Transtornos decorrentes do uso de substâncias, não especificados (CID-11: 6C4Z)

O que é?

Imagine que você tem um amigo que começou a tomar um remédio para dor depois de uma cirurgia. No começo, era só quando a dor apertava. Mas, com o tempo, ele passou a tomar mesmo quando não estava doendo, porque se sentia mais calmo, mais confiante. Depois de algumas semanas, ele percebeu que não conseguia mais parar — quando tentava, ficava irritado, suava frio, não dormia. Ele não sabia exatamente o que estava tomando, porque o remédio vinha de um conhecido, não de um médico. E agora, mesmo sabendo que isso está prejudicando seu trabalho e seus relacionamentos, ele não consegue largar.

Essa situação ilustra o que chamamos de transtorno decorrente do uso de substâncias, não especificado. O nome é complicado, mas a ideia é simples: é quando uma pessoa desenvolve um padrão problemático de uso de alguma substância que não se encaixa nas categorias mais conhecidas (como álcool, maconha, cocaína ou remédios controlados), mas que ainda assim causa sofrimento e prejuízos na vida dela. Pode ser um remédio comprado sem receita, uma substância desconhecida vendida como “droga legal”, um produto químico usado de forma indevida (como colas ou solventes) ou até mesmo uma mistura de coisas que a pessoa nem sabe direito o que é.

A diferença entre um uso ocasional e um transtorno está no impacto na vida da pessoa. Todo mundo já tomou um remédio para dor de cabeça ou experimentou uma bebida alcoólica em uma festa. Isso não é um transtorno. O problema começa quando o uso da substância passa a ser prioridade, mesmo quando causa problemas sérios — como perder o emprego, brigar com a família, ter problemas de saúde ou se envolver em situações de risco. É como se a substância tomasse o volante da vida da pessoa, e ela não conseguisse mais dirigir sozinha.

No Brasil, não temos dados exatos sobre quantas pessoas têm esse diagnóstico específico, porque ele é usado justamente quando não dá para classificar a substância em uma categoria conhecida. Mas sabemos que os transtornos por uso de substâncias em geral afetam cerca de 3% da população brasileira, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. A faixa etária mais afetada costuma ser entre 18 e 35 anos, e os homens são diagnosticados com mais frequência do que as mulheres — embora isso possa refletir mais um viés de procura por tratamento do que a realidade, já que mulheres muitas vezes têm mais dificuldade de buscar ajuda por medo de julgamento.

Historicamente, a forma como a sociedade enxerga o uso de substâncias mudou muito. Há algumas décadas, o alcoolismo, por exemplo, era visto como “falta de força de vontade”. Hoje, sabemos que é uma condição médica, com bases biológicas, psicológicas e sociais. O mesmo vale para outras substâncias: o que antes era tratado como “vício” ou “mau caráter” hoje é entendido como um transtorno complexo, que precisa de tratamento — não de julgamento.

Quais são os sintomas?

Para entender se o uso de uma substância está se tornando um transtorno, os médicos usam uma lista de critérios. Pense neles como sinais de alerta. Ter um ou dois desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha o transtorno, mas quando vários deles aparecem juntos, por um tempo prolongado e causando sofrimento, é hora de procurar ajuda.

Vamos traduzir cada um desses critérios para o dia a dia, com exemplos concretos:


1. Usar a substância em quantidades maiores ou por mais tempo do que pretendia

O que isso quer dizer?
A pessoa planeja usar “só um pouco” ou “só hoje”, mas acaba exagerando sem perceber.

Exemplos:
– João combinou com os amigos de tomar só duas cervejas no churrasco, mas quando viu, já eram dez e ele estava bêbado.
– Maria começou a usar um remédio para ansiedade “só quando o nervosismo apertava”, mas agora toma todos os dias, mesmo quando está tranquila.
– Pedro comprou um “energético legal” para estudar para a prova, mas acabou usando tanto que passou a noite inteira acordado, sem conseguir dormir.

Como diferenciar do normal?
Todo mundo já perdeu a noção do tempo ou da quantidade em alguma situação (como numa festa). O problema é quando isso vira regra, não exceção. Se a pessoa sempre acaba usando mais do que planejava, é um sinal de alerta.


2. Desejo persistente ou esforços malsucedidos de parar ou controlar o uso

O que isso quer dizer?
A pessoa tenta diminuir ou parar, mas não consegue, mesmo querendo.

Exemplos:
– Ana já tentou parar de usar aquele “remédio para dormir” que comprou na farmácia sem receita três vezes, mas sempre volta a tomar depois de alguns dias porque não consegue dormir.
– Carlos prometeu para a esposa que não usaria mais aquele “pó” que um amigo ofereceu, mas toda vez que encontra o amigo, acaba cedendo.
– Beatriz parou de fumar maconha por um mês, mas quando teve um dia ruim no trabalho, voltou a usar “só para relaxar” — e não conseguiu mais parar.

Como diferenciar do normal?
É normal ter recaídas quando se está tentando mudar um hábito (como parar de fumar ou beber). A diferença é que, no transtorno, a pessoa sente que não tem controle, como se a substância tivesse mais poder do que ela.


3. Gastar muito tempo para obter, usar ou se recuperar dos efeitos da substância

O que isso quer dizer?
A substância começa a ocupar um espaço enorme na vida da pessoa, tomando tempo que antes era usado para outras coisas.

Exemplos:
– Ricardo passa horas por dia procurando onde comprar aquele “comprimido azul” que um conhecido vende, mesmo sabendo que é arriscado.
– Fernanda acorda de ressaca quase todos os dias e passa a manhã inteira se recuperando, faltando ao trabalho ou chegando atrasada.
– Lucas deixou de jogar futebol com os amigos porque prefere ficar em casa usando aquele “spray” que encontrou no armário do pai.

Como diferenciar do normal?
Se a pessoa gasta mais tempo pensando na substância do que em outras coisas que gostava de fazer, é um sinal de que o uso está se tornando problemático.


4. Fissura (desejo intenso ou urgência de usar a substância)

O que isso quer dizer?
A pessoa sente uma vontade tão forte de usar a substância que é difícil pensar em outra coisa.

Exemplos:
– Toda vez que Paula passa pela farmácia, sente uma vontade incontrolável de comprar aquele remédio para emagrecer, mesmo sabendo que não precisa.
– Marcos sente uma ansiedade tão grande quando está sem o “energético” que usa que não consegue se concentrar em nada até conseguir mais.
– Clara sonha com o gosto daquele “chá” que tomava e acorda com vontade de preparar na hora, mesmo sendo de madrugada.

Como diferenciar do normal?
É normal sentir vontade de tomar um café quando está cansado ou de beber uma cerveja no fim de semana. A fissura do transtorno é mais intensa, frequente e difícil de ignorar, como uma coceira que não passa.


5. Uso recorrente que resulta em fracasso no cumprimento de obrigações no trabalho, escola ou casa

O que isso quer dizer?
A pessoa começa a falhar em coisas importantes da vida por causa do uso da substância.

Exemplos:
– Tiago faltou ao trabalho três vezes no mês porque estava de ressaca ou “chapado” demais para acordar.
– Sofia tirou notas baixas na faculdade porque passou a noite inteira usando aquele “pó” e não conseguiu estudar.
– Rafael deixou de pagar as contas porque gastou todo o dinheiro comprando aquele “remédio” que um amigo vende.

Como diferenciar do normal?
Todo mundo já teve um dia ruim no trabalho ou na escola. O problema é quando os fracassos se tornam frequentes e estão diretamente ligados ao uso da substância.


6. Uso contínuo apesar de problemas sociais ou interpessoais causados ou exacerbados pela substância

O que isso quer dizer?
A pessoa continua usando mesmo quando a substância está causando brigas, isolamento ou outros problemas com as pessoas ao redor.

Exemplos:
– Júlia sabe que o marido fica bravo quando ela usa aquele “remédio para dormir” todos os dias, mas continua tomando mesmo assim.
– Pedro brigou com os pais porque eles descobriram que ele estava usando um “spray” que encontrou em casa, mas não parou de usar.
– Carla perdeu amizades porque sempre fica agressiva quando usa aquele “comprimido”, mas continua tomando.

Como diferenciar do normal?
É normal ter desentendimentos com as pessoas que amamos. A diferença é que, no transtorno, a pessoa continua usando mesmo sabendo que isso está prejudicando seus relacionamentos.


7. Redução ou abandono de atividades sociais, ocupacionais ou recreativas por causa do uso da substância

O que isso quer dizer?
A pessoa deixa de fazer coisas que gostava ou que eram importantes para ela por causa da substância.

Exemplos:
– Marcos parou de ir ao futebol com os amigos porque prefere ficar em casa usando aquele “energético”.
– Ana deixou de ir às aulas de dança porque sempre chega atrasada ou cansada por causa do “remédio” que toma.
– Bruno parou de sair com a namorada porque prefere ficar em casa usando aquele “spray” que encontrou.

Como diferenciar do normal?
É normal mudar de hobbies ou prioridades ao longo da vida. O problema é quando a pessoa abandona atividades que antes eram importantes para ela por causa da substância.


8. Uso recorrente em situações fisicamente perigosas

O que isso quer dizer?
A pessoa usa a substância em situações em que isso pode colocar ela ou outras pessoas em risco.

Exemplos:
– Daniel dirige depois de tomar vários “comprimidos para ansiedade”, mesmo sabendo que pode causar um acidente.
– Patrícia usa aquele “spray” antes de operar máquinas no trabalho, colocando em risco a si mesma e os colegas.
– Lucas usa um “pó” desconhecido antes de nadar na praia, mesmo sabendo que pode se afogar.

Como diferenciar do normal?
É normal correr riscos em algumas situações (como dirigir depois de uma taça de vinho em um jantar). O problema é quando a pessoa faz isso de forma recorrente, mesmo sabendo dos perigos.


9. Uso contínuo apesar de saber que tem um problema físico ou psicológico que provavelmente foi causado ou piorado pela substância

O que isso quer dizer?
A pessoa continua usando mesmo quando a substância está causando ou piorando problemas de saúde.

Exemplos:
– Rodrigo sabe que aquele “remédio para dormir” está piorando sua depressão, mas continua tomando porque não consegue dormir sem ele.
– Camila descobriu que o “energético” que usa está causando problemas no coração, mas não consegue parar.
– Felipe sabe que o “spray” que usa está prejudicando seus pulmões, mas continua usando mesmo assim.

Como diferenciar do normal?
É normal continuar usando um remédio que o médico receitou, mesmo que ele tenha efeitos colaterais. O problema é quando a pessoa usa uma substância sem orientação médica e mesmo sabendo que ela está prejudicando sua saúde.


10. Tolerância (precisar de quantidades cada vez maiores para ter o mesmo efeito)

O que isso quer dizer?
Com o tempo, a pessoa precisa usar mais da substância para sentir o mesmo efeito que sentia antes.

Exemplos:
– No começo, uma cápsula daquele “remédio para emagrecer” deixava Laura acordada por algumas horas. Agora, ela precisa tomar três para sentir o mesmo efeito.
– Marcos começou usando um “pó” uma vez por semana e sentia um efeito forte. Agora, usa todos os dias e não sente mais a mesma intensidade.
– Ana tomava um comprimido para dormir e conseguia descansar. Agora, precisa tomar dois ou três para ter o mesmo resultado.

Como diferenciar do normal?
É normal que o corpo se acostume com algumas substâncias (como café ou álcool). O problema é quando a pessoa precisa aumentar a dose com frequência para sentir o mesmo efeito, o que pode levar a um uso cada vez mais perigoso.


11. Abstinência (sintomas físicos ou psicológicos quando a pessoa para de usar a substância)

O que isso quer dizer?
Quando a pessoa para de usar a substância, ela sente sintomas desagradáveis, como ansiedade, tremores, suor frio, náusea ou até convulsões, dependendo da substância.

Exemplos:
– Quando Pedro tenta parar de usar aquele “energético”, sente uma ansiedade tão grande que não consegue ficar parado.
– Maria fica irritada, suando frio e com dor de cabeça quando passa um dia sem tomar o “remédio para dormir”.
– João sente tremores e náuseas quando fica sem usar aquele “pó” que um amigo vende.

Como diferenciar do normal?
É normal sentir algum desconforto quando se para de usar uma substância (como dor de cabeça ao parar o café). O problema é quando os sintomas são intensos e fazem a pessoa voltar a usar a substância para aliviá-los.


O que faz o diagnóstico?

Ter alguns desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha um transtorno. O que importa é:
Quantos sintomas a pessoa tem (quanto mais, mais grave é o transtorno).
Há quanto tempo eles estão acontecendo (geralmente, por pelo menos 12 meses).
O quanto eles estão prejudicando a vida da pessoa (no trabalho, nos relacionamentos, na saúde).

Se você ou alguém que você conhece se identificou com vários desses sinais, não significa que a situação é sem solução. Pelo contrário: quanto antes a pessoa buscar ajuda, mais fácil é tratar e recuperar o controle da vida.

Como se manifesta no dia a dia?

O transtorno decorrente do uso de substâncias não especificadas não afeta só a pessoa que usa a substância — ele muda toda a rotina, os relacionamentos e até a forma como a pessoa se vê. Vamos ver como isso aparece em diferentes áreas da vida.


No trabalho ou na escola

Imagine que o trabalho ou a escola são como um carro: para funcionar bem, ele precisa de combustível (energia), manutenção (cuidados) e um motorista atento (foco). Quando uma substância começa a tomar conta da vida da pessoa, é como se o carro começasse a falhar:

  • Falta de foco e produtividade: A pessoa pode ter dificuldade para se concentrar, como se sua mente estivesse sempre em outro lugar. Ela começa a esquecer prazos, cometer erros bobos ou até dormir durante reuniões.
  • Exemplo: Carlos era um ótimo aluno, mas depois que começou a usar aquele “energético” para estudar, suas notas caíram. Ele passava a noite acordado, mas no dia seguinte não conseguia se concentrar na aula.
  • Exemplo: Ana trabalhava em um escritório e sempre entregava seus relatórios no prazo. Depois que começou a tomar aquele “remédio para dormir”, passou a chegar atrasada e a cometer erros nos cálculos.

  • Faltas e atrasos: A pessoa pode começar a faltar ao trabalho ou à escola com frequência, seja porque está usando a substância, está se recuperando dos efeitos ou simplesmente não tem energia para ir.

  • Exemplo: João era pontual, mas depois que começou a usar aquele “spray” que encontrou em casa, passou a chegar atrasado quase todos os dias. Às vezes, nem ia trabalhar porque estava “chapado” demais.
  • Exemplo: Maria faltou a três provas importantes porque estava usando um “pó” desconhecido e não conseguia acordar a tempo.

