Transtornos devidos ao uso de álcool (CID-11: 6C40)

O que é?

Imagine que o álcool é como um convidado em uma festa. No começo, ele chega devagar, traz alegria, relaxa o ambiente e até ajuda algumas pessoas a se soltarem. Mas, para algumas pessoas, esse convidado começa a chegar cada vez mais cedo, fica até mais tarde e, aos poucos, toma conta de toda a festa. Ele não aceita ir embora, bagunça a casa, quebra coisas e, quando finalmente sai, deixa um rastro de problemas que demoram dias para serem resolvidos. É mais ou menos isso que acontece com o transtorno devido ao uso de álcool.

Essa condição não é apenas sobre “beber muito” ou “ser fraco”. É uma doença complexa, reconhecida pela medicina, que afeta o cérebro, o corpo e a vida da pessoa de um jeito profundo. Não é uma questão de falta de força de vontade ou de caráter — é como se o cérebro da pessoa tivesse sido “hackeado” pelo álcool, fazendo com que ela perca o controle sobre o quanto e quando bebe, mesmo quando isso está causando problemas sérios na sua vida.

Muita gente confunde o transtorno por uso de álcool com “beber socialmente” ou com uma “fase difícil”. Mas há uma diferença enorme. Quem bebe socialmente consegue parar quando quer, não sente uma necessidade incontrolável de álcool e não sofre consequências graves por causa da bebida. Já quem tem o transtorno pode até tentar parar ou reduzir, mas não consegue, mesmo sabendo que a bebida está arruinando sua saúde, seus relacionamentos ou seu trabalho. É como tentar segurar a respiração debaixo d’água: chega uma hora em que o corpo simplesmente não aguenta mais e precisa de ar, não importa o quanto a pessoa tente resistir.

No Brasil, o álcool é a substância psicoativa mais consumida. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 17% da população brasileira adulta faz uso nocivo de álcool, e aproximadamente 3% preenche critérios para dependência. Isso significa que milhões de pessoas no país convivem com esse problema, muitas vezes em silêncio. Os homens são mais afetados do que as mulheres — cerca de três vezes mais —, mas o consumo entre mulheres vem aumentando nos últimos anos, especialmente entre as mais jovens. A faixa etária mais afetada é entre 25 e 44 anos, mas o problema também aparece em adolescentes e idosos.

Historicamente, o álcool sempre esteve presente na cultura humana. Desde os tempos antigos, ele é usado em rituais, celebrações e até como remédio. Mas foi só no século XX que a medicina começou a entender que o uso excessivo e descontrolado de álcool poderia ser uma doença. Antes disso, as pessoas com esse problema eram vistas como “fracas” ou “sem vergonha”. Hoje, sabemos que não é assim. O transtorno por uso de álcool é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão, e precisa ser tratada com seriedade, compaixão e ciência.


Quais são os sintomas?

Para entender se alguém tem transtorno por uso de álcool, os médicos usam uma lista de sinais e comportamentos. Não é preciso ter todos eles, mas quanto mais a pessoa se identifica com esses pontos, maior a chance de que o álcool esteja causando problemas sérios na vida dela. Vamos explicar cada um desses sinais em detalhes, com exemplos do dia a dia, para que você consiga reconhecê-los.

1. Beber mais do que pretendia ou por mais tempo do que planejava

O que isso significa na prática?
Você já combinou com você mesmo que só tomaria uma cervejinha no churrasco, mas acabou bebendo cinco? Ou prometeu que só beberia no fim de semana, mas na quarta-feira já estava com o copo na mão? Isso acontece com todo mundo de vez em quando, mas para quem tem transtorno por uso de álcool, é como se o “freio” da bebida não funcionasse direito.

Exemplos concretos:
João marcou de tomar só duas doses no bar com os amigos, mas quando viu, já eram quatro da manhã e ele estava pedindo a quinta rodada.
Maria disse que só beberia vinho no jantar, mas acabou abrindo a segunda garrafa e terminando a noite com dor de cabeça.
Carlos prometeu para a esposa que não beberia durante a semana, mas toda noite, depois do trabalho, ele “só toma uma” — que invariavelmente vira três ou quatro.

Normal vs. Sintomático:
Todo mundo exagera às vezes, especialmente em festas ou comemorações. O problema é quando isso vira regra, não exceção. Se você percebe que, na maioria das vezes em que bebe, acaba indo além do que havia planejado, isso pode ser um sinal de alerta.


2. Tentar parar ou reduzir e não conseguir

O que isso significa na prática?
É como tentar fazer dieta, mas não conseguir resistir a um brigadeiro. A pessoa sabe que precisa parar ou diminuir, faz planos, até consegue por alguns dias, mas depois volta a beber como antes — ou até mais. É um ciclo frustrante: ela se sente culpada, promete que vai mudar, mas não consegue manter a promessa.

Exemplos concretos:
Ana decidiu parar de beber depois que levou uma multa por dirigir alcoolizada. Ficou uma semana sem tocar em álcool, mas no sábado seguinte, quando viu os amigos bebendo, não resistiu e acabou bebendo o dobro do que costumava.
Pedro tentou reduzir para duas cervejas por dia, mas toda noite acabava tomando quatro ou cinco. Ele se sentia fraco e incompetente por não conseguir cumprir o que havia prometido a si mesmo.
Luiza marcou uma consulta com um psiquiatra para parar de beber, mas desistiu na última hora porque “não estava pronta”. Ela sabia que precisava de ajuda, mas o medo de ficar sem álcool era maior do que a vontade de mudar.

Normal vs. Sintomático:
É comum as pessoas tentarem mudar hábitos (como parar de fumar ou comer menos açúcar) e terem recaídas. O que diferencia o transtorno por uso de álcool é a frequência e a intensidade dessas tentativas fracassadas. Se a pessoa tenta parar ou reduzir várias vezes e não consegue, mesmo quando há consequências graves (como perder o emprego ou brigar com a família), isso é um sinal claro de que o álcool está no controle, não ela.


3. Gastar muito tempo bebendo, tentando conseguir álcool ou se recuperando dos efeitos

O que isso significa na prática?
O álcool começa a ocupar um espaço enorme na vida da pessoa. Ela passa horas pensando em quando vai beber, planejando como vai conseguir a bebida ou se recuperando da ressaca. É como se o álcool virasse um trabalho de tempo integral — só que um trabalho que não paga salário e ainda cobra um preço alto.

Exemplos concretos:
Rafael acorda pensando em como vai conseguir dinheiro para comprar cerveja. Ele pede emprestado para os amigos, inventa desculpas para a família e até deixa de pagar contas para garantir que não vai ficar sem bebida no fim de semana.
Camila passa as tardes de domingo deitada no sofá, com dor de cabeça e enjoo, porque bebeu demais na noite anterior. Ela perde o dia inteiro se recuperando e, quando finalmente se sente melhor, já está na hora de começar tudo de novo.
Thiago dirige 40 minutos até um bar específico porque lá vendem a cerveja que ele gosta. Ele poderia comprar em qualquer lugar, mas prefere gastar tempo e dinheiro para ter exatamente o que quer.

Normal vs. Sintomático:
É normal gostar de uma bebida e até planejar um happy hour com os amigos. O problema é quando o álcool começa a roubar tempo de outras coisas importantes, como trabalho, família ou hobbies. Se a pessoa passa mais tempo bebendo ou se recuperando do que fazendo qualquer outra coisa, isso é um sinal de que o álcool está tomando conta da vida dela.


4. Sentir uma vontade incontrolável de beber (fissura)

O que isso significa na prática?
A fissura é como aquela vontade louca de comer chocolate quando você está de dieta — só que multiplicada por dez. É uma necessidade quase física, como se o corpo estivesse pedindo álcool a todo momento. A pessoa pode até tentar resistir, mas a vontade é tão forte que parece impossível ignorar.

Exemplos concretos:
Fernanda está no trabalho e, de repente, sente uma vontade absurda de tomar uma cerveja. Ela tenta se distrair, mas a vontade não passa. No fim do expediente, ela para no bar antes de ir para casa, mesmo sabendo que prometeu para o marido que não beberia.
Lucas acorda no meio da noite com uma vontade insuportável de beber. Ele tenta dormir, mas não consegue. Levanta, vai até a cozinha e bebe o que encontrar, mesmo sabendo que vai se arrepender depois.
Patrícia está em uma festa sem álcool e sente uma ansiedade tão grande que precisa sair correndo para comprar uma garrafa. Ela inventa uma desculpa para os amigos e volta 20 minutos depois, aliviada por ter conseguido beber.

Normal vs. Sintomático:
Todo mundo sente vontade de beber em algumas situações, como em um churrasco ou em uma comemoração. O que diferencia a fissura do transtorno por uso de álcool é a intensidade e a frequência. Se a vontade de beber é tão forte que a pessoa não consegue pensar em outra coisa, ou se ela bebe mesmo quando não quer (por exemplo, dirigindo ou no trabalho), isso é um sinal de alerta.


5. Beber mesmo quando isso causa problemas no trabalho, na escola ou em casa

O que isso significa na prática?
É como continuar usando um sapato que machuca o pé, mesmo sabendo que ele vai causar bolhas. A pessoa sabe que o álcool está causando problemas — brigas com a família, faltas no trabalho, notas baixas na escola —, mas continua bebendo mesmo assim. É como se ela não conseguisse parar, mesmo quando as consequências são graves.

