O que é?
Imagine que o seu cérebro é como um computador. Com o tempo, alguns programas começam a travar, a memória fica mais lenta e algumas funções que antes eram automáticas agora exigem mais esforço. Para a maioria das pessoas, isso acontece de forma gradual e natural com o envelhecimento. Mas em alguns casos, esses “travamentos” são mais intensos, começam mais cedo ou aparecem de forma diferente do esperado. É como se o computador estivesse com um problema específico que não se encaixa nos diagnósticos mais comuns, como Alzheimer ou demência vascular.
Os “Outros Transtornos Neurocognitivos Especificados” são justamente isso: um grupo de condições em que a pessoa apresenta dificuldades significativas em funções como memória, atenção, linguagem, raciocínio ou controle emocional, mas que não se encaixam perfeitamente nos diagnósticos mais conhecidos. É como se fosse um “coringa” na medicina, usado quando os sintomas são claros, mas a causa ou o padrão não correspondem exatamente ao que está descrito nos manuais para doenças como Alzheimer, Parkinson ou derrames.
Essa categoria existe porque o cérebro humano é complexo e nem sempre segue um roteiro previsível. Duas pessoas podem ter sintomas parecidos, mas por motivos diferentes. Por exemplo: uma pessoa pode ter dificuldade para se organizar no trabalho por causa de um pequeno AVC que não foi detectado, enquanto outra pode ter os mesmos sintomas por causa de uma inflamação cerebral silenciosa. Ambas precisam de ajuda, mas os tratamentos podem ser diferentes. O código 6E0Y é usado quando os médicos identificam que há um problema real e significativo, mas que ainda não tem um “nome e sobrenome” definido.
No Brasil, não temos estatísticas precisas sobre quantas pessoas têm esse diagnóstico específico, porque ele é usado justamente quando o caso não se encaixa nas categorias mais comuns. Mas sabemos que os transtornos neurocognitivos em geral afetam cerca de 1 milhão de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. A maioria dos casos aparece após os 65 anos, mas algumas condições podem começar mais cedo, especialmente quando há histórico de lesões cerebrais, doenças autoimunes ou uso prolongado de certas substâncias.
Historicamente, a medicina costumava agrupar todos esses casos sob o termo “demência”, que carregava um estigma enorme. Com o tempo, os pesquisadores perceberam que nem todo declínio cognitivo é igual, e que muitas pessoas têm dificuldades significativas sem chegar ao ponto de uma demência clássica. Foi assim que surgiram categorias como “transtorno neurocognitivo leve” e, mais recentemente, essa categoria de “outros transtornos especificados”, que reconhece a diversidade dos problemas cerebrais e evita rotular as pessoas de forma precipitada.
Quais são os sintomas?
Os sintomas dos transtornos neurocognitivos variam muito de pessoa para pessoa, mas todos envolvem algum tipo de dificuldade em funções que antes eram fáceis. É como se algumas engrenagens do cérebro começassem a falhar, afetando a forma como pensamos, lembramos, nos concentramos ou nos comportamos. Vamos entender cada um dos principais sinais, com exemplos práticos do dia a dia.
1. Declínio em uma ou mais funções cognitivas
O que significa em linguagem simples:
O cérebro tem várias “estações de trabalho”, cada uma responsável por uma função diferente. Em um transtorno neurocognitivo, uma ou mais dessas estações começam a funcionar de forma menos eficiente. Não é só “esquecer onde deixou as chaves” — é como se a pessoa passasse a ter dificuldade constante em coisas que antes fazia sem pensar.
Como isso aparece no dia a dia:
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Memória: Você pode perceber que a pessoa esquece conversas recentes, repete as mesmas perguntas várias vezes ou tem dificuldade para lembrar compromissos importantes. Por exemplo: um pai que sempre foi pontual começa a esquecer consultas médicas dos netos, mesmo quando anotadas na geladeira. Ou uma mãe que preparava almoços elaborados passa a esquecer ingredientes básicos, como sal, mesmo seguindo a receita.
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Atenção: É como se a pessoa tivesse dificuldade para manter o foco em uma tarefa, como se a mente estivesse sempre “pulando” de um pensamento para outro. Por exemplo: alguém que sempre gostou de ler passa a não conseguir terminar um parágrafo sem se distrair. Ou um profissional que lidava com planilhas complexas agora erra cálculos simples porque não consegue se concentrar por mais de alguns minutos.
