais organizar a própria vida, deixando tarefas acumularem e espaços bagunçados.
  19. Exemplo: Thiago sempre foi organizado, mas depois de usar quetamina, sua casa virou uma bagunça. Ele deixava pratos sujos na pia, roupas espalhadas pelo chão e não pagava as contas em dia.
  20. Exemplo 2: Fernanda sempre foi cuidadosa com as finanças, mas depois de usar PCP, passou a gastar dinheiro sem controle. Ela comprava coisas que não precisava e deixava de pagar contas importantes.

Na saúde física

O corpo é como um carro: se você não cuidar dele, ele começa a dar problemas. Quando alguém usa drogas dissociativas com frequência, é como se esse carro fosse abastecido com combustível de má qualidade — ele até funciona por um tempo, mas aos poucos vai se deteriorando. Veja como isso acontece:

  1. Dores constantes
  2. O que acontece: A pessoa passa a sentir dores no corpo, especialmente na bexiga, no estômago e na cabeça.
  3. Exemplo: Depois de usar quetamina por alguns meses, João começou a sentir dores fortes na bexiga. Ele ia ao banheiro a cada 10 minutos e, às vezes, urinava sangue.
  4. Exemplo 2: Maria sempre teve enxaqueca, mas depois de usar PCP, as dores de cabeça ficaram mais frequentes e intensas. Ela também sentia dores no estômago e náuseas.

  5. Problemas digestivos

  6. O que acontece: A pessoa pode ter diarreia, prisão de ventre, náuseas ou vômitos frequentes.
  7. Exemplo: Pedro sempre teve um estômago forte, mas depois de usar quetamina, passou a ter diarreia constante. Ele também sentia náuseas e, às vezes, vomitava.
  8. Exemplo 2: Carla sempre teve uma digestão tranquila, mas depois de usar PCP, passou a ter prisão de ventre. Ela também sentia azia e queimação no estômago.

  9. Problemas cardíacos

  10. O que acontece: A pessoa pode ter palpitações, pressão alta ou até mesmo um infarto.
  11. Exemplo: Lucas sempre teve um coração saudável, mas depois de usar quetamina, passou a sentir o coração disparar. Ele também tinha tonturas e, em uma ocasião, desmaiou.
  12. Exemplo 2: Ana sempre teve pressão baixa, mas depois de usar PCP, passou a ter pressão alta. Ela também sentia dores no peito e falta de ar.

  13. Problemas respiratórios

  14. O que acontece: A pessoa pode ter dificuldade para respirar, tosse constante ou até mesmo uma parada respiratória.
  15. Exemplo: Rafael sempre teve pulmões saudáveis, mas depois de usar quetamina, passou a ter falta de ar. Ele também tossia muito e, às vezes, sentia que não conseguia respirar.
  16. Exemplo 2: Juliana sempre foi saudável, mas depois de usar PCP, passou a ter crises de asma. Ela também sentia o peito apertado e, em uma ocasião, precisou ser internada.

  17. Problemas neurológicos

  18. O que acontece: A pessoa pode ter tremores, convulsões ou até mesmo um AVC.
  19. Exemplo: Thiago sempre foi saudável, mas depois de usar quetamina, passou a ter tremores nas mãos. Ele também tinha dificuldade para andar e, em uma ocasião, teve uma convulsão.
  20. Exemplo 2: Fernanda sempre foi tranquila, mas depois de usar PCP, passou a ter movimentos involuntários. Ela também tinha dificuldade para falar e, em uma ocasião, teve um AVC.

O que causa essa condição?

Entender as causas dos transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas é como montar um quebra-cabeça: cada peça representa um fator diferente, e só quando juntamos todas elas é que conseguimos ver a imagem completa. Não existe uma única causa — é sempre uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais. Vamos entender cada uma dessas peças.

Fatores genéticos

Imagine que o seu cérebro é como um computador com um sistema operacional. Esse sistema é programado pelos seus genes, que são como o “código-fonte” que define como você vai reagir a diferentes situações. Algumas pessoas nascem com um “código” que as torna mais vulneráveis a desenvolver dependência de drogas, incluindo as dissociativas. Isso não significa que elas vão, necessariamente, ter problemas com drogas, mas que têm uma predisposição maior.

Por exemplo: se seus pais ou avós tiveram problemas com álcool ou outras drogas, você pode ter herdado genes que tornam o seu cérebro mais sensível aos efeitos da quetamina ou da PCP. Isso não é uma sentença, mas uma probabilidade maior. É como se você nascesse com um “freio” mais fraco para controlar os impulsos ou com uma tendência maior a buscar sensações intensas. Estudos mostram que até 50% do risco de desenvolver dependência de drogas pode ser explicado por fatores genéticos.

Mas atenção: ter uma predisposição genética não significa que você está condenado. É como ter uma tendência a engordar — se você cuidar da alimentação e se exercitar, pode manter um peso saudável. Da mesma forma, se você sabe que tem uma predisposição a problemas com drogas, pode tomar cuidados extras para evitar o uso ou buscar ajuda mais cedo se perceber que está perdendo o controle.

Fatores neurobiológicos

O cérebro é como uma orquestra: vários instrumentos (neurônios) tocam juntos para criar uma sinfonia harmoniosa. As drogas dissociativas são como um maestro ruim que bagunça essa orquestra, fazendo com que alguns instrumentos toquem alto demais, outros fiquem mudos, e o resultado seja uma cacofonia. Vamos entender como isso acontece.

  1. Sistema de recompensa
  2. O que é: O cérebro tem um sistema de recompensa que nos faz sentir prazer quando fazemos coisas boas para a sobrevivência, como comer, beber água ou ter relações sexuais. Esse sistema libera um neurotransmissor chamado dopamina, que é como um “prêmio” para o cérebro.
  3. Como as drogas afetam: A quetamina e a PCP “hackeiam” esse sistema, fazendo com que ele libere dopamina em quantidades muito maiores do que o normal. É como se você ganhasse um prêmio de R$ 1 milhão toda vez que comesse um pedaço de pão — o cérebro fica confuso e passa a “exigir” mais da droga para sentir o mesmo prazer.
  4. Exemplo: Imagine que você está com sede e bebe um copo de água. Seu cérebro libera um pouco de dopamina e você se sente bem. Agora, imagine que, em vez de água, você toma um gole de quetamina. Seu cérebro libera uma quantidade enorme de dopamina, e você se sente eufórico. Com o tempo, o cérebro se acostuma com essa quantidade e passa a “exigir” mais droga para sentir o mesmo efeito.

  5. Glutamato e NMDA

  6. O que é: O glutamato é um neurotransmissor que ajuda na comunicação entre os neurônios, especialmente nas áreas do cérebro responsáveis pela memória, aprendizado e percepção. Ele age em receptores chamados NMDA.
  7. Como as drogas afetam: A quetamina e a PCP bloqueiam os receptores NMDA, como se desligassem um interruptor importante no cérebro. Isso causa a sensação de “desconexão” da realidade e também pode levar a danos permanentes nas células cerebrais.
  8. Exemplo: Imagine que o seu cérebro é uma cidade e os neurônios são as pessoas que moram nela. O glutamato é como o sistema de transporte que leva as pessoas de um lugar para outro. Quando a quetamina ou a PCP bloqueiam os receptores NMDA, é como se as estradas fossem fechadas — as pessoas não conseguem mais se comunicar direito, e a cidade fica bagunçada.

  9. Plasticidade cerebral

  10. O que é: O cérebro tem a capacidade de se adaptar e mudar ao longo da vida, um processo chamado de plasticidade cerebral. Isso é bom quando aprendemos coisas novas, mas pode ser ruim quando o cérebro se adapta ao uso de drogas.
  11. Como as drogas afetam: Com o uso repetido de quetamina ou PCP, o cérebro se “acostuma” com a presença da droga e passa a funcionar de um jeito diferente. É como se ele “aprendesse” que precisa da droga para funcionar normalmente, e quando ela não está presente, entra em desespero.
  12. Exemplo: Imagine que você está acostumado a dirigir um carro com câmbio automático. Se um dia você precisar dirigir um carro com câmbio manual, vai ter dificuldade no começo, mas com o tempo, seu cérebro se adapta. Agora, imagine que você usa quetamina todos os dias. Seu cérebro se adapta a funcionar com a droga e, quando você para de usar, é como se tivesse que dirigir um carro com câmbio manual de novo — tudo parece difícil e desconfortável.

Fatores ambientais

O ambiente em que vivemos é como o solo onde uma planta cresce: se o solo for fértil e bem cuidado, a planta vai crescer forte e saudável. Mas se o solo for pobre ou contaminado, a planta pode crescer fraca ou doente. Da mesma forma, o ambiente em que uma pessoa cresce e vive pode aumentar ou diminuir o risco de desenvolver problemas com drogas dissociativas.

  1. Família
  2. Como influencia: Se a pessoa cresce em uma família onde o uso de drogas é normalizado (por exemplo, pais que usam drogas ou álcool com frequência), ela pode achar que isso é algo aceitável e repetir o comportamento. Por outro lado, famílias que conversam abertamente sobre os riscos das drogas e oferecem apoio emocional podem proteger a pessoa.
  3. Exemplo: João cresceu em uma casa onde o pai bebia todos os dias e a mãe usava remédios para dormir. Para ele, o uso de substâncias sempre pareceu algo normal. Quando começou a usar quetamina, não viu problema nisso, porque era algo que já fazia parte do seu cotidiano.
  4. Exemplo 2: Maria cresceu em uma família onde os pais conversavam abertamente sobre os perigos das drogas. Quando seus amigos ofereceram PCP, ela recusou porque sabia dos riscos e tinha confiança para dizer não.

  5. Amigos e grupos sociais

  6. Como influencia: Se a pessoa convive com amigos que usam drogas, ela tem mais chances de experimentar e continuar usando. Isso acontece por pressão social (“todo mundo está usando, por que você não?”) ou por curiosidade.
  7. Exemplo: Pedro sempre foi um aluno tranquilo, mas quando entrou na faculdade, começou a sair com um grupo que usava quetamina em festas. No começo, ele recusava, mas depois de um tempo, começou a usar para “pertencer” ao grupo.
  8. Exemplo 2: Ana sempre teve amigos que não usavam drogas, mas quando começou a trabalhar em um ambiente onde o uso de PCP era comum, acabou experimentando por curiosidade. Depois de algumas vezes, não conseguiu mais parar.

  9. Estresse e traumas

  10. Como influencia: Situações de estresse extremo, como abuso, violência, bullying ou perdas importantes, podem levar a pessoa a usar drogas como uma forma de “fugir” da realidade. É como se a droga fosse um “analgésico emocional” que alivia a dor por um tempo, mas depois deixa tudo pior.
  11. Exemplo: Lucas sofreu bullying na escola e, quando entrou na adolescência, começou a usar quetamina para “esquecer” os problemas. No começo, a droga o fazia se sentir melhor, mas com o tempo, ele desenvolveu dependência e os problemas só aumentaram.
  12. Exemplo 2: Carla perdeu a mãe em um acidente de carro e, para lidar com a dor, começou a usar PCP. A droga a fazia se sentir “desconectada” da realidade, o que aliviava o sofrimento por um tempo, mas depois a deixava ainda mais deprimida.

  13. Disponibilidade da droga

  14. Como influencia: Se a droga é fácil de conseguir (por exemplo, em festas, na faculdade ou no trabalho), a pessoa tem mais chances de experimentar e continuar usando.
  15. Exemplo: Rafael trabalhava em um hospital e tinha acesso fácil à quetamina, que é usada como anestésico. No começo, ele usava só para “relaxar” depois do trabalho, mas com o tempo, passou a usar todos os dias.
  16. Exemplo 2: Juliana morava perto de uma “biqueira” (ponto de venda de drogas) e, por curiosidade, comprou PCP. Como era fácil de conseguir, ela continuou usando e desenvolveu dependência.