Exemplos concretos:
Marcos já foi advertido duas vezes no trabalho por chegar atrasado ou bêbado. Mesmo assim, ele continua bebendo todas as noites, porque “precisa relaxar”.
Juliana perdeu a guarda dos filhos temporariamente porque chegou bêbada em uma reunião na escola. Ela prometeu que ia parar de beber, mas na semana seguinte já estava com o copo na mão de novo.
Ricardo foi reprovado na faculdade porque faltou a várias provas por causa da ressaca. Ele sabe que precisa mudar, mas não consegue parar de beber nos fins de semana.

Normal vs. Sintomático:
É comum as pessoas terem arrependimentos depois de beber demais, como uma briga com o parceiro ou uma ressaca no dia seguinte. O problema é quando a pessoa continua bebendo mesmo sabendo que isso está arruinando sua vida. Se ela já sofreu consequências graves (como perder o emprego ou ser expulsa de casa) e ainda assim não consegue parar, isso é um sinal claro de que o álcool está no controle.


6. Continuar bebendo mesmo quando isso causa problemas de saúde

O que isso significa na prática?
É como continuar fumando mesmo depois de descobrir que tem câncer de pulmão. A pessoa sabe que o álcool está prejudicando sua saúde — causando gastrite, problemas no fígado, depressão —, mas não consegue parar. É como se ela estivesse em um trem desgovernado, sabendo que vai bater, mas sem conseguir puxar o freio.

Exemplos concretos:
Cláudia descobriu que tem cirrose hepática e o médico disse que ela precisa parar de beber imediatamente. Mesmo assim, ela continua bebendo todos os dias, porque “não consegue viver sem álcool”.
André teve uma pancreatite por causa do álcool e passou uma semana no hospital. Quando recebeu alta, foi direto para o bar comemorar.
Beatriz tem depressão e o psiquiatra disse que o álcool está piorando os sintomas. Mesmo assim, ela bebe todas as noites para “esquecer os problemas”.

Normal vs. Sintomático:
É normal as pessoas terem medo de doenças e tentarem mudar hábitos para se cuidar. O que diferencia o transtorno por uso de álcool é a incapacidade de parar, mesmo quando a saúde está em risco. Se a pessoa continua bebendo mesmo depois de um diagnóstico grave (como cirrose ou depressão), isso é um sinal de que o álcool está mais forte do que a vontade de viver.


7. Deixar de fazer coisas importantes por causa da bebida

O que isso significa na prática?
O álcool começa a substituir outras atividades que a pessoa gostava ou precisava fazer. É como se ele virasse um ímã, puxando a pessoa para longe de tudo o que é importante na vida dela. Ela para de ir ao trabalho, abandona hobbies, deixa de ver os amigos e até negligencia a família.

Exemplos concretos:
Daniel adorava jogar futebol com os amigos, mas agora prefere ficar em casa bebendo. Ele inventa desculpas para não ir aos treinos e, quando vai, não consegue jogar direito porque está de ressaca.
Renata era uma mãe dedicada, mas agora passa os fins de semana dormindo no sofá porque bebeu demais na noite anterior. Ela não consegue levar os filhos ao parque ou ajudá-los com a lição de casa.
Eduardo tinha um negócio próprio, mas perdeu vários clientes porque chegava atrasado ou bêbado nas reuniões. Agora, ele passa os dias bebendo em casa, sem energia para trabalhar.

Normal vs. Sintomático:
É normal as pessoas mudarem de interesses ao longo da vida. O problema é quando o álcool substitui tudo o que a pessoa gostava ou precisava fazer. Se ela deixa de lado o trabalho, a família ou os hobbies por causa da bebida, isso é um sinal de que o álcool está tomando conta da vida dela.


8. Beber em situações perigosas

O que isso significa na prática?
É como dirigir um carro sabendo que os freios não funcionam. A pessoa bebe mesmo quando sabe que isso pode colocar ela ou outras pessoas em risco. É um sinal de que o álcool está tão enraizado na vida dela que ela não consegue mais avaliar os perigos.

Exemplos concretos:
Gustavo sabe que não pode dirigir depois de beber, mas toda sexta-feira ele sai do bar de carro, porque “só tomou duas cervejas”. Ele já levou duas multas por embriaguez ao volante, mas continua fazendo a mesma coisa.
Aline trabalha operando máquinas pesadas em uma fábrica. Mesmo sabendo que o álcool pode causar acidentes, ela bebe no almoço e volta para o trabalho bêbada.
Rodrigo gosta de nadar na praia depois de beber. Ele já quase se afogou duas vezes, mas continua fazendo isso porque “se sente mais corajoso” depois de algumas doses.

Normal vs. Sintomático:
É comum as pessoas subestimarem os riscos depois de beber, como dirigir depois de uma cerveja. O que diferencia o transtorno por uso de álcool é a repetição desses comportamentos perigosos, mesmo depois de sofrer consequências (como acidentes ou multas). Se a pessoa continua bebendo em situações de risco, mesmo sabendo que isso pode machucar ela ou outras pessoas, isso é um sinal grave.


9. Desenvolver tolerância ao álcool

O que isso significa na prática?
A tolerância é como quando você toma um remédio para dor e, com o tempo, precisa de uma dose maior para sentir o mesmo efeito. Com o álcool, acontece a mesma coisa: a pessoa precisa beber cada vez mais para sentir os mesmos efeitos de antes. É como se o corpo se acostumasse com a bebida e pedisse mais.

Exemplos concretos:
Vanessa começou bebendo uma taça de vinho por dia para relaxar. Agora, ela precisa de três taças para sentir o mesmo efeito.
Felipe conseguia ficar “alto” com duas cervejas. Hoje, ele precisa de seis para sentir alguma coisa.
Sandra costumava ficar bêbada com quatro doses de vodca. Agora, ela bebe oito e ainda consegue andar em linha reta.

Normal vs. Sintomático:
É normal o corpo se acostumar com o álcool depois de um tempo, especialmente se a pessoa bebe com frequência. O problema é quando a pessoa precisa beber cada vez mais para sentir os mesmos efeitos, porque isso pode levar a um consumo ainda maior e a riscos de overdose.


10. Ter sintomas de abstinência quando para de beber

O que isso significa na prática?
A abstinência é como quando você fica sem café por um dia e sente dor de cabeça, irritação e cansaço. Com o álcool, os sintomas são mais intensos e podem ser perigosos. Quando a pessoa para de beber, o corpo reage como se estivesse “em pânico”, porque ficou dependente da substância.

Exemplos concretos:
Tiago tentou parar de beber de uma vez e, no segundo dia, começou a tremer, suar frio e sentir náuseas. Ele ficou tão mal que precisou beber de novo para aliviar os sintomas.
Larissa ficou sem beber por 12 horas e começou a ter alucinações, vendo coisas que não existiam. Ela ficou com tanto medo que foi para o hospital.
Marcelo parou de beber por um dia e sentiu uma ansiedade tão grande que não conseguia ficar parado. Ele andava de um lado para o outro, suando e com o coração acelerado.

Sintomas comuns de abstinência:
– Tremores nas mãos
– Suor excessivo
– Ansiedade ou irritabilidade
– Náuseas ou vômitos
– Dor de cabeça
– Insônia
– Alucinações (em casos graves)
– Convulsões (em casos muito graves)

Normal vs. Sintomático:
É normal sentir um pouco de desconforto quando se para de beber, especialmente se a pessoa bebe com frequência. O que diferencia a abstinência do transtorno por uso de álcool é a intensidade dos sintomas. Se a pessoa sente tremores, alucinações ou convulsões quando para de beber, isso é um sinal de que o corpo está dependente do álcool e precisa de ajuda médica para parar com segurança.


Um aviso importante

Ter um ou dois desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tem transtorno por uso de álcool. O que importa é o conjunto, a intensidade e o impacto na vida da pessoa. Por exemplo:
– Beber mais do que pretendia uma vez por mês não é a mesma coisa que fazer isso toda semana.
– Tentar parar e não conseguir uma vez não é o mesmo que tentar várias vezes e fracassar.
– Sentir vontade de beber em uma festa não é o mesmo que sentir uma fissura incontrolável todos os dias.

Se você ou alguém que você conhece se identifica com vários desses sinais, não é motivo para vergonha ou culpa. É um sinal de que o álcool está causando problemas e que é hora de buscar ajuda. Quanto antes a pessoa procurar tratamento, maiores são as chances de recuperar o controle da vida.


Como se manifesta no dia a dia?

O transtorno por uso de álcool não afeta só a pessoa que bebe — ele bagunça a vida inteira, como uma pedra jogada em um lago, criando ondas que se espalham por todos os lados. Vamos ver como isso acontece em diferentes áreas da vida.

No trabalho ou na escola

O álcool pode transformar o trabalho ou a escola em um campo minado. A pessoa começa a ter dificuldades que antes não existiam, e o pior é que muitas vezes ela nem percebe que a bebida é a causa dos problemas.

Exemplos concretos:
Faltas e atrasos: A pessoa começa a faltar ao trabalho ou à escola por causa da ressaca. Ela acorda com dor de cabeça, enjoo e não consegue sair da cama. No começo, são só um ou dois dias por mês, mas com o tempo, vira rotina. Ela inventa desculpas (“estou gripado”, “o carro quebrou”), mas no fundo sabe que é por causa da bebida.
Queda no desempenho: A pessoa não consegue mais se concentrar nas tarefas. Ela esquece prazos, comete erros bobos e não rende como antes. Os colegas ou professores começam a perceber e a dar feedbacks negativos, o que deixa a pessoa ainda mais ansiosa — e ela bebe mais para aliviar o estresse.
Problemas com colegas ou chefes: A pessoa fica mais irritada, impaciente ou agressiva depois de beber. Ela briga com os colegas por qualquer motivo, responde mal ao chefe ou discute com os professores. Com o tempo, as pessoas começam a evitá-la, e ela se sente isolada.
Perda de oportunidades: A pessoa deixa de ser promovida, perde uma bolsa de estudos ou é demitida porque não consegue mais cumprir suas obrigações. Ela pode até conseguir outro emprego ou vaga, mas o padrão se repete, porque o álcool continua no controle.