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Função executiva (planejamento e organização): Essa é a capacidade de organizar tarefas, tomar decisões e seguir passos lógicos. Quando está prejudicada, é como se a pessoa perdesse o “manual de instruções” para atividades do dia a dia. Exemplos:
- Uma dona de casa que sempre organizou festas para 20 pessoas agora não consegue planejar um jantar simples, esquecendo etapas como comprar os ingredientes ou ligar o forno.
- Um executivo que antes gerenciava equipes agora tem dificuldade para priorizar tarefas no trabalho, deixando prazos importantes passarem.
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Alguém que sempre foi bom com dinheiro passa a ter problemas para pagar contas em dia ou cai em golpes financeiros simples.
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Linguagem: A pessoa pode ter dificuldade para encontrar palavras, entender o que os outros dizem ou acompanhar conversas. Por exemplo:
- Chamar objetos pelo nome errado (“me passa aquele… aquele negócio de escrever” em vez de “caneta”).
- Ter dificuldade para entender piadas ou expressões comuns (“ficar de bico” pode ser interpretado literalmente).
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Repetir histórias ou frases várias vezes sem perceber.
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Habilidades visuoespaciais: É a capacidade de entender e interagir com o espaço ao redor. Quando afetada, a pessoa pode:
- Se perder em lugares conhecidos, como o próprio bairro.
- Ter dificuldade para estacionar o carro ou julgar distâncias (como calcular se cabe um móvel em determinado espaço).
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Não conseguir montar quebra-cabeças ou jogos que antes eram fáceis.
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Cognição social: É a capacidade de entender pistas sociais e se comportar adequadamente em diferentes situações. Quando prejudicada, a pessoa pode:
- Não perceber quando alguém está brincando ou sendo sarcástico.
- Fazer comentários inapropriados em público (como perguntar a idade de uma mulher desconhecida).
- Ter dificuldade para seguir regras de conversação, como esperar a vez de falar.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo tem dias ruins, esquece coisas ou se distrai. A diferença é que, em um transtorno neurocognitivo, esses problemas são frequentes, pioram com o tempo e interferem na vida da pessoa. Por exemplo:
– Esquecer onde estacionou o carro uma vez por semana é normal. Esquecer como chegar em casa é um sinal de alerta.
– Ter dificuldade para lembrar o nome de um ator famoso é normal. Não reconhecer um familiar é preocupante.
– Se distrair durante uma reunião chata é normal. Não conseguir acompanhar uma conversa simples com um amigo não é.
2. Preocupação com o declínio cognitivo
O que significa em linguagem simples:
Não é só a pessoa ter dificuldades — é ela (ou alguém próximo) perceber que algo está diferente e se preocupar com isso. É como se um alarme interno disparasse, dizendo: “Isso não é normal para mim”.
Como isso aparece no dia a dia:
– A própria pessoa pode dizer coisas como:
– “Eu sempre fui bom com números, mas agora tenho que usar calculadora para coisas simples.”
– “Meus amigos dizem que eu repito as mesmas histórias, mas eu não percebo.”
– “Estou me sentindo burro, como se meu cérebro estivesse mais lento.”
– Familiares ou amigos podem notar e comentar:
– “Você esqueceu o aniversário da sua neta de novo. Isso não é normal para você.”
– “Você está tendo dificuldade para entender coisas que antes eram fáceis.”
– “Parece que você não está prestando atenção quando conversamos.”
Por que isso é importante:
Muitas vezes, a pessoa com o transtorno não percebe as próprias dificuldades (isso se chama “anosognosia”). Por isso, a preocupação de alguém próximo é um sinal importante. Se ninguém está preocupado, provavelmente não é um transtorno neurocognitivo — pode ser apenas cansaço, estresse ou envelhecimento normal.
3. Desempenho abaixo do esperado em testes cognitivos
O que significa em linguagem simples:
Os médicos não diagnosticam só com base no que a pessoa ou a família dizem. Eles usam testes padronizados para medir como o cérebro está funcionando em diferentes áreas. É como fazer um “check-up” do cérebro.
Como isso funciona na prática:
– O médico ou psicólogo pode pedir para a pessoa:
– Lembrar uma lista de palavras depois de alguns minutos.
