Você já sentiu que algo dentro de você precisa ser feito, mesmo sabendo que não deveria? Como se uma força invisível te puxasse para agir de um jeito que, depois, te deixa arrependido, envergonhado ou até com problemas sérios? Se isso acontece com frequência e começa a atrapalhar sua vida, pode ser um sinal de um Transtorno dos Hábitos e dos Impulsos.
Essa condição não é sobre “falta de força de vontade” ou “maldade”. É como se o cérebro tivesse um curto-circuito no freio que nos impede de fazer coisas impulsivas. E, assim como qualquer outro problema de saúde, tem tratamento e maneiras de conviver melhor com ele.
Neste guia, vamos explicar tudo sobre esses transtornos: o que são, como se manifestam, por que acontecem, como são diagnosticados e, principalmente, o que fazer para viver bem mesmo com eles. Vamos falar de forma clara, sem jargões médicos, com exemplos do dia a dia e dicas práticas para quem passa por isso e para quem ama alguém que enfrenta essa luta.
O que é?
Impulso vs. Transtorno: Qual a diferença?
Todo mundo tem impulsos. É normal sentir vontade de comer um doce quando está estressado, xingar alguém no trânsito ou gastar um dinheiro extra em uma promoção. A diferença é que, na maioria das pessoas, o cérebro consegue frear esses impulsos antes que eles causem problemas.
Nos Transtornos dos Hábitos e dos Impulsos, esse freio não funciona direito. É como se o cérebro tivesse um alarme quebrado: ele não avisa que aquela ação pode ser prejudicial, ou avisa tarde demais. A pessoa sente uma tensão crescente, quase como uma coceira que só passa quando ela age. Depois, vem o arrependimento, a culpa ou até consequências graves, como dívidas, brigas ou problemas legais.
Quais são os principais transtornos desse grupo?
A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) inclui vários transtornos específicos dentro dessa categoria. Os mais conhecidos são:
- Piromania (F63.1) – Impulso de atear fogo.
- Cleptomania (F63.2) – Impulso de roubar coisas que não são necessárias.
- Transtorno Explosivo Intermitente (F63.8) – Acessos de raiva desproporcionais.
- Jogo Patológico (F63.0) – Vício em jogos de azar, mesmo com prejuízos financeiros e emocionais.
- Tricotilomania (F63.3) – Impulso de arrancar cabelos ou pelos do corpo.
- Dermatotilexomania (F63.9) – Impulso de cutucar a pele, causando feridas.
- Compras Compulsivas – Gastar dinheiro de forma descontrolada, mesmo sem necessidade.
- Vício em internet/redes sociais – Uso excessivo que prejudica a vida real.
Além desses, existe o Transtorno do Controle dos Impulsos Sem Outra Especificação (F63.9), que é quando a pessoa tem sintomas de impulsividade, mas não se encaixa perfeitamente em nenhum dos outros diagnósticos.
Quem é afetado?
Não há dados exatos sobre quantas pessoas no Brasil têm esses transtornos, mas estudos internacionais estimam que:
– Cleptomania afeta cerca de 0,6% da população (mais comum em mulheres).
– Jogo patológico atinge 1 a 3% das pessoas (mais comum em homens).
– Tricotilomania afeta 1 a 2% (mais comum em adolescentes e mulheres).
– Transtorno Explosivo Intermitente pode chegar a 7% da população em algum momento da vida.
No geral, esses transtornos costumam aparecer na adolescência ou no início da vida adulta, mas podem se manifestar em qualquer idade. Alguns, como o jogo patológico, são mais comuns em homens, enquanto outros, como a cleptomania e a tricotilomania, são mais frequentes em mulheres.
Por que isso acontece?
Antigamente, as pessoas achavam que quem tinha esses transtornos era “fraco”, “sem caráter” ou “mau”. Hoje, a ciência mostra que não é questão de escolha: é um desequilíbrio no funcionamento do cérebro, influenciado por fatores genéticos, químicos e ambientais.
Pense no cérebro como um carro:
– O freio (sistema inibitório) é responsável por dizer “não faça isso”.
– O acelerador (sistema de recompensa) é o que nos faz buscar prazer.
– Nos transtornos de impulso, o freio está fraco e o acelerador está muito forte.
Além disso, experiências de vida (como traumas, estresse crônico ou abuso de substâncias) podem “desregular” ainda mais esse sistema.
Quais são os sintomas?
Cada transtorno tem seus próprios sintomas, mas todos compartilham uma característica central: a incapacidade de resistir a um impulso, mesmo sabendo que ele pode trazer consequências ruins.
Vamos detalhar os sintomas de cada um dos principais transtornos, com exemplos práticos para você entender como eles aparecem no dia a dia.
1. Jogo Patológico (F63.0) – “O vício que não é só falta de controle”
O que é?
É quando a pessoa não consegue parar de jogar, mesmo que isso esteja destruindo sua vida financeira, seus relacionamentos e sua saúde mental. Não é só “gostar de apostar”: é um impulso incontrolável, como uma fome que não passa.
Sintomas principais (critérios do DSM-5/CID-10):
A. Preocupação constante com o jogo
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa passa horas pensando em como vai conseguir dinheiro para jogar.
- Revive mentalmente apostas passadas (“Se eu tivesse apostado naquele cavalo, teria ganhado!”).
- Planeja a próxima ida ao bingo, cassino ou site de apostas como se fosse um compromisso inadiável.
- Exemplo: João, 35 anos, funcionário público, começa a chegar atrasado no trabalho porque fica até tarde jogando pôquer online. Ele diz para si mesmo: “Só mais uma partida”, mas acaba perdendo a noite toda.
B. Necessidade de apostar quantias cada vez maiores
- Como aparece no dia a dia:
- No começo, a pessoa aposta R$ 20. Depois, R$ 100. Em pouco tempo, está apostando o salário inteiro.
- Ela justifica: “Dessa vez eu vou recuperar tudo!”.
- Exemplo: Maria, 42 anos, começou apostando R$ 50 no bingo. Em seis meses, já estava pegando empréstimos para jogar R$ 2.000 por semana.
C. Tentativas fracassadas de parar
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa promete para si mesma e para os outros que vai parar, mas não consegue.
- Ela instala bloqueadores de sites de apostas, mas desinstala no dia seguinte.
- Mente para a família sobre quanto perdeu.
- Exemplo: Carlos, 28 anos, já tentou parar de jogar pelo menos cinco vezes. Toda vez, dura uma semana e volta a apostar, dizendo: “Só mais uma vez, eu juro”.
D. Irritabilidade quando tenta parar
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa fica ansiosa, nervosa ou até agressiva quando não pode jogar.
- É como um viciado em cigarro que fica irritado quando não fuma.
- Exemplo: Ana, 30 anos, fica extremamente mal-humorada quando o marido esconde o cartão de crédito para ela não apostar. Ela grita, chora e diz que “precisa” jogar para relaxar.
E. Usa o jogo para escapar de problemas
- Como aparece no dia a dia:
- Quando está triste, estressada ou ansiosa, a pessoa corre para o jogo como uma fuga.
- Ela diz: “Pelo menos no jogo eu me sinto vivo”.
- Exemplo: Pedro, 50 anos, perdeu o emprego e, em vez de procurar outro, passa dias inteiros em sites de apostas, dizendo que “isso é o único que me faz esquecer os problemas”.
F. Mente para esconder o vício
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa esconde extratos bancários, inventa desculpas para sair de casa (“Vou ao mercado”) quando na verdade vai ao bingo.
- Pede dinheiro emprestado sem explicar para quê.
- Exemplo: Luciana, 38 anos, pede R$ 500 para a irmã dizendo que é para consertar o carro, mas na verdade usa o dinheiro para apostar.
G. Perde relacionamentos, emprego ou oportunidades por causa do jogo
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa deixa de ir a compromissos importantes (aniversários, reuniões de trabalho) para jogar.
- Perde o emprego por faltar ou por desviar dinheiro.
- Os amigos e familiares se afastam porque não aguentam mais as mentiras e os pedidos de dinheiro.
- Exemplo: Ricardo, 45 anos, foi demitido depois que o chefe descobriu que ele estava usando o cartão da empresa para apostar. A esposa pediu divórcio, e os filhos não querem mais falar com ele.
H. Depende dos outros para se sustentar financeiramente
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa pede dinheiro emprestado para pagar dívidas de jogo, mas usa o dinheiro para apostar de novo.
- Vende bens da família (carro, eletrodomésticos) para continuar jogando.
- Exemplo: Fernanda, 25 anos, já vendeu o notebook, a TV e até o celular para apostar. Agora, pede dinheiro para os pais dizendo que é para pagar o aluguel, mas usa para jogar.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Gostar de jogar poker com os amigos uma vez por mês, sem prejuízos.
❌ Sintoma: Não conseguir parar de jogar, mesmo perdendo dinheiro que não tem, mentindo para a família e colocando a vida em risco.
2. Cleptomania (F63.2) – “O impulso de roubar que não tem a ver com necessidade”
O que é?
É o impulso incontrolável de roubar coisas, mesmo quando a pessoa não precisa delas e tem dinheiro para comprar. Não é sobre “querer levar vantagem”: é uma tensão que só passa quando a pessoa rouba, seguida de culpa ou alívio.
Sintomas principais:
A. Incapacidade de resistir ao impulso de roubar
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa sente uma ansiedade crescente antes de roubar, como se algo dentro dela dissesse: “Você PRECISA fazer isso”.
- Ela pode até tentar resistir, mas a vontade é mais forte.