Fatores da gestação e desenvolvimento

O cérebro começa a se desenvolver ainda na barriga da mãe e continua se formando até o início da vida adulta. Se algo interfere nesse processo, pode aumentar o risco de problemas com drogas no futuro. É como construir uma casa: se os alicerces forem fracos, a casa pode desabar com o tempo.

  1. Exposição a drogas durante a gestação
  2. Como influencia: Se a mãe usa drogas (incluindo álcool e tabaco) durante a gravidez, o bebê pode nascer com alterações no cérebro que o tornam mais vulnerável a problemas com drogas no futuro.
  3. Exemplo: Thiago nasceu de uma mãe que usava cocaína durante a gravidez. Ele sempre teve dificuldade para se concentrar na escola e, quando adolescente, começou a usar quetamina para “se sentir normal”.
  4. Exemplo 2: Fernanda nasceu prematura porque a mãe usava PCP durante a gravidez. Ela sempre foi uma criança agitada e, quando cresceu, teve dificuldade para controlar os impulsos, o que a levou a experimentar drogas.

  5. Traumas na infância

  6. Como influencia: Crianças que sofrem abuso, negligência ou violência têm mais chances de desenvolver problemas emocionais e, mais tarde, usar drogas como uma forma de lidar com a dor.
  7. Exemplo: João foi abusado pelo padrasto quando criança e, na adolescência, começou a usar quetamina para “esquecer” o que tinha acontecido. A droga o fazia se sentir “fora do corpo”, o que aliviava a dor por um tempo.
  8. Exemplo 2: Maria foi criada pela avó porque a mãe era dependente de crack. Ela sempre se sentiu abandonada e, quando cresceu, começou a usar PCP para “preencher o vazio” que sentia.

Modelo biopsicossocial

Como você pode ver, não existe uma única causa para os transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas. É sempre uma combinação de fatores biológicos (como os genes e o funcionamento do cérebro), psicológicos (como traumas e estresse) e sociais (como família, amigos e ambiente). Esse é o chamado modelo biopsicossocial, que explica que a saúde mental é influenciada por todos esses aspectos.

Imagine que você está construindo uma casa:
– Os fatores biológicos são como os tijolos e o cimento: eles formam a estrutura básica da casa.
– Os fatores psicológicos são como a planta e o design: eles definem como a casa vai ser por dentro, como os cômodos vão ser organizados e como as pessoas vão se sentir dentro dela.
– Os fatores sociais são como o bairro e a vizinhança: eles influenciam se a casa vai ser segura, se as pessoas vão se sentir acolhidas e se vão querer ficar nela.

Se alguma dessas partes estiver fraca, a casa pode desabar. Da mesma forma, se uma pessoa tem uma predisposição genética para dependência (fator biológico), passou por traumas na infância (fator psicológico) e convive com amigos que usam drogas (fator social), ela tem um risco maior de desenvolver problemas com quetamina ou PCP.


Mitos e verdades sobre as causas

Quando se fala em dependência de drogas, muitas pessoas têm ideias erradas sobre o que causa esse problema. Vamos desmistificar alguns desses mitos:

Mito 1: “Dependência é falta de força de vontade. Se a pessoa quisesse, parava.”
Verdade: A dependência é uma doença do cérebro, não uma questão de força de vontade. Quando alguém se torna dependente, o cérebro muda de tal forma que a pessoa perde o controle sobre o uso da droga, mesmo querendo parar. É como tentar parar de respirar — você pode até conseguir por alguns segundos, mas depois o corpo “exige” ar de volta.

Mito 2: “Só pessoas fracas ou sem caráter usam drogas.”
Verdade: Qualquer pessoa pode desenvolver dependência, independentemente de caráter ou força. Muitas pessoas que usam drogas são inteligentes, bem-sucedidas e têm uma vida estável. A dependência não escolhe classe social, raça ou nível de educação.

Mito 3: “Se a pessoa usou droga uma vez, já é dependente.”
Verdade: O uso ocasional não significa dependência. Muitas pessoas experimentam drogas em algum momento da vida e não desenvolvem problemas. A dependência acontece quando o uso se torna frequente, compulsivo e causa prejuízos na vida da pessoa.

Mito 4: “Dependência é culpa da família. Se os pais tivessem educado melhor, isso não aconteceria.”
Verdade: A família pode influenciar, mas não é a única responsável. Como vimos, a dependência é causada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e sociais. Mesmo em famílias estruturadas, uma pessoa pode desenvolver dependência por outros motivos, como traumas ou pressão social.

Mito 5: “Dependência não tem cura. Uma vez dependente, sempre dependente.”
Verdade: A dependência é uma doença crônica, mas tem tratamento. Muitas pessoas conseguem parar de usar drogas e reconstruir suas vidas. O importante é buscar ajuda e não desistir.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno devido ao uso de drogas dissociativas pode ser assustador, mas também é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e buscar ajuda. Muitas pessoas demoram para procurar um profissional porque têm vergonha, medo de serem julgadas ou não sabem que o que estão passando é um problema médico. Vamos explicar como funciona o processo de diagnóstico, quem pode fazê-lo e o que esperar da primeira consulta.

O processo de avaliação passo a passo

O diagnóstico não é feito com um exame de sangue ou uma ressonância magnética — ele é baseado em uma avaliação clínica, ou seja, uma conversa detalhada com um profissional de saúde mental (psiquiatra ou psicólogo) sobre o que a pessoa está sentindo, como está sua vida e como o uso da droga começou. É como montar um quebra-cabeça: o profissional vai juntando as peças (sintomas, histórico, comportamento) até formar uma imagem clara do que está acontecendo.

  1. Primeiro contato
  2. O que acontece: A pessoa ou um familiar marca uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo. No SUS, isso pode ser feito em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou hospital público. Na rede particular, pode ser em consultório ou clínica.
  3. Quem pode marcar: Qualquer pessoa pode buscar ajuda, mesmo que não tenha certeza de que tem um problema. Se você está em dúvida, não espere — procure um profissional.
  4. Exemplo: João começou a usar quetamina em festas e, depois de um tempo, percebeu que não conseguia mais parar. Ele marcou uma consulta com um psiquiatra pelo SUS, através da UBS do seu bairro.

  5. Primeira consulta (anamnese)

  6. O que acontece: O profissional vai fazer perguntas sobre:
    • Histórico de uso da droga: Quando começou? Com que frequência usa? Qual a quantidade? Como se sente quando usa?
    • Sintomas: O que a pessoa sente durante e depois do uso? Tem alucinações, delírios, ansiedade, depressão?
    • Impacto na vida: O uso da droga está atrapalhando o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou a saúde?
    • Histórico familiar: Alguém na família tem problemas com drogas, álcool ou transtornos mentais?
    • Histórico pessoal: Já passou por traumas, abusos, violência ou perdas importantes?
    • Outros problemas de saúde: Tem doenças físicas ou mentais? Toma algum remédio?
  7. Duração: A primeira consulta costuma durar entre 40 minutos e 1 hora.
  8. Exemplo: Na primeira consulta, o psiquiatra perguntou a João quando ele tinha começado a usar quetamina, com que frequência usava e como se sentia depois. Ele também perguntou se João tinha tentado parar e se o uso estava atrapalhando sua vida. João contou que usava quase todos os dias, que tinha perdido o emprego por causa disso e que às vezes ouvia vozes quando estava sob efeito.

  9. Exames complementares

  10. O que acontece: O profissional pode pedir exames de sangue, urina ou imagem (como tomografia ou ressonância) para descartar outras condições que podem estar causando os sintomas. Por exemplo:
    • Exame de urina: Para confirmar o uso da droga (embora nem sempre seja necessário para o diagnóstico).
    • Exames de sangue: Para verificar se há danos no fígado, rins ou outros órgãos.
    • Exames de imagem: Para descartar tumores, AVCs ou outras condições neurológicas que podem causar sintomas psicóticos.
  11. Exemplo: O psiquiatra de João pediu um exame de urina para confirmar o uso de quetamina e um exame de sangue para verificar se havia danos no fígado. Ele também pediu uma ressonância magnética para descartar outras causas para as alucinações.

  12. Avaliação dos critérios diagnósticos

  13. O que acontece: O profissional vai comparar o que a pessoa relatou com os critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e da CID-11 (Classificação Internacional de Doenças). Vamos relembrar os principais critérios para transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas:
    • Padrão problemático de uso: A pessoa usa a droga em quantidades maiores ou por mais tempo do que pretendia.
    • Desejo persistente ou esforços malsucedidos para parar: A pessoa tenta parar ou reduzir o uso, mas não consegue.
    • Tempo gasto: A pessoa passa muito tempo obtendo, usando ou se recuperando dos efeitos da droga.
    • Fissura: A pessoa sente uma vontade intensa de usar a droga.
    • Prejuízos na vida: O uso da droga causa problemas no trabalho, na escola, nos relacionamentos ou na saúde.
    • Uso apesar dos problemas: A pessoa continua usando mesmo sabendo que a droga está causando danos.
    • Tolerância: A pessoa precisa de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito.
    • Abstinência: Quando para de usar, a pessoa sente sintomas físicos ou emocionais desagradáveis.
  14. Exemplo: O psiquiatra de João comparou o que ele relatou com os critérios do DSM-5 e viu que ele se encaixava em vários deles: usava mais do que pretendia, tentava parar mas não conseguia, passava muito tempo usando ou se recuperando, e continuava usando mesmo sabendo que estava perdendo o emprego e tendo alucinações.

  15. Diagnóstico diferencial

  16. O que acontece: O profissional vai descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes, como:
    • Esquizofrenia: Transtorno mental que causa alucinações, delírios e pensamento desorganizado, mas não está relacionado ao uso de drogas.
    • Transtorno bipolar: Transtorno de humor que causa episódios de euforia e depressão, mas não está relacionado ao uso de drogas.
    • Depressão ou ansiedade: Podem causar sintomas como tristeza, irritabilidade ou pânico, mas não estão relacionados ao uso de drogas.
    • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): Pode causar flashbacks, pesadelos e ansiedade, mas não está relacionado ao uso de drogas.
    • Intoxicação por outras substâncias: Álcool, maconha, cocaína e outras drogas podem causar sintomas semelhantes aos da quetamina ou PCP.
  17. Exemplo: O psiquiatra de João descartou esquizofrenia porque os sintomas psicóticos só apareciam quando ele usava quetamina. Ele também descartou depressão porque João não tinha outros sintomas, como tristeza profunda ou perda de interesse em atividades.

  18. Diagnóstico final

  19. O que acontece: Depois de juntar todas as informações, o profissional vai dar um diagnóstico. No caso dos transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas, o diagnóstico pode ser:
    • Intoxicação por drogas dissociativas: Quando a pessoa está sob efeito da droga e apresenta sintomas como alucinações, desorientação ou comportamento agressivo.
    • Transtorno por uso de drogas dissociativas: Quando a pessoa tem um padrão problemático de uso, com dependência, tolerância e abstinência.
    • Transtorno psicótico induzido por drogas dissociativas: Quando a pessoa desenvolve sintomas psicóticos (alucinações, delírios) durante ou logo após o uso da droga.
    • Transtorno de humor induzido por drogas dissociativas: Quando a pessoa desenvolve depressão ou euforia exagerada durante ou logo após o uso da droga.
  20. Exemplo: Depois de avaliar João, o psiquiatra deu o diagnóstico de transtorno por uso de quetamina e transtorno psicótico induzido por quetamina, porque ele tinha um padrão problemático de uso e desenvolvia alucinações quando usava a droga.

