Transtornos devidos ao uso de canabinoides sintéticos (CID-11: 6C42)

O que é?

Imagine que você está com uma dor de cabeça forte e decide tomar um remédio que um amigo recomendou. Ele diz que é “igual ao paracetamol, só que mais forte”. Você toma e, em vez de melhorar, começa a sentir o coração disparar, a visão ficar turva e uma sensação de que o mundo está girando. Depois, descobre que aquele comprimido não era paracetamol coisa nenhuma — era uma substância química fabricada em laboratório para imitar o efeito de um remédio, mas com riscos muito maiores.

Os canabinoides sintéticos são exatamente isso: substâncias criadas em laboratório para “imitar” os efeitos da maconha natural, mas com uma diferença crucial — eles são muito mais potentes, imprevisíveis e perigosos. Enquanto a maconha vem da planta Cannabis sativa e tem compostos como o THC (tetrahidrocanabinol) que agem de forma relativamente conhecida no cérebro, os canabinoides sintéticos são moléculas químicas produzidas artificialmente, muitas vezes em condições clandestinas, sem nenhum controle de qualidade ou segurança.

Essas substâncias são vendidas com nomes como “K2”, “Spice”, “Black Mamba”, “Scooby Snax” ou “Bombay Blue”, geralmente pulverizadas em ervas secas para parecerem maconha comum. O problema é que, ao contrário da maconha natural — que tem uma concentração de THC que varia entre 1% e 20% —, os canabinoides sintéticos podem ser dezenas ou até centenas de vezes mais potentes. Isso significa que uma única tragada pode causar efeitos muito mais intensos e perigosos do que o esperado.

O transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos acontece quando o consumo dessas substâncias começa a causar problemas sérios na vida da pessoa. Não se trata apenas de “fumar uma vez e passar mal”, mas de um padrão de uso que leva a consequências negativas no trabalho, nos relacionamentos, na saúde física e mental. Segundo a CID-11, esse transtorno inclui desde a intoxicação aguda (quando a pessoa usa e passa mal na hora) até a dependência (quando o corpo e a mente se acostumam com a substância e não conseguem mais funcionar direito sem ela) e a abstinência (quando a pessoa para de usar e sente sintomas físicos e emocionais intensos).

Como isso é diferente de usar maconha natural?

Muitas pessoas pensam: “Ah, é só uma maconha mais forte”. Mas não é bem assim. A maconha natural tem compostos que agem de forma mais equilibrada no cérebro, enquanto os canabinoides sintéticos são como um “martelo químico” — eles ativam os mesmos receptores cerebrais (chamados CB1 e CB2), mas de forma muito mais intensa e descontrolada. É como comparar uma garrafa de cerveja com um copo de álcool puro: ambos são álcool, mas os efeitos e os riscos são completamente diferentes.

Além disso, enquanto a maconha natural tem sido estudada há décadas e seus efeitos são relativamente previsíveis, os canabinoides sintéticos são uma “caixa-preta”. Cada lote pode ter uma composição química diferente, o que torna impossível saber exatamente o que a pessoa está consumindo. Isso aumenta muito o risco de reações graves, como psicose, convulsões, infarto ou até morte.

Quem é mais afetado?

Os canabinoides sintéticos se popularizaram principalmente entre adolescentes e adultos jovens, especialmente em contextos onde o acesso à maconha natural é difícil ou ilegal. No Brasil, não há dados epidemiológicos específicos sobre o uso dessas substâncias, mas estudos internacionais mostram que:

  • Faixa etária: A maioria dos usuários tem entre 12 e 30 anos, com pico de uso entre 16 e 25 anos.
  • Gênero: Homens são mais afetados do que mulheres, com uma proporção de cerca de 3:1.
  • Contexto social: O uso é mais comum em populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua, jovens em conflito com a lei ou frequentadores de festas eletrônicas.
  • Motivações: Muitas pessoas usam canabinoides sintéticos porque são mais baratos, mais fáceis de conseguir (já que não são detectados em testes de drogas padrão) ou porque acreditam que são “mais fortes” e proporcionam um efeito mais intenso.

No Brasil, o uso dessas substâncias ainda é relativamente baixo em comparação com outros países, como os Estados Unidos ou alguns países da Europa, mas tem crescido nos últimos anos, especialmente em grandes centros urbanos. Um estudo da Fiocruz de 2020 mostrou que cerca de 1,5% dos estudantes brasileiros já haviam experimentado algum tipo de canabinoide sintético, um número que pode parecer pequeno, mas representa milhares de jovens em risco.

Um pouco de história

Os canabinoides sintéticos não foram criados para serem drogas de abuso. Na verdade, eles surgiram nos anos 1980 e 1990 como parte de pesquisas científicas para entender melhor como os compostos da maconha agem no cérebro. O objetivo era desenvolver medicamentos para tratar condições como dor crônica, náusea em pacientes com câncer ou espasticidade em pessoas com esclerose múltipla.

No entanto, no início dos anos 2000, algumas dessas moléculas começaram a ser produzidas ilegalmente e vendidas como “maconha legal” ou “incensos herbais”. A ideia era burlar as leis que proibiam a maconha natural, já que os canabinoides sintéticos não eram (e em muitos lugares ainda não são) explicitamente proibidos. Com o tempo, essas substâncias se espalharam pelo mundo, especialmente entre jovens que buscavam efeitos mais intensos ou que queriam evitar testes de drogas positivos.

O problema é que, como essas substâncias são produzidas em laboratórios clandestinos, sua composição química varia muito. Um mesmo produto pode ter concentrações diferentes de canabinoides sintéticos em cada lote, o que aumenta muito o risco de overdose ou reações adversas graves. Além disso, muitas vezes essas substâncias são misturadas com outras drogas ou contaminantes, como pesticidas ou metais pesados, o que torna o consumo ainda mais perigoso.


Quais são os sintomas?

Quando falamos em transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos, estamos nos referindo a um conjunto de sinais e sintomas que mostram que o uso dessas substâncias está causando problemas na vida da pessoa. Esses problemas podem ser físicos, emocionais, cognitivos (relacionados ao pensamento) ou comportamentais.

Para que o diagnóstico seja feito, esses sintomas precisam estar presentes por um período prolongado (geralmente 12 meses) e causar sofrimento significativo ou prejuízo em áreas importantes da vida, como trabalho, estudos, relacionamentos ou saúde. Ter um ou dois sintomas isolados não significa que a pessoa tenha o transtorno — o que importa é o padrão de uso e o impacto que ele causa.

Vamos detalhar cada um dos critérios diagnósticos, traduzindo-os para uma linguagem acessível e dando exemplos concretos de como eles aparecem no dia a dia.


1. Uso em quantidades maiores ou por mais tempo do que o pretendido

O que isso significa?
Você planeja usar uma quantidade pequena ou por um período curto, mas acaba usando muito mais do que havia imaginado. É como quando você decide tomar só uma taça de vinho e acaba bebendo a garrafa inteira. No caso dos canabinoides sintéticos, isso acontece porque a substância é muito potente e viciante, e o cérebro rapidamente se acostuma com os efeitos, fazendo com que a pessoa sinta necessidade de usar mais para obter o mesmo resultado.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: João decide fumar só um baseado de “Spice” para relaxar depois do trabalho. Ele acha que vai dar só duas tragadas, mas acaba fumando o baseado inteiro e ainda pede mais um pouco para um amigo.
Exemplo 2: Maria leva uma pequena quantidade de “K2” para uma festa, pensando que vai durar a noite toda. No entanto, ela acaba usando tudo em menos de uma hora e ainda pede mais para outras pessoas.
Exemplo 3: Pedro compra um pacote de “incenso herbal” e planeja usar só nos fins de semana. Mas, em poucos dias, ele já está usando todos os dias, várias vezes ao dia.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente perca um pouco o controle — como quando comemos um pedaço de chocolate e acabamos comendo a barra inteira. Mas no caso dos canabinoides sintéticos, isso acontece sempre ou quase sempre, e a pessoa sente que não consegue parar, mesmo quando quer. Se isso está acontecendo com frequência e causando problemas (como faltar ao trabalho, gastar muito dinheiro ou brigar com a família), é um sinal de alerta.


2. Desejo persistente ou esforços malsucedidos para reduzir ou controlar o uso

O que isso significa?
A pessoa quer parar ou diminuir o uso, mas não consegue. É como tentar segurar a respiração por muito tempo: em algum momento, o corpo vai exigir ar, não importa o quanto você tente resistir. No caso dos canabinoides sintéticos, o cérebro se acostuma tanto com a substância que fica difícil funcionar sem ela. A pessoa pode até conseguir ficar alguns dias sem usar, mas acaba voltando, muitas vezes com mais intensidade.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Ana promete a si mesma que vai parar de usar “Black Mamba” depois de uma crise de ansiedade que quase a levou ao hospital. Ela consegue ficar três dias sem usar, mas na quarta noite, depois de uma discussão com o namorado, ela volta a fumar.
Exemplo 2: Carlos tenta diminuir o uso de “Spice” porque está gastando muito dinheiro. Ele faz um plano para usar só nos fins de semana, mas na segunda-feira já está fumando de novo, mesmo sabendo que precisa economizar.
Exemplo 3: Fernanda decide parar de usar canabinoides sintéticos depois que sua mãe descobriu e ameaçou colocá-la para fora de casa. Ela consegue ficar uma semana sem usar, mas quando vê seus amigos fumando, não resiste e volta a usar.

O que é normal vs. o que é sintomático?
Todo mundo tem vontades difíceis de controlar às vezes — como quando você decide fazer dieta, mas não resiste a um doce. A diferença é que, no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a pessoa tenta várias vezes parar ou diminuir, mas não consegue, mesmo quando isso está prejudicando sua vida. Se você ou alguém que você conhece já tentou parar várias vezes e não conseguiu, é um sinal de que o uso pode estar fora de controle.


3. Muito tempo gasto em atividades relacionadas ao uso

O que isso significa?
A pessoa passa a maior parte do tempo pensando em usar, usando ou se recuperando dos efeitos da substância. É como se a vida girasse em torno da droga: onde conseguir, como usar, como esconder dos outros, como lidar com os efeitos depois. Isso acaba tomando o lugar de outras atividades importantes, como trabalho, estudos, hobbies ou convivência com a família.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Ricardo costumava jogar futebol com os amigos todo sábado, mas agora passa os fins de semana procurando onde comprar “K2” ou se recuperando dos efeitos da substância. Ele até tentou jogar uma vez, mas estava tão mal que não conseguiu.
Exemplo 2: Juliana trabalhava como designer e adorava pintar nas horas vagas. Agora, ela passa o dia todo pensando em quando vai poder fumar “Spice” e não tem mais paciência para seus projetos pessoais.
Exemplo 3: Marcos gastava horas pesquisando sobre música e tocando violão. Depois que começou a usar canabinoides sintéticos, ele só pensa em como conseguir mais droga e não tem mais interesse em nada além disso.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente fique empolgado com algo novo — como quando começamos a assistir uma série e passamos o fim de semana inteiro maratonando. Mas no caso dos canabinoides sintéticos, a pessoa deixa de fazer coisas que antes eram importantes para se dedicar ao uso da substância. Se você percebe que está abandonando hobbies, trabalho ou relacionamentos por causa da droga, é um sinal de que o uso está se tornando um problema.


4. Fissura ou forte desejo de usar a substância

O que isso significa?
A fissura é um desejo intenso e quase incontrolável de usar a substância. É como quando você está com muita fome e passa na frente de uma padaria: o cheiro do pão quentinho faz sua boca salivar e você sente uma vontade quase física de comer. No caso dos canabinoides sintéticos, essa fissura pode ser tão forte que a pessoa não consegue pensar em outra coisa até conseguir usar.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Depois de alguns dias sem usar “Black Mamba”, Pedro começa a sentir uma ansiedade crescente. Ele não consegue se concentrar no trabalho e passa o dia todo pensando em como vai conseguir mais droga. Quando finalmente consegue, sente um alívio imediato.
Exemplo 2: Carla está em uma festa e vê alguém fumando “Spice”. Ela sente uma vontade tão forte de usar que começa a tremer e suar. Ela tenta resistir, mas acaba pedindo um pouco para o amigo.
Exemplo 3: Lucas está tentando parar de usar canabinoides sintéticos, mas toda vez que passa na frente da loja onde comprava, sente uma vontade quase física de entrar e comprar. Ele precisa se esforçar muito para não ceder.

O que é normal vs. o que é sintomático?
Todo mundo tem vontades fortes às vezes — como quando você está de dieta e passa na frente de uma sorveteria. A diferença é que, no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a fissura é tão intensa que a pessoa não consegue pensar em outra coisa e acaba cedendo, mesmo quando sabe que não deveria. Se você sente que a vontade de usar é mais forte do que você, é um sinal de alerta.


5. Uso recorrente resultando em fracasso em cumprir obrigações importantes

O que isso significa?
A pessoa começa a falhar em compromissos importantes por causa do uso da substância. Isso pode acontecer no trabalho, na escola, em casa ou em qualquer outra área da vida. É como quando você está tão cansado que não consegue se levantar para trabalhar — só que, nesse caso, o “cansaço” é causado pela droga.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Thiago é motorista de aplicativo e costumava trabalhar todos os dias. Depois que começou a usar “K2”, ele passou a faltar ao trabalho porque estava muito mal para dirigir ou porque preferia ficar em casa usando a substância.
Exemplo 2: Sofia é estudante universitária e sempre foi dedicada. Depois que começou a usar canabinoides sintéticos, ela passou a faltar às aulas e a não entregar trabalhos, porque estava sempre “chapada” ou se recuperando dos efeitos.
Exemplo 3: Rafael é pai de dois filhos e sempre ajudava nas tarefas de casa. Agora, ele passa os fins de semana trancado no quarto fumando “Spice” e não consegue mais ajudar nas tarefas domésticas ou brincar com as crianças.