História real:
João trabalhava em uma empresa de tecnologia e era considerado um dos melhores funcionários. Ele começou a beber mais depois de um divórcio difícil e, aos poucos, passou a faltar às segundas-feiras por causa da ressaca. No começo, o chefe entendia, mas depois de três advertências, João foi demitido. Ele conseguiu outro emprego, mas o padrão se repetiu: bebia nos fins de semana, faltava às segundas e foi demitido de novo. Hoje, ele está desempregado e se sente um fracasso, mas não consegue parar de beber.


Nos relacionamentos

Os relacionamentos são como plantas: precisam de cuidado e atenção para crescer. O álcool é como um veneno que vai matando essas plantas aos poucos, sem que a pessoa perceba.

Exemplos concretos:
Brigas constantes: A pessoa fica mais irritada, impaciente ou agressiva depois de beber. Ela briga com o parceiro por motivos bobos, discute com os filhos sem necessidade ou explode com os amigos. Com o tempo, as pessoas começam a evitar conviver com ela, porque não aguentam mais as brigas.
Desconfiança e ciúmes: O álcool pode aumentar a insegurança e os ciúmes. A pessoa começa a acusar o parceiro de traição sem motivo, invade o celular dele ou proíbe que ele saia com os amigos. Isso cria um clima de desconfiança e sufocamento no relacionamento.
Isolamento: A pessoa para de ver os amigos e a família porque prefere ficar em casa bebendo. Ela inventa desculpas para não ir a festas ou encontros (“estou cansado”, “não estou com vontade”) e, com o tempo, as pessoas param de convidá-la. Ela se sente sozinha, mas não consegue sair desse ciclo.
Negligência: A pessoa deixa de cumprir suas responsabilidades em casa. Ela não ajuda nas tarefas domésticas, esquece de buscar os filhos na escola ou não paga as contas. O parceiro ou a família acabam tendo que assumir tudo, o que gera ressentimento e brigas.
Violência: Em casos mais graves, o álcool pode levar a agressões físicas ou verbais. A pessoa pode bater no parceiro, nos filhos ou nos pais depois de beber. Isso deixa marcas profundas nas vítimas e pode levar a processos judiciais ou à perda da guarda dos filhos.

História real:
Maria e Pedro eram casados há 10 anos e tinham dois filhos. No começo, Pedro bebia só nos fins de semana, mas com o tempo, passou a beber todos os dias. Ele ficava agressivo depois de beber e já bateu em Maria duas vezes. Ela tentou ajudá-lo, mas ele não admitia que tinha um problema. Depois da segunda agressão, Maria pediu o divórcio e conseguiu a guarda dos filhos. Hoje, Pedro mora sozinho e bebe ainda mais, mas não consegue se aproximar dos filhos porque eles têm medo dele.


Na rotina

O álcool bagunça a rotina da pessoa como um furacão. Coisas que antes eram simples, como dormir, comer ou se divertir, viram um desafio.

Exemplos concretos:
Sono: A pessoa pode ter dificuldade para dormir sem beber. Ela precisa de álcool para “desligar” à noite e, quando acorda, está cansada e mal-humorada. Com o tempo, o sono fica cada vez mais irregular, e ela passa o dia sonolenta e sem energia.
Alimentação: A pessoa perde o apetite ou come mal porque prefere beber. Ela pula refeições ou come só besteiras (salgadinhos, fast food) porque não tem disposição para cozinhar. Isso pode levar a problemas de saúde, como gastrite, desnutrição ou ganho de peso.
Autocuidado: A pessoa para de se cuidar. Ela não toma banho, não escova os dentes, não corta o cabelo e não se veste bem. Isso pode ser um sinal de depressão ou de que o álcool está tomando tanto tempo que ela não consegue mais cuidar de si mesma.
Lazer: A pessoa abandona os hobbies que gostava. Ela para de ler, de praticar esportes, de tocar um instrumento ou de sair com os amigos. O álcool vira a única fonte de prazer, e ela não consegue mais se divertir sem ele.

História real:
Carlos adorava correr e participava de maratonas. Depois que começou a beber mais, ele parou de treinar e ganhou peso. Hoje, ele não consegue correr nem 1 km sem ficar ofegante. Ele se sente frustrado, mas não consegue voltar à rotina de exercícios porque a bebida tira sua energia e motivação.


Na saúde física

O álcool é como um veneno lento: ele vai destruindo o corpo aos poucos, sem que a pessoa perceba. Os danos podem ser irreversíveis, mas quanto antes a pessoa parar de beber, maiores são as chances de se recuperar.

Problemas comuns causados pelo álcool:
Fígado: O álcool sobrecarrega o fígado, que é o órgão responsável por filtrar toxinas do corpo. Com o tempo, o fígado pode inflamar (hepatite alcoólica), ficar com cicatrizes (cirrose) ou parar de funcionar. A cirrose é uma doença grave e irreversível, que pode levar à morte.
Estômago e intestino: O álcool irrita o estômago e pode causar gastrite, úlceras ou refluxo. A pessoa sente dor, queimação, náuseas e pode até vomitar sangue. O álcool também prejudica a absorção de nutrientes, o que pode levar à desnutrição.
Coração: O álcool enfraquece o coração e pode causar arritmias, pressão alta ou insuficiência cardíaca. A pessoa pode sentir palpitações, falta de ar ou dor no peito.
Cérebro: O álcool afeta a memória, a concentração e o raciocínio. A pessoa pode ter “apagões” (não lembrar do que fez enquanto bebia), dificuldade para aprender coisas novas ou problemas para tomar decisões. Em casos graves, o álcool pode causar demência.
Sistema nervoso: O álcool pode causar formigamento nas mãos e nos pés, dificuldade para andar ou até paralisia. Isso acontece porque o álcool danifica os nervos periféricos.
Câncer: O álcool aumenta o risco de vários tipos de câncer, como de boca, esôfago, fígado, mama e intestino. Quanto mais a pessoa bebe, maior é o risco.
Sistema imunológico: O álcool enfraquece as defesas do corpo, deixando a pessoa mais vulnerável a infecções, como pneumonia ou tuberculose.

História real:
Ana descobriu que tinha cirrose hepática aos 40 anos. Ela bebia desde os 18 e, nos últimos anos, passou a beber todos os dias. No começo, ela não sentia nada, mas depois começou a ter dor na barriga, inchaço nas pernas e cansaço extremo. O médico disse que ela precisava parar de beber imediatamente, mas Ana não conseguiu. Hoje, ela está na fila de espera para um transplante de fígado, mas não sabe se vai conseguir.


O que causa essa condição?

O transtorno por uso de álcool não tem uma única causa. É como uma receita de bolo: vários ingredientes se misturam para criar o problema. Alguns desses ingredientes são genéticos, outros são biológicos, e outros ainda têm a ver com a vida da pessoa. Vamos entender cada um deles.

Fatores genéticos

Se o transtorno por uso de álcool fosse uma herança de família, seria como receber um castelo antigo: bonito por fora, mas cheio de problemas escondidos. Estudos mostram que filhos de pessoas com dependência de álcool têm 3 a 4 vezes mais chances de desenvolver o mesmo problema. Isso não significa que eles vão ter o transtorno, mas que têm uma predisposição maior.

Como isso funciona?
Imagine que o cérebro é como um carro. Algumas pessoas nascem com um “freio” mais fraco para o álcool — é como se o carro delas tivesse um problema no sistema de frenagem. Quando bebem, elas sentem os efeitos do álcool de um jeito mais intenso e têm mais dificuldade para parar. Outras pessoas nascem com um “freio” mais forte e conseguem beber sem perder o controle.

Exemplo concreto:
Pedro e João são irmãos. O pai deles era alcoólatra e morreu de cirrose. Pedro começou a beber na adolescência e, aos 25 anos, já tinha problemas no trabalho e na família por causa do álcool. João também bebia, mas conseguia parar quando queria. Ele nunca teve problemas com a bebida, mesmo bebendo a mesma quantidade que o irmão. A diferença? Pedro herdou a predisposição genética para o transtorno, enquanto João não.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Se meu pai era alcoólatra, eu também vou ser.”
Verdade: A genética aumenta o risco, mas não determina o futuro. Muitas pessoas com histórico familiar de alcoolismo nunca desenvolvem o transtorno, especialmente se aprenderem a lidar com o álcool desde cedo.


Fatores neurobiológicos

O cérebro é como uma orquestra: vários instrumentos (neurotransmissores) tocam juntos para criar harmonia. O álcool é como um músico bêbado que entra na orquestra e começa a tocar fora do ritmo, bagunçando tudo.

Como o álcool afeta o cérebro?
Quando a pessoa bebe, o álcool aumenta a liberação de dopamina, um neurotransmissor que dá sensação de prazer. É como se o cérebro recebesse uma injeção de felicidade artificial. Com o tempo, o cérebro se acostuma com essa sensação e passa a “pedir” mais álcool para sentir o mesmo prazer. É como se o cérebro ficasse viciado naquela sensação e não conseguisse mais ser feliz sem o álcool.

Além disso, o álcool afeta outros neurotransmissores, como o GABA (que acalma o cérebro) e o glutamato (que excita o cérebro). Com o tempo, o cérebro se acostuma com o álcool e passa a depender dele para funcionar. Quando a pessoa para de beber, o cérebro entra em pânico, porque está acostumado com aquele “remédio” artificial. É por isso que surgem os sintomas de abstinência, como tremores, ansiedade e alucinações.