Quanto tempo leva para o diagnóstico?

O tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode variar muito. Algumas pessoas demoram meses ou até anos para procurar ajuda, seja por vergonha, negação ou falta de informação. Outras buscam ajuda logo no início, quando percebem que algo está errado.

  • Fase inicial: A pessoa começa a usar a droga de forma recreativa, sem perceber que está perdendo o controle. Pode demorar semanas ou meses até que os sintomas comecem a aparecer.
  • Fase de negação: A pessoa percebe que está tendo problemas, mas não admite que a droga é a causa. Ela pode inventar desculpas (“só estou estressado”, “todo mundo usa”) ou culpar outras pessoas.
  • Fase de busca por ajuda: Quando os problemas se tornam insuportáveis (perder o emprego, brigar com a família, ter problemas de saúde), a pessoa ou um familiar busca ajuda. Nesse momento, o diagnóstico pode ser feito em algumas semanas.

Exemplo: Maria começou a usar quetamina em festas e, no começo, achava que estava tudo sob controle. Depois de alguns meses, começou a faltar ao trabalho e a brigar com o namorado. Ela demorou mais seis meses para admitir que tinha um problema e procurar ajuda. Quando finalmente foi ao psiquiatra, o diagnóstico foi feito em duas consultas.


Quem pode diagnosticar?

No Brasil, o diagnóstico de transtornos mentais, incluindo os transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas, pode ser feito por:

  1. Psiquiatra
  2. Quem é: Médico especializado em saúde mental. É o profissional mais indicado para fazer o diagnóstico e prescrever medicamentos.
  3. Onde encontrar: No SUS (UBS, CAPS, hospitais públicos) ou na rede particular (consultórios, clínicas).
  4. Exemplo: João foi diagnosticado por um psiquiatra do CAPS da sua cidade.

  5. Psicólogo

  6. Quem é: Profissional especializado em saúde mental, mas que não pode prescrever medicamentos. Pode fazer o diagnóstico e oferecer psicoterapia.
  7. Onde encontrar: No SUS (UBS, CAPS, hospitais públicos) ou na rede particular (consultórios, clínicas).
  8. Exemplo: Maria foi diagnosticada por uma psicóloga da UBS do seu bairro, que depois a encaminhou para um psiquiatra.

  9. Médico clínico geral ou de família

  10. Quem é: Médico que atende em UBSs e pode identificar sinais de transtornos mentais, mas geralmente encaminha para um especialista.
  11. Onde encontrar: No SUS (UBS) ou na rede particular.
  12. Exemplo: Pedro foi ao médico da UBS porque estava sentindo dores de cabeça e insônia. O médico suspeitou de uso de drogas e o encaminhou para um psiquiatra.

SUS vs. particular

No Brasil, você pode buscar ajuda tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pela rede particular. Vamos ver as diferenças:

Aspecto SUS Particular
Custo Gratuito Pago (consultas, exames e medicamentos podem custar caro)
Tempo de espera Pode demorar semanas ou meses para uma consulta com psiquiatra Consulta pode ser marcada em poucos dias
Acesso Disponível em todo o país, mas pode haver falta de profissionais Depende da região e da disponibilidade de profissionais
Tratamento Oferece medicamentos, psicoterapia e internação (quando necessário) Oferece medicamentos, psicoterapia e internação (quando necessário)
Vantagens Gratuito, acessível, não exige convênio médico Mais rápido, mais opções de profissionais
Desvantagens Demora, pode haver falta de profissionais Custo alto, nem todo mundo tem condições de pagar

Exemplo: João procurou ajuda pelo SUS e conseguiu uma consulta com um psiquiatra do CAPS em dois meses. Maria, que tinha plano de saúde, marcou uma consulta particular e foi atendida em uma semana.


O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se você nunca foi a um psiquiatra ou psicólogo antes. Mas não precisa se preocupar: o profissional está ali para ajudar, não para julgar. Veja o que você pode esperar:

  1. Ambiente acolhedor
  2. O consultório costuma ser um lugar tranquilo, com cadeiras confortáveis e, às vezes, objetos que deixam o ambiente mais relaxante, como plantas ou quadros.
  3. Exemplo: Quando João entrou no consultório do psiquiatra, viu que era um lugar simples, mas limpo e organizado. Havia uma poltrona confortável e uma mesa com alguns livros.

  4. Conversa franca

  5. O profissional vai fazer perguntas sobre o seu uso de drogas, seus sintomas e sua vida em geral. Não tenha medo de ser honesto — quanto mais informações você der, melhor será o diagnóstico.
  6. Exemplo: O psiquiatra de João perguntou: “Quando você começou a usar quetamina? Com que frequência usa? Como se sente quando usa? Já tentou parar?”. João respondeu com sinceridade, mesmo que algumas respostas fossem difíceis de admitir.

  7. Sem julgamentos

  8. O profissional não está ali para te julgar ou te repreender. Ele está ali para entender o que está acontecendo e te ajudar a encontrar uma solução.
  9. Exemplo: Maria estava com vergonha de contar que usava PCP todos os dias, mas o psicólogo a tranquilizou: “Não estou aqui para te julgar. Meu trabalho é te ajudar a entender o que está acontecendo e encontrar uma saída”.

  10. Explicações claras

  11. O profissional vai explicar o que está acontecendo com você, quais são as opções de tratamento e o que você pode esperar daqui para frente.
  12. Exemplo: Depois de avaliar João, o psiquiatra explicou: “O que você está passando é um transtorno por uso de quetamina. Isso significa que seu cérebro se acostumou com a droga e agora está tendo dificuldade para funcionar sem ela. Mas temos tratamentos que podem te ajudar a parar de usar e recuperar sua vida”.

  13. Plano de tratamento

  14. No fim da consulta, o profissional vai propor um plano de tratamento, que pode incluir medicamentos, psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, internação.
  15. Exemplo: O psiquiatra de João propôs um plano que incluía:
    • Medicamentos: Para ajudar a controlar a fissura e os sintomas de abstinência.
    • Psicoterapia: Para entender as causas do uso da droga e aprender estratégias para lidar com os gatilhos.
    • Grupos de apoio: Para compartilhar experiências com outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema.
    • Acompanhamento médico: Para monitorar a saúde física e ajustar os medicamentos conforme necessário.

Diagnóstico diferencial: o que pode ser confundido?

Algumas condições podem causar sintomas semelhantes aos dos transtornos devidos ao uso de drogas dissociativas. O profissional vai avaliar cada uma delas para ter certeza do diagnóstico. Vamos ver as principais:

  1. Esquizofrenia
  2. O que é: Transtorno mental que causa alucinações, delírios, pensamento desorganizado e isolamento social. Os sintomas não estão relacionados ao uso de drogas.
  3. Como diferenciar: Na esquizofrenia, os sintomas psicóticos (alucinações, delírios) acontecem mesmo quando a pessoa não está usando drogas. Além disso, a esquizofrenia costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta, e os sintomas são mais persistentes.
  4. Exemplo: Pedro começou a ouvir vozes e a acreditar que estava sendo perseguido. Ele não usava drogas, e os sintomas aconteciam o tempo todo, não só em momentos específicos. O psiquiatra diagnosticou esquizofrenia.

  5. Transtorno bipolar

  6. O que é: Transtorno de humor que causa episódios de euforia (mania) e depressão. Durante a mania, a pessoa pode ter comportamentos impulsivos ou psicóticos.
  7. Como diferenciar: No transtorno bipolar, os sintomas de euforia ou depressão acontecem em episódios, não estão relacionados ao uso de drogas e costumam durar semanas ou meses. Além disso, a pessoa pode ter histórico familiar de transtorno bipolar.
  8. Exemplo: Ana tinha episódios em que se sentia eufórica, falava sem parar e fazia compras impulsivas. Esses episódios duravam semanas e não estavam relacionados ao uso de drogas. O psiquiatra diagnosticou transtorno bipolar.

  9. Depressão ou ansiedade

  10. O que é: Transtornos de humor que causam tristeza profunda, falta de energia, ansiedade ou pânico. Podem ser confundidos com os sintomas de abstinência ou com os efeitos da droga.
  11. Como diferenciar: Na depressão ou ansiedade, os sintomas não estão relacionados ao uso de drogas e costumam ser mais persistentes. Além disso, a pessoa pode ter histórico familiar desses transtornos.
  12. Exemplo: Lucas se sentia triste, sem energia e com dificuldade para dormir. Ele não usava drogas, e os sintomas aconteciam o tempo todo, não só depois de usar quetamina. O psiquiatra diagnosticou depressão.

  13. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

  14. O que é: Transtorno que acontece depois de um trauma (como abuso, violência ou acidente) e causa flashbacks, pesadelos, ansiedade e evitação de situações que lembrem o trauma.
  15. Como diferenciar: No TEPT, os sintomas estão relacionados a um trauma específico e não ao uso de drogas. Além disso, a pessoa pode ter comportamentos de evitação (como evitar lugares ou pessoas que lembrem o trauma).
  16. Exemplo: Carla foi assaltada e, depois disso, começou a ter pesadelos, flashbacks e ansiedade. Ela não usava drogas, e os sintomas estavam relacionados ao trauma. O psiquiatra diagnosticou TEPT.

  17. Intoxicação por outras substâncias

  18. O que é: Álcool, maconha, cocaína e outras drogas podem causar sintomas semelhantes aos da quetamina ou PCP, como alucinações, agressividade ou desorientação.
  19. Como diferenciar: Na intoxicação por outras substâncias, os sintomas acontecem logo depois do uso da droga e desaparecem quando ela sai do corpo. Além disso, a pessoa pode ter histórico de uso de outras drogas.
  20. Exemplo: Rafael usou cocaína e, durante a viagem, começou a ver coisas que não estavam lá. Os sintomas desapareceram depois de algumas horas, e ele não tinha histórico de uso de quetamina ou PCP. O psiquiatra diagnosticou intoxicação por cocaína.

  21. Doenças neurológicas

  22. O que é: Algumas doenças neurológicas, como epilepsia, tumores cerebrais ou AVCs, podem causar sintomas psicóticos ou alterações de comportamento.
  23. Como diferenciar: Nas doenças neurológicas, os sintomas costumam ser acompanhados de outros sinais, como convulsões, dores de cabeça intensas ou fraqueza em um lado do corpo. Exames de imagem (como ressonância magnética) podem ajudar a confirmar o diagnóstico.
  24. Exemplo: João começou a ter alucinações e convulsões. O psiquiatra pediu uma ressonância magnética, que mostrou um tumor no cérebro. O diagnóstico foi de tumor cerebral, não de transtorno por uso de drogas.

Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno devido ao uso de drogas dissociativas pode ser um alívio — finalmente você tem uma explicação para o que está acontecendo e um caminho para seguir. Mas também pode ser assustador: “E agora? Como vou parar de usar? Será que vou conseguir?”. A boa notícia é que sim, tem tratamento, e muitas pessoas conseguem parar de usar drogas e reconstruir suas vidas. O tratamento é como uma escada: cada degrau representa uma etapa para a recuperação, e você não precisa subir tudo de uma vez. Vamos entender como funciona cada parte do tratamento.