  • Problemas com colegas ou chefes: O uso da substância pode deixar a pessoa irritada, agressiva ou desinteressada, o que causa conflitos no ambiente de trabalho ou na escola.

  • Exemplo: Pedro sempre foi calmo, mas depois que começou a usar aquele “comprimido para ansiedade” em excesso, passou a brigar com os colegas por qualquer motivo.
  • Exemplo: Sofia era uma funcionária exemplar, mas depois que começou a usar um “energético” para aguentar o turno da noite, passou a discutir com o chefe e quase foi demitida.

  • Perda de oportunidades: A pessoa pode deixar de ser promovida, perder uma bolsa de estudos ou até ser demitida por causa do uso da substância.

  • Exemplo: Ricardo era um candidato forte para uma promoção, mas foi preterido porque seus últimos relatórios estavam cheios de erros — ele estava usando um “remédio” para emagrecer que o deixava agitado e distraído.
  • Exemplo: Clara tinha uma bolsa de estudos, mas perdeu porque suas notas caíram depois que começou a usar um “spray” para relaxar.

Nos relacionamentos

Os relacionamentos são como plantas: precisam de cuidado, atenção e água para crescer. Quando uma substância entra na vida da pessoa, é como se ela parasse de regar a planta — aos poucos, ela começa a murchar:

  • Brigas frequentes: A pessoa pode ficar irritada, agressiva ou defensiva quando questionada sobre o uso da substância, o que leva a discussões constantes.
  • Exemplo: Marcos e sua esposa sempre tiveram um relacionamento tranquilo, mas depois que ele começou a usar aquele “pó” desconhecido, passaram a brigar quase todos os dias. Ela pedia para ele parar, e ele ficava bravo, dizendo que ela não entendia.
  • Exemplo: Ana e sua mãe sempre foram próximas, mas depois que Ana começou a tomar um “remédio para dormir” todos os dias, passaram a se desentender. A mãe tentava conversar, e Ana ficava na defensiva.

  • Isolamento: A pessoa pode começar a se afastar das pessoas que ama, seja porque prefere ficar sozinha usando a substância, seja porque sente vergonha do que está fazendo.

  • Exemplo: Pedro sempre gostou de sair com os amigos, mas depois que começou a usar aquele “spray”, passou a recusar convites e a ficar em casa sozinho.
  • Exemplo: Carla era muito sociável, mas depois que começou a usar um “comprimido” para emagrecer, passou a evitar encontros com as amigas porque se sentia julgada.

  • Desconfiança: Familiares e amigos podem começar a desconfiar da pessoa, seja porque ela mente sobre o uso da substância, seja porque seu comportamento mudou.

  • Exemplo: João sempre foi honesto com a esposa, mas depois que começou a usar aquele “energético”, passou a mentir sobre onde estava e com quem. Ela começou a desconfiar e a revistar suas coisas.
  • Exemplo: Maria sempre foi transparente com os pais, mas depois que começou a usar um “pó” desconhecido, passou a esconder coisas e a evitar conversas.

  • Perda de intimidade: A pessoa pode deixar de compartilhar momentos importantes com as pessoas que ama, seja porque está usando a substância, seja porque não tem energia para isso.

  • Exemplo: Ricardo e sua namorada sempre assistiam filmes juntos aos domingos, mas depois que ele começou a usar aquele “remédio para ansiedade”, passou a preferir ficar sozinho no quarto.
  • Exemplo: Sofia sempre ia aos jogos de futebol do filho, mas depois que começou a usar um “spray”, passou a faltar porque preferia ficar em casa.

Na rotina

A rotina é como um trem: para chegar ao destino, ele precisa seguir os trilhos. Quando uma substância começa a tomar conta da vida da pessoa, é como se o trem saísse dos trilhos — tudo fica bagunçado:

  • Sono: A pessoa pode ter dificuldade para dormir, acordar várias vezes durante a noite ou dormir demais.
  • Exemplo: Ana sempre dormiu bem, mas depois que começou a tomar aquele “remédio para dormir”, passou a acordar várias vezes durante a noite e a se sentir cansada o dia todo.
  • Exemplo: Pedro usava um “energético” para ficar acordado, mas depois que o efeito passava, ele desabava e dormia por horas, perdendo compromissos importantes.

  • Alimentação: A pessoa pode perder o apetite, comer demais ou ter uma alimentação desequilibrada.

  • Exemplo: Clara sempre gostou de cozinhar, mas depois que começou a usar aquele “comprimido para emagrecer”, passou a pular refeições e a comer só besteiras.
  • Exemplo: João sempre teve uma alimentação saudável, mas depois que começou a usar um “pó” desconhecido, passou a comer só fast food porque não tinha energia para cozinhar.

  • Autocuidado: A pessoa pode deixar de cuidar da higiene pessoal, da saúde ou da aparência.

  • Exemplo: Maria sempre foi vaidosa, mas depois que começou a usar aquele “spray”, passou a deixar de tomar banho e a usar as mesmas roupas por dias.
  • Exemplo: Ricardo sempre foi cuidadoso com a saúde, mas depois que começou a usar um “remédio para ansiedade”, passou a ignorar dores no peito e a não ir mais ao médico.

  • Lazer: A pessoa pode deixar de fazer coisas que gostava, seja porque prefere usar a substância, seja porque não tem energia para isso.

  • Exemplo: Sofia sempre gostou de pintar, mas depois que começou a usar um “energético”, passou a deixar os pincéis de lado porque preferia ficar em casa usando a substância.
  • Exemplo: Pedro sempre gostou de jogar futebol, mas depois que começou a usar aquele “spray”, passou a faltar aos treinos porque não tinha energia.

Na saúde física

O corpo é como uma máquina: se uma peça não funciona direito, todo o resto é afetado. Quando uma substância entra na vida da pessoa, é como se ela começasse a colocar combustível de má qualidade no motor — aos poucos, a máquina começa a falhar:

  • Problemas no coração: Algumas substâncias podem causar arritmias, pressão alta ou até infartos.
  • Exemplo: João sempre teve o coração saudável, mas depois que começou a usar aquele “energético”, passou a sentir dores no peito e foi diagnosticado com arritmia.
  • Exemplo: Ana usava um “comprimido para emagrecer” que acelerava seu coração. Um dia, ela desmaiou e foi levada ao hospital.

  • Problemas no fígado: O fígado é responsável por filtrar toxinas do corpo. Quando a pessoa usa substâncias em excesso, ele pode ficar sobrecarregado e parar de funcionar direito.

  • Exemplo: Ricardo sempre teve exames normais, mas depois que começou a usar um “remédio” para ansiedade todos os dias, seu fígado começou a dar sinais de alerta.
  • Exemplo: Maria usava um “spray” que encontrou em casa e, depois de alguns meses, descobriu que seu fígado estava inflamado.

  • Problemas nos pulmões: Substâncias inaladas (como sprays ou solventes) podem causar danos irreversíveis aos pulmões.

  • Exemplo: Pedro usava um “spray” para relaxar e, depois de alguns meses, começou a ter falta de ar e foi diagnosticado com enfisema pulmonar.
  • Exemplo: Carla usava um “pó” desconhecido que precisava ser inalado. Depois de um tempo, passou a tossir sangue e descobriu que tinha lesões nos pulmões.

  • Problemas no cérebro: Algumas substâncias podem causar danos permanentes ao cérebro, afetando a memória, a concentração e até a personalidade.

  • Exemplo: João sempre foi bom em matemática, mas depois que começou a usar aquele “energético”, passou a ter dificuldade para fazer contas simples.
  • Exemplo: Ana usava um “remédio para dormir” todos os dias e, depois de um tempo, passou a esquecer coisas importantes, como o nome dos filhos.

  • Problemas no sistema digestivo: Algumas substâncias podem causar náuseas, vômitos, diarreia ou até úlceras.

  • Exemplo: Ricardo sempre teve o estômago forte, mas depois que começou a usar um “remédio” para ansiedade, passou a ter dores constantes e foi diagnosticado com gastrite.
  • Exemplo: Maria usava um “comprimido para emagrecer” que a deixava enjoada. Depois de um tempo, passou a vomitar sangue e descobriu que tinha uma úlcera.

O que causa essa condição?

Imagine que o transtorno decorrente do uso de substâncias é como uma tempestade perfeita: ele não é causado por um único fator, mas por uma combinação de coisas que, juntas, criam as condições ideais para que o problema se desenvolva. Vamos entender cada uma dessas “peças do quebra-cabeça”:


Fatores genéticos: “A semente da árvore”

Pense nos genes como uma semente de árvore. Algumas sementes têm mais chance de crescer e se tornar uma árvore forte, enquanto outras podem ser mais frágeis. Da mesma forma, algumas pessoas têm uma predisposição genética para desenvolver transtornos por uso de substâncias.

  • Como isso funciona?
  • Se alguém na família (como pais, avós ou irmãos) teve problemas com álcool, drogas ou até mesmo com jogos de azar, a pessoa pode ter uma maior vulnerabilidade para desenvolver um transtorno semelhante.
  • Isso não significa que a pessoa vai desenvolver o transtorno, mas que ela tem uma maior chance se outros fatores (como ambiente ou estresse) entrarem em jogo.

  • Exemplo:

  • João cresceu em uma família onde o pai era alcoólatra. Ele sempre ouviu que “bebida não é problema” e que “todo mundo bebe”. Quando João começou a beber na adolescência, percebeu que se sentia mais relaxado do que seus amigos depois de algumas doses. Com o tempo, ele passou a beber cada vez mais, até que não conseguia mais parar.

  • Mito vs. Verdade:

  • Mito: “Se meu pai era alcoólatra, eu também vou ser.”
  • Verdade: A genética aumenta o risco, mas não determina o futuro. Muitas pessoas com histórico familiar nunca desenvolvem transtornos por uso de substâncias, especialmente se tiverem um ambiente saudável e apoio emocional.

Fatores neurobiológicos: “O cérebro que pede mais”

O cérebro é como um jardim cheio de caminhos. Quando uma pessoa usa uma substância, é como se ela começasse a regar um caminho específico com mais frequência — aos poucos, esse caminho fica mais largo, mais fácil de percorrer, enquanto os outros ficam abandonados. Com o tempo, o cérebro se acostuma com a substância e começa a “pedir” mais dela.

  • Como isso funciona?
  • As substâncias alteram a forma como o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e recompensa.
  • No começo, a substância causa uma explosão de dopamina, fazendo a pessoa se sentir muito bem. Mas, com o tempo, o cérebro se acostuma e passa a precisar de mais substância para sentir o mesmo efeito (isso é a tolerância).
  • Quando a pessoa para de usar a substância, o cérebro fica “desregulado” e começa a enviar sinais de alerta (como ansiedade, irritação ou dor), o que chamamos de abstinência.

  • Exemplo:

  • Maria começou a tomar um “remédio para dormir” porque estava tendo insônia. No começo, um comprimido era suficiente. Mas, depois de algumas semanas, ela precisava de dois para dormir. Quando tentava parar, ficava ansiosa e não conseguia pregar os olhos. Seu cérebro tinha se acostumado com o remédio e não sabia mais como funcionar sem ele.

  • Mito vs. Verdade:

  • Mito: “Quem usa drogas é fraco e não tem força de vontade.”
  • Verdade: O cérebro de uma pessoa com transtorno por uso de substâncias funciona de forma diferente. Não é uma questão de força de vontade, mas de como a substância alterou os circuitos de recompensa do cérebro.

Fatores ambientais: “O solo onde a semente cresce”

Voltando à analogia da semente, o ambiente é como o solo onde ela é plantada. Se o solo for fértil (com apoio, oportunidades e segurança), a semente tem mais chance de crescer saudável. Mas se o solo for pobre (com estresse, violência ou falta de apoio), a semente pode crescer torta ou doente.

  • Como isso funciona?
  • Traumas na infância: Pessoas que sofreram abuso, negligência ou violência na infância têm um risco maior de desenvolver transtornos por uso de substâncias. A substância pode ser uma forma de aliviar a dor emocional.
  • Pressão social: Em ambientes onde o uso de substâncias é normalizado (como festas, grupos de amigos ou até mesmo em casa), a pessoa pode começar a usar por pressão ou curiosidade.
  • Falta de apoio: Pessoas que não têm uma rede de apoio (família, amigos ou profissionais) têm mais dificuldade de lidar com os desafios da vida e podem recorrer a substâncias como válvula de escape.
  • Disponibilidade da substância: Se a substância é fácil de conseguir (como remédios sem receita ou drogas vendidas perto de casa), o risco de uso problemático aumenta.

  • Exemplo:

  • Pedro cresceu em uma família violenta, onde o pai batia na mãe e nos filhos. Quando adolescente, ele descobriu que um “spray” que encontrava em casa o fazia se sentir mais calmo. Com o tempo, passou a usar o spray todos os dias para “escapar” da realidade.
  • Ana sempre foi uma aluna exemplar, mas quando entrou na faculdade, começou a sair com um grupo que usava “pó” para ficar acordado e estudar. No começo, era só nos fins de semana, mas depois passou a usar todos os dias para dar conta das provas.

  • Mito vs. Verdade:

  • Mito: “Quem usa drogas é porque quer se destruir.”
  • Verdade: Muitas pessoas usam substâncias como uma forma de lidar com a dor, o estresse ou a solidão. Não é uma escolha racional, mas uma tentativa de aliviar um sofrimento.

Fatores da gestação e desenvolvimento: “As raízes da árvore”

Alguns fatores que influenciam o desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias começam antes mesmo do nascimento. Pense neles como as raízes da árvore: se elas não forem saudáveis, a árvore pode crescer fraca ou doente.

  • Como isso funciona?
  • Exposição a substâncias na gestação: Bebês cujas mães usaram álcool, drogas ou tabaco durante a gravidez podem ter maior vulnerabilidade para desenvolver transtornos no futuro.
  • Complicações no parto: Falta de oxigênio durante o parto ou outras complicações podem afetar o desenvolvimento do cérebro, aumentando o risco de transtornos mentais e por uso de substâncias.
  • Desenvolvimento na infância: Crianças que não recebem estímulos adequados (como carinho, brincadeiras ou educação) podem ter dificuldade para desenvolver habilidades emocionais, o que aumenta o risco de usar substâncias como forma de automedicação.

  • Exemplo:

  • Lucas nasceu prematuro e teve complicações no parto que afetaram seu desenvolvimento. Quando adolescente, descobriu que um “energético” o ajudava a se concentrar na escola. Com o tempo, passou a usar todos os dias, mesmo sabendo que fazia mal.
  • Clara foi exposta ao álcool durante a gestação e sempre teve dificuldade para controlar seus impulsos. Quando adulta, descobriu que um “remédio para ansiedade” a ajudava a se sentir mais calma. Mas, com o tempo, passou a tomar doses cada vez maiores.