Exemplo concreto:
Mariana começou a beber para aliviar a ansiedade. No começo, uma taça de vinho era suficiente para ela se sentir relaxada. Com o tempo, ela precisava de três taças para sentir o mesmo efeito. Quando tentava parar de beber, sentia uma ansiedade tão grande que não conseguia dormir. O cérebro dela havia se acostumado com o álcool e não sabia mais como se acalmar sem ele.

Mito vs. Verdade:
Mito: “O álcool é só um vício psicológico. Se a pessoa quiser, ela para.”
Verdade: O transtorno por uso de álcool é uma doença do cérebro. O álcool muda a química cerebral, e parar de beber pode ser tão difícil quanto parar de respirar para alguém que está se afogando.


Fatores ambientais

A vida da pessoa é como um jardim: se ela planta sementes boas (hábitos saudáveis, relacionamentos positivos), o jardim floresce. Mas se ela planta sementes ruins (estresse, traumas, más influências), o jardim pode se encher de ervas daninhas.

Como o ambiente influencia?
Estresse: Situações de estresse, como problemas no trabalho, desemprego ou brigas familiares, podem levar a pessoa a beber para aliviar a tensão. O problema é que o alívio é temporário, e o estresse volta ainda mais forte.
Traumas: Pessoas que sofreram abuso, violência ou negligência na infância têm mais chances de desenvolver transtorno por uso de álcool. O álcool pode ser uma forma de “anestesiar” a dor emocional.
Influência social: Se a pessoa convive com amigos ou familiares que bebem muito, ela pode acabar bebendo mais do que gostaria. É como estar em um barco: se todo mundo está remando para um lado, é difícil remar para o outro.
Disponibilidade: Quanto mais fácil é conseguir álcool (bares perto de casa, preços baixos, propaganda), maior é o risco de a pessoa beber em excesso. No Brasil, o álcool é barato e fácil de encontrar, o que aumenta o risco de problemas.

Exemplo concreto:
Lucas cresceu em uma família onde o pai bebia todos os dias. Ele via o pai chegar bêbado em casa, brigar com a mãe e bater nos filhos. Quando Lucas cresceu, começou a beber para “esquecer” o que havia vivido. Hoje, ele bebe todos os dias e não consegue parar, mesmo sabendo que está repetindo o padrão do pai.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Quem bebe muito é porque não tem força de vontade.”
Verdade: O ambiente em que a pessoa vive pode facilitar ou dificultar o controle sobre o álcool. Alguém que cresceu em uma família onde todos bebiam muito pode ter mais dificuldade para parar do que alguém que nunca teve contato com álcool.


Fatores da gestação e desenvolvimento

O cérebro da criança começa a se formar ainda na barriga da mãe. Se a mãe bebe durante a gravidez, é como construir uma casa com tijolos frágeis: a estrutura pode ficar comprometida.

Como o álcool afeta o desenvolvimento?
Síndrome alcoólica fetal: Bebês cujas mães beberam durante a gravidez podem nascer com problemas físicos (como rosto deformado) e mentais (como dificuldade de aprendizagem). Mesmo que a criança não tenha a síndrome completa, ela pode ter problemas de atenção, memória ou comportamento.
Adolescência: O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento, especialmente a parte responsável pelo controle de impulsos. Beber na adolescência pode prejudicar esse desenvolvimento e aumentar o risco de transtorno por uso de álcool na vida adulta.

Exemplo concreto:
Gabriela começou a beber aos 14 anos, porque todos os amigos dela bebiam. Hoje, aos 25, ela tem dificuldade para controlar o consumo de álcool e já perdeu dois empregos por causa da bebida. O cérebro dela não teve tempo de se desenvolver direito, e o álcool bagunçou ainda mais as coisas.

Mito vs. Verdade:
Mito: “Beber um pouco durante a gravidez não faz mal.”
Verdade: Não existe quantidade segura de álcool durante a gravidez. Mesmo uma taça de vinho pode prejudicar o desenvolvimento do bebê.


Modelo biopsicossocial

O transtorno por uso de álcool é como um quebra-cabeça: várias peças se encaixam para formar o quadro completo. Não é só genética, não é só ambiente, não é só o cérebro — é tudo junto.

Como os fatores se combinam?
Biológico: A pessoa pode ter uma predisposição genética para o transtorno e um cérebro que se vicia mais facilmente no álcool.
Psicológico: Ela pode ter traumas, ansiedade ou depressão, que a levam a beber para aliviar o sofrimento.
Social: Ela pode conviver com pessoas que bebem muito, ter fácil acesso ao álcool ou viver em uma cultura que normaliza o consumo excessivo.

Exemplo concreto:
Rafael tem um pai alcoólatra (fator genético), sofreu bullying na escola (fator psicológico) e trabalha em um bar, onde bebe todos os dias (fator social). Todos esses fatores se combinaram para criar o transtorno por uso de álcool.

Mito vs. Verdade:
Mito: “O alcoolismo é uma escolha. A pessoa só precisa querer parar.”
Verdade: O transtorno por uso de álcool é uma doença complexa, causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Parar de beber não é uma questão de força de vontade, mas de tratamento adequado.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno por uso de álcool pode ser assustador, mas também é o primeiro passo para recuperar o controle da vida. Vamos entender como funciona esse processo.

O processo de avaliação

O diagnóstico não é feito com um exame de sangue ou uma ressonância magnética. É como montar um quebra-cabeça: o médico vai juntando informações sobre a vida da pessoa, seus hábitos e seus sintomas para entender o quadro completo.

Passo a passo da avaliação:
1. Conversa inicial: O médico ou psicólogo faz perguntas sobre os hábitos de bebida da pessoa, como:
– Com que frequência você bebe?
– Quanto você bebe em um dia normal?
– Você já tentou parar ou reduzir e não conseguiu?
– O álcool já causou problemas na sua vida (trabalho, família, saúde)?
– Você sente vontade incontrolável de beber?
– Você já teve sintomas de abstinência (tremores, ansiedade, alucinações) quando parou de beber?

  1. Histórico médico: O médico pergunta sobre problemas de saúde relacionados ao álcool, como gastrite, cirrose, depressão ou ansiedade. Ele também pode pedir exames de sangue para verificar o funcionamento do fígado e outros órgãos.

  2. Histórico familiar: O médico pergunta se há casos de alcoolismo na família, porque isso pode indicar uma predisposição genética.

  3. Avaliação psicológica: O psicólogo ou psiquiatra faz perguntas sobre o estado emocional da pessoa, como:

  4. Você se sente triste, ansioso ou irritado com frequência?
  5. Você já pensou em se machucar ou em suicídio?
  6. Você tem dificuldade para dormir ou se concentrar?

  7. Critérios diagnósticos: O médico compara as respostas da pessoa com os critérios do DSM-5 ou da CID-11 (aqueles que explicamos na seção de sintomas). Se a pessoa se encaixar em pelo menos dois desses critérios nos últimos 12 meses, ela pode receber o diagnóstico.

Quanto tempo leva?
O diagnóstico pode ser feito em uma ou duas consultas, mas às vezes leva mais tempo, especialmente se a pessoa não for sincera sobre seus hábitos de bebida. O importante é que ela seja honesta com o médico, porque isso vai ajudar no tratamento.


Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico de transtorno por uso de álcool pode ser feito por:
Psiquiatras: Médicos especializados em saúde mental. Eles podem prescrever remédios e acompanhar o tratamento.
Psicólogos: Profissionais que fazem terapia e ajudam a pessoa a entender e lidar com o problema.
Clínicos gerais: Médicos que podem identificar o problema e encaminhar a pessoa para um especialista.

SUS vs. particular:
SUS: No Sistema Único de Saúde, a pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O CAPS é especializado em transtornos mentais e dependência química e oferece tratamento gratuito, incluindo terapia e medicamentos.
Particular: Em clínicas ou consultórios particulares, a pessoa pode ter acesso a um atendimento mais rápido, mas o custo é mais alto. Alguns planos de saúde cobrem consultas com psiquiatras e psicólogos.


O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se a pessoa não sabe o que esperar. Vamos desmistificar esse momento.

Como é a consulta?
Ambiente: A consulta geralmente acontece em um consultório ou sala de atendimento. O médico ou psicólogo vai tentar deixar a pessoa à vontade, porque sabe que falar sobre álcool pode ser difícil.
Perguntas: O profissional vai fazer perguntas sobre os hábitos de bebida, a saúde física e mental, e a vida da pessoa. É importante responder com sinceridade, mesmo que algumas perguntas sejam desconfortáveis.
Exames: O médico pode pedir exames de sangue para verificar o funcionamento do fígado, dos rins e de outros órgãos. Ele também pode perguntar sobre outros hábitos, como tabagismo ou uso de drogas.
Diagnóstico: Se o médico identificar que a pessoa tem transtorno por uso de álcool, ele vai explicar o que isso significa e quais são as opções de tratamento.

Dicas para a primeira consulta:
Seja honesto: Não minimize seus hábitos de bebida. O médico não está ali para julgar, mas para ajudar.
Leve um acompanhante: Se você se sentir mais seguro, leve um familiar ou amigo para a consulta.
Faça perguntas: Se tiver dúvidas sobre o diagnóstico ou o tratamento, pergunte. Não saia da consulta com dúvidas.
Não tenha vergonha: O médico já viu muitos casos como o seu e está ali para ajudar, não para julgar.