O que é normal vs. o que é sintomático?
Todo mundo tem dias ruins e às vezes não consegue cumprir todas as obrigações. Mas no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, isso acontece com frequência e está diretamente ligado ao uso da substância. Se você ou alguém que você conhece está faltando ao trabalho, à escola ou deixando de lado responsabilidades importantes por causa da droga, é um sinal de que o uso está se tornando um problema sério.


6. Uso continuado apesar de problemas sociais ou interpessoais

O que isso significa?
A pessoa continua usando a substância mesmo quando isso está causando brigas, discussões ou afastamento de pessoas importantes. É como quando você sabe que algo está te fazendo mal, mas continua fazendo mesmo assim, mesmo que isso magoe as pessoas que você ama.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Depois que começou a usar “Black Mamba”, Pedro passou a brigar muito com a namorada, que não gosta da substância. Mesmo assim, ele continua usando, mesmo sabendo que isso está prejudicando o relacionamento.
Exemplo 2: Carla sempre foi próxima da família, mas depois que começou a usar canabinoides sintéticos, passou a evitar os pais e os irmãos porque eles não aprovam o uso. Mesmo assim, ela não consegue parar.
Exemplo 3: João costumava sair com os amigos todo fim de semana, mas depois que começou a usar “Spice”, eles pararam de convidá-lo porque ele sempre fica agressivo ou mal-humorado. Mesmo assim, ele continua usando.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente discuta com as pessoas que ama — como quando você briga com seu parceiro por causa de uma decisão importante. Mas no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a pessoa sabe que a substância está causando problemas, mas continua usando mesmo assim. Se você percebe que está perdendo amigos, brigando com a família ou se afastando de pessoas importantes por causa da droga, é um sinal de que o uso está fora de controle.


7. Redução ou abandono de atividades sociais, ocupacionais ou recreativas

O que isso significa?
A pessoa deixa de fazer coisas que antes eram importantes para ela por causa do uso da substância. Isso pode incluir hobbies, esportes, trabalho voluntário, convivência com amigos ou qualquer outra atividade que antes trazia prazer ou satisfação.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Ana adorava dançar e ia a aulas de zumba três vezes por semana. Depois que começou a usar “K2”, ela parou de ir às aulas porque preferia ficar em casa usando a substância.
Exemplo 2: Marcos era voluntário em um abrigo de animais e adorava passar as tardes lá. Depois que começou a usar canabinoides sintéticos, ele parou de ir porque não tinha mais paciência para lidar com os animais.
Exemplo 3: Juliana costumava sair com as amigas para jantar ou ir ao cinema. Agora, ela prefere ficar em casa fumando “Spice” e não tem mais interesse em sair.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente perca o interesse em algumas atividades — como quando você está muito cansado e não quer sair de casa. Mas no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a pessoa deixa de fazer coisas que antes eram muito importantes para ela e substitui por atividades relacionadas ao uso da substância. Se você percebe que está abandonando hobbies, esportes ou convivência social por causa da droga, é um sinal de alerta.


8. Uso recorrente em situações de risco físico

O que isso significa?
A pessoa usa a substância em situações em que isso pode colocar sua vida ou a vida de outras pessoas em risco. Isso inclui dirigir sob efeito da droga, operar máquinas, nadar, ou qualquer outra atividade que exija atenção e coordenação.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Depois de fumar “Black Mamba”, Pedro decide dirigir para encontrar um amigo. No caminho, ele começa a ver coisas que não existem e quase causa um acidente.
Exemplo 2: Carla trabalha em uma fábrica e opera máquinas pesadas. Mesmo sabendo que não deveria, ela usa “Spice” durante o expediente e quase se machuca várias vezes.
Exemplo 3: João decide nadar depois de usar canabinoides sintéticos. Ele começa a se sentir tonto e quase se afoga, precisando ser resgatado por um salva-vidas.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente tome decisões arriscadas — como quando você decide dirigir depois de tomar uma taça de vinho. Mas no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a pessoa usa a substância em situações de risco com frequência, mesmo sabendo dos perigos. Se você ou alguém que você conhece está colocando a vida em risco por causa da droga, é um sinal de que o uso está se tornando extremamente perigoso.


9. Uso continuado apesar de problemas físicos ou psicológicos

O que isso significa?
A pessoa continua usando a substância mesmo quando sabe que isso está causando ou piorando problemas de saúde física ou mental. É como quando você sabe que comer doces faz mal para o seu diabetes, mas continua comendo mesmo assim.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Depois de usar “K2”, Ricardo começou a ter crises de ansiedade tão fortes que precisou ir ao hospital. Mesmo assim, ele continua usando a substância.
Exemplo 2: Carla foi diagnosticada com depressão e o médico disse que os canabinoides sintéticos podem piorar o quadro. Mesmo assim, ela não consegue parar de usar.
Exemplo 3: João começou a ter alucinações depois de usar “Spice”. Mesmo assim, ele continua usando, mesmo sabendo que a substância pode estar causando esses sintomas.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que, às vezes, a gente ignore os riscos à saúde — como quando você sabe que deveria ir ao médico, mas adia a consulta. Mas no transtorno por uso de canabinoides sintéticos, a pessoa sabe que a substância está causando problemas de saúde, mas continua usando mesmo assim. Se você percebe que está ignorando sinais de alerta do seu corpo ou da sua mente por causa da droga, é um sinal de que o uso está se tornando um problema grave.


10. Tolerância

O que isso significa?
Com o tempo, o corpo se acostuma com a substância e a pessoa precisa usar quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito. É como quando você toma café todos os dias: no começo, uma xícara é suficiente para te deixar acordado, mas depois de um tempo, você precisa de duas ou três para sentir o mesmo efeito.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: No começo, Pedro fumava só um baseado de “Black Mamba” para se sentir relaxado. Agora, ele precisa fumar três ou quatro para sentir o mesmo efeito.
Exemplo 2: Carla costumava sentir os efeitos do “Spice” com apenas uma tragada. Agora, ela precisa fumar o baseado inteiro para sentir alguma coisa.
Exemplo 3: João começou usando canabinoides sintéticos uma vez por semana. Agora, ele usa todos os dias e ainda sente que não é suficiente.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal que o corpo se acostume com algumas substâncias — como o café ou o álcool. Mas no caso dos canabinoides sintéticos, a tolerância se desenvolve muito rápido e a pessoa precisa usar quantidades cada vez maiores para sentir os mesmos efeitos. Isso aumenta muito o risco de overdose e de problemas de saúde. Se você percebe que está precisando usar cada vez mais para sentir os efeitos, é um sinal de alerta.


11. Abstinência

O que isso significa?
Quando a pessoa para de usar a substância, ela começa a sentir sintomas físicos e emocionais desagradáveis. É como quando você está acostumado a tomar café todos os dias e, de repente, para: você pode sentir dor de cabeça, irritação e cansaço. No caso dos canabinoides sintéticos, os sintomas de abstinência podem ser muito mais intensos e incluir ansiedade, depressão, insônia, sudorese, tremores e até psicose.

Exemplos no dia a dia:
Exemplo 1: Depois de parar de usar “K2”, Ricardo começou a sentir uma ansiedade tão forte que não conseguia ficar parado. Ele também tinha insônia e suava muito, mesmo em dias frios.
Exemplo 2: Carla tentou parar de usar “Spice”, mas depois de dois dias começou a sentir uma tristeza profunda e não tinha vontade de fazer nada. Ela também tinha tremores e sentia que não conseguia respirar direito.
Exemplo 3: João ficou três dias sem usar canabinoides sintéticos e começou a ver coisas que não existiam. Ele também ficou muito agressivo e quase brigou com um amigo.

O que é normal vs. o que é sintomático?
É normal sentir algum desconforto quando paramos de usar uma substância à qual estamos acostumados — como quando você para de tomar café e sente dor de cabeça. Mas no caso dos canabinoides sintéticos, os sintomas de abstinência são muito mais intensos e podem incluir sintomas físicos e psicológicos graves. Se você ou alguém que você conhece está sentindo sintomas fortes depois de parar de usar, é importante procurar ajuda médica.


Sintomas adicionais: Intoxicação e outros transtornos induzidos

Além dos critérios que acabamos de ver, o uso de canabinoides sintéticos pode causar outros sintomas e transtornos, como:

Intoxicação por canabinoides sintéticos

A intoxicação acontece quando a pessoa usa a substância e começa a sentir efeitos imediatos, que podem incluir:
Alucinações: Ver, ouvir ou sentir coisas que não existem. Por exemplo, a pessoa pode ver sombras se movendo ou ouvir vozes que não estão lá.
Delírios: Crenças falsas e persistentes, mesmo quando há evidências de que não são verdadeiras. Por exemplo, a pessoa pode acreditar que está sendo perseguida ou que tem poderes especiais.
Ansiedade intensa: Sensação de medo ou pânico sem motivo aparente. A pessoa pode sentir que vai morrer ou que algo muito ruim vai acontecer.
Agitação ou agressividade: A pessoa pode ficar muito agitada, irritada ou até violenta.
Confusão mental: Dificuldade para pensar com clareza, se concentrar ou tomar decisões.
Problemas físicos: Batimentos cardíacos acelerados, pressão alta, náusea, vômitos, sudorese, tremores ou convulsões.

Exemplo no dia a dia:
Lucas fumou “Black Mamba” em uma festa e, de repente, começou a ver monstros nas paredes. Ele também sentiu que seu coração estava saindo pela boca e teve uma crise de pânico tão forte que precisou ser levado ao hospital.

Transtorno psicótico induzido por canabinoides sintéticos (CID-11: 6C42.6)

Em alguns casos, o uso de canabinoides sintéticos pode desencadear um episódio psicótico, que é uma condição grave em que a pessoa perde o contato com a realidade. Os sintomas podem incluir:
Delírios: Crenças falsas e persistentes, como achar que está sendo espionado ou que tem uma missão especial para salvar o mundo.
Alucinações: Ver, ouvir ou sentir coisas que não existem. Por exemplo, ouvir vozes que mandam a pessoa fazer coisas ou ver pessoas que não estão lá.
Pensamento desorganizado: Falar de forma confusa, pular de um assunto para outro sem conexão ou inventar palavras.
Comportamento desorganizado: Agir de forma estranha ou imprevisível, como rir sem motivo, gritar ou se despir em público.

Exemplo no dia a dia:
Depois de usar “Spice” por alguns meses, Mariana começou a acreditar que seus vizinhos estavam colocando câmeras em seu apartamento para espioná-la. Ela também ouvia vozes que diziam para ela se esconder e passou a trancar todas as portas e janelas. Seus familiares notaram que ela estava falando sozinha e agindo de forma estranha, então a levaram ao hospital, onde foi diagnosticada com transtorno psicótico induzido por canabinoides sintéticos.

Transtorno de humor induzido por canabinoides sintéticos (CID-11: 6C42.70)

O uso de canabinoides sintéticos também pode causar transtornos de humor, como depressão ou mania. Os sintomas podem incluir:
Depressão: Tristeza profunda, falta de energia, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, dificuldade para dormir ou dormir demais, pensamentos de morte ou suicídio.
Mania: Euforia excessiva, irritabilidade, agitação, diminuição da necessidade de sono, fala acelerada, comportamentos impulsivos (como gastar muito dinheiro ou se envolver em situações de risco).

Exemplo no dia a dia:
Depois de parar de usar “K2”, Pedro começou a se sentir muito triste e sem energia. Ele não tinha vontade de sair da cama, perdeu o apetite e começou a pensar que não valia a pena viver. Seus amigos notaram que ele estava diferente e o levaram a um psicólogo, que diagnosticou depressão induzida por canabinoides sintéticos.


O que é normal vs. o que é sintomático?

É importante lembrar que ter alguns desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha um transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos. Por exemplo:
– Todo mundo pode ter um dia em que usa mais do que pretendia, especialmente em uma festa ou com amigos.
– É normal sentir vontade de usar uma substância de vez em quando, especialmente se ela está associada a momentos de prazer.
– Todo mundo pode ter um dia ruim no trabalho ou na escola, ou deixar de fazer alguma atividade por preguiça ou cansaço.

O que diferencia o uso recreativo ou ocasional de um transtorno é:
1. A frequência: Os sintomas acontecem com frequência, não apenas de vez em quando.
2. A intensidade: Os sintomas são intensos e causam sofrimento significativo.
3. O impacto: Os sintomas estão prejudicando áreas importantes da vida, como trabalho, estudos, relacionamentos ou saúde.
4. A duração: Os sintomas persistem por um período prolongado (geralmente 12 meses ou mais).

Se você ou alguém que você conhece está apresentando vários desses sintomas com frequência e eles estão causando problemas na vida, é importante procurar ajuda de um profissional de saúde mental.


Como se manifesta no dia a dia?

Os transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos não afetam apenas a pessoa que usa a substância — eles têm um impacto profundo em todas as áreas da vida. Vamos ver como isso se manifesta no trabalho, nos relacionamentos, na rotina e na saúde física.


No trabalho ou na escola

O uso de canabinoides sintéticos pode prejudicar muito o desempenho no trabalho ou nos estudos. Isso acontece porque a substância afeta a capacidade de concentração, memória, tomada de decisões e coordenação motora. Além disso, os sintomas de abstinência — como ansiedade, irritabilidade e insônia — podem tornar difícil cumprir as obrigações diárias.