  • Mito vs. Verdade:

  • Mito: “Se a mãe usou drogas durante a gravidez, o bebê já nasce viciado.”
  • Verdade: O bebê não nasce “viciado”, mas pode ter maior vulnerabilidade para desenvolver transtornos no futuro, especialmente se não receber apoio adequado.

Modelo biopsicossocial: “A tempestade perfeita”

Como vimos, o transtorno decorrente do uso de substâncias não é causado por um único fator, mas por uma combinação de coisas. É como se vários ingredientes se misturassem para criar uma tempestade:

  1. Biológico: A genética e o funcionamento do cérebro da pessoa.
  2. Psicológico: As emoções, os traumas e a forma como a pessoa lida com o estresse.
  3. Social: O ambiente em que a pessoa vive, as pressões que sofre e o apoio que recebe.

Exemplo:
– João tem uma predisposição genética (biológico) porque seu pai era alcoólatra.
– Ele cresceu em um ambiente violento (social) e desenvolveu ansiedade (psicológico).
– Quando adolescente, descobriu que o álcool o ajudava a se sentir mais calmo (biológico + psicológico).
– Com o tempo, passou a beber cada vez mais (social + biológico), até que não conseguia mais parar.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno decorrente do uso de substâncias pode ser assustador, mas também é o primeiro passo para recuperar o controle da vida. Vamos entender como funciona esse processo, desde os primeiros sinais até a consulta com o profissional de saúde.


O caminho até o diagnóstico

Imagine que o diagnóstico é como montar um quebra-cabeça. A pessoa pode perceber que algo não está certo (como peças que não se encaixam), mas só um profissional consegue ver a imagem completa. Esse processo geralmente acontece em etapas:

  1. Percepção dos sintomas:
  2. A pessoa ou alguém próximo começa a notar que algo está diferente. Pode ser uma mudança de comportamento, problemas no trabalho ou na escola, ou até mesmo sintomas físicos (como tremores ou insônia).
  3. Exemplo: Ana percebeu que estava tomando mais comprimidos para dormir do que deveria e que, quando tentava parar, ficava ansiosa e não conseguia dormir. Ela também começou a faltar ao trabalho porque estava sempre cansada.

  4. Busca por informações:

  5. A pessoa ou a família pode começar a pesquisar sobre o que está acontecendo. Isso é importante, mas é preciso ter cuidado com informações erradas ou alarmistas da internet.
  6. Exemplo: João pesquisou na internet sobre os sintomas que estava sentindo (ansiedade, tremores e insônia quando tentava parar de usar um “energético”) e descobriu que poderia ser abstinência. Isso o assustou e o motivou a buscar ajuda.

  7. Primeira consulta:

  8. A pessoa marca uma consulta com um psiquiatra, psicólogo ou médico de família. No Brasil, é possível buscar ajuda tanto na rede pública (SUS) quanto na rede particular.
  9. Exemplo: Maria marcou uma consulta no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) mais próximo de sua casa. Lá, foi atendida por uma equipe multidisciplinar (psiquiatra, psicólogo e assistente social).

  10. Avaliação detalhada:

  11. O profissional faz uma entrevista clínica, perguntando sobre os sintomas, o histórico de uso da substância, o impacto na vida da pessoa e outros aspectos importantes.
  12. Exemplo: O psiquiatra perguntou a Pedro sobre:

    • Quanto tempo ele usava o “spray” que encontrou em casa.
    • Com que frequência usava.
    • Se já tinha tentado parar e como se sentia quando tentava.
    • Se o uso estava prejudicando seu trabalho ou relacionamentos.
    • Se tinha histórico de transtornos mentais na família.
  13. Exames complementares:

  14. Dependendo do caso, o profissional pode pedir exames de sangue, urina ou imagem para avaliar possíveis danos físicos causados pela substância.
  15. Exemplo: Ana fez exames de sangue para verificar se o “remédio para dormir” que tomava estava prejudicando seu fígado ou rins.

  16. Diagnóstico:

  17. Com base nas informações coletadas, o profissional faz o diagnóstico. No caso do transtorno decorrente do uso de substâncias, não especificado (CID-11: 6C4Z), isso acontece quando:

    • A pessoa usa uma substância que não se encaixa nas categorias mais conhecidas (como álcool, maconha ou cocaína).
    • O uso causa sofrimento ou prejuízos significativos na vida da pessoa.
    • A pessoa apresenta vários dos sintomas que discutimos na seção anterior (como tolerância, abstinência ou dificuldade de controlar o uso).
  18. Plano de tratamento:

  19. Depois do diagnóstico, o profissional discute com a pessoa as opções de tratamento, que podem incluir medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
  20. Exemplo: Pedro recebeu o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de inalantes (spray) e começou um tratamento que incluía:
    • Medicamentos para controlar a ansiedade e a abstinência.
    • Psicoterapia para entender as causas do uso e desenvolver estratégias para parar.
    • Acompanhamento com um assistente social para lidar com questões familiares.

Quanto tempo leva para ser diagnosticado?

Não existe um prazo exato, mas geralmente o processo leva algumas semanas ou meses, dependendo da gravidade do caso e da rapidez com que a pessoa busca ajuda. Alguns fatores que influenciam esse tempo:

  • Gravidade dos sintomas: Se a pessoa está em risco imediato (como ideação suicida ou sintomas graves de abstinência), o diagnóstico e o tratamento começam mais rápido.
  • Acesso a serviços de saúde: No SUS, pode haver fila de espera para consultas com psiquiatras ou psicólogos, o que atrasa o diagnóstico. Na rede particular, o processo costuma ser mais rápido.
  • Colaboração da pessoa: Se a pessoa é aberta e honesta durante a avaliação, o diagnóstico é mais rápido. Se ela esconde informações (por vergonha ou medo), o processo pode demorar mais.

Exemplo:
– João percebeu que estava tendo problemas com um “energético” e marcou uma consulta no CAPS no mesmo mês. Lá, foi atendido por uma equipe que fez o diagnóstico em duas semanas e já iniciou o tratamento.
– Maria demorou mais de um ano para buscar ajuda porque tinha vergonha de contar para o médico o que estava usando. Quando finalmente procurou um psiquiatra, já estava com sintomas graves de abstinência.


Quem pode diagnosticar?

No Brasil, o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de substâncias pode ser feito por:

  1. Psiquiatras:
  2. São médicos especializados em saúde mental e têm treinamento para diagnosticar e tratar transtornos por uso de substâncias.
  3. Podem prescrever medicamentos e encaminhar para outros profissionais, como psicólogos ou assistentes sociais.

  4. Psicólogos:

  5. Podem fazer a avaliação psicológica e identificar os sintomas, mas não podem prescrever medicamentos.
  6. Muitas vezes, trabalham em conjunto com psiquiatras no tratamento.

  7. Médicos de família ou clínicos gerais:

  8. Em regiões onde não há psiquiatras disponíveis, esses profissionais podem fazer o diagnóstico inicial e encaminhar para um especialista.
  9. No SUS, muitas vezes são a porta de entrada para o tratamento.

  10. Equipes multidisciplinares (CAPS, UBS, hospitais):

  11. No SUS, o atendimento costuma ser feito por uma equipe que inclui psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
  12. Essa abordagem é importante porque o transtorno por uso de substâncias afeta várias áreas da vida da pessoa.

SUS vs. particular: como funciona?

No Brasil, é possível buscar ajuda tanto na rede pública (SUS) quanto na rede particular. Vamos entender as diferenças:

Rede Pública (SUS)

  • Vantagens:
  • Gratuito: Não há custo para consultas, exames ou medicamentos.
  • Acesso universal: Qualquer pessoa pode buscar ajuda, independentemente de ter plano de saúde.
  • Estrutura de apoio: O SUS oferece uma rede de serviços, como CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), UBS (Unidades Básicas de Saúde) e hospitais psiquiátricos (em casos graves).
  • Abordagem multidisciplinar: As equipes incluem psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, o que permite um tratamento mais completo.

  • Desafios:

  • Fila de espera: Em algumas regiões, pode demorar meses para conseguir uma consulta com um psiquiatra.
  • Limitações de recursos: Nem todos os municípios têm CAPS ou profissionais especializados em transtornos por uso de substâncias.
  • Estigma: Algumas pessoas têm medo de buscar ajuda no SUS por vergonha ou por achar que serão mal atendidas.

  • Como acessar:

  • Procure a UBS mais próxima de sua casa. Lá, você será encaminhado para um CAPS ou para um psiquiatra, dependendo da gravidade do caso.
  • Em casos de urgência, procure um Pronto-Socorro (PS) ou ligue para o SAMU (192).

Rede Particular

  • Vantagens:
  • Agilidade: O diagnóstico e o início do tratamento costumam ser mais rápidos.
  • Escolha do profissional: A pessoa pode escolher um psiquiatra ou psicólogo de sua confiança.
  • Privacidade: Algumas pessoas se sentem mais à vontade em um consultório particular do que em um serviço público.

  • Desafios:

  • Custo: Consultas, exames e medicamentos podem ser caros, especialmente se a pessoa não tiver plano de saúde.
  • Cobertura do plano de saúde: Nem todos os planos cobrem tratamentos para transtornos por uso de substâncias, ou cobrem apenas parte do tratamento.

  • Como acessar:

  • Procure um psiquiatra ou psicólogo particular. Você pode pedir indicações a amigos, pesquisar na internet ou consultar o site do Conselho Regional de Medicina (CRM) ou do Conselho Regional de Psicologia (CRP) de seu estado.
  • Se tiver plano de saúde, verifique quais profissionais e serviços estão cobertos.

O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se a pessoa nunca foi a um psiquiatra ou psicólogo antes. Mas é importante lembrar que o profissional está ali para ajudar, não para julgar. Vamos entender o que acontece nessa consulta:

  1. Acolhimento:
  2. O profissional vai se apresentar e explicar como funciona a consulta. Ele vai tentar criar um ambiente seguro e acolhedor, para que a pessoa se sinta à vontade para falar.
  3. Exemplo: “Olá, Maria. Meu nome é Dr. Silva, sou psiquiatra. Hoje vamos conversar sobre o que você está sentindo. Não precisa ter vergonha, estou aqui para ajudar.”

  4. Histórico médico e familiar:

  5. O profissional vai perguntar sobre:
    • Histórico de saúde: Doenças físicas ou mentais que a pessoa já teve.
    • Histórico familiar: Se alguém na família teve problemas com substâncias ou transtornos mentais.
    • Medicamentos: Se a pessoa toma algum remédio (inclusive os que comprou sem receita).
  6. Exemplo: “Maria, você já teve alguma doença grave? Alguém na sua família tem ou teve problemas com álcool ou drogas?”

  7. Histórico de uso da substância:

  8. O profissional vai perguntar sobre:
    • Qual substância a pessoa usa (ou suspeita que usa).
    • Há quanto tempo usa.
    • Com que frequência usa.
    • Quantidade que usa.
    • Como se sente quando usa e quando para de usar.
    • Se já tentou parar e como foi.
  9. Exemplo: “Maria, você pode me contar sobre esse remédio para dormir que está tomando? Há quanto tempo você usa? Quantos comprimidos toma por dia? Como se sente quando tenta parar?”

  10. Impacto na vida:

  11. O profissional vai perguntar sobre como o uso da substância está afetando a vida da pessoa:
    • Trabalho ou escola: Se está tendo problemas de desempenho, faltas ou atrasos.
    • Relacionamentos: Se está tendo brigas com a família ou amigos.
    • Saúde física: Se está sentindo dores, cansaço ou outros sintomas.
    • Saúde mental: Se está sentindo ansiedade, depressão ou outros sintomas.
  12. Exemplo: “Maria, como está sua vida no trabalho? Você tem conseguido cumprir suas tarefas? E sua relação com sua família, como está?”

  13. Exame físico e mental:

  14. O profissional pode fazer um exame físico rápido (como medir a pressão ou verificar sinais de abstinência) e um exame mental (para avaliar o humor, a memória e a capacidade de raciocínio).
  15. Exemplo: “Maria, vou medir sua pressão e verificar seus batimentos cardíacos. Depois, vou fazer algumas perguntas para entender como você está se sentindo emocionalmente.”

  16. Encaminhamentos e próximos passos:

  17. No fim da consulta, o profissional vai explicar:
    • O que ele acha que está acontecendo (diagnóstico provisório).
    • Quais são as opções de tratamento (medicamentos, psicoterapia, mudanças no estilo de vida).
    • Quais são os próximos passos (exames, consultas de retorno, encaminhamentos para outros profissionais).
  18. Exemplo: “Maria, com base no que conversamos, parece que você está desenvolvendo um transtorno por uso de medicamentos para dormir. Vamos começar com um tratamento que inclui medicamentos para controlar a ansiedade e a abstinência, além de psicoterapia para entender as causas do uso. Também vou pedir alguns exames para verificar como está sua saúde física.”

Diagnóstico diferencial: o que pode ser confundido?

Às vezes, os sintomas de um transtorno decorrente do uso de substâncias podem ser confundidos com os de outras condições. Por isso, o profissional precisa fazer um diagnóstico diferencial, ou seja, descartar outras possibilidades antes de confirmar o diagnóstico. Vamos ver algumas condições que podem ser confundidas:

  1. Transtornos de ansiedade ou depressão:
  2. Como se confundem: A ansiedade e a depressão podem causar sintomas como irritabilidade, insônia e falta de energia, que também aparecem em transtornos por uso de substâncias.
  3. Como diferenciar: O profissional vai perguntar sobre o histórico de uso da substância e como os sintomas mudam quando a pessoa usa ou para de usar.
  4. Exemplo: João procurou ajuda porque estava se sentindo ansioso e deprimido. O psiquiatra descobriu que ele estava usando um “energético” todos os dias e que, quando tentava parar, a ansiedade piorava. Isso sugeriu que a ansiedade era causada pela abstinência, não por um transtorno de ansiedade primário.

  5. Transtorno bipolar:

  6. Como se confundem: O transtorno bipolar causa oscilações de humor (como euforia e depressão), que podem ser confundidas com os efeitos de algumas substâncias.
  7. Como diferenciar: O profissional vai perguntar sobre episódios de humor que acontecem sem o uso da substância. Se os sintomas só aparecem quando a pessoa usa a substância, é mais provável que seja um transtorno induzido por ela.
  8. Exemplo: Ana procurou ajuda porque estava tendo episódios de euforia e depressão. O psiquiatra descobriu que ela estava usando um “comprimido para emagrecer” que causava esses sintomas. Quando ela parou de usar, os episódios desapareceram.