- Exemplo: Carla, 22 anos, está em uma loja e vê um batom. Ela não precisa dele, mas sente uma coceira mental que só passa quando o coloca na bolsa. Depois, ela se sente culpada, mas no dia seguinte faz a mesma coisa.
B. Rouba coisas que não têm valor ou utilidade
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa rouba itens que não vai usar, como canetas, meias, sabonetes ou até comida que vai jogar fora.
- Às vezes, ela nem lembra o que roubou.
- Exemplo: Marcos, 30 anos, rouba garrafas de água de supermercados. Ele tem dinheiro para comprar, mas o ato de roubar é o que o alivia.
C. Sente alívio ou prazer no momento do roubo
- Como aparece no dia a dia:
- Durante o roubo, a pessoa sente uma descarga de adrenalina, como se estivesse fazendo algo proibido e emocionante.
- Depois, vem a culpa, a vergonha ou o medo de ser pega.
- Exemplo: Juliana, 19 anos, rouba roupas de lojas de grife. No momento, ela se sente poderosa, mas depois chora e esconde as peças no fundo do armário.
D. Não rouba por raiva, vingança ou necessidade financeira
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa não está passando fome nem precisa do que rouba.
- Não é um ato planejado para se vingar de alguém.
- Exemplo: Pedro, 40 anos, é gerente de uma empresa e ganha bem. Ele rouba canetas e clipes do escritório, mesmo tendo uma gaveta cheia em casa.
E. Sofre com culpa, vergonha ou medo depois
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa se sente suja, fraca ou doente depois de roubar.
- Ela pode devolver o que roubou ou doar para desconhecidos para aliviar a culpa.
- Exemplo: Ana, 28 anos, rouba um livro de uma livraria. No mesmo dia, ela volta e coloca o livro de volta na prateleira, chorando.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Pegar um chocolate da loja sem pagar por esquecimento (e voltar para pagar depois).
❌ Sintoma: Roubar coisas só pela emoção, mesmo sabendo que não precisa e que pode ser presa.
3. Transtorno Explosivo Intermitente (F63.8) – “A raiva que explode sem controle”
O que é?
São acessos de raiva desproporcionais, como se a pessoa perdesse o controle de repente. Não é só “ficar bravo”: é uma explosão violenta que pode incluir gritos, quebrar objetos, agressões físicas ou verbais.
Sintomas principais:
A. Episódios de agressividade desproporcional
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa explode por motivos pequenos, como uma fila demorada, um copo quebrado ou um comentário inocente.
- Ela pode gritar, xingar, quebrar coisas ou até agredir fisicamente.
- Exemplo: Lucas, 25 anos, quebra o celular no chão porque a internet ficou lenta por 10 segundos. Ele grita, chuta a parede e assusta quem está por perto.
B. A raiva é muito maior do que a situação justifica
- Como aparece no dia a dia:
- Um atraso de 5 minutos no trânsito faz a pessoa gritar e socar o volante.
- Um erro bobo no trabalho faz ela jogar o teclado no chão.
- Exemplo: Mariana, 32 anos, joga um prato no chão porque o marido esqueceu de comprar pão. Ela chora e diz: “Você nunca me escuta!”.
C. Os episódios não são planejados
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa não decide ficar com raiva: ela perde o controle de repente.
- Depois, ela pode não se lembrar direito do que fez.
- Exemplo: Rafael, 18 anos, estava assistindo TV tranquilamente quando o irmão menor derrubou seu refrigerante. Ele deu um soco na parede sem pensar, assustando a família.
D. Sofrimento ou prejuízo na vida da pessoa
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa perde empregos por brigar com chefes ou colegas.
- Os relacionamentos acabam porque ninguém aguenta as explosões.
- Ela pode ter problemas legais por agressão.
- Exemplo: Tiago, 40 anos, foi demitido três vezes no último ano por brigar com clientes. A esposa pediu divórcio, e os filhos têm medo dele.
E. Não é causado por outro transtorno mental
- Como aparece no dia a dia:
- A raiva não é por causa de depressão, bipolaridade ou uso de drogas.
- Ela acontece mesmo quando a pessoa está bem.
- Exemplo: Camila, 27 anos, não está deprimida nem usa drogas, mas explode em acessos de fúria pelo menos duas vezes por semana.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Ficar irritado quando alguém corta sua frente no trânsito e xingar baixinho.
❌ Sintoma: Gritar, socar o volante e perseguir o outro motorista por causa de uma fechada.
4. Tricotilomania (F63.3) – “O impulso de arrancar cabelos”
O que é?
É o impulso de arrancar cabelos, cílios, sobrancelhas ou pelos do corpo, mesmo que a pessoa não queira. Muitas vezes, ela nem percebe que está fazendo isso.
Sintomas principais:
A. Arrancar cabelos ou pelos repetidamente
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa puxa fios de cabelo enquanto lê, assiste TV ou está no computador.
- Ela pode enrolar os fios nos dedos ou morder as pontas.
- Exemplo: Beatriz, 16 anos, arranca os cílios enquanto faz lição de casa. Ela nem percebe, até que a mãe nota que ela está quase sem sobrancelhas.
B. Tentativas fracassadas de parar
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa promete que vai parar, mas não consegue.
- Ela pode usar luvas ou bonés para evitar o impulso, mas acaba tirando.
- Exemplo: Daniel, 20 anos, já tentou parar de arrancar os cabelos várias vezes. Ele até raspou a cabeça, mas começou a arrancar os pelos do braço.
C. Sofrimento ou vergonha por causa disso
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa evita situações sociais por medo de que os outros vejam as falhas no cabelo.
- Ela usa maquiagem, perucas ou chapéus para esconder.
- Exemplo: Larissa, 24 anos, não vai à praia há anos porque tem vergonha das falhas no couro cabeludo.
D. Não é causado por outro problema de saúde
- Como aparece no dia a dia:
- Não é por causa de alergias, dermatite ou infecções.
- Não é um tique (como piscar os olhos repetidamente).
- Exemplo: Gustavo, 12 anos, arranca os cabelos desde os 8. O dermatologista disse que não é alergia, é tricotilomania.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Arrancar um fio de cabelo branco ou enrolar o cabelo no dedo enquanto pensa.
❌ Sintoma: Arrancar tantos fios que aparecem falhas no couro cabeludo e sentir alívio ao fazer isso.
5. Dermatotilexomania (F63.9) – “O impulso de cutucar a pele”
O que é?
É o impulso de cutucar, espremer ou coçar a pele, mesmo que isso cause feridas. Muitas vezes, a pessoa faz isso sem perceber, como um hábito nervoso.
Sintomas principais:
A. Cutucar a pele repetidamente
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa espreme espinhas, casquinhas ou áreas secas até machucar.
- Ela pode usar unhas, pinças ou agulhas para cutucar.
- Exemplo: Renata, 19 anos, passa horas na frente do espelho cutucando espinhas. Ela já tem cicatrizes no rosto por causa disso.
B. Tentativas de parar sem sucesso
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa tenta resistir, mas o impulso é mais forte.
- Ela pode cobrir as mãos com luvas ou curativos, mas acaba tirando.
- Exemplo: Felipe, 23 anos, já tentou parar de cutucar as mãos, mas sempre volta a fazer isso quando está ansioso.
C. Sofrimento ou vergonha
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa evita mostrar as mãos, o rosto ou outras áreas afetadas.
- Ela pode usar maquiagem ou roupas compridas para esconder as feridas.
- Exemplo: Amanda, 30 anos, não aperta a mão de ninguém porque tem vergonha das feridas nos dedos.
D. Não é causado por outro problema de saúde
- Como aparece no dia a dia:
- Não é por causa de eczema, psoríase ou alergias.
- Não é um tique ou hábito passageiro.
- Exemplo: Lucas, 15 anos, cutuca a pele desde os 10. O dermatologista disse que não é alergia, é dermatotilexomania.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Espremer uma espinha de vez em quando.
❌ Sintoma: Cutucar a pele até sangrar e sentir alívio ao fazer isso.
6. Piromania (F63.1) – “O impulso de atear fogo”
O que é?
É o impulso de provocar incêndios, mesmo que a pessoa não tenha motivo (como vingança ou ganho financeiro). Ela sente fascínio pelo fogo e uma tensão que só passa quando acende algo.
Sintomas principais:
A. Provocar incêndios de propósito
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa acende fogo em lixo, papel ou objetos sem necessidade.
- Ela pode usar fósforos, isqueiros ou acelerantes.
- Exemplo: Rodrigo, 17 anos, acende fogo em folhas secas no quintal de casa. Ele sente uma emoção forte ao ver as chamas.
B. Fascínio pelo fogo
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa gosta de assistir a incêndios na TV ou na internet.
- Ela pode colecionar isqueiros ou fósforos.
- Exemplo: Fernanda, 25 anos, passa horas assistindo a vídeos de incêndios florestais. Ela diz que se sente hipnotizada pelas chamas.
C. Tensão antes de atear fogo e alívio depois
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa sente uma ansiedade crescente antes de acender algo.
- Depois, ela se sente relaxada ou eufórica.
- Exemplo: Marcos, 30 anos, fica agitado o dia todo até conseguir acender um fogo. Depois, ele dorme melhor.
D. Não é por vingança, ganho financeiro ou outro motivo
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa não está tentando se vingar de alguém.
- Não é para ganhar dinheiro com seguros.
- Exemplo: Joana, 19 anos, ateou fogo em uma lixeira perto de casa. Ela não tinha motivo, só queria ver o fogo.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Acender uma vela ou uma fogueira no acampamento.
❌ Sintoma: Provocar incêndios repetidamente e sentir prazer ao fazer isso.
7. Compras Compulsivas – “O impulso de gastar que não para”
O que é?