Diagnóstico diferencial

Às vezes, os sintomas do transtorno por uso de álcool podem ser confundidos com os de outras condições. O médico precisa descartar essas possibilidades antes de dar o diagnóstico.

Condições que podem ser confundidas:
Depressão: A pessoa pode beber para aliviar a tristeza, mas o álcool piora a depressão. O médico precisa avaliar se a depressão é a causa ou a consequência do alcoolismo.
Transtorno de ansiedade: A pessoa pode beber para aliviar a ansiedade, mas o álcool piora os sintomas a longo prazo.
Transtorno bipolar: Pessoas com transtorno bipolar podem beber em excesso durante as fases de euforia (mania).
Transtorno de personalidade borderline: Pessoas com esse transtorno podem ter comportamentos impulsivos, como beber em excesso.
Esquizofrenia: Pessoas com esquizofrenia podem beber para aliviar os sintomas psicóticos, como alucinações ou delírios.

Como o médico diferencia?
O médico vai avaliar:
Histórico: Quando os sintomas começaram? Eles pioraram depois que a pessoa começou a beber?
Padrão de consumo: A pessoa bebe todos os dias? Ela bebe mais em situações específicas (como quando está ansiosa ou triste)?
Sintomas de abstinência: A pessoa tem sintomas físicos (tremores, suor) quando para de beber?
Impacto na vida: O álcool está causando problemas no trabalho, na família ou na saúde?

Se o médico identificar que os sintomas são causados pelo álcool, ele vai dar o diagnóstico de transtorno por uso de álcool. Se identificar outra condição, ele vai encaminhar a pessoa para o tratamento adequado.


Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno por uso de álcool pode ser um baque, mas também é o primeiro passo para uma vida melhor. O tratamento não é fácil, mas é possível — e quanto antes começar, maiores são as chances de sucesso. Vamos entender como funciona.

Medicamentos

Os remédios para o transtorno por uso de álcool não são como um “antídoto” que faz a pessoa parar de beber de uma vez. Eles são mais como uma bengala: ajudam a pessoa a caminhar, mas não fazem o trabalho por ela. Os medicamentos podem reduzir a vontade de beber, aliviar os sintomas de abstinência e tratar problemas de saúde relacionados ao álcool.

Principais medicamentos usados:
1. Naltrexona:
Como funciona: A naltrexona bloqueia os receptores de opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer que o álcool causa. É como se o cérebro não sentisse mais a “recompensa” de beber, o que diminui a vontade de continuar.
Para quem é indicado: Pessoas que querem reduzir o consumo de álcool ou parar de beber.
Efeitos colaterais: Náuseas, dor de cabeça, tontura e cansaço. Esses efeitos geralmente passam depois de alguns dias.
Dica: A naltrexona não vicia e não causa dependência. Ela pode ser usada por longos períodos, se necessário.

  1. Acamprosato:
  2. Como funciona: O acamprosato ajuda a restaurar o equilíbrio químico do cérebro, que foi bagunçado pelo álcool. Ele reduz a vontade de beber e os sintomas de abstinência, como ansiedade e insônia.
  3. Para quem é indicado: Pessoas que já pararam de beber e querem evitar recaídas.
  4. Efeitos colaterais: Diarreia, dor de barriga e coceira. Esses efeitos geralmente são leves e passageiros.
  5. Dica: O acamprosato não interage com o álcool, então a pessoa pode tomar mesmo se beber. Mas o ideal é não beber, porque o remédio funciona melhor assim.

  6. Dissulfiram:

  7. Como funciona: O dissulfiram é como um “alarme” contra o álcool. Se a pessoa beber enquanto estiver tomando o remédio, ela vai sentir náuseas, vômitos, dor de cabeça e taquicardia. É uma forma de “treinar” o cérebro para associar o álcool a algo ruim.
  8. Para quem é indicado: Pessoas que querem parar de beber e precisam de um “empurrãozinho” para não recair.
  9. Efeitos colaterais: Gosto metálico na boca, cansaço e dor de cabeça. Se a pessoa beber álcool, os efeitos são muito piores (náuseas, vômitos, etc.).
  10. Dica: O dissulfiram só funciona se a pessoa estiver comprometida em parar de beber. Se ela beber mesmo assim, os efeitos podem ser perigosos.

  11. Benzodiazepínicos (para abstinência):

  12. Como funcionam: Os benzodiazepínicos (como diazepam ou clonazepam) são usados para aliviar os sintomas de abstinência, como tremores, ansiedade e convulsões. Eles acalmam o cérebro, que está “em pânico” por causa da falta de álcool.
  13. Para quem são indicados: Pessoas que estão parando de beber e têm sintomas graves de abstinência.
  14. Efeitos colaterais: Sonolência, tontura e risco de dependência. Por isso, eles são usados por pouco tempo e sempre com acompanhamento médico.
  15. Dica: Os benzodiazepínicos não devem ser usados por conta própria. Eles só devem ser tomados com prescrição médica e em doses controladas.

Quanto tempo para fazer efeito?
Naltrexona e acamprosato: Começam a fazer efeito depois de alguns dias, mas o efeito completo pode levar semanas.
Dissulfiram: Faz efeito em algumas horas, mas só “ativa” se a pessoa beber álcool.
Benzodiazepínicos: Fazem efeito em minutos, mas são usados por pouco tempo.

Mitos sobre os medicamentos:
Mito: “Os remédios para alcoolismo vicia.”
Verdade: A naltrexona e o acamprosato não viciam. O dissulfiram também não, mas os benzodiazepínicos podem causar dependência se usados por muito tempo.

Mito: “Se eu tomar remédio, não preciso fazer terapia.”
Verdade: Os remédios ajudam, mas não resolvem o problema sozinhos. A terapia é fundamental para entender as causas do alcoolismo e aprender a lidar com ele.

Mito: “Se eu parar de tomar o remédio, vou recair.”
Verdade: O remédio é uma ajuda, não uma muleta. O objetivo é que a pessoa aprenda a viver sem álcool, mesmo sem o remédio.


Psicoterapia

A terapia é como uma academia para a mente: ela ajuda a pessoa a fortalecer os “músculos” emocionais e a aprender novas formas de lidar com os problemas, sem precisar do álcool. Existem várias abordagens terapêuticas, e cada uma funciona de um jeito. Vamos entender as principais.

1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Como funciona?
A TCC é como um “manual de instruções” para o cérebro. Ela ajuda a pessoa a identificar pensamentos e comportamentos que levam ao consumo de álcool e a substituí-los por outros mais saudáveis.

O que acontece na sessão?
Identificação de gatilhos: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar situações, emoções ou pensamentos que a levam a beber. Por exemplo: “Eu bebo quando estou ansioso” ou “Eu bebo quando saio com os amigos”.
Técnicas de enfrentamento: A pessoa aprende estratégias para lidar com esses gatilhos sem recorrer ao álcool. Por exemplo: “Quando eu sentir vontade de beber, vou respirar fundo e ligar para um amigo”.
Prevenção de recaídas: A pessoa aprende a reconhecer os sinais de uma possível recaída e a agir antes que ela aconteça.

Exemplo concreto:
Marcos bebia sempre que se sentia estressado no trabalho. Na terapia, ele aprendeu a identificar os sinais de estresse (como dor de cabeça e irritação) e a usar técnicas de relaxamento, como meditação e exercícios de respiração. Hoje, ele consegue lidar com o estresse sem precisar do álcool.

Para quem é indicada?
A TCC é indicada para quase todo mundo, porque é uma abordagem prática e focada em soluções. Ela é especialmente útil para pessoas que têm pensamentos negativos ou comportamentos impulsivos.


2. Entrevista Motivacional

Como funciona?
A entrevista motivacional é como um “empurrãozinho” para a mudança. O terapeuta ajuda a pessoa a encontrar suas próprias razões para parar de beber, em vez de impor regras ou julgamentos.

O que acontece na sessão?
Exploração de ambivalências: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar os prós e contras de beber. Por exemplo: “O que você ganha com o álcool? O que você perde?”.
Reforço da motivação: O terapeuta ajuda a pessoa a encontrar motivos pessoais para parar de beber, como “quero ser um pai presente” ou “quero ter saúde para viajar”.
Planejamento de metas: A pessoa define metas realistas, como “vou reduzir para duas cervejas por dia” ou “vou parar de beber durante a semana”.

Exemplo concreto:
Juliana não sabia se queria parar de beber. Na terapia, ela listou os prós (relaxar, socializar) e os contras (ressaca, brigas com o marido). Ela percebeu que os contras eram maiores e decidiu reduzir o consumo. Hoje, ela bebe só nos fins de semana e se sente mais feliz.

Para quem é indicada?
A entrevista motivacional é indicada para pessoas que ainda não estão convencidas de que precisam mudar. Ela é especialmente útil no começo do tratamento, quando a pessoa ainda está em dúvida.


3. Terapia de Grupo

Como funciona?
A terapia de grupo é como uma roda de conversa com outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema. Ela ajuda a pessoa a se sentir menos sozinha e a aprender com as experiências dos outros.

O que acontece na sessão?
Compartilhamento de experiências: Cada pessoa conta sua história e como está lidando com o alcoolismo.
Apoio mútuo: Os participantes se apoiam e se incentivam a continuar no tratamento.
Feedback: O terapeuta e os outros participantes dão feedbacks sobre o que a pessoa está fazendo certo e o que pode melhorar.

Exemplo concreto:
Pedro se sentia envergonhado por ser alcoólatra e achava que era o único com esse problema. Na terapia de grupo, ele conheceu outras pessoas que também lutavam contra o álcool e percebeu que não estava sozinho. Hoje, ele se sente mais motivado a continuar no tratamento.