Medicamentos

Os medicamentos são como ferramentas que ajudam o cérebro a se recuperar dos danos causados pela droga e a funcionar melhor. Eles não são uma “cura mágica”, mas podem aliviar os sintomas, reduzir a fissura (vontade intensa de usar a droga) e ajudar a pessoa a se manter no tratamento. Vamos ver os principais tipos de medicamentos usados:

  1. Medicamentos para abstinência
  2. Para que servem: Ajudam a aliviar os sintomas físicos e emocionais que aparecem quando a pessoa para de usar a droga, como ansiedade, insônia, tremores e depressão.
  3. Como funcionam: Eles “enganam” o cérebro, fazendo com que ele pense que a droga ainda está presente, mas de uma forma mais suave e controlada.
  4. Exemplos:
    • Benzodiazepínicos (como diazepam ou clonazepam): Usados para aliviar ansiedade, insônia e tremores. São prescritos por um curto período, porque também podem causar dependência.
    • Antidepressivos (como fluoxetina ou sertralina): Usados para aliviar depressão e ansiedade. Podem levar algumas semanas para fazer efeito.
    • Estabilizadores de humor (como valproato ou carbamazepina): Usados para controlar oscilações de humor e impulsividade.
  5. Exemplo: Quando João parou de usar quetamina, sentiu uma ansiedade tão forte que não conseguia dormir. O psiquiatra receitou um benzodiazepínico por uma semana para aliviar os sintomas, e depois trocou por um antidepressivo para ajudar na recuperação a longo prazo.

  6. Medicamentos para fissura

  7. Para que servem: Reduzem a vontade intensa de usar a droga, que é um dos maiores desafios na recuperação.
  8. Como funcionam: Eles agem no sistema de recompensa do cérebro, diminuindo a sensação de prazer associada à droga e ajudando a pessoa a resistir à tentação.
  9. Exemplos:
    • Naltrexona: Bloqueia os receptores de opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer causada pela droga. É mais usada para dependência de álcool e opioides, mas pode ajudar em alguns casos de dependência de quetamina.
    • Acamprosato: Ajuda a restaurar o equilíbrio químico no cérebro, reduzindo a fissura. É mais usado para dependência de álcool, mas pode ser útil em alguns casos.
  10. Exemplo: Maria sentia uma vontade incontrolável de usar PCP toda vez que via um lugar onde costumava usar. O psiquiatra receitou naltrexona, que ajudou a reduzir essa vontade e a manter o tratamento.

  11. Medicamentos para sintomas psicóticos

  12. Para que servem: Ajudam a controlar alucinações, delírios e pensamento desorganizado, que podem acontecer durante a intoxicação ou como efeito residual da droga.
  13. Como funcionam: Eles bloqueiam os receptores de dopamina no cérebro, que estão hiperativos durante os sintomas psicóticos.
  14. Exemplos:
    • Antipsicóticos (como risperidona, olanzapina ou quetiapina): Usados para controlar alucinações e delírios. Podem causar efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso ou tremores.
  15. Exemplo: Pedro começou a ouvir vozes depois de usar quetamina e não conseguia mais distinguir o que era real do que não era. O psiquiatra receitou um antipsicótico, que ajudou a controlar as vozes e a recuperar o contato com a realidade.

  16. Medicamentos para depressão e ansiedade

  17. Para que servem: Ajudam a aliviar sintomas de depressão e ansiedade, que são comuns durante a abstinência ou como efeito residual da droga.
  18. Como funcionam: Eles aumentam a quantidade de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina no cérebro, melhorando o humor e reduzindo a ansiedade.
  19. Exemplos:
    • Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) (como fluoxetina, sertralina ou escitalopram): Usados para tratar depressão e ansiedade. Podem levar algumas semanas para fazer efeito.
    • Inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) (como venlafaxina ou duloxetina): Usados para tratar depressão e ansiedade, especialmente quando os ISRS não funcionam.
  20. Exemplo: Ana se sentiu muito deprimida depois de parar de usar PCP. Ela não tinha vontade de fazer nada e chorava o tempo todo. O psiquiatra receitou um ISRS, que ajudou a melhorar o humor e a motivação.

Psicoterapia

A psicoterapia é como uma academia para a mente: ela ajuda a pessoa a entender as causas do uso da droga, a desenvolver estratégias para lidar com os gatilhos (situações que despertam a vontade de usar) e a reconstruir sua vida sem a substância. Existem várias abordagens de psicoterapia, e o profissional vai escolher a que melhor se adapta às necessidades da pessoa. Vamos ver as principais:

  1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
  2. O que é: Uma abordagem focada em identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que levam ao uso da droga. É como aprender a “reprogramar” o cérebro para reagir de forma diferente às situações.
  3. Como funciona:
    • Identificação de gatilhos: A pessoa aprende a reconhecer as situações, emoções ou pensamentos que despertam a vontade de usar a droga (por exemplo, estresse, solidão, lugares onde costumava usar).
    • Estratégias de enfrentamento: A pessoa aprende técnicas para lidar com os gatilhos sem recorrer à droga, como respiração profunda, distração ou conversar com alguém de confiança.
    • Mudança de pensamentos: A pessoa aprende a identificar pensamentos distorcidos (como “eu não consigo viver sem a droga”) e substituí-los por pensamentos mais realistas (como “eu já passei por momentos difíceis antes e consegui”).
    • Prevenção de recaída: A pessoa aprende a reconhecer os sinais de uma possível recaída e a agir antes que ela aconteça.
  4. Exemplo: João percebeu que sempre usava quetamina quando se sentia estressado no trabalho. Na TCC, ele aprendeu a reconhecer os sinais de estresse (como irritabilidade e dor de cabeça) e a usar técnicas de relaxamento, como respiração profunda, para lidar com a situação sem recorrer à droga.

  5. Entrevista motivacional

  6. O que é: Uma abordagem focada em aumentar a motivação da pessoa para mudar. É como um “empurrãozinho” para ajudar a pessoa a encontrar suas próprias razões para parar de usar a droga.
  7. Como funciona:
    • Exploração de ambivalência: A pessoa é incentivada a falar sobre os prós e contras de usar a droga, para entender melhor suas motivações.
    • Reforço da autoeficácia: A pessoa é encorajada a acreditar na sua capacidade de mudar, mesmo que tenha tentado e falhado antes.
    • Estabelecimento de metas: A pessoa define metas realistas para reduzir ou parar o uso da droga, com base nas suas próprias motivações.
  8. Exemplo: Maria não tinha certeza se queria parar de usar PCP. Na entrevista motivacional, ela falou sobre os prós (se sentir relaxada, esquecer os problemas) e os contras (perder o emprego, brigar com a família). Ao ver os contras pesando mais, ela decidiu que valia a pena tentar parar.

  9. Terapia de grupo

  10. O que é: Um espaço onde pessoas que estão passando pelo mesmo problema se reúnem para compartilhar experiências, dar e receber apoio. É como um time em que todos estão jogando pelo mesmo objetivo: a recuperação.
  11. Como funciona:
    • Compartilhamento de experiências: Cada pessoa fala sobre suas dificuldades, vitórias e estratégias para lidar com a dependência.
    • Apoio mútuo: Os participantes se apoiam, se encorajam e se cobram de forma saudável.
    • Aprendizado coletivo: As pessoas aprendem umas com as outras, trocando dicas e estratégias para lidar com os desafios da recuperação.
  12. Exemplo: Pedro participou de um grupo de terapia para dependentes de quetamina. Lá, ele conheceu outras pessoas que estavam passando pelo mesmo problema e aprendeu estratégias para lidar com a fissura. O grupo o ajudou a se sentir menos sozinho e mais motivado a continuar no tratamento.

  13. Terapia familiar

  14. O que é: Uma abordagem que envolve a família no tratamento, ajudando a melhorar a comunicação, resolver conflitos e criar um ambiente de apoio para a recuperação.
  15. Como funciona:
    • Educação sobre a dependência: A família aprende sobre a doença e como ela afeta a pessoa, para entender melhor o que está acontecendo.
    • Melhoria da comunicação: A família aprende a se comunicar de forma mais eficaz, sem julgamentos ou críticas.
    • Resolução de conflitos: A família aprende a lidar com os conflitos de forma saudável, sem recorrer à violência ou ao isolamento.
    • Criação de um ambiente de apoio: A família aprende a apoiar a pessoa em recuperação, sem facilitar o uso da droga (por exemplo, não dando dinheiro ou encobrindo os problemas).
  16. Exemplo: A família de João estava muito magoada com ele por causa do uso de quetamina. Na terapia familiar, eles aprenderam a conversar sem brigar e a apoiar João sem facilitar o uso da droga. Isso ajudou a melhorar o relacionamento e a criar um ambiente mais saudável para a recuperação.

  17. Terapias de terceira geração (mindfulness, ACT, DBT)

  18. O que são: Abordagens mais recentes que focam em aceitação, atenção plena e valores pessoais. São como “ferramentas de autoconhecimento” que ajudam a pessoa a lidar com as emoções difíceis sem recorrer à droga.
  19. Como funcionam:
    • Mindfulness: A pessoa aprende a prestar atenção no momento presente, sem julgamentos, para lidar com a ansiedade e a fissura.
    • Terapia de aceitação e compromisso (ACT): A pessoa aprende a aceitar as emoções difíceis e a se comprometer com ações que estejam alinhadas com seus valores pessoais.
    • Terapia comportamental dialética (DBT): A pessoa aprende a regular as emoções, tolerar o sofrimento e melhorar os relacionamentos.
  20. Exemplo: Ana tinha muita dificuldade para lidar com a ansiedade e a fissura. Na terapia de mindfulness, ela aprendeu a meditar e a prestar atenção na sua respiração, o que a ajudou a controlar os impulsos e a se sentir mais calma.

Mudanças no dia a dia

O tratamento não se resume a medicamentos e terapia — ele também envolve mudanças no estilo de vida que ajudam o cérebro a se recuperar e a pessoa a se sentir melhor. É como construir uma casa: os medicamentos e a terapia são os tijolos e o cimento, mas as mudanças no dia a dia são o acabamento que deixa tudo mais bonito e funcional. Vamos ver algumas dessas mudanças:

  1. Exercício físico
  2. Por que ajuda: O exercício libera endorfinas, que são como “remédios naturais” para o cérebro. Elas melhoram o humor, reduzem a ansiedade e aumentam a sensação de bem-estar. Além disso, o exercício ajuda a restaurar o equilíbrio químico no cérebro, que foi bagunçado pelo uso da droga.
  3. Quais tipos ajudam mais:
    • Exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, natação ou dança): Ajudam a melhorar o humor e a reduzir a ansiedade.
    • Exercícios de força (como musculação ou pilates): Ajudam a aumentar a autoestima e a sensação de controle sobre o corpo.
    • Exercícios de relaxamento (como ioga ou tai chi): Ajudam a reduzir o estresse e a melhorar a conexão mente-corpo.
  4. Como começar:
    • Comece devagar: 10 a 15 minutos por dia já fazem diferença.
    • Escolha uma atividade que você goste: se não gostar de correr, tente dançar ou nadar.
    • Encontre um parceiro: fazer exercício com um amigo ou familiar pode ser mais motivador.
  5. Exemplo: João começou a caminhar 20 minutos por dia e, depois de algumas semanas, já se sentia mais disposto e menos ansioso. Ele também começou a praticar ioga, o que o ajudou a lidar melhor com o estresse.

  6. Sono

  7. Por que ajuda: O sono é como um “reset” para o cérebro. Quando dormimos, o cérebro se recupera, consolida memórias e regula as emoções. O uso de drogas dissociativas bagunça o sono, e a falta de sono pode piorar os sintomas de abstinência e aumentar a fissura.
  8. Dicas para melhorar o sono:
    • Rotina: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana.
    • Ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco. Evite usar eletrônicos (como celular ou TV) antes de dormir.
    • Relaxamento: Faça atividades relaxantes antes de dormir, como ler um livro, tomar um banho quente ou ouvir música calma.
    • Evite estimulantes: Não tome café, chá preto ou refrigerante à noite. Evite também álcool e nicotina, que podem atrapalhar o sono.
  9. Exemplo: Maria tinha insônia depois de parar de usar PCP. Ela começou a seguir uma rotina de sono: desligava o celular uma hora antes de dormir, tomava um chá de camomila e lia um livro. Depois de algumas semanas, já conseguia dormir melhor.