É o impulso de comprar coisas desnecessárias, mesmo que a pessoa não tenha dinheiro ou não precise do que está comprando. É como uma fome que não passa, e a pessoa só se sente aliviada depois de gastar.
Sintomas principais:
A. Comprar coisas sem necessidade
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa compra roupas que nunca usa, eletrônicos que ficam na caixa ou comida que estraga.
- Ela pode comprar várias unidades do mesmo item (10 pares de sapatos iguais, 5 celulares).
- Exemplo: Carla, 35 anos, tem 20 bolsas no armário, mas sempre acha que “precisa” de mais uma.
B. Gastar mais do que pode
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa usa o limite do cartão de crédito, pede empréstimos ou atrasa contas.
- Ela mente sobre quanto gastou.
- Exemplo: Pedro, 40 anos, já pediu três empréstimos para pagar dívidas de cartão. Ele diz que “no mês que vem vai controlar”, mas sempre gasta mais.
C. Sentir alívio ao comprar e culpa depois
- Como aparece no dia a dia:
- Durante a compra, a pessoa se sente feliz e poderosa.
- Depois, vem a culpa, a vergonha e o arrependimento.
- Exemplo: Mariana, 28 anos, chora no carro depois de gastar R$ 2.000 em roupas que não precisava.
D. Sofrimento ou prejuízo na vida
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa perde o emprego por faltar para ir ao shopping.
- Os relacionamentos acabam por causa das dívidas.
- Ela pode ter problemas legais por não pagar contas.
- Exemplo: João, 30 anos, foi processado por dívidas e quase perdeu a casa.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Comprar algo que você realmente precisa ou um mimo de vez em quando.
❌ Sintoma: Gastar todo o salário em coisas inúteis e mentir sobre isso para a família.
8. Vício em Internet/Redes Sociais – “O impulso de ficar online que não para”
O que é?
É o uso excessivo da internet, redes sociais ou jogos online, mesmo que isso prejudique a vida real. A pessoa não consegue parar, mesmo sabendo que deveria.
Sintomas principais:
A. Perder a noção do tempo online
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa passa horas nas redes sociais sem perceber.
- Ela deixa de dormir, comer ou trabalhar para ficar online.
- Exemplo: Lucas, 18 anos, dorme apenas 3 horas por noite porque fica jogando até de madrugada.
B. Tentativas fracassadas de reduzir o uso
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa promete que vai passar menos tempo online, mas não consegue.
- Ela desinstala apps, mas reinstala no dia seguinte.
- Exemplo: Ana, 25 anos, já tentou deletar o Instagram três vezes, mas sempre volta.
C. Sofrimento ou prejuízo na vida
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa falta ao trabalho ou à escola para ficar online.
- Os relacionamentos sofrem porque ela ignora as pessoas.
- Ela pode ter problemas de saúde (dor nas costas, visão ruim, insônia).
- Exemplo: Rafael, 32 anos, perdeu o emprego porque passava o expediente jogando no celular.
D. Sintomas de abstinência quando não está online
- Como aparece no dia a dia:
- A pessoa fica irritada, ansiosa ou triste quando não pode usar a internet.
- É como um viciado em cigarro que fica nervoso sem fumar.
- Exemplo: Camila, 20 anos, chora e grita quando o Wi-Fi cai. Ela diz que “precisa” estar online.
O que é normal vs. o que é sintoma?
✅ Normal: Usar redes sociais para se distrair ou trabalhar.
❌ Sintoma: Ficar 12 horas seguidas no celular e negligenciar a vida real.
Como se manifesta no dia a dia?
Os transtornos de impulso não afetam só a pessoa que os tem – eles mudam toda a rotina, os relacionamentos e até a saúde física. Vamos ver como eles aparecem em diferentes áreas da vida.
No trabalho ou na escola
- Faltas e atrasos: A pessoa pode faltar ao trabalho ou à escola para jogar, comprar, roubar ou ficar online.
- Exemplo: João, que tem jogo patológico, chega atrasado todos os dias porque fica jogando pôquer até tarde.
- Baixo desempenho: A impulsividade atrapalha a concentração e a produtividade.
- Exemplo: Maria, com compras compulsivas, não consegue se concentrar no trabalho porque fica pensando em que loja vai depois.
- Brigas e demissões: Acessos de raiva (Transtorno Explosivo Intermitente) podem levar a discussões com chefes e colegas.
- Exemplo: Pedro, que tem explosões de raiva, foi demitido três vezes por brigar com clientes.
- Problemas financeiros: Dívidas por jogo, compras ou roubos podem levar a perda de emprego.
- Exemplo: Ana, com cleptomania, foi presa por roubar do trabalho e perdeu o emprego.
Nos relacionamentos
- Mentiras e desconfiança: A pessoa esconde seus impulsos, o que gera desconfiança nos familiares.
- Exemplo: Carlos, com jogo patológico, mente para a esposa sobre quanto perdeu no cassino.
- Afastamento: Amigos e familiares se cansam das mentiras, dívidas e explosões.
- Exemplo: A família de Lucas, com Transtorno Explosivo Intermitente, não o convida mais para festas porque ele sempre briga.
- Conflitos constantes: A impulsividade leva a discussões frequentes.
- Exemplo: Mariana, com compras compulsivas, briga com o marido todos os dias por causa das dívidas.
- Isolamento: A pessoa pode se afastar por vergonha ou medo de ser julgada.
- Exemplo: Beatriz, com tricotilomania, não sai de casa porque tem vergonha das falhas no cabelo.
Na rotina (sono, alimentação, autocuidado)
- Sono irregular: A pessoa pode dormir pouco por ficar jogando, comprando ou online.
- Exemplo: Rafael, viciado em internet, dorme apenas 4 horas por noite.
- Alimentação desregulada: A impulsividade pode levar a comer demais ou de menos.
- Exemplo: Carla, com compras compulsivas, esquece de comer porque está sempre no shopping.
- Falta de autocuidado: A pessoa deixa de lado higiene, saúde e lazer.
- Exemplo: Daniel, com dermatotilexomania, não cuida das feridas e elas infeccionam.
- Negligência com responsabilidades: Contas, compromissos e tarefas domésticas ficam de lado.
- Exemplo: João, com jogo patológico, não paga as contas porque gastou tudo no cassino.
Na saúde física
- Problemas de pele: Tricotilomania e dermatotilexomania podem causar feridas, cicatrizes e infecções.
- Exemplo: Amanda, com dermatotilexomania, tem as mãos cheias de feridas.
- Dores musculares: Ficar muito tempo online ou em lojas pode causar dores nas costas e nos ombros.
- Exemplo: Lucas, viciado em internet, tem dores crônicas por ficar curvado no celular.
- Problemas digestivos: O estresse dos transtornos de impulso pode causar gastrite, úlceras ou síndrome do intestino irritável.
- Exemplo: Mariana, com compras compulsivas, tem crises de gastrite por causa da ansiedade.
- Problemas cardíacos: A raiva constante (Transtorno Explosivo Intermitente) pode aumentar a pressão arterial.
- Exemplo: Pedro, com explosões de raiva, já teve uma crise de hipertensão.
O que causa essa condição?
Os transtornos de impulso não têm uma causa única – eles são resultado de uma combinação de fatores, como genética, química cerebral, experiências de vida e ambiente. Vamos entender cada um deles.
Fatores genéticos: “Será que eu herdei isso?”
Alguns estudos sugerem que esses transtornos podem ter um componente genético. Isso não significa que, se seu pai tinha jogo patológico, você necessariamente vai ter, mas que você pode ter uma predisposição.
Como funciona?
Imagine que o cérebro é como um computador:
– Os genes são o hardware (a estrutura física).
– Se o hardware tem uma falha no sistema de freio, a pessoa pode ter mais dificuldade para controlar impulsos.
Exemplo:
– Se seus pais ou avós tinham transtorno explosivo intermitente, você pode ter mais chances de desenvolvê-lo.
– Se alguém na família tem cleptomania, você pode ter uma maior tendência a impulsos de roubo.
Mas atenção:
❌ Mito: “Se meu pai era impulsivo, eu também vou ser.”
✅ Verdade: A genética aumenta o risco, mas não determina o diagnóstico. O ambiente e as experiências de vida também têm um papel enorme.
Fatores neurobiológicos: “O que acontece no cérebro?”
O cérebro de uma pessoa com transtorno de impulso funciona de um jeito diferente em algumas áreas. Vamos entender as principais:
1. Sistema de recompensa: “O cérebro que pede mais”
- O que é? É a parte do cérebro que nos faz sentir prazer quando fazemos algo bom (como comer, socializar ou ter sucesso).
- O que acontece nos transtornos de impulso?
- Esse sistema fica hiperativo: ele exige mais e mais para sentir prazer.
- É como se o cérebro dissesse: “Isso não é suficiente, quero mais!”.
- Exemplo:
- No jogo patológico, o cérebro libera dopamina (o “hormônio do prazer”) a cada aposta, fazendo a pessoa querer jogar de novo.
- Na cleptomania, o ato de roubar ativa o sistema de recompensa, dando uma sensação de alívio.
2. Córtex pré-frontal: “O freio que não funciona”
- O que é? É a parte do cérebro responsável por tomar decisões, controlar impulsos e avaliar consequências.
- O que acontece nos transtornos de impulso?
- Essa área não funciona direito: ela não consegue frear os impulsos.
- É como se o freio de mão do carro estivesse quebrado.
- Exemplo:
- Uma pessoa com Transtorno Explosivo Intermitente não consegue segurar a raiva porque o córtex pré-frontal não a impede.
- Alguém com compras compulsivas não pensa nas dívidas porque essa área não está funcionando bem.