– Copiar um desenho simples (como dois pentágonos sobrepostos).
– Nomear objetos mostrados em figuras.
– Fazer cálculos mentais simples.
– Contar de trás para frente a partir de 100, pulando de 7 em 7 (100, 93, 86…).
– Esses testes são comparados com o que é esperado para a idade e escolaridade da pessoa. Por exemplo:
– Uma pessoa com ensino superior que não consegue lembrar 3 palavras depois de 5 minutos está abaixo do esperado.
– Alguém que sempre foi bom em matemática e agora erra contas simples de adição também está abaixo do esperado.
Exemplo concreto:
Maria, 68 anos, sempre foi professora de português. Em uma consulta, o médico pediu para ela:
1. Lembrar as palavras “gato, bola, árvore” depois de alguns minutos. Ela só lembrou de “gato”.
2. Desenhar um relógio marcando 10h10. Ela desenhou os números todos amontoados em um lado.
3. Contar de 20 até 1. Ela começou bem, mas depois de 15 pulou para 12 e parou.
Esses resultados, junto com as queixas da família sobre esquecimentos frequentes, ajudaram a confirmar o diagnóstico.
4. Os sintomas não são explicados por outra condição
O que significa em linguagem simples:
Antes de dizer que é um transtorno neurocognitivo, os médicos precisam descartar outras causas possíveis para os sintomas. É como um detetive que verifica todas as pistas antes de chegar a uma conclusão.
Condições que podem imitar os sintomas:
– Depressão: Pode causar esquecimento, falta de concentração e lentidão de pensamento. A diferença é que, na depressão, a pessoa geralmente está triste, desanimada e os sintomas melhoram com tratamento para depressão.
– Ansiedade: O excesso de preocupação pode fazer a pessoa parecer distraída ou esquecida, mas é por causa da mente “ocupada” com medos, não por um problema no cérebro.
– Deficiências nutricionais: Falta de vitamina B12 ou problemas na tireoide podem causar sintomas parecidos com demência, mas são reversíveis com tratamento.
– Efeitos colaterais de remédios: Alguns medicamentos (como calmantes ou remédios para dormir) podem deixar a pessoa confusa ou esquecida.
– Delirium: É uma confusão mental aguda, geralmente causada por infecções, desidratação ou internações hospitalares. Diferente dos transtornos neurocognitivos, o delirium aparece de repente e pode melhorar quando a causa é tratada.
Por que isso é importante:
Imagine que você está com dor de cabeça. Pode ser cansaço, enxaqueca ou até um tumor. O médico precisa investigar para saber qual é a causa e tratar corretamente. Com os transtornos neurocognitivos é a mesma coisa: antes de dar esse diagnóstico, é preciso ter certeza de que não é outra coisa que pode ser tratada de forma diferente.
5. Os sintomas interferem na vida diária
O que significa em linguagem simples:
Não é só ter dificuldades — é essas dificuldades atrapalharem a capacidade de viver de forma independente. É como se a pessoa precisasse de mais ajuda do que antes para fazer coisas que sempre fez sozinha.
Como isso aparece no dia a dia:
– Atividades básicas: Coisas como tomar banho, se vestir ou comer podem se tornar desafiadoras. Por exemplo:
– A pessoa pode colocar a roupa do avesso ou esquecer de escovar os dentes.
– Pode não sentir fome ou sede, precisando de lembretes para se alimentar.
– Atividades instrumentais: Tarefas mais complexas, como gerenciar dinheiro, tomar remédios ou usar transporte público. Exemplos:
– Esquecer de tomar remédios importantes ou tomar doses erradas.
– Ter dificuldade para usar o celular ou o caixa eletrônico.
– Não conseguir fazer compras sozinha porque se perde no supermercado.
– Trabalho e lazer: A pessoa pode precisar parar de trabalhar ou abandonar hobbies que antes eram importantes. Por exemplo:
– Um contador que sempre gostou de números agora não consegue mais fazer o próprio imposto de renda.
– Uma costureira que sempre fez roupas sob medida agora não consegue mais seguir um molde.
Normal vs. Sintomático:
– Esquecer onde deixou o celular é normal. Esquecer como usar o celular não é.
– Ter dificuldade para aprender a usar um novo aplicativo é normal. Não conseguir mais usar aplicativos que sempre usou não é.