Para quem é indicada?
A terapia de grupo é indicada para pessoas que se sentem isoladas ou que precisam de apoio extra. Ela é especialmente útil para quem tem dificuldade em se abrir em terapia individual.


4. Terapia Familiar

Como funciona?
A terapia familiar é como uma “manutenção” nos relacionamentos. Ela ajuda a família a entender o alcoolismo e a aprender a lidar com a pessoa de forma mais saudável.

O que acontece na sessão?
Educação sobre o alcoolismo: O terapeuta explica o que é o transtorno por uso de álcool e como ele afeta a pessoa e a família.
Comunicação saudável: A família aprende a se comunicar de forma mais clara e menos conflituosa.
Estabelecimento de limites: A família aprende a estabelecer limites saudáveis, como não encobrir a pessoa quando ela bebe ou não discutir com ela quando está bêbada.

Exemplo concreto:
Maria bebia todos os dias e brigava com o marido e os filhos. Na terapia familiar, eles aprenderam a não discutir com ela quando estava bêbada e a incentivá-la a buscar ajuda. Hoje, Maria está em tratamento e a família está mais unida.

Para quem é indicada?
A terapia familiar é indicada para pessoas que têm problemas de relacionamento por causa do álcool. Ela é especialmente útil quando a família está sofrendo com a situação.


Mudanças no dia a dia

O tratamento do transtorno por uso de álcool não se resume a remédios e terapia. A pessoa também precisa fazer mudanças no dia a dia para criar um ambiente mais saudável e sustentável. Vamos ver algumas dessas mudanças.

1. Exercício físico

Por que ajuda?
O exercício físico é como um “remédio natural” para o cérebro. Ele libera endorfinas, que são substâncias que dão sensação de prazer e bem-estar. Isso ajuda a reduzir a vontade de beber e a melhorar o humor.

Quais exercícios são melhores?
Caminhada: É simples, não precisa de equipamento e pode ser feita em qualquer lugar. Caminhar 30 minutos por dia já faz diferença.
Corrida: Libera endorfinas e ajuda a reduzir o estresse. É uma ótima opção para quem gosta de desafios.
Yoga: Ajuda a relaxar e a melhorar a concentração. É uma ótima opção para quem tem ansiedade.
Musculação: Fortalece o corpo e a mente. É uma ótima opção para quem gosta de treinos mais intensos.
Dança: É divertida e ajuda a socializar. É uma ótima opção para quem gosta de música.

Dica:
Comece devagar e escolha uma atividade que você goste. O importante é se mexer, não importa como.


2. Sono

Por que ajuda?
O sono é como um “reset” para o cérebro. Quando a pessoa dorme bem, ela acorda mais disposta, com mais energia e menos vontade de beber.

Dicas para melhorar o sono:
Rotina: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
Ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco. Evite usar o celular ou a TV na cama.
Relaxamento: Faça atividades relaxantes antes de dormir, como ler um livro ou tomar um banho quente.
Evite álcool: O álcool pode até ajudar a pessoa a dormir, mas prejudica a qualidade do sono. Evite beber antes de dormir.

Dica:
Se você tiver dificuldade para dormir, converse com o médico. Ele pode indicar técnicas ou remédios para ajudar.


3. Alimentação

Por que ajuda?
Uma alimentação saudável ajuda o corpo a se recuperar dos danos causados pelo álcool e a ter mais energia para enfrentar o dia a dia.

Dicas para uma alimentação saudável:
Coma regularmente: Não pule refeições. Isso ajuda a manter o nível de açúcar no sangue estável e reduz a vontade de beber.
Beba água: O álcool desidrata o corpo. Beba pelo menos 2 litros de água por dia para se manter hidratado.
Coma alimentos ricos em vitaminas: Frutas, verduras, legumes e grãos integrais são ricos em vitaminas e minerais que ajudam o corpo a se recuperar.
Evite alimentos processados: Eles são ricos em açúcar, gordura e sal, o que pode piorar a vontade de beber.
Coma alimentos ricos em triptofano: O triptofano é um aminoácido que ajuda a produzir serotonina, um neurotransmissor que dá sensação de bem-estar. Alimentos ricos em triptofano incluem banana, aveia, ovos e peixes.

Dica:
Se você tiver dificuldade para se alimentar, converse com um nutricionista. Ele pode ajudar a montar um plano alimentar adequado.


4. Rotina

Por que ajuda?
Uma rotina estruturada ajuda a pessoa a se sentir mais segura e no controle da vida. Isso reduz a ansiedade e a vontade de beber.

Dicas para criar uma rotina:
Planeje o dia: Faça uma lista das tarefas do dia e tente cumpri-las. Isso ajuda a se sentir mais produtivo e menos ansioso.
Estabeleça horários: Tente fazer as coisas sempre no mesmo horário, como comer, dormir e se exercitar.
Inclua atividades prazerosas: Reserve um tempo para fazer coisas que você gosta, como ler, ouvir música ou ver um filme.
Evite o tédio: O tédio pode aumentar a vontade de beber. Tente se manter ocupado com atividades que te interessem.

Dica:
Comece devagar e vá ajustando a rotina aos poucos. O importante é criar hábitos saudáveis e sustentáveis.


5. Técnicas de manejo

O que são?
Técnicas de manejo são estratégias para lidar com a vontade de beber e com as emoções difíceis, sem recorrer ao álcool.

Algumas técnicas:
Respiração profunda: Quando sentir vontade de beber, respire fundo pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e solte pela boca. Repita algumas vezes até se sentir mais calmo.
Distração: Faça algo que te distraia, como ligar para um amigo, assistir a um filme ou fazer um exercício.
Autoconversa: Fale consigo mesmo de forma positiva. Por exemplo: “Eu consigo resistir a essa vontade” ou “Isso vai passar”.
Visualização: Imagine-se em um lugar tranquilo, como uma praia ou uma floresta. Tente sentir os cheiros, os sons e as sensações desse lugar.
Relaxamento muscular: Contraia e relaxe os músculos do corpo, um de cada vez. Comece pelos pés e vá subindo até a cabeça.

Dica:
Experimente diferentes técnicas e veja quais funcionam melhor para você. O importante é ter um “kit de emergência” para momentos de crise.


Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno por uso de álcool pode ser um choque, mas também é uma oportunidade para mudar. Vamos ver como a pessoa e a família podem conviver com o diagnóstico de forma mais leve e saudável.

Para a pessoa com o diagnóstico

1. Aceite o diagnóstico (mas não se identifique com ele):
O diagnóstico é uma descrição do que você está vivendo, não uma sentença de quem você é. Você não é “um alcoólatra” — você é uma pessoa que tem um transtorno por uso de álcool e está buscando ajuda para superá-lo.

2. Seja gentil consigo mesmo:
A recuperação não é linear. Você vai ter dias bons e dias ruins, e tudo bem. Não se cobre demais. Lembre-se: você está reaprendendo a viver, e isso leva tempo.

3. Construa uma rede de apoio:
Conte com pessoas que te apoiam e te incentivam. Pode ser a família, os amigos, o terapeuta ou um grupo de apoio, como os Alcoólicos Anônimos (AA). Ter alguém para conversar nos momentos difíceis faz toda a diferença.

4. Evite gatilhos:
Identifique as situações, pessoas ou lugares que te fazem querer beber e tente evitá-los, pelo menos no começo. Por exemplo: se você bebia sempre que saía com um grupo de amigos, pode ser melhor evitar esses encontros por um tempo.

5. Crie novos hábitos:
Substitua o hábito de beber por outros hábitos mais saudáveis. Por exemplo: se você bebia para relaxar, experimente meditação ou exercícios de respiração. Se bebia para socializar, experimente atividades que não envolvam álcool, como esportes ou grupos de estudo.

6. Celebre as pequenas vitórias:
Cada dia sem beber é uma vitória. Celebre essas pequenas conquistas, porque elas são o que vão te levar à recuperação completa.

7. Não tenha vergonha de pedir ajuda:
Se você sentir vontade de beber ou estiver passando por um momento difícil, peça ajuda. Ligue para um amigo, converse com o terapeuta ou vá a uma reunião do AA. Não espere a crise chegar para agir.


Para familiares e amigos

1. Informe-se sobre o transtorno:
Entender o que é o transtorno por uso de álcool ajuda a lidar melhor com a situação. Leia sobre o assunto, converse com profissionais e participe de grupos de apoio para familiares, como o Al-Anon.

2. Não julgue:
O alcoolismo não é uma questão de força de vontade ou caráter. É uma doença, e a pessoa não escolheu tê-la. Evite frases como “Você não tem vergonha?” ou “É só parar de beber”. Isso só aumenta a culpa e a vergonha, que são inimigas da recuperação.

3. Estabeleça limites saudáveis:
É importante apoiar a pessoa, mas também é importante cuidar de si mesmo. Estabeleça limites claros, como não encobrir a pessoa quando ela bebe ou não discutir com ela quando está bêbada. Isso ajuda a pessoa a assumir a responsabilidade por suas ações.

4. Incentive o tratamento:
Incentive a pessoa a buscar ajuda profissional e a seguir o tratamento. Ofereça-se para acompanhá-la às consultas ou às reuniões do AA, se ela quiser. Mas lembre-se: a decisão final é dela.

5. Cuide de si mesmo:
Cuidar de uma pessoa com transtorno por uso de álcool pode ser desgastante. Não se esqueça de cuidar da sua própria saúde física e mental. Faça terapia, pratique exercícios e reserve um tempo para fazer coisas que você gosta.

6. Não espere mudanças imediatas:
A recuperação é um processo lento e cheio de altos e baixos. Não espere que a pessoa mude da noite para o dia. Celebre as pequenas vitórias e seja paciente.