3. Serotonina e dopamina: “Os mensageiros químicos desregulados”
- O que são? São neurotransmissores (substâncias que transmitem mensagens no cérebro).
- Serotonina: Regula o humor, o sono e o controle de impulsos.
- Dopamina: Está ligada ao prazer e à motivação.
- O que acontece nos transtornos de impulso?
- A serotonina pode estar baixa, o que dificulta o controle de impulsos.
- A dopamina pode estar desregulada, fazendo a pessoa buscar mais e mais prazer em comportamentos impulsivos.
- Exemplo:
- Na tricotilomania, a pessoa arranca cabelos porque isso libera dopamina, dando uma sensação de alívio.
- No jogo patológico, a dopamina é liberada a cada aposta, reforçando o vício.
Fatores ambientais: “Como a vida influencia?”
As experiências que vivemos podem desencadear ou piorar os transtornos de impulso. Alguns fatores importantes:
1. Traumas e estresse na infância
- O que pode influenciar?
- Abuso físico, emocional ou sexual.
- Negligência (falta de cuidado dos pais).
- Bullying ou violência na escola.
- Como isso afeta?
- O cérebro se acostuma a reagir de forma impulsiva como uma forma de sobrevivência.
- A pessoa pode usar comportamentos impulsivos (como roubar ou jogar) para aliviar a dor emocional.
- Exemplo:
- Maria, que sofreu abuso na infância, desenvolveu cleptomania como uma forma de sentir controle.
- João, que foi vítima de bullying, tem acessos de raiva quando se sente ameaçado.
2. Estresse crônico
- O que pode influenciar?
- Problemas financeiros.
- Desemprego.
- Doenças na família.
- Relacionamentos tóxicos.
- Como isso afeta?
- O estresse aumenta o cortisol (hormônio do estresse), que piora o controle de impulsos.
- A pessoa pode buscar alívio em comportamentos impulsivos (como compras ou jogo).
- Exemplo:
- Ana, que está desempregada, começou a jogar compulsivamente para “esquecer os problemas”.
- Pedro, que está passando por um divórcio, tem explosões de raiva com frequência.
3. Exposição precoce a comportamentos impulsivos
- O que pode influenciar?
- Crescer em uma família onde jogar, roubar ou gastar demais era normal.
- Ter amigos que incentivam comportamentos de risco.
- Como isso afeta?
- A pessoa aprende que esses comportamentos são aceitáveis.
- Ela pode desenvolver o mesmo padrão por imitação.
- Exemplo:
- Lucas, cujo pai era jogador compulsivo, começou a apostar na adolescência.
- Carla, cujos amigos roubavam lojas, desenvolveu cleptomania.
4. Uso de substâncias
- O que pode influenciar?
- Álcool.
- Drogas (como cocaína, maconha, crack).
- Medicamentos (como alguns antidepressivos ou remédios para TDAH).
- Como isso afeta?
- As substâncias alteram a química cerebral, piorando o controle de impulsos.
- A pessoa pode usar drogas para aliviar a ansiedade, mas isso aumenta os impulsos.
- Exemplo:
- Rafael, que usa cocaína, tem acessos de raiva mais intensos.
- Mariana, que bebe muito, gasta mais dinheiro em compras compulsivas.
Fatores da gestação e desenvolvimento: “O que aconteceu antes de eu nascer?”
Alguns estudos sugerem que o que acontece durante a gravidez e nos primeiros anos de vida pode influenciar o desenvolvimento de transtornos de impulso.
1. Exposição a substâncias na gravidez
- O que pode influenciar?
- Mãe que fumou, bebeu ou usou drogas durante a gravidez.
- Exposição a toxinas (como chumbo ou pesticidas).
- Como isso afeta?
- Pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê, especialmente as áreas ligadas ao controle de impulsos.
- Exemplo:
- João, cuja mãe bebia durante a gravidez, tem mais dificuldade para controlar a raiva.
2. Complicações no parto
- O que pode influenciar?
- Falta de oxigênio durante o parto.
- Parto prematuro.
- Como isso afeta?
- Pode causar danos cerebrais que afetam o controle de impulsos.
- Exemplo:
- Ana, que nasceu prematura, desenvolveu tricotilomania na infância.
3. Falta de vínculo afetivo na primeira infância
- O que pode influenciar?
- Pais ausentes ou negligentes.
- Criança que não recebeu afeto suficiente.
- Como isso afeta?
- A criança não aprende a regular emoções, o que pode levar a comportamentos impulsivos na vida adulta.
- Exemplo:
- Pedro, que foi criado em um orfanato, desenvolveu cleptomania como uma forma de buscar atenção.
Modelo biopsicossocial: “É sempre uma combinação de fatores”
Os transtornos de impulso não têm uma causa única – eles são resultado de uma interação entre:
1. Fatores biológicos (genética, química cerebral).
2. Fatores psicológicos (traumas, estresse, personalidade).
3. Fatores sociais (ambiente familiar, cultura, acesso a tratamentos).
Exemplo:
– João tem predisposição genética para jogo patológico (fator biológico).
– Ele cresceu em uma família onde o pai jogava (fator social).
– Quando perdeu o emprego, começou a jogar compulsivamente para aliviar o estresse (fator psicológico).
Mitos e verdades sobre as causas
Vamos desmistificar algumas ideias erradas sobre os transtornos de impulso.
❌ Mito 1: “É falta de força de vontade.”
✅ Verdade: Não é sobre querer ou não querer – é sobre o cérebro não conseguir frear. É como pedir para alguém com asma “respirar com mais força”: não adianta, o problema é físico.
❌ Mito 2: “É coisa de gente fraca ou sem caráter.”
✅ Verdade: Esses transtornos não têm a ver com moral. São doenças do cérebro, assim como diabetes é uma doença do pâncreas.
❌ Mito 3: “Só acontece com quem é mimado ou rico.”
✅ Verdade: Esses transtornos afetam pessoas de todas as classes sociais. O que muda é o tipo de comportamento impulsivo:
– Uma pessoa rica pode ter compras compulsivas.
– Uma pessoa pobre pode ter cleptomania (roubar por impulso).
❌ Mito 4: “É só uma fase, vai passar sozinho.”
✅ Verdade: Sem tratamento, esses transtornos tendem a piorar. É como uma infecção: se não tratar, pode se espalhar.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de transtorno de impulso não é uma sentença – é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e buscar ajuda. Vamos ver como funciona esse processo.
Passo a passo da avaliação
O diagnóstico não é feito em uma consulta só. Geralmente, envolve:
1. Primeira consulta: “O que está acontecendo?”
- Quem faz? Psiquiatra, psicólogo ou médico de família (no SUS).
- O que acontece?
- O profissional pergunta sobre os sintomas: “Você tem dificuldade para controlar impulsos?”, “Isso está atrapalhando sua vida?”.
- Ele quer saber há quanto tempo isso acontece e como começou.
- Pode pedir exames físicos (como exame de sangue) para descartar outras causas (como problemas de tireoide).
- Exemplo de perguntas que o médico pode fazer:
- “Você já tentou parar de [jogar/comprar/roubar] e não conseguiu?”
- “Isso já te causou problemas no trabalho ou nos relacionamentos?”
- “Você sente alívio ou prazer quando faz isso?”
2. Avaliação psicológica: “Como você pensa e sente?”
- Quem faz? Psicólogo.
- O que acontece?
- O psicólogo aplica testes para entender melhor os sintomas.
- Ele pode perguntar sobre história de vida, traumas e relacionamentos.
- Pode usar escalas de impulsividade (questionários que medem o grau do problema).
- Exemplo de teste:
- Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11): Perguntas como “Eu ajo no impulso do momento” ou “Eu planejo minhas atividades com cuidado”.
3. Diagnóstico diferencial: “É isso mesmo ou pode ser outra coisa?”
O médico precisa descartar outras condições que podem causar sintomas parecidos, como:
– Transtorno bipolar: Pode causar impulsividade na fase maníaca.
– Transtorno de personalidade borderline: Pode incluir automutilação e impulsividade.
– TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade): Pode causar dificuldade de controle de impulsos.
– Depressão ou ansiedade: Podem levar a comportamentos impulsivos como forma de alívio.
– Uso de substâncias: Álcool e drogas podem piorar a impulsividade.
– Doenças neurológicas: Como epilepsia ou tumores cerebrais.
Exemplo:
– Se a pessoa tem acessos de raiva, o médico precisa verificar se é Transtorno Explosivo Intermitente ou bipolaridade.
– Se a pessoa gasta muito dinheiro, precisa ver se é compras compulsivas ou mania (no transtorno bipolar).
4. Exames complementares (quando necessário)
- Exames de sangue: Para descartar problemas de tireoide, deficiências vitamínicas ou uso de drogas.
- Exames de imagem (ressonância magnética): Em casos raros, para descartar tumores ou lesões cerebrais.
- Avaliação neurológica: Se houver suspeita de epilepsia ou outras doenças neurológicas.
5. Diagnóstico final: “O que eu tenho?”
Depois de todas as avaliações, o profissional dá o diagnóstico (por exemplo: “Transtorno Explosivo Intermitente” ou “Jogo Patológico”).
Importante:
– Ter alguns sintomas não significa ter o transtorno. O que importa é a intensidade, a frequência e o impacto na vida.
– O diagnóstico não é uma etiqueta – é uma ferramenta para buscar o tratamento certo.
Quanto tempo leva para ser diagnosticado?
Não há um prazo exato, mas geralmente:
– Primeiros sintomas até a busca por ajuda: Meses ou anos (muitas pessoas demoram para perceber que têm um problema).