  10. Alimentação

  11. Por que ajuda: Uma alimentação saudável fornece os nutrientes que o cérebro precisa para se recuperar dos danos causados pela droga. Além disso, alguns alimentos ajudam a melhorar o humor e a reduzir a ansiedade.
  12. O que a ciência diz:
    • Alimentos ricos em triptofano (como banana, ovos, peixes e nozes): O triptofano é um aminoácido que ajuda na produção de serotonina, um neurotransmissor que melhora o humor.
    • Alimentos ricos em ômega-3 (como peixes, linhaça e nozes): O ômega-3 ajuda a reduzir a inflamação no cérebro e a melhorar a função cognitiva.
    • Alimentos ricos em magnésio (como espinafre, abacate e chocolate amargo): O magnésio ajuda a reduzir a ansiedade e a melhorar o sono.
    • Evite açúcar e alimentos processados: Eles podem causar picos de glicose no sangue, o que piora o humor e aumenta a ansiedade.
  13. Exemplo: Pedro começou a comer mais peixes, ovos e nozes, e a evitar doces e refrigerantes. Depois de algumas semanas, já se sentia mais disposto e com menos ansiedade.

  14. Rotina

  15. Por que ajuda: Uma rotina estruturada ajuda a pessoa a se sentir mais no controle da sua vida e a reduzir a fissura. É como um “mapa” que guia o dia a dia e evita que a pessoa se perca em pensamentos ou comportamentos prejudiciais.
  16. Como estruturar o dia:
    • Defina horários fixos: Para acordar, comer, trabalhar, fazer exercício e dormir.
    • Inclua atividades prazerosas: Reserve um tempo para fazer coisas que você gosta, como ler, ouvir música ou sair com amigos.
    • Evite o ócio: O tédio pode ser um gatilho para o uso da droga. Mantenha-se ocupado com atividades produtivas ou prazerosas.
    • Planeje o dia seguinte: Antes de dormir, faça uma lista das coisas que precisa fazer no dia seguinte. Isso ajuda a reduzir a ansiedade e a se sentir mais preparado.
  17. Exemplo: Ana criou uma rotina: acordava às 7h, tomava café da manhã, ia para o trabalho, almoçava, fazia uma caminhada à tarde, jantava, lia um livro e dormia às 22h. Essa rotina a ajudou a se sentir mais no controle e a reduzir a vontade de usar PCP.

  18. Técnicas de manejo para os sintomas

  19. Por que ajudam: Durante a recuperação, a pessoa pode sentir fissura, ansiedade, depressão ou outros sintomas difíceis de lidar. Ter técnicas para manejar esses sintomas é como ter um “kit de primeiros socorros” para a mente.
  20. Técnicas úteis:
    • Respiração profunda: Inspire pelo nariz contando até 4, segure o ar contando até 4 e expire pela boca contando até 6. Repita por alguns minutos até se sentir mais calmo.
    • Distração: Quando sentir fissura, faça algo que distraia a mente, como assistir a um filme, ligar para um amigo ou fazer um quebra-cabeça.
    • Autoconversa positiva: Substitua pensamentos negativos (como “eu não consigo”) por pensamentos positivos (como “eu já passei por coisas difíceis antes e consegui”).
    • Relaxamento muscular progressivo: Contraia e relaxe os músculos do corpo, um grupo de cada vez, para aliviar a tensão e a ansiedade.
  21. Exemplo: Lucas sentia uma vontade intensa de usar quetamina toda vez que passava por uma festa. Ele aprendeu a técnica de respiração profunda e, quando sentia a fissura, ia para um lugar tranquilo e respirava fundo até se acalmar.

  22. Tecnologia assistiva

  23. O que é: Ferramentas tecnológicas que ajudam a pessoa a se manter no tratamento e a lidar com os sintomas. São como “aplicativos de saúde mental” que podem ser usados no celular ou no computador.
  24. Exemplos:
    • Aplicativos de meditação (como Headspace ou Calm): Ajudam a praticar mindfulness e a reduzir a ansiedade.
    • Aplicativos de acompanhamento (como Sober Time ou I Am Sober): Ajudam a acompanhar o tempo de abstinência e a comemorar as vitórias.
    • Aplicativos de terapia online (como Vittude ou Psicologia Viva): Oferecem sessões de terapia com psicólogos por videochamada.
    • Lembretes no celular: Para tomar medicamentos, fazer exercício ou praticar técnicas de relaxamento.
  25. Exemplo: Maria baixou o aplicativo Sober Time para acompanhar seu tempo de abstinência de PCP. Toda vez que completava um dia sem usar, o aplicativo mostrava uma mensagem de incentivo, o que a motivava a continuar.

Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno devido ao uso de drogas dissociativas pode ser um baque. Você pode se sentir perdido, envergonhado, com medo do futuro ou até mesmo aliviado por finalmente ter uma explicação para o que estava acontecendo. Todas essas emoções são normais. O importante é lembrar que você não está sozinho e que tem tratamento. Vamos ver como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para os familiares e amigos.

Para a pessoa com o diagnóstico

  1. Aceite que você tem uma doença
  2. O que isso significa: Assim como o diabetes ou a hipertensão, a dependência de drogas é uma doença crônica que precisa de tratamento. Não é uma questão de força de vontade ou caráter — é algo que aconteceu com você, não algo que você escolheu.
  3. Como fazer:
    • Não se culpe: Você não é uma pessoa ruim por ter desenvolvido dependência. Muitas pessoas passam por isso, e o importante é buscar ajuda.
    • Reconheça os sintomas: Entenda que os sintomas (fissura, ansiedade, depressão) são parte da doença, não um fracasso pessoal.
    • Busque tratamento: Assim como você tomaria insulina para diabetes, você pode tomar medicamentos e fazer terapia para a dependência.
  4. Exemplo: João se sentia envergonhado por ter desenvolvido dependência de quetamina. Depois de conversar com o psiquiatra, ele entendeu que era uma doença e que não tinha culpa. Isso o ajudou a se sentir mais motivado para buscar tratamento.

  5. Construa uma rede de apoio

  6. O que isso significa: Ter pessoas com quem contar faz toda a diferença na recuperação. É como ter um time que torce por você e te ajuda a não desistir.
  7. Como fazer:
    • Fale com a família e amigos: Conte para as pessoas em quem confia sobre o que está passando. Peça apoio, mas também deixe claro que você não quer que elas facilitem o uso da droga (por exemplo, não dando dinheiro ou encobrindo os problemas).
    • Participe de grupos de apoio: Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) ou grupos de terapia oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.
    • Mantenha contato com o profissional de saúde: Não falte às consultas e converse abertamente sobre suas dificuldades.
  8. Exemplo: Maria contou para a mãe e o irmão sobre seu diagnóstico de dependência de PCP. Eles ficaram chateados no começo, mas depois entenderam que ela precisava de apoio. Maria também começou a frequentar o NA, onde conheceu outras pessoas em recuperação.

  9. Aprenda a lidar com a fissura

  10. O que isso significa: A fissura (vontade intensa de usar a droga) é um dos maiores desafios na recuperação. É como uma onda que vem e vai — no começo, ela é forte, mas com o tempo, fica mais fraca e menos frequente.
  11. Como fazer:
    • Reconheça a fissura: Quando sentir vontade de usar, pare e reconheça: “Estou sentindo fissura. Isso é normal e vai passar”.
    • Use técnicas de distração: Faça algo que distraia a mente, como assistir a um filme, ligar para um amigo ou fazer um quebra-cabeça.
    • Pratique respiração profunda: Inspire pelo nariz contando até 4, segure o ar contando até 4 e expire pela boca contando até 6. Repita até se sentir mais calmo.
    • Lembre-se dos motivos para parar: Faça uma lista dos motivos pelos quais você quer parar de usar a droga (por exemplo, “quero recuperar minha saúde”, “quero voltar a estudar”) e leia sempre que sentir fissura.
  12. Exemplo: Pedro sentia uma vontade intensa de usar quetamina toda vez que passava por uma festa. Ele aprendeu a técnica de respiração profunda e, quando sentia a fissura, ia para um lugar tranquilo e respirava fundo até se acalmar. Ele também carregava uma lista no celular com os motivos para parar de usar.

  13. Cuide da sua saúde física

  14. O que isso significa: O uso de drogas dissociativas pode causar danos ao corpo, e cuidar da saúde física ajuda na recuperação. É como dar ao seu corpo os nutrientes e o descanso que ele precisa para se recuperar.
  15. Como fazer:
    • Alimente-se bem: Coma alimentos ricos em triptofano (como banana, ovos e peixes), ômega-3 (como peixes e nozes) e magnésio (como espinafre e abacate). Evite açúcar e alimentos processados.
    • Exercite-se: Faça exercícios aeróbicos (como caminhada ou natação), de força (como musculação) ou de relaxamento (como ioga).
    • Durma bem: Mantenha uma rotina de sono, evite eletrônicos antes de dormir e crie um ambiente tranquilo no quarto.
    • Faça exames regulares: Consulte um médico para verificar se há danos no fígado, rins, coração ou outros órgãos.
  16. Exemplo: Ana começou a comer mais peixes, ovos e nozes, e a evitar doces e refrigerantes. Ela também começou a caminhar 30 minutos por dia e a dormir 8 horas por noite. Depois de algumas semanas, já se sentia mais disposta e com menos ansiedade.

  17. Reconstrua sua vida

  18. O que isso significa: A dependência pode ter bagunçado várias áreas da sua vida, como trabalho, estudos, relacionamentos e autoestima. Reconstruir essas áreas é como montar um quebra-cabeça: cada peça que você coloca no lugar te aproxima de uma vida mais plena.
  19. Como fazer:
    • Volte a estudar ou trabalhar: Se perdeu o emprego ou abandonou os estudos, pense em como voltar. Você pode começar com um curso online, um trabalho voluntário ou um emprego de meio período.
    • Recupere relacionamentos: Peça desculpas às pessoas que magoou e mostre que está mudando. Seja paciente — algumas pessoas podem demorar para confiar de novo.
    • Descubra novos hobbies: Encontre atividades que te deem prazer e te ajudem a se sentir realizado, como pintar, tocar um instrumento, cozinhar ou praticar esportes.
    • Defina metas: Estabeleça metas realistas e comemore cada conquista, por menor que seja. Por exemplo: “Vou ficar uma semana sem usar a droga”, “Vou ligar para um amigo que não vejo há tempos”.
  20. Exemplo: João perdeu o emprego por causa do uso de quetamina. Depois de alguns meses em tratamento, ele decidiu voltar a estudar e fez um curso de programação. Ele também começou a tocar violão, o que o ajudou a se sentir mais realizado.

  21. Aceite que recaídas podem acontecer

  22. O que isso significa: A recuperação não é linear — pode haver altos e baixos, e recaídas são comuns. O importante é não desistir e aprender com os erros.
  23. Como fazer:
    • Não se culpe: Se recair, não se culpe ou ache que fracassou. A recaída faz parte do processo de recuperação.
    • Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída (por exemplo, estresse, pressão social, falta de apoio) e pense em como evitar isso no futuro.
    • Volte ao tratamento: Se recair, não desista. Volte ao médico, ao terapeuta ou ao grupo de apoio e continue de onde parou.
  24. Exemplo: Maria estava há três meses sem usar PCP quando teve uma recaída depois de uma briga com o namorado. Ela ficou muito triste e achou que tinha fracassado, mas o terapeuta a ajudou a entender que a recaída fazia parte do processo. Ela voltou ao tratamento e, dessa vez, conseguiu ficar mais tempo sem usar.