  9. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH):

  10. Como se confundem: O TDAH causa dificuldade de concentração, impulsividade e agitação, que também podem ser causados por algumas substâncias (como estimulantes).
  11. Como diferenciar: O profissional vai perguntar sobre quando os sintomas começaram. Se eles só apareceram depois que a pessoa começou a usar a substância, é mais provável que sejam causados por ela.
  12. Exemplo: Pedro procurou ajuda porque estava tendo dificuldade para se concentrar no trabalho. O psiquiatra descobriu que ele estava usando um “energético” todos os dias e que, quando tentava parar, a concentração piorava. Isso sugeriu que os sintomas eram causados pela substância, não por TDAH.

  13. Esquizofrenia ou outros transtornos psicóticos:

  14. Como se confundem: Algumas substâncias (como maconha, cocaína ou alucinógenos) podem causar sintomas psicóticos, como alucinações ou delírios.
  15. Como diferenciar: O profissional vai perguntar sobre quando os sintomas começaram. Se eles só aparecem quando a pessoa usa a substância, é mais provável que sejam causados por ela. Se os sintomas persistem mesmo depois que a pessoa para de usar, pode ser um transtorno psicótico primário.
  16. Exemplo: Lucas procurou ajuda porque estava ouvindo vozes e vendo coisas que não existiam. O psiquiatra descobriu que ele estava usando um “pó” desconhecido e que, quando parava de usar, os sintomas desapareciam. Isso sugeriu que os sintomas eram causados pela substância, não por esquizofrenia.

  17. Doenças físicas:

  18. Como se confundem: Algumas doenças físicas (como problemas na tireoide, diabetes ou infecções) podem causar sintomas como fadiga, irritabilidade ou alterações de humor.
  19. Como diferenciar: O profissional vai pedir exames físicos para descartar outras causas.
  20. Exemplo: Maria procurou ajuda porque estava se sentindo cansada e irritada. O psiquiatra pediu exames de sangue e descobriu que ela tinha hipotireoidismo, uma condição que causa sintomas semelhantes aos de um transtorno por uso de substâncias.

Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de substâncias pode ser um baque, mas também é o primeiro passo para uma vida mais saudável e equilibrada. O tratamento não é uma receita mágica — é um processo, que exige tempo, paciência e comprometimento. Mas a boa notícia é que tem jeito, e muitas pessoas conseguem recuperar o controle da vida.

Vamos entender as principais formas de tratamento, como elas funcionam e o que esperar de cada uma.


Medicamentos: “Os freios e os apoios”

Imagine que o cérebro de uma pessoa com transtorno por uso de substâncias é como um carro desgovernado: ele acelera demais (quando a pessoa usa a substância) e freia de repente (quando ela tenta parar), causando solavancos e riscos. Os medicamentos são como freios e apoios que ajudam a estabilizar o carro, tornando a viagem mais segura.

Os medicamentos não “curam” o transtorno, mas ajudam a controlar os sintomas, facilitando o processo de recuperação. Vamos entender os principais tipos:


1. Medicamentos para abstinência

O que são?
São remédios usados para aliviar os sintomas de abstinência, que acontecem quando a pessoa para de usar a substância. Esses sintomas podem ser físicos (como tremores, suor frio ou náusea) ou psicológicos (como ansiedade, irritabilidade ou depressão).

Como funcionam?
Eles “enganam” o cérebro, substituindo os efeitos da substância ou bloqueando os sintomas de abstinência. É como se fossem uma muleta que ajuda a pessoa a caminhar enquanto seu corpo se recupera.

Exemplos:
Benzodiazepínicos (como diazepam ou clonazepam): Usados para aliviar a ansiedade e os tremores em casos de abstinência de álcool ou sedativos. Mas atenção: esses remédios também podem causar dependência, por isso são usados por pouco tempo e com supervisão médica.
Exemplo: João estava tentando parar de beber e sentia tremores e ansiedade intensa. O médico receitou um benzodiazepínico por uma semana para aliviar os sintomas enquanto seu corpo se ajustava.
Metadona ou buprenorfina: Usados para tratar a abstinência de opioides (como heroína ou analgésicos fortes). Eles ativam os mesmos receptores no cérebro que os opioides, mas de forma mais controlada, reduzindo os sintomas de abstinência.
Exemplo: Ana estava usando analgésicos opioides sem receita e, quando tentava parar, sentia dores intensas e náusea. O médico receitou buprenorfina para ajudá-la a passar pela abstinência sem sofrimento.
Antidepressivos (como fluoxetina ou sertralina): Usados para aliviar a depressão e a ansiedade que podem aparecer durante a abstinência.
Exemplo: Pedro estava tentando parar de usar um “energético” e se sentia deprimido e sem energia. O médico receitou um antidepressivo para ajudá-lo a se sentir melhor enquanto seu cérebro se recuperava.

Quanto tempo para fazer efeito?
Depende do remédio:
– Benzodiazepínicos: fazem efeito em 30 minutos a 1 hora.
– Metadona/buprenorfina: começam a fazer efeito em 1 a 2 horas.
– Antidepressivos: podem levar 2 a 4 semanas para fazer efeito completo.

Efeitos colaterais comuns e o que fazer:
Benzodiazepínicos: Sonolência, tontura ou confusão. O que fazer: Evitar dirigir ou operar máquinas enquanto estiver tomando. Não misturar com álcool.
Metadona/buprenorfina: Constipação, náusea ou sonolência. O que fazer: Beber bastante água e comer alimentos ricos em fibras. Evitar dirigir até saber como o remédio afeta você.
Antidepressivos: Náusea, dor de cabeça ou insônia no começo. O que fazer: Esses efeitos costumam passar em algumas semanas. Se persistirem, converse com o médico.

Importante:
Nunca pare de tomar os medicamentos de repente, mesmo que esteja se sentindo melhor. Isso pode causar sintomas de abstinência ou piorar o quadro.
Não misture medicamentos com álcool ou outras substâncias, a menos que o médico tenha orientado.
Converse com o médico se sentir efeitos colaterais fortes ou se o remédio não estiver fazendo efeito.


2. Medicamentos para reduzir a fissura (desejo intenso)

O que são?
São remédios que ajudam a diminuir a vontade intensa de usar a substância (a fissura). Eles funcionam como um escudo, protegendo a pessoa dos impulsos que podem levar a uma recaída.

Como funcionam?
Eles atuam no cérebro, bloqueando os receptores que são ativados pela substância ou aumentando os níveis de neurotransmissores que ajudam a controlar os impulsos.

Exemplos:
Naltrexona: Usada para reduzir a fissura por álcool ou opioides. Ela bloqueia os receptores no cérebro que são ativados por essas substâncias, reduzindo o prazer que elas causam.
Exemplo: Carlos bebia todos os dias e sentia uma vontade incontrolável de beber quando passava em frente a um bar. O médico receitou naltrexona, e ele percebeu que a vontade de beber diminuiu.
Acamprosato: Usado para reduzir a fissura por álcool. Ele ajuda a estabilizar os neurotransmissores no cérebro, reduzindo a ansiedade e a irritabilidade que podem levar a uma recaída.
Exemplo: Ana bebia para aliviar a ansiedade, mas depois que começou a tomar acamprosato, percebeu que se sentia mais calma e tinha menos vontade de beber.
Bupropiona: Usada para reduzir a fissura por nicotina (cigarro) ou estimulantes (como cocaína). Ela aumenta os níveis de dopamina no cérebro, reduzindo a vontade de usar a substância.
Exemplo: Pedro fumava e usava cocaína. Depois que começou a tomar bupropiona, percebeu que a vontade de usar as duas substâncias diminuiu.

Quanto tempo para fazer efeito?
– Naltrexona: começa a fazer efeito em 1 a 2 horas.
– Acamprosato: pode levar 1 a 2 semanas para fazer efeito completo.
– Bupropiona: pode levar 1 a 2 semanas para fazer efeito completo.

Efeitos colaterais comuns e o que fazer:
Naltrexona: Náusea, dor de cabeça ou insônia. O que fazer: Esses efeitos costumam passar em alguns dias. Se persistirem, converse com o médico.
Acamprosato: Diarreia, náusea ou dor de cabeça. O que fazer: Beber bastante água e comer alimentos leves. Se os sintomas forem intensos, converse com o médico.
Bupropiona: Boca seca, insônia ou agitação. O que fazer: Beber bastante água e evitar tomar o remédio perto da hora de dormir.


3. Medicamentos para tratar transtornos associados

O que são?
Muitas pessoas com transtorno por uso de substâncias também têm outros transtornos mentais, como depressão, ansiedade ou TDAH. Esses transtornos podem piorar o uso da substância ou serem causados por ela. Os medicamentos para tratar esses transtornos ajudam a pessoa a se sentir melhor e a ter mais força para lidar com o vício.

Como funcionam?
Eles atuam no cérebro, equilibrando os neurotransmissores que estão desregulados. É como se fossem um ajuste fino no cérebro, ajudando a pessoa a pensar com mais clareza e a controlar suas emoções.

Exemplos:
Antidepressivos (como fluoxetina, sertralina ou venlafaxina): Usados para tratar depressão e ansiedade.
Exemplo: Maria usava um “remédio para dormir” para aliviar a ansiedade. Depois que começou a tomar um antidepressivo, percebeu que se sentia mais calma e tinha menos vontade de usar o remédio.
Estabilizadores de humor (como lítio ou valproato): Usados para tratar transtorno bipolar.
Exemplo: João tinha episódios de euforia e depressão, que o levavam a usar álcool para se acalmar. Depois que começou a tomar um estabilizador de humor, os episódios diminuíram, e ele conseguiu parar de beber.
Antipsicóticos (como quetiapina ou olanzapina): Usados para tratar sintomas psicóticos (como alucinações ou delírios) que podem ser causados por algumas substâncias.
Exemplo: Pedro usava um “pó” desconhecido que o fazia ouvir vozes. Depois que começou a tomar um antipsicótico, as vozes desapareceram, e ele conseguiu parar de usar a substância.

Quanto tempo para fazer efeito?
– Antidepressivos: 2 a 4 semanas.
– Estabilizadores de humor: 1 a 2 semanas.
– Antipsicóticos: 1 a 2 semanas.

Efeitos colaterais comuns e o que fazer:
Antidepressivos: Náusea, dor de cabeça ou sonolência. O que fazer: Esses efeitos costumam passar em algumas semanas. Se persistirem, converse com o médico.
Estabilizadores de humor: Ganho de peso, tremores ou sonolência. O que fazer: Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios. Se os tremores forem intensos, converse com o médico.
Antipsicóticos: Ganho de peso, sonolência ou rigidez muscular. O que fazer: Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios. Se a rigidez muscular for intensa, converse com o médico.


Psicoterapia: “A bússola para o caminho”

Se os medicamentos são os freios e apoios que ajudam a estabilizar o carro, a psicoterapia é a bússola que ajuda a pessoa a encontrar o caminho certo. Ela não é sobre “falar dos problemas” — é sobre entender as causas do uso da substância, desenvolver estratégias para lidar com os desafios e reconstruir a vida.

Vamos entender as principais abordagens de psicoterapia usadas no tratamento de transtornos por uso de substâncias:


1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

O que é?
A TCC é como um treinamento para o cérebro. Ela ajuda a pessoa a identificar pensamentos e comportamentos que levam ao uso da substância e a substituí-los por outros mais saudáveis.

Como funciona?
A TCC se baseia na ideia de que nossos pensamentos influenciam nossas emoções e comportamentos. Se a pessoa consegue mudar seus pensamentos, consegue mudar suas ações.

Exemplo de sessão:
Identificação de gatilhos: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar situações, pessoas ou emoções que a levam a usar a substância.
Exemplo: Ana percebeu que sempre usava o “remédio para dormir” quando se sentia ansiosa depois de brigar com o marido. O terapeuta a ajudou a identificar esse padrão.
Desenvolvimento de estratégias: O terapeuta ensina técnicas para lidar com os gatilhos sem recorrer à substância.
Exemplo: Ana aprendeu técnicas de respiração e relaxamento para usar quando se sentisse ansiosa, em vez de tomar o remédio.
Prevenção de recaídas: O terapeuta ajuda a pessoa a criar um plano de prevenção de recaídas, com estratégias para lidar com situações de risco.
Exemplo: Ana criou um plano que incluía ligar para uma amiga ou sair para caminhar quando sentisse vontade de tomar o remédio.

Para quem é indicada?
– Pessoas que querem entender as causas do uso da substância e desenvolver estratégias práticas para lidar com os desafios.
– Pessoas que têm outros transtornos mentais, como ansiedade ou depressão, associados ao uso da substância.

Quanto tempo dura?
– Geralmente, 12 a 20 sessões, mas pode variar dependendo das necessidades da pessoa.


2. Entrevista Motivacional

O que é?
A entrevista motivacional é como um empurrãozinho para ajudar a pessoa a encontrar sua própria motivação para mudar. Ela é baseada na ideia de que a mudança é mais eficaz quando vem de dentro, não quando é imposta por outras pessoas.

Como funciona?
O terapeuta faz perguntas que ajudam a pessoa a refletir sobre suas motivações, valores e objetivos, e a identificar como o uso da substância está atrapalhando esses objetivos.

Exemplo de sessão:
Exploração de ambivalência: O terapeuta ajuda a pessoa a explorar os prós e contras de continuar usando a substância.
Exemplo: João disse que o álcool o ajudava a relaxar, mas também o fazia brigar com a esposa e faltar ao trabalho. O terapeuta o ajudou a ver que os contras superavam os prós.
Desenvolvimento de motivação: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar o que é importante para ela e como o uso da substância está atrapalhando esses valores.
Exemplo: Maria disse que o mais importante para ela era ser uma boa mãe. O terapeuta a ajudou a ver que o uso do “remédio para dormir” a deixava cansada e irritada, o que atrapalhava seu relacionamento com os filhos.
Planejamento de mudança: O terapeuta ajuda a pessoa a criar um plano de ação para mudar, com metas realistas e passos concretos.
Exemplo: Pedro criou um plano para reduzir o uso do “energético”, começando por diminuir a quantidade aos poucos e substituindo por outras atividades que o deixavam acordado, como caminhar.

Para quem é indicada?
– Pessoas que não têm certeza se querem parar de usar a substância ou que estão ambivalentes em relação à mudança.
– Pessoas que resistem a outras formas de tratamento.

Quanto tempo dura?
– Geralmente, 2 a 4 sessões, mas pode ser combinada com outras abordagens.


3. Terapia de Prevenção de Recaída

O que é?
A terapia de prevenção de recaída é como um treinamento para resistir à tentação. Ela ajuda a pessoa a identificar situações de risco e a desenvolver estratégias para lidar com elas sem recorrer à substância.

Como funciona?
A terapia se baseia na ideia de que as recaídas fazem parte do processo de recuperação e que é possível aprender com elas. O terapeuta ajuda a pessoa a criar um plano de prevenção de recaídas, com estratégias para lidar com situações de risco.