– Tempo de avaliação: De 2 a 6 consultas (dependendo da complexidade do caso).
– Tempo total até o diagnóstico: 3 a 12 meses (no SUS, pode demorar mais por causa da fila).
Por que demora?
– Vergonha: Muitas pessoas têm vergonha de admitir que têm um problema.
– Falta de informação: Algumas não sabem que esses transtornos têm tratamento.
– Dificuldade de acesso: No Brasil, faltam psiquiatras e psicólogos, especialmente no SUS.
Quem pode diagnosticar?
- Psiquiatra: Médico especializado em transtornos mentais. Pode receitar remédios.
- Psicólogo: Faz avaliação psicológica e psicoterapia. Não pode receitar remédios.
- Médico de família (no SUS): Pode fazer uma avaliação inicial e encaminhar para um especialista.
- Neurologista: Se houver suspeita de doença neurológica (como epilepsia).
Onde buscar ajuda?
| Opção | Onde encontrar | Custo |
|———–|——————-|———–|
| SUS | UBS (Unidade Básica de Saúde), CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) | Gratuito |
| Planos de saúde | Clínicas e hospitais credenciados | Cobertura parcial ou total (depende do plano) |
| Particular | Consultórios de psiquiatras e psicólogos | R$ 200 a R$ 600 por consulta |
| Universidades | Clínicas-escola de psicologia | Gratuito ou preço social |
| ONGs e associações | Como o CVV (Centro de Valorização da Vida) | Gratuito |
Dica:
– No SUS, comece pela UBS – o médico de família pode encaminhar para um psiquiatra ou psicólogo.
– Se você não tem plano de saúde, procure CAPS (para casos mais graves) ou clínicas-escola de psicologia.
O que esperar da primeira consulta?
A primeira consulta pode ser intimidante, mas é só uma conversa para entender o que está acontecendo. Veja o que costuma acontecer:
- Acolhimento: O profissional vai ouvir você sem julgamentos.
- Perguntas sobre os sintomas: Ele vai querer saber o que você sente, quando começou e como isso afeta sua vida.
- História de vida: Pode perguntar sobre infância, família, traumas e uso de substâncias.
- Exame físico (se for com médico): Para descartar outras causas.
- Explicação sobre o que pode ser: O profissional vai dizer o que ele acha que está acontecendo e quais são os próximos passos.
- Encaminhamento: Se necessário, ele pode pedir exames ou encaminhar para outro especialista.
Dicas para a primeira consulta:
✔ Seja honesto: Não minimize seus sintomas por vergonha.
✔ Leve anotações: Escreva o que você sente, quando começou e como isso afeta sua vida.
✔ Leve um acompanhante: Se você se sentir mais seguro, leve alguém de confiança.
✔ Faça perguntas: “O que você acha que eu tenho?”, “Quais são os próximos passos?”, “Isso tem tratamento?”.
Tratamento
Os transtornos de impulso têm tratamento, e quanto antes começar, melhores são os resultados. O tratamento geralmente combina medicamentos, psicoterapia e mudanças no dia a dia.
Vamos ver cada uma dessas abordagens em detalhes.
Medicamentos: “Como os remédios podem ajudar?”
Os medicamentos não curam os transtornos de impulso, mas ajudam a controlar os sintomas, como:
– Reduzir a ansiedade que leva ao impulso.
– Melhorar o controle dos impulsos.
– Estabilizar o humor (no caso de explosões de raiva).
Importante:
– Os remédios não são “pílulas da obediência” – eles ajudam o cérebro a funcionar melhor.
– Não vicia (ao contrário do que muitas pessoas pensam).
– Demoram algumas semanas para fazer efeito (não é como um analgésico que age em minutos).
– Devem ser usados com acompanhamento médico – nunca pare ou mude a dose por conta própria.
Vamos ver os principais tipos de medicamentos usados.
1. Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)
Para que servem?
– Reduzir a impulsividade.
– Controlar a ansiedade e a depressão (que muitas vezes acompanham esses transtornos).
– Aumentar a serotonina (o “hormônio do bem-estar”).
Exemplos de remédios:
– Fluoxetina (Prozac).
– Sertralina (Zoloft).
– Escitalopram (Lexapro).
Como funcionam?
Imagine que a serotonina é como água em um balde:
– Nas pessoas com transtornos de impulso, o balde tem furos (a serotonina “vaza” rápido).
– Os ISRS tampam os furos, fazendo a serotonina durar mais no cérebro.
Efeitos colaterais comuns:
– Náusea (nos primeiros dias).
– Dor de cabeça.
– Sonolência ou insônia.
– Diminuição do desejo sexual.
Dica:
– Os efeitos colaterais melhoram depois de algumas semanas.
– Se um ISRS não funcionar, o médico pode trocar por outro.
2. Estabilizadores de humor
Para que servem?
– Controlar explosões de raiva (no Transtorno Explosivo Intermitente).
– Reduzir a impulsividade.
– Estabilizar o humor (evitar altos e baixos).
Exemplos de remédios:
– Lítio.
– Ácido valproico (Depakote).
– Carbamazepina (Tegretol).
Como funcionam?
Eles ajustam a atividade elétrica do cérebro, como um termostato que regula a temperatura.
Efeitos colaterais comuns:
– Ganho de peso.
– Tremores.
– Sonolência.
– Boca seca.
Dica:
– O lítio precisa de exames de sangue regulares para ajustar a dose.
– Esses remédios não devem ser usados na gravidez (podem causar malformações no bebê).
3. Antipsicóticos atípicos
Para que servem?
– Reduzir a agressividade (no Transtorno Explosivo Intermitente).
– Controlar impulsos graves (quando outros remédios não funcionam).
Exemplos de remédios:
– Risperidona (Risperdal).
– Quetiapina (Seroquel).
– Aripiprazol (Abilify).
Como funcionam?
Eles bloqueiam a dopamina em excesso, que está ligada à impulsividade e à agressividade.
Efeitos colaterais comuns:
– Ganho de peso.
– Sonolência.
– Rigidez muscular.
Dica:
– Esses remédios são usados em doses baixas para transtornos de impulso.
– O médico pode combinar com outros remédios para reduzir os efeitos colaterais.
4. Naltrexona
Para que serve?
– Reduzir o prazer associado a comportamentos impulsivos (como jogo, compras ou cleptomania).
– Bloquear os efeitos do álcool e opioides (útil para quem tem dependência química junto).
Como funciona?
Ela bloqueia os receptores de opioides no cérebro, que estão ligados à sensação de prazer.
Efeitos colaterais comuns:
– Náusea.
– Dor de cabeça.
– Fadiga.
Dica:
– É um remédio relativamente novo para transtornos de impulso, mas tem bons resultados.
– Pode ser usado junto com psicoterapia.
5. Topiramato
Para que serve?
– Reduzir a compulsão (em jogo patológico, compras compulsivas).
– Controlar a impulsividade.
Como funciona?
Ele aumenta o GABA (um neurotransmissor que “acalma” o cérebro).
Efeitos colaterais comuns:
– Sonolência.
– Tontura.
– Perda de peso.
Dica:
– É um remédio usado originalmente para epilepsia, mas tem se mostrado útil para impulsividade.
– Pode diminuir o apetite, o que é bom para quem quer emagrecer, mas ruim para quem já está abaixo do peso.
Psicoterapia: “Como a terapia pode ajudar?”
Os remédios ajudam a controlar os sintomas, mas a psicoterapia vai na raiz do problema. Ela ensina estratégias para lidar com os impulsos, entender as causas emocionais e mudar padrões de comportamento.
Vamos ver as principais abordagens.
1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
O que é?
É a terapia mais usada para transtornos de impulso. Ela ensina a identificar e mudar pensamentos e comportamentos disfuncionais.
Como funciona?
– Identificar gatilhos: O que faz você ter o impulso? Estresse? Tédio? Solidão?
– Técnicas de controle de impulsos: Como adiar a ação (ex.: “Vou esperar 10 minutos antes de comprar”).
– Exposição com prevenção de resposta: Enfrentar o gatilho sem ceder ao impulso (ex.: passar na frente de uma loja sem entrar).
– Treinamento de habilidades: Como tolerar frustração e lidar com emoções difíceis.
Exemplo prático:
– Problema: João tem jogo patológico e sente vontade de apostar quando está estressado.
– Técnica da TCC:
1. Identificar o gatilho: “Quando estou estressado, sinto vontade de jogar.”
2. Adiar a ação: “Vou esperar 15 minutos antes de abrir o site de apostas.”
3. Substituir o comportamento: “Nesses 15 minutos, vou fazer uma caminhada.”
4. Refletir sobre as consequências: “Se eu jogar, vou perder dinheiro e me sentir pior depois.”
Duração:
– 12 a 24 sessões (1 vez por semana).
– Em casos graves, pode durar mais tempo.
Para quem é indicada?
– Todos os transtornos de impulso, especialmente:
– Jogo patológico.
– Compras compulsivas.
– Cleptomania.
– Transtorno Explosivo Intermitente.
2. Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)
O que é?
Uma abordagem que ensina a aceitar os impulsos sem ceder a eles. Em vez de lutar contra o impulso, a pessoa aprende a conviver com ele.
Como funciona?
– Mindfulness: Aprender a observar os pensamentos e impulsos sem reagir.
– Valores pessoais: Identificar o que é realmente importante (ex.: família, saúde) e usar isso como motivação para mudar.
– Ação comprometida: Agir de acordo com seus valores, mesmo com impulsos.
Exemplo prático:
– Problema: Maria tem compras compulsivas e sente um impulso forte quando vê uma promoção.
