Um guia completo para entender, reconhecer e lidar com essa condição
O que é?
Imagine que a personalidade é como o “sistema operacional” de uma pessoa — aquele conjunto de características que define como ela pensa, sente, age e se relaciona com o mundo. Para a maioria das pessoas, esse “sistema” funciona de forma flexível: elas conseguem se adaptar a diferentes situações, lidar com estresse, manter relacionamentos saudáveis e seguir em frente mesmo quando as coisas não saem como planejado.
Agora, pense em alguém cujo “sistema operacional” parece estar com um bug persistente. Não é uma falha passageira, como um dia ruim ou uma fase difícil, mas algo que afeta a pessoa de forma profunda e duradoura. Ela pode ter dificuldade em controlar emoções, manter relacionamentos estáveis, seguir regras sociais ou lidar com frustrações. Esses padrões não são escolhas conscientes, mas sim formas rígidas e mal-adaptativas de funcionar que causam sofrimento — tanto para a pessoa quanto para quem convive com ela.
O Transtorno da Personalidade e do Comportamento do Adulto, Não Especificado (F69) é justamente isso: um diagnóstico usado quando uma pessoa apresenta traços de personalidade tão inflexíveis e problemáticos que prejudicam sua vida, mas que não se encaixam perfeitamente em nenhum dos transtornos de personalidade específicos (como borderline, antissocial, narcisista, etc.). É como se a pessoa tivesse “peças” de vários transtornos, mas sem preencher todos os critérios de nenhum deles. Ou então, seus sintomas são tão únicos que não há uma categoria pronta para descrevê-los.
Como isso se diferencia de reações normais ou outras condições?
Todo mundo tem dias em que age de forma impulsiva, desconfiada ou emocionalmente instável. A diferença está na intensidade, duração e impacto desses comportamentos:
– Reações normais: São passageiras, não prejudicam a vida da pessoa e não causam sofrimento prolongado. Exemplo: Ficar irritado depois de um dia estressante no trabalho é normal. Ter uma crise de choro após uma perda também é esperado.
– Transtorno de personalidade (F69): Os padrões são rígidos, duradouros (desde a adolescência ou início da vida adulta) e causam prejuízos significativos. Exemplo: Uma pessoa que, desde os 15 anos, tem explosões de raiva tão intensas que já perdeu empregos, relacionamentos e até foi expulsa de lugares. Ou alguém que, por desconfiar demais dos outros, vive isolado e não consegue manter amizades.
Outra diferença importante é que o F69 não é causado por uma doença física (como um tumor cerebral), uso de drogas ou outro transtorno mental (como depressão ou esquizofrenia). Se os sintomas apareceram depois de um trauma craniano ou por causa de cocaína, por exemplo, o diagnóstico não seria F69.
Quem é afetado? Dados epidemiológicos
Não há muitos estudos específicos sobre o F69, porque ele é um diagnóstico “guarda-chuva” — usado quando os sintomas não se encaixam em outras categorias. Mas podemos ter uma ideia olhando para os transtornos de personalidade em geral:
– Prevalência: Cerca de 10 a 15% da população geral tem algum transtorno de personalidade. O F69 provavelmente representa uma pequena parte desses casos, mas não há números exatos.
– Idade: Os sintomas começam na adolescência ou no início da vida adulta (por volta dos 18-25 anos) e persistem por décadas. Não é algo que surge do nada aos 50 anos.
– Gênero: Alguns transtornos de personalidade são mais comuns em homens (como o antissocial) e outros em mulheres (como o borderline). O F69 não tem uma diferença clara de gênero, porque ele engloba sintomas variados.
– No Brasil: Não há dados específicos sobre o F69, mas estudos mostram que transtornos de personalidade são subdiagnosticados no país, especialmente no SUS, onde o foco costuma ser em transtornos mais “visíveis”, como depressão e esquizofrenia.
Contexto histórico
Os transtornos de personalidade começaram a ser estudados no século XIX, mas só ganharam destaque na psiquiatria moderna a partir dos anos 1980, com a publicação do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Antes disso, pessoas com esses padrões eram rotuladas como “difíceis”, “problemáticas” ou até “más”, sem que houvesse uma compreensão médica do que estava acontecendo.
O F69 surgiu como uma categoria de exclusão — ou seja, é usado quando os sintomas não se encaixam em nenhum dos transtornos de personalidade já definidos (como paranoide, borderline, esquizoide, etc.). Isso não significa que a pessoa tenha algo “menos grave” ou “mais leve”, mas sim que seu quadro é atípico ou misturado.
Quais são os sintomas?
Como o F69 é um diagnóstico “não especificado”, ele não tem uma lista fixa de sintomas como outros transtornos. Em vez disso, o médico avalia se a pessoa tem padrões persistentes de comportamento, pensamento e emoções que:
1. São inflexíveis e mal-adaptativos (não se ajustam às situações).
2. Causam sofrimento ou prejuízo (no trabalho, nos relacionamentos, na saúde).
3. Começaram na adolescência ou início da vida adulta e duram anos.
4. Não são explicados por outra condição (como depressão, ansiedade, uso de drogas ou doenças neurológicas).
Para facilitar, vamos dividir os possíveis sintomas em categorias, baseadas nos transtornos de personalidade mais conhecidos. Lembre-se: ter um ou dois desses sintomas não significa ter F69. O que importa é o conjunto, a intensidade e o impacto na vida.
1. Sintomas relacionados à desconfiança e paranoia (como no Transtorno de Personalidade Paranoide)
O que é?
A pessoa interpreta as ações dos outros como ameaçadoras, maldosas ou enganosas, mesmo quando não há evidências disso. Ela vive em estado de alerta, como se o mundo fosse um lugar perigoso onde todos querem prejudicá-la.
Exemplos do dia a dia:
– No trabalho: Um colega faz uma crítica construtiva sobre um relatório, e a pessoa interpreta como uma tentativa de sabotar sua carreira. Ela pode até começar a evitar esse colega ou espalhar boatos sobre ele.
– Nos relacionamentos: O parceiro(a) chega 20 minutos atrasado do trabalho, e a pessoa logo pensa: “Ele(a) está me traindo, tenho certeza”. Ela pode revistar o celular, seguir a pessoa ou fazer acusações sem provas.
– Na família: Um irmão empresta dinheiro e não paga na data combinada. A pessoa logo conclui: “Ele quer me deixar na mão de propósito” e corta relações com ele.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Desconfiar de alguém que já te enganou antes.
– Sintomático: Desconfiar de todo mundo, o tempo todo, mesmo de pessoas próximas e confiáveis.
2. Sintomas relacionados à instabilidade emocional e impulsividade (como no Transtorno de Personalidade Borderline)
O que é?
A pessoa tem emoções intensas e instáveis, que mudam rapidamente. Ela pode passar de feliz para furiosa em minutos, sem motivo aparente. Além disso, age de forma impulsiva, sem pensar nas consequências.
Exemplos do dia a dia:
– Compras impulsivas: Gasta todo o salário em um dia, mesmo sabendo que não pode. Depois, se arrepende e fica deprimida.
– Relacionamentos turbulentos: Em um dia, idolatra o parceiro(a); no outro, o odeia e ameaça terminar tudo. Pode alternar entre pedidos de desculpas e explosões de raiva.
– Automutilação ou tentativas de suicídio: Corta os braços, toma remédios em excesso ou ameaça se matar após uma briga, como forma de aliviar a dor emocional.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Ficar chateado após uma discussão e precisar de um tempo para se acalmar.
– Sintomático: Explodir em raiva por algo pequeno (como o parceiro esquecer de comprar pão) e quebrar objetos, gritar ou se machucar.
3. Sintomas relacionados à indiferença e isolamento (como no Transtorno de Personalidade Esquizoide)
O que é?
A pessoa não sente prazer em relacionamentos, prefere ficar sozinha e parece emocionalmente fria ou distante. Ela não é tímida ou ansiosa — simplesmente não vê sentido em se conectar com os outros.
Exemplos do dia a dia:
– No trabalho: Recusa convites para happy hours, almoços com colegas ou festas da empresa. Quando perguntam por quê, responde: “Prefiro ficar em casa lendo”.
– Na família: Não liga para os pais há meses, não comemora aniversários e não demonstra afeto. Quando alguém reclama, diz: “Não vejo motivo para isso”.
– Nos relacionamentos amorosos: Pode até namorar, mas trata o parceiro(a) como um “conhecido”, sem intimidade ou demonstrações de carinho.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Gostar de ficar sozinho às vezes e não ser muito fã de festas.
– Sintomático: Nunca sentir falta de companhia, nunca ter amigos próximos e não se importar com a solidão.
4. Sintomas relacionados à manipulação e falta de empatia (como no Transtorno de Personalidade Antissocial)
O que é?
A pessoa desrespeita regras, mente, manipula os outros e não sente culpa. Ela pode ser charmosa e persuasiva, mas usa isso para tirar vantagem das pessoas, sem se importar com o sofrimento que causa.
Exemplos do dia a dia:
– No trabalho: Inventa desculpas para não trabalhar, copia ideias dos colegas e leva o crédito, ou até rouba dinheiro da empresa.
– Nos relacionamentos: Mente sobre onde estava, inventa histórias para ganhar pena ou chantageia emocionalmente o parceiro(a) para conseguir o que quer.