7. Evite situações de risco:
Se a pessoa ainda não está pronta para parar de beber, evite situações que possam desencadear o consumo, como festas com álcool ou encontros com amigos que bebem muito.


Quando os sintomas podem piorar?

O transtorno por uso de álcool é como uma montanha-russa: tem momentos de melhora e momentos de piora. Alguns fatores podem desencadear uma recaída ou piorar os sintomas. Vamos ver quais são eles.

1. Estresse:
Situações de estresse, como problemas no trabalho, desemprego ou brigas familiares, podem aumentar a vontade de beber. É como se o álcool fosse um “refúgio” para aliviar a tensão.

2. Emoções difíceis:
Emoções como tristeza, ansiedade, raiva ou solidão podem desencadear o consumo de álcool. A pessoa pode beber para “anestesiar” essas emoções, mas o efeito é temporário e pode piorar o problema.

3. Ambientes de risco:
Lugares ou situações que a pessoa associava ao álcool, como bares, festas ou encontros com amigos que bebem, podem aumentar a vontade de beber. É como se o cérebro “lembrasse” da sensação de prazer que o álcool causava.

4. Falta de apoio:
A falta de apoio da família, dos amigos ou de um profissional pode deixar a pessoa mais vulnerável a uma recaída. É como tentar escalar uma montanha sozinho: sem ajuda, é mais fácil cair.

5. Problemas de saúde:
Doenças físicas ou mentais, como depressão, ansiedade ou dor crônica, podem aumentar a vontade de beber. A pessoa pode usar o álcool como uma forma de aliviar os sintomas, mas isso só piora o problema.

6. Falta de rotina:
A falta de uma rotina estruturada pode deixar a pessoa mais vulnerável ao álcool. É como um barco à deriva: sem rumo, é mais fácil ser levado pela correnteza.

Dicas para evitar pioras:
Identifique os gatilhos: Tente identificar as situações, emoções ou pessoas que aumentam a vontade de beber e evite-as, se possível.
Tenha um plano de emergência: Tenha um plano para momentos de crise, como ligar para um amigo, ir a uma reunião do AA ou praticar uma técnica de relaxamento.
Mantenha o tratamento: Não abandone o tratamento, mesmo que esteja se sentindo melhor. A recuperação é um processo contínuo.
Peça ajuda: Se sentir que está perdendo o controle, peça ajuda. Não espere a crise chegar para agir.


Perguntas frequentes

1. “Eu bebo todo dia, mas não sinto vontade de parar. Isso é alcoolismo?”

Não necessariamente. O transtorno por uso de álcool não é definido apenas pela quantidade ou frequência do consumo, mas pelo impacto que o álcool tem na vida da pessoa. Se você bebe todos os dias, mas não tem problemas no trabalho, na família ou na saúde, pode ser que ainda não tenha desenvolvido o transtorno. No entanto, beber diariamente aumenta o risco de desenvolver problemas no futuro.

O que você pode fazer:
Avalie os critérios: Leia os critérios diagnósticos que explicamos na seção de sintomas e veja se algum deles se aplica a você.
Observe os sinais: Preste atenção em como o álcool afeta sua vida. Você já teve problemas por causa da bebida? Já tentou parar e não conseguiu?
Converse com um profissional: Se tiver dúvidas, converse com um médico ou psicólogo. Eles podem ajudar a avaliar se você tem um problema com álcool.


2. “Eu consigo parar de beber sozinho, sem ajuda?”

Algumas pessoas conseguem parar de beber sozinhas, especialmente se o problema ainda não está muito avançado. No entanto, a maioria das pessoas precisa de ajuda para superar o transtorno por uso de álcool. Isso não é sinal de fraqueza, mas de que o problema é complexo e precisa de um tratamento adequado.

Por que é difícil parar sozinho?
Sintomas de abstinência: Parar de beber pode causar sintomas físicos e emocionais, como tremores, ansiedade e alucinações. Em casos graves, a abstinência pode ser perigosa e até fatal.
Gatilhos emocionais: Muitas pessoas bebem para lidar com emoções difíceis, como tristeza, ansiedade ou estresse. Parar de beber sem aprender a lidar com essas emoções pode levar a uma recaída.
Hábitos enraizados: O álcool pode estar tão enraizado na rotina da pessoa que ela não sabe mais como viver sem ele. Parar de beber exige uma mudança de hábitos, o que pode ser difícil sem ajuda.

O que você pode fazer:
Tente reduzir o consumo: Se você não está pronto para parar completamente, tente reduzir a quantidade e a frequência do consumo. Isso pode ser um primeiro passo.
Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou um profissional de saúde. Ter alguém para te apoiar faz toda a diferença.
Procure tratamento: Se você tentar parar e não conseguir, ou se tiver sintomas de abstinência, procure ajuda profissional. O tratamento aumenta as chances de sucesso.


3. “O álcoolismo tem cura?”

O transtorno por uso de álcool não tem uma “cura” no sentido tradicional, como uma infecção que pode ser tratada com antibióticos. No entanto, ele pode ser controlado, assim como outras doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão. Isso significa que a pessoa pode aprender a viver sem álcool e a manter a sobriedade a longo prazo.

O que isso significa na prática?
Recuperação contínua: A recuperação é um processo contínuo, que exige esforço e dedicação. A pessoa precisa estar sempre atenta aos gatilhos e às situações de risco.
Possibilidade de recaída: A recaída faz parte do processo de recuperação e não é sinal de fracasso. Se acontecer, a pessoa pode aprender com a experiência e seguir em frente.
Vida plena sem álcool: Muitas pessoas que superam o transtorno por uso de álcool conseguem levar uma vida plena e feliz, sem precisar do álcool.

Exemplo concreto:
João bebia todos os dias e tinha problemas no trabalho e na família. Depois de buscar ajuda, ele parou de beber e hoje está há 10 anos em recuperação. Ele ainda precisa estar atento aos gatilhos, mas conseguiu reconstruir sua vida e se sente mais feliz do que nunca.


4. “Meu marido bebe todos os dias e não admite que tem um problema. O que eu faço?”

Lidar com um familiar que não admite o problema pode ser muito difícil e frustrante. A negação é comum no transtorno por uso de álcool, porque a pessoa não quer enfrentar a realidade do problema. No entanto, há algumas coisas que você pode fazer para ajudar.

O que você pode fazer:
Não force a barra: Não tente convencer a pessoa de que ela tem um problema, porque isso pode gerar resistência. Em vez disso, converse com ela em um momento de calma e expresse suas preocupações de forma amorosa.
Estabeleça limites: Defina limites claros para o que você está disposto a aceitar. Por exemplo: “Eu não vou mais encobrir você quando você faltar ao trabalho por causa da bebida”.
Cuide de si mesmo: Não se esqueça de cuidar da sua própria saúde física e mental. Faça terapia, pratique exercícios e reserve um tempo para fazer coisas que você gosta.
Busque apoio: Participe de grupos de apoio para familiares, como o Al-Anon. Eles podem te ajudar a lidar com a situação e a encontrar formas de apoiar seu marido sem se prejudicar.
Intervenção profissional: Se a situação estiver muito difícil, considere uma intervenção profissional. Um terapeuta ou um grupo de apoio pode ajudar a pessoa a reconhecer o problema e a buscar ajuda.

Exemplo concreto:
Maria estava cansada de ver o marido, Pedro, bebendo todos os dias. Ela tentou conversar com ele várias vezes, mas ele sempre negava o problema. Maria decidiu participar do Al-Anon e aprendeu a estabelecer limites. Ela disse a Pedro que não iria mais encobri-lo no trabalho e que, se ele não buscasse ajuda, ela iria embora de casa. Pedro ficou assustado e decidiu procurar tratamento.


5. “Eu parei de beber, mas ainda sinto vontade. Isso é normal?”

Sim, é completamente normal sentir vontade de beber mesmo depois de parar. A vontade de beber é como uma onda: ela vem com força, mas também passa. Com o tempo, essas ondas vão ficando mais fracas e menos frequentes.

Por que isso acontece?
Hábitos enraizados: O cérebro está acostumado a associar certas situações (como um churrasco ou uma festa) ao álcool. Quando essas situações acontecem, o cérebro “pede” a bebida.
Emoções difíceis: Muitas pessoas bebem para lidar com emoções como tristeza, ansiedade ou estresse. Quando essas emoções aparecem, a vontade de beber pode voltar.
Sintomas de abstinência: Mesmo depois de parar de beber, o cérebro pode levar um tempo para se recuperar. Durante esse período, a pessoa pode sentir vontade de beber para aliviar os sintomas.

O que você pode fazer:
Identifique os gatilhos: Tente identificar as situações, emoções ou pessoas que aumentam a vontade de beber e evite-as, se possível.
Use técnicas de manejo: Pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação, para lidar com a vontade de beber.
Distraia-se: Faça algo que te distraia, como ligar para um amigo, assistir a um filme ou fazer um exercício.
Lembre-se dos motivos: Lembre-se dos motivos pelos quais você parou de beber. Isso pode te dar força para resistir à vontade.
Peça ajuda: Se a vontade de beber estiver muito forte, peça ajuda. Converse com um amigo, vá a uma reunião do AA ou ligue para um profissional de saúde.


6. “O álcoolismo é hereditário?”

Sim, o alcoolismo tem um componente genético. Estudos mostram que filhos de pessoas com dependência de álcool têm 3 a 4 vezes mais chances de desenvolver o mesmo problema. No entanto, isso não significa que eles vão ter o transtorno — significa apenas que têm uma predisposição maior.