– Técnica da ACT:
1. Observar o impulso: “Estou sentindo vontade de comprar, mas não preciso ceder.”
2. Lembrar dos valores: “Eu quero ter uma vida financeira estável para viajar com minha família.”
3. Agir de acordo com os valores: “Vou guardar esse dinheiro para a viagem.”
Duração:
– 12 a 20 sessões.
Para quem é indicada?
– Pessoas que se sentem sobrecarregadas pelos impulsos.
– Quem tem dificuldade em controlar a ansiedade.
3. Terapia Comportamental Dialética (DBT)
O que é?
Uma terapia desenvolvida para pessoas com dificuldade em regular emoções. É muito usada para Transtorno de Personalidade Borderline, mas também ajuda em transtornos de impulso.
Como funciona?
– Treinamento de habilidades:
– Tolerância ao mal-estar: Como aguentar a vontade de agir no impulso.
– Regulação emocional: Como lidar com a raiva, tristeza e ansiedade.
– Efetividade interpessoal: Como melhorar relacionamentos.
– Mindfulness: Aprender a viver o momento presente.
Exemplo prático:
– Problema: Pedro tem Transtorno Explosivo Intermitente e explode de raiva quando é contrariado.
– Técnica da DBT:
1. Tolerar o mal-estar: “Vou respirar fundo e contar até 10 antes de reagir.”
2. Regulação emocional: “Vou anotar o que estou sentindo em um diário.”
3. Efetividade interpessoal: “Vou pedir desculpas depois e explicar como me senti.”
Duração:
– 6 meses a 1 ano (com sessões semanais).
Para quem é indicada?
– Pessoas com explosões de raiva.
– Quem tem dificuldade em controlar emoções intensas.
4. Terapia de Grupo
O que é?
Uma terapia onde várias pessoas com o mesmo transtorno se reúnem para compartilhar experiências e aprender juntas.
Como funciona?
– Compartilhar histórias: Ouvir como outras pessoas lidam com os mesmos problemas.
– Dar e receber apoio: Saber que não está sozinho.
– Aprender com os outros: Trocar estratégias que funcionaram.
Exemplo:
– Grupo de Jogo Patológico: Pessoas que estão tentando parar de jogar compartilham o que as ajuda a resistir ao impulso.
– Grupo de Compras Compulsivas: Participantes mostram suas listas de compras e discutem como evitar gastos desnecessários.
Duração:
– Encontros semanais ou quinzenais.
– Pode durar meses ou anos.
Para quem é indicada?
– Quem se sente isolado por causa do transtorno.
– Quem precisa de motivação extra para mudar.
5. Terapia Familiar
O que é?
Uma terapia que envolve a família no tratamento, porque os transtornos de impulso afetam todos ao redor.
Como funciona?
– Educação sobre o transtorno: Explicar para a família o que está acontecendo.
– Melhorar a comunicação: Ensinar como conversar sem brigas.
– Estabelecer limites: Como ajudar sem reforçar o comportamento impulsivo.
Exemplo:
– Problema: João tem jogo patológico e mente para a esposa sobre as dívidas.
– Terapia familiar:
1. A esposa aprende que o jogo é um transtorno, não falta de caráter.
2. João aprende a pedir ajuda quando sentir vontade de jogar.
3. Os dois estabelecem um orçamento conjunto para evitar recaídas.
Duração:
– 10 a 20 sessões.
Para quem é indicada?
– Quando o transtorno afeta a dinâmica familiar.
– Quando a família não sabe como ajudar.
Mudanças no dia a dia: “O que eu posso fazer por mim mesmo?”
Além de remédios e terapia, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença. Vamos ver algumas estratégias.
1. Exercício físico: “Como o movimento ajuda?”
Por que ajuda?
– Reduz a ansiedade e o estresse (que muitas vezes desencadeiam impulsos).
– Aumenta a serotonina e a dopamina (melhorando o humor).
– Distrai a mente (quando você está focado no exercício, pensa menos no impulso).
Quais exercícios são melhores?
– Caminhada ou corrida: Libera endorfina (hormônio do bem-estar).
– Yoga ou pilates: Ajuda a controlar a respiração e a ansiedade.
– Musculação: Melhora a autoestima e a disciplina.
– Artes marciais: Ensina controle emocional e físico.
Dica:
– Comece devagar: 10 minutos por dia já fazem diferença.
– Escolha algo que você goste: Se não gostar de academia, dance, nade ou ande de bicicleta.
2. Sono: “Por que dormir bem é tão importante?”
Por que ajuda?
– Dormir mal aumenta a impulsividade.
– A falta de sono piora a regulação emocional.
– Pessoas com transtornos de impulso muitas vezes têm insônia.
Como melhorar o sono?
– Horário regular: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias.
– Ambiente escuro e silencioso: Use cortinas blackout e protetores de ouvido se necessário.
– Evite telas antes de dormir: A luz azul do celular atrapalha o sono.
– Rotina relaxante: Leia um livro, tome um chá ou ouça música calma antes de dormir.
Dica:
– Se você tem insônia, converse com o médico – às vezes, um remédio temporário pode ajudar a regular o sono.
3. Alimentação: “O que comer (e evitar)?”
Por que ajuda?
– Alguns alimentos aumentam a ansiedade e a impulsividade.
– Outros melhoram o humor e a concentração.
O que evitar?
– Açúcar refinado: Pode causar picos de energia seguidos de queda (aumentando a ansiedade).
– Café em excesso: Pode aumentar a agitação.
– Álcool: Piora o controle de impulsos.
O que incluir?
– Ômega-3: Peixes (salmão, sardinha), nozes e linhaça melhoram a função cerebral.
– Triptofano: Banana, ovos e chocolate amargo aumentam a serotonina.
– Magnésio: Espinafre, amêndoas e abacate ajudam a relaxar.
Dica:
– Beba água: A desidratação piora a concentração e o humor.
4. Rotina: “Como estruturar o dia?”
Por que ajuda?
– Uma rotina dá previsibilidade, reduzindo a ansiedade.
– Atividades estruturadas deixam menos tempo para impulsos.
Como fazer?
– Planeje o dia na noite anterior: Anote o que precisa fazer (trabalho, exercício, lazer).
– Use alarmes: Para lembrar de pausas, refeições e horários de dormir.
– Inclua momentos de lazer: Ler, assistir a um filme ou conversar com amigos ajuda a relaxar.
– Evite gatilhos: Se você tem compras compulsivas, não passe na frente de shoppings.
Exemplo de rotina:
| Horário | Atividade |
|———|———–|
| 7h | Acordar e tomar café da manhã |
| 8h-12h | Trabalho/estudo |
| 12h-13h | Almoço + caminhada de 10 minutos |
| 13h-18h | Trabalho/estudo |
| 18h-19h | Exercício físico |
| 19h-20h | Jantar + tempo com a família |
| 20h-21h | Leitura ou hobby |
| 21h-22h | Rotina de sono (sem telas) |
| 22h | Dormir |
5. Técnicas de manejo de impulsos
São ferramentas práticas para resistir ao impulso no momento em que ele aparece.
Técnicas que funcionam:
A. Regra dos 10 minutos
- O que é? Quando sentir o impulso, espere 10 minutos antes de agir.
- Como fazer?
- Sinta o impulso (ex.: vontade de comprar algo).
- Olhe no relógio e espere 10 minutos.
- Nesse tempo, faça outra coisa (beber água, respirar fundo, ligar para um amigo).
- Depois dos 10 minutos, reavalie: “Eu ainda quero fazer isso?”.
- Por que funciona? Muitas vezes, o impulso passa sozinho depois de alguns minutos.
B. Respiração 4-7-8
- O que é? Uma técnica de respiração para acalmar a ansiedade.
- Como fazer?
- Inspire pelo nariz contando até 4.
- Prenda a respiração contando até 7.
- Expire pela boca contando até 8.
- Repita 3 vezes.
- Por que funciona? A respiração lenta ativa o sistema nervoso parassimpático, que reduz a ansiedade.
C. Lista de consequências
- O que é? Anotar o que vai acontecer se você ceder ao impulso.
- Como fazer?
- Pegue um papel e escreva: “Se eu fizer [impulso], o que vai acontecer?”.
- Liste as consequências (ex.: “Vou me endividar”, “Vou me sentir culpado”).
- Leia a lista antes de agir.
- Exemplo:
- Impulso: Jogar no cassino.
- Consequências:
- Vou perder dinheiro que não tenho.
- Vou mentir para minha família de novo.
- Vou me sentir um fracasso depois.
D. Substituição de comportamento
- O que é? Trocar o comportamento impulsivo por outro menos prejudicial.
- Como fazer?
- Identifique o que desencadeia o impulso (ex.: estresse, tédio).
- Pense em outra atividade que dê prazer ou alívio (ex.: desenhar, cozinhar, ouvir música).
- Quando sentir o impulso, faça a atividade substituta.
- Exemplo:
- Impulso: Arrancar cabelos (tricotilomania).
- Substituição: Usar uma bola antiestresse ou desenhar.
E. Cartão de enfrentamento
- O que é? Um cartão com frases motivadoras para ler quando sentir o impulso.
- Como fazer?
- Escreva em um cartão ou no celular:
- “Eu mereço uma vida melhor.”
- “Esse impulso vai passar.”
- “Eu já consegui resistir antes, vou conseguir de novo.”
- Leia quando sentir vontade de ceder.
- Por que funciona? As frases lembram você dos seus objetivos e dão força para resistir.
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de transtorno de impulso pode ser assustador, mas também pode ser um alívio: finalmente, você sabe o que está acontecendo e como tratar. Vamos ver como conviver bem com o diagnóstico, tanto para quem tem o transtorno quanto para familiares e amigos.