– Precisar de ajuda para instalar um programa no computador é normal. Não conseguir mais ligar o computador não é.
O que não é um transtorno neurocognitivo?
Ter alguns desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tem um transtorno neurocognitivo. O que importa é:
1. O conjunto de sintomas: Uma dificuldade aqui e ali é normal. Vários sintomas juntos, de forma consistente, é que chamam atenção.
2. A intensidade: Os sintomas precisam ser fortes o suficiente para atrapalhar a vida da pessoa.
3. A duração: Os sintomas precisam estar presentes por um tempo (geralmente meses) e não melhorarem sozinhos.
4. O impacto: Os sintomas precisam causar sofrimento ou dificuldade para a pessoa ou para quem convive com ela.
Por exemplo:
– João, 70 anos, esquece onde deixou os óculos uma vez por semana. Isso é normal.
– Maria, 65 anos, esquece onde deixou os óculos todos os dias, não consegue mais cozinhar sozinha e se perde no caminho de casa. Isso pode indicar um transtorno neurocognitivo.
Como se manifesta no dia a dia?
Os transtornos neurocognitivos não afetam só a memória ou a capacidade de pensar — eles mudam a forma como a pessoa vive o dia a dia, se relaciona com os outros e cuida de si mesma. Vamos ver como isso acontece em diferentes áreas da vida.
No trabalho ou na escola
Para quem ainda está trabalhando ou estudando, os sintomas podem ser especialmente desafiadores. É como tentar dirigir um carro com o freio puxado: você até consegue se movimentar, mas tudo exige mais esforço e os resultados não são os mesmos.
Exemplos concretos:
- Dificuldade para acompanhar tarefas:
- Um professor que sempre preparou aulas dinâmicas agora tem dificuldade para organizar o conteúdo e se perde no meio da explicação.
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Um estudante que sempre foi bom em matemática agora erra cálculos simples e não consegue acompanhar a matéria.
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Problemas com prazos e organização:
- Um gerente que sempre foi pontual agora esquece reuniões importantes ou não consegue priorizar tarefas.
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Uma secretária que sempre organizou a agenda do chefe agora confunde horários e datas.
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Dificuldade para aprender coisas novas:
- Um profissional que sempre se atualizou agora tem dificuldade para aprender a usar um novo software no trabalho.
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Um aluno que sempre tirou boas notas agora não consegue memorizar conteúdos novos.
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Erros frequentes:
- Um contador que sempre foi meticuloso agora comete erros em planilhas simples.
- Um jornalista que sempre escreveu bem agora tem dificuldade para estruturar textos e comete erros de gramática.
Como os colegas ou chefes podem perceber:
– A pessoa pode começar a evitar tarefas que antes fazia com facilidade.
– Pode pedir ajuda com frequência para coisas simples.
– Pode parecer desinteressada ou desmotivada, quando na verdade está lutando para acompanhar.
– Pode se irritar facilmente quando é corrigida ou quando não consegue fazer algo.
O que fazer:
– Adaptar as tarefas para habilidades preservadas (por exemplo, alguém com dificuldade para cálculos pode ser realocado para atividades mais práticas).
– Usar lembretes visuais, como calendários e listas de tarefas.
– Dividir tarefas complexas em etapas menores.
– Oferecer mais tempo para a realização de atividades.
Nos relacionamentos
Os transtornos neurocognitivos podem mudar a forma como a pessoa se relaciona com a família, amigos e parceiros. É como se a “bateria social” da pessoa ficasse mais fraca: ela pode ter dificuldade para acompanhar conversas, entender emoções ou se comportar de forma adequada em diferentes situações.
Exemplos concretos:
- Dificuldade para acompanhar conversas:
- A pessoa pode não entender piadas ou expressões comuns (“ficar de bico” pode ser interpretado literalmente).
- Pode ter dificuldade para seguir uma conversa com várias pessoas falando ao mesmo tempo.
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Pode repetir as mesmas histórias várias vezes sem perceber.
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Mudanças de personalidade:
- Alguém que sempre foi calmo pode se tornar irritável ou agressivo.
- Alguém que sempre foi reservado pode começar a fazer comentários inapropriados em público.
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Alguém que sempre foi carinhoso pode se tornar indiferente ou desinteressado.