Exemplos concretos:
Faltas e atrasos: A pessoa pode começar a faltar ao trabalho ou à escola porque está se recuperando dos efeitos da substância ou porque não consegue acordar de manhã devido à insônia.
Exemplo: Carlos costumava ser pontual no trabalho, mas depois que começou a usar “Spice”, passou a chegar atrasado quase todos os dias porque não conseguia dormir à noite e acordava muito tarde.
Queda no desempenho: A pessoa pode ter dificuldade para se concentrar, lembrar de informações importantes ou tomar decisões.
Exemplo: Ana era uma aluna dedicada e sempre tirava notas altas. Depois que começou a usar canabinoides sintéticos, suas notas caíram porque ela não conseguia mais se concentrar nas aulas ou estudar para as provas.
Problemas de relacionamento com colegas: A pessoa pode ficar irritada, agressiva ou paranoica, o que pode causar conflitos com colegas de trabalho ou de escola.
Exemplo: João trabalhava em uma equipe e sempre foi muito colaborativo. Depois que começou a usar “K2”, passou a brigar com os colegas porque achava que estavam falando mal dele.
Risco de acidentes: Se a pessoa opera máquinas, dirige ou realiza atividades que exigem atenção, o uso de canabinoides sintéticos pode aumentar muito o risco de acidentes.
Exemplo: Ricardo trabalhava como motorista de caminhão e costumava ser muito cuidadoso. Depois que começou a usar canabinoides sintéticos, ele quase causou um acidente porque viu coisas que não existiam enquanto dirigia.


Nos relacionamentos

Os transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos podem causar muitos problemas nos relacionamentos, tanto com a família quanto com amigos ou parceiros. Isso acontece porque a substância pode alterar o humor, a personalidade e o comportamento da pessoa, tornando-a mais irritada, paranoica ou distante.

Exemplos concretos:
Brigas e discussões: A pessoa pode ficar mais irritada, agressiva ou paranoica, o que pode levar a brigas frequentes com familiares, amigos ou parceiros.
Exemplo: Depois que começou a usar “Black Mamba”, Pedro passou a brigar muito com a namorada porque achava que ela estava traindo ele. Mesmo quando ela mostrava provas de que não era verdade, ele não acreditava.
Afastamento: A pessoa pode se isolar das pessoas que ama porque prefere ficar sozinha usando a substância ou porque se sente envergonhada do seu comportamento.
Exemplo: Carla sempre foi muito próxima da família, mas depois que começou a usar canabinoides sintéticos, passou a evitar os pais e os irmãos porque eles não aprovavam o uso.
Desconfiança: A pessoa pode começar a desconfiar das pessoas ao seu redor, achando que estão mentindo, traindo ou querendo prejudicá-la.
Exemplo: João costumava confiar nos amigos, mas depois que começou a usar “Spice”, passou a achar que todos estavam contra ele e que queriam roubar seu dinheiro.
Falta de interesse em atividades sociais: A pessoa pode perder o interesse em sair com amigos, participar de eventos familiares ou fazer atividades que antes gostava.
Exemplo: Mariana adorava sair com as amigas para jantar ou ir ao cinema, mas depois que começou a usar canabinoides sintéticos, preferia ficar em casa fumando.


Na rotina

O uso de canabinoides sintéticos pode bagunçar completamente a rotina da pessoa, afetando o sono, a alimentação, o autocuidado e o lazer. Isso acontece porque a substância altera o funcionamento do cérebro e do corpo, tornando difícil manter hábitos saudáveis.

Exemplos concretos:
Sono: A pessoa pode ter insônia (dificuldade para dormir) ou dormir demais, o que pode causar cansaço, irritabilidade e dificuldade para cumprir as obrigações diárias.
Exemplo: Depois que começou a usar “K2”, Ricardo passou a ter insônia e ficava acordado até de madrugada. Como consequência, ele acordava muito tarde e não conseguia ir ao trabalho.
Alimentação: A pessoa pode perder o apetite ou comer demais, o que pode levar a problemas de saúde como desnutrição ou obesidade.
Exemplo: Carla sempre teve uma alimentação equilibrada, mas depois que começou a usar canabinoides sintéticos, perdeu completamente o apetite e emagreceu muito.
Autocuidado: A pessoa pode parar de cuidar da higiene pessoal, da aparência ou da saúde, o que pode levar a problemas como cáries, infecções ou doenças de pele.
Exemplo: João sempre foi vaidoso e cuidava muito da aparência, mas depois que começou a usar “Spice”, parou de tomar banho, escovar os dentes e trocar de roupa.
Lazer: A pessoa pode perder o interesse em hobbies, esportes ou atividades que antes davam prazer, substituindo-os pelo uso da substância.
Exemplo: Ana adorava dançar e ia a aulas de zumba três vezes por semana. Depois que começou a usar “Black Mamba”, parou de ir às aulas porque preferia ficar em casa usando a substância.


Na saúde física

Os canabinoides sintéticos não afetam apenas a mente — eles também têm um impacto profundo na saúde física. Isso acontece porque essas substâncias agem em vários sistemas do corpo, incluindo o cardiovascular, o respiratório, o digestivo e o neurológico.

Exemplos concretos:
Problemas cardiovasculares: Os canabinoides sintéticos podem causar batimentos cardíacos acelerados (taquicardia), pressão alta (hipertensão) ou até infarto.
Exemplo: Depois de fumar “K2”, Pedro sentiu o coração disparar e começou a suar frio. Ele foi levado ao hospital, onde os médicos disseram que ele quase teve um infarto.
Problemas respiratórios: Fumar canabinoides sintéticos pode causar tosse, falta de ar, bronquite ou até câncer de pulmão.
Exemplo: Carla sempre teve pulmões saudáveis, mas depois que começou a fumar “Spice”, passou a ter tosse constante e falta de ar.
Problemas digestivos: A substância pode causar náusea, vômitos, diarreia ou dor abdominal.
Exemplo: João começou a ter vômitos frequentes depois de usar canabinoides sintéticos. Ele também perdeu muito peso porque não conseguia comer direito.
Problemas neurológicos: Os canabinoides sintéticos podem causar convulsões, tremores, tonturas ou até derrame.
Exemplo: Depois de fumar “Black Mamba”, Mariana teve uma convulsão e precisou ser levada ao hospital.
Problemas renais: Em alguns casos, o uso de canabinoides sintéticos pode causar insuficiência renal, uma condição grave em que os rins param de funcionar direito.
Exemplo: Ricardo foi internado com insuficiência renal depois de usar “Spice” por vários meses. Os médicos disseram que a substância pode ter danificado seus rins.


O que causa essa condição?

Quando falamos em transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos, não existe uma única causa. Na verdade, é uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver o problema. Vamos entender cada um deles.


Fatores genéticos: A herança que carregamos

Imagine que o nosso corpo é como um computador. Os genes são o “hardware” — a parte física que herdamos dos nossos pais e que determina coisas como a cor dos olhos, a altura e, em parte, como nosso cérebro funciona. Alguns de nós nascem com um “hardware” que torna mais fácil desenvolver dependência de substâncias, enquanto outros têm um “hardware” mais resistente.

Como isso funciona?
Histórico familiar: Se alguém na sua família (pais, irmãos, avós) teve problemas com álcool, drogas ou transtornos mentais, você pode ter uma predisposição genética para desenvolver dependência. Isso não significa que você vai desenvolver o problema, mas que tem um risco maior do que alguém sem histórico familiar.
Exemplo: João sempre ouviu histórias sobre o tio que bebia demais e acabava brigando com todo mundo. Quando João começou a usar canabinoides sintéticos, percebeu que se viciava muito mais rápido do que seus amigos.
Diferenças no cérebro: Algumas pessoas nascem com diferenças na forma como o cérebro processa o prazer, a recompensa e o controle dos impulsos. Isso pode tornar mais difícil resistir ao uso de substâncias.
Exemplo: Ana sempre foi impulsiva e tinha dificuldade para controlar seus desejos. Quando experimentou “Spice”, sentiu um prazer tão intenso que não conseguiu parar de usar.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Se meus pais não tiveram problemas com drogas, eu também não vou ter.”
Verdade: Mesmo sem histórico familiar, outras coisas — como traumas, estresse ou exposição precoce a substâncias — podem aumentar o risco. Além disso, os genes não são o único fator: o ambiente e as escolhas pessoais também têm um papel importante.


Fatores neurobiológicos: O que acontece no cérebro?

Nosso cérebro é como uma orquestra, com vários instrumentos (neurônios) tocando juntos para produzir uma sinfonia harmoniosa. Os canabinoides sintéticos são como um músico que entra de repente e começa a tocar muito alto, bagunçando toda a música. Com o tempo, o cérebro se acostuma com essa “música alta” e passa a depender dela para funcionar.

Como isso funciona?
Sistema de recompensa: O cérebro tem um sistema que nos faz sentir prazer quando fazemos coisas boas, como comer, socializar ou praticar esportes. Os canabinoides sintéticos “hackeiam” esse sistema, fazendo com que a pessoa sinta um prazer intenso e imediato, muito maior do que o prazer natural.
Analogia: É como se você estivesse com fome e, em vez de comer uma refeição saudável, comesse um bolo inteiro de uma vez. No começo, é delicioso, mas depois você se sente mal e quer mais.
Desequilíbrio químico: Os canabinoides sintéticos agem nos receptores CB1 e CB2 do cérebro, que são responsáveis por regular coisas como humor, memória, apetite e dor. Quando a pessoa usa essas substâncias com frequência, o cérebro reduz a produção natural de neurotransmissores (como a dopamina e a serotonina), o que pode levar a sintomas de depressão, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa para de usar.
Exemplo: Depois de usar “K2” por alguns meses, Pedro começou a se sentir triste e sem energia quando não estava usando a substância. Isso acontecia porque seu cérebro tinha parado de produzir dopamina naturalmente.
Tolerância e dependência: Com o tempo, o cérebro se acostuma com a presença da substância e passa a precisar de quantidades cada vez maiores para sentir os mesmos efeitos. Além disso, quando a pessoa para de usar, o cérebro “entra em pânico” e começa a produzir sintomas de abstinência.
Exemplo: No começo, Carla fumava só um baseado de “Spice” para se sentir relaxada. Depois de alguns meses, precisava fumar três ou quatro para sentir o mesmo efeito.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Canabinoides sintéticos não viciam porque são ‘naturais’.”
Verdade: Os canabinoides sintéticos são muito mais viciantes do que a maconha natural porque são muito mais potentes e agem de forma mais intensa no cérebro. Além disso, eles não são “naturais” — são substâncias químicas fabricadas em laboratório.


Fatores psicológicos: A mente que nos guia

Nossa mente é como um jardim: se cuidamos bem dele, ele floresce; se o negligenciamos, ele pode ser tomado por ervas daninhas. Fatores psicológicos — como traumas, estresse, ansiedade ou depressão — podem tornar mais difícil resistir ao uso de substâncias, porque a pessoa pode usar a droga como uma forma de “automedicação”, ou seja, para aliviar sintomas desagradáveis.

Como isso funciona?
Traumas: Experiências traumáticas — como abuso, violência, bullying ou perda de um ente querido — podem deixar marcas profundas na mente. Algumas pessoas usam substâncias para “anestesiar” a dor emocional.
Exemplo: Depois que seus pais se divorciaram, Lucas começou a se sentir muito sozinho e ansioso. Ele experimentou “Black Mamba” em uma festa e, pela primeira vez em meses, se sentiu relaxado. Isso o levou a usar a substância com frequência.
Estresse: Situações de estresse crônico — como problemas no trabalho, dificuldades financeiras ou conflitos familiares — podem aumentar o risco de uso de substâncias como uma forma de escape.
Exemplo: Ana estava passando por um período difícil no trabalho, com muita pressão e prazos apertados. Ela começou a usar “Spice” para relaxar depois do expediente e, com o tempo, passou a usar todos os dias.
Transtornos mentais: Pessoas com transtornos como depressão, ansiedade, TDAH ou esquizofrenia têm um risco maior de desenvolver dependência de substâncias, porque podem usar a droga para aliviar os sintomas.
Exemplo: Pedro sempre teve dificuldade para se concentrar e foi diagnosticado com TDAH. Ele começou a usar canabinoides sintéticos porque achava que a substância o ajudava a se sentir mais focado. No entanto, com o tempo, o uso piorou seus sintomas de ansiedade e impulsividade.
Baixa autoestima: Pessoas com baixa autoestima podem usar substâncias para se sentir mais confiantes ou aceitas em um grupo.
Exemplo: Mariana sempre se sentiu excluída na escola e tinha dificuldade para fazer amigos. Quando começou a usar “K2” em festas, percebeu que as pessoas pareciam gostar mais dela. Isso a levou a usar a substância com frequência.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Quem usa drogas é fraco ou não tem força de vontade.”
Verdade: A dependência não tem nada a ver com fraqueza. É uma condição médica complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Muitas pessoas com dependência são fortes e resilientes, mas estão lutando contra uma doença que afeta o cérebro.


Fatores ambientais: O mundo ao nosso redor

O ambiente em que vivemos é como o solo onde plantamos nossas sementes: se o solo é fértil, as sementes têm mais chances de crescer; se o solo é pobre, elas podem não se desenvolver. Da mesma forma, o ambiente em que uma pessoa vive pode aumentar ou diminuir o risco de desenvolver um transtorno devido ao uso de substâncias.