Para a pessoa com o diagnóstico
1. Aceite que não é culpa sua
- Você não escolheu ter esse transtorno, assim como não escolheria ter diabetes ou asma.
- Não é falta de força de vontade – é um desequilíbrio no cérebro.
- Você merece ajuda e tratamento, assim como qualquer outra pessoa com uma doença.
2. Não tenha vergonha de pedir ajuda
- Falar sobre o que você sente é um ato de coragem, não de fraqueza.
- Procure um profissional (psiquiatra, psicólogo) – eles estão acostumados a ouvir histórias como a sua.
- Conte para alguém de confiança (um amigo, familiar) – você não precisa passar por isso sozinho.
3. Celebre as pequenas vitórias
- Resistir a um impulso é uma conquista enorme.
- Anote seus progressos (ex.: “Hoje não joguei”, “Consegui esperar 10 minutos antes de comprar”).
- Recompense-se (ex.: “Se eu não comprar nada desnecessário essa semana, vou ao cinema”).
4. Crie uma rede de apoio
- Participe de grupos de apoio (como Jogadores Anônimos, Devedores Anônimos).
- Converse com outras pessoas que têm o mesmo transtorno – vocês podem se ajudar.
- Peça ajuda quando precisar – não espere chegar ao fundo do poço.
5. Seja gentil consigo mesmo
- Recaídas fazem parte do processo – não se culpe.
- Você está aprendendo, e isso leva tempo.
- Trate-se como trataria um amigo querido – com paciência e compaixão.
Para familiares e amigos
1. Eduque-se sobre o transtorno
- Leia sobre o assunto (este guia é um bom começo!).
- Entenda que não é “frescura” – é uma doença real.
- Não julgue – a pessoa não escolheu ter esse transtorno.
2. Ofereça apoio, não controle
- Não tente “consertar” a pessoa – isso é trabalho dos profissionais.
- Ofereça ajuda prática (ex.: “Quer que eu vá com você à terapia?”, “Posso ajudar a organizar suas finanças?”).
- Evite frases como:
- “É só parar de fazer isso!” (se fosse fácil, ela já teria parado).
- “Você é fraco!” (isso só aumenta a culpa).
- “Eu não aguento mais!” (isso faz a pessoa se sentir um fardo).
3. Estabeleça limites saudáveis
- Não financie o comportamento impulsivo (ex.: não dê dinheiro para jogo, não pague dívidas de compras).
- Não encubra as consequências (ex.: não minta para o chefe sobre faltas no trabalho).
- Cuide de si mesmo – você não pode ajudar se estiver esgotado.
4. Incentive o tratamento
- Ajude a pessoa a encontrar um profissional (pesquise clínicas, marque consultas).
- Lembre-a de tomar os remédios (se ela esquecer com frequência).
- Participe da terapia familiar, se for indicado.
5. Cuide de si mesmo
- Você não é responsável pela recuperação da pessoa.
- Procure apoio (terapia, grupos para familiares).
- Não negligencie sua própria vida (trabalho, lazer, relacionamentos).
Quando os sintomas podem piorar?
Algumas situações podem desencadear ou piorar os sintomas dos transtornos de impulso. Fique atento a:
1. Estresse
- O que pode acontecer: A pessoa pode recair em comportamentos impulsivos para aliviar a tensão.
- Exemplo: João, com jogo patológico, volta a apostar quando está desempregado.
2. Solidão ou isolamento
- O que pode acontecer: A pessoa pode buscar alívio em comportamentos impulsivos.
- Exemplo: Maria, com compras compulsivas, gasta mais quando está sozinha.
3. Exposição a gatilhos
- O que pode acontecer: Ver um cassino, uma loja ou um site de apostas pode desencadear o impulso.
- Exemplo: Pedro, com cleptomania, sente vontade de roubar quando passa na frente de uma loja.
4. Uso de álcool ou drogas
- O que pode acontecer: As substâncias pioram o controle de impulsos.
- Exemplo: Ana, com Transtorno Explosivo Intermitente, tem mais acessos de raiva quando bebe.
5. Falta de tratamento
- O que pode acontecer: Sem tratamento, os sintomas tendem a piorar com o tempo.
- Exemplo: Carlos, com jogo patológico, perdeu a casa porque não procurou ajuda.
O que fazer nesses casos?
– Aumente o suporte: Se a pessoa está passando por um momento difícil, ofereça mais ajuda.
– Reavalie o tratamento: Se os sintomas pioraram, converse com o médico sobre ajustar a medicação ou a terapia.
– Evite gatilhos: Se possível, afaste a pessoa de situações que desencadeiam o impulso.
Perguntas frequentes
1. “Eu tenho alguns desses sintomas, mas não todos. Será que tenho o transtorno?”
Não necessariamente. Ter alguns sintomas não significa ter o diagnóstico. O que importa é:
– A intensidade (o quanto isso atrapalha sua vida).
– A frequência (com que frequência acontece).
– O impacto (se causa sofrimento ou prejuízo).
Exemplo:
– Se você às vezes gasta mais do que deveria, mas consegue controlar, provavelmente não é compras compulsivas.
– Se você gasta todo o salário em coisas inúteis e mente para a família, pode ser um sinal do transtorno.
O que fazer?
– Anote seus comportamentos por algumas semanas.
– Converse com um profissional (psiquiatra ou psicólogo) para uma avaliação.
2. “Meu filho tem acessos de raiva. É Transtorno Explosivo Intermitente?”
Pode ser, mas não é o único diagnóstico possível. Acessos de raiva podem acontecer em:
– Transtorno Explosivo Intermitente (raiva desproporcional, sem motivo claro).
– Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) (impulsividade).
– Transtorno de Oposição Desafiante (TOD) (crianças que desafiam figuras de autoridade).
– Transtorno de Personalidade Borderline (raiva intensa em relacionamentos).
– Depressão ou ansiedade (irritabilidade como sintoma).
O que fazer?
– Observe o padrão: A raiva é desproporcional? Acontece sem motivo? Dura muito tempo?
– Converse com um psicólogo infantil ou psiquiatra.
– Evite punições severas – isso pode piorar a raiva.
3. “Eu tenho cleptomania, mas nunca fui pega. Preciso de tratamento mesmo assim?”
Sim. A cleptomania não é sobre ser pega ou não – é sobre o sofrimento que causa. Mesmo que você nunca tenha sido presa, pode:
– Sentir culpa e vergonha depois de roubar.
– Ter problemas nos relacionamentos por causa das mentiras.
– Viver com medo constante de ser descoberta.
O que fazer?
– Procure um psicólogo – a terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajuda muito.
– Considere um grupo de apoio (como Cleptomaníacos Anônimos).
– Converse com um psiquiatra – alguns remédios podem ajudar a controlar o impulso.
4. “Meu marido joga todo o nosso dinheiro. Como posso ajudá-lo sem me prejudicar?”
É muito difícil ver alguém que você ama destruindo a vida financeira da família, mas você não pode controlar o comportamento dele – só ele pode decidir mudar.
O que você pode fazer:
✔ Proteja suas finanças:
– Separe contas bancárias.
– Não dê dinheiro para ele.
– Não pague dívidas dele.
✔ Incentive o tratamento:
– Mostre que você se importa (“Eu te amo e quero te ajudar a parar com isso”).
– Ajude a encontrar um profissional (psiquiatra, terapia, grupos como Jogadores Anônimos).
✔ Estabeleça limites:
– Não minta para cobrir os erros dele (ex.: não invente desculpas para o chefe quando ele faltar ao trabalho).
– Diga o que você não tolera (“Se você continuar jogando, vou precisar me afastar”).
✔ Cuide de si mesma:
– Procure terapia para lidar com a situação.
– Participe de grupos para familiares (como Gam-Anon, para familiares de jogadores).
O que NÃO fazer:
❌ Culpar-se (“Se eu fosse uma esposa melhor, ele não faria isso”).
❌ Ameaçar ou gritar (isso pode piorar a situação).
❌ Ignorar o problema (ele não vai melhorar sozinho).
5. “Eu tenho tricotilomania e já arranquei quase todos os meus cabelos. Tem cura?”
A tricotilomania não tem uma “cura” no sentido tradicional, mas tem tratamento, e muitas pessoas conseguem controlar o impulso.
O que pode ajudar:
✔ Terapia cognitivo-comportamental (TCC):
– Ensina técnicas para resistir ao impulso (como a regra dos 10 minutos).
– Ajuda a identificar gatilhos (estresse, tédio).
✔ Medicamentos:
– Alguns antidepressivos (como ISRS) podem reduzir a ansiedade que leva ao impulso.
✔ Técnicas de substituição:
– Usar uma bola antiestresse ou desenhar quando sentir vontade de arrancar cabelos.
✔ Grupos de apoio:
– Conversar com outras pessoas que têm o mesmo problema ajuda a se sentir menos sozinha.
Dica:
– Não desista – muitas pessoas melhoram com o tempo.
– Seja paciente – a recuperação é um processo.
6. “Meu filho é viciado em jogos online. O que eu faço?”
O vício em jogos online é um problema sério, especialmente em adolescentes. Ele pode causar:
– Isolamento social.
– Queda no desempenho escolar.
– Problemas de sono e alimentação.
– Agressividade quando impedido de jogar.
O que você pode fazer:
✔ Estabeleça limites:
– Defina horários para jogar (ex.: 1 hora por dia).
– Use controles parentais para bloquear o acesso fora desses horários.
✔ Incentive outras atividades:
– Esportes, música, arte – qualquer coisa que tire o foco dos jogos.
✔ Converse sobre o problema:
– Não julgue (“Você é preguiçoso”).