– Na família: Pede dinheiro emprestado e nunca paga, ou convence um parente a assinar um documento sem explicar os riscos.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Contar uma mentirinha para evitar uma briga (ex.: “Não vi sua mensagem” quando na verdade ignorou).
– Sintomático: Mentir constantemente, mesmo quando não há necessidade, e não sentir remorso por prejudicar os outros.
5. Sintomas relacionados à necessidade excessiva de atenção (como no Transtorno de Personalidade Histriônica)
O que é?
A pessoa precisa ser o centro das atenções o tempo todo e faz de tudo para chamar a atenção — mesmo que isso signifique exagerar, dramatizar ou se colocar em situações constrangedoras.
Exemplos do dia a dia:
– Em festas: Conta histórias exageradas sobre sua vida, chora “de emoção” sem motivo ou faz escândalos para ser notada.
– Nas redes sociais: Posta fotos sensuais, inventa doenças ou dramas familiares para ganhar curtidas e comentários.
– No trabalho: Veste roupas chamativas, interrompe reuniões para falar de si mesma ou inventa problemas para que os colegas a consolem.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Gostar de ser elogiado ou se sentir feliz quando recebe atenção.
– Sintomático: Ficar ansioso ou deprimido quando não é o centro das atenções e fazer de tudo para ser notado, mesmo que isso prejudique sua imagem.
6. Sintomas relacionados à rigidez e perfeccionismo (como no Transtorno de Personalidade Anancástica/Obssessivo-Compulsiva)
O que é?
A pessoa é extremamente rígida, perfeccionista e controladora. Ela segue regras à risca, tem dificuldade em delegar tarefas e fica ansiosa quando as coisas não saem como planejou.
Exemplos do dia a dia:
– No trabalho: Revisa um relatório 20 vezes antes de entregar, fica irritada se um colega faz algo “fora do padrão” e não consegue trabalhar em equipe porque “ninguém faz do jeito certo”.
– Em casa: Organiza os armários por cor e tamanho, fica estressada se alguém bagunça e não consegue relaxar em um domingo porque “tem que adiantar tarefas”.
– Nos relacionamentos: Critica o parceiro(a) por pequenas coisas (ex.: “Você dobrou a toalha errado”) e não consegue aproveitar momentos de lazer porque está sempre pensando no que “deveria estar fazendo”.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Gostar de organização e ter padrões altos para si mesmo.
– Sintomático: Ficar paralisado se algo sai do planejado e prejudicar relacionamentos por causa do perfeccionismo.
7. Sintomas relacionados à dependência excessiva (como no Transtorno de Personalidade Dependente)
O que é?
A pessoa tem medo extremo de ser abandonada e faz de tudo para agradar os outros, mesmo que isso signifique abrir mão de suas próprias necessidades. Ela se sente incapaz de tomar decisões sozinha e busca constantemente aprovação.
Exemplos do dia a dia:
– Nos relacionamentos: Fica com um parceiro(a) abusivo porque tem medo de ficar sozinha. Faz tudo o que ele(a) pede, mesmo que seja humilhante.
– No trabalho: Não dá opiniões em reuniões por medo de ser criticada. Aceita tarefas extras mesmo quando está sobrecarregada.
– Na família: Não consegue dizer “não” aos pais, mesmo quando já é adulta. Deixa que eles decidam sua carreira, relacionamentos e até o que vestir.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Pedir conselhos para tomar uma decisão importante.
– Sintomático: Não conseguir tomar nenhuma decisão sem a aprovação de alguém e sentir pânico só de pensar em ficar sozinho.
E se eu me identificar com alguns sintomas?
Ter um ou dois desses traços não significa que você tem F69. Todos nós temos características de personalidade que podem ser mais fortes em determinadas situações. O que define um transtorno é:
✅ O padrão é rígido e inflexível (não muda, mesmo quando causa problemas).
✅ Começou na adolescência ou início da vida adulta (não é algo que surgiu depois de um trauma recente).
✅ Causa sofrimento ou prejuízo (no trabalho, nos relacionamentos, na saúde).
✅ Não é explicado por outra condição (como depressão, ansiedade, uso de drogas ou doenças neurológicas).
Se você se identificou com vários sintomas, de forma intensa e duradoura, pode ser um sinal de que vale a pena buscar uma avaliação profissional.
Como se manifesta no dia a dia?
Os sintomas do F69 não aparecem só em momentos de crise — eles infiltram todas as áreas da vida, como uma sombra que acompanha a pessoa em cada decisão, relacionamento e desafio. Vamos ver como isso se manifesta na prática.
No trabalho ou na escola
O ambiente profissional é um dos lugares onde os transtornos de personalidade mais aparecem, porque exige adaptação, trabalho em equipe e controle emocional — coisas que podem ser difíceis para quem tem padrões rígidos de comportamento.
Exemplos comuns:
– Dificuldade em seguir regras: Uma pessoa com traços antissociais pode “dar um jeitinho” para burlar normas da empresa, como bater ponto por um colega ou falsificar documentos. Ela não vê problema nisso, porque acredita que as regras são “para os outros”.
– Conflitos com colegas: Alguém com traços paranoides pode interpretar uma piada como uma ofensa pessoal e começar uma briga. Ou uma pessoa com traços borderline pode ter explosões de raiva quando um projeto não sai como ela queria.
– Perfeccionismo paralisante: Quem tem traços anancásticos (obsessivo-compulsivos) pode passar horas revisando um relatório simples, atrasando a entrega e irritando a equipe. Ela não consegue “deixar passar” nenhum detalhe.
– Falta de comprometimento: Uma pessoa com traços esquizoides pode não se importar com promoções, feedbacks ou demissões. Ela faz o mínimo necessário e não vê sentido em se esforçar mais.
– Manipulação: Alguém com traços histriônicos ou antissociais pode espalhar fofocas, puxar o saco do chefe ou sabotar colegas para se destacar.
Impacto:
– Demissões frequentes: Muitas pessoas com F69 têm um histórico de empregos curtos, porque não conseguem se adaptar às regras ou lidar com conflitos.
– Estagnação na carreira: O perfeccionismo ou a dificuldade em trabalhar em equipe podem impedir promoções.
– Estresse crônico: A pessoa vive em estado de alerta, como se estivesse sempre “pisando em ovos” para não ser demitida ou criticada.
Nos relacionamentos
Os relacionamentos são um dos maiores desafios para quem tem F69, porque exigem empatia, flexibilidade e comunicação — habilidades que podem estar comprometidas.
Exemplos comuns:
– Relacionamentos turbulentos: Uma pessoa com traços borderline pode alternar entre idealizar e demonizar o parceiro(a). Em um dia, diz “Você é a pessoa mais incrível do mundo”; no outro, grita “Você é um monstro!” e ameaça terminar tudo.
– Ciúme excessivo: Alguém com traços paranoides pode acusar o parceiro(a) de traição sem provas, revistar o celular ou proibir amizades com pessoas do sexo oposto.
– Frieza emocional: Uma pessoa com traços esquizoides pode não demonstrar afeto, não comemorar datas importantes e tratar o parceiro(a) como um “conhecido”.
– Dependência emocional: Quem tem traços dependentes pode se submeter a relacionamentos abusivos por medo de ficar sozinho. Ela aceita humilhações, traições e até violência física porque acredita que “ninguém mais vai querer ficar com ela”.
– Manipulação: Alguém com traços antissociais pode mentir, chantagear ou usar o sexo como moeda de troca para conseguir o que quer.
Impacto:
– Solidão: Muitas pessoas com F69 acabam isoladas, porque os relacionamentos são tão desgastantes que elas preferem evitar novos vínculos.
– Culpa e vergonha: Após uma explosão de raiva ou uma traição, a pessoa pode se sentir profundamente arrependida, mas não consegue mudar o padrão.
– Ciclos de abuso: Relacionamentos com pessoas com traços antissociais ou borderline podem se tornar tóxicos, com episódios de violência, manipulação e reconciliações dramáticas.
Na rotina (sono, alimentação, autocuidado, lazer)
Os sintomas do F69 também afetam os hábitos diários, porque a pessoa pode ter dificuldade em manter uma rotina saudável ou encontrar prazer nas pequenas coisas.
Exemplos comuns:
– Sono irregular: Quem tem traços borderline ou histriônicos pode dormir muito pouco (por ansiedade) ou demais (por depressão). Ou então, fica acordado até tarde nas redes sociais, buscando validação.
– Alimentação desregulada: Uma pessoa com traços impulsivos pode comer compulsivamente após uma briga ou pular refeições por estresse. Outras desenvolvem transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia.
– Negligência com a saúde: Alguém com traços esquizoides ou antissociais pode ignorar sintomas físicos, não ir ao médico e não tomar remédios prescritos. Já quem tem traços dependentes pode exagerar nos cuidados, buscando atenção médica por qualquer motivo.
– Falta de lazer: Uma pessoa com traços anancásticos pode não conseguir relaxar, porque está sempre “ocupada” com tarefas. Já quem tem traços borderline pode alternar entre períodos de hiperatividade (fazer 10 coisas ao mesmo tempo) e apatia total (passar dias na cama).
– Automutilação: Cortar-se, queimar-se ou bater a cabeça são comportamentos comuns em pessoas com traços borderline, como forma de aliviar a dor emocional.