Para familiares e amigos

Quando alguém que amamos recebe o diagnóstico de transtorno devido ao uso de drogas dissociativas, pode ser difícil saber como ajudar. Você pode se sentir perdido, frustrado, com medo ou até mesmo com raiva. Todas essas emoções são normais, mas é importante lembrar que a pessoa não escolheu ter essa doença e que ela precisa do seu apoio. Vamos ver como ajudar de forma efetiva e o que não fazer.

  1. Informe-se sobre a doença
  2. Por que é importante: Entender o que a pessoa está passando ajuda a ter mais empatia e a oferecer o apoio certo. É como estudar para uma prova — quanto mais você sabe, melhor pode ajudar.
  3. Como fazer:
    • Leia sobre o assunto: Busque informações em sites confiáveis, como o do Ministério da Saúde, da Associação Brasileira de Psiquiatria ou de grupos de apoio como o Narcóticos Anônimos.
    • Converse com profissionais: Se tiver dúvidas, converse com o psiquiatra ou psicólogo da pessoa. Eles podem explicar melhor o que está acontecendo e como você pode ajudar.
    • Participe de grupos de apoio para familiares: Grupos como o Al-Anon ou o Nar-Anon oferecem um espaço para familiares compartilharem experiências e receberem apoio.
  4. Exemplo: A mãe de João não entendia por que ele não conseguia parar de usar quetamina. Depois de ler sobre o assunto e conversar com o psiquiatra, ela entendeu que era uma doença e que João precisava de tratamento, não de julgamentos.

  5. Ofereça apoio, não julgamento

  6. Por que é importante: A pessoa já se sente envergonhada e culpada — julgamentos só vão piorar a situação e afastá-la do tratamento.
  7. Como fazer:
    • Evite frases como: “Você não tem vergonha?”, “Isso é falta de força de vontade”, “Você está destruindo a família”.
    • Use frases como: “Estou aqui para te apoiar”, “Vamos enfrentar isso juntos”, “Você não está sozinho”.
    • Mostre empatia: Tente se colocar no lugar da pessoa e entender o que ela está sentindo. Por exemplo: “Deve ser muito difícil lidar com essa vontade de usar. Como posso te ajudar?”.
  8. Exemplo: O irmão de Maria costumava brigar com ela por causa do uso de PCP. Depois de conversar com um psicólogo, ele entendeu que as brigas só pioravam a situação. Ele começou a usar frases de apoio, como “Estou aqui para te ajudar”, e isso fez com que Maria se sentisse mais motivada a buscar tratamento.

  9. Não facilite o uso da droga

  10. Por que é importante: Facilitar o uso da droga (por exemplo, dando dinheiro, encobrindo os problemas ou minimizando as consequências) só vai adiar a busca por ajuda.
  11. Como fazer:
    • Não dê dinheiro: Se a pessoa pedir dinheiro para “gastos”, ofereça ajuda de outra forma, como comprar comida ou pagar uma conta.
    • Não encubra os problemas: Se a pessoa faltar ao trabalho ou à escola por causa da droga, não invente desculpas. Deixe que ela assuma as consequências.
    • Não minimize os danos: Frases como “é só uma vez” ou “todo mundo usa” só vão fazer a pessoa achar que o uso é normal.
  12. Exemplo: A namorada de Pedro costumava dar dinheiro para ele comprar quetamina, achando que assim ele não faria coisas piores. Depois de conversar com o psiquiatra, ela entendeu que estava facilitando o uso e parou de dar dinheiro. Pedro ficou bravo no começo, mas depois percebeu que precisava buscar ajuda.

  13. Estabeleça limites saudáveis

  14. Por que é importante: Estabelecer limites é como colocar cercas em um jardim — elas protegem você e a pessoa que está em recuperação, evitando que ambos se machuquem.
  15. Como fazer:
    • Defina o que é aceitável e o que não é: Por exemplo, “Não vou aceitar que você use drogas dentro de casa” ou “Não vou conversar com você quando estiver sob efeito”.
    • Cumpra os limites: Se disser que não vai dar dinheiro, não dê. Se disser que vai sair de casa se a pessoa usar drogas, saia.
    • Seja firme, mas amoroso: Explique os limites com calma e amor, sem brigas ou julgamentos. Por exemplo: “Eu te amo e quero te ajudar, mas não posso aceitar que você use drogas aqui em casa”.
  16. Exemplo: Os pais de Ana estabeleceram um limite: “Não vamos mais dar dinheiro para você, mas vamos te ajudar a pagar o tratamento”. Ana ficou brava no começo, mas depois entendeu que os pais estavam fazendo isso por amor.

  17. Cuide de si mesmo

  18. Por que é importante: Cuidar de alguém com dependência pode ser exaustivo. Se você não cuidar de si mesmo, não vai ter energia para ajudar a outra pessoa.
  19. Como fazer:
    • Reserve um tempo para você: Faça coisas que te dão prazer, como ler, praticar esportes ou sair com amigos.
    • Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou participe de grupos de apoio para familiares de dependentes.
    • Não se isole: Não carregue o peso sozinho. Compartilhe suas dificuldades com pessoas de confiança.
    • Aceite que você não pode controlar tudo: Você não pode forçar a pessoa a parar de usar drogas — só ela pode tomar essa decisão. Foque no que você pode controlar: seu próprio comportamento e suas emoções.
  20. Exemplo: A esposa de João se sentia sobrecarregada com a situação e começou a ter crises de ansiedade. Depois de conversar com um psicólogo, ela entendeu que precisava cuidar de si mesma. Ela começou a praticar ioga e a sair com as amigas, o que a ajudou a se sentir mais forte para apoiar João.

  21. Saiba quando procurar ajuda profissional

  22. Por que é importante: Às vezes, a situação pode ficar tão difícil que você precisa de ajuda profissional para lidar com ela.
  23. Quando procurar:
    • Se você se sentir sobrecarregado, ansioso ou deprimido.
    • Se a pessoa se tornar violenta ou ameaçadora.
    • Se você não souber mais como ajudar.
  24. Como procurar:
    • Psicólogo: Pode te ajudar a lidar com as emoções e a desenvolver estratégias para apoiar a pessoa.
    • Psiquiatra: Pode receitar medicamentos para ansiedade ou depressão, se necessário.
    • Grupos de apoio: Oferecem um espaço para compartilhar experiências e receber apoio.
  25. Exemplo: A mãe de Maria começou a ter insônia e crises de choro por causa da situação da filha. Ela procurou um psicólogo, que a ajudou a lidar com as emoções e a desenvolver estratégias para apoiar Maria sem se prejudicar.

Quando os sintomas podem piorar?

A recuperação não é linear — pode haver momentos em que os sintomas pioram, mesmo que a pessoa esteja em tratamento. É como subir uma montanha: às vezes, você dá dois passos para frente e um para trás, mas o importante é não desistir. Vamos ver algumas situações que podem piorar os sintomas e como lidar com elas:

  1. Estresse
  2. Por que piora: O estresse aumenta a produção de cortisol, um hormônio que pode desencadear fissura e piorar sintomas como ansiedade e depressão.
  3. Como lidar:
    • Identifique as fontes de estresse: Tente entender o que está causando o estresse (por exemplo, trabalho, relacionamentos, finanças) e pense em como reduzir ou lidar com elas.
    • Pratique técnicas de relaxamento: Respiração profunda, meditação ou ioga podem ajudar a reduzir o estresse.
    • Converse com alguém: Falar sobre o que está te estressando pode aliviar a pressão.
  4. Exemplo: João estava estressado com o trabalho e começou a sentir uma vontade intensa de usar quetamina. Ele identificou que o estresse estava relacionado a um projeto difícil e conversou com o chefe para redistribuir as tarefas. Ele também começou a praticar meditação, o que o ajudou a se sentir mais calmo.

  5. Pressão social

  6. Por que piora: Amigos ou conhecidos que usam drogas podem pressionar a pessoa a usar também, especialmente em festas ou encontros sociais.
  7. Como lidar:
    • Evite situações de risco: Se possível, evite lugares ou pessoas que possam te pressionar a usar a droga.
    • Tenha um plano: Se não puder evitar, tenha um plano para lidar com a pressão. Por exemplo: “Vou dizer que estou tomando remédios e não posso beber” ou “Vou sair se começarem a usar drogas”.
    • Converse com amigos de confiança: Explique sua situação para amigos que não usam drogas e peça apoio.
  8. Exemplo: Maria foi convidada para uma festa onde sabia que teria PCP. Ela decidiu não ir, mas os amigos insistiram. Ela explicou que estava em tratamento e não podia usar drogas. Alguns amigos entenderam e pararam de insistir, mas outros não. Maria decidiu se afastar desses amigos e procurar novas amizades.

  9. Solidão

  10. Por que piora: A solidão pode aumentar a fissura e piorar sintomas como depressão e ansiedade. É como se a pessoa se sentisse “vazia” e buscasse a droga para preencher esse vazio.
  11. Como lidar:
    • Busque companhia: Converse com amigos, familiares ou participe de grupos de apoio.
    • Encontre novas atividades: Faça coisas que te deem prazer e te ajudem a conhecer novas pessoas, como esportes, cursos ou voluntariado.
    • Converse com um profissional: Se a solidão estiver muito forte, converse com um psicólogo ou psiquiatra.
  12. Exemplo: Pedro se sentia sozinho depois de parar de usar quetamina, porque seus amigos ainda usavam. Ele decidiu fazer um curso de fotografia, onde conheceu novas pessoas e fez amigos que não usavam drogas.

  13. Problemas de saúde

  14. Por que piora: Doenças físicas ou mentais podem aumentar o estresse e a fissura, especialmente se a pessoa usava a droga para aliviar sintomas como dor ou ansiedade.
  15. Como lidar:
    • Cuide da saúde: Faça exames regulares e siga o tratamento para qualquer problema de saúde.
    • Converse com o médico: Se estiver sentindo dor, ansiedade ou outros sintomas, converse com o médico sobre alternativas seguras para aliviar esses sintomas.
    • Pratique autocuidado: Durma bem, alimente-se de forma saudável e faça exercícios físicos.
  16. Exemplo: Ana começou a sentir dores fortes na bexiga por causa do uso de PCP. Ela procurou um urologista, que receitou medicamentos para aliviar a dor. Ela também começou a beber mais água e a evitar alimentos que irritam a bexiga, o que ajudou a reduzir os sintomas.

  17. Recaídas

  18. Por que piora: Uma recaída pode fazer a pessoa se sentir culpada, fracassada ou sem esperança, o que pode levar a mais uso da droga.
  19. Como lidar:
    • Não se culpe: Lembre-se de que a recaída faz parte do processo de recuperação e não significa que você fracassou.
    • Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída (por exemplo, estresse, pressão social, falta de apoio) e pense em como evitar isso no futuro.
    • Volte ao tratamento: Se recair, não desista. Volte ao médico, ao terapeuta ou ao grupo de apoio e continue de onde parou.
  20. Exemplo: Lucas teve uma recaída depois de uma briga com a namorada. Ele se sentiu muito culpado e achou que tinha fracassado, mas o terapeuta o ajudou a entender que a recaída fazia parte do processo. Lucas voltou ao tratamento e, dessa vez, conseguiu ficar mais tempo sem usar.