Exemplo de sessão:
Identificação de situações de risco: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar situações, pessoas ou emoções que aumentam o risco de recaída.
Exemplo: Carlos percebeu que sempre recaía quando saía com um grupo de amigos que usava cocaína. O terapeuta o ajudou a identificar esse padrão.
Desenvolvimento de estratégias: O terapeuta ensina técnicas para lidar com as situações de risco, como evitar o gatilho, substituir o comportamento ou pedir ajuda.
Exemplo: Carlos decidiu evitar sair com esse grupo de amigos e começou a frequentar um grupo de apoio para pessoas em recuperação.
Planejamento para recaídas: O terapeuta ajuda a pessoa a criar um plano para lidar com recaídas, caso elas aconteçam.
Exemplo: Ana criou um plano que incluía ligar para o terapeuta ou ir a uma reunião de grupo de apoio se recaísse.

Para quem é indicada?
– Pessoas que já tentaram parar de usar a substância e tiveram recaídas.
– Pessoas que querem se preparar para situações de risco, como festas ou encontros com amigos que usam a substância.

Quanto tempo dura?
– Geralmente, 8 a 12 sessões, mas pode ser combinada com outras abordagens.


4. Terapia Familiar

O que é?
A terapia familiar é como um conserto nos alicerces de uma casa. Ela ajuda a reconstruir os relacionamentos que foram prejudicados pelo uso da substância e a criar um ambiente de apoio para a recuperação.

Como funciona?
O terapeuta trabalha com a pessoa e sua família para melhorar a comunicação, resolver conflitos e desenvolver estratégias de apoio. A ideia é que a família seja uma aliada no tratamento, não um obstáculo.

Exemplo de sessão:
Melhoria da comunicação: O terapeuta ajuda a família a ouvir sem julgar e a expressar seus sentimentos de forma construtiva.
Exemplo: João e sua esposa brigavam muito porque ela não entendia por que ele não conseguia parar de beber. O terapeuta os ajudou a conversar sem acusar um ao outro.
Resolução de conflitos: O terapeuta ajuda a família a resolver conflitos que podem estar contribuindo para o uso da substância.
Exemplo: Ana e sua mãe brigavam muito porque a mãe não entendia por que Ana usava o “remédio para dormir”. O terapeuta as ajudou a entender que o uso da substância era uma forma de lidar com a ansiedade, não uma escolha consciente.
Desenvolvimento de estratégias de apoio: O terapeuta ajuda a família a criar estratégias para apoiar a pessoa em recuperação, sem sufocá-la ou julgá-la.
Exemplo: Pedro e sua família criaram um plano que incluía momentos de lazer juntos (como assistir a um filme) e limites claros (como não oferecer álcool em casa).

Para quem é indicada?
– Pessoas que têm conflitos familiares que contribuem para o uso da substância.
– Pessoas que querem reconstruir os relacionamentos que foram prejudicados pelo uso da substância.

Quanto tempo dura?
– Geralmente, 6 a 12 sessões, mas pode variar dependendo das necessidades da família.


5. Grupos de Apoio (como Narcóticos Anônimos ou Alcoólicos Anônimos)

O que são?
Os grupos de apoio são como uma rede de segurança. Eles oferecem um espaço seguro para as pessoas compartilharem suas experiências, desafios e vitórias com outras que estão passando pela mesma coisa.

Como funcionam?
Os grupos são baseados em 12 passos, que são princípios para a recuperação. As reuniões são gratuitas e anônimas, e não há obrigação de falar — a pessoa pode apenas ouvir, se preferir.

Exemplo de reunião:
Compartilhamento de experiências: As pessoas compartilham suas histórias, desafios e vitórias.
Exemplo: Carlos contou que tinha recaído no fim de semana, mas que estava determinado a continuar tentando. As outras pessoas o apoiaram e compartilharam suas próprias experiências de recaída.
Apoio mútuo: As pessoas se apoiam e se incentivam, criando um senso de comunidade.
Exemplo: Ana estava se sentindo sozinha em sua recuperação, mas depois de algumas reuniões, percebeu que não estava sozinha e que podia contar com o apoio do grupo.
Celebração de vitórias: As pessoas celebram suas vitórias, por menores que sejam.
Exemplo: Pedro completou 30 dias sem usar o “energético” e recebeu um chip de reconhecimento do grupo. Isso o motivou a continuar.

Para quem são indicados?
– Pessoas que se sentem sozinhas em sua recuperação.
– Pessoas que querem um espaço seguro para compartilhar suas experiências.
– Pessoas que precisam de motivação para continuar no tratamento.

Como encontrar um grupo?
Narcóticos Anônimos (NA): www.na.org.br
Alcoólicos Anônimos (AA): www.alcoolicosanonimos.org.br
Outros grupos: Muitos CAPS e clínicas oferecem grupos de apoio. Converse com seu médico ou terapeuta para saber mais.


Mudanças no dia a dia: “Os novos hábitos”

O tratamento não é só sobre parar de usar a substância — é sobre construir uma vida nova, onde a substância não tenha mais espaço. Isso significa mudar hábitos, criar rotinas saudáveis e encontrar novas formas de lidar com os desafios. Vamos entender como fazer isso na prática:


1. Exercício físico: “O combustível para o corpo e a mente”

Por que ajuda?
O exercício físico é como um remédio natural para o cérebro. Ele libera endorfinas, que são neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar, e ajuda a reduzir a ansiedade e a depressão, que muitas vezes estão por trás do uso da substância.

Quais tipos de exercício ajudam mais?
Caminhada ou corrida: São fáceis de fazer e não exigem equipamentos. Comece com 20 a 30 minutos por dia e aumente aos poucos.
Yoga ou pilates: Ajudam a reduzir o estresse e a melhorar a conexão entre o corpo e a mente.
Musculação: Ajuda a aumentar a autoestima e a sensação de controle sobre o corpo.
Dança: É uma forma divertida de se exercitar e liberar emoções.

Exemplo:
– João começou a caminhar 30 minutos por dia e percebeu que se sentia mais calmo e com mais energia. Isso o ajudou a reduzir o uso do “energético”.
– Ana começou a fazer yoga e percebeu que conseguia lidar melhor com a ansiedade, o que a ajudou a parar de tomar o “remédio para dormir”.

Dica:
– Comece devagar e escolha uma atividade que você goste. Não precisa ser intenso — o importante é ser consistente.


2. Sono: “A base de tudo”

Por que é importante?
O sono é como o combustível do cérebro. Quando dormimos mal, ficamos mais irritados, ansiosos e com menos energia — o que pode levar ao uso da substância como forma de “compensar”.

Como melhorar o sono?
Rotina de sono: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana.
Ambiente tranquilo: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco. Evite usar eletrônicos (como celular ou TV) antes de dormir.
Rotina relaxante: Faça algo relaxante antes de dormir, como ler um livro, tomar um banho quente ou ouvir uma música calma.
Evite estimulantes: Evite café, álcool ou nicotina perto da hora de dormir.

Exemplo:
– Pedro tinha insônia e usava um “energético” para ficar acordado durante o dia. Depois que começou a seguir uma rotina de sono, percebeu que dormia melhor e não precisava mais do energético.
– Maria tomava um “remédio para dormir” todos os dias, mas depois que começou a seguir as dicas acima, conseguiu dormir sem ele.

Dica:
– Se você tiver dificuldade para dormir, converse com seu médico. Ele pode indicar terapias ou medicamentos para ajudar.


3. Alimentação: “O combustível do corpo”

Por que é importante?
A alimentação é como o combustível do corpo. Quando comemos mal, ficamos mais cansados, irritados e com menos energia — o que pode levar ao uso da substância como forma de “compensar”.

Como melhorar a alimentação?
Coma regularmente: Faça 3 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e 2 lanches saudáveis por dia.
Evite alimentos processados: Eles são ricos em açúcar, gordura e sal, o que pode piorar o humor e a energia.
Beba água: A desidratação pode causar fadiga e irritabilidade. Beba pelo menos 2 litros de água por dia.
Inclua alimentos ricos em triptofano: O triptofano é um aminoácido que ajuda a produzir serotonina, um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. Alimentos ricos em triptofano incluem banana, ovos, peixes e castanhas.

Exemplo:
– Carlos comia muito fast food e se sentia cansado e irritado. Depois que começou a comer mais frutas, verduras e proteínas, percebeu que tinha mais energia e menos vontade de beber.
– Ana pulava refeições e se sentia ansiosa. Depois que começou a comer regularmente, percebeu que a ansiedade diminuiu, e ela não precisava mais do “remédio para dormir”.

Dica:
– Se você tiver dificuldade para se alimentar bem, converse com um nutricionista. Ele pode ajudar a criar um plano alimentar que se adapte às suas necessidades.


4. Rotina: “A estrutura que segura a vida”

Por que é importante?
A rotina é como a estrutura de uma casa. Quando não temos uma rotina, tudo fica bagunçado — o sono, a alimentação, o trabalho e até os relacionamentos. Isso pode levar ao uso da substância como forma de “organizar” o caos.

Como criar uma rotina saudável?
Planeje o dia: Faça uma lista de tarefas para o dia seguinte, incluindo trabalho, estudo, lazer e autocuidado.
Priorize o sono e a alimentação: Reserve horários fixos para dormir, acordar e comer.
Inclua momentos de lazer: Reserve um tempo para fazer algo que você goste, como ler, assistir a um filme ou sair com amigos.
Evite o tédio: O tédio pode ser um gatilho para o uso da substância. Mantenha-se ocupado com atividades que você goste.

Exemplo:
– João não tinha uma rotina e passava o dia inteiro sem fazer nada. Isso o deixava entediado e com vontade de usar o “energético”. Depois que criou uma rotina com horários para trabalhar, se exercitar e relaxar, percebeu que tinha menos vontade de usar a substância.
– Maria trabalhava até tarde e não tinha tempo para nada. Depois que começou a organizar melhor seu tempo, conseguiu incluir momentos de lazer e autocuidado, o que a ajudou a parar de tomar o “remédio para dormir”.

Dica:
– Use um planner ou aplicativo para organizar sua rotina. Isso pode ajudar a manter o foco e a motivação.


5. Técnicas de manejo de sintomas: “As ferramentas para lidar com os desafios”

Por que são importantes?
Os sintomas de abstinência, a fissura e as emoções difíceis podem ser desafiadores, mas existem técnicas que ajudam a lidar com eles sem recorrer à substância.

Técnicas para lidar com a fissura:
Distração: Faça algo que ocupe sua mente, como ler, assistir a um filme ou conversar com um amigo.
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure por alguns segundos e expire pela boca. Repita 5 vezes.
Exercício físico: Uma caminhada rápida ou alguns minutos de alongamento podem ajudar a reduzir a fissura.
Lembre-se dos motivos: Anote em um papel por que você quer parar de usar a substância e leia quando sentir vontade de usar.

Técnicas para lidar com a ansiedade:
Respiração diafragmática: Coloque uma mão no peito e outra na barriga. Inspire profundamente pelo nariz, sentindo a barriga se expandir, e expire pela boca. Repita 5 vezes.
Relaxamento muscular progressivo: Contraia e relaxe cada grupo muscular do corpo, começando pelos pés e subindo até a cabeça.
Mindfulness: Foque sua atenção no momento presente, observando seus pensamentos e emoções sem julgá-los.

Técnicas para lidar com a depressão:
Atividade física: Mesmo uma caminhada curta pode ajudar a melhorar o humor.
Socialização: Converse com um amigo ou participe de um grupo de apoio. O isolamento pode piorar a depressão.
Gratidão: Anote 3 coisas pelas quais você é grato todos os dias. Isso pode ajudar a mudar o foco dos problemas para as coisas boas da vida.

Exemplo:
– Pedro sentia uma vontade intensa de usar o “energético” quando estava estressado. Depois que aprendeu técnicas de respiração e distração, conseguiu lidar com a fissura sem recorrer à substância.
– Ana se sentia ansiosa quando tentava parar de tomar o “remédio para dormir”. Depois que começou a praticar mindfulness, percebeu que conseguia lidar melhor com a ansiedade.

Dica:
– Pratique essas técnicas antes de precisar delas. Assim, quando a fissura ou a ansiedade aparecerem, você já estará preparado.


Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de substâncias pode ser um momento de virada na vida. Não é fácil, mas também não é o fim — é o começo de uma nova jornada, onde você pode reconstruir sua vida de forma mais saudável e equilibrada. Vamos entender como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.


Para a pessoa com o diagnóstico

1. Aceite que a recuperação é um processo

A recuperação não é uma linha reta — é como uma escada em espiral: às vezes você sobe, às vezes desce, mas sempre está avançando. É normal ter altos e baixos, e isso não significa que você falhou.

O que fazer?
Seja gentil consigo mesmo: Não se cobre perfeição. A recuperação é um processo, e cada pequeno passo conta.
Celebre as vitórias: Mesmo as pequenas conquistas, como um dia sem usar a substância ou uma semana seguindo sua rotina, merecem ser celebradas.
Aprenda com as recaídas: Se você recair, não desista. Use a experiência para entender o que desencadeou a recaída e como evitar no futuro.

Exemplo:
– João teve uma recaída depois de 3 meses sem beber. Em vez de se culpar, ele conversou com seu terapeuta e descobriu que a recaída aconteceu depois de uma briga com a esposa. Eles trabalharam juntos para desenvolver estratégias para lidar com conflitos sem recorrer ao álcool.


2. Construa uma rede de apoio

A recuperação não é algo que você precisa fazer sozinho. Ter pessoas ao seu lado — familiares, amigos, terapeutas ou grupos de apoio — pode fazer toda a diferença.

O que fazer?
Converse com as pessoas que você confia: Explique o que está acontecendo e como elas podem te apoiar.
Participe de grupos de apoio: Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) ou Alcoólicos Anônimos (AA) oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.
Mantenha contato com seu terapeuta ou médico: Eles são seus aliados na recuperação e podem te ajudar a lidar com os desafios.

Exemplo:
– Ana se sentia sozinha em sua recuperação, mas depois que começou a frequentar um grupo de apoio, percebeu que não estava sozinha e que podia contar com o apoio de outras pessoas que estavam passando pela mesma coisa.


3. Encontre novos hobbies e interesses

Quando a substância ocupava um espaço grande na sua vida, pode ser difícil imaginar como preencher esse vazio. Mas a recuperação é também uma oportunidade para descobrir novas paixões.

O que fazer?
Experimente coisas novas: Pode ser pintura, dança, culinária, jardinagem ou esportes. O importante é encontrar algo que te dê prazer.
Volte a fazer coisas que você gostava: Antes do uso da substância, você provavelmente tinha hobbies ou interesses que foram deixados de lado. Tente retomá-los.
Conecte-se com a natureza: Caminhadas, passeios no parque ou até mesmo cuidar de uma planta podem ser terapêuticos.