Impacto:
– Problemas de saúde: A negligência com o corpo pode levar a doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou obesidade.
– Vício em substâncias: Muitas pessoas com F69 usam álcool, drogas ou remédios para lidar com as emoções, o que pode levar à dependência.
– Isolamento social: A falta de rotina saudável pode fazer com que a pessoa se afaste de amigos e familiares, piorando ainda mais o quadro.
Na saúde física
O corpo e a mente estão conectados, e os transtornos de personalidade podem se manifestar de formas físicas. Alguns exemplos:
– Dores crônicas: Estresse constante pode causar dores de cabeça, tensão muscular e problemas gastrointestinais (como gastrite ou síndrome do intestino irritável).
– Doenças autoimunes: Estudos mostram que pessoas com transtornos de personalidade têm maior risco de desenvolver doenças como lúpus, artrite reumatoide e tireoidite de Hashimoto.
– Problemas cardíacos: A impulsividade e a raiva frequente estão associadas a hipertensão e infartos.
– Sistema imunológico enfraquecido: O estresse crônico pode deixar a pessoa mais suscetível a gripes, infecções e até câncer.
Por que isso acontece?
Quando uma pessoa vive em estado de alerta constante (como no caso dos traços paranoides ou borderline), o corpo libera hormônios do estresse (como cortisol e adrenalina) em excesso. Com o tempo, isso desgasta o organismo, levando a inflamações, dores e doenças.
O que causa essa condição?
Se você ou alguém que você ama recebeu um diagnóstico de F69, é natural se perguntar: “Por que isso aconteceu?”. A resposta não é simples, porque não existe uma única causa. Os transtornos de personalidade surgem de uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais — como um quebra-cabeça em que várias peças precisam se encaixar.
Vamos entender cada uma delas.
1. Fatores genéticos: “Vem de família?”
Sim, mas não é tão simples quanto “se meu pai tinha, eu também vou ter”. A genética influencia os transtornos de personalidade de duas formas:
– Herança direta: Se um dos pais tem um transtorno de personalidade (como borderline ou antissocial), o filho tem 3 a 5 vezes mais chances de desenvolver um também. Isso não significa que ele vai ter, mas que o risco é maior.
– Vulnerabilidade genética: Alguns genes podem tornar uma pessoa mais sensível ao estresse, mais impulsiva ou mais propensa a desenvolver padrões rígidos de pensamento. É como se o cérebro estivesse “pré-programado” para reagir de forma mais intensa às dificuldades da vida.
Analogia:
Imagine que o cérebro é um computador. Algumas pessoas nascem com um hardware mais sensível — como um processador que esquenta rápido ou uma placa de vídeo que não aguenta jogos pesados. Se esse computador for exposto a um software ruim (traumas, abuso, negligência), ele pode travar ou funcionar de forma errática.
2. Fatores neurobiológicos: “O que acontece no cérebro?”
Estudos de neuroimagem (como ressonâncias magnéticas) mostram que pessoas com transtornos de personalidade têm diferenças na estrutura e no funcionamento do cérebro, especialmente em áreas relacionadas a:
– Controle emocional (amígdala e córtex pré-frontal): A amígdala, que funciona como um “alarme” para perigos, pode estar hiperativa, fazendo com que a pessoa reaja de forma exagerada a situações neutras. Já o córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio e controle de impulsos, pode estar menos ativo, dificultando a tomada de decisões racionais.
– Empatia e conexão social (córtex cingulado anterior e ínsula): Algumas pessoas com traços antissociais ou esquizoides têm menor ativação nessas áreas, o que pode explicar a dificuldade em se colocar no lugar do outro.
– Memória e aprendizado (hipocampo): O hipocampo, que ajuda a processar memórias, pode ser menor em pessoas com histórico de traumas, o que dificulta a aprendizagem de novos padrões de comportamento.
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços borderline pode ter uma amígdala hiperativa, o que faz com que ela interprete uma crítica no trabalho como uma ameaça à sua sobrevivência. Em vez de pensar “Meu chefe está estressado, não é pessoal”, ela reage como se estivesse sendo atacada: chora, grita ou ameaça pedir demissão.
3. Fatores ambientais: “O que aconteceu na minha vida?”
As experiências que vivemos — especialmente na infância e adolescência — têm um peso enorme no desenvolvimento da personalidade. Alguns fatores de risco incluem:
– Traumas na infância:
– Abuso físico, sexual ou emocional: Crianças que sofrem violência têm maior risco de desenvolver transtornos de personalidade, porque aprendem que o mundo é um lugar perigoso e que as pessoas não são confiáveis.
– Negligência: Crianças que não recebem afeto, atenção ou cuidados básicos podem crescer com dificuldade em formar vínculos saudáveis.
– Abandono: Perder um dos pais (por morte, divórcio ou abandono) pode gerar um medo constante de ser deixado para trás.
– Ambiente familiar instável:
– Pais com transtornos mentais (depressão, alcoolismo, transtorno de personalidade).
– Brigas constantes, violência doméstica ou pais emocionalmente distantes.
– Regras rígidas e punições excessivas (como no caso de famílias muito autoritárias).
– Bullying e rejeição social:
– Crianças que sofrem bullying na escola podem desenvolver desconfiança, baixa autoestima ou comportamentos agressivos.
– Adolescentes que são excluídos do grupo podem se tornar isolados ou dependentes de validação externa.
– Eventos estressantes na vida adulta:
– Perda de emprego, divórcio, doenças graves ou acidentes podem desencadear sintomas em pessoas que já tinham uma vulnerabilidade genética.
Analogia:
Imagine que a personalidade é como uma planta. Se ela nasce em um solo fértil (ambiente seguro, afetuoso), com água e sol na medida certa (estímulos saudáveis), ela cresce forte e flexível. Mas se o solo é pobre (negligência), com tempestades frequentes (traumas) e falta de cuidados (abandono), a planta pode crescer torta, frágil ou com espinhos.
4. Fatores da gestação e desenvolvimento
Alguns estudos sugerem que o que acontece antes mesmo do nascimento pode influenciar o risco de transtornos de personalidade:
– Exposição a substâncias na gravidez: Bebês cujas mães fumaram, beberam álcool ou usaram drogas durante a gestação têm maior risco de desenvolver problemas de impulsividade e controle emocional.
– Estresse materno: Mulheres que passam por estresse extremo durante a gravidez (como violência doméstica ou pobreza extrema) podem ter bebês com maior sensibilidade ao estresse.
– Complicações no parto: Falta de oxigênio no cérebro do bebê (hipóxia) ou parto prematuro podem aumentar o risco de problemas neurológicos que afetam a personalidade.
Exemplo:
Um estudo mostrou que crianças cujas mães sofreram violência doméstica durante a gravidez tinham maior risco de desenvolver traços antissociais na vida adulta.
5. Modelo biopsicossocial: “É genética ou ambiente?”
A resposta é: os dois. Os transtornos de personalidade surgem da interação entre:
– Biologia (genes, cérebro, hormônios).
– Psicologia (traumas, aprendizados, crenças).
– Social (família, cultura, sociedade).
Exemplo prático:
Uma pessoa pode ter genes que a tornam mais impulsiva (biologia) + ter sofrido abuso na infância (psicologia) + viver em uma sociedade que valoriza a agressividade (social). Juntos, esses fatores aumentam muito o risco de desenvolver um transtorno de personalidade.
Mitos e verdades sobre as causas
❌ Mito 1: “Transtorno de personalidade é frescura ou falta de força de vontade.”
✅ Verdade: É uma condição médica, assim como diabetes ou hipertensão. A pessoa não escolhe ter esses padrões — eles são resultado de uma combinação de fatores biológicos e ambientais.
❌ Mito 2: “Só quem teve uma infância horrível desenvolve transtorno de personalidade.”
✅ Verdade: Traumas aumentam o risco, mas não são a única causa. Algumas pessoas desenvolvem transtornos de personalidade mesmo tendo tido uma infância aparentemente normal, por causa de fatores genéticos ou neurobiológicos.
❌ Mito 3: “Transtorno de personalidade não tem cura.”
✅ Verdade: Não existe uma “cura” no sentido de voltar a ser como antes, mas é possível aprender a lidar com os sintomas e ter uma vida plena. Muitas pessoas melhoram significativamente com tratamento.
❌ Mito 4: “Quem tem transtorno de personalidade é perigoso.”
✅ Verdade: A maioria das pessoas com transtornos de personalidade não é violenta. Alguns subtipos (como o antissocial) têm maior risco de comportamentos agressivos, mas a maioria sofre mais do que causa sofrimento.
❌ Mito 5: “Só pessoas fracas desenvolvem transtorno de personalidade.”
✅ Verdade: Não tem nada a ver com força ou fraqueza. Pessoas com transtornos de personalidade muitas vezes são extremamente resilientes — elas sobrevivem a situações que quebrariam a maioria das pessoas. O problema não é falta de força, mas sim padrões de funcionamento que não se adaptam mais à vida adulta.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de F69 não é como fazer um exame de sangue e ter um resultado claro. É um processo complexo, demorado e que exige muita observação, porque os sintomas de transtornos de personalidade se confundem com outras condições e até com traços normais da personalidade.