Como isso funciona?
Imagine que o cérebro é como um carro. Algumas pessoas nascem com um “freio” mais fraco para o álcool — é como se o carro delas tivesse um problema no sistema de frenagem. Quando bebem, elas sentem os efeitos do álcool de um jeito mais intenso e têm mais dificuldade para parar.

Exemplo concreto:
Pedro e João são irmãos. O pai deles era alcoólatra e morreu de cirrose. Pedro começou a beber na adolescência e, aos 25 anos, já tinha problemas no trabalho e na família por causa do álcool. João também bebia, mas conseguia parar quando queria. Ele nunca teve problemas com a bebida, mesmo bebendo a mesma quantidade que o irmão. A diferença? Pedro herdou a predisposição genética para o transtorno, enquanto João não.

O que você pode fazer:
Conheça seu histórico familiar: Se você tem casos de alcoolismo na família, fique atento aos seus hábitos de bebida.
Beba com moderação: Se você decidir beber, faça isso com moderação e fique atento aos sinais de alerta.
Busque ajuda cedo: Se perceber que está perdendo o controle sobre o álcool, busque ajuda o quanto antes. Quanto mais cedo você agir, maiores são as chances de sucesso.


7. “Eu bebo para relaxar. Isso é um problema?”

Beber para relaxar não é necessariamente um problema, desde que seja feito com moderação e não cause consequências negativas. No entanto, se você perceber que está bebendo cada vez mais para sentir o mesmo efeito, ou se o álcool estiver causando problemas na sua vida, pode ser um sinal de alerta.

Sinais de que pode ser um problema:
Tolerância: Você precisa beber cada vez mais para sentir o mesmo efeito de relaxamento.
Fissura: Você sente uma vontade incontrolável de beber, mesmo quando não quer.
Consequências negativas: O álcool está causando problemas no trabalho, na família ou na saúde.
Dificuldade para parar: Você já tentou parar ou reduzir e não conseguiu.

O que você pode fazer:
Experimente outras formas de relaxar: Tente técnicas de relaxamento, como meditação, exercícios de respiração ou yoga.
Beba com moderação: Se você decidir beber, faça isso com moderação. Estabeleça limites para si mesmo, como “só vou beber nos fins de semana” ou “só vou tomar duas doses”.
Observe os sinais: Preste atenção em como o álcool afeta sua vida. Se perceber que está causando problemas, converse com um profissional de saúde.


8. “Eu bebo só nos fins de semana, mas quando bebo, bebo muito. Isso é alcoolismo?”

Beber só nos fins de semana, mas em grandes quantidades, pode ser um sinal de binge drinking (beber em excesso em um curto período). Isso não é necessariamente alcoolismo, mas é um padrão de consumo de risco, que pode levar a problemas de saúde e ao desenvolvimento do transtorno por uso de álcool.

Riscos do binge drinking:
Overdose de álcool: Beber muito em pouco tempo pode levar a uma intoxicação alcoólica, que pode ser fatal.
Acidentes: O binge drinking aumenta o risco de acidentes, como quedas, afogamentos e acidentes de carro.
Problemas de saúde: Beber em excesso pode causar danos ao fígado, ao coração e ao cérebro.
Dependência: O binge drinking pode levar ao desenvolvimento do transtorno por uso de álcool.

O que você pode fazer:
Reduza a quantidade: Tente reduzir a quantidade de álcool que você consome nos fins de semana.
Estabeleça limites: Defina um limite para si mesmo, como “só vou tomar quatro doses” ou “vou alternar álcool com água”.
Evite beber de estômago vazio: Comer antes de beber ajuda a reduzir os efeitos do álcool.
Observe os sinais: Preste atenção em como o álcool afeta sua vida. Se perceber que está causando problemas, converse com um profissional de saúde.


9. “Eu parei de beber, mas agora estou deprimido. Isso é normal?”

Sim, é normal sentir-se deprimido depois de parar de beber, especialmente nos primeiros meses. O álcool é um depressor do sistema nervoso central, e quando a pessoa para de beber, o cérebro precisa se readaptar. Durante esse período, é comum sentir tristeza, ansiedade e falta de energia.

Por que isso acontece?
Efeitos do álcool: O álcool pode mascarar emoções difíceis, como tristeza ou ansiedade. Quando a pessoa para de beber, essas emoções podem vir à tona.
Abstinência: A abstinência de álcool pode causar sintomas físicos e emocionais, como insônia, irritabilidade e depressão.
Mudança de hábitos: Parar de beber exige uma mudança de hábitos, o que pode ser estressante e desafiador.

O que você pode fazer:
Dê tempo ao tempo: A depressão pós-abstinência geralmente melhora com o tempo. Seja paciente consigo mesmo.
Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou um profissional de saúde. Ter alguém para te apoiar faz toda a diferença.
Faça terapia: A terapia pode te ajudar a lidar com as emoções difíceis e a encontrar novas formas de lidar com a vida sem álcool.
Pratique exercícios: O exercício físico libera endorfinas, que ajudam a melhorar o humor.
Cuide da alimentação: Uma alimentação saudável ajuda o corpo a se recuperar dos danos causados pelo álcool.

Quando procurar ajuda:
Se a depressão estiver muito intensa ou durar mais de algumas semanas, procure ajuda profissional. Às vezes, a depressão pode ser um sinal de que a pessoa precisa de tratamento adicional, como medicamentos ou terapia.


10. “Eu já tentei parar várias vezes e não consegui. Isso significa que nunca vou conseguir?”

Não. Muitas pessoas tentam parar de beber várias vezes antes de conseguir. A recaída faz parte do processo de recuperação e não é sinal de fracasso. Cada tentativa é uma oportunidade de aprender e de se aproximar da sobriedade.

Por que as recaídas acontecem?
Gatilhos emocionais: Muitas pessoas bebem para lidar com emoções difíceis, como tristeza, ansiedade ou estresse. Quando essas emoções aparecem, a vontade de beber pode voltar.
Hábitos enraizados: O álcool pode estar tão enraizado na rotina da pessoa que ela não sabe mais como viver sem ele.
Falta de apoio: A falta de apoio da família, dos amigos ou de um profissional pode deixar a pessoa mais vulnerável a uma recaída.

O que você pode fazer:
Aprenda com a recaída: Tente identificar o que levou à recaída e o que você pode fazer diferente da próxima vez.
Não se culpe: A recaída não é sinal de fracasso. É uma oportunidade de aprender e de seguir em frente.
Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou um profissional de saúde. Ter alguém para te apoiar faz toda a diferença.
Tente de novo: Não desista. Cada tentativa é um passo em direção à sobriedade.

Exemplo concreto:
Carlos tentou parar de beber várias vezes, mas sempre recaía. Depois de algumas tentativas, ele percebeu que sempre recaía quando estava estressado no trabalho. Ele decidiu buscar ajuda profissional e aprendeu técnicas de relaxamento para lidar com o estresse. Hoje, ele está há dois anos sem beber.


Quando procurar ajuda urgente

O transtorno por uso de álcool pode levar a situações de emergência, que exigem ajuda médica imediata. Vamos ver quais são os sinais de alerta e o que fazer em cada caso.

Sinais de alerta leves (procure ajuda nas próximas 24 horas)

  • Tremores intensos: Tremores nas mãos ou no corpo que não passam.
  • Ansiedade extrema: Ansiedade tão forte que a pessoa não consegue ficar parada.
  • Insônia: Dificuldade para dormir por mais de uma noite seguida.
  • Náuseas ou vômitos: Vômitos frequentes ou náuseas que não passam.
  • Dor de cabeça intensa: Dor de cabeça que não melhora com remédios comuns.

O que fazer:
Beba água: A desidratação pode piorar os sintomas.
Coma algo leve: Alimentos leves, como frutas ou torradas, podem ajudar a aliviar as náuseas.
Descanse: Tente descansar em um ambiente calmo e tranquilo.
Procure um médico: Se os sintomas não melhorarem em 24 horas, procure um médico ou vá a um pronto-socorro.


Sinais de alerta moderados (procure ajuda imediatamente)

  • Confusão mental: Dificuldade para pensar, falar ou entender o que está acontecendo.
  • Alucinações: Ver ou ouvir coisas que não existem.
  • Convulsões: Movimentos involuntários e descontrolados do corpo.
  • Frequência cardíaca acelerada: Coração batendo muito rápido ou de forma irregular.
  • Pressão alta: Dor de cabeça intensa, tontura ou visão embaçada.

O que fazer:
Não fique sozinho: Peça para alguém ficar com você.
Não beba mais álcool: Beber mais álcool pode piorar os sintomas.
Procure um pronto-socorro: Vá imediatamente a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).


Sinais de alerta graves (procure ajuda URGENTE)

  • Delirium tremens: Confusão mental, alucinações, tremores intensos e agitação. É uma emergência médica que pode ser fatal.
  • Perda de consciência: Desmaio ou incapacidade de acordar.
  • Dificuldade para respirar: Respiração lenta, superficial ou irregular.
  • Temperatura corporal muito alta ou muito baixa: Pele muito quente ou muito fria, suor excessivo ou calafrios.
  • Dor no peito: Dor ou pressão no peito, que pode ser sinal de um ataque cardíaco.

O que fazer:
Ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente a um pronto-socorro.
Não deixe a pessoa sozinha.
Não dê álcool ou remédios sem orientação médica.


Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. Alcohol Use Disorder: A Comparison Between DSM–IV and DSM–5. 2021.
  • Alcoólicos Anônimos. O Livro Azul. 2020.
  • Al-Anon/Alateen. Al-Anon Faces Alcoholism. 2020.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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