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Dificuldade para entender emoções:
- A pessoa pode não perceber quando alguém está triste, bravo ou brincando.
- Pode não entender por que os outros ficam chateados com coisas que ela diz ou faz.
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Pode ter dificuldade para expressar as próprias emoções de forma clara.
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Isolamento social:
- A pessoa pode começar a evitar encontros com amigos ou familiares porque se sente sobrecarregada.
- Pode parar de participar de atividades que antes gostava, como jogos de cartas ou festas.
- Pode se sentir frustrada ou envergonhada por não conseguir acompanhar as conversas.
Como os familiares e amigos podem perceber:
– A pessoa pode parecer “outra”, como se tivesse perdido parte de quem era.
– Pode se irritar facilmente com coisas que antes não a incomodavam.
– Pode não demonstrar interesse pelas coisas que antes eram importantes para ela.
– Pode ter dificuldade para seguir regras sociais básicas (como esperar a vez de falar).
O que fazer:
– Ser paciente e evitar corrigir a pessoa na frente dos outros.
– Usar frases curtas e claras, evitando informações demais de uma vez.
– Validar as emoções da pessoa (“Eu entendo que você esteja frustrado”).
– Manter rotinas e ambientes familiares para reduzir a confusão.
– Procurar grupos de apoio para familiares (como os oferecidos pela ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer).
Na rotina diária
As atividades do dia a dia podem se tornar um desafio. Coisas que antes eram automáticas, como tomar banho ou preparar uma refeição, agora exigem planejamento e esforço. É como se a pessoa tivesse que reaprender a fazer tudo, passo a passo.
Exemplos concretos:
- Higiene pessoal:
- A pessoa pode esquecer de escovar os dentes ou tomar banho.
- Pode não perceber que está com roupas sujas ou malcheirosas.
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Pode ter dificuldade para se vestir (colocar a roupa do avesso, por exemplo).
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Alimentação:
- Pode esquecer de comer ou comer em excesso.
- Pode ter dificuldade para preparar refeições simples.
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Pode não sentir fome ou sede, precisando de lembretes para se alimentar.
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Sono:
- Pode ter o sono fragmentado, acordando várias vezes durante a noite.
- Pode inverter o dia e a noite, dormindo de dia e ficando acordado à noite.
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Pode ter dificuldade para adormecer ou acordar muito cedo.
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Lazer:
- Pode abandonar hobbies que antes eram importantes (como ler, costurar ou jogar).
- Pode ter dificuldade para acompanhar filmes ou séries.
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Pode se sentir frustrada ao tentar fazer atividades que antes eram fáceis.
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Autocuidado:
- Pode esquecer de tomar remédios importantes.
- Pode ter dificuldade para gerenciar o próprio dinheiro.
- Pode se perder em lugares conhecidos.
Como os sintomas aparecem na prática:
– Manhã: A pessoa pode ter dificuldade para se levantar, tomar banho e se vestir. Pode esquecer de escovar os dentes ou colocar a roupa do avesso.
– Tarde: Pode ter dificuldade para preparar o almoço ou esquecer de comer. Pode se distrair facilmente e não terminar tarefas simples, como lavar a louça.
– Noite: Pode ter dificuldade para relaxar e dormir. Pode ficar agitada ou confusa, especialmente se estiver em um ambiente desconhecido.
O que fazer:
– Estabelecer rotinas fixas para as atividades do dia a dia.
– Usar lembretes visuais (como calendários e listas de tarefas).
– Simplificar o ambiente (por exemplo, deixar apenas uma escova de dentes no banheiro para evitar confusão).
– Dividir tarefas complexas em etapas menores.
– Oferecer ajuda de forma discreta, sem tirar a autonomia da pessoa.
Na saúde física
Os transtornos neurocognitivos não afetam só a mente — eles também podem ter impacto no corpo. É como se o cérebro, que comanda todo o organismo, começasse a enviar sinais confusos ou não conseguisse mais coordenar as funções básicas.
Exemplos concretos:
- Problemas de mobilidade:
- A pessoa pode ter dificuldade para andar, tropeçar com frequência ou perder o equilíbrio.
- Pode ter movimentos mais lentos ou rígidos (como na doença de Parkinson).
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Pode ter dificuldade para coordenar movimentos finos, como abotoar uma camisa.