Exemplo:
– Pedro sempre gostou de desenhar, mas deixou de lado quando começou a usar o “energético”. Depois que parou, voltou a desenhar e descobriu que isso o ajudava a relaxar e a se sentir mais realizado.


4. Cuide da sua saúde física

A saúde física e a saúde mental estão conectadas. Cuidar do corpo pode ajudar a melhorar o humor, a energia e a autoestima.

O que fazer?
Faça exercícios físicos: Mesmo uma caminhada curta pode ajudar a reduzir a ansiedade e melhorar o humor.
Alimente-se bem: Uma alimentação equilibrada pode ajudar a aumentar a energia e reduzir os sintomas de abstinência.
Durma bem: O sono é essencial para a recuperação do cérebro e do corpo. Tente manter uma rotina de sono regular.
Faça check-ups regulares: Visite seu médico regularmente para monitorar sua saúde física e tratar qualquer problema que possa surgir.

Exemplo:
– Maria sempre pulava refeições e se sentia cansada. Depois que começou a se alimentar melhor e a fazer exercícios, percebeu que tinha mais energia e menos vontade de tomar o “remédio para dormir”.


5. Desenvolva estratégias para lidar com o estresse

O estresse é um gatilho comum para o uso da substância. Aprender a lidar com ele de forma saudável é essencial para a recuperação.

O que fazer?
Pratique técnicas de relaxamento: Respiração profunda, meditação ou yoga podem ajudar a reduzir o estresse.
Estabeleça limites: Aprenda a dizer “não” quando se sentir sobrecarregado.
Peça ajuda: Não tenha vergonha de pedir ajuda quando precisar. Isso é um sinal de força, não de fraqueza.
Mantenha uma rotina: Uma rotina estruturada pode ajudar a reduzir a sensação de caos e a aumentar o senso de controle.

Exemplo:
– Carlos sempre recorria ao álcool quando estava estressado. Depois que aprendeu técnicas de respiração e meditação, conseguiu lidar com o estresse sem beber.


6. Reconstrua sua autoestima

O uso da substância pode ter prejudicado sua autoestima, fazendo você se sentir culpado, envergonhado ou incapaz. Mas a recuperação é uma oportunidade para se reconectar consigo mesmo e reconstruir sua autoimagem.

O que fazer?
Reconheça suas qualidades: Faça uma lista das coisas que você gosta em si mesmo e leia sempre que se sentir para baixo.
Defina metas realistas: Estabeleça metas pequenas e alcançáveis, como um dia sem usar a substância ou uma semana seguindo sua rotina. Cada meta alcançada é uma vitória.
Pratique a autocompaixão: Trate-se com a mesma gentileza e compreensão que trataria um amigo querido.
Celebre suas conquistas: Não importa quão pequenas sejam, cada conquista merece ser celebrada.

Exemplo:
– Ana sempre se sentia culpada por usar o “remédio para dormir”. Depois que começou a reconhecer suas qualidades e a celebrar suas conquistas, percebeu que sua autoestima melhorou.


Para familiares e amigos

1. Informe-se sobre o transtorno

Entender o que a pessoa está passando é o primeiro passo para oferecer apoio. Leia sobre o transtorno, converse com profissionais de saúde e participe de grupos de apoio para familiares.

O que fazer?
Leia materiais confiáveis: Livros, artigos e sites de instituições sérias (como a Associação Brasileira de Psiquiatria ou o Ministério da Saúde) podem ajudar a entender o transtorno.
Participe de grupos de apoio: Grupos como Al-Anon (para familiares de alcoólatras) ou Nar-Anon (para familiares de dependentes de drogas) oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.
Converse com profissionais: Se tiver dúvidas, converse com o médico ou terapeuta da pessoa. Eles podem esclarecer suas dúvidas e orientar sobre como ajudar.

Exemplo:
– A esposa de João participou de um grupo de apoio para familiares de alcoólatras e aprendeu que o alcoolismo é uma doença, não uma escolha. Isso a ajudou a lidar melhor com a situação e a oferecer apoio ao marido sem julgá-lo.


2. Ofereça apoio sem julgamento

A pessoa com transtorno por uso de substâncias já se sente culpada e envergonhada. O julgamento só vai piorar a situação e afastá-la ainda mais.

O que fazer?
Escute sem julgar: Deixe a pessoa falar sobre o que está sentindo, sem interromper ou criticar.
Evite frases como: “Por que você não para?”, “Isso é falta de força de vontade” ou “Você está destruindo sua vida”. Essas frases só vão fazer a pessoa se sentir pior.
Ofereça apoio prático: Pergunte como você pode ajudar, seja acompanhando a pessoa a uma consulta, seja ajudando com tarefas do dia a dia.
Seja paciente: A recuperação é um processo, e pode levar tempo. Não espere mudanças da noite para o dia.

Exemplo:
– A mãe de Ana sempre a criticava por usar o “remédio para dormir”, o que só fazia Ana se sentir pior. Depois que a mãe começou a escutar sem julgar e a oferecer apoio, Ana se sentiu mais motivada a buscar ajuda.


3. Estabeleça limites saudáveis

Apoiar a pessoa não significa permitir comportamentos prejudiciais ou negligenciar suas próprias necessidades. É importante estabelecer limites claros para proteger sua saúde mental e física.

O que fazer?
Defina o que é aceitável e o que não é: Por exemplo, você pode decidir que não vai mais dar dinheiro para a pessoa comprar a substância, mas que vai acompanhá-la às consultas.
Comunique os limites de forma clara e gentil: Explique por que esses limites são importantes, tanto para você quanto para a pessoa.
Cumpra os limites: Se você estabeleceu um limite, cumpra-o. Isso ajuda a pessoa a entender que suas ações têm consequências.
Cuide de si mesmo: Não negligencie suas próprias necessidades. Reserve um tempo para cuidar da sua saúde, dos seus hobbies e dos seus relacionamentos.

Exemplo:
– O pai de Pedro sempre dava dinheiro para ele comprar o “energético”, mesmo sabendo que isso estava prejudicando sua saúde. Depois que estabeleceu o limite de não dar mais dinheiro, Pedro percebeu que precisava buscar ajuda para parar de usar a substância.


4. Incentive o tratamento

A pessoa pode resistir a buscar ajuda, seja por vergonha, medo ou negação. Seu papel é incentivá-la a buscar tratamento, sem forçar ou pressionar.

O que fazer?
Converse sobre as opções de tratamento: Explique que existem muitas formas de tratamento (medicamentos, psicoterapia, grupos de apoio) e que ela não precisa passar por isso sozinha.
Ofereça-se para acompanhá-la: Muitas pessoas têm medo de buscar ajuda sozinhas. Ofereça-se para acompanhá-la a uma consulta ou a uma reunião de grupo de apoio.
Seja paciente: A pessoa pode precisar de várias conversas antes de decidir buscar ajuda. Não desista.
Celebre as pequenas vitórias: Cada passo em direção ao tratamento é uma vitória. Celebre com a pessoa, mesmo que seja algo pequeno, como marcar uma consulta.

Exemplo:
– A esposa de João sempre o incentivava a buscar ajuda, mas ele resistia. Depois de várias conversas, ela o acompanhou a uma consulta com um psiquiatra, e ele finalmente começou o tratamento.


5. Cuide de si mesmo

Cuidar de uma pessoa com transtorno por uso de substâncias pode ser exaustivo e emocionalmente desgastante. É importante cuidar de si mesmo para não se esgotar.

O que fazer?
Reserve um tempo para si: Faça coisas que você gosta, como ler, praticar esportes ou sair com amigos.
Busque apoio: Converse com outras pessoas que estão passando pela mesma situação, seja em grupos de apoio ou com amigos e familiares.
Não se culpe: Você não é responsável pelo transtorno da pessoa, nem pela recuperação dela. Faça o que puder, mas não se cobre perfeição.
Busque ajuda profissional: Se sentir que está sobrecarregado ou deprimido, converse com um psicólogo ou psiquiatra. Eles podem te ajudar a lidar com a situação.

Exemplo:
– A mãe de Ana sempre se sentia culpada pelo uso do “remédio para dormir” da filha. Depois que começou a frequentar um grupo de apoio para familiares, percebeu que não era culpada e que precisava cuidar de si mesma para poder ajudar a filha.


6. Prepare-se para as recaídas

As recaídas fazem parte do processo de recuperação. Não são um sinal de fracasso, mas uma oportunidade para aprender e ajustar o tratamento.

O que fazer?
Não desanime: Uma recaída não significa que a pessoa falhou. É apenas um desvio no caminho, não o fim da jornada.
Converse sobre o que aconteceu: Pergunte à pessoa o que desencadeou a recaída e como ela pode evitar no futuro.
Incentive-a a continuar o tratamento: Lembre-a de que o tratamento é um processo contínuo e que ela não está sozinha.
Cuide de si mesmo: Uma recaída pode ser frustrante e desgastante para os familiares. Não se culpe e busque apoio se precisar.

Exemplo:
– João teve uma recaída depois de 3 meses sem beber. Em vez de desanimar, sua esposa o incentivou a conversar com o terapeuta sobre o que aconteceu. Eles descobriram que a recaída foi desencadeada por uma briga familiar e trabalharam juntos para desenvolver estratégias para lidar com conflitos sem recorrer ao álcool.


Quando os sintomas podem piorar?

A recuperação não é uma linha reta — há momentos em que os sintomas podem piorar, seja por causa de estresse, recaídas ou mudanças na vida. É importante reconhecer esses sinais e saber como agir. Vamos entender quando os sintomas podem piorar e o que fazer nesses casos:


1. Durante períodos de estresse

O estresse é um gatilho comum para o uso da substância. Situações como problemas no trabalho, brigas familiares ou perdas podem aumentar a vontade de usar a substância como forma de “aliviar” o estresse.

Sinais de alerta:
– A pessoa fica mais irritada, ansiosa ou deprimida.
– Ela começa a falar mais sobre a substância ou a procurar desculpas para usá-la.
– Ela se isola ou evita conversar sobre o que está sentindo.

O que fazer?
Incentive a pessoa a usar as técnicas de manejo de estresse que aprendeu no tratamento, como respiração profunda, meditação ou exercícios físicos.
Ofereça apoio emocional: Pergunte como ela está se sentindo e ouça sem julgar.
Ajude-a a manter a rotina: Uma rotina estruturada pode ajudar a reduzir a sensação de caos e a aumentar o senso de controle.
Incentive-a a conversar com o terapeuta ou médico: Se os sintomas piorarem, pode ser necessário ajustar o tratamento.

Exemplo:
– Ana estava passando por um período de estresse no trabalho e começou a sentir mais vontade de tomar o “remédio para dormir”. Sua mãe a incentivou a praticar respiração profunda e a conversar com seu terapeuta, o que a ajudou a lidar com o estresse sem recorrer ao remédio.


2. Durante recaídas

As recaídas fazem parte do processo de recuperação, mas podem ser desanimadoras para a pessoa e para a família. É importante reconhecer os sinais de uma recaída e saber como agir.

Sinais de alerta:
– A pessoa volta a usar a substância, mesmo que seja em pequenas quantidades.
– Ela mente ou esconde o uso da substância.
– Ela se isola ou evita conversar sobre o que está acontecendo.

O que fazer?
Não julgue: Uma recaída não é um sinal de fracasso, mas uma oportunidade para aprender.
Converse sobre o que aconteceu: Pergunte à pessoa o que desencadeou a recaída e como ela pode evitar no futuro.
Incentive-a a continuar o tratamento: Lembre-a de que o tratamento é um processo contínuo e que ela não está sozinha.
Busque apoio profissional: Se a recaída for grave, pode ser necessário ajustar o tratamento ou buscar ajuda de emergência.

Exemplo:
– Pedro teve uma recaída depois de 2 meses sem usar o “energético”. Em vez de se culpar, ele conversou com seu terapeuta sobre o que aconteceu e ajustou seu plano de tratamento para incluir mais sessões de terapia.


3. Durante mudanças na vida

Mudanças na vida, como um novo emprego, um término de relacionamento ou uma mudança de cidade, podem ser estressantes e aumentar o risco de recaída.

Sinais de alerta:
– A pessoa fica mais ansiosa, irritada ou deprimida.
– Ela começa a falar mais sobre a substância ou a procurar desculpas para usá-la.
– Ela se isola ou evita conversar sobre a mudança.

O que fazer?
Incentive a pessoa a manter a rotina: Mesmo com a mudança, é importante manter horários regulares para dormir, comer e se exercitar.
Ofereça apoio emocional: Pergunte como ela está se sentindo e ouça sem julgar.
Ajude-a a se adaptar: Se a mudança for positiva (como um novo emprego), incentive-a a celebrar a conquista. Se for negativa (como um término), ajude-a a encontrar formas saudáveis de lidar com a dor.
Incentive-a a conversar com o terapeuta ou médico: Se os sintomas piorarem, pode ser necessário ajustar o tratamento.

Exemplo:
– Maria estava se mudando para outra cidade e começou a sentir mais ansiedade. Sua amiga a incentivou a manter sua rotina de exercícios e a conversar com seu terapeuta, o que a ajudou a lidar com a mudança sem recorrer ao “remédio para dormir”.


4. Durante períodos de tédio ou solidão

O tédio e a solidão podem ser gatilhos para o uso da substância, especialmente se a pessoa costumava usar a substância para preencher o vazio ou se sentir acompanhada.

Sinais de alerta:
– A pessoa não tem nada para fazer e passa muito tempo sozinha.
– Ela começa a falar mais sobre a substância ou a procurar desculpas para usá-la.
– Ela se isola ou evita sair de casa.

O que fazer?
Incentive a pessoa a encontrar novos hobbies: Pode ser pintura, dança, culinária ou esportes. O importante é encontrar algo que dê prazer.
Ajude-a a se conectar com outras pessoas: Incentive-a a sair com amigos, participar de grupos de apoio ou fazer trabalho voluntário.
Incentive-a a manter uma rotina: Uma rotina estruturada pode ajudar a reduzir a sensação de tédio e a aumentar o senso de propósito.
Ofereça companhia: Se a pessoa estiver se sentindo sozinha, passe um tempo com ela, seja assistindo a um filme, caminhando ou apenas conversando.

Exemplo:
– Carlos estava se sentindo entediado e sozinho depois que parou de usar o “energético”. Sua esposa o incentivou a retomar seu hobby de desenhar e a participar de um grupo de apoio, o que o ajudou a preencher o vazio sem recorrer à substância.


5. Durante períodos de dor física ou emocional

A dor física (como uma lesão ou doença) ou emocional (como uma perda ou um trauma) pode aumentar o risco de recaída, especialmente se a pessoa costumava usar a substância para aliviar a dor.

Sinais de alerta:
– A pessoa fala mais sobre a dor (física ou emocional) e como a substância a ajudava a aliviá-la.
– Ela começa a procurar desculpas para usar a substância.
– Ela se isola ou evita conversar sobre o que está sentindo.

O que fazer?
Incentive a pessoa a buscar ajuda profissional: Se a dor for física, incentive-a a procurar um médico. Se for emocional, incentive-a a conversar com um terapeuta.
Ofereça apoio emocional: Pergunte como ela está se sentindo e ouça sem julgar.
Ajude-a a encontrar formas saudáveis de lidar com a dor: Pode ser exercícios físicos, meditação, arte ou conversar com amigos.
Incentive-a a manter o tratamento: Lembre-a de que o tratamento é um processo contínuo e que ela não está sozinha.

Exemplo:
– Ana estava passando por um período de luto depois da morte da mãe e começou a sentir mais vontade de tomar o “remédio para dormir”. Sua amiga a incentivou a conversar com seu terapeuta e a participar de um grupo de apoio para pessoas em luto, o que a ajudou a lidar com a dor sem recorrer ao remédio.


Perguntas frequentes

Receber o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de substâncias pode gerar muitas dúvidas, tanto para a pessoa quanto para seus familiares. Vamos responder às perguntas mais comuns de forma clara e detalhada:


1. “Eu sou fraco(a) por não conseguir parar sozinho(a)?”

Resposta:
Não, você não é fraco(a). O transtorno por uso de substâncias é uma condição médica, não uma questão de força de vontade. Quando uma pessoa usa uma substância por um tempo prolongado, o cérebro se adapta a ela e passa a “pedir” mais, mesmo quando a pessoa não quer usar. Isso acontece porque a substância altera os circuitos de recompensa do cérebro, fazendo com que ele associe a substância a uma sensação de prazer ou alívio.

Exemplo:
Imagine que seu cérebro é como um jardim. Quando você usa uma substância, é como se estivesse regando uma planta específica todos os dias. Com o tempo, essa planta cresce e toma conta do jardim, enquanto as outras plantas (como seus hobbies, relacionamentos e saúde) ficam abandonadas. Não é que você seja fraco — é que seu jardim foi tomado por uma planta invasora, e agora você precisa de ajuda para recuperá-lo.

O que fazer?
Busque ajuda profissional: Um psiquiatra ou psicólogo pode te ajudar a entender o que está acontecendo e a desenvolver estratégias para recuperar o controle.
Participe de grupos de apoio: Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) ou Alcoólicos Anônimos (AA) oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.
Seja gentil consigo mesmo: A recuperação é um processo, e cada pequeno passo conta. Não se cobre perfeição.


2. “Vou ter que tomar remédios para o resto da vida?”

Resposta:
Não necessariamente. Os medicamentos são usados para ajudar no processo de recuperação, mas não são uma solução permanente para todos. Alguns remédios são usados apenas por um período, como os que ajudam a aliviar os sintomas de abstinência. Outros podem ser usados por mais tempo, especialmente se a pessoa tiver outros transtornos mentais (como depressão ou ansiedade) associados ao uso da substância.

Exemplo:
Medicamentos para abstinência: São usados por poucas semanas ou meses, até que o corpo se ajuste à ausência da substância. Por exemplo, os benzodiazepínicos (como diazepam) são usados para aliviar a ansiedade e os tremores em casos de abstinência de álcool, mas são descontinuados gradualmente para evitar dependência.
Medicamentos para reduzir a fissura: Podem ser usados por meses ou anos, dependendo da necessidade da pessoa. Por exemplo, a naltrexona é usada para reduzir a vontade de beber álcool e pode ser tomada por longos períodos, se necessário.
Medicamentos para transtornos associados: Se a pessoa tiver depressão ou ansiedade, pode precisar tomar antidepressivos ou estabilizadores de humor por anos, dependendo do caso.

O que fazer?
Converse com seu médico: Ele pode explicar por quanto tempo você precisará tomar cada medicamento e como será o processo de descontinuação.
Não pare de tomar os remédios por conta própria: Parar de repente pode causar sintomas de abstinência ou piorar o quadro. Sempre converse com seu médico antes de fazer qualquer mudança.
Combine medicamentos com outras formas de tratamento: Os remédios são apenas uma parte do tratamento. Psicoterapia, grupos de apoio e mudanças no estilo de vida também são essenciais para a recuperação.


3. “Meu familiar não quer parar de usar a substância. O que eu faço?”

Resposta:
É frustrante e doloroso ver alguém que você ama se prejudicando com o uso de uma substância, especialmente quando a pessoa não reconhece o problema ou não quer parar. Mas é importante lembrar que você não pode forçar a mudança — ela precisa vir da própria pessoa. O que você pode fazer é oferecer apoio, estabelecer limites e cuidar de si mesmo.

O que fazer?
1. Informe-se sobre o transtorno: Entender o que a pessoa está passando pode te ajudar a lidar melhor com a situação e a oferecer apoio de forma mais eficaz.
2. Converse com a pessoa: Escolha um momento tranquilo e converse sobre como você se sente, sem julgar ou acusar. Use frases como:
– “Eu te amo e me preocupo com você.”
– “Eu percebi que você está passando por um momento difícil e quero te ajudar.”
– “Você já pensou em buscar ajuda para lidar com isso?”
3. Evite comportamentos que possibilitem o uso: Não dê dinheiro, não cubra as consequências do uso (como faltas ao trabalho) e não minimize o problema. Isso só vai prolongar a situação.
4. Estabeleça limites saudáveis: Defina o que é aceitável e o que não é para você. Por exemplo:
– “Eu não vou mais dar dinheiro para você comprar a substância.”
– “Eu não vou mais mentir para seus chefes quando você faltar ao trabalho.”
– “Eu vou te apoiar no tratamento, mas não vou permitir que você use a substância em casa.”
5. Incentive a busca por ajuda: Ofereça-se para acompanhar a pessoa a uma consulta ou a uma reunião de grupo de apoio. Se ela resistir, sugira que converse com um profissional só para entender as opções.
6. Cuide de si mesmo: Apoiar uma pessoa com transtorno por uso de substâncias pode ser exaustivo. Reserve um tempo para cuidar da sua saúde, dos seus hobbies e dos seus relacionamentos.
7. Participe de grupos de apoio para familiares: Grupos como Al-Anon (para familiares de alcoólatras) ou Nar-Anon (para familiares de dependentes de drogas) oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.

Exemplo:
– A esposa de João sempre dava dinheiro para ele comprar álcool, mesmo sabendo que isso estava prejudicando sua saúde. Depois que estabeleceu o limite de não dar mais dinheiro, João percebeu que precisava buscar ajuda para parar de beber.


4. “Como eu explico para as outras pessoas o que está acontecendo?”

Resposta:
Explicar para outras pessoas que você ou um familiar tem um transtorno por uso de substâncias pode ser desafiador, especialmente por causa do estigma que ainda existe em torno desse assunto. Mas é importante lembrar que você não deve vergonha — o transtorno é uma condição médica, não uma escolha. O que você pode fazer é escolher com quem e como compartilhar essa informação.

O que fazer?
1. Escolha as pessoas certas: Compartilhe a informação com pessoas de confiança, que você sabe que vão te apoiar e não julgar.
2. Seja claro e direto: Não precisa dar muitos detalhes. Você pode dizer algo como:
– “Eu estou passando por um momento difícil com o uso de [substância] e estou buscando ajuda.”
– “Meu familiar está com um transtorno por uso de substâncias e estamos buscando tratamento.”
3. Explique que é uma condição médica: Ajude as pessoas a entenderem que o transtorno não é uma questão de força de vontade ou caráter, mas sim uma condição que precisa de tratamento.
4. Peça apoio, se precisar: Se você se sentir à vontade, peça às pessoas que te apoiem, seja ouvindo, acompanhando a consultas ou ajudando com tarefas do dia a dia.
5. Prepare-se para perguntas ou julgamentos: Algumas pessoas podem não entender ou até julgar. Nesse caso, não se sinta obrigado a explicar ou justificar. Você pode dizer:
– “Eu entendo que você não saiba como lidar com isso, mas eu estou buscando ajuda e agradeço seu apoio.”
– “Eu prefiro não falar sobre isso agora, mas agradeço sua preocupação.”

Exemplo:
– Ana contou para sua melhor amiga que estava com um transtorno por uso de medicamentos para dormir. Sua amiga não entendeu muito bem no começo, mas Ana explicou que era uma condição médica e que estava buscando tratamento. Com o tempo, sua amiga passou a apoiá-la e até a acompanhá-la a algumas consultas.


5. “Eu posso beber socialmente se tiver um transtorno por uso de álcool?”

Resposta:
Não é recomendado. Se você tem um transtorno por uso de álcool, mesmo o consumo social pode desencadear uma recaída. O álcool é uma substância que altera o funcionamento do cérebro, e para pessoas com transtorno por uso de álcool, mesmo uma pequena quantidade pode reativar os circuitos de dependência.

Por que não é recomendado?
Risco de recaída: Para muitas pessoas, o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, pode desencadear a vontade de beber mais.
Efeito dominó: Uma taça de vinho pode levar a duas, três ou mais, especialmente se a pessoa estiver em um ambiente onde o álcool é normalizado.
Prejuízos à saúde: O álcool pode piorar outros problemas de saúde, como depressão, ansiedade ou doenças do fígado.
Interferência no tratamento: Se você estiver tomando medicamentos para o transtorno por uso de álcool (como naltrexona ou acamprosato), o álcool pode reduzir a eficácia desses remédios.

O que fazer?
Evite o álcool completamente: A melhor forma de se proteger é não beber nada. Isso pode ser difícil no começo, especialmente em situações sociais, mas é a forma mais segura de evitar recaídas.
Encontre alternativas: Em festas ou encontros sociais, opte por bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, sucos ou água com gás.
Planeje com antecedência: Se você sabe que vai a um evento onde haverá álcool, planeje como vai lidar com a situação. Pode ser útil levar um amigo de apoio ou sair mais cedo.
Converse com seu médico ou terapeuta: Eles podem te ajudar a desenvolver estratégias para lidar com situações sociais sem recorrer ao álcool.

Exemplo:
– João tinha um transtorno por uso de álcool e decidiu parar de beber completamente. No começo, foi difícil ir a festas e ver os amigos bebendo, mas ele descobriu que água com limão era uma boa alternativa. Com o tempo, ele se acostumou e percebeu que não sentia mais vontade de beber.


6. “Como eu lido com a vergonha e a culpa?”

Resposta:
A vergonha e a culpa são sentimentos comuns em pessoas com transtorno por uso de substâncias, mas eles não ajudam na recuperação — pelo contrário, podem até piorar a situação. É importante lembrar que você não é sua doença, e que a recuperação é uma oportunidade para se reconectar consigo mesmo e reconstruir sua vida.

Por que sentimos vergonha e culpa?
Estigma social: A sociedade ainda vê o transtorno por uso de substâncias como uma falta de caráter ou força de vontade, o que pode fazer a pessoa se sentir julgada.
Consequências do uso: O uso da substância pode ter causado problemas no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde, o que pode gerar culpa.
Expectativas não atendidas: A pessoa pode se sentir culpada por não ter conseguido parar sozinha ou por ter decepcionado as pessoas que ama.

Como lidar com esses sentimentos?
1. Reconheça seus sentimentos: Não tente ignorar ou minimizar o que está sentindo. Reconheça a vergonha e a culpa como parte do processo, mas não deixe que elas te paralisem.
2. Pratique a autocompaixão: Trate-se com a mesma gentileza e compreensão que trataria um amigo querido. Lembre-se de que você está fazendo o melhor que pode.
3. Foque no presente: Em vez de se culpar pelo passado, concentre-se no que você pode fazer hoje para melhorar sua vida.
4. Converse com um terapeuta: Um psicólogo pode te ajudar a entender e lidar com esses sentimentos de forma mais saudável.
5. Participe de grupos de apoio: Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) ou Alcoólicos Anônimos (AA) oferecem um espaço seguro para compartilhar suas experiências e perceber que você não está sozinho.
6. Celebre suas conquistas: Cada pequeno passo em direção à recuperação é uma vitória. Celebre suas conquistas, por menores que sejam.

Exemplo:
– Ana sempre se sentia culpada por usar o “remédio para dormir” e por ter decepcionado sua família. Depois que começou a frequentar um grupo de apoio, percebeu que muitas pessoas passavam pela mesma coisa e que a culpa não a ajudava a melhorar. Ela aprendeu a focar no presente e a celebrar suas conquistas, como uma semana sem usar o remédio.


7. “O que eu faço se tiver uma recaída?”

Resposta:
As recaídas fazem parte do processo de recuperação e não são um sinal de fracasso. Elas são uma oportunidade para aprender e ajustar o tratamento. O importante é não desistir e buscar ajuda para entender o que aconteceu e como evitar no futuro.

O que fazer?
1. Não se culpe: Uma recaída não significa que você falhou. É apenas um desvio no caminho, não o fim da jornada.
2. Pare de usar a substância imediatamente: Se você recaiu, pare de usar a substância o mais rápido possível. Quanto mais tempo você usar, mais difícil será parar.
3. Converse com seu terapeuta ou médico: Eles podem te ajudar a entender o que desencadeou a recaída e a ajustar o tratamento, se necessário.
4. Analise o que aconteceu: Pergunte a si mesmo:
O que desencadeou a recaída? Foi estresse, solidão, uma situação social?
O que você poderia ter feito diferente? Poderia ter evitado o gatilho, pedido ajuda ou usado uma técnica de manejo de sintomas?
5. Ajuste seu plano de prevenção de recaídas: Com base no que você aprendeu, ajuste seu plano para incluir estratégias para lidar com situações semelhantes no futuro.
6. Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou grupos de apoio. Eles podem te ajudar a se motivar e a seguir em frente.
7. Volte ao tratamento: Se você parou de ir às consultas ou às reuniões de grupo, volte o mais rápido possível. O tratamento é um processo contínuo, e cada sessão conta.

Exemplo:
– Pedro teve uma recaída depois de 2 meses sem usar o “energético”. Em vez de se culpar, ele conversou com seu terapeuta sobre o que aconteceu. Eles descobriram que a recaída foi desencadeada por um período de estresse no trabalho. Pedro ajustou seu plano de tratamento para incluir técnicas de manejo de estresse e voltou a frequentar as sessões de terapia.


8. “Como eu ajudo meu filho(a) adolescente que está usando substâncias?”