– Mostre preocupação (“Eu percebi que você está passando muito tempo no jogo e queria saber como você está se sentindo”).
✔ Procure ajuda profissional:
– Psicólogo (para entender as causas do vício).
– Psiquiatra (se houver sinais de depressão ou ansiedade).
✔ Dê o exemplo:
– Reduza seu próprio tempo nas redes sociais.
– Mostre que há vida fora da internet.
O que NÃO fazer:
❌ Tirar o computador ou celular de uma vez (isso pode causar sintomas de abstinência, como irritabilidade e ansiedade).
❌ Chamar de “vagabundo” (isso só vai piorar a autoestima).
❌ Ignorar o problema (ele não vai passar sozinho).
7. “Eu tenho Transtorno Explosivo Intermitente e já agredi pessoas. Como posso me controlar?”
É muito difícil conviver com acessos de raiva, especialmente quando eles machucam as pessoas que você ama. Mas é possível aprender a controlar.
O que pode ajudar:
✔ Técnicas de controle no momento da raiva:
– Respiração 4-7-8 (inspire por 4 segundos, segure por 7, expire por 8).
– Sair do ambiente (vá para outro cômodo ou dê uma volta).
– Contar até 10 (ou até 100, se precisar).
✔ Terapia:
– Terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajuda a identificar gatilhos e mudar padrões de pensamento.
– Terapia de regulação emocional (DBT) ensina habilidades para lidar com a raiva.
✔ Medicamentos:
– Estabilizadores de humor (como lítio) podem ajudar.
– Antipsicóticos atípicos (como risperidona) podem reduzir a agressividade.
✔ Exercício físico:
– Correr, boxe, artes marciais ajudam a liberar a tensão.
✔ Grupos de apoio:
– Conversar com outras pessoas que têm o mesmo problema ajuda a se sentir menos sozinho.
Dica:
– Peça desculpas depois dos acessos – isso mostra que você reconhece o problema e quer mudar.
– Evite situações de risco (ex.: não discuta quando estiver cansado ou estressado).
8. “Eu tenho jogo patológico e já perdi tudo. Como recomeçar?”
Perder tudo por causa do jogo é uma das piores sensações do mundo, mas é possível recomeçar. Muitas pessoas se recuperam e reconstroem suas vidas.
Passos para recomeçar:
✔ Reconheça o problema:
– Admita para si mesmo que você tem um transtorno e precisa de ajuda.
✔ Procure tratamento:
– Jogadores Anônimos (GA): Grupos de apoio para quem quer parar de jogar.
– Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Ajuda a entender os gatilhos e mudar padrões de pensamento.
– Psiquiatra: Alguns remédios (como naltrexona) podem reduzir o impulso de jogar.
✔ Proteja suas finanças:
– Dê o controle do dinheiro para alguém de confiança.
– Cancele cartões de crédito.
– Evite locais de jogo (cassinos, bingos, sites de apostas).
✔ Reconstrua sua vida aos poucos:
– Volte a trabalhar (mesmo que seja algo simples no começo).
– Reconecte-se com a família e amigos.
– Encontre novos hobbies (esportes, arte, voluntariado).
✔ Seja paciente:
– A recuperação não é linear – você pode ter recaídas, mas não desista.
– Celebre as pequenas vitórias (ex.: “Hoje não joguei”).
Histórias de esperança:
– João perdeu a casa e o carro por causa do jogo, mas procurou ajuda no GA. Hoje, está 5 anos sem jogar e reconstruiu sua vida.
– Maria mentiu para a família por anos, mas começou terapia e contou a verdade. Hoje, tem um relacionamento aberto com os filhos.
9. “Eu tenho compras compulsivas e já tentei parar várias vezes. Por que não consigo?”
As compras compulsivas não são sobre falta de força de vontade – são sobre um desequilíbrio no cérebro que faz você buscar alívio no ato de comprar. É como um vício: quanto mais você compra, mais difícil fica parar.
Por que é tão difícil?
– O cérebro se acostuma com a descarga de dopamina (o “hormônio do prazer”) que vem com as compras.
– Os gatilhos estão em todo lugar (propagandas, promoções, redes sociais).
– A culpa depois das compras pode levar a mais compras (um ciclo vicioso).
O que pode ajudar?
✔ Terapia cognitivo-comportamental (TCC):
– Ajuda a identificar gatilhos (ex.: estresse, tédio).
– Ensina técnicas para resistir ao impulso (como a regra dos 10 minutos).
✔ Medicamentos:
– ISRS (como fluoxetina) podem reduzir a ansiedade que leva às compras.
– Naltrexona pode diminuir o prazer associado às compras.
✔ Mudanças práticas:
– Deixe o cartão de crédito em casa.
– Faça uma lista antes de ir ao mercado e não compre nada fora dela.
– Evite lojas e sites de compras quando estiver triste ou ansiosa.
✔ Substituição de comportamento:
– Quando sentir vontade de comprar, faça outra coisa (caminhar, ligar para um amigo, cozinhar).
✔ Grupos de apoio:
– Devedores Anônimos é um grupo para pessoas com problemas financeiros por causa de compras compulsivas.
Dica:
– Não se culpe – você está doente, não é “fraca”.
– Peça ajuda – você não precisa passar por isso sozinha.
10. “Meu parceiro tem cleptomania e eu não sei como lidar com isso. O que eu faço?”
Descobrir que seu parceiro tem cleptomania pode ser confuso e assustador, especialmente se você não entende o transtorno. Mas é possível lidar com isso de forma saudável.
O que você pode fazer:
✔ Eduque-se sobre o transtorno:
– Leia sobre cleptomania (este guia é um bom começo).
– Entenda que não é sobre você – ele não rouba porque “não te ama” ou “é mau”.
✔ Converse com ele:
– Escolha um momento calmo (não durante ou logo depois de um episódio).
– Use frases como:
– “Eu percebi que você tem dificuldade em controlar o impulso de roubar. Como você se sente sobre isso?”
– “Eu te amo e quero te ajudar. Você já pensou em procurar um psicólogo?”
✔ Incentive o tratamento:
– Ajude-o a encontrar um profissional (psicólogo, psiquiatra).
– Ofereça-se para ir às consultas com ele (se ele quiser).
✔ Proteja-se:
– Não encubra os roubos (ex.: não minta para a polícia ou para a família).
– Não assuma a culpa (“Se eu fosse uma esposa melhor, ele não faria isso”).
– Estabeleça limites (“Se você continuar roubando, vou precisar me afastar”).
✔ Cuide de si mesma:
– Procure terapia para lidar com a situação.
– Participe de grupos para familiares (como Cleptomaníacos Anônimos para familiares).
O que NÃO fazer:
❌ Chamar de “ladrão” (isso só aumenta a vergonha e a culpa).
❌ Ignorar o problema (ele não vai melhorar sozinho).
❌ Fazer ameaças vazias (ex.: “Se você roubar de novo, eu vou embora” – e não cumprir).
Quando procurar ajuda urgente
A maioria dos transtornos de impulso não é uma emergência médica, mas algumas situações exigem ajuda imediata. Procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192) se:
1. Risco de suicídio
- A pessoa fala em se matar (“Eu não aguento mais”, “Seria melhor se eu não existisse”).
- Ela fez planos ou tentativas de suicídio.
- Está se despedindo das pessoas ou doando bens.
O que fazer?
– Não a deixe sozinha.
– Ligue para o CVV (188) – eles oferecem apoio emocional 24 horas.
– Leve-a para um pronto-socorro ou chame o SAMU (192).
2. Agressão física grave
- A pessoa agrediu alguém fisicamente (socos, chutes, uso de objetos).
- Ela quebrou objetos de forma violenta.
- Está ameaçando machucar alguém.
O que fazer?
– Afaste-se se estiver em perigo.
– Chame a polícia (190) se houver risco imediato.
– Procure um pronto-socorro para avaliação psiquiátrica.
3. Overdose ou intoxicação
- A pessoa tomou remédios em excesso (intencionalmente ou não).
- Está confusa, sonolenta ou inconsciente.
- Vomitando ou tendo convulsões.
O que fazer?
– Chame o SAMU (192) imediatamente.
– Não dê nada para ela comer ou beber.
– Se possível, leve a embalagem do remédio para o hospital.
4. Crise de ansiedade grave
- A pessoa não consegue respirar, tem dor no peito ou sensação de morte iminente.
- Está tremendo, suando ou com o coração acelerado.
- Não consegue se acalmar.
O que fazer?
– Leve-a para um pronto-socorro.
– Ajude-a a respirar lentamente (inspire pelo nariz, expire pela boca).
– Não a deixe sozinha.
5. Comportamentos de risco extremos
- Dirigir embriagado ou em alta velocidade.
- Provocar incêndios de forma perigosa (piromania).
- Roubar em situações de alto risco (cleptomania).
O que fazer?
– Intervenha se possível (ex.: tire as chaves do carro).
– Procure ajuda profissional imediatamente.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Grant, J. E., & Potenza, M. N. The Oxford Handbook of Impulse Control Disorders. Oxford University Press, 2012.
- Hollander, E., & Stein, D. J. Clinical Manual of Impulse-Control Disorders. American Psychiatric Publishing, 2006.
- Black, D. W. A review of compulsive buying disorder. World Psychiatry, 2007.
- Chamberlain, S. R., et al. Trichotillomania: neurobiology and treatment. Neuropsychopharmacology, 2009.
- Petry, N. M. Pathological gambling: etiology, comorbidity, and treatment. American Psychological Association, 2005.
- Coccaro, E. F. Intermittent explosive disorder as a disorder of impulsive aggression for DSM-5. American Journal of Psychiatry, 2012.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.