Perguntas frequentes

Quando alguém recebe o diagnóstico de transtorno devido ao uso de drogas dissociativas, é normal ter muitas dúvidas. Aqui estão algumas das perguntas mais frequentes que pacientes e familiares fazem, com respostas detalhadas:

1. “Quetamina e PCP não são usadas como remédios? Como podem ser perigosas?”

Resposta:
É verdade que a quetamina e a PCP foram desenvolvidas para uso médico. A quetamina ainda é usada como anestésico em hospitais, especialmente em crianças e em situações de emergência, porque é segura e não deprime a respiração como outros anestésicos. A PCP, por outro lado, foi abandonada para uso médico porque seus efeitos colaterais (como alucinações e comportamento violento) eram muito perigosos.

O problema é que, quando essas drogas são usadas fora do contexto médico e sem supervisão, elas podem causar danos graves. Imagine que a quetamina é como um remédio para dor: em uma dose controlada, ele alivia a dor, mas em uma dose muito alta, pode causar overdose e até matar. Além disso, quando usadas de forma recreativa, essas drogas são frequentemente misturadas com outras substâncias (como álcool ou cocaína), o que aumenta os riscos.

Outro ponto importante é que o cérebro não foi feito para lidar com essas substâncias em doses altas e frequentes. A quetamina e a PCP bagunçam o funcionamento normal do cérebro, especialmente os neurotransmissores (como glutamato e dopamina), que são responsáveis pela percepção, memória, humor e comportamento. Com o tempo, o cérebro se acostuma com a presença da droga e passa a “exigir” mais para funcionar, levando à dependência.

Exemplo: João usava quetamina em festas porque achava que era “só uma diversão”. No começo, ele se sentia relaxado e “fora do corpo”, mas depois de alguns meses, começou a ter alucinações e a se sentir ansioso mesmo quando não estava usando. Ele também desenvolveu problemas na bexiga e precisou de tratamento médico.


2. “Eu usei quetamina/PCP algumas vezes e não tive problemas. Por que algumas pessoas desenvolvem dependência e outras não?”

Resposta:
Essa é uma pergunta muito comum, e a resposta está na combinação de fatores que já discutimos: genética, neurobiologia, ambiente e psicologia. É como perguntar por que algumas pessoas que fumam desenvolvem câncer de pulmão e outras não — não existe uma resposta única, mas uma combinação de fatores que aumenta ou diminui o risco.

  1. Genética: Algumas pessoas nascem com uma predisposição genética para desenvolver dependência. Isso não significa que elas vão, necessariamente, ter problemas com drogas, mas que têm um risco maior. Por exemplo, se seus pais ou avós tiveram problemas com álcool ou outras drogas, você pode ter herdado genes que tornam seu cérebro mais sensível aos efeitos da quetamina ou PCP.

  2. Neurobiologia: O cérebro de cada pessoa reage de forma diferente às drogas. Algumas pessoas sentem prazer intenso com uma dose pequena, enquanto outras precisam de doses maiores para sentir o mesmo efeito. Além disso, algumas pessoas têm um sistema de recompensa mais sensível, o que as torna mais vulneráveis à dependência.

  3. Ambiente: Se a pessoa cresce em um ambiente onde o uso de drogas é normalizado (por exemplo, pais ou amigos que usam), ela tem mais chances de experimentar e continuar usando. Por outro lado, um ambiente seguro e acolhedor pode proteger a pessoa.

  4. Psicologia: Pessoas que passam por traumas, estresse ou problemas emocionais têm mais chances de usar drogas como uma forma de “fugir” da realidade. Além disso, pessoas com transtornos mentais (como depressão, ansiedade ou TDAH) têm um risco maior de desenvolver dependência.

Exemplo: Maria e Ana experimentaram quetamina na mesma festa. Maria usou algumas vezes e parou porque não gostou do efeito. Ana, por outro lado, continuou usando porque a droga a fazia se sentir “desconectada” dos problemas em casa. Com o tempo, Ana desenvolveu dependência, enquanto Maria não.


3. “É possível usar quetamina ou PCP de forma recreativa sem desenvolver dependência?”

Resposta:
Em teoria, sim — algumas pessoas conseguem usar drogas de forma ocasional sem desenvolver dependência. Mas isso é muito arriscado, especialmente com drogas dissociativas como a quetamina e a PCP, porque:

  1. Efeitos imprevisíveis: Os efeitos dessas drogas variam muito de pessoa para pessoa e até mesmo de uma dose para outra. Uma dose que para uma pessoa pode causar uma sensação de relaxamento, para outra pode levar a um surto psicótico ou a um comportamento violento.

  2. Risco de dependência: Mesmo o uso ocasional pode levar à dependência, especialmente em pessoas com predisposição genética ou problemas emocionais. É como jogar roleta-russa: você pode ter sorte algumas vezes, mas em algum momento pode perder.

  3. Danos à saúde: Mesmo o uso ocasional pode causar danos físicos, como problemas na bexiga (no caso da quetamina) ou no coração (no caso da PCP). Além disso, o uso de drogas pode piorar problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade.

  4. Pressão social: O uso recreativo muitas vezes acontece em contextos sociais (como festas), onde há pressão para continuar usando. Isso pode levar a um aumento da frequência e da quantidade usada, aumentando o risco de dependência.

Exemplo: Pedro começou a usar quetamina em festas porque seus amigos usavam. No começo, ele usava só uma vez por mês, mas depois de um tempo, passou a usar toda semana. Ele achava que estava no controle, mas acabou desenvolvendo dependência e perdendo o emprego.

Conclusão: Não vale a pena arriscar. Se você está pensando em usar quetamina ou PCP de forma recreativa, lembre-se de que os riscos são altos e os benefícios são passageiros. Existem formas mais seguras e saudáveis de se divertir e lidar com o estresse.


4. “Quanto tempo leva para o cérebro se recuperar dos danos causados pela quetamina ou PCP?”

Resposta:
O tempo de recuperação do cérebro varia de pessoa para pessoa e depende de vários fatores, como:
Tempo de uso: Quanto mais tempo a pessoa usou a droga, mais tempo pode levar para o cérebro se recuperar.
Quantidade usada: Doses altas e frequentes causam mais danos e podem levar mais tempo para serem reparados.
Saúde geral: Pessoas com boa saúde física e mental tendem a se recuperar mais rápido.
Tratamento: Pessoas que buscam tratamento (medicamentos, terapia, mudanças no estilo de vida) se recuperam mais rápido do que aquelas que não buscam ajuda.

De forma geral:
Primeiras semanas: Os sintomas de abstinência (como ansiedade, insônia e fissura) costumam ser mais intensos nas primeiras semanas e vão diminuindo com o tempo.
Primeiros meses: Os sintomas psicológicos (como depressão, ansiedade ou alucinações residuais) podem durar alguns meses, mas tendem a melhorar com o tratamento.
Primeiro ano: A maioria das pessoas começa a se sentir significativamente melhor depois de um ano de abstinência, com melhora na memória, atenção e humor.
Recuperação completa: Alguns danos (como problemas de memória ou atenção) podem levar anos para serem totalmente reparados, e em alguns casos, podem ser permanentes.

Exemplo: João usou quetamina por dois anos e, depois de parar, sentiu ansiedade e dificuldade para se concentrar nos primeiros meses. Depois de um ano de tratamento, ele já se sentia muito melhor, mas ainda tinha algumas dificuldades de memória. Com o tempo e a terapia, esses sintomas foram diminuindo.

Importante: Mesmo que alguns danos sejam permanentes, isso não significa que a pessoa não possa ter uma vida plena. O cérebro tem uma incrível capacidade de se adaptar e compensar os danos, especialmente com tratamento e mudanças no estilo de vida.


5. “Posso tomar remédios para dependência de quetamina/PCP sem parar de usar a droga?”

Resposta:
Não. Os medicamentos usados no tratamento da dependência de drogas dissociativas (como naltrexona ou antidepressivos) não funcionam se a pessoa continuar usando a droga. É como tomar remédio para pressão alta sem parar de comer sal — o remédio não vai fazer efeito porque a causa do problema continua presente.

Além disso, misturar medicamentos com drogas pode ser perigoso e até fatal. Por exemplo:
Naltrexona + quetamina/PCP: A naltrexona bloqueia os receptores de opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer causada pela droga. Se a pessoa continuar usando, pode sentir uma vontade ainda maior de usar doses maiores para “vencer” o bloqueio, o que aumenta o risco de overdose.
Antidepressivos + quetamina/PCP: Alguns antidepressivos podem interagir com as drogas dissociativas, causando efeitos colaterais graves, como arritmias cardíacas ou síndrome serotoninérgica (uma condição potencialmente fatal).

O que fazer:
Primeiro passo: Parar de usar a droga. Isso pode ser feito com ajuda médica, em um ambiente seguro (como uma clínica de desintoxicação).
Segundo passo: Começar o tratamento com medicamentos e terapia. Os medicamentos vão ajudar a reduzir a fissura e os sintomas de abstinência, enquanto a terapia vai ajudar a entender as causas do uso e a desenvolver estratégias para lidar com os gatilhos.

Exemplo: Maria tentou tomar naltrexona enquanto ainda usava PCP, mas não sentiu diferença. Depois de conversar com o psiquiatra, ela entendeu que precisava parar de usar a droga para que o remédio fizesse efeito. Ela fez uma desintoxicação em uma clínica e, depois, começou a tomar naltrexona, que ajudou a reduzir a fissura.


6. “Como posso ajudar um familiar que não admite que tem um problema com drogas?”

Resposta:
Essa é uma situação muito difícil, porque a pessoa pode estar em negação — um mecanismo de defesa que faz com que ela não reconheça o problema. A negação é comum em casos de dependência, porque admitir o problema significa enfrentar a vergonha, o medo e a dor. Veja algumas estratégias para ajudar:

  1. Escolha o momento certo:
  2. Não tente conversar quando a pessoa estiver sob efeito da droga ou em um momento de estresse. Espere um momento em que ela esteja calma e sóbria.
  3. Exemplo: João estava sempre irritado quando usava quetamina, então a família decidiu conversar com ele em um momento em que ele estava sóbrio e tranquilo.

  4. Use uma abordagem amorosa e sem julgamentos:

  5. Evite frases como “Você está destruindo a família” ou “Isso é falta de vergonha”. Em vez disso, use frases como:
    • “Estou preocupado com você e quero te ajudar”.
    • “Percebi que você não está bem e quero entender o que está acontecendo”.
    • “Você não está sozinho. Estou aqui para te apoiar”.
  6. Exemplo: A mãe de Maria disse: “Filha, estou preocupada com você. Percebi que você não está feliz e quero te ajudar a entender o que está acontecendo”.

  7. Dê exemplos concretos:

  8. Em vez de dizer “Você está usando drogas demais”, dê exemplos específicos de como o uso está afetando a vida da pessoa:
    • “Percebi que você faltou ao trabalho três vezes este mês”.
    • “Você brigou com seu irmão no fim de semana e não se lembra do que aconteceu”.
    • “Você gastou todo o seu salário em quetamina e não pagou as contas”.
  9. Exemplo: O irmão de Pedro disse: “Cara, você perdeu o emprego por causa da quetamina, brigou com a namorada e está com problemas de saúde. Isso não é normal”.

  10. Ofereça ajuda, não ultimatos:

  11. Ultimatos como “Ou você para de usar, ou eu te deixo” podem fazer a pessoa se sentir acuada e aumentar a resistência. Em vez disso, ofereça ajuda concreta:
    • “Vamos marcar uma consulta com um psiquiatra juntos”.
    • “Posso te acompanhar a uma reunião do NA”.
    • “Vamos procurar um tratamento que funcione para você”.
  12. Exemplo: A namorada de João disse: “Vamos marcar uma consulta com um psiquiatra juntos. Eu te acompanho e te apoio em tudo”.