Vamos entender como funciona na prática.
Passo 1: Reconhecer que algo não vai bem
Muitas pessoas com F69 não percebem que têm um problema. Elas podem achar que:
– “Todo mundo é assim.”
– “Eu só sou mais sensível/inteligente/forte do que os outros.”
– “As pessoas é que não me entendem.”
Sinais de que pode ser hora de buscar ajuda:
✔ Você já perdeu empregos, relacionamentos ou amizades por causa do seu jeito de ser.
✔ As pessoas frequentemente reclamam do seu comportamento (ex.: “Você é muito explosivo”, “Você não confia em ninguém”, “Você é muito dramático”).
✔ Você sofre muito por causa dos seus padrões (ex.: solidão, culpa, ansiedade).
✔ Você usa álcool, drogas ou automutilação para lidar com as emoções.
✔ Você já tentou mudar, mas não consegue.
Passo 2: Procurar um profissional
O diagnóstico de F69 só pode ser feito por médicos psiquiatras ou psicólogos clínicos com experiência em transtornos de personalidade. No Brasil, você pode buscar ajuda:
– No SUS: Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde) ou um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). O encaminhamento costuma ser feito pelo clínico geral ou pelo psicólogo da UBS.
– Na rede particular: Psiquiatras e psicólogos clínicos podem fazer a avaliação. O valor da consulta varia (de R$ 150 a R$ 500, em média).
– Em universidades: Algumas faculdades de psicologia e medicina oferecem atendimento gratuito ou de baixo custo com supervisão de professores.
Dica:
Se você não se sente à vontade com o primeiro profissional, não desista. Às vezes, é preciso tentar alguns até encontrar alguém com quem você se sinta seguro para falar.
Passo 3: A avaliação inicial
A primeira consulta costuma durar 1 hora ou mais e serve para o profissional entender:
– Seus sintomas: Quais são, há quanto tempo existem, como afetam sua vida.
– Sua história de vida: Infância, relacionamentos, traumas, uso de substâncias.
– Seus objetivos: O que você espera do tratamento.
Perguntas comuns na primeira consulta:
– “Como é um dia típico na sua vida?”
– “Você já teve problemas no trabalho ou nos relacionamentos por causa do seu jeito de ser?”
– “Como você lida com a raiva/tristeza/ansiedade?”
– “Você já pensou em se machucar ou se matar?”
– “Alguém na sua família tem problemas psicológicos?”
O que levar para a consulta:
– Uma lista dos seus sintomas (anote exemplos concretos do que te incomoda).
– Histórico médico (remédios que já tomou, doenças físicas).
– Histórico familiar (se alguém na família tem transtornos mentais).
– Dúvidas (anote tudo o que você quer perguntar).
Passo 4: Exames e testes
Não existe um exame de sangue ou de imagem que diagnostique F69. O diagnóstico é feito com base em:
– Entrevistas clínicas: O profissional faz perguntas detalhadas sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos.
– Testes psicológicos: Alguns questionários podem ajudar a identificar padrões de personalidade. Exemplos:
– MMPI (Inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota): Avalia traços de personalidade e possíveis transtornos.
– SCID-II (Entrevista Clínica Estruturada para Transtornos de Personalidade do DSM): Um questionário detalhado que cobre todos os transtornos de personalidade.
– Observação do comportamento: O profissional analisa como você se comporta durante a consulta (ex.: se é desconfiado, impulsivo, dramático).
– Histórico de vida: O médico pode pedir para falar com familiares ou amigos para entender melhor seus padrões.
Dica:
Não tente “enganar” o profissional. Seja honesto — o objetivo não é julgar, mas ajudar.
Passo 5: Diagnóstico diferencial (o que pode ser confundido com F69?)
Muitos sintomas de F69 se sobrepõem a outras condições. Por isso, o profissional precisa descartar outras possibilidades, como:
| Condição | Como se diferencia do F69? |
|---|---|
| Depressão | Na depressão, os sintomas (tristeza, desânimo) são episódicos (vêm e vão). No F69, os padrões são crônicos (duram anos). |
| Transtorno bipolar | No bipolar, há episódios claros de mania/depressão. No F69, as oscilações de humor são mais rápidas e reativas (ex.: raiva após uma crítica). |
| Transtorno de ansiedade | Na ansiedade, o medo é excessivo, mas específico (ex.: medo de falar em público). No F69, a desconfiança ou impulsividade são generalizadas. |
| TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) | No TEPT, os sintomas (pesadelos, flashbacks) estão ligados a um trauma específico. No F69, os padrões são independentes de eventos traumáticos. |
| Esquizofrenia | Na esquizofrenia, há sintomas psicóticos (delírios, alucinações). No F69, a pessoa tem contato com a realidade, mas interpretações distorcidas. |
| TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) | No TDAH, a impulsividade e desatenção começam na infância. No F69, os sintomas aparecem na adolescência ou início da vida adulta. |
| Uso de substâncias | Se os sintomas apareceram após o uso de drogas, o diagnóstico não é F69. Pode ser um transtorno por uso de substâncias. |
Exemplo prático:
Uma pessoa com depressão pode ficar irritada e isolada durante um episódio depressivo, mas volta ao normal quando melhora. Já uma pessoa com F69 tem esses padrões o tempo todo, independentemente do humor.
Passo 6: O diagnóstico final
Depois de todas as avaliações, o profissional pode chegar a três conclusões:
1. F69 (Transtorno da Personalidade e do Comportamento do Adulto, Não Especificado): Quando os sintomas são claros, mas não se encaixam em nenhum transtorno específico.
2. Outro transtorno de personalidade: Se os sintomas se encaixam melhor em outra categoria (ex.: borderline, antissocial).
3. Outra condição: Se os sintomas são melhor explicados por depressão, ansiedade, TDAH, etc.
Quanto tempo leva para ter o diagnóstico?
– No mínimo, 2 a 3 consultas (às vezes mais, se o caso for complexo).
– Pode levar meses ou anos para um diagnóstico preciso, porque os transtornos de personalidade são difíceis de identificar.
O que fazer depois do diagnóstico?
– Não se assuste com o nome: O diagnóstico é uma ferramenta para entender e tratar, não um rótulo definitivo.
– Pergunte ao profissional: “O que isso significa na prática?”, “Quais são as opções de tratamento?”, “O que eu posso fazer agora?”.
– Busque apoio: Converse com pessoas de confiança ou procure grupos de apoio (como o CVV 188 ou associações de saúde mental).
Tratamento
Receber um diagnóstico de F69 pode ser assustador, mas a boa notícia é que é possível melhorar. Não existe uma “cura” mágica, mas com o tratamento certo, muitas pessoas conseguem:
– Controlar os sintomas (ex.: reduzir explosões de raiva, diminuir a desconfiança).
– Melhorar os relacionamentos (aprender a se comunicar melhor, confiar mais).
– Ter uma vida mais estável (manter empregos, cuidar da saúde, encontrar prazer nas pequenas coisas).
O tratamento do F69 costuma ser multidisciplinar, ou seja, envolve medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. Vamos entender cada parte.
1. Medicamentos
Não existe um remédio específico para F69, porque ele não é um transtorno único, mas uma combinação de sintomas. Os medicamentos são usados para controlar sintomas específicos, como:
– Impulsividade e agressividade: Estabilizadores de humor (como lítio ou valproato) ou antipsicóticos atípicos (como quetiapina ou risperidona).
– Ansiedade e desconfiança: Antidepressivos (como fluoxetina ou sertralina) ou ansiolíticos (como clonazepam, usado com cuidado por causa do risco de dependência).
– Depressão e oscilações de humor: Antidepressivos ou estabilizadores de humor.
– Insônia: Remédios para dormir (como zolpidem), sempre com acompanhamento médico.
Como os remédios funcionam?
Eles ajustam a química do cérebro, equilibrando neurotransmissores como:
– Serotonina (regula humor, sono, apetite).
– Dopamina (relacionada a prazer, motivação e impulsividade).
– Noradrenalina (afeta atenção, energia e resposta ao estresse).
Analogia:
Imagine que o cérebro é um carro. Os remédios são como ajustes no motor — eles não mudam o carro (sua personalidade), mas fazem com que ele funcione melhor, sem engasgar ou acelerar demais.
Quanto tempo para fazer efeito?
– Antidepressivos: 2 a 6 semanas.
– Estabilizadores de humor: 1 a 2 semanas (mas o efeito completo pode levar meses).
– Ansiolíticos: Alguns minutos (por isso são usados em crises), mas não devem ser tomados por longos períodos.
Efeitos colaterais comuns:
– Antidepressivos: Náusea, dor de cabeça, sonolência ou insônia, diminuição do desejo sexual.
– Estabilizadores de humor: Ganho de peso, tremores, sede excessiva (no caso do lítio).
– Antipsicóticos: Sonolência, tontura, rigidez muscular.
O que fazer se os remédios não funcionarem?
– Não desista na primeira tentativa: Às vezes, é preciso testar 2 ou 3 remédios até encontrar o certo.
– Converse com o médico: Ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento.
– Não pare de tomar por conta própria: Alguns remédios (como antidepressivos) podem causar síndrome de abstinência se parados abruptamente.
Mitos sobre medicamentos:
❌ “Remédio para transtorno de personalidade vicia.”