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Dificuldade para engolir:
- Pode engasgar com frequência ao comer ou beber.
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Pode evitar certos alimentos porque são difíceis de mastigar ou engolir.
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Incontinência:
- Pode perder o controle da bexiga ou do intestino.
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Pode não perceber quando precisa ir ao banheiro.
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Sistema imunológico:
- Pode ficar mais suscetível a infecções, como pneumonia ou infecções urinárias.
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Pode ter dificuldade para se recuperar de doenças simples.
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Perda de peso:
- Pode esquecer de comer ou perder o interesse pela comida.
- Pode ter dificuldade para mastigar ou engolir, levando à desnutrição.
Como os sintomas físicos aparecem:
– A pessoa pode começar a andar mais devagar, como se estivesse “arrastando os pés”.
– Pode ter dificuldade para se levantar de uma cadeira ou da cama.
– Pode perder peso sem motivo aparente.
– Pode ter infecções frequentes (como gripes ou infecções urinárias).
O que fazer:
– Manter um acompanhamento médico regular para monitorar a saúde física.
– Adaptar a alimentação para evitar engasgos (por exemplo, cortar alimentos em pedaços pequenos).
– Estimular a atividade física leve, como caminhadas ou alongamentos.
– Garantir que a pessoa esteja bem hidratada e alimentada.
– Procurar ajuda médica se houver sinais de infecção ou outros problemas de saúde.
O que causa essa condição?
Os transtornos neurocognitivos não têm uma causa única — eles são o resultado de uma combinação de fatores que afetam o cérebro de diferentes formas. É como se várias peças de um quebra-cabeça se juntassem para criar o quadro clínico. Vamos entender cada uma dessas peças.
Fatores genéticos
O que significa em linguagem simples:
Algumas pessoas nascem com uma “predisposição” para desenvolver transtornos neurocognitivos, como se tivessem uma vulnerabilidade genética. Isso não significa que vão desenvolver a condição com certeza, mas que têm mais chances do que outras pessoas.
Como isso funciona:
– Imagine que o cérebro é uma casa. Algumas casas são construídas com materiais mais resistentes, enquanto outras têm pontos fracos. Os genes são como o “projeto” dessa casa: eles determinam como ela será construída e quais partes podem ser mais frágeis.
– Em alguns casos, os transtornos neurocognitivos são causados por mutações genéticas específicas, como na doença de Huntington ou em algumas formas de Alzheimer familiar. Nesses casos, a condição é herdada de forma direta (se um dos pais tem o gene, há 50% de chance de o filho herdar).
– Em outros casos, os genes aumentam o risco, mas não garantem que a condição vai se desenvolver. Por exemplo: ter o gene APOE-e4 aumenta o risco de Alzheimer, mas muitas pessoas com esse gene nunca desenvolvem a doença.
Exemplo concreto:
– Se uma pessoa tem histórico familiar de Alzheimer (pai, mãe ou irmãos com a doença), ela tem mais chances de desenvolvê-la também. Mas isso não é uma sentença: muitas pessoas com histórico familiar nunca apresentam sintomas, enquanto outras sem histórico desenvolvem a doença.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se meu pai teve Alzheimer, eu vou ter também.”
✅ Verdade: Ter histórico familiar aumenta o risco, mas não é uma garantia. Muitos fatores ambientais e de estilo de vida também influenciam.
Fatores neurobiológicos
O que significa em linguagem simples:
O cérebro é feito de bilhões de células (neurônios) que se comunicam entre si. Nos transtornos neurocognitivos, algumas dessas células param de funcionar direito ou morrem, como se “luzes” começassem a se apagar em diferentes áreas do cérebro.
Como isso acontece:
– Proteínas anormais: Em algumas condições, como Alzheimer ou demência com corpos de Lewy, proteínas anormais se acumulam no cérebro e “envenenam” os neurônios. É como se lixo tóxico se acumulasse dentro das células, impedindo-as de funcionar.
– Falta de oxigênio: Em casos de AVC ou doenças vasculares, partes do cérebro podem ficar sem oxigênio e morrer. É como se uma parte do “circuito elétrico” do cérebro fosse danificada.
– Inflamação: Algumas doenças autoimunes ou infecções podem causar inflamação no cérebro, danificando os neurônios. É como se o cