O que é?
Imagine que o seu humor é como um termostato. Em uma pessoa sem transtorno bipolar, esse termostato funciona bem: quando está frio (tristeza), ele liga o aquecedor; quando está quente (alegria), ele aciona o ar-condicionado. Mas no transtorno bipolar tipo II, esse termostato está com defeito. Ele não regula direito a temperatura, fazendo com que o humor oscile entre dois extremos: a depressão (o frio intenso) e a hipomania (o calor moderado, mas desconfortável).
O transtorno bipolar tipo II é uma condição de saúde mental caracterizada por episódios recorrentes de depressão maior e pelo menos um episódio de hipomania ao longo da vida. Diferente do que muitas pessoas pensam, não se trata apenas de “altos e baixos” comuns do dia a dia. Essas oscilações são mais intensas, duradouras e interferem diretamente na vida da pessoa — no trabalho, nos relacionamentos, na saúde física e no bem-estar geral.
Para entender melhor, vamos comparar com algo que todos conhecemos: o clima. Todo mundo tem dias ensolarados e dias nublados, certo? Mas no transtorno bipolar tipo II, é como se, de repente, você passasse semanas sob uma tempestade forte (a depressão) e, depois, dias com um sol tão intenso que te deixa agitado, sem sono e cheio de ideias (a hipomania). E o mais importante: essas mudanças não são uma escolha. Ninguém acorda e decide “hoje vou ficar deprimido” ou “hoje vou ser hipomaníaco”. É como se o cérebro tivesse um curto-circuito nessas regulações emocionais.
Uma das maiores confusões é achar que o transtorno bipolar tipo II é igual ao tipo I. A diferença principal está na intensidade dos “altos”. No tipo I, os episódios de mania são tão graves que podem levar a hospitalização, comportamentos de risco (como gastar todo o dinheiro da família ou dirigir em alta velocidade) e até sintomas psicóticos (como ouvir vozes ou ter delírios). No tipo II, os “altos” são menos intensos — chamados de hipomania — e não chegam a causar esses prejuízos extremos. Mas isso não significa que o tipo II seja “mais leve”. Na verdade, as pessoas com tipo II costumam passar mais tempo deprimidas, o que pode ser igualmente devastador.
No Brasil, estima-se que cerca de 2 a 3% da população tenha algum tipo de transtorno bipolar, e o tipo II é o mais comum. Isso significa que, em uma cidade como São Paulo (com cerca de 12 milhões de habitantes), mais de 200 mil pessoas podem ter essa condição. Os primeiros sintomas costumam aparecer no final da adolescência ou início da vida adulta, entre 15 e 25 anos, mas muitas pessoas só recebem o diagnóstico anos depois — às vezes décadas. Isso acontece porque os episódios de hipomania podem ser confundidos com “fases de produtividade” ou “personalidade forte”, enquanto a depressão é vista como “preguiça” ou “falta de força de vontade”.
As mulheres são diagnosticadas com transtorno bipolar tipo II com mais frequência do que os homens. Isso não significa que elas tenham mais a condição, mas pode estar relacionado a fatores como:
– Busca por ajuda: mulheres tendem a procurar mais os serviços de saúde mental.
– Sintomas mistos: mulheres têm mais episódios de hipomania com características depressivas (por exemplo, sentir-se agitada e triste ao mesmo tempo), o que pode confundir o diagnóstico.
– Fatores hormonais: alterações hormonais, como as que ocorrem no pós-parto ou na menopausa, podem desencadear ou piorar os sintomas.
Historicamente, o transtorno bipolar era chamado de “psicose maníaco-depressiva”. O termo “bipolar” só começou a ser usado na década de 1980, para descrever melhor as oscilações de humor. Antes disso, muitas pessoas com essa condição eram estigmatizadas e tratadas de forma desumana, como se fossem “loucas” ou “perigosas”. Hoje, graças aos avanços da medicina e da psicologia, sabemos que o transtorno bipolar é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão, e que pode ser tratada com sucesso.
Quais são os sintomas?
Para entender os sintomas do transtorno bipolar tipo II, precisamos falar sobre dois momentos distintos: os episódios depressivos e os episódios de hipomania. É como se a pessoa vivesse em dois “modos” diferentes, cada um com suas próprias características. Vamos detalhar cada um deles, traduzindo os critérios médicos para situações do dia a dia.
Episódios Depressivos Maiores
Um episódio depressivo maior não é apenas “estar triste”. É como se uma nuvem escura e pesada se instalasse sobre a pessoa, afetando tudo: o corpo, a mente, as emoções e até a forma como ela vê o mundo. Para ser considerado um episódio depressivo maior, os sintomas devem durar pelo menos duas semanas e causar sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento da pessoa.
Critérios e exemplos práticos:
- Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias
- O que é: A pessoa se sente triste, vazia ou sem esperança na maior parte do tempo. Pode chorar com frequência ou sentir um peso no peito que não passa.
- Exemplo 1: Maria, que sempre foi animada, agora acorda com uma sensação de vazio. Ela olha para o espelho e pensa: “Não aguento mais me sentir assim”. Durante o dia, chora sem motivo aparente, como ao ver uma propaganda na TV ou ouvir uma música.
- Exemplo 2: João, um estudante universitário, descreve seu humor como “um buraco negro”. Ele não sente prazer em nada, nem mesmo em jogar videogame, algo que adorava. Para ele, é como se o mundo tivesse perdido as cores.
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Normal vs. Sintomático: Todo mundo tem dias ruins, mas na depressão, essa tristeza é persistente, intensa e não melhora com coisas que antes traziam alegria.
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Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades
- O que é: A pessoa perde o interesse por coisas que antes gostava. É como se o “botão do prazer” tivesse sido desligado.
- Exemplo 1: Ana adorava cozinhar e recebia elogios por seus pratos. Agora, ela olha para a cozinha e pensa: “Para que cozinhar? Ninguém vai gostar mesmo”. Ela passa dias sem preparar uma refeição, comendo apenas lanches rápidos.
- Exemplo 2: Pedro, que sempre foi fã de futebol, não tem mais vontade de assistir aos jogos do seu time. Ele até esquece de ligar a TV quando há uma partida importante. Quando alguém pergunta se ele viu o jogo, ele responde: “Não tô nem aí”.
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Normal vs. Sintomático: É normal perder o interesse por algo específico (como um hobby que enjoou), mas na depressão, a pessoa perde o interesse por quase tudo, inclusive por coisas que antes eram essenciais para ela.
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Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta, ou diminuição/incremento do apetite
- O que é: O apetite muda drasticamente. Algumas pessoas perdem o apetite e emagrecem sem querer; outras comem compulsivamente e ganham peso.
- Exemplo 1: Carla sempre manteve um peso estável, mas nos últimos meses perdeu 8 kg sem fazer dieta. Ela olha para o prato e pensa: “Não consigo comer”. Às vezes, força-se a engolir algumas garfadas, mas sente náuseas.
- Exemplo 2: Lucas, que sempre teve um apetite normal, agora come sem parar. Ele devora um pacote inteiro de biscoitos em uma sentada e ainda sente fome. Seu peso aumentou 10 kg em três meses.
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Normal vs. Sintomático: Mudanças de apetite podem acontecer por estresse ou ansiedade, mas na depressão, elas são persistentes e extremas, levando a alterações significativas de peso.
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Insônia ou hipersonia quase todos os dias
- O que é: A pessoa pode ter dificuldade para dormir (insônia) ou dormir demais (hipersonia), mesmo quando está cansada.
- Exemplo 1: Fernanda sempre dormiu bem, mas agora passa as noites em claro. Ela deita na cama e fica revirando, olhando para o teto. Quando finalmente adormece, acorda várias vezes durante a noite. De manhã, se sente exausta, como se não tivesse dormido nada.
- Exemplo 2: Ricardo dorme 12 horas por noite e ainda tira cochilos durante o dia. Mesmo assim, acorda se sentindo cansado. Ele passa os fins de semana inteiros na cama, levantando apenas para comer ou ir ao banheiro.
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Normal vs. Sintomático: Todo mundo tem noites mal dormidas ou dias em que dorme mais, mas na depressão, esses padrões são constantes e interferem na rotina.
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Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias
- O que é: A pessoa pode ficar muito agitada (movimentos acelerados, inquietação) ou muito lenta (fala arrastada, movimentos lentos).
- Exemplo 1: Sofia sempre foi calma, mas agora não consegue ficar parada. Ela anda de um lado para o outro na sala, mexe nas coisas sem propósito e fala rápido demais. Seus familiares dizem que ela parece “ligada na tomada”.
- Exemplo 2: Rafael, que antes era ágil, agora se move como se estivesse em câmera lenta. Ele demora para responder perguntas, suas frases são curtas e sua voz é quase um sussurro. Até para escovar os dentes, ele parece fazer um esforço enorme.
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Normal vs. Sintomático: Agitação ou lentidão podem acontecer em momentos de estresse, mas na depressão, são persistentes e notáveis para as pessoas ao redor.
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Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
- O que é: A pessoa se sente constantemente cansada, como se estivesse carregando um peso enorme. Até tarefas simples, como tomar banho, parecem exaustivas.
- Exemplo 1: Juliana acorda se sentindo cansada, como se tivesse corrido uma maratona. Ela precisa de várias pausas para tomar café da manhã e, mesmo assim, não consegue terminar. À tarde, já está exausta e precisa tirar um cochilo.
- Exemplo 2: Marcos, que sempre foi ativo, agora se arrasta para o trabalho. Ele passa o dia sonolento, com dificuldade para se concentrar. Quando chega em casa, só quer deitar no sofá e não fazer nada.
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Normal vs. Sintomático: Todo mundo tem dias de cansaço, mas na depressão, a fadiga é constante e não melhora com o descanso.
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Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada
- O que é: A pessoa se sente inútil, como se fosse um fardo para os outros. Ela pode se culpar por coisas que não são sua responsabilidade ou exagerar pequenos erros.
- Exemplo 1: Clara, uma mãe dedicada, agora se sente uma “mãe horrível”. Ela chora ao pensar que não está dando conta dos filhos e se culpa por não ser “perfeita”. Mesmo quando recebe elogios, ela acha que estão sendo gentis por pena.
- Exemplo 2: André, um profissional competente, errou um detalhe em um relatório no trabalho. Agora, ele se sente um fracasso e acredita que será demitido. Ele passa noites em claro se culpando, mesmo sabendo que o erro foi pequeno.
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Normal vs. Sintomático: É normal se sentir culpado por algo que fez de errado, mas na depressão, a culpa é excessiva, persistente e desproporcional à situação.
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Diminuição da capacidade de pensar, concentrar-se ou tomar decisões
- O que é: A pessoa tem dificuldade para se concentrar, como se sua mente estivesse “embaçada”. Tomar decisões simples se torna um desafio.
- Exemplo 1: Laura, que sempre foi organizada, agora tem dificuldade para ler um livro. Ela lê uma página e não lembra do que leu. No trabalho, ela se distrai facilmente e precisa reler e-mails várias vezes para entender o conteúdo.
- Exemplo 2: Gustavo, um estudante, não consegue se concentrar nas aulas. Ele olha para o professor, mas sua mente vagueia. Quando tenta estudar em casa, desiste depois de alguns minutos, frustrado.
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Normal vs. Sintomático: Todo mundo tem dias de distração, mas na depressão, a dificuldade de concentração é constante e interfere no desempenho em atividades importantes.
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Pensamentos recorrentes sobre morte, ideação suicida ou tentativa de suicídio
- O que é: A pessoa pode ter pensamentos sobre morte, desejar morrer ou planejar como tirar a própria vida. Esses pensamentos são um sinal de alerta e requerem ajuda imediata.
- Exemplo 1: Daniela pensa constantemente em morte. Ela não tem um plano específico, mas deseja “desaparecer” ou “dormir para sempre”. Ela se pergunta: “Para que continuar vivendo assim?”.
- Exemplo 2: Eduardo começou a pesquisar na internet sobre métodos de suicídio. Ele escreveu uma carta de despedida e escondeu comprimidos em seu quarto. Ele não contou para ninguém, mas sente que “não aguenta mais”.
- Normal vs. Sintomático: Pensar na morte de vez em quando é comum, mas na depressão, esses pensamentos são frequentes, intrusivos e causam sofrimento intenso. Se você ou alguém que você conhece está tendo esses pensamentos, procure ajuda imediatamente.
Episódios de Hipomania
A hipomania é como um “modo turbo” do cérebro. A pessoa se sente cheia de energia, confiante e capaz de fazer qualquer coisa. Parece ótimo, não é? Mas, na verdade, é como dirigir um carro em alta velocidade sem freios: pode ser divertido no começo, mas logo se torna perigoso. Os episódios de hipomania duram pelo menos quatro dias consecutivos e são perceptíveis para as pessoas ao redor, mas não chegam a causar prejuízos graves (como no caso da mania).
Critérios e exemplos práticos:
- Humor elevado, expansivo ou irritável de forma anormal e persistente
- O que é: A pessoa se sente extremamente feliz, eufórica ou irritada, de um jeito que não é típico para ela.
- Exemplo 1: Camila, que sempre foi tranquila, agora está eufórica. Ela ri alto, faz piadas o tempo todo e parece não se cansar. Seus amigos dizem que ela está “elétrica”.
- Exemplo 2: Rodrigo, que normalmente é calmo, fica irritado com facilidade. Ele discute com o chefe por pequenas coisas e grita com o filho por derrubar um copo. Depois, se arrepende, mas não consegue controlar.
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Normal vs. Sintomático: Todo mundo tem dias de bom humor ou irritação, mas na hipomania, esses estados são intensos, duradouros e não condizem com a situação.
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Aumento anormal e persistente da atividade ou energia
- O que é: A pessoa se sente cheia de energia, como se tivesse tomado várias xícaras de café. Ela começa muitos projetos, mas não termina nenhum.
- Exemplo 1: Ana, que sempre foi organizada, agora começa várias tarefas ao mesmo tempo. Ela decide pintar a casa, aprender um novo idioma e montar um negócio — tudo no mesmo fim de semana. No final, a casa fica pela metade, o curso de idiomas é abandonado e o negócio não sai do papel.
- Exemplo 2: Pedro, que antes dormia 8 horas por noite, agora dorme apenas 3 horas e acorda cheio de energia. Ele passa a madrugada organizando o armário, limpando a casa e respondendo e-mails antigos. No dia seguinte, seus colegas notam que ele está agitado e falante.
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Normal vs. Sintomático: É normal ter dias mais produtivos, mas na hipomania, a energia é excessiva, desorganizada e não sustentável.
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Autoestima inflada ou grandiosidade
- O que é: A pessoa se sente invencível, como se pudesse fazer qualquer coisa. Ela pode ter ideias grandiosas ou acreditar que tem talentos especiais.
- Exemplo 1: Lucas, um vendedor comum, agora acredita que é um gênio dos negócios. Ele decide largar o emprego para abrir uma empresa, mesmo sem experiência. Ele diz para os amigos: “Vou ser o próximo Steve Jobs”.
- Exemplo 2: Mariana, que nunca foi boa em esportes, agora acredita que pode ganhar uma maratona. Ela treina exaustivamente, mesmo sem preparo físico, e se frustra quando não consegue completar a prova.
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Normal vs. Sintomático: É normal ter confiança em si mesmo, mas na hipomania, a autoestima é inflada e desproporcional à realidade.
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Redução da necessidade de sono
- O que é: A pessoa dorme muito menos do que o normal, mas não se sente cansada. Ela pode passar dias com apenas algumas horas de sono.
- Exemplo 1: Carla, que sempre dormiu 7 horas por noite, agora dorme apenas 2 horas e acorda se sentindo descansada. Ela passa as noites navegando na internet, assistindo séries ou fazendo planos.
- Exemplo 2: João, um estudante, decide que não precisa dormir. Ele estuda a noite toda para uma prova e, no dia seguinte, vai para a faculdade sem sentir sono. Seus colegas notam que ele está falante e agitado.
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Normal vs. Sintomático: É normal dormir menos em vésperas de provas ou eventos importantes, mas na hipomania, a redução do sono é extrema e não está relacionada a uma necessidade específica.
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Mais falante que o habitual ou pressão para continuar falando
- O que é: A pessoa fala sem parar, como se não pudesse controlar as palavras. Ela pode pular de um assunto para outro e não deixa os outros falarem.
- Exemplo 1: Fernanda, que sempre foi tímida, agora fala pelos cotovelos. Ela interrompe as pessoas, conta histórias longas e não percebe que os outros estão tentando falar. Seus amigos dizem que ela está “a mil por hora”.
- Exemplo 2: Ricardo, um profissional reservado, agora faz reuniões intermináveis. Ele fala rápido, pula de um assunto para outro e não deixa os colegas darem suas opiniões. No final, ninguém entendeu o que ele quis dizer.
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Normal vs. Sintomático: É normal ficar falante em momentos de empolgação, mas na hipomania, a fala é excessiva, desorganizada e difícil de interromper.
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Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados
- O que é: A mente da pessoa parece uma TV com vários canais ligados ao mesmo tempo. Ela tem muitas ideias ao mesmo tempo e não consegue focar em nenhuma.
- Exemplo 1: Sofia, uma escritora, agora tem tantas ideias que não consegue escrever nenhuma. Ela começa um conto, depois pula para um poema, depois para um roteiro de filme. No final, não termina nada.
- Exemplo 2: Gustavo, um estudante, tenta estudar para uma prova, mas sua mente não para. Ele pensa em um assunto, depois pula para outro, depois para outro. Ele se distrai com facilidade e não consegue se concentrar.
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Normal vs. Sintomático: É normal ter muitas ideias, mas na hipomania, os pensamentos são tão acelerados que a pessoa não consegue organizá-los ou colocá-los em prática.
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Distratibilidade
- O que é: A pessoa se distrai com facilidade, como se qualquer estímulo externo chamasse sua atenção.
- Exemplo 1: Laura está assistindo a um filme, mas se distrai com o barulho da rua, depois com uma notificação no celular, depois com um pensamento aleatório. Ela não consegue acompanhar a história.
- Exemplo 2: Pedro está em uma reunião de trabalho, mas sua mente vagueia. Ele olha pela janela, depois para o celular, depois para o colega ao lado. No final, não lembra do que foi discutido.
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Normal vs. Sintomático: É normal se distrair às vezes, mas na hipomania, a distração é constante e interfere na capacidade de realizar tarefas.
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Aumento da atividade dirigida a objetivos (social, profissional, sexual) ou agitação psicomotora
- O que é: A pessoa se envolve em muitas atividades ao mesmo tempo, como se estivesse correndo contra o tempo. Ela pode se tornar mais sociável, trabalhar excessivamente ou ter comportamentos impulsivos.
- Exemplo 1: Ana decide que vai redecorar toda a casa em um fim de semana. Ela compra móveis novos, pinta as paredes e reorganiza os cômodos, mas não termina nada. No final, a casa fica uma bagunça.
- Exemplo 2: João, que sempre foi reservado, agora sai todas as noites. Ele vai a festas, bares e eventos, mesmo sem conhecer ninguém. Ele também começa a flertar com várias pessoas, mesmo estando em um relacionamento.
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Normal vs. Sintomático: É normal ter fases de maior produtividade ou sociabilidade, mas na hipomania, as atividades são excessivas, desorganizadas e podem levar a consequências negativas.
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Envolvimento excessivo em atividades com alto potencial para consequências dolorosas
- O que é: A pessoa se envolve em comportamentos de risco, como gastar dinheiro excessivamente, dirigir em alta velocidade ou ter relações sexuais sem proteção.
- Exemplo 1: Carla, que sempre foi econômica, agora gasta todo o seu salário em compras online. Ela compra roupas, eletrônicos e até um carro novo, mesmo sem ter dinheiro. Quando o cartão é bloqueado, ela fica desesperada.
- Exemplo 2: Ricardo, um motorista cuidadoso, agora dirige em alta velocidade e faz ultrapassagens perigosas. Ele se sente invencível e não percebe o risco que está correndo.
- Normal vs. Sintomático: É normal correr riscos às vezes, mas na hipomania, os comportamentos são impulsivos e podem ter consequências graves.
Sintomas Mistos
Algumas pessoas com transtorno bipolar tipo II experimentam o que chamamos de “sintomas mistos”. Isso acontece quando a pessoa tem sintomas de depressão e hipomania ao mesmo tempo. Por exemplo, ela pode se sentir triste e sem energia, mas ao mesmo tempo agitada e irritada. Esses episódios são mais comuns em mulheres e podem ser especialmente desafiadores, pois a pessoa se sente “presa” entre dois extremos.
Exemplo: Mariana está deprimida, mas não consegue ficar parada. Ela chora, mas ao mesmo tempo anda de um lado para o outro na sala. Ela se sente culpada por não estar fazendo nada, mas não tem energia para começar. Seus familiares não sabem como ajudá-la, pois ela parece triste e agitada ao mesmo tempo.
O que não é transtorno bipolar tipo II?
Ter alguns desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha transtorno bipolar tipo II. Por exemplo:
– Tristeza passageira: Todo mundo tem dias ruins, mas na depressão, a tristeza é intensa, duradoura e interfere na vida da pessoa.
– Fases de produtividade: É normal ter períodos em que nos sentimos mais produtivos, mas na hipomania, a energia é excessiva, desorganizada e pode levar a comportamentos de risco.
– Irritabilidade: Todo mundo fica irritado às vezes, mas na hipomania, a irritabilidade é intensa, persistente e não condiz com a situação.
O diagnóstico de transtorno bipolar tipo II é feito quando:
1. A pessoa teve pelo menos um episódio de hipomania e um episódio depressivo maior.
2. Os sintomas causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento da pessoa.
3. Os sintomas não são causados por outra condição médica, uso de substâncias ou outro transtorno mental.
Como se manifesta no dia a dia?
Viver com transtorno bipolar tipo II é como estar em um barco em alto-mar, com ondas que ora te levam para cima (hipomania), ora te afundam (depressão). Essas oscilações afetam todas as áreas da vida: trabalho, relacionamentos, saúde física e bem-estar emocional. Vamos ver como isso acontece na prática.
No trabalho ou na escola
O transtorno bipolar tipo II pode tornar o ambiente de trabalho ou escolar um verdadeiro campo minado. Durante os episódios de hipomania, a pessoa pode se sentir superprodutiva, cheia de ideias e capaz de fazer qualquer coisa. Mas essa energia nem sempre é canalizada de forma eficiente, e o resultado pode ser desastroso.
Exemplo 1: João, um designer gráfico, teve um episódio de hipomania e decidiu que iria redesenhar toda a identidade visual da empresa em um fim de semana. Ele trabalhou sem parar, mas no final, entregou um projeto incompleto e cheio de erros. Seu chefe ficou frustrado, e João se sentiu um fracasso.
Exemplo 2: Maria, uma estudante universitária, passou por um episódio depressivo e não conseguiu entregar um trabalho importante. Ela se sentiu tão incapaz que decidiu trancar o semestre. Quando se recuperou, teve dificuldade para retomar os estudos e se sentiu atrasada em relação aos colegas.
Durante os episódios depressivos, a pessoa pode ter dificuldade para se concentrar, tomar decisões ou até mesmo sair da cama. Isso pode levar a faltas no trabalho ou na escola, queda no desempenho e, em alguns casos, demissão ou reprovação.
Exemplo 3: Pedro, um vendedor, passou por um episódio depressivo e não conseguiu bater suas metas. Ele se sentiu um fracasso e começou a faltar ao trabalho. Seu chefe, sem entender o que estava acontecendo, o demitiu. Pedro se sentiu ainda mais deprimido e sem esperança.
Nos relacionamentos
Os relacionamentos são uma das áreas mais afetadas pelo transtorno bipolar tipo II. Durante os episódios de hipomania, a pessoa pode se tornar mais sociável, falante e impulsiva, o que pode ser confundido com “personalidade forte” ou “extroversão”. Mas essa energia nem sempre é bem recebida pelos outros.
Exemplo 1: Ana, que sempre foi reservada, teve um episódio de hipomania e começou a sair todas as noites. Ela ia a festas, bares e eventos, mesmo sem conhecer ninguém. Seu parceiro, que não estava acostumado com essa mudança, se sentiu abandonado e ciumento.
Exemplo 2: Carlos, durante um episódio de hipomania, decidiu que iria surpreender sua esposa com uma viagem de última hora. Ele gastou todo o dinheiro da poupança em passagens e hotel, sem consultá-la. Quando ela descobriu, ficou furiosa e se sentiu desrespeitada.
Durante os episódios depressivos, a pessoa pode se isolar, evitar o contato com amigos e familiares e se sentir um fardo para os outros. Isso pode levar a conflitos, ressentimentos e, em alguns casos, ao fim de relacionamentos.
Exemplo 3: Fernanda, que sempre foi próxima da família, passou por um episódio depressivo e começou a evitar os encontros familiares. Ela se sentia culpada por não estar “dando conta” e achava que os outros a viam como um peso. Seus familiares, sem entender o que estava acontecendo, se sentiram rejeitados e magoados.
Na rotina
A rotina de uma pessoa com transtorno bipolar tipo II pode ser bastante instável. Durante os episódios de hipomania, ela pode dormir pouco, comer de forma desorganizada e se envolver em muitas atividades ao mesmo tempo. Durante os episódios depressivos, pode ter dificuldade para realizar tarefas simples, como tomar banho, se alimentar ou sair de casa.
Exemplo 1: Sofia, durante um episódio de hipomania, decidiu que iria organizar toda a casa em um dia. Ela começou a limpar o quarto, depois pulou para a cozinha, depois para a sala. No final do dia, a casa estava uma bagunça, e ela não tinha terminado nada.
Exemplo 2: Ricardo, durante um episódio depressivo, não conseguia sair da cama. Ele pulava refeições, não tomava banho e passava o dia assistindo TV. Sua mãe, preocupada, tentava ajudá-lo, mas ele se sentia incapaz de fazer qualquer coisa.
Na saúde física
O transtorno bipolar tipo II não afeta apenas a mente, mas também o corpo. Durante os episódios de hipomania, a pessoa pode se sentir cheia de energia, mas essa energia não é sustentável. Ela pode se envolver em comportamentos de risco, como dirigir em alta velocidade, ter relações sexuais sem proteção ou usar substâncias.
Exemplo 1: Carla, durante um episódio de hipomania, decidiu que iria correr uma maratona, mesmo sem preparo físico. Ela treinou exaustivamente e, no dia da prova, teve uma lesão grave.
Exemplo 2: João, durante um episódio de hipomania, começou a beber excessivamente. Ele saía todas as noites e voltava para casa bêbado. Isso afetou sua saúde física e seus relacionamentos.
Durante os episódios depressivos, a pessoa pode ter alterações no apetite, no sono e na energia. Ela pode perder ou ganhar peso, dormir demais ou de menos e se sentir constantemente cansada.
Exemplo 3: Mariana, durante um episódio depressivo, perdeu o apetite e emagreceu 10 kg em dois meses. Ela também tinha dificuldade para dormir e se sentia exausta o tempo todo.
O que causa essa condição?
Entender as causas do transtorno bipolar tipo II é como montar um quebra-cabeça complexo. Não existe uma única peça que explique tudo, mas sim uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos. Vamos explorar cada um deles.
Fatores genéticos
Imagine que o transtorno bipolar tipo II é como uma herança de família, mas não no sentido de “receber uma casa ou um carro”, e sim no sentido de “receber uma predisposição”. Estudos mostram que, se um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão) tem transtorno bipolar, as chances de desenvolver a condição aumentam.
Exemplo: Se sua mãe tem transtorno bipolar tipo II, suas chances de desenvolver a condição são cerca de 10 vezes maiores do que alguém sem histórico familiar. Isso não significa que você vai desenvolver a condição, mas que seu “termostato emocional” pode ser mais sensível.
Mas atenção: ter um parente com transtorno bipolar não é uma sentença. É como herdar uma predisposição para diabetes: se você cuidar da alimentação e praticar exercícios, pode nunca desenvolver a doença. Da mesma forma, com o transtorno bipolar, um estilo de vida saudável e acompanhamento médico podem fazer toda a diferença.
Fatores neurobiológicos
Nosso cérebro é como uma orquestra, com vários instrumentos (neurotransmissores) tocando juntos para criar uma sinfonia harmoniosa. No transtorno bipolar tipo II, alguns desses instrumentos estão desafinados. Os principais neurotransmissores envolvidos são:
– Serotonina: regula o humor, o sono e o apetite.
– Dopamina: está relacionada à motivação, ao prazer e à energia.
– Noradrenalina: influencia a atenção, a energia e a resposta ao estresse.
Durante os episódios de hipomania, é como se a dopamina estivesse “alta demais”, fazendo a pessoa se sentir cheia de energia e confiança. Durante os episódios depressivos, é como se a serotonina e a noradrenalina estivessem “baixas demais”, deixando a pessoa sem energia e sem esperança.
Além disso, estudos de neuroimagem mostram que pessoas com transtorno bipolar têm diferenças em algumas áreas do cérebro, como:
– Córtex pré-frontal: responsável pelo planejamento, tomada de decisões e controle de impulsos.
– Amígdala: envolvida no processamento das emoções.
– Hipocampo: relacionado à memória e à regulação do estresse.
Essas diferenças não são visíveis a olho nu, mas ajudam a explicar por que as pessoas com transtorno bipolar têm dificuldade para regular as emoções e os impulsos.
Fatores ambientais
O ambiente em que vivemos pode ser como um interruptor que liga ou desliga a predisposição genética para o transtorno bipolar. Alguns fatores ambientais que podem desencadear ou piorar os sintomas incluem:
– Estresse: eventos estressantes, como perda de emprego, término de relacionamento ou morte de um ente querido, podem desencadear o primeiro episódio ou piorar os sintomas.
– Traumas: abuso físico, emocional ou sexual na infância ou na vida adulta pode aumentar o risco de desenvolver transtorno bipolar.
– Privação de sono: dormir pouco ou ter um sono desregulado pode desencadear episódios de hipomania ou depressão.
– Uso de substâncias: álcool, drogas e até alguns medicamentos podem piorar os sintomas ou desencadear episódios.
Exemplo: Maria sempre teve uma predisposição genética para o transtorno bipolar, mas nunca teve sintomas. Depois de um divórcio difícil e da perda do emprego, ela teve seu primeiro episódio depressivo. O estresse desses eventos “ligou” a predisposição que estava adormecida.
Fatores da gestação e desenvolvimento
Alguns estudos sugerem que eventos durante a gestação ou o desenvolvimento infantil podem aumentar o risco de transtorno bipolar. Por exemplo:
– Complicações na gravidez: infecções, desnutrição ou estresse extremo durante a gestação podem afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê.
– Traumas na infância: abuso, negligência ou instabilidade familiar na infância podem aumentar o risco de desenvolver transtorno bipolar na vida adulta.
– Exposição a substâncias: o uso de álcool ou drogas pela mãe durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê.
Modelo biopsicossocial
O modelo biopsicossocial é como uma receita de bolo, onde cada ingrediente (biológico, psicológico e social) contribui para o resultado final. No transtorno bipolar tipo II, esses ingredientes se combinam de forma única para cada pessoa.
- Biológico: predisposição genética, desequilíbrios neuroquímicos, diferenças cerebrais.
- Psicológico: traumas, estresse, padrões de pensamento, habilidades de enfrentamento.
- Social: apoio familiar, condições socioeconômicas, acesso a tratamento, estigma.
Exemplo: João tem uma predisposição genética para o transtorno bipolar (fator biológico). Ele cresceu em uma família disfuncional, com pais alcoólatras (fator psicológico). Quando adulto, perdeu o emprego e ficou desempregado por meses (fator social). Essa combinação de fatores desencadeou seu primeiro episódio de hipomania.
Mitos sobre as causas
❌ Mito 1: “Transtorno bipolar é falta de força de vontade ou frescura.”
✅ Verdade: O transtorno bipolar é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão. Não é uma escolha, e ninguém “escolhe” ter essa condição.
❌ Mito 2: “Transtorno bipolar é causado por trauma na infância.”
✅ Verdade: Traumas na infância podem aumentar o risco, mas não são a única causa. Muitas pessoas com transtorno bipolar não tiveram traumas significativos.
❌ Mito 3: “Transtorno bipolar é causado por estresse.”
✅ Verdade: O estresse pode desencadear ou piorar os sintomas, mas não é a causa do transtorno. Pessoas sem predisposição genética não desenvolvem transtorno bipolar apenas por estresse.
❌ Mito 4: “Transtorno bipolar é contagioso.”
✅ Verdade: O transtorno bipolar não é contagioso. Você não pode “pegar” transtorno bipolar de alguém, assim como não pode pegar diabetes ou hipertensão.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de transtorno bipolar tipo II pode ser um alívio para algumas pessoas, pois finalmente entendem o que está acontecendo com elas. Para outras, pode ser assustador ou confuso. O processo de diagnóstico não é como fazer um exame de sangue, onde o resultado sai na hora. É mais como montar um quebra-cabeça, onde o médico vai juntando peças de informações para chegar a uma conclusão.
O processo de avaliação
O diagnóstico de transtorno bipolar tipo II é feito por um profissional de saúde mental, como um psiquiatra ou psicólogo clínico. O processo geralmente envolve várias etapas:
- Primeira consulta: O médico vai fazer uma entrevista detalhada sobre seus sintomas, histórico médico e familiar. Ele pode perguntar coisas como:
- “Como você tem se sentido ultimamente?”
- “Você já teve períodos em que se sentiu muito feliz, cheio de energia ou irritado, sem motivo aparente?”
- “Você já teve períodos em que se sentiu muito triste, sem esperança ou sem energia?”
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“Alguém na sua família tem diagnóstico de transtorno bipolar ou depressão?”
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Histórico médico: O médico vai perguntar sobre seu histórico de saúde, incluindo:
- Doenças físicas (como problemas de tireoide, que podem causar sintomas semelhantes aos do transtorno bipolar).
- Uso de medicamentos ou substâncias (alguns remédios ou drogas podem causar sintomas de humor).
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Histórico de traumas ou eventos estressantes.
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Avaliação dos sintomas: O médico vai comparar seus sintomas com os critérios do DSM-5 ou da CID-11 para transtorno bipolar tipo II. Ele vai verificar:
- Se você já teve pelo menos um episódio de hipomania.
- Se você já teve pelo menos um episódio depressivo maior.
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Se os sintomas causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento.
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Exames complementares: Embora não existam exames de sangue ou de imagem que diagnostiquem o transtorno bipolar, o médico pode pedir alguns exames para descartar outras condições, como:
- Exames de sangue (para verificar problemas de tireoide, deficiências vitamínicas, etc.).
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Exames de imagem (como ressonância magnética, em casos específicos).
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Avaliação de outras condições: O médico vai verificar se seus sintomas não são causados por outra condição, como:
- Transtorno depressivo maior (depressão unipolar).
- Transtorno de ansiedade.
- Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
- Transtorno de personalidade borderline.
- Uso de substâncias.
Quanto tempo leva para o diagnóstico?
O diagnóstico de transtorno bipolar tipo II não é feito em uma única consulta. Geralmente, leva algumas semanas ou até meses, pois o médico precisa observar o padrão dos sintomas ao longo do tempo. Isso acontece porque:
– Os sintomas podem variar de intensidade e duração.
– Algumas pessoas têm dificuldade para lembrar de episódios passados.
– O médico precisa descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes.
Exemplo: Maria procurou um psiquiatra porque estava se sentindo deprimida. Na primeira consulta, ela contou sobre seus sintomas de tristeza, falta de energia e dificuldade para dormir. O médico suspeitou de depressão, mas pediu que ela voltasse em algumas semanas para acompanhar a evolução dos sintomas. Na segunda consulta, Maria contou que, na semana anterior, tinha se sentido cheia de energia, dormido pouco e gastado muito dinheiro. O médico então suspeitou de transtorno bipolar tipo II e pediu mais informações sobre seu histórico.
Quem pode diagnosticar?
No Brasil, o diagnóstico de transtorno bipolar tipo II pode ser feito por:
– Psiquiatras: médicos especializados em saúde mental. Eles podem diagnosticar e prescrever medicamentos.
– Psicólogos clínicos: profissionais da psicologia com formação em saúde mental. Eles podem diagnosticar, mas não podem prescrever medicamentos. Em alguns casos, podem encaminhar para um psiquiatra.
É importante procurar um profissional com experiência em transtornos do humor, pois o diagnóstico pode ser complexo.
SUS vs. particular
No Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico e o tratamento do transtorno bipolar tipo II são oferecidos gratuitamente. O caminho geralmente é:
1. Unidade Básica de Saúde (UBS): O primeiro passo é procurar uma UBS perto da sua casa. Lá, você será avaliado por um clínico geral ou médico de família, que pode encaminhá-lo para um especialista.
2. Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): Se houver suspeita de transtorno bipolar, você pode ser encaminhado para um CAPS, onde será avaliado por uma equipe multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, etc.).
3. Hospitais e ambulatórios especializados: Em casos mais complexos, você pode ser encaminhado para um hospital ou ambulatório especializado em saúde mental.
No sistema particular, você pode procurar diretamente um psiquiatra ou psicólogo clínico. O custo das consultas varia, mas muitos planos de saúde cobrem parte ou todo o tratamento.
O que esperar da primeira consulta?
A primeira consulta com um psiquiatra ou psicólogo pode ser um pouco intimidadora, mas é importante lembrar que o profissional está ali para ajudar. Algumas dicas para se preparar:
– Anote seus sintomas: Antes da consulta, anote como você tem se sentido, há quanto tempo e com que frequência. Isso ajuda o médico a entender melhor o seu caso.
– Leve um acompanhante: Se possível, leve um familiar ou amigo de confiança. Eles podem ajudar a lembrar de detalhes importantes e oferecer apoio emocional.
– Seja honesto: Não tenha vergonha de contar o que está sentindo. O médico está acostumado a ouvir sobre sintomas difíceis e não vai julgar você.
– Faça perguntas: Se tiver dúvidas sobre o diagnóstico, tratamento ou qualquer outra coisa, pergunte. O médico está ali para esclarecer suas dúvidas.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial é como um jogo de “diferenças”, onde o médico compara os sintomas do transtorno bipolar tipo II com os de outras condições que podem ser parecidas. Algumas condições que podem ser confundidas com transtorno bipolar tipo II incluem:
- Transtorno depressivo maior (depressão unipolar)
- Semelhanças: episódios de depressão.
- Diferenças: na depressão unipolar, não há episódios de hipomania ou mania. A pessoa só tem episódios depressivos.
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Como o médico diferencia: o médico vai perguntar sobre episódios de humor elevado, energia aumentada ou irritabilidade. Se a pessoa nunca teve esses sintomas, o diagnóstico provavelmente será depressão unipolar.
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Transtorno de ansiedade
- Semelhanças: agitação, irritabilidade, dificuldade para dormir.
- Diferenças: no transtorno de ansiedade, os sintomas são mais constantes e não há episódios de depressão ou hipomania.
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Como o médico diferencia: o médico vai perguntar sobre episódios de tristeza profunda, falta de energia ou pensamentos suicidas. Se a pessoa não teve esses sintomas, o diagnóstico provavelmente será transtorno de ansiedade.
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Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
- Semelhanças: impulsividade, agitação, dificuldade para se concentrar.
- Diferenças: no TDAH, os sintomas começam na infância e são mais constantes. No transtorno bipolar, os sintomas são episódicos (vêm e vão).
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Como o médico diferencia: o médico vai perguntar sobre o início dos sintomas e se há períodos de depressão ou hipomania. Se os sintomas começaram na infância e são constantes, o diagnóstico provavelmente será TDAH.
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Transtorno de personalidade borderline
- Semelhanças: oscilações de humor, impulsividade, comportamentos de risco.
- Diferenças: no transtorno de personalidade borderline, as oscilações de humor são mais rápidas (duram horas ou dias) e estão relacionadas a eventos específicos (como brigas ou rejeição). No transtorno bipolar, os episódios duram semanas ou meses e não estão necessariamente ligados a eventos externos.
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Como o médico diferencia: o médico vai perguntar sobre a duração dos episódios e se eles estão relacionados a eventos específicos. Se as oscilações de humor são rápidas e ligadas a eventos, o diagnóstico provavelmente será transtorno de personalidade borderline.
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Uso de substâncias
- Semelhanças: euforia, agitação, irritabilidade, depressão.
- Diferenças: os sintomas causados pelo uso de substâncias (como álcool, cocaína ou maconha) desaparecem quando a pessoa para de usar a substância.
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Como o médico diferencia: o médico vai perguntar sobre o uso de substâncias e se os sintomas persistem mesmo quando a pessoa não está usando. Se os sintomas desaparecem com a abstinência, o diagnóstico provavelmente será transtorno por uso de substâncias.
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Problemas de tireoide
- Semelhanças: depressão, fadiga, alterações de peso, irritabilidade.
- Diferenças: problemas de tireoide (como hipotireoidismo ou hipertireoidismo) podem ser detectados por exames de sangue.
- Como o médico diferencia: o médico pode pedir exames de sangue para verificar os níveis de hormônios tireoidianos. Se os exames estiverem alterados, o diagnóstico provavelmente será um problema de tireoide.
Tratamento
O tratamento do transtorno bipolar tipo II é como uma receita de bolo: precisa de ingredientes certos, na medida certa e no tempo certo. Não existe uma fórmula mágica que funcione para todo mundo, mas com o tratamento adequado, é possível viver bem e ter uma vida plena. O tratamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
Medicamentos
Os medicamentos são como os “freios” e “aceleradores” do cérebro. Eles ajudam a regular os neurotransmissores (como serotonina, dopamina e noradrenalina) e a estabilizar o humor. Os principais tipos de medicamentos usados no tratamento do transtorno bipolar tipo II são:
Estabilizadores de humor
Os estabilizadores de humor são como o “termostato” do cérebro. Eles ajudam a manter o humor em um nível estável, evitando os extremos da depressão e da hipomania.
- Lítio: é um dos estabilizadores de humor mais antigos e eficazes. Ele ajuda a prevenir episódios de depressão e hipomania. O lítio é como um “regulador de voltagem” no cérebro, ajudando a manter o humor em um nível estável.
- Efeitos colaterais: tremores, sede excessiva, ganho de peso, problemas renais (em casos raros).
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O que fazer: é importante fazer exames de sangue regularmente para monitorar os níveis de lítio no organismo e evitar efeitos colaterais graves.
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Ácido valproico: é outro estabilizador de humor eficaz, especialmente para prevenir episódios de hipomania. Ele é como um “amortecedor” no cérebro, suavizando as oscilações de humor.
- Efeitos colaterais: ganho de peso, tremores, queda de cabelo, problemas hepáticos (em casos raros).
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O que fazer: é importante fazer exames de sangue regularmente para monitorar a função hepática.
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Lamotrigina: é um estabilizador de humor que ajuda a prevenir episódios de depressão. Ele é como um “escudo” contra a tristeza, protegendo o cérebro dos baixos do humor.
- Efeitos colaterais: dor de cabeça, tontura, erupções cutâneas (em casos raros, pode causar uma reação grave chamada síndrome de Stevens-Johnson).
- O que fazer: é importante aumentar a dose gradualmente, conforme orientação médica, para reduzir o risco de erupções cutâneas.
Antipsicóticos atípicos
Os antipsicóticos atípicos são como “freios de emergência” no cérebro. Eles são usados para tratar episódios de hipomania ou depressão, especialmente quando há sintomas mistos (depressão com agitação, por exemplo).
- Quetiapina: ajuda a tratar episódios de depressão e hipomania. Ela é como um “calmante” para o cérebro, reduzindo a agitação e a irritabilidade.
- Efeitos colaterais: sonolência, ganho de peso, tontura.
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O que fazer: é importante tomar o medicamento conforme orientação médica e evitar dirigir ou operar máquinas pesadas até saber como o medicamento afeta você.
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Olanzapina: é usada para tratar episódios de hipomania. Ela é como um “freio” para os pensamentos acelerados e a agitação.
- Efeitos colaterais: ganho de peso, sonolência, aumento do apetite.
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O que fazer: é importante monitorar o peso e a glicemia, pois o medicamento pode aumentar o risco de diabetes.
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Aripiprazol: ajuda a tratar episódios de hipomania e também pode ser usado como manutenção. Ele é como um “regulador” do humor, ajudando a manter o equilíbrio.
- Efeitos colaterais: agitação, insônia, náusea.
- O que fazer: é importante tomar o medicamento conforme orientação médica e evitar cafeína, pois pode piorar a agitação.
Antidepressivos
Os antidepressivos são como “combustível” para o cérebro, ajudando a aliviar os sintomas de depressão. No entanto, eles devem ser usados com cuidado no transtorno bipolar tipo II, pois podem desencadear episódios de hipomania.
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): são os antidepressivos mais comuns. Eles aumentam os níveis de serotonina no cérebro, ajudando a melhorar o humor.
- Exemplos: fluoxetina, sertralina, escitalopram.
- Efeitos colaterais: náusea, dor de cabeça, insônia, disfunção sexual.
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O que fazer: é importante tomar o medicamento conforme orientação médica e evitar parar de repente, pois pode causar sintomas de abstinência.
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Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN): são antidepressivos que aumentam os níveis de serotonina e noradrenalina no cérebro.
- Exemplos: venlafaxina, duloxetina.
- Efeitos colaterais: náusea, sudorese, aumento da pressão arterial.
- O que fazer: é importante monitorar a pressão arterial e tomar o medicamento conforme orientação médica.
Outros medicamentos
- Benzodiazepínicos: são usados para tratar ansiedade e insônia, mas devem ser usados com cuidado, pois podem causar dependência.
- Exemplos: clonazepam, diazepam.
- Efeitos colaterais: sonolência, tontura, dependência.
- O que fazer: é importante usar apenas por curtos períodos e conforme orientação médica.
Psicoterapia
A psicoterapia é como uma “academia para a mente”. Ela ajuda a pessoa a entender seus pensamentos, emoções e comportamentos, e a desenvolver estratégias para lidar com os desafios do transtorno bipolar tipo II. As principais abordagens de psicoterapia usadas no tratamento do transtorno bipolar são:
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
A TCC é como um “manual de instruções” para a mente. Ela ajuda a pessoa a identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para os sintomas do transtorno bipolar.
- Como funciona: o terapeuta ajuda a pessoa a identificar pensamentos negativos ou distorcidos (como “Sou um fracasso” ou “Nunca vou melhorar”) e a substituí-los por pensamentos mais realistas e positivos.
- Exemplo: Maria, que está deprimida, pensa: “Sou um fracasso porque não consegui terminar meu trabalho”. O terapeuta ajuda Maria a ver que ela não é um fracasso, mas está passando por um episódio depressivo que está afetando sua produtividade.
- Duração: geralmente, a TCC é feita em sessões semanais, com duração de 12 a 20 sessões.
Psicoeducação
A psicoeducação é como um “curso” sobre o transtorno bipolar. Ela ajuda a pessoa e seus familiares a entenderem a condição, os sintomas, o tratamento e as estratégias para lidar com os desafios.
- Como funciona: o terapeuta fornece informações sobre o transtorno bipolar, ensina a reconhecer os sinais de alerta de episódios de humor e ajuda a desenvolver um plano de ação para lidar com eles.
- Exemplo: João aprende a reconhecer os sinais de que está entrando em um episódio de hipomania (como dormir menos e gastar mais dinheiro). Ele e sua família desenvolvem um plano para reduzir os gastos e manter uma rotina de sono.
- Duração: a psicoeducação pode ser feita em sessões individuais ou em grupo, com duração variável.
Terapia focada na família
A terapia focada na família é como um “treinamento” para os familiares. Ela ajuda a melhorar a comunicação, reduzir o estresse e fortalecer o apoio à pessoa com transtorno bipolar.
- Como funciona: o terapeuta trabalha com a pessoa e seus familiares para melhorar a comunicação, resolver conflitos e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do transtorno bipolar.
- Exemplo: Ana e seu marido aprendem a se comunicar melhor durante os episódios de depressão. Eles desenvolvem estratégias para que Ana se sinta apoiada, sem que seu marido se sinta sobrecarregado.
- Duração: geralmente, a terapia focada na família é feita em sessões semanais, com duração de 12 a 20 sessões.
Terapia interpessoal e de ritmo social (IPSRT)
A IPSRT é como um “relógio” para a vida. Ela ajuda a pessoa a manter uma rotina regular de sono, alimentação e atividades, o que pode ajudar a estabilizar o humor.
- Como funciona: o terapeuta ajuda a pessoa a identificar e resolver problemas interpessoais (como conflitos familiares ou dificuldades no trabalho) e a manter uma rotina regular de sono, alimentação e atividades.
- Exemplo: Pedro aprende a manter uma rotina de sono regular, mesmo nos fins de semana. Ele também desenvolve estratégias para lidar com o estresse no trabalho, o que ajuda a prevenir episódios de humor.
- Duração: geralmente, a IPSRT é feita em sessões semanais, com duração de 12 a 20 sessões.
Mudanças no dia a dia
Além dos medicamentos e da psicoterapia, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a estabilizar o humor e melhorar a qualidade de vida. Vamos ver algumas delas:
Exercício físico
O exercício físico é como um “remédio natural” para o cérebro. Ele ajuda a liberar endorfinas (substâncias que melhoram o humor), reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono.
- Quais tipos ajudam mais: exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, natação) e exercícios de relaxamento (como ioga e tai chi).
- Por quê: o exercício físico ajuda a regular os neurotransmissores (como serotonina e dopamina) e a reduzir a inflamação no cérebro, o que pode ajudar a estabilizar o humor.
- Quanto tempo: pelo menos 30 minutos por dia, 3 a 5 vezes por semana.
Sono
O sono é como um “reset” para o cérebro. Dormir bem ajuda a regular o humor, a energia e a concentração.
- Higiene do sono: algumas dicas para melhorar a qualidade do sono incluem:
- Manter uma rotina regular de sono (dormir e acordar no mesmo horário todos os dias).
- Evitar cafeína, álcool e nicotina perto da hora de dormir.
- Criar um ambiente tranquilo e escuro para dormir.
- Evitar telas (como celular e TV) pelo menos uma hora antes de dormir.
- Por quê: a privação de sono pode desencadear episódios de hipomania ou depressão. Manter uma rotina regular de sono ajuda a estabilizar o humor.
Alimentação
A alimentação é como o “combustível” do cérebro. Comer bem ajuda a regular o humor, a energia e a concentração.
- O que a ciência diz: alguns nutrientes que podem ajudar a estabilizar o humor incluem:
- Ômega-3: encontrado em peixes (como salmão e sardinha), nozes e sementes de linhaça. O ômega-3 ajuda a reduzir a inflamação no cérebro e a melhorar o humor.
- Vitaminas do complexo B: encontradas em grãos integrais, legumes e verduras. As vitaminas do complexo B ajudam a regular os neurotransmissores e a melhorar a energia.
- Magnésio: encontrado em vegetais verdes, nozes e sementes. O magnésio ajuda a reduzir a ansiedade e a melhorar o sono.
- O que evitar: alimentos processados, açúcar refinado e gorduras trans, que podem piorar a inflamação no cérebro e afetar o humor.
Rotina
Manter uma rotina regular é como um “ancoradouro” para a mente. Ela ajuda a reduzir o estresse, melhorar a organização e estabilizar o humor.
- Como estruturar o dia:
- Acordar e dormir no mesmo horário todos os dias.
- Fazer refeições regulares.
- Reservar um tempo para atividades prazerosas (como hobbies e lazer).
- Planejar as tarefas do dia com antecedência.
- Por quê: uma rotina regular ajuda a reduzir a incerteza e o estresse, o que pode ajudar a prevenir episódios de humor.
Técnicas de manejo
Algumas técnicas podem ajudar a lidar com os sintomas do transtorno bipolar tipo II no dia a dia. Vamos ver algumas delas:
- Mindfulness: é uma técnica de meditação que ajuda a focar no presente e a reduzir o estresse. Ela pode ser feita em qualquer lugar e a qualquer hora, e ajuda a melhorar a concentração e a reduzir a ansiedade.
- Respiração profunda: é uma técnica simples que ajuda a reduzir a ansiedade e a agitação. Ela pode ser feita em momentos de estresse ou antes de dormir.
- Diário de humor: é uma ferramenta que ajuda a monitorar as oscilações de humor e a identificar padrões. A pessoa anota como se sentiu ao longo do dia e quais eventos podem ter influenciado seu humor.
- Plano de ação: é um plano desenvolvido com o terapeuta para lidar com os sinais de alerta de episódios de humor. Ele inclui estratégias para reduzir o estresse, manter uma rotina regular e buscar ajuda quando necessário.
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de transtorno bipolar tipo II pode ser um momento de muitas emoções: alívio, medo, confusão, esperança. É como se, de repente, você tivesse um mapa para entender o que está acontecendo com você, mas ainda precisasse aprender a navegar por esse novo território. Vamos ver como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.
Para a pessoa com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de transtorno bipolar tipo II pode ser um momento de virada. É como se você finalmente entendesse por que se sente assim e pudesse começar a fazer algo a respeito. Mas também pode ser assustador, especialmente se você não sabe o que esperar. Vamos ver algumas dicas para lidar com o diagnóstico:
Aceitação
Aceitar o diagnóstico não significa se resignar a uma vida de sofrimento. Pelo contrário, significa reconhecer que você tem uma condição médica e que, com o tratamento adequado, pode viver bem. É como aceitar que você tem diabetes: você não escolheu ter, mas pode aprender a cuidar de si mesmo e ter uma vida plena.
- Dica 1: Lembre-se de que o transtorno bipolar tipo II não define quem você é. Você é muito mais do que um diagnóstico.
- Dica 2: Não tenha vergonha de buscar ajuda. Pedir ajuda é um sinal de força, não de fraqueza.
- Dica 3: Converse com outras pessoas que têm o mesmo diagnóstico. Elas podem oferecer apoio, compreensão e dicas valiosas.
Autoconhecimento
Conhecer seus sintomas, gatilhos e padrões de humor é como ter um “manual de instruções” para si mesmo. Isso ajuda a identificar sinais de alerta de episódios de humor e a tomar medidas para preveni-los ou lidar com eles.
- Dica 1: Mantenha um diário de humor. Anote como se sentiu ao longo do dia e quais eventos podem ter influenciado seu humor.
- Dica 2: Identifique seus gatilhos. O que costuma desencadear seus episódios de humor? Estresse? Privação de sono? Conflitos familiares?
- Dica 3: Aprenda a reconhecer os sinais de alerta de episódios de humor. Por exemplo, se você costuma dormir menos quando está entrando em um episódio de hipomania, fique atento a isso.
Adesão ao tratamento
O tratamento do transtorno bipolar tipo II é como um “pacote completo”: inclui medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. É importante seguir o tratamento conforme orientação médica, mesmo quando você se sentir bem.
- Dica 1: Tome os medicamentos conforme prescrito. Não pare de tomar ou mude a dose sem orientação médica.
- Dica 2: Compareça às consultas e sessões de terapia. Elas são importantes para monitorar seu progresso e ajustar o tratamento, se necessário.
- Dica 3: Mantenha um estilo de vida saudável. Durma bem, alimente-se bem, pratique exercícios físicos e evite o uso de substâncias.
Rede de apoio
Ter uma rede de apoio é como ter um “time” ao seu lado. Família, amigos, terapeuta, médico — todas essas pessoas podem oferecer apoio, compreensão e ajuda quando você precisar.
- Dica 1: Converse com seus familiares e amigos sobre seu diagnóstico. Explique o que é o transtorno bipolar tipo II e como eles podem ajudar.
- Dica 2: Participe de grupos de apoio. Eles são um espaço seguro para compartilhar experiências, aprender com os outros e se sentir compreendido.
- Dica 3: Não tenha medo de pedir ajuda. Se estiver se sentindo sobrecarregado, converse com seu terapeuta ou médico.
Para familiares e amigos
Ter um familiar ou amigo com transtorno bipolar tipo II pode ser desafiador. Você pode se sentir confuso, frustrado ou até mesmo assustado. Mas também pode ser uma oportunidade de oferecer apoio, compreensão e amor. Vamos ver algumas dicas para ajudar:
Como ajudar de forma efetiva
- Dica 1: Informe-se sobre o transtorno bipolar tipo II. Quanto mais você souber, melhor poderá ajudar.
- Dica 2: Seja paciente. O tratamento do transtorno bipolar tipo II pode levar tempo, e a pessoa pode ter altos e baixos ao longo do caminho.
- Dica 3: Ofereça apoio emocional. Ouça a pessoa, valide seus sentimentos e ofereça seu apoio.
- Dica 4: Ajude a pessoa a manter uma rotina regular. Isso pode incluir lembrá-la de tomar os medicamentos, incentivá-la a dormir bem e a praticar exercícios físicos.
- Dica 5: Esteja atento aos sinais de alerta de episódios de humor. Se notar que a pessoa está entrando em um episódio de hipomania ou depressão, converse com ela e, se necessário, ajude-a a buscar ajuda profissional.
O que NÃO fazer
- ❌ Não minimize os sentimentos da pessoa: frases como “Isso é frescura” ou “Você só precisa se animar” podem fazer a pessoa se sentir incompreendida e sozinha.
- ❌ Não tente “consertar” a pessoa: o transtorno bipolar tipo II é uma condição médica, não um problema que pode ser resolvido com conselhos ou força de vontade.
- ❌ Não leve os comportamentos da pessoa para o lado pessoal: durante os episódios de humor, a pessoa pode agir de forma impulsiva, irritada ou isolada. Lembre-se de que isso faz parte da condição e não é uma escolha.
- ❌ Não ignore os sinais de alerta: se a pessoa estiver tendo pensamentos suicidas, comportamentos de risco ou sintomas graves, procure ajuda profissional imediatamente.
Como cuidar de si mesmo
Cuidar de uma pessoa com transtorno bipolar tipo II pode ser desgastante. É importante que você também cuide de si mesmo, para não se sobrecarregar.
- Dica 1: Estabeleça limites. Você não pode estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. É importante reservar um tempo para si mesmo.
- Dica 2: Busque apoio. Converse com amigos, familiares ou um terapeuta sobre seus sentimentos e desafios.
- Dica 3: Participe de grupos de apoio para familiares. Eles são um espaço seguro para compartilhar experiências e aprender com os outros.
- Dica 4: Não se culpe. Você não é responsável pelo transtorno bipolar da pessoa, e não pode “consertá-la”. O melhor que você pode fazer é oferecer apoio e incentivá-la a buscar tratamento.
Como explicar para outras pessoas
Explicar o transtorno bipolar tipo II para outras pessoas pode ser desafiador, especialmente porque ainda existe muito estigma em torno das condições de saúde mental. Mas é importante falar sobre isso, para que as pessoas entendam e ofereçam apoio.
- Dica 1: Escolha o momento certo. Converse com a pessoa em um momento tranquilo, quando ela estiver aberta a ouvir.
- Dica 2: Use uma linguagem simples. Explique o que é o transtorno bipolar tipo II de forma clara e acessível.
- Exemplo: “O transtorno bipolar tipo II é uma condição de saúde mental que causa oscilações de humor. Às vezes, a pessoa se sente muito deprimida, e outras vezes, muito agitada ou irritada. Não é uma escolha, e não é culpa da pessoa.”
- Dica 3: Dê exemplos concretos. Explique como o transtorno bipolar tipo II afeta a vida da pessoa.
- Exemplo: “Durante os episódios de depressão, pode ser difícil para a pessoa sair da cama, trabalhar ou até mesmo tomar banho. Durante os episódios de hipomania, ela pode se sentir cheia de energia, mas também pode agir de forma impulsiva, como gastar muito dinheiro ou dirigir em alta velocidade.”
- Dica 4: Enfatize que o transtorno bipolar tipo II é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão. Não é uma escolha, e não é culpa da pessoa.
- Dica 5: Peça apoio. Explique como a pessoa pode ajudar, seja oferecendo apoio emocional, ajudando a manter uma rotina regular ou simplesmente ouvindo.
Quando os sintomas podem piorar?
Os sintomas do transtorno bipolar tipo II podem piorar em algumas situações. É importante estar atento a esses gatilhos e tomar medidas para preveni-los ou lidar com eles.
- Estresse: eventos estressantes, como perda de emprego, término de relacionamento ou morte de um ente querido, podem desencadear ou piorar os sintomas.
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O que fazer: pratique técnicas de relaxamento, como mindfulness e respiração profunda. Converse com seu terapeuta sobre estratégias para lidar com o estresse.
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Privação de sono: dormir pouco ou ter um sono desregulado pode desencadear episódios de hipomania ou depressão.
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O que fazer: mantenha uma rotina regular de sono. Durma e acorde no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana.
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Uso de substâncias: álcool, drogas e até alguns medicamentos podem piorar os sintomas ou desencadear episódios de humor.
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O que fazer: evite o uso de substâncias. Se precisar de ajuda para parar, converse com seu médico ou terapeuta.
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Mudanças na rotina: mudanças na rotina, como viagens, mudanças de emprego ou mudanças na medicação, podem desencadear ou piorar os sintomas.
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O que fazer: planeje com antecedência. Converse com seu médico sobre como lidar com mudanças na rotina.
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Falta de adesão ao tratamento: parar de tomar os medicamentos ou faltar às consultas e sessões de terapia pode piorar os sintomas.
- O que fazer: siga o tratamento conforme orientação médica. Se tiver dúvidas ou efeitos colaterais, converse com seu médico.
Perguntas frequentes
1. Transtorno bipolar tipo II tem cura?
Não existe uma “cura” para o transtorno bipolar tipo II, no sentido de eliminar a condição para sempre. Mas isso não significa que a pessoa esteja condenada a uma vida de sofrimento. Com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, prevenir episódios de humor e ter uma vida plena e satisfatória.
Pense no transtorno bipolar tipo II como uma condição crônica, como diabetes ou hipertensão. Você não “cura” o diabetes, mas pode controlá-lo com medicamentos, dieta e exercícios. Da mesma forma, o transtorno bipolar tipo II pode ser controlado com medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
Muitas pessoas com transtorno bipolar tipo II vivem bem, trabalham, têm relacionamentos saudáveis e realizam seus sonhos. O segredo é seguir o tratamento, conhecer seus gatilhos e sinais de alerta, e ter uma rede de apoio.
2. Posso parar de tomar os medicamentos quando me sentir bem?
Não. Os medicamentos para o transtorno bipolar tipo II não são como um antibiótico, que você toma por alguns dias e depois para. Eles são como um “regulador” do humor, que precisa ser tomado continuamente para manter o equilíbrio.
Parar de tomar os medicamentos de repente pode causar uma recaída, ou seja, um novo episódio de depressão ou hipomania. Além disso, alguns medicamentos, como o lítio, precisam ser retirados gradualmente, sob orientação médica, para evitar sintomas de abstinência.
Se você estiver se sentindo bem, é sinal de que os medicamentos estão funcionando. Não pare de tomá-los sem conversar com seu médico. Se estiver tendo efeitos colaterais ou dúvidas sobre o tratamento, converse com seu médico para ajustar a dose ou trocar o medicamento.
3. Transtorno bipolar tipo II é a mesma coisa que transtorno de personalidade borderline?
Não. Embora os dois transtornos possam ter sintomas semelhantes, como oscilações de humor e impulsividade, eles são condições diferentes.
- Transtorno bipolar tipo II: é um transtorno do humor, caracterizado por episódios de depressão e hipomania. Os episódios duram semanas ou meses e não estão necessariamente ligados a eventos externos.
- Transtorno de personalidade borderline: é um transtorno de personalidade, caracterizado por instabilidade emocional, impulsividade e medo de abandono. As oscilações de humor são mais rápidas (duram horas ou dias) e estão relacionadas a eventos específicos, como brigas ou rejeição.
O tratamento também é diferente. O transtorno bipolar tipo II é tratado principalmente com medicamentos estabilizadores de humor, enquanto o transtorno de personalidade borderline é tratado principalmente com psicoterapia, como a terapia dialética comportamental (TDC).
4. Posso ter filhos se tenho transtorno bipolar tipo II?
Sim. Ter transtorno bipolar tipo II não impede uma pessoa de ter filhos. No entanto, é importante planejar a gravidez com antecedência, pois alguns medicamentos podem ser prejudiciais ao bebê.
Se você está pensando em engravidar, converse com seu médico. Ele pode ajustar sua medicação para opções mais seguras durante a gravidez ou ajudá-la a planejar a gestação para um momento em que seus sintomas estejam estáveis.
Durante a gravidez e o pós-parto, é importante ter um acompanhamento médico próximo, pois essas fases podem ser gatilhos para episódios de humor. O apoio da família e dos amigos também é fundamental.
5. Transtorno bipolar tipo II é hereditário?
Sim, o transtorno bipolar tipo II tem um componente genético. Se um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão) tem transtorno bipolar, suas chances de desenvolver a condição são cerca de 10 vezes maiores do que alguém sem histórico familiar.
No entanto, ter um parente com transtorno bipolar não significa que você vai desenvolver a condição. É como herdar uma predisposição para diabetes: se você cuidar da alimentação e praticar exercícios, pode nunca desenvolver a doença.
Se você tem histórico familiar de transtorno bipolar, é importante estar atento aos sinais de alerta e procurar ajuda profissional se notar sintomas.
6. Posso trabalhar normalmente com transtorno bipolar tipo II?
Sim. Muitas pessoas com transtorno bipolar tipo II trabalham normalmente e têm carreiras bem-sucedidas. O segredo é seguir o tratamento, conhecer seus limites e ter uma rotina equilibrada.
Durante os episódios de depressão ou hipomania, pode ser difícil manter o desempenho no trabalho. Nesses casos, é importante conversar com seu médico e, se necessário, tirar uma licença médica para se recuperar.
Algumas dicas para manter o equilíbrio no trabalho:
– Mantenha uma rotina regular de sono e alimentação.
– Faça pausas durante o dia para relaxar.
– Evite sobrecarga de trabalho.
– Converse com seu chefe ou colegas sobre suas necessidades, se se sentir confortável.
7. Transtorno bipolar tipo II pode se transformar em tipo I?
Sim, mas é raro. Cerca de 5 a 15% das pessoas com transtorno bipolar tipo II desenvolvem um episódio de mania ao longo da vida, o que muda o diagnóstico para transtorno bipolar tipo I.
Isso não significa que o tipo II seja “menos grave” ou que vá “evoluir” para o tipo I. A maioria das pessoas com tipo II nunca desenvolve um episódio de mania.
Se você tem transtorno bipolar tipo II e começa a ter sintomas de mania (como euforia extrema, delírios ou comportamentos de risco), procure ajuda médica imediatamente.
8. Como posso ajudar um familiar com transtorno bipolar tipo II?
Ajudar um familiar com transtorno bipolar tipo II pode ser desafiador, mas também muito gratificante. Algumas dicas:
– Informe-se: quanto mais você souber sobre o transtorno, melhor poderá ajudar.
– Seja paciente: o tratamento pode levar tempo, e a pessoa pode ter altos e baixos ao longo do caminho.
– Ofereça apoio emocional: ouça a pessoa, valide seus sentimentos e ofereça seu apoio.
– Ajude a manter uma rotina regular: incentive a pessoa a dormir bem, se alimentar bem e praticar exercícios físicos.
– Esteja atento aos sinais de alerta: se notar que a pessoa está entrando em um episódio de humor, converse com ela e, se necessário, ajude-a a buscar ajuda profissional.
– Cuide de si mesmo: cuidar de uma pessoa com transtorno bipolar pode ser desgastante. Reserve um tempo para si mesmo e busque apoio, se necessário.
9. Transtorno bipolar tipo II pode causar suicídio?
Infelizmente, sim. O transtorno bipolar tipo II está associado a um risco aumentado de suicídio, especialmente durante os episódios depressivos ou mistos (quando há sintomas de depressão e hipomania ao mesmo tempo).
Se você ou alguém que você conhece está tendo pensamentos suicidas, procure ajuda imediatamente. No Brasil, você pode ligar para o Centro de Valorização da Vida (CVV) no número 188, que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
Alguns sinais de alerta para suicídio incluem:
– Falar sobre morte ou suicídio.
– Dizer frases como “Eu preferia estar morto” ou “As pessoas estariam melhor sem mim”.
– Isolar-se de amigos e familiares.
– Fazer planos para tirar a própria vida (como pesquisar métodos ou escrever uma carta de despedida).
– Comportamentos de risco, como dirigir em alta velocidade ou usar substâncias.
Se notar esses sinais em alguém, não ignore. Converse com a pessoa, ofereça seu apoio e ajude-a a buscar ajuda profissional.
10. Como é o tratamento no SUS?
O tratamento do transtorno bipolar tipo II no Sistema Único de Saúde (SUS) é gratuito e oferecido em diferentes níveis de atenção:
- Unidade Básica de Saúde (UBS): é o primeiro ponto de contato. Você pode agendar uma consulta com um clínico geral ou médico de família, que pode encaminhá-lo para um especialista.
- Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): é um serviço especializado em saúde mental, onde você será avaliado por uma equipe multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, etc.). O CAPS oferece atendimento individual, em grupo e familiar, além de atividades terapêuticas.
- Hospitais e ambulatórios especializados: em casos mais complexos, você pode ser encaminhado para um hospital ou ambulatório especializado em saúde mental.
O SUS também oferece medicamentos gratuitos para o tratamento do transtorno bipolar tipo II. Você pode retirá-los nas farmácias das UBS ou em farmácias populares.
Para acessar o tratamento no SUS, basta procurar uma UBS perto da sua casa e agendar uma consulta. Se precisar de ajuda urgente, você pode procurar um CAPS ou um pronto-socorro.
Quando procurar ajuda urgente
Alguns sintomas do transtorno bipolar tipo II requerem ajuda médica imediata. Se você ou alguém que você conhece apresentar algum dos sinais abaixo, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192) ou o CVV (188):
Sinais de alerta para episódios de hipomania/mania:
- Comportamentos de risco: dirigir em alta velocidade, gastar dinheiro excessivamente, ter relações sexuais sem proteção.
- Agitação extrema: não conseguir ficar parado, falar sem parar, ter pensamentos acelerados.
- Irritabilidade intensa: discutir com frequência, ter explosões de raiva, ser agressivo.
- Delírios ou alucinações: acreditar em coisas que não são verdadeiras (como ter poderes especiais) ou ouvir vozes que não existem.
Sinais de alerta para episódios depressivos:
- Pensamentos suicidas: falar sobre morte ou suicídio, dizer que “não aguenta mais viver”.
- Isolamento extremo: não sair de casa, não falar com ninguém, evitar contato com amigos e familiares.
- Negligência com a saúde: não tomar banho, não se alimentar, não tomar os medicamentos.
- Sintomas psicóticos: acreditar em coisas que não são verdadeiras (como ser perseguido) ou ouvir vozes que não existem.
Sinais de alerta para risco de suicídio:
- Falar sobre morte ou suicídio.
- Dizer frases como “Eu preferia estar morto” ou “As pessoas estariam melhor sem mim”.
- Fazer planos para tirar a própria vida (como pesquisar métodos ou escrever uma carta de despedida).
- Comportamentos de risco, como dirigir em alta velocidade ou usar substâncias.
Se você ou alguém que você conhece apresentar algum desses sinais, não espere. Procure ajuda imediatamente. O CVV (188) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Goodwin, F. K., & Jamison, K. R. Manic-Depressive Illness: Bipolar Disorders and Recurrent Depression. 2ª ed. Oxford University Press, 2007.
- National Institute of Mental Health. Bipolar Disorder. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/topics/bipolar-disorder.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.