Resposta:
Descobrir que seu filho(a) adolescente está usando substâncias pode ser assustador e doloroso, mas é importante manter a calma e agir com amor e firmeza. Adolescentes estão em uma fase de descobertas e experimentações, e o uso de substâncias pode ser uma forma de lidar com a pressão, a curiosidade ou problemas emocionais. O que você pode fazer é oferecer apoio, estabelecer limites e buscar ajuda profissional.

O que fazer?
1. Mantenha a calma: É normal sentir raiva, medo ou decepção, mas gritar ou acusar só vai afastar seu filho(a) e piorar a situação.
2. Converse com seu filho(a): Escolha um momento tranquilo e converse sobre o que você descobriu, sem julgar ou acusar. Use frases como:
– “Eu te amo e me preocupo com você.”
– “Eu percebi que você está passando por um momento difícil e quero te ajudar.”
– “Você pode me contar o que está acontecendo?”
3. Informe-se sobre o uso de substâncias na adolescência: Entender os motivos e riscos do uso de substâncias nessa fase pode te ajudar a lidar melhor com a situação.
4. Estabeleça limites claros: Defina o que é aceitável e o que não é em sua casa. Por exemplo:
– “Eu não vou permitir que você use substâncias em casa.”
– “Eu vou te apoiar no tratamento, mas não vou encobrir suas faltas na escola.”
5. Incentive a busca por ajuda: Ofereça-se para acompanhar seu filho(a) a uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo. Se ele(a) resistir, sugira que converse com um profissional só para entender as opções.
6. Busque apoio para você: Cuidar de um adolescente com transtorno por uso de substâncias pode ser exaustivo. Participe de grupos de apoio para pais (como o Amor-Exigente) ou converse com um psicólogo.
7. Monitore o uso: Se você suspeitar que seu filho(a) está usando substâncias, monitore seus pertences e comportamentos, mas sempre com respeito e transparência.
8. Cuide do ambiente familiar: Um ambiente familiar estressante ou conflituoso pode aumentar o risco de uso de substâncias. Tente melhorar a comunicação e resolver conflitos de forma saudável.

Exemplo:
– A mãe de Lucas descobriu que ele estava usando maconha. Em vez de gritar ou puni-lo, ela conversou com ele sobre o que estava acontecendo e o incentivou a buscar ajuda. Ela também participou de um grupo de apoio para pais e ajustou a rotina da família para incluir mais momentos de lazer e diálogo.


9. “O tratamento no SUS é bom? Vale a pena?”

Resposta:
Sim, o tratamento no SUS (Sistema Único de Saúde) é bom e vale a pena, especialmente porque é gratuito e acessível para todos. O SUS oferece uma rede de serviços para o tratamento de transtornos por uso de substâncias, incluindo CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), UBS (Unidades Básicas de Saúde), hospitais e grupos de apoio. No entanto, como qualquer sistema público, ele tem desafios, como filas de espera e limitações de recursos.

Vantagens do tratamento no SUS:
1. Gratuito: Não há custo para consultas, exames, medicamentos ou internações.
2. Acesso universal: Qualquer pessoa pode buscar ajuda, independentemente de ter plano de saúde.
3. Estrutura de apoio: O SUS oferece uma rede de serviços, incluindo:
CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas): Oferecem tratamento multidisciplinar, com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
UBS (Unidades Básicas de Saúde): São a porta de entrada para o tratamento. Lá, você pode ser encaminhado para um CAPS ou para um especialista.
Hospitais: Em casos graves, o SUS oferece internação para desintoxicação ou tratamento de complicações.
Grupos de apoio: Muitos CAPS e UBS oferecem grupos de apoio para pessoas em recuperação e seus familiares.
4. Abordagem humanizada: O SUS segue a Política Nacional de Saúde Mental, que preconiza um tratamento humanizado e livre de preconceitos.

Desafios do tratamento no SUS:
1. Fila de espera: Em algumas regiões, pode demorar meses para conseguir uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo.
2. Limitações de recursos: Nem todos os municípios têm CAPS AD ou profissionais especializados em transtornos por uso de substâncias.
3. Estigma: Algumas pessoas têm medo ou vergonha de buscar ajuda no SUS por achar que serão mal atendidas.

Como acessar o tratamento no SUS?
1. Procure a UBS mais próxima: Lá, você será avaliado por um médico ou enfermeiro e encaminhado para um CAPS AD ou para um especialista, dependendo da gravidade do caso.
2. Em casos de urgência: Procure um Pronto-Socorro (PS) ou ligue para o SAMU (192).
3. Grupos de apoio: Muitos CAPS e UBS oferecem grupos de apoio para pessoas em recuperação e seus familiares. Informe-se na unidade mais próxima.

Exemplo:
– João procurou a UBS mais próxima de sua casa e foi encaminhado para um CAPS AD. Lá, ele foi atendido por uma equipe multidisciplinar e começou um tratamento que incluía medicamentos, psicoterapia e grupos de apoio. Apesar de ter enfrentado uma fila de espera de 2 meses, ele considera que o tratamento valeu a pena.


10. “Como eu sei se preciso de internação?”

Resposta:
A internação é indicada em casos graves, quando a pessoa não consegue parar de usar a substância sozinha e está em risco imediato para si mesma ou para os outros. Ela pode ser voluntária (quando a pessoa concorda) ou involuntária (quando a pessoa não concorda, mas está em risco e precisa de ajuda). Vamos entender quando a internação é necessária e como ela funciona:

Quando a internação é indicada?
1. Sintomas graves de abstinência: Se a pessoa está tendo sintomas graves de abstinência, como convulsões, alucinações ou delírios, ela pode precisar de monitoramento médico 24 horas.
Exemplo: Ana estava tentando parar de usar álcool e começou a ter tremores, suor frio e alucinações. Seu médico recomendou internação para desintoxicação segura.
2. Risco de overdose: Se a pessoa está usando doses muito altas da substância ou misturando substâncias, ela pode estar em risco de overdose.
Exemplo: Pedro estava usando cocaína e álcool juntos e teve uma parada cardíaca. Ele precisou ser internado para estabilização e tratamento.
3. Risco de suicídio: Se a pessoa está deprimida, desesperançosa ou falando em se machucar, ela pode precisar de monitoramento constante para evitar uma tentativa de suicídio.
Exemplo: João estava deprimido e falando em se matar depois de uma recaída. Sua família o internou para proteção e tratamento.
4. Falta de apoio social: Se a pessoa não tem onde ficar ou não tem apoio de familiares e amigos, a internação pode ser uma forma de garantir um ambiente seguro para a recuperação.
Exemplo: Maria estava morando na rua e usando crack. Ela foi internada em uma comunidade terapêutica para desintoxicação e reabilitação.
5. Falha em outros tratamentos: Se a pessoa já tentou outros tratamentos (como ambulatorial ou grupos de apoio) e não conseguiu parar de usar a substância, a internação pode ser uma opção mais intensiva.
Exemplo: Carlos já tinha tentado psicoterapia e grupos de apoio, mas continuava bebendo. Seu médico recomendou internação para um tratamento mais intensivo.

Como funciona a internação?
1. Avaliação médica: Um médico avalia a gravidade do caso e decide se a internação é necessária.
2. Escolha do local: A internação pode ser feita em:
Hospitais psiquiátricos: Para casos graves que exigem monitoramento médico 24 horas.
Comunidades terapêuticas: Para casos que exigem um ambiente estruturado e livre de substâncias.
Clínicas especializadas: Para casos que exigem um tratamento mais intensivo e personalizado.
3. Desintoxicação: Nos primeiros dias, a pessoa passa por desintoxicação, que pode incluir medicamentos para aliviar os sintomas de abstinência.
4. Tratamento: Durante a internação, a pessoa participa de terapias individuais e em grupo, atividades de reabilitação e planejamento para a alta.
5. Alta e acompanhamento: Depois da internação, a pessoa recebe orientações para continuar o tratamento em ambulatório, grupos de apoio ou outros serviços.

Internação voluntária vs. involuntária:
Internação voluntária: Acontece quando a pessoa concorda com a internação e assina um termo de consentimento.
Internação involuntária: Acontece quando a pessoa não concorda, mas está em risco imediato e precisa de ajuda. Nesse caso, um médico ou familiar pode solicitar a internação, que deve ser autorizada por um juiz.

Exemplo:
– Ana foi internada voluntariamente em um hospital psiquiátrico para desintoxicação de álcool. Durante a internação, ela participou de terapias e grupos de apoio e recebeu medicamentos para aliviar os sintomas de abstinência. Depois da alta, ela continuou o tratamento em um CAPS AD.


Quando procurar ajuda urgente

Alguns sinais indicam que a pessoa precisa de ajuda imediata, seja porque está em risco de vida, seja porque está em sofrimento intenso. Se você ou alguém que você conhece apresentar algum desses sinais, procure ajuda urgente:


Sinais de alerta vermelhos (procure ajuda IMEDIATA):

  1. Overdose:
  2. O que é: Quando a pessoa usa uma dose excessiva da substância e seu corpo não consegue metabolizá-la, o que pode levar a parada cardíaca, respiratória ou morte.
  3. Sinais:
    • Inconsciência (não responde a estímulos).
    • Respiração lenta ou irregular (menos de 8 respirações por minuto).
    • Pele fria, úmida e pálida ou azulada.
    • Pupilas muito pequenas (como pontinhos).
    • Convulsões.
  4. O que fazer:

    • Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa imediatamente para um Pronto-Socorro.
    • Não deixe a pessoa sozinha.
    • Se ela estiver inconsciente, coloque-a de lado (posição lateral de segurança) para evitar engasgos.
    • Não tente fazer a pessoa vomitar ou dar água, café ou outros “remédios caseiros”.
  5. Sintomas graves de abstinência:

  6. O que é: Quando a pessoa para de usar a substância e começa a ter sintomas graves, como convulsões, alucinações ou delírios.
  7. Sinais:
    • Convulsões (movimentos involuntários e perda de consciência).
    • Alucinações (ver ou ouvir coisas que não existem).
    • Delírios (acreditar em coisas que não são verdadeiras, como achar que está sendo perseguido).
    • Febre alta.
    • Pressão alta ou batimentos cardíacos irregulares.
  8. O que fazer:

    • Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa imediatamente para um Pronto-Socorro.
    • Não deixe a pessoa sozinha.
    • Mantenha-a em um ambiente calmo e seguro até a chegada da ajuda.
  9. Risco de suicídio:

  10. O que é: Quando a pessoa fala em se matar, faz planos ou tenta se machucar.
  11. Sinais:
    • Falar em morte ou suicídio: “Eu não aguento mais”, “Vocês estariam melhor sem mim”, “Eu quero desaparecer”.
    • Fazer planos: Procurar informações sobre métodos de suicídio, escrever uma carta de despedida ou doar pertences.
    • Mudanças extremas de humor: Passar de muito triste para muito calmo de repente (isso pode indicar que a pessoa já decidiu se matar).
    • Comportamentos de risco: Usar substâncias em excesso, dirigir perigosamente ou se machucar de propósito.
  12. O que fazer:

    • Não deixe a pessoa sozinha.
    • Ligue para o CVV (188) ou para o SAMU (192).
    • Leve a pessoa para um Pronto-Socorro ou para um CAPS.
    • Remova objetos perigosos do ambiente, como armas, medicamentos ou substâncias.
  13. Sintomas psicóticos graves:

  14. O que é: Quando a pessoa perde o contato com a realidade, tendo alucinações ou delírios intensos.
  15. Sinais:
    • Alucinações: Ver, ouvir ou sentir coisas que não existem (como vozes mandando a pessoa se machucar).
    • Delírios: Acreditar em coisas que não são verdadeiras (como achar que está sendo perseguido ou que tem poderes especiais).
    • Comportamento agressivo ou desorganizado.
    • Incapacidade de se comunicar de forma coerente.
  16. O que fazer:
    • Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa imediatamente para um Pronto-Socorro.
    • Não discuta com a pessoa sobre suas alucinações ou delírios (isso pode piorar a situação).
    • Mantenha-a em um ambiente calmo e seguro até a chegada da ajuda.

Sinais de alerta amarelos (procure ajuda o mais rápido possível):

  1. Sintomas moderados de abstinência:
  2. Sinais:
    • Ansiedade intensa.
    • Tremores.
    • Suor frio.
    • Náusea ou vômitos.
    • Insônia.
  3. O que fazer:

    • Procure um médico ou um CAPS para avaliação e tratamento.
    • Não tente passar pela abstinência sozinho, especialmente se a substância for álcool, opioides ou benzodiazepínicos (a abstinência dessas substâncias pode ser perigosa).
  4. Fissura intensa (vontade incontrolável de usar a substância):

  5. Sinais:
    • Pensamentos obsessivos sobre a substância.
    • Incapacidade de se concentrar em outras coisas.
    • Comportamentos de busca (como procurar a substância mesmo sabendo que não deve).
  6. O que fazer:

    • Use técnicas de distração, como exercícios físicos, respiração profunda ou conversar com um amigo.
    • Procure um grupo de apoio (como NA ou AA) para receber suporte.
    • Converse com seu terapeuta ou médico sobre ajustes no tratamento.
  7. Depressão ou ansiedade intensas:

  8. Sinais:
    • Tristeza profunda ou desesperança.
    • Choro frequente.
    • Irritabilidade ou agitação.
    • Pensamentos negativos recorrentes.
  9. O que fazer:

    • Procure um psiquiatra ou psicólogo para avaliação e tratamento.
    • Não fique sozinho: Converse com amigos, familiares ou participe de grupos de apoio.
    • Evite o isolamento: Mesmo que não tenha vontade, tente fazer atividades que goste, como caminhar ou assistir a um filme.
  10. Problemas de saúde física:

  11. Sinais:
    • Dor no peito ou falta de ar.
    • Dor abdominal intensa.
    • Sangramentos (como vomitar sangue ou ter sangue nas fezes).
    • Perda de consciência ou desmaios.
  12. O que fazer:
    • Procure um médico ou um Pronto-Socorro para avaliação.
    • Não ignore os sintomas, mesmo que pareçam leves.

Onde procurar ajuda urgente no Brasil?

  1. SAMU (192): Para emergências médicas, como overdose, convulsões ou sintomas graves de abstinência.
  2. CVV (188): Para apoio emocional e prevenção do suicídio. O serviço é gratuito, anônimo e 24 horas.
  3. Pronto-Socorro (PS): Para emergências médicas ou psiquiátricas.
  4. CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): Para avaliação e tratamento de transtornos mentais e por uso de substâncias. Procure o CAPS AD (para álcool e drogas) ou o CAPS III (que funciona 24 horas).
  5. UBS (Unidades Básicas de Saúde): Para encaminhamento para tratamento ambulatorial ou internação, se necessário.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022. Disponível em: https://icd.who.int/.
  • American Psychiatric Association (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Tratado de Psiquiatria da ABP. 20
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