Como isso funciona?
Disponibilidade da substância: Quanto mais fácil é conseguir a substância, maior o risco de uso. Isso inclui fatores como preço, acesso e legalidade.
Exemplo: Em algumas cidades, os canabinoides sintéticos são vendidos livremente em lojas de “incensos” ou “sais de banho”, o que facilita o acesso, especialmente para jovens.
Pressão social: A influência de amigos, colegas ou grupos pode levar uma pessoa a experimentar ou continuar usando uma substância, mesmo que não queira.
Exemplo: João começou a usar “Spice” porque seus amigos insistiam que era “só um incenso” e que não fazia mal. Mesmo depois de passar mal, ele continuou usando para não se sentir excluído do grupo.
Falta de apoio social: Pessoas que não têm uma rede de apoio forte — como família, amigos ou comunidade — podem ter mais dificuldade para resistir ao uso de substâncias.
Exemplo: Carla morava sozinha e não tinha muitos amigos. Quando começou a se sentir ansiosa, não tinha com quem conversar e acabou recorrendo aos canabinoides sintéticos para aliviar a solidão.
Exposição precoce: Quanto mais cedo uma pessoa é exposta a substâncias, maior o risco de desenvolver dependência. Isso acontece porque o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento e é mais vulnerável aos efeitos das drogas.
Exemplo: Pedro experimentou “Black Mamba” aos 14 anos em uma festa. Como seu cérebro ainda estava se desenvolvendo, ele se viciou muito mais rápido do que um adulto.
Falta de alternativas saudáveis: Em comunidades onde não há acesso a atividades de lazer, esportes, cultura ou educação, o uso de substâncias pode se tornar uma forma de entretenimento.
Exemplo: Em algumas periferias das grandes cidades, os jovens não têm acesso a quadras esportivas, bibliotecas ou centros culturais. Para muitos, o uso de canabinoides sintéticos se torna uma das poucas formas de diversão.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Só quem é pobre ou mora na periferia usa drogas.”
Verdade: O uso de substâncias acontece em todas as classes sociais, gêneros, raças e idades. O que muda são os tipos de substâncias usadas e os contextos em que o uso acontece. Por exemplo, em bairros ricos, o uso de drogas “de grife” (como cocaína ou ecstasy) pode ser mais comum, enquanto em comunidades mais pobres, substâncias mais baratas e acessíveis (como canabinoides sintéticos) podem ser mais usadas.


Fatores da gestação e desenvolvimento: O que acontece antes de nascermos?

Alguns fatores que aumentam o risco de desenvolver um transtorno devido ao uso de substâncias podem começar antes mesmo do nascimento. Isso inclui exposição a substâncias durante a gestação, complicações no parto ou experiências adversas na primeira infância.

Como isso funciona?
Exposição pré-natal: Se a mãe usa substâncias durante a gravidez, o bebê pode nascer com alterações no cérebro que aumentam o risco de dependência no futuro.
Exemplo: Maria usou canabinoides sintéticos durante a gravidez. Seu filho, João, nasceu com baixo peso e, na adolescência, teve mais dificuldade para controlar os impulsos e resistir ao uso de substâncias.
Complicações no parto: Partos difíceis, prematuridade ou falta de oxigênio durante o nascimento podem causar danos cerebrais que aumentam o risco de transtornos mentais e dependência.
Exemplo: Ana nasceu prematura e teve complicações no parto. Na adolescência, ela teve mais dificuldade para lidar com o estresse e acabou recorrendo aos canabinoides sintéticos para se acalmar.
Experiências adversas na infância (ACEs): Crianças que passam por situações como abuso, negligência, violência doméstica ou separação dos pais têm um risco maior de desenvolver transtornos mentais e dependência na vida adulta.
Exemplo: Pedro foi criado em um ambiente violento, com pais que brigavam constantemente. Quando cresceu, ele teve dificuldade para lidar com suas emoções e acabou usando “Spice” como uma forma de escape.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Quem usa drogas é porque não teve uma boa educação.”
Verdade: Muitas pessoas que desenvolvem dependência tiveram uma educação excelente, mas passaram por experiências traumáticas ou têm predisposições genéticas que aumentam o risco. Além disso, a dependência é uma doença, não uma questão de educação ou caráter.


Modelo biopsicossocial: A combinação de fatores

Como vimos, não existe uma única causa para os transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos. Na verdade, é uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais que aumenta o risco. Esse é o chamado modelo biopsicossocial, que nos ajuda a entender por que algumas pessoas desenvolvem dependência e outras não.

Como isso funciona?
Imagine que o risco de desenvolver um transtorno devido ao uso de substâncias é como uma balança. De um lado, estão os fatores de proteção (coisas que diminuem o risco), e do outro, os fatores de risco (coisas que aumentam o risco). Quando os fatores de risco pesam mais do que os de proteção, a balança pende para o lado do transtorno.

Fatores de proteção (que diminuem o risco):
Biológicos: Genes que tornam o cérebro mais resistente aos efeitos das substâncias.
Psicológicos: Boa autoestima, habilidades de enfrentamento saudáveis, ausência de transtornos mentais.
Sociais: Família presente, amigos que não usam substâncias, acesso a educação e lazer.

Fatores de risco (que aumentam o risco):
Biológicos: Histórico familiar de dependência, diferenças no funcionamento do cérebro.
Psicológicos: Traumas, estresse crônico, transtornos mentais.
Sociais: Pressão dos amigos, falta de apoio familiar, exposição precoce a substâncias.

Exemplo:
João tem um histórico familiar de dependência (fator de risco biológico), passou por um divórcio difícil (fator de risco psicológico) e mora em uma comunidade onde o uso de canabinoides sintéticos é comum (fator de risco social). Por outro lado, ele tem uma boa relação com a mãe (fator de proteção social) e pratica esportes (fator de proteção psicológico). Nesse caso, a balança pode pender para qualquer lado, dependendo de como esses fatores interagem.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos pode ser um momento de alívio — afinal, entender o que está acontecendo é o primeiro passo para buscar ajuda. Mas também pode ser assustador, especialmente se a pessoa não sabe o que esperar. Vamos explicar como funciona o processo de diagnóstico, quem pode fazê-lo e o que acontece durante a avaliação.


O processo de avaliação: Passo a passo

O diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos não é feito com um exame de sangue ou uma ressonância magnética. Em vez disso, ele é baseado em uma avaliação clínica, que inclui uma conversa detalhada com um profissional de saúde mental (como um psiquiatra ou psicólogo) e, em alguns casos, questionários ou escalas.

Passo 1: A primeira consulta
A primeira consulta geralmente acontece em um consultório, ambulatório ou CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). O profissional vai fazer perguntas sobre:
Histórico de uso: Quando a pessoa começou a usar canabinoides sintéticos, com que frequência usa, em que situações, quanto usa, etc.
Exemplo de pergunta: “Há quanto tempo você usa ‘Spice’? Com que frequência? Você já tentou parar?”
Sintomas: Como a substância afeta a vida da pessoa, se há sinais de tolerância ou abstinência, se o uso está causando problemas no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde.
Exemplo de pergunta: “Você já faltou ao trabalho ou à escola por causa do uso? Já teve brigas com a família?”
Histórico médico e psiquiátrico: Se a pessoa tem outros problemas de saúde física ou mental, como depressão, ansiedade, TDAH, etc.
Exemplo de pergunta: “Você já foi diagnosticado com algum transtorno mental? Toma algum remédio?”
Histórico familiar: Se há casos de dependência, transtornos mentais ou outras condições na família.
Exemplo de pergunta: “Alguém na sua família tem ou teve problemas com álcool, drogas ou transtornos mentais?”
Contexto social: Como é a vida da pessoa, se ela tem apoio da família e dos amigos, se está passando por situações de estresse, etc.
Exemplo de pergunta: “Como é sua relação com sua família? Você tem amigos que não usam substâncias?”

Passo 2: Exame físico e exames complementares
Em alguns casos, o profissional pode pedir exames físicos ou laboratoriais para descartar outras condições que possam estar causando os sintomas. Por exemplo:
Exame de sangue ou urina: Para verificar se há outras substâncias no organismo ou se há sinais de problemas de saúde, como infecções ou desnutrição.
Avaliação neurológica: Se a pessoa está tendo alucinações, convulsões ou outros sintomas neurológicos, o profissional pode encaminhá-la para um neurologista.
Avaliação psicológica: Em alguns casos, o profissional pode aplicar testes ou escalas para avaliar sintomas de depressão, ansiedade, psicose, etc.

Passo 3: Diagnóstico diferencial
O profissional vai comparar os sintomas da pessoa com os critérios diagnósticos do DSM-5 ou da CID-11 para ter certeza de que se trata de um transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos e não de outra condição. Algumas condições que podem ser confundidas incluem:
Transtorno por uso de maconha natural: Os sintomas podem ser semelhantes, mas os canabinoides sintéticos são muito mais potentes e perigosos.
Transtornos psicóticos (como esquizofrenia): Os canabinoides sintéticos podem causar sintomas psicóticos, mas nesses casos, os sintomas geralmente desaparecem quando a pessoa para de usar a substância.
Transtornos de humor (como depressão ou bipolaridade): Os canabinoides sintéticos podem causar sintomas de depressão ou mania, mas nesses casos, os sintomas também costumam melhorar quando a pessoa para de usar.
Transtornos de ansiedade: A ansiedade pode ser um sintoma de abstinência ou intoxicação por canabinoides sintéticos, mas também pode ser um transtorno separado.
TDAH: Algumas pessoas com TDAH usam canabinoides sintéticos para se acalmar, mas o uso pode piorar os sintomas de impulsividade e desatenção.

Passo 4: Discussão do diagnóstico
Depois de avaliar todos os sintomas e descartar outras condições, o profissional vai discutir o diagnóstico com a pessoa. Esse momento é muito importante, porque é quando a pessoa entende o que está acontecendo e pode fazer perguntas.

Exemplo de como o diagnóstico pode ser apresentado:
“João, depois de conversarmos e avaliarmos seus sintomas, parece que você está enfrentando um transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos. Isso significa que o uso dessa substância está causando problemas significativos na sua vida, como dificuldades no trabalho, brigas com a família e sintomas de abstinência quando você tenta parar. Mas a boa notícia é que esse é um problema que tem tratamento, e nós podemos te ajudar a superá-lo.”


Quanto tempo leva para o diagnóstico?

O tempo para o diagnóstico pode variar dependendo de vários fatores, como:
Complexidade do caso: Se a pessoa tem outros transtornos mentais ou problemas de saúde, a avaliação pode levar mais tempo.
Disponibilidade de informações: Se a pessoa consegue fornecer informações detalhadas sobre seu histórico de uso e sintomas, o diagnóstico pode ser feito mais rapidamente.
Necessidade de exames complementares: Se o profissional precisar pedir exames ou avaliações adicionais, o processo pode demorar um pouco mais.

Em geral, o diagnóstico pode ser feito em 1 a 3 consultas, mas em casos mais complexos, pode levar algumas semanas.


Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos pode ser feito por:
Psiquiatras: Médicos especializados em saúde mental, que podem prescrever medicamentos e fazer o diagnóstico.
Psicólogos: Profissionais que podem fazer a avaliação psicológica e encaminhar para um psiquiatra se necessário.
Médicos de família ou clínicos gerais: Em alguns casos, especialmente em cidades pequenas ou no SUS, o médico de família pode fazer o diagnóstico inicial e encaminhar para um especialista.
Equipes de CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): No SUS, os CAPS são serviços especializados em saúde mental que podem fazer o diagnóstico e oferecer tratamento.

Importante: Se você ou alguém que você conhece está buscando ajuda, não precisa ter medo de procurar um profissional. O sigilo é garantido por lei (Lei 10.216/2001), e o objetivo do profissional é ajudar, não julgar.


SUS vs. particular: Como funciona no Brasil?

No Brasil, o diagnóstico e o tratamento de transtornos devido ao uso de substâncias podem ser feitos tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pelo sistema particular. Vamos ver como funciona cada um.

SUS (Sistema Único de Saúde)

O SUS oferece atendimento gratuito para todas as pessoas, independentemente de renda ou situação social. Os serviços disponíveis incluem:
UBS (Unidade Básica de Saúde): É o primeiro ponto de contato com o SUS. Na UBS, você pode ser atendido por um médico de família ou clínico geral, que pode fazer o diagnóstico inicial e encaminhar para um especialista se necessário.
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Os CAPS são serviços especializados em saúde mental que oferecem atendimento ambulatorial, grupos terapêuticos, oficinas e, em alguns casos, internação. Existem diferentes tipos de CAPS:
CAPS I: Para municípios com até 70 mil habitantes.
CAPS II: Para municípios com mais de 70 mil habitantes.
CAPS III: Para municípios com mais de 200 mil habitantes, com atendimento 24 horas.
CAPS AD (Álcool e Drogas): Especializado no tratamento de transtornos devido ao uso de substâncias.
CAPS i (Infantojuvenil): Para crianças e adolescentes.
Hospitais psiquiátricos: Em casos graves, como psicose ou risco de suicídio, a pessoa pode ser internada em um hospital psiquiátrico. No entanto, a internação deve ser a última opção, e o objetivo é sempre a reinserção social.
Comunidades terapêuticas: Em alguns casos, o SUS pode encaminhar a pessoa para uma comunidade terapêutica, que oferece tratamento em regime de internação por um período determinado.

Como acessar o SUS?
1. Procure a UBS mais próxima da sua casa.
2. Agende uma consulta com um médico de família ou clínico geral.
3. Se necessário, o médico vai encaminhar você para um CAPS ou outro serviço especializado.
4. No CAPS, você será avaliado por uma equipe multiprofissional (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, etc.) e receberá um plano de tratamento individualizado.

Vantagens do SUS:
– Gratuito.
– Acesso a uma rede de serviços integrados.
– Atendimento humanizado e sem julgamentos.

Desvantagens do SUS:
– Em algumas cidades, pode haver filas de espera para consultas ou internações.
– A qualidade do atendimento pode variar dependendo da região.

Particular

No sistema particular, o diagnóstico e o tratamento são pagos pela pessoa ou pelo plano de saúde. Os serviços disponíveis incluem:
Consultórios particulares: Psiquiatras e psicólogos que atendem em consultórios privados.
Clínicas especializadas: Clínicas que oferecem tratamento para dependência química, com equipes multiprofissionais.
Hospitais particulares: Em casos graves, a pessoa pode ser internada em um hospital particular.

Como acessar o sistema particular?
1. Procure um psiquiatra ou psicólogo particular.
2. Verifique se seu plano de saúde cobre o atendimento (a maioria dos planos cobre consultas com psiquiatras e psicólogos, mas pode haver limites).
3. Se não tiver plano de saúde, você pode pagar pelo atendimento particular.

Vantagens do sistema particular:
– Menos filas de espera.
– Mais opções de profissionais e serviços.
– Atendimento mais personalizado.

Desvantagens do sistema particular:
– Custo elevado (consultas com psiquiatras podem custar entre R$ 300 e R$ 800, e internações podem custar milhares de reais).
– Nem todos têm acesso a planos de saúde ou condições de pagar pelo atendimento.


O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um momento de ansiedade, especialmente se a pessoa não sabe o que esperar. Vamos ver o que geralmente acontece:

  1. Acolhimento: O profissional vai se apresentar e explicar como funciona a consulta. O objetivo é criar um ambiente acolhedor e sem julgamentos.
  2. Conversa inicial: O profissional vai fazer perguntas sobre o motivo da consulta, os sintomas e o histórico de uso da substância.
  3. Avaliação detalhada: O profissional vai fazer perguntas mais específicas sobre os sintomas, o impacto na vida da pessoa, o histórico médico e familiar, etc.
  4. Explicação do diagnóstico: Se o profissional já tiver uma ideia do que está acontecendo, ele pode explicar o diagnóstico e tirar dúvidas.
  5. Plano de tratamento: O profissional vai discutir as opções de tratamento e, juntos, vocês vão definir um plano.
  6. Encaminhamentos: Se necessário, o profissional pode encaminhar a pessoa para outros serviços, como CAPS, grupos de apoio ou internação.

Dicas para a primeira consulta:
Seja honesto: Não tenha medo de contar a verdade sobre seu uso de substâncias. O profissional está lá para ajudar, não para julgar.
Leve um acompanhante: Se você se sentir mais confortável, pode levar um familiar ou amigo para te acompanhar.
Anote suas dúvidas: Antes da consulta, anote todas as suas dúvidas para não esquecer de perguntar.
Não tenha pressa: A primeira consulta pode durar de 40 minutos a 1 hora, então não tenha pressa para sair.


Diagnóstico diferencial: Condições que podem ser confundidas

Como vimos, os sintomas dos transtornos devido ao uso de canabinoides sintéticos podem ser confundidos com os de outras condições. Vamos ver algumas delas e como o profissional as diferencia:

Transtorno por uso de maconha natural

  • Semelhanças: Os sintomas de intoxicação, abstinência e dependência podem ser semelhantes.
  • Diferenças: Os canabinoides sintéticos são muito mais potentes e causam efeitos mais intensos e imprevisíveis. Além disso, a maconha natural tem uma concentração de THC mais baixa e previsível.
  • Como diferenciar: O profissional vai perguntar sobre o tipo de substância usada, a frequência, a intensidade dos efeitos e os problemas causados pelo uso.

Transtornos psicóticos (como esquizofrenia)

  • Semelhanças: Os canabinoides sintéticos podem causar alucinações, delírios e pensamento desorganizado, que são sintomas de psicose.
  • Diferenças: Na psicose induzida por canabinoides sintéticos, os sintomas geralmente desaparecem quando a pessoa para de usar a substância. Na esquizofrenia, os sintomas persistem mesmo sem o uso de substâncias.
  • Como diferenciar: O profissional vai avaliar se os sintomas começaram depois do uso da substância e se melhoram quando a pessoa para de usar.

Transtornos de humor (como depressão ou bipolaridade)

  • Semelhanças: Os canabinoides sintéticos podem causar sintomas de depressão (tristeza, falta de energia) ou mania (euforia, agitação).
  • Diferenças: Na depressão ou bipolaridade, os sintomas não estão diretamente ligados ao uso de substâncias. Além disso, os sintomas costumam ser mais duradouros.
  • Como diferenciar: O profissional vai avaliar se os sintomas começaram depois do uso da substância e se melhoram quando a pessoa para de usar.

Transtornos de ansiedade

  • Semelhanças: Os canabinoides sintéticos podem causar ansiedade intensa, especialmente durante a abstinência.
  • Diferenças: Nos transtornos de ansiedade, os sintomas não estão diretamente ligados ao uso de substâncias e costumam ser mais persistentes.
  • Como diferenciar: O profissional vai avaliar se os sintomas de ansiedade começaram depois do uso da substância e se melhoram quando a pessoa para de usar.

TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)

  • Semelhanças: Algumas pessoas com TDAH usam canabinoides sintéticos para se acalmar ou se concentrar.
  • Diferenças: No TDAH, os sintomas de desatenção e hiperatividade estão presentes desde a infância e não estão diretamente ligados ao uso de substâncias.
  • Como diferenciar: O profissional vai avaliar se os sintomas de desatenção e hiperatividade começaram antes do uso da substância e se persistem mesmo quando a pessoa não está usando.

Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos pode ser um momento de alívio — afinal, agora você sabe o que está acontecendo e pode buscar ajuda. Mas também pode ser assustador, especialmente se você não sabe por onde começar. A boa notícia é que esse transtorno tem tratamento, e quanto mais cedo você buscar ajuda, melhores são as chances de recuperação.

O tratamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e mudanças no dia a dia. Vamos ver cada uma dessas abordagens em detalhes.


Medicamentos

Os medicamentos podem ajudar a aliviar os sintomas de abstinência, reduzir a fissura (vontade intensa de usar a substância) e tratar outros transtornos mentais que podem estar associados, como depressão ou ansiedade. É importante lembrar que os medicamentos não são uma “cura mágica” — eles fazem parte de um tratamento mais amplo, que inclui psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

Importante: Nunca tome medicamentos sem orientação médica. Alguns remédios podem interagir com outras substâncias ou causar efeitos colaterais graves.

Medicamentos para abstinência

Quando a pessoa para de usar canabinoides sintéticos, pode sentir sintomas de abstinência, como ansiedade, irritabilidade, insônia, depressão e até psicose. Alguns medicamentos podem ajudar a aliviar esses sintomas:

  • Benzodiazepínicos (como diazepam ou clonazepam): Esses remédios são usados para aliviar a ansiedade, a agitação e a insônia. Eles agem no cérebro de forma semelhante ao álcool, acalmando a atividade neural.
  • Como funcionam: Eles aumentam a ação do GABA, um neurotransmissor que “acalma” o cérebro.
  • Efeitos colaterais: Sonolência, tontura, risco de dependência (por isso, devem ser usados por um curto período).
  • Exemplo: João estava tendo crises de ansiedade intensas depois de parar de usar “Spice”. O psiquiatra receitou clonazepam por uma semana para ajudá-lo a dormir e se acalmar.
  • Antidepressivos (como sertralina ou fluoxetina): Esses remédios podem ajudar a aliviar sintomas de depressão e ansiedade que aparecem durante a abstinência.
  • Como funcionam: Eles aumentam a disponibilidade de serotonina, um neurotransmissor que regula o humor.
  • Efeitos colaterais: Náusea, dor de cabeça, diminuição do desejo sexual.
  • Exemplo: Depois de parar de usar “K2”, Ana começou a se sentir muito triste e sem energia. O psiquiatra receitou sertralina para ajudá-la a lidar com a depressão.
  • Antipsicóticos (como quetiapina ou olanzapina): Em casos de psicose induzida por canabinoides sintéticos, esses remédios podem ajudar a aliviar alucinações e delírios.
  • Como funcionam: Eles bloqueiam os receptores de dopamina no cérebro, reduzindo os sintomas psicóticos.
  • Efeitos colaterais: Sonolência, ganho de peso, aumento do risco de diabetes.
  • Exemplo: Pedro começou a ver coisas que não existiam depois de usar “Black Mamba”. O psiquiatra receitou quetiapina para controlar as alucinações.

Medicamentos para reduzir a fissura

A fissura é um dos maiores desafios na recuperação. Alguns medicamentos podem ajudar a reduzir essa vontade intensa de usar a substância:

  • Naltrexona: Esse remédio é usado principalmente para tratar dependência de álcool e opioides, mas alguns estudos sugerem que ele também pode ajudar a reduzir a fissura por canabinoides sintéticos.
  • Como funciona: Ele bloqueia os receptores de opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer associada ao uso da substância.
  • Efeitos colaterais: Náusea, dor de cabeça, insônia.
  • Exemplo: Carla sentia uma vontade quase incontrolável de usar “Spice” sempre que via seus amigos fumando. O psiquiatra receitou naltrexona para ajudá-la a resistir à fissura.
  • Acamprosato: Esse remédio é usado para tratar dependência de álcool, mas também pode ajudar a reduzir a fissura por outras substâncias.
  • Como funciona: Ele ajuda a restaurar o equilíbrio químico no cérebro, reduzindo a ansiedade e a fissura.
  • Efeitos colaterais: Diarreia, náusea, dor de cabeça.
  • Exemplo: João estava tendo muita dificuldade para parar de usar “K2” porque sentia uma ansiedade intensa quando não usava. O psiquiatra receitou acamprosato para ajudá-lo a lidar com a fissura.

Medicamentos para tratar transtornos associados

Muitas pessoas com transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos também têm outros transtornos mentais, como depressão, ansiedade ou TDAH. Tratar esses transtornos pode ajudar na recuperação:

  • Depressão: Antidepressivos (como sertralina, fluoxetina ou bupropiona).
  • Ansiedade: Benzodiazepínicos (por curto período) ou antidepressivos (como escitalopram).
  • TDAH: Estimulantes (como metilfenidato) ou não estimulantes (como atomoxetina).
  • Psicose: Antipsicóticos (como risperidona ou aripiprazol).

Exemplo:
Maria foi diagnosticada com transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos e depressão. O psiquiatra receitou sertralina para tratar a depressão e naltrexona para reduzir a fissura. Com o tempo, ela conseguiu parar de usar a substância e melhorar seu humor.


Psicoterapia

A psicoterapia é uma parte fundamental do tratamento. Ela ajuda a pessoa a entender as causas do uso de substâncias, desenvolver habilidades para lidar com a fissura e os gatilhos, e reconstruir sua vida sem a droga. Existem várias abordagens de psicoterapia, e a escolha depende das necessidades de cada pessoa.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A TCC é uma das abordagens mais usadas no tratamento de transtornos devido ao uso de substâncias. Ela se baseia na ideia de que nossos pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados, e que mudar um deles pode ajudar a mudar os outros.

Como funciona?
Identificação de pensamentos disfuncionais: A pessoa aprende a identificar pensamentos negativos ou distorcidos que podem levar ao uso de substâncias.
Exemplo: “Eu não consigo me divertir sem usar ‘Spice’.”
Desafio de pensamentos: A pessoa aprende a questionar esses pensamentos e substituí-los por outros mais realistas.
Exemplo: “Eu posso me divertir de outras formas, como saindo com amigos ou praticando esportes.”
Desenvolvimento de habilidades: A pessoa aprende técnicas para lidar com a fissura, o estresse e as emoções difíceis.
Exemplo: Técnicas de respiração, meditação ou distração.
Prevenção de recaídas: A pessoa identifica situações de risco (como festas ou encontros com amigos que usam) e desenvolve estratégias para evitá-las ou lidar com elas.
Exemplo: Se a pessoa sabe que vai encontrar amigos que usam “K2”, ela pode planejar uma atividade alternativa ou levar um amigo que não usa.

Exemplo de sessão:
João estava tendo dificuldade para lidar com a fissura. Na terapia, ele identificou que sempre sentia vontade de usar “Black Mamba” quando estava estressado no trabalho. O terapeuta o ajudou a desenvolver estratégias para lidar com o estresse, como fazer pausas durante o expediente, praticar exercícios de respiração e conversar com um amigo.

Entrevista Motivacional

A entrevista motivacional é uma abordagem que ajuda a pessoa a encontrar sua própria motivação para mudar. Ela é especialmente útil para pessoas que ainda não estão totalmente convencidas de que precisam parar de usar a substância.

Como funciona?
Exploração de ambivalência: A pessoa é incentivada a falar sobre os prós e contras do uso da substância.
Exemplo: “O que você gosta no ‘Spice’? O que não gosta?”
Reforço da motivação: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar seus valores e objetivos e a ver como o uso da substância pode estar atrapalhando.
Exemplo: “Você disse que quer ser um bom pai. Como o uso de ‘K2’ está afetando isso?”
Planejamento de mudanças: A pessoa é incentivada a dar pequenos passos em direção à mudança.
Exemplo: “O que você poderia fazer esta semana para reduzir o uso?”

Exemplo de sessão:
Ana estava em dúvida se queria parar de usar “Spice”. Na terapia, ela falou sobre como a substância a ajudava a relaxar, mas também sobre como estava causando problemas no trabalho e na família. O terapeuta a ajudou a ver que seus valores — como ser uma boa mãe e uma profissional dedicada — estavam sendo prejudicados pelo uso. Isso a motivou a dar os primeiros passos para parar.

Terapia de Grupo

A terapia de grupo é uma abordagem em que várias pessoas com problemas semelhantes se reúnem para compartilhar experiências, dar e receber apoio, e aprender com os outros.

Como funciona?
Compartilhamento de experiências: Cada pessoa fala sobre sua história, seus desafios e suas conquistas.
Apoio mútuo: Os participantes se apoiam e se encorajam, criando um senso de comunidade.
Aprendizado com os outros: As pessoas aprendem com as experiências dos outros e veem que não estão sozinhas.
Desenvolvimento de habilidades: O terapeuta pode ensinar técnicas para lidar com a fissura, o estresse e as emoções difíceis.

Exemplo de sessão:
Pedro participou de um grupo de terapia para dependentes de canabinoides sintéticos. Ele ouviu a história de João, que conseguiu parar de usar “Black Mamba” e reconstruir sua vida. Isso o inspirou a continuar no tratamento e a acreditar que ele também poderia mudar.

Terapia Familiar

A terapia familiar envolve a participação da família no tratamento. Ela é especialmente útil quando o uso da substância está causando conflitos familiares ou quando a família pode ser uma fonte de apoio.

Como funciona?
Melhoria da comunicação: A família aprende a se comunicar de forma mais eficaz, sem julgamentos ou críticas.
Resolução de conflitos: A família aprende a lidar com conflitos de forma construtiva.
Apoio à recuperação: A família aprende como apoiar a pessoa em recuperação sem facilitar o uso da substância.
Cuidado com os familiares: A terapia também ajuda os familiares a lidar com o estresse e as emoções difíceis que surgem quando alguém próximo está em tratamento.

Exemplo de sessão:
A família de Carla estava muito preocupada com seu uso de “Spice”. Na terapia familiar, eles aprenderam a se comunicar melhor e a apoiar Carla sem julgá-la. Isso ajudou Carla a se sentir mais motivada a continuar no tratamento.

Outras abordagens

Além das abordagens mencionadas, outras terapias podem ser úteis, como:
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): Ajuda a pessoa a aceitar suas emoções difíceis e a se comprometer com ações que estejam alinhadas com seus valores.
Terapia Dialética Comportamental (TDC): Ajuda a pessoa a desenvolver habilidades para lidar com emoções intensas e relacionamentos difíceis.
Terapia de Exposição: Ajuda a pessoa a enfrentar situações que desencadeiam a fissura, como estar em uma festa onde as pessoas estão usando a substância.


Mudanças no dia a dia

Além dos medicamentos e da psicoterapia, fazer mudanças no dia a dia é fundamental para a recuperação. Pequenas alterações na rotina podem fazer uma grande diferença na forma como a pessoa lida com a fissura, o estresse e as emoções difíceis.

Exercício físico

O exercício físico é uma das melhores formas de melhorar o humor, reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de bem-estar. Isso acontece porque o exercício libera endorfinas, substâncias químicas que causam uma sensação de prazer e alívio.

Como começar?
Escolha uma atividade que você goste: Pode ser caminhada, corrida, natação, dança, musculação, yoga, etc.
Comece devagar: Não precisa se matar na academia. Comece com 10 ou 15 minutos por dia e vá aumentando aos poucos.
Faça em grupo: Praticar exercícios com amigos ou em uma aula pode ser mais motivador.
Estabeleça uma rotina: Tente fazer exercícios sempre no mesmo horário, para criar o hábito.

Exemplo:
Depois de parar de usar “K2”, João começou a se sentir ansioso e deprimido. Ele decidiu começar a correr no parque perto de casa. No começo, foi difícil, mas com o tempo, ele começou a se sentir melhor e até fez novos amigos no grupo de corrida.

Sono

Dormir bem é fundamental para a recuperação. A falta de sono pode aumentar a ansiedade, a irritabilidade e a fissura. Além disso, muitas pessoas usam canabinoides sintéticos para dormir, então é importante desenvolver hábitos saudáveis de sono.

Dicas para dormir melhor:
Estabeleça uma rotina: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
Crie um ambiente tranquilo: Mantenha o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
Evite telas antes de dormir: A luz azul dos celulares e computadores pode atrapalhar o sono.
Faça atividades relaxantes antes de dormir: Leia um livro, ouça uma música tranquila ou faça meditação.
Evite cafeína e nicotina: Essas substâncias podem atrapalhar o sono.
Não fique na cama se não conseguir dormir: Se você não conseguir dormir depois de 20 minutos, levante-se e faça algo relaxante até sentir sono.

Exemplo:
Ana tinha dificuldade para dormir depois de parar de usar “Spice”. Ela começou a ler um livro antes de dormir e a evitar o celular na cama. Com o tempo, seu sono melhorou e ela se sentiu mais disposta durante o dia.

Alimentação

Uma alimentação equilibrada pode ajudar a melhorar o humor, aumentar a energia e reduzir a fissura. Além disso, muitas pessoas perdem o apetite ou comem demais quando estão em abstinência.

Dicas para uma alimentação saudável:
Coma regularmente: Tente fazer três refeições principais e dois lanches por dia.
Inclua alimentos ricos em triptofano: O triptofano é um aminoácido que ajuda na produção de serotonina, um neurotransmissor que regula o humor. Alimentos ricos em triptofano incluem banana, ovos, peixes, nozes e chocolate amargo.
Evite alimentos processados: Eles podem causar picos de açúcar no sangue, o que pode aumentar a ansiedade e a fissura.
Beba bastante água: A desidratação pode causar fadiga e irritabilidade.
Evite cafeína e açúcar em excesso: Eles podem aumentar a ansiedade e a fissura.

Exemplo:
Pedro começou a se alimentar melhor depois de parar de usar “Black Mamba”. Ele incluiu mais frutas, verduras e proteínas em suas refeições e percebeu que se sentia mais disposto e com menos fissura.

Rotina

Ter uma rotina estruturada pode ajudar a reduzir a ansiedade, aumentar a sensação de controle e evitar situações de risco. Quando a pessoa tem um dia organizado, é mais fácil resistir à fissura e manter o foco na recuperação.

Dicas para criar uma rotina:
Estabeleça horários fixos: Tente acordar, comer, trabalhar, fazer exercícios e dormir sempre no mesmo horário.
Inclua atividades prazerosas: Reserve um tempo para fazer coisas que você gosta, como ler, ouvir música ou praticar um hobby.
Evite o tédio: O tédio pode aumentar a fissura, então tente manter-se ocupado com atividades produtivas ou prazerosas.
Planeje o dia seguinte: Antes de dormir, faça uma lista das coisas que você precisa fazer no dia seguinte. Isso pode ajudar a reduzir a ansiedade e a aumentar a sensação de controle.

Exemplo:
Maria criou uma rotina depois de parar de usar “Spice”. Ela acordava cedo, fazia exercícios, trabalhava, almoçava com a família, fazia terapia e dormia cedo. Isso a ajudou a se sentir mais organizada e menos ansiosa.

Técnicas de manejo da fissura

A fissura é um dos maiores desafios na recuperação. Ela pode aparecer de repente e ser muito intensa, mas geralmente passa em alguns minutos. Aprender a lidar com a fissura é fundamental para evitar recaídas.

Técnicas para lidar com a fissura:
Distração: Faça algo que ocupe sua mente, como assistir a um filme, ler um livro ou conversar com um amigo.
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita várias vezes.
Exercício físico: Uma caminhada rápida ou alguns minutos de alongamento podem ajudar a reduzir a fissura.
Visualização: Imagine-se em um lugar tranquilo, como uma praia ou uma floresta. Tente visualizar os detalhes desse lugar.
Conversa com um amigo: Ligue para um amigo ou familiar que possa te apoiar.
Lembre-se dos motivos para parar: Faça uma lista dos motivos pelos quais você quer parar de usar a substância e leia sempre que sentir fissura.

Exemplo:
João sentia uma vontade intensa de usar “K2” sempre que passava na frente da loja onde comprava. Ele começou a usar a técnica da respiração profunda e a se distrair ouvindo música. Com o tempo, a fissura diminuiu e ele conseguiu resistir.

Tecnologia assistiva

Hoje em dia, existem vários aplicativos e ferramentas online que podem ajudar na recuperação. Eles podem ser usados para monitorar o progresso, aprender técnicas de manejo da fissura, encontrar grupos de apoio e muito mais.

Alguns aplicativos úteis:
Sober Time: Ajuda a monitorar o tempo de abstinência e oferece mensagens motivacionais.
I Am Sober: Permite acompanhar o progresso, definir metas e receber lembretes diários.
Headspace: Oferece meditações guiadas para reduzir a ansiedade e a fissura.
Recovery Box: Ajuda a identificar gatilhos e desenvolver estratégias para lidar com eles.
NA Meeting Search: Ajuda a encontrar reuniões de Narcóticos Anônimos (NA) perto de você.

Exemplo:
Ana baixou o aplicativo “I Am Sober” para monitorar seu tempo de abstinência de “Spice”. Ela também usava o Headspace para fazer meditações guiadas quando sentia ansiedade. Essas ferramentas a ajudaram a se manter motivada e focada na recuperação.


Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos pode ser um momento de muitas emoções: alívio, medo, vergonha, esperança. É normal se sentir assim. O importante é lembrar que você não está sozinho e que a recuperação é possível. Nesta seção, vamos falar sobre como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.


Para a pessoa com o diagnóstico

Receber o diagnóstico pode ser um momento de virada. É como se você estivesse perdido em uma floresta escura e, de repente, encontrasse um mapa que mostra o caminho para sair. Mas o mapa sozinho não é suficiente — você precisa dar os passos. Vamos ver como você pode fazer isso.

Aceitação: O primeiro passo

O primeiro passo para a recuperação é aceitar o diagnóstico. Isso não significa que você precisa gostar dele ou que não pode sentir raiva ou tristeza. Aceitar significa reconhecer que o problema existe e que você precisa de ajuda para lidar com ele.

Como aceitar o diagnóstico?
Permita-se sentir: É normal sentir raiva, tristeza, vergonha ou medo. Não tente reprimir essas emoções — elas fazem parte do processo.
Fale sobre isso: Converse com alguém de confiança, como um amigo, familiar ou terapeuta. Falar sobre o que você está sentindo pode ajudar a aliviar o peso.
Lembre-se de que você não é o diagnóstico: Você é muito mais do que um rótulo. O diagnóstico é apenas uma forma de entender o que está acontecendo e buscar ajuda.
Busque informações: Quanto mais você souber sobre o transtorno, mais preparado estará para lidar com ele. Leia livros, artigos ou converse com profissionais.

Exemplo:
Quando João recebeu o diagnóstico, ele se sentiu envergonhado e com medo de ser julgado. Ele conversou com seu terapeuta sobre esses sentimentos e começou a ler sobre o transtorno. Com o tempo, ele percebeu que o diagnóstico não definia quem ele era e que poderia usar essa informação para buscar ajuda.

Autocuidado: Cuidando de si mesmo

O autocuidado é fundamental para a recuperação. Isso inclui cuidar do corpo, da mente e das emoções. Pequenos gestos de autocuidado podem fazer uma grande diferença no seu bem-estar.

Dicas de autocuidado:
Cuide do seu corpo: Faça exercícios, alimente-se bem, durma o suficiente e evite substâncias que possam prejudicar sua recuperação.
Cuide da sua mente: Pratique meditação, mindfulness ou outras técnicas de relaxamento. Leia livros, assista a filmes ou faça atividades que estimulem sua mente.
Cuide das suas emoções: Permita-se sentir suas emoções, mas não deixe que elas te dominem. Converse com um terapeuta, escreva em um diário ou pratique atividades criativas, como pintar ou tocar um instrumento.
Estabeleça limites: Aprenda a dizer “não” quando algo não faz bem para você. Isso inclui pessoas, situações ou atividades que possam desencadear a fissura.
Celebre suas conquistas: Não importa quão pequenas sejam, celebre cada passo que você dá na recuperação. Isso pode te motivar a continuar.

Exemplo:
Maria começou a praticar yoga e meditação depois de receber o diagnóstico. Ela também passou a escrever em um diário todas as noites, o que a ajudou a entender melhor suas emoções. Essas práticas de autocuidado a ajudaram a se sentir mais equilibrada e confiante na recuperação.

Rede de apoio: Não está sozinho

Ter uma rede de apoio é fundamental para a recuperação. Isso inclui familiares, amigos, terapeutas, grupos de apoio e outras pessoas que possam te ajudar nos momentos difíceis.

Como construir uma rede de apoio?
Converse com sua família: Explique o que está acontecendo e como eles podem te ajudar. Se eles não entenderem, peça ajuda a um terapeuta para mediar a conversa.
Procure grupos de apoio: Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) ou outros grupos de mútua ajuda podem ser uma ótima fonte de apoio. Você vai conhecer pessoas que estão passando pelo mesmo que você e que podem te entender e te apoiar.
Mantenha contato com amigos que não usam: Evite amigos que usam canabinoides sintéticos ou outras substâncias. Procure amigos que te apoiem na recuperação.
Converse com seu terapeuta: Seu terapeuta pode te ajudar a lidar com os desafios da recuperação e te encorajar nos momentos difíceis.
Participe de atividades sociais: Procure atividades que te conectem com outras pessoas, como esportes, voluntariado ou grupos de interesse.

Exemplo:
Pedro começou a frequentar reuniões do NA depois de receber o diagnóstico. Lá, ele conheceu pessoas que estavam na mesma situação e que o apoiaram nos momentos difíceis. Ele também conversou com sua família e pediu ajuda para evitar situações de risco.

Lidando com a fissura: Estratégias práticas

A fissura é um dos maiores desafios na recuperação. Ela pode aparecer de repente e ser muito intensa, mas geralmente passa em alguns minutos. Aprender a lidar com a fissura é fundamental para evitar recaídas.

Estratégias para lidar com a fissura:
Distração: Faça algo que ocupe sua mente, como assistir a um filme, ler um livro ou conversar com um amigo.
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita várias vezes.
Exercício físico: Uma caminhada rápida ou alguns minutos de alongamento podem ajudar a reduzir a fissura.
Visualização: Imagine-se em um lugar tranquilo, como uma praia ou uma floresta. Tente visualizar os detalhes desse lugar.
Conversa com um amigo: Ligue para um amigo ou familiar que possa te apoiar.
Lembre-se dos motivos para parar: Faça uma lista dos motivos pelos quais você quer parar de usar a substância e leia sempre que sentir fissura.
Use aplicativos: Aplicativos como “Sober Time” ou “I Am Sober” podem te ajudar a monitorar o tempo de abstinência e receber mensagens motivacionais.

Exemplo:
João sentia uma vontade intensa de usar “K2” sempre que passava na frente da loja onde comprava. Ele começou a usar a técnica da respiração profunda e a se distrair ouvindo música. Com o tempo, a fissura diminuiu e ele conseguiu resistir.

Prevenção de recaídas: Evitando armadilhas

A recaída faz parte do processo de recuperação para muitas pessoas, mas isso não significa que você tenha falhado. O importante é aprender com a recaída e seguir em frente. No entanto, é melhor evitar a recaída sempre que possível.

Dicas para prevenir recaídas:
Identifique seus gatilhos: O que te faz querer usar a substância? Pode ser estresse, ansiedade, tédio, encontros com amigos que usam, etc. Identifique seus gatilhos e desenvolva estratégias para lidar com eles.
Evite situações de risco: Se você sabe que certas situações ou pessoas desencadeiam a fissura, evite-as sempre que possível.
Tenha um plano de emergência: O que você vai fazer se sentir uma fissura intensa? Tenha um plano pronto, como ligar para um amigo, fazer exercícios ou usar técnicas de relaxamento.
Mantenha-se ocupado: O tédio pode aumentar a fissura, então tente manter-se ocupado com atividades produtivas ou prazerosas.
Peça ajuda: Se você sentir que está prestes a recair, peça ajuda a um amigo, familiar ou terapeuta. Não tente lidar com isso sozinho.

Exemplo:
Maria identificou que sempre sentia vontade de usar “Spice” quando estava estressada no trabalho. Ela desenvolveu um plano para lidar com o estresse, que incluía fazer pausas durante o expediente, praticar exercícios de respiração e conversar com um amigo. Isso a ajudou a evitar recaídas.

Reconstruindo a vida: Novos começos

A recuperação não é apenas sobre parar de usar a substância — é também sobre reconstruir sua vida. Isso inclui encontrar novos hobbies, estabelecer metas, melhorar seus relacionamentos e descobrir quem você é sem a droga.

Dicas para reconstruir sua vida:
Descubra novos hobbies: O que você gosta de fazer? Pode ser pintar, tocar um instrumento, praticar esportes, cozinhar, etc. Encontre algo que te dê prazer e te ajude a se sentir realizado.
Estabeleça metas: O que você quer alcançar? Pode ser uma meta profissional, acadêmica, pessoal ou de saúde. Estabeleça metas realistas e dê pequenos passos para alcançá-las.
Melhore seus relacionamentos: A recuperação é uma ótima oportunidade para melhorar seus relacionamentos com a família, os amigos e os colegas. Seja honesto, peça desculpas se necessário e trabalhe para reconstruir a confiança.
Descubra quem você é: O uso de substâncias pode ter te afastado de quem você realmente é. Use a recuperação como uma oportunidade para se reconectar consigo mesmo e descobrir seus valores, interesses e paixões.
Ajude os outros: Ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo que você pode ser uma ótima forma de se sentir útil e motivado. Você pode participar de grupos de apoio, fazer voluntariado ou simplesmente estar disponível para ouvir um amigo.

Exemplo:
Depois de parar de usar “Black Mamba”, Pedro começou a praticar jiu-jitsu. Ele descobriu que adorava o esporte e que isso o ajudava a se sentir mais confiante e disciplinado. Ele também estabeleceu a meta de voltar a estudar e começou a fazer um curso online. Essas mudanças o ajudaram a se sentir mais realizado e motivado na recuperação.


Para familiares e amigos

Quando alguém que amamos recebe o diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos, pode ser um momento de muita preocupação, medo e até raiva. É normal se sentir assim. Mas é importante lembrar que você não está sozinho e que seu apoio é fundamental para a recuperação da pessoa.

Como ajudar: O que fazer (e o que não fazer)

Ajudar alguém em recuperação pode ser desafiador, mas também muito gratificante. O mais importante é oferecer apoio sem julgamentos e sem tentar controlar a pessoa.

O que fazer:
Informe-se: Quanto mais você souber sobre o transtorno, melhor poderá ajudar. Leia livros, artigos ou converse com profissionais.
Ofereça apoio emocional: Escute a pessoa sem julgamentos. Deixe que ela fale sobre seus sentimentos, medos e desafios.
Incentive o tratamento: Encoraje a pessoa a buscar ajuda profissional e a seguir o tratamento. Ofereça-se para acompanhá-la às consultas ou reuniões de grupo, se ela quiser.
Estabeleça limites saudáveis: É importante apoiar a pessoa, mas também é importante cuidar de si mesmo. Estabeleça limites claros e não permita que o comportamento da pessoa afete sua saúde ou bem-estar.
Celebre as conquistas: Não importa quão pequenas sejam, celebre cada passo que a pessoa dá na recuperação. Isso pode motivá-la a continuar.
Seja paciente: A recuperação é um processo longo e cheio de altos e baixos. Não espere que a pessoa mude da noite para o dia.

O que não fazer:
Não julgue: Evite frases como “Você é fraco” ou “Isso é falta de força de vontade”. Lembre-se de que a dependência é uma doença, não uma questão de caráter.
Não tente controlar: Não tente controlar o comportamento da pessoa ou tomar decisões por ela. Isso pode gerar ressentimento e prejudicar a recuperação.
Não facilite o uso: Não dê dinheiro, não cubra as consequências do uso ou não minta para proteger a pessoa. Isso pode atrasar a recuperação.
Não ignore seus próprios sentimentos: É normal sentir raiva, tristeza ou frustração. Não ignore esses sentimentos — converse com um terapeuta ou participe de um grupo de apoio para familiares.
Não desista: Mesmo que a pessoa recaia, não desista dela. A recuperação é um processo longo, e cada recaída pode ser uma oportunidade para aprender e seguir em frente.

Exemplo:
Quando João recebeu o diagnóstico, sua família ficou muito preocupada. Eles leram sobre o transtorno e conversaram com um terapeuta para entender como poderiam ajudar. Eles ofereceram apoio emocional, incentivaram o tratamento e estabeleceram limites saudáveis. Isso ajudou João a se sentir apoiado e motivado na recuperação.

Cuidando de si mesmo: Você também importa

Cuidar de alguém em recuperação pode ser emocionalmente desgastante. É importante lembrar que você também precisa de cuidado. Se você não estiver bem, não poderá ajudar a pessoa da melhor forma.

Dicas para cuidar de si mesmo:
Procure apoio: Converse com amigos, familiares ou participe de um grupo de apoio para familiares de dependentes químicos.
Estabeleça limites: Não permita que o comportamento da pessoa afete sua saúde ou bem-estar. Estabeleça limites claros e cumpra-os.
Cuide da sua saúde: Faça exercícios, alimente-se bem, durma o suficiente e evite substâncias que possam prejudicar sua saúde.
Reserve um tempo para si mesmo: Faça coisas que te dão prazer, como ler, assistir a um filme ou praticar um hobby.
Procure ajuda profissional: Se você estiver se sentindo sobrecarregado, converse com um terapeuta. Ele pode te ajudar a lidar com seus sentimentos e a desenvolver estratégias para cuidar de si mesmo.

Exemplo:
A mãe de Ana estava muito preocupada com a recuperação da filha. Ela começou a participar de um grupo de apoio para familiares de dependentes químicos e a conversar com um terapeuta. Isso a ajudou a lidar com seus sentimentos e a se sentir mais preparada para apoiar Ana.

Como explicar para outras pessoas

Explicar o diagnóstico para outras pessoas pode ser desafiador, especialmente se elas não entendem o que é o transtorno. O importante é ser honesto, mas também respeitar a privacidade da pessoa.

Dicas para explicar:
Seja honesto: Explique o que é o transtorno e como ele afeta a pessoa. Use uma linguagem simples e evite julgamentos.
Respeite a privacidade: Não conte detalhes íntimos da vida da pessoa sem a permissão dela.
Informe-se: Quanto mais você souber sobre o transtorno, melhor poderá explicar para os outros.
Peça ajuda: Se você não souber como explicar, peça ajuda a um profissional de saúde mental.
Desfaça mitos: Muitas pessoas têm ideias erradas sobre dependência. Explique que não se trata de falta de força de vontade, mas de uma doença que precisa de tratamento.

Exemplo:
Quando os amigos de João perguntaram por que ele tinha parado de sair com eles, sua irmã explicou que ele estava passando por um tratamento para um transtorno devido ao uso de substâncias. Ela disse que era uma doença, assim como a diabetes ou a hipertensão, e que João precisava de apoio para se recuperar. Isso ajudou os amigos a entenderem melhor a situação.


Quando os sintomas podem piorar?

A recuperação não é um processo linear. É normal ter altos e baixos, e em alguns momentos, os sintomas podem piorar. Isso pode acontecer por vários motivos, como estresse, conflitos familiares, recaídas ou outros problemas de saúde.

Situações que podem piorar os sintomas:
Estresse: Situações de estresse, como problemas no trabalho, dificuldades financeiras ou conflitos familiares, podem aumentar a fissura e piorar os sintomas.
Recaídas: Uma recaída pode desencadear sentimentos de culpa, vergonha ou desesperança, o que pode piorar os sintomas.
Outros problemas de saúde: Problemas de saúde física ou mental, como depressão, ansiedade ou dor crônica, podem piorar os sintomas do transtorno.
Falta de apoio: A falta de apoio da família, dos amigos ou da equipe de tratamento pode aumentar o isolamento e piorar os sintomas.
Mudanças na rotina: Mudanças na rotina, como uma mudança de cidade, um novo emprego ou o fim de um relacionamento, podem aumentar o estresse e piorar os sintomas.

O que fazer quando os sintomas pioram?
Procure ajuda profissional: Converse com seu terapeuta ou psiquiatra. Eles podem ajustar seu tratamento ou oferecer estratégias para lidar com os sintomas.
Converse com sua rede de apoio: Fale com amigos, familiares ou participantes de grupos de apoio. Eles podem te ajudar a se sentir menos sozinho e a encontrar soluções.
Cuide de si mesmo: Faça exercícios, alimente-se bem, durma o suficiente e evite substâncias que possam piorar os sintomas.
Reveja suas estratégias: Se suas estratégias atuais não estão funcionando, tente algo novo. Por exemplo, se a meditação não está ajudando, tente fazer exercícios ou conversar com um amigo.
Seja gentil consigo mesmo: Lembre-se de que a recuperação é um processo longo e cheio de altos e baixos. Não se culpe por ter momentos difíceis.

Exemplo:
Maria estava se sentindo muito ansiosa e com vontade de usar “Spice” depois de uma briga com o namorado. Ela conversou com seu terapeuta, que a ajudou a desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade. Ela também ligou para uma amiga que a apoiou e a incentivou a continuar no tratamento. Com o tempo, os sintomas melhoraram.


Perguntas frequentes

Quando alguém recebe o diagnóstico de transtorno devido ao uso de canabinoides sintéticos, é normal ter muitas dúvidas. Nesta seção, vamos responder às perguntas mais frequentes que pacientes e familiares fazem.


1. “Os canabinoides sintéticos são realmente mais perigosos do que a maconha natural?”

Resposta:
Sim, os canabinoides sintéticos são muito mais perigosos do que a maconha natural. Enquanto a maconha vem de uma planta e tem uma concentração de THC (o composto psicoativo) que varia entre 1% e 20%, os canabinoides sintéticos são substâncias químicas fabricadas em laboratório, muitas vezes em condições clandestinas, e podem ser dezenas ou até centenas de vezes mais potentes.

Além disso, a composição química dos canabinoides sintéticos varia muito de um lote para outro, o que torna impossível saber exatamente o que a pessoa está consumindo. Isso aumenta muito o risco de reações adversas graves, como psicose, convulsões, infarto ou até morte.

Exemplo:
João fumou um baseado de “Spice” e, em poucos minutos, começou a ver coisas que não existiam e a sentir o coração disparar. Ele foi levado ao hospital, onde os médicos disseram que ele quase teve um infarto. Se ele tivesse fumado maconha natural, provavelmente não teria tido uma reação tão grave.


2. “É possível usar canabinoides sintéticos de forma recreativa, sem desenvolver dependência?”

Resposta:
Em teoria, qualquer substância pode ser usada de forma recreativa, mas os canabinoides sintéticos são extremamente viciantes e imprevisíveis. Mesmo um único uso pode causar reações graves, como psicose ou convulsões. Além disso, como essas substâncias são muito potentes, o cérebro se acostuma rapidamente com seus efeitos, o que aumenta muito o risco de dependência.

Exemplo:
Ana experimentou “K2” em uma festa e achou que poderia usar de vez em quando, sem problemas. No entanto, depois de algumas semanas, ela percebeu que estava usando todos os dias e que não conseguia mais parar. Ela desenvolveu dependência muito mais rápido do que imaginava.


3. “Quanto tempo leva para se recuperar?”

Resposta:
A recuperação é um processo individual e contínuo. Não existe um prazo definido, porque cada pessoa tem suas próprias experiências, desafios e ritmo. Algumas pessoas conseguem parar de usar a substância e reconstruir suas vidas em alguns meses, enquanto outras podem levar anos.

O importante é lembrar que a recuperação não é apenas sobre parar de usar a substância — é também sobre reconstruir sua vida, melhorar seus relacionamentos e descobrir quem você é sem a droga. Não desista se o processo parecer lento. Cada dia sem usar é uma vitória.

Exemplo:
Pedro levou dois anos para se sentir completamente recuperado. No começo, ele teve várias recaídas e momentos de desespero, mas com o tempo, ele conseguiu parar de usar “Black Mamba” e reconstruir sua vida. Hoje, ele está há três anos sem usar e se sente mais feliz e realizado do que nunca.


4. “O que fazer se eu recair?”

Resposta:
A recaída faz parte do processo de recuperação para muitas pessoas, e isso não significa que você falhou. O importante é aprender com a recaída e seguir em frente.

O que fazer depois de uma recaída?
Não se culpe: Lembre-se de que a dependência é uma doença, e a recaída é um sintoma dela. Não se culpe ou se julgue.
Procure ajuda: Converse com seu terapeuta, psiquiatra ou grupo de apoio. Eles podem te ajudar a entender o que aconteceu e a desenvolver estratégias para evitar novas recaídas.
Identifique os gatilhos: O que desencadeou a recaída? Foi estresse, ansiedade, um encontro com amigos que usam? Identifique seus gatilhos e desenvolva estratégias para lidar com eles.
Reveja seu plano de tratamento: Se necessário, ajuste seu plano de tratamento com a ajuda de um profissional.
Volte ao tratamento: Não desista. Volte ao tratamento e continue dando pequenos passos em direção à recuperação.

Exemplo:
Maria recaiu depois de uma briga com o namorado. Ela se sentiu muito culpada e pensou em desistir do tratamento. No entanto, ela conversou com seu terapeuta, que a ajudou a entender que a recaída fazia parte do processo. Ela identificou que a briga tinha sido um gatilho e desenvolveu estratégias para lidar com o estresse. Com o tempo, ela voltou ao tratamento e conseguiu parar de usar novamente.


5. “Como posso ajudar um familiar que não quer tratamento?”

Resposta:
Ajudar alguém que não quer tratamento pode ser muito desafiador, mas não é impossível. O mais importante é não desistir e não tentar controlar a pessoa. Em vez disso, ofereça apoio, estabeleça limites saudáveis e cuide de si mesmo.

O que fazer?
Ofereça apoio emocional: Deixe claro que você está lá para apoiar a pessoa, mas que não vai facilitar o uso da substância.
Estabeleça limites: Não dê dinheiro, não cubra as consequências do uso ou não minta para proteger a pessoa. Isso pode atrasar a recuperação.
Converse com um profissional: Um terapeuta ou grupo de apoio para familiares pode te ajudar a lidar com a situação e a desenvolver estratégias para incentivar a pessoa a buscar tratamento.
Não desista: Mesmo que a pessoa não queira tratamento agora, continue oferecendo apoio e incentivando-a a buscar ajuda.
Cuide de si mesmo: Não permita que o comportamento da pessoa afete sua saúde ou bem-estar. Procure apoio para si mesmo, se necessário.

Exemplo:
João não queria tratamento para seu uso de “Spice”. Sua família ofereceu apoio emocional, mas estabeleceu limites claros: eles não dariam dinheiro para ele comprar a substância e não mentiriam para protegê-lo. Eles também conversaram com um terapeuta, que os ajudou a desenvolver estratégias para incentivar João a buscar ajuda. Com o tempo, João percebeu que precisava de tratamento e aceitou a ajuda da família.


6. “Os canabinoides sintéticos podem causar danos permanentes ao cérebro?”

Resposta:
Sim, o uso prolongado de canabinoides sintéticos pode causar danos permanentes ao cérebro, especialmente em adolescentes e adultos jovens, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento. Alguns dos possíveis danos incluem:
Problemas de memória e aprendizagem: Os canabinoides sintéticos podem afetar a capacidade de aprender novas informações e de se lembrar de coisas.
Dificuldade de concentração: A pessoa pode ter dificuldade para se concentrar em tarefas ou conversas.
Alterações de humor: O uso prolongado pode aumentar o risco de depressão, ansiedade e psicose.
Danos cognitivos: Em casos graves, o uso de canabinoides sintéticos pode causar danos permanentes à cognição, afetando a capacidade de tomar decisões, resolver problemas e planejar o futuro.

Exemplo:
Pedro usou “Black Mamba” por vários anos e começou a ter dificuldade para se concentrar no trabalho e para se lembrar de coisas simples, como onde deixou as chaves. Ele também se sentia constantemente ansioso e deprimido. Depois de parar de usar, alguns sintomas melhoraram, mas outros, como a dificuldade de concentração, persistiram.


7. “É possível tratar o transtorno sem medicamentos?”

Resposta:
Sim, é possível tratar o transtorno sem medicamentos, mas isso depende da gravidade do caso e das necessidades individuais da pessoa. A psicoterapia, as mudanças no estilo de vida e o apoio social podem ser muito eficazes, especialmente em casos leves a moderados.

No entanto, em casos mais graves — como quando a pessoa tem sintomas de abstinência intensos, psicose ou outros transtornos mentais associados —, os medicamentos podem ser necessários para estabilizar os sintomas e facilitar a recuperação.

Exemplo:
Ana conseguiu parar de usar “Spice” com a ajuda da terapia cognitivo-comportamental e do apoio da família. Ela não precisou de medicamentos porque seus sintomas de abstinência foram leves e ela não tinha outros transtornos mentais associados.


8. “Como lidar com a vergonha e o estigma?”

Resposta:
A vergonha e o estigma são sentimentos comuns entre pessoas que recebem o diagnóstico de transtorno devido ao uso de substâncias. Muitas pessoas se sentem julgadas ou envergonhadas, o que pode dificultar a busca por ajuda.

Dicas para lidar com a vergonha e o estigma:
Lembre-se de que você não é o diagnóstico: Você é muito mais do que um rótulo. O diagnóstico é apenas uma forma de entender o que está acontecendo e buscar ajuda.
Busque apoio: Converse com pessoas que te apoiam e te entendem. Isso pode ser um terapeuta, um grupo de apoio ou amigos e familiares.
Informe-se: Quanto mais você souber sobre o transtorno, mais preparado estará para lidar com o estigma. Lembre-se de que a dependência é uma doença, não uma questão de caráter.
Fale sobre isso: Falar sobre o que você está passando pode ajudar a aliviar a vergonha e a se sentir menos sozinho. Você pode se surpreender com o apoio que vai receber.
Seja gentil consigo mesmo: Não se julgue ou se culpe. Lembre-se de que você está fazendo o melhor que pode e que a recuperação é um processo.

Exemplo:
João se sentia muito envergonhado por seu uso de “K2”. Ele conversou com seu terapeuta sobre esses sentimentos e começou a participar de um grupo de apoio. Lá, ele conheceu pessoas que estavam passando pelo mesmo que ele e que o apoiaram. Com o tempo, ele conseguiu lidar melhor com a vergonha e se sentir mais confiante na recuperação.


9. “O que fazer se eu tiver pensamentos suicidas?”

Resposta:
Pensamentos suicidas são um sinal de que você precisa de ajuda imediata. Eles podem ser causados por vários fatores, como depressão, ansiedade, abstinência ou outros problemas de saúde mental. Não ignore esses pensamentos. Procure ajuda o mais rápido possível.

O que fazer?
Procure ajuda profissional: Converse com seu psiquiatra, terapeuta ou médico de família. Eles podem te ajudar a lidar com esses pensamentos e ajustar seu tratamento, se necessário.
Ligue para um serviço de apoio: No Brasil, você pode ligar para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no número 188. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
Vá para um lugar seguro: Se você estiver em perigo imediato, vá para um hospital ou pronto-socorro. Não fique sozinho.
Converse com alguém de confiança: Fale com um amigo, familiar ou outra pessoa de confiança. Não guarde esses pensamentos para si mesmo.
Evite situações de risco: Afaste-se de objetos ou situações que possam representar perigo, como armas, medicamentos ou locais altos.

Exemplo:
Maria começou a ter pensamentos suicidas depois de parar de usar “Spice”. Ela ligou para o CVV e conversou com um voluntário, que a ajudou a se acalmar. Ela também procurou seu psiquiatra, que ajustou sua medicação e a encaminhou para um hospital. Com o tempo, os pensamentos diminuíram e ela conseguiu seguir em frente.


10. “Como posso reconstruir minha vida depois do diagnóstico?”

Resposta:
Reconstruir sua vida depois do diagnóstico pode parecer assustador, mas também é uma oportunidade para redescobrir quem você é e criar uma vida que te faça feliz. A recuperação não é apenas sobre parar de usar a substância — é também sobre reconstruir seus relacionamentos, encontrar novos hobbies, estabelecer metas e descobrir seus valores.

Dicas para reconstruir sua vida:
Descubra novos hobbies: O que você gosta de fazer? Pode ser pintar, tocar um instrumento, praticar esportes, cozinhar, etc. Encontre algo que te dê prazer e te ajude a se sentir realizado.
Estabeleça metas: O que você quer alcançar? Pode ser uma meta profissional, acadêmica, pessoal ou de saúde. Estabeleça metas realistas e dê pequenos passos para alcançá-las.
Melhore seus relacionamentos: A recuperação é uma ótima oportunidade para melhorar seus relacionamentos com a família, os amigos e os colegas. Seja honesto, peça desculpas se necessário e trabalhe para reconstruir a confiança.
Descubra quem você é: O uso de substâncias pode ter te afastado de quem você realmente é. Use a recuperação como uma oportunidade para se reconectar consigo mesmo e descobrir seus valores, interesses e paixões.
Ajude os outros: Ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo que você pode ser uma ótima forma de se sentir útil e motivado. Você pode participar de grupos de apoio, fazer voluntariado ou simplesmente estar disponível para ouvir um amigo.

Exemplo:
Depois de parar de usar “Black Mamba”, Pedro começou a praticar jiu-jitsu. Ele descobriu que adorava o esporte e que isso o ajudava a se sentir mais confiante e disciplinado. Ele também estabeleceu a meta de voltar a estudar e começou a fazer um curso online. Essas mudanças o ajudaram a se sentir mais realizado e motivado na recuperação.


Quando procurar ajuda urgente

Alguns sintomas são sinais de alerta de que a pessoa precisa de ajuda imediata. Se você ou alguém que você conhece apresentar algum dos sintomas abaixo, procure ajuda médica o mais rápido possível.


Sinais de alerta de gravidade moderada (procure ajuda nas próximas 24 horas)

  • Sintomas de abstinência intensos: Ansiedade grave, insônia, tremores, sudorese, náusea ou vômitos que não melhoram com o tempo.
  • Depressão grave: Tristeza profunda, falta de energia, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, pensamentos de morte ou suicídio.
  • Ansiedade grave: Sensação de pânico, falta de ar, coração acelerado, tremores ou medo intenso sem motivo aparente.
  • Alucinações ou delírios leves: Ver, ouvir ou sentir coisas que não existem, ou ter crenças falsas e persistentes.
  • Comportamento agressivo ou violento: Irritabilidade extrema, agressividade ou violência contra si mesmo ou contra os outros.

O que fazer?
– Procure um psiquiatra, psicólogo ou médico de família.
– Vá a um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou UBS (Unidade Básica de Saúde).
– Se não for possível esperar, vá a um pronto-socorro.


Sinais de alerta de gravidade alta (procure ajuda imediatamente)

  • Psicose grave: Alucinações intensas, delírios persistentes, pensamento desorganizado ou comportamento grosseiramente desorganizado.
  • Risco de suicídio: Pensamentos frequentes de morte ou suicídio, planos de se matar ou tentativas de suicídio.
  • Overdose: Confusão mental, convulsões, perda de consciência, batimentos cardíacos acelerados ou pressão alta.
  • Comportamento violento: Agressividade extrema, violência contra si mesmo ou contra os outros, ou ameaças graves.
  • Sintomas físicos graves: Dor no peito, falta de ar, convulsões, desmaios ou outros sintomas que possam indicar problemas cardíacos, neurológicos ou outros problemas de saúde graves.

O que fazer?
Ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente para um pronto-socorro.
Se a pessoa estiver em risco imediato de se machucar ou machucar os outros, ligue para a polícia (190).
Se a pessoa estiver tendo pensamentos suicidas, ligue para o CVV (188).


Exemplos de situações de emergência

  1. Psicose grave:
  2. João começou a ver monstros nas paredes e a acreditar que seus vizinhos estavam tentando matá-lo. Ele também estava muito agitado e agressivo. Sua família o levou imediatamente para o pronto-socorro, onde ele foi internado para tratamento.

  3. Risco de suicídio:

  4. Maria começou a dizer que não valia a pena viver e que queria se matar. Ela também escreveu uma carta de despedida. Sua família a levou para o hospital, onde ela recebeu atendimento psiquiátrico de emergência.

  5. Overdose:

  6. Pedro fumou “K2” e começou a ter convulsões e a perder a consciência. Seus amigos ligaram para o SAMU, que o levou para o hospital. Lá, ele recebeu tratamento para estabilizar seus sintomas.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • Fiocruz. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). 2020.
  • National Institute on Drug Abuse (NIDA). Synthetic Cannabinoids (K2/Spice). 2021.
  • Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA). Treatment Improvement Protocol (TIP) 45: Detoxification and Substance Abuse Treatment. 2015.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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