✅ Verdade: A maioria dos medicamentos usados não causa dependência. Os que têm risco (como os ansiolíticos) são prescritos com cuidado e por tempo limitado.
❌ “Remédio vai me deixar ‘dopado’ ou mudar minha personalidade.”
✅ Verdade: Os medicamentos não mudam quem você é. Eles ajudam a controlar os sintomas para que você possa viver melhor.
❌ “Se eu tomar remédio, não preciso de terapia.”
✅ Verdade: Os remédios aliviam os sintomas, mas a terapia ensina novas formas de pensar e agir. Os dois se complementam.
2. Psicoterapia
A psicoterapia é a parte mais importante do tratamento para F69, porque ajuda a pessoa a:
– Identificar padrões de pensamento e comportamento que causam sofrimento.
– Aprender novas formas de lidar com emoções (ex.: controlar a raiva, tolerar frustrações).
– Melhorar relacionamentos (comunicação, confiança, empatia).
– Desenvolver autoestima e autonomia.
Existem várias abordagens de terapia, mas as que têm mais evidências científicas para transtornos de personalidade são:
A. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
O que é?
A TCC parte do princípio de que nossos pensamentos influenciam nossas emoções e comportamentos. Se você muda a forma como pensa, muda também como se sente e age.
Como funciona?
– Identificação de pensamentos disfuncionais: O terapeuta ajuda a pessoa a reconhecer padrões de pensamento que causam sofrimento (ex.: “Todo mundo quer me prejudicar”, “Se eu não for perfeito, sou um fracasso”).
– Desafio desses pensamentos: A pessoa aprende a questionar se esses pensamentos são realistas (ex.: “Será que meu chefe realmente quer me prejudicar, ou ele só está estressado?”).
– Técnicas práticas: Exercícios para lidar com emoções (ex.: respiração diafragmática para controlar a raiva, exposição gradual para enfrentar medos).
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços paranoides acredita que seu colega de trabalho está espionando seus e-mails. Na TCC, ela aprenderia a:
1. Identificar o pensamento: “Meu colega está me espionando.”
2. Avaliar as evidências: “Ele já me ajudou antes. Não há provas de que ele esteja me espionando.”
3. Gerar alternativas: “Talvez ele só esteja curioso sobre o projeto.”
4. Testar a realidade: Perguntar ao colega, de forma calma, se ele tem alguma dúvida sobre o trabalho.
Para quem é indicada?
– Pessoas com traços de desconfiança, perfeccionismo ou impulsividade.
– Quem quer resultados rápidos (a TCC costuma ter duração de 12 a 24 sessões).
B. Terapia Dialética Comportamental (TDC)
O que é?
A TDC foi desenvolvida especificamente para o Transtorno de Personalidade Borderline, mas também ajuda pessoas com F69 que têm dificuldade em regular emoções, impulsividade e relacionamentos instáveis.
Como funciona?
A TDC ensina 4 habilidades principais:
1. Mindfulness (atenção plena): Aprender a viver o momento presente, sem julgamentos. Exemplo: Observar a respiração quando estiver ansioso, em vez de agir por impulso.
2. Tolerância ao mal-estar: Técnicas para suportar crises sem se machucar ou piorar a situação. Exemplo: Segurar gelo nas mãos para aliviar a vontade de se cortar.
3. Regulação emocional: Identificar e nomear emoções, reduzir a vulnerabilidade a emoções intensas. Exemplo: Fazer uma lista de atividades que trazem prazer (como ouvir música ou caminhar) para usar quando estiver triste.
4. Efetividade interpessoal: Aprender a pedir o que precisa, dizer não e lidar com conflitos. Exemplo: Praticar frases como “Eu me sinto magoado quando você grita comigo. Podemos conversar de forma mais calma?”.
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços borderline tem uma briga com o parceiro e sente uma vontade intensa de se cortar. Na TDC, ela aprenderia a:
1. Observar a emoção (ex.: “Estou sentindo uma dor no peito e vontade de chorar”).
2. Tolerar o mal-estar (ex.: apertar uma bola antiestresse, tomar um banho gelado).
3. Regular a emoção (ex.: ligar para um amigo, escrever em um diário).
4. Comunicar o que sente (ex.: “Preciso de um tempo para me acalmar. Podemos conversar daqui a 1 hora?”).
Para quem é indicada?
– Pessoas com emoções intensas e instáveis.
– Quem tem comportamentos impulsivos (automutilação, gastos excessivos, abuso de substâncias).
– Quem sofre muito em relacionamentos.
C. Terapia Baseada em Mentalização (TBM)
O que é?
A mentalização é a capacidade de entender os próprios sentimentos e os dos outros. Pessoas com F69 (especialmente com traços borderline ou antissociais) muitas vezes não conseguem interpretar corretamente as intenções alheias, o que leva a mal-entendidos e conflitos.
Como funciona?
– Exercícios de perspectiva: A pessoa aprende a se perguntar: “O que eu estou sentindo agora?” e “O que a outra pessoa pode estar sentindo?”.
– Trabalho com relacionamentos: O terapeuta ajuda a pessoa a entender como suas ações afetam os outros e vice-versa.
– Foco no presente: A terapia ajuda a pessoa a não se perder em suposições (ex.: “Ele não respondeu minha mensagem, então deve estar bravo comigo”) e a perguntar diretamente (ex.: “Você está bravo comigo?”).
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços paranoides acredita que seu amigo está evitando-a porque não quer mais sua amizade. Na TBM, ela aprenderia a:
1. Observar o comportamento do amigo (ex.: “Ele não respondeu minha mensagem em 2 horas”).
2. Gerar hipóteses alternativas (ex.: “Talvez ele esteja ocupado”, “Talvez o celular dele esteja sem bateria”).
3. Verificar a realidade (ex.: “Vou perguntar se está tudo bem”).
Para quem é indicada?
– Pessoas com dificuldade em confiar nos outros.
– Quem interpreta mal as intenções alheias.
– Quem tem relacionamentos caóticos.
D. Terapia do Esquema (TE)
O que é?
A TE parte do princípio de que todos nós desenvolvemos “esquemas” na infância — crenças profundas sobre nós mesmos e o mundo (ex.: “Sou indigno de amor”, “As pessoas vão me abandonar”). Esses esquemas influenciam nossos comportamentos na vida adulta.
Como funciona?
– Identificação de esquemas: O terapeuta ajuda a pessoa a reconhecer seus esquemas disfuncionais (ex.: “Sempre que alguém se aproxima, eu a afasto porque acho que vai me abandonar”).
– Trabalho com modos: A TE identifica modos (estados emocionais) que a pessoa usa para lidar com os esquemas (ex.: “Modo protetor” = evitar relacionamentos; “Modo criança zangada” = explosões de raiva).
– Reparenting (reparentalização): O terapeuta funciona como uma figura parental saudável, ajudando a pessoa a ressignificar experiências da infância e desenvolver novos padrões.
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços dependentes acredita que “não consegue fazer nada sozinha”. Na TE, ela aprenderia a:
1. Identificar o esquema: “Desde criança, minha mãe fazia tudo por mim. Agora, acredito que sou incapaz.”
2. Trabalhar o modo criança abandonada: “Quando me sinto sozinha, entro em pânico e corro para alguém me salvar.”
3. Desenvolver o modo adulto saudável: “Posso tentar fazer as coisas sozinha, mesmo que seja difícil. Se errar, tudo bem.”
Para quem é indicada?
– Pessoas com traumas na infância.
– Quem tem padrões repetitivos de relacionamentos (ex.: sempre escolher parceiros abusivos).
– Quem se sente “preso” em emoções da infância.
E. Terapia de Grupo
O que é?
A terapia de grupo reúne 6 a 12 pessoas com dificuldades semelhantes, sob a orientação de um terapeuta. É especialmente útil para quem tem dificuldade em relacionamentos, porque oferece um ambiente seguro para praticar habilidades sociais.
Como funciona?
– Compartilhamento de experiências: Cada pessoa fala sobre seus desafios, e o grupo oferece apoio e feedback.
– Exercícios práticos: Jogos de role-playing (simulações) para treinar comunicação, assertividade e resolução de conflitos.
– Redução do isolamento: Muitas pessoas com F69 se sentem sozinhas. O grupo mostra que outras pessoas passam por coisas parecidas.
Exemplo prático:
Uma pessoa com traços esquizoides (que evita relacionamentos) participa de um grupo e percebe que:
– Não é a única que se sente desconfortável em festas.
– Pode praticar conversas curtas com os colegas do grupo.
– Recebe feedback (ex.: “Quando você fala olhando para o chão, parece que não quer conversar”).
Para quem é indicada?
– Pessoas com dificuldade em se relacionar.
– Quem se sente sozinho ou incompreendido.
– Quem quer praticar habilidades sociais.
3. Mudanças no dia a dia
A terapia e os medicamentos são fundamentais, mas pequenas mudanças na rotina podem fazer uma diferença enorme. Vamos ver algumas estratégias práticas.
A. Exercício físico
Por que ajuda?
– Reduz o estresse: O exercício libera endorfina, um neurotransmissor que melhora o humor e reduz a ansiedade.
– Melhora o sono: Pessoas com F69 muitas vezes têm insônia ou sono irregular. O exercício ajuda a regular o ciclo do sono.
– Aumenta a autoestima: Ver o próprio corpo mais forte e saudável pode melhorar a imagem que a pessoa tem de si mesma.
– Controla a impulsividade: Atividades como yoga, artes marciais e corrida ajudam a canalizar a energia de forma positiva.
Quais exercícios são melhores?
– Para ansiedade e raiva: Yoga, natação, caminhada.
– Para depressão e apatia: Dança, corrida, musculação.
– Para impulsividade: Artes marciais (judô, jiu-jitsu), escalada, crossfit.
Dica:
Comece com 10 a 15 minutos por dia e aumente gradualmente. O importante é criar o hábito, não se esgotar.
B. Sono
Por que é importante?
A falta de sono piora todos os sintomas de F69:
– Aumenta a irritabilidade.
– Diminui a capacidade de controlar impulsos.
– Piora a ansiedade e a depressão.
Dicas para uma boa higiene do sono:
✔ Rotina regular: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias (mesmo nos fins de semana).
✔ Ambiente escuro e silencioso: Use cortinas blackout, tampões de ouvido ou máquinas de ruído branco.
✔ Evite telas antes de dormir: A luz azul do celular e da TV inibe a produção de melatonina (hormônio do sono). Tente desligar os aparelhos 1 hora antes de dormir.
✔ Café e álcool: Evite cafeína após as 16h e álcool perto da hora de dormir (ele pode até dar sono no começo, mas atrapalha a qualidade do sono).
✔ Rotina relaxante: Tome um banho quente, leia um livro ou ouça uma música calma antes de dormir.
Dica:
Se você tem insônia crônica, converse com seu médico. Às vezes, é preciso de terapia para insônia (TCC-I) ou medicamentos temporários.
C. Alimentação
Como a comida afeta o cérebro?
Alguns nutrientes são essenciais para a produção de neurotransmissores (como serotonina e dopamina), que regulam o humor, a ansiedade e a impulsividade.
Alimentos que ajudam:
– Ômega-3 (peixes, nozes, linhaça): Melhora a função cerebral e reduz inflamações.
– Magnésio (espinafre, abacate, banana): Ajuda a controlar a ansiedade.
– Triptofano (ovos, queijo, peru): Precursor da serotonina (hormônio do bem-estar).
– Vitamina B (carne, ovos, legumes): Importante para a saúde mental.
– Probióticos (iogurte, kefir, chucrute): A saúde intestinal está ligada ao humor.
Alimentos que pioram os sintomas:
– Açúcar refinado: Causa picos de glicose, que podem aumentar a ansiedade e a irritabilidade.
– Cafeína em excesso: Pode piorar a ansiedade e a insônia.
– Álcool: Embora algumas pessoas usem para “relaxar”, ele piora a depressão e a impulsividade a longo prazo.
Dica:
Não precisa fazer uma dieta perfeita. Pequenas mudanças já fazem diferença, como:
– Trocar refrigerante por água com limão.
– Comer uma fruta no lanche da tarde.
– Cozinhar em casa pelo menos 3 vezes por semana.
D. Rotina
Pessoas com F69 muitas vezes têm dificuldade em manter uma rotina, o que pode levar a:
– Procrastinação (deixar tudo para última hora).
– Sobrecarga (fazer 10 coisas ao mesmo tempo e não terminar nenhuma).
– Isolamento (passar dias sem sair de casa).
Como estruturar o dia?
1. Acordar no mesmo horário: Mesmo nos fins de semana. Isso ajuda a regular o sono e o humor.
2. Fazer uma lista de tarefas: Anote 3 coisas importantes para fazer no dia. Não precisa ser uma lista enorme — o objetivo é evitar a sensação de sobrecarga.
3. Incluir momentos de lazer: Reserve pelo menos 30 minutos por dia para fazer algo que goste (ler, assistir a um filme, caminhar).
4. Ter uma rotina noturna: Desligar as telas 1 hora antes de dormir, tomar um chá, escovar os dentes.
5. Ser flexível: Se um dia não sair como planejado, não se culpe. Ajuste no dia seguinte.
Exemplo de rotina:
| Horário | Atividade |
|—————|————————————|
| 7:00 | Acordar, tomar café da manhã |
| 8:00 – 12:00 | Trabalho/estudo |
| 12:00 – 13:00 | Almoço + caminhada de 15 minutos |
| 13:00 – 17:00 | Trabalho/estudo |
| 17:00 – 18:00 | Exercício físico |
| 18:00 – 19:00 | Jantar + conversar com a família |
| 19:00 – 20:30 | Tempo livre (ler, assistir série) |
| 20:30 – 21:30 | Rotina noturna (banho, escovar dentes) |
| 22:00 | Dormir |
E. Técnicas de manejo de sintomas
Algumas estratégias podem ajudar a controlar sintomas específicos no dia a dia:
1. Para impulsividade:
– Regra dos 10 minutos: Quando sentir vontade de fazer algo impulsivo (ex.: gastar dinheiro, mandar uma mensagem agressiva), espere 10 minutos e pergunte: “Eu realmente quero fazer isso? Quais são as consequências?”.
– Distração: Faça algo que exija concentração (ex.: resolver um quebra-cabeça, desenhar, cozinhar).
2. Para raiva:
– Respiração diafragmática: Inspire profundamente pelo nariz (4 segundos), segure (4 segundos), expire pela boca (6 segundos). Repita 5 vezes.
– Técnica do gelo: Segure um cubo de gelo na mão ou coloque na nuca. O choque térmico ajuda a “resetar” o sistema nervoso.
3. Para desconfiança:
– Pergunte, não assuma: Em vez de pensar “Ele está me traindo”, pergunte: “Você está bravo comigo?”.
– Anote as evidências: Faça uma lista do que apoia e do que contradiz sua desconfiança.
4. Para isolamento:
– Meta dos 5 minutos: Se não quiser sair de casa, comprometa-se a ficar na porta por 5 minutos. Muitas vezes, depois disso, a pessoa acaba saindo.
– Atividades em grupo: Inscreva-se em um curso, grupo de caminhada ou voluntariado.
5. Para oscilações de humor:
– Diário emocional: Anote 3 vezes por dia como está se sentindo e o que desencadeou essa emoção.
– Lista de atividades prazerosas: Tenha sempre à mão uma lista de coisas que te fazem bem (ex.: ouvir uma música, tomar um banho quente, ligar para um amigo).
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de F69 pode trazer alívio (por finalmente entender o que está acontecendo) e medo (por não saber o que esperar). Mas é possível viver bem com essa condição. Vamos ver como.
Para a pessoa com o diagnóstico
1. Aceite que a mudança é um processo
- Não espere melhorar da noite para o dia: Os padrões de personalidade se desenvolvem ao longo de anos, então mudar também leva tempo.
- Comemore as pequenas vitórias: Se você conseguiu controlar a raiva em uma discussão, isso já é um progresso!
- Seja gentil consigo mesmo: Você não é “fraco” ou “incapaz” por ter dificuldades. Todo mundo tem limitações.
2. Construa uma rede de apoio
- Fale com pessoas de confiança: Conte para amigos ou familiares sobre o diagnóstico e peça apoio.
- Participe de grupos de apoio: O CVV (188) oferece apoio emocional gratuito. Também existem grupos presenciais e online para transtornos de personalidade.
- Encontre um “porto seguro”: Uma pessoa (ou animal de estimação) que te faça se sentir seguro e amado.
3. Aprenda a identificar gatilhos
- O que desencadeia seus sintomas? Brigas? Solidão? Críticas? Pressão no trabalho?
- Anote em um diário: Quando tiver uma crise, pergunte: “O que aconteceu antes disso?”.
- Evite ou prepare-se para os gatilhos: Se sabe que brigas com o parceiro te deixam impulsivo, combine de pausar a discussão quando as coisas esquentarem.
4. Desenvolva um plano de crise
- O que fazer quando os sintomas piorarem? Tenha um plano escrito com:
- Números de emergência: CVV (188), SAMU (192), psiquiatra, terapeuta.
- Técnicas de autocuidado: Respiração, banho gelado, ligar para um amigo.
- Lugares seguros: Casa de um familiar, um parque tranquilo, um café onde você se sinta bem.
- Compartilhe o plano: Deixe uma cópia com alguém de confiança.
5. Cuide da sua autoestima
- Você não é seus sintomas: Ter F69 não define quem você é. Você é muito mais do que seus momentos de raiva, desconfiança ou impulsividade.
- Faça uma lista de suas qualidades: Anote pelo menos 5 coisas que você gosta em si mesmo.
- Pratique a autocompaixão: Trate-se como trataria um amigo querido. Se ele estivesse passando pelo mesmo que você, o que diria a ele?
Para familiares e amigos
1. Eduque-se sobre o transtorno
- Leia sobre F69: Quanto mais você entender, menos medo e frustração terá.
- Participe de grupos de apoio para familiares: O CVV e associações como a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) oferecem materiais e grupos.
- Pergunte à pessoa como pode ajudar: Cada um tem necessidades diferentes. Alguns querem espaço, outros querem companhia.
2. Evite julgamentos
- Não diga:
- “Isso é frescura.”
- “Você só precisa se esforçar mais.”
- “Todo mundo tem problemas, por que os seus são diferentes?”
- Diga:
- “Estou aqui para te ouvir.”
- “Como posso te ajudar?”
- “Você não está sozinho(a).”
3. Estabeleça limites saudáveis
- Não permita abusos: Se a pessoa for agressiva ou manipuladora, deixe claro que você não aceita esse comportamento, mas que está disposto a ajudá-la a buscar tratamento.
- Não assuma responsabilidades que não são suas: Você não é terapeuta, médico ou salvador da pessoa. Incentive-a a buscar ajuda profissional.
- Cuide de si mesmo: Não abandone suas necessidades, hobbies e relacionamentos por causa do outro.
4. Aprenda a lidar com crises
- Mantenha a calma: Se a pessoa estiver em crise (ex.: chorando, gritando, ameaçando se machucar), não reaja com raiva ou pânico.
- Valide os sentimentos: Em vez de dizer “Não é nada”, diga “Eu entendo que você está sofrendo. Como posso te ajudar?”.
- Use técnicas de distração: Sugira uma caminhada, um filme ou uma atividade que a pessoa goste.
- Saiba quando buscar ajuda profissional: Se a pessoa estiver em risco de se machucar ou machucar os outros, ligue para o SAMU (192) ou leve-a a um pronto-socorro.
5. Incentive o tratamento
- Ofereça ajuda prática: Leve a pessoa às consultas, ajude-a a lembrar de tomar os remédios, incentive-a a fazer terapia.
- Seja paciente: A mudança é lenta. Não desista só porque a pessoa teve uma recaída.
- Celebre os progressos: Reconheça quando ela conseguir controlar um impulso ou lidar melhor com uma situação difícil.
Quando os sintomas podem piorar?
Algumas situações podem desencadear ou piorar os sintomas de F69. Fique atento a:
– Estresse intenso: Perda de emprego, divórcio, morte de um ente querido.
– Mudanças bruscas: Mudança de cidade, casamento, nascimento de um filho.
– Isolamento social: Ficar muito tempo sozinho pode aumentar a desconfiança e a depressão.
– Uso de substâncias: Álcool e drogas pioram a impulsividade e a instabilidade emocional.
– Falta de tratamento: Parar a terapia ou os remédios sem orientação médica pode levar a uma recaída.
O que fazer nesses momentos?
– Aumente o autocuidado: Durma bem, alimente-se bem, faça exercícios.
– Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou um profissional.
– Evite decisões importantes: Em momentos de crise, adie decisões como pedir demissão ou terminar um relacionamento.
Perguntas frequentes
1. “Transtorno de personalidade tem cura?”
Não existe uma “cura” no sentido de voltar a ser como antes, porque os transtornos de personalidade são padrões profundos de funcionamento. Mas isso não significa que a pessoa está condenada a sofrer para sempre.
Com tratamento, muitas pessoas conseguem:
– Controlar os sintomas (ex.: reduzir explosões de raiva, diminuir a desconfiança).
– Melhorar os relacionamentos (aprender a se comunicar melhor, confiar mais).
– Ter uma vida estável (manter empregos, cuidar da saúde, encontrar prazer nas pequenas coisas).
Analogia:
É como ter diabetes. Não tem cura, mas com tratamento (insulina, dieta, exercício), a pessoa pode viver bem e ter uma vida normal.
2. “Posso ter um relacionamento saudável com alguém que tem F69?”
Sim, mas é preciso paciência, compreensão e limites claros. Relacionamentos com pessoas com F69 podem ser intensos e desafiadores, mas também muito gratificantes.
Dicas para um relacionamento saudável:
– Comunique-se de forma clara: Evite indiretas ou sarcasmo. Seja direto sobre o que sente e o que precisa.
– Estabeleça limites: Não aceite abusos (agressões verbais, manipulação, traições). Deixe claro que você merece respeito.
– Incentive o tratamento: Ofereça ajuda para encontrar um terapeuta ou psiquiatra.
– Cuide de si mesmo: Não abandone suas necessidades, hobbies e amigos por causa do relacionamento.
– Busque terapia de casal: Se os conflitos forem frequentes, um terapeuta pode ajudar a melhorar a comunicação.
Sinais de alerta em um relacionamento:
– Manipulação constante (chantagens emocionais, mentiras).
– Agressões verbais ou físicas.
– Ciúme excessivo e controle (ex.: proibir amizades, revistar o celular).
– Isolamento (a pessoa te afasta de amigos e familiares).
Se você estiver em um relacionamento tóxico ou abusivo, busque ajuda. Ligue para o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou procure uma Delegacia da Mulher.
3. “Como explicar o diagnóstico para outras pessoas?”
Muitas pessoas têm preconceito contra transtornos de personalidade porque não entendem o que são. Por isso, é importante explicar de forma simples e sem estigma.
Exemplo de como falar:
“Eu tenho um transtorno de personalidade, que é uma condição em que meu cérebro funciona de um jeito diferente em algumas áreas — como controle de emoções, relacionamentos e impulsividade. Não é frescura, nem falta de força de vontade. É como se meu ‘sistema operacional’ tivesse alguns bugs, e estou aprendendo a lidar com eles. Com tratamento, consigo ter uma vida normal.”
O que evitar:
– Detalhes muito pessoais: Não precisa contar sobre traumas ou comportamentos específicos.
– Generalizações: Evite frases como “Todo mundo com esse transtorno é assim”, porque cada pessoa é única.
– Vitimização: Não use o diagnóstico como desculpa para comportamentos abusivos.
Dica:
Se a pessoa não entender ou julgar, não insista. Você não precisa da aprovação de todo mundo. Foque em quem te apoia.
4. “Meu filho(a) pode ter F69? Como identificar?”
Os transtornos de personalidade não são diagnosticados antes dos 18 anos, porque a personalidade ainda está em formação. Mas alguns sinais de alerta na infância e adolescência podem indicar um risco maior:
– Comportamentos desafiadores: Agressividade, mentiras frequentes, desrespeito a regras.
– Dificuldade em fazer amigos: Isolamento, bullying, dificuldade em manter amizades.
– Mudanças bruscas de humor: Explosões de raiva, choro frequente, ansiedade excessiva.
– Comportamentos de risco: Uso precoce de drogas, automutilação, fugas de casa.
O que fazer se suspeitar?
– Busque um psicólogo infantil ou psiquiatra da infância e adolescência.
– Trabalhe a comunicação em casa: Evite punições excessivas e incentive o diálogo.
– Ensine habilidades emocionais: Ajude a criança/adolescente a nomear emoções e lidar com frustrações.
– Cuide do ambiente familiar: Reduza brigas, violência e negligência.
Lembre-se:
Nem toda criança com comportamentos desafiadores vai desenvolver um transtorno de personalidade. Muitas vezes, é uma fase passageira. O importante é buscar ajuda profissional para entender o que está acontecendo.
5. “Posso trabalhar normalmente com F69?”
Sim! Muitas pessoas com F69 têm carreiras de sucesso. O segredo é:
– Escolher um trabalho que se adapte aos seus pontos fortes:
– Se você é criativo e impulsivo, pode se dar bem em áreas como arte, publicidade ou empreendedorismo.
– Se você é detalhista e perfeccionista, pode se destacar em áreas como contabilidade, programação ou pesquisa.
– Se você é empático e comunicativo, pode trabalhar com educação, psicologia ou vendas.
– Gerenciar os sintomas no trabalho:
– Controle a impulsividade: Se sentir vontade de mandar uma mensagem agressiva para o chefe, espere 10 minutos antes de enviar.
– Lide com a desconfiança: Se achar que um colega está falando mal de você, pergunte diretamente em vez de guardar rancor.
– Peça ajuda quando necessário: Se o estresse estiver muito alto, converse com o RH ou peça um afastamento temporário.
– Seja honesto (quando necessário): Se você confia no seu chefe, pode contar sobre o diagnóstico e pedir adaptações razoáveis (ex.: horários flexíveis, pausas para terapia).
Dica:
Algumas profissões podem ser mais desafiadoras para pessoas com F69, como:
– Trabalhos muito solitários (para quem tem traços esquizoides).
– Trabalhos com muita pressão e competição (para quem tem traços borderline ou paranoides).
– Trabalhos com acesso a dinheiro ou poder (para quem tem traços antissociais).
6. “Como lidar com a automutilação ou pensamentos suicidas?”
A automutilação e os pensamentos suicidas são sintomas graves que exigem ajuda imediata. Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, não espere.
O que fazer:
1. Busque ajuda profissional:
– Psiquiatra: Para avaliar a necessidade de medicamentos.
– Psicólogo: Para trabalhar as causas emocionais.
– Pronto-socorro: Se a pessoa estiver em risco imediato de se machucar.
2. Ligue para o CVV (188): O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito 24 horas por dia.
3. Remova objetos perigosos: Se a pessoa tem histórico de automutilação, afaste lâminas, remédios e cordas.
4. Não deixe a pessoa sozinha: Fique por perto ou peça para alguém ficar com ela.
5. Evite frases como:
– “Isso é frescura.”
– “Pense nas pessoas que te amam.”
– “Você só quer chamar atenção.”
6. Diga:
– “Estou aqui para te ouvir.”
– “Vamos buscar ajuda juntos.”
– “Você não está sozinho(a).”
Sinais de alerta para risco de suicídio:
– Falar sobre morte ou suicídio: “Eu queria desaparecer”, “Ninguém sentiria minha falta”.
– Comportamentos de despedida: Dar objetos pessoais, escrever cartas de despedida.
– Mudanças bruscas de humor: De muito triste para muito calmo (pode indicar que a pessoa já decidiu se matar).
– Isolamento extremo: Parar de falar com amigos e familiares.
Lembre-se:
Pensamentos suicidas não são frescura. Eles são um sinal de que a pessoa está sofrendo muito e precisa de ajuda. Não ignore.
7. “Como encontrar um bom profissional no SUS?”
O SUS oferece atendimento gratuito para transtornos mentais, mas muitas pessoas não sabem como acessar. Veja o passo a passo:
- Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde):
- Leve um documento com foto e comprovante de residência.
- Peça para ser atendido por um clínico geral ou psicólogo.
- Faça uma avaliação inicial:
- O profissional vai perguntar sobre seus sintomas e histórico.
- Se necessário, ele encaminhará para um psiquiatra ou CAPS.
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial):
- É o principal serviço do SUS para transtornos mentais graves, incluindo transtornos de personalidade.
- Oferece consultas com psiquiatras, psicólogos, terapia em grupo e oficinas terapêuticas.
- Para ser atendido, você precisa de encaminhamento da UBS.
- Psiquiatra no SUS:
- O encaminhamento para psiquiatra costuma ter fila de espera (de meses a mais de 1 ano, dependendo da região).
- Enquanto espera, continue o acompanhamento com o psicólogo da UBS.
- Internação (se necessário):
- Em casos graves (risco de suicídio, psicose), o SUS oferece internação em hospitais psiquiátricos.
- O encaminhamento é feito pelo CAPS ou pronto-socorro.
Dicas para agilizar o processo:
– Seja persistente: Se não conseguir vaga, volte à UBS e peça para falar com o gerente.
– Procure um CAPS diretamente: Alguns CAPS aceitam pacientes sem encaminhamento, especialmente em casos de urgência.
– Use o Disque Saúde (136): O Ministério da Saúde pode orientar sobre os serviços disponíveis na sua região.
– Busque atendimento em universidades: Muitas faculdades de psicologia e medicina oferecem atendimento gratuito com supervisão de professores.
Lembre-se:
O SUS não é perfeito, mas funciona. Muitas pessoas conseguem tratamento de qualidade sem pagar nada. Não desista.
8. “Posso tomar remédios por conta própria?”
Não. Os medicamentos para transtornos de personalidade devem ser prescritos por um psiquiatra, porque:
– Cada pessoa responde de forma diferente: O que funciona para um pode não funcionar para outro.
– Alguns remédios têm efeitos colaterais graves: Antipsicóticos, por exemplo, podem causar ganho de peso, diabetes e problemas cardíacos.
– Risco de dependência: Alguns ansiolíticos (como clonazepam) viciam se usados por muito tempo.
– Interações perigosas: Alguns remédios não podem ser misturados com álcool ou outros medicamentos.
O que fazer se você já está tomando remédios por conta própria?
– Não pare de uma vez: Alguns remédios (como antidepressivos) podem causar síndrome de abstinência se parados abruptamente.
– Procure um psiquiatra: Ele vai avaliar se o remédio é adequado e ajustar a dose ou trocar o medicamento.
Dica:
Se você não tem acesso a um psiquiatra, converse com o clínico geral da UBS. Ele pode prescrever alguns medicamentos básicos (como antidepressivos) enquanto você espera pela consulta com o especialista.
9. “Como lidar com a vergonha do diagnóstico?”
Muitas pessoas sentem vergonha ou culpa por ter um transtorno de personalidade, como se fosse um defeito de caráter. Mas não é.
Por que sentimos vergonha?
– Estigma social: Transtornos mentais ainda são mal compreendidos. Muitas pessoas acham que é “frescura” ou “falta de força de vontade”.
– Autocrítica: Você pode se julgar por ter dificuldades que outras pessoas parecem não ter.
– Medo de ser rejeitado: “Se as pessoas souberem, vão me achar louco.”
Como superar a vergonha?
1. Lembre-se: você não escolheu ter F69.
– Assim como ninguém escolhe ter diabetes ou asma, ninguém escolhe ter um transtorno de personalidade.
2. Busque informações confiáveis.
– Quanto mais você entender sobre o diagnóstico, menos medo terá.
3. Fale sobre isso.
– Comece com pessoas de confiança. Você vai perceber que muitas pessoas têm histórias parecidas.
4. Encontre modelos positivos.
– Procure histórias de pessoas com transtornos de personalidade que levam vidas plenas (ex.: artistas, cientistas, atletas).
5. Pratique a autocompaixão.
– Trate-se como trataria um amigo querido. Você merece amor e respeito, independentemente do diagnóstico.
Frase para lembrar:
“Ter um transtorno de personalidade não me define. Eu sou muito mais do que meus sintomas.”
10. “O que fazer quando o tratamento não está funcionando?”
Às vezes, mesmo com terapia e remédios, os sintomas não melhoram. Isso pode acontecer por vários motivos:
– O diagnóstico pode estar errado: Talvez você tenha outra condição (como TDAH ou transtorno bipolar) que não foi identificada.
– O tratamento não é o certo para você: Nem toda terapia funciona para todo mundo. Talvez você precise trocar de abordagem (ex.: de TCC para TDC).
– Falta de adesão ao tratamento: Se você não toma os remédios direito ou não faz a terapia com comprometimento, os resultados serão limitados.
– Fatores externos: Estresse, traumas não resolvidos ou falta de apoio social podem atrapalhar a melhora.
O que fazer?
1. Converse com seu médico/terapeuta:
– Diga: “Não estou sentindo melhora. O que podemos fazer diferente?”.
– Pergunte sobre outras opções de tratamento.
2. Reavalie o diagnóstico:
– Peça uma segunda opinião com outro profissional.
– Faça exames para descartar outras condições (como doenças da tireoide).
3. Verifique sua adesão ao tratamento:
– Você está tomando os remédios corretamente?
– Você está fazendo os exercícios da terapia?
– Você está evitando gatilhos (como álcool ou situações estressantes)?
4. Busque apoio social:
– Grupos de apoio, amigos e familiares podem dar força quando o tratamento parece não funcionar.
5. Não desista:
– A melhora não é linear. Pode haver altos e baixos, mas persistir é fundamental.
Lembre-se:
O tratamento de transtornos de personalidade é um processo longo, mas vale a pena. Muitas pessoas melhoram significativamente com o tempo.
Quando procurar ajuda urgente
Alguns sintomas de F69 podem ser perigosos e exigem ajuda imediata. Fique atento a:
Sinais de alerta vermelhos (procure ajuda IMEDIATA)
🚨 Risco de suicídio:
– Falar sobre morte ou suicídio (“Eu queria desaparecer”, “Ninguém sentiria minha falta”).
– Fazer planos de suicídio (comprar corda, guardar remédios).
– Comportamentos de despedida (dar objetos pessoais, escrever cartas).
– Mudança repentina de humor (de muito triste para muito calmo).
🚨 Risco de automutilação:
– Cortar-se, queimar-se ou bater a cabeça com frequência.
– Usar objetos perigosos (lâminas, vidros) para se machucar.
🚨 Agressividade extrema:
– Ameaçar ou agredir fisicamente outras pessoas.
– Quebrar objetos ou causar destruição.
🚨 Psicose:
– Ouvir vozes ou ver coisas que não existem.
– Acreditar em coisas claramente irreais (ex.: “Meu chefe está me espionando com câmeras”).
O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa a um pronto-socorro.
– Não a deixe sozinha.
– Remova objetos perigosos (armas, remédios, lâminas).
Sinais de alerta amarelos (procure ajuda o quanto antes)
⚠ Piora dos sintomas:
– Explosões de raiva mais frequentes.
– Isolamento extremo (passar dias sem falar com ninguém).
– Uso aumentado de álcool ou drogas.
⚠ Dificuldade em funcionar no dia a dia:
– Não conseguir ir ao trabalho ou à escola.
– Deixar de cuidar da higiene pessoal.
– Não conseguir se alimentar direito.
⚠ Pensamentos recorrentes de morte:
– Pensar frequentemente em como seria morrer.
– Desejar não acordar pela manhã.
O que fazer?
– Marque uma consulta com seu psiquiatra/psicólogo o quanto antes.
– Ligue para o CVV (188) para apoio emocional.
– Converse com alguém de confiança.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Linehan, M. M. Terapia Cognitivo-Comportamental para Transtorno da Personalidade Borderline. Porto Alegre: Artmed, 2010.
- Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: Guia de Técnicas Cognitivo-Comportamentais Inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.
- Bateman, A.; Fonagy, P. Psychotherapy for Borderline Personality Disorder: Mentalization-Based Treatment. Oxford: Oxford University Press, 2004.
- Gabbard, G. O. Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica. Porto Alegre: Artmed, 2016.
- Kernberg, O. F. Transtornos Graves da Personalidade: Estratégias Psicoterapêuticas. Porto Alegre: Artmed, 2006.
- Centro de Valorização da Vida (CVV). Apoio emocional e prevenção do suicídio. Disponível em: www.cvv.org.br.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.