  13. Não facilite o uso:

  14. Não dê dinheiro, não encubra os problemas e não minimize as consequências. Isso só vai adiar a busca por ajuda.
  15. Exemplo: Os pais de Ana pararam de dar dinheiro para ela e deixaram que ela assumisse as consequências dos seus atos, como faltar ao trabalho. Isso a fez perceber que precisava de ajuda.

  16. Busque apoio para você:

  17. Cuidar de alguém com dependência pode ser exaustivo. Busque apoio em grupos como o Al-Anon ou o Nar-Anon, ou converse com um psicólogo.
  18. Exemplo: A esposa de Pedro começou a frequentar o Al-Anon, onde encontrou apoio e aprendeu estratégias para lidar com a situação.

  19. Intervenção profissional:

  20. Se a pessoa continuar em negação, pode ser necessário fazer uma intervenção profissional. Nesse caso, um terapeuta ou um grupo de familiares e amigos se reúne com a pessoa para confrontá-la de forma amorosa e estruturada, mostrando como o uso da droga está afetando a vida dela e oferecendo ajuda.
  21. Exemplo: A família de Maria contratou um terapeuta especializado em intervenções para conversar com ela. O terapeuta reuniu a família e os amigos mais próximos, que falaram sobre como o uso de PCP estava afetando a vida de Maria. No fim, ela concordou em buscar tratamento.

Importante: Lembre-se de que você não pode forçar a pessoa a parar de usar drogas — só ela pode tomar essa decisão. O que você pode fazer é oferecer apoio, estabelecer limites saudáveis e cuidar de si mesmo.


7. “Quetamina pode ser usada no tratamento da depressão. Isso significa que ela não é tão ruim assim?”

Resposta:
Essa é uma pergunta importante, porque a quetamina realmente tem sido estudada como tratamento para depressão resistente (quando os antidepressivos comuns não funcionam). Mas é preciso entender que o uso médico da quetamina é completamente diferente do uso recreativo. Vamos explicar:

  1. Dose e contexto:
  2. Uso médico: A quetamina é administrada em doses muito baixas (geralmente por via intravenosa ou nasal) e em um ambiente controlado (como um hospital ou clínica), sob supervisão de um médico. O objetivo é aliviar os sintomas de depressão de forma rápida e segura.
  3. Uso recreativo: A quetamina é usada em doses altas, muitas vezes misturada com outras substâncias, e em ambientes não controlados (como festas). Isso aumenta muito os riscos de overdose, dependência e danos à saúde.

  4. Efeitos no cérebro:

  5. Uso médico: Em doses baixas, a quetamina age rapidamente no cérebro, aumentando a produção de um neurotransmissor chamado BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que ajuda a “reparar” os neurônios danificados pela depressão. Os efeitos antidepressivos podem durar dias ou semanas.
  6. Uso recreativo: Em doses altas, a quetamina bagunça o funcionamento normal do cérebro, causando alucinações, desorientação e danos permanentes. Além disso, o uso frequente pode levar à tolerância (a pessoa precisa de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito) e à dependência.

  7. Riscos:

  8. Uso médico: Os riscos são mínimos quando a quetamina é usada sob supervisão médica. Os efeitos colaterais mais comuns são tontura, náusea e aumento da pressão arterial, que são monitorados pelo médico.
  9. Uso recreativo: Os riscos incluem overdose, dependência, danos na bexiga, problemas cardíacos, alucinações persistentes e até morte.

Exemplo: João usava quetamina em festas para “relaxar”, mas desenvolveu dependência e problemas na bexiga. Maria, por outro lado, usava quetamina em doses baixas, sob supervisão médica, para tratar uma depressão resistente. Os efeitos foram completamente diferentes: João teve prejuízos na vida, enquanto Maria teve uma melhora significativa nos sintomas de depressão.

Conclusão: A quetamina pode ser uma ferramenta útil no tratamento da depressão, mas apenas quando usada de forma controlada e sob supervisão médica. O uso recreativo é perigoso e pode causar danos graves à saúde.


8. “É possível ter uma vida normal depois de desenvolver dependência de quetamina ou PCP?”

Resposta:
Sim, é possível! Muitas pessoas conseguem parar de usar drogas dissociativas, reconstruir suas vidas e ter uma vida plena e feliz. A recuperação não é fácil — é como escalar uma montanha: exige esforço, paciência e persistência, mas a vista lá de cima vale a pena.

Aqui estão algumas histórias reais de pessoas que conseguiram se recuperar:

  1. João, 28 anos:
  2. João usou quetamina por três anos e perdeu o emprego, a namorada e a saúde. Ele desenvolveu dependência e problemas na bexiga, e chegou a pensar em suicídio. Depois de buscar tratamento, ele parou de usar a droga, voltou a estudar e hoje trabalha como programador. Ele também se reconectou com a família e os amigos, e diz que a vida nunca foi tão boa.

  3. Maria, 32 anos:

  4. Maria usou PCP por cinco anos e desenvolveu sintomas psicóticos, como alucinações e delírios. Ela foi internada várias vezes e perdeu o contato com a família. Depois de um longo tratamento, ela parou de usar a droga e voltou a trabalhar como professora. Hoje, ela é voluntária em um grupo de apoio para dependentes e ajuda outras pessoas a se recuperarem.

  5. Pedro, 25 anos:

  6. Pedro começou a usar quetamina na faculdade e, em pouco tempo, desenvolveu dependência. Ele abandonou os estudos e passou a viver nas ruas. Depois de uma overdose, ele foi internado e começou o tratamento. Hoje, ele está há dois anos sem usar a droga, voltou a estudar e planeja abrir seu próprio negócio.

O que essas histórias têm em comum?
Busca por ajuda: Todas essas pessoas reconheceram que tinham um problema e buscaram tratamento.
Apoio: Elas tiveram o apoio da família, dos amigos ou de grupos como o Narcóticos Anônimos.
Mudanças no estilo de vida: Elas fizeram mudanças no dia a dia, como praticar exercícios, melhorar a alimentação e estabelecer uma rotina.
Paciência: Elas entenderam que a recuperação é um processo e que recaídas podem acontecer, mas não desistiram.

Dicas para ter uma vida normal depois da dependência:
1. Siga o tratamento: Não pare de tomar os medicamentos ou de ir à terapia, mesmo quando se sentir melhor.
2. Evite gatilhos: Afaste-se de pessoas, lugares ou situações que possam despertar a vontade de usar a droga.
3. Construa uma rede de apoio: Mantenha contato com pessoas que te apoiam e participe de grupos de apoio.
4. Defina metas: Estabeleça metas realistas para sua vida, como voltar a estudar, conseguir um emprego ou reconstruir relacionamentos.
5. Cuide da saúde: Faça exames regulares, alimente-se bem, durma bem e pratique exercícios físicos.
6. Seja gentil consigo mesmo: A recuperação não é linear — pode haver altos e baixos. Não se culpe por recaídas e celebre cada pequena vitória.

Exemplo: Ana se sentiu muito culpada depois de uma recaída, mas o terapeuta a ajudou a entender que a recaída fazia parte do processo. Ela voltou ao tratamento e, dessa vez, conseguiu ficar mais tempo sem usar. Hoje, ela está há um ano em recuperação e se sente mais forte do que nunca.


9. “Quais são os sinais de que uma pessoa está usando quetamina ou PCP?”

Resposta:
Identificar os sinais de uso de quetamina ou PCP pode ajudar a pessoa a buscar ajuda mais cedo. Os sinais variam dependendo da droga, da dose e da frequência de uso, mas aqui estão alguns dos mais comuns:

Sinais físicos:
1. Quetamina:
Olhos vermelhos ou pupilas dilatadas.
Fala arrastada ou dificuldade para falar.
Movimentos descoordenados (como se estivesse bêbada).
Dificuldade para andar ou se equilibrar.
Náusea ou vômitos.
Aumento da frequência cardíaca ou pressão alta.
Dor ou ardência ao urinar (sinal de cistite ulcerativa).

  1. PCP:
  2. Olhos vermelhos ou pupilas dilatadas.
  3. Sudorese excessiva.
  4. Movimentos bruscos ou agressivos.
  5. Fala arrastada ou repetitiva.
  6. Rigidez muscular ou movimentos involuntários.
  7. Aumento da pressão arterial ou frequência cardíaca.
  8. Náusea ou vômitos.

Sinais comportamentais:
1. Mudanças de humor:
– Euforia exagerada (como se estivesse “alto”).
– Irritabilidade ou agressividade.
– Ansiedade ou pânico.
– Depressão ou apatia.

  1. Comportamentos estranhos:
  2. Falar sozinho ou responder a vozes que não existem.
  3. Agir de forma paranoica (achar que está sendo perseguido ou espionado).
  4. Ter comportamentos violentos ou imprevisíveis.
  5. Isolar-se da família e dos amigos.
  6. Perder o interesse em atividades que antes gostava.

  7. Problemas no trabalho ou na escola:

  8. Faltar ao trabalho ou à escola sem motivo.
  9. Queda no desempenho.
  10. Brigas com colegas ou professores.

  11. Problemas financeiros:

  12. Pedir dinheiro emprestado com frequência.
  13. Vender objetos pessoais ou da família.
  14. Ter dívidas ou problemas com agiotas.

Sinais no ambiente:
– Encontrar pó branco, comprimidos ou frascos com rótulos estranhos.
– Encontrar canudos, colheres queimadas ou papel alumínio (usados para cheirar ou fumar a droga).
– Encontrar seringas ou agulhas (embora a quetamina e a PCP sejam mais comumente cheiradas ou fumadas).

Exemplo: A família de João começou a suspeitar que ele estava usando quetamina quando encontrou frascos com um líquido estranho no quarto dele. Eles também perceberam que ele estava falando arrastado, andando de forma descoordenada e faltando ao trabalho. Quando conversaram com ele, João admitiu que estava usando a droga e aceitou buscar ajuda.


10. “O que fazer se eu suspeitar que alguém está usando quetamina ou PCP?”

Resposta:
Se você suspeitar que alguém está usando quetamina ou PCP, o mais importante é agir com calma e empatia. Lembre-se de que a pessoa pode estar em negação ou com medo de admitir o problema. Veja o que fazer:

  1. Escolha o momento certo:
  2. Não tente conversar quando a pessoa estiver sob efeito da droga ou em um momento de estresse. Espere um momento em que ela esteja calma e sóbria.
  3. Exemplo: A namorada de Pedro esperou ele estar sóbrio para conversar sobre suas suspeitas. Ela escolheu um momento tranquilo, quando os dois estavam relaxando em casa.

  4. Use uma abordagem amorosa e sem julgamentos:

  5. Evite frases como “Você está se drogando” ou “Isso é falta de vergonha”. Em vez disso, use frases como:
    • “Estou preocupado com você. Percebi que você não está bem”.
    • “Quero te ajudar a entender o que está acontecendo”.
    • “Você não está sozinho. Estou aqui para te apoiar”.
  6. Exemplo: A mãe de Maria disse: “Filha, estou preocupada com você. Percebi que você não está feliz e quero te ajudar a entender o que está acontecendo”.

  7. Dê exemplos concretos:

  8. Em vez de dizer “Você está usando drogas”, dê exemplos específicos de comportamentos que te preocupam:
    • “Percebi que você faltou ao trabalho três vezes este mês”.
    • “Você brigou com seu irmão no fim de semana e não se lembra do que aconteceu”.
    • “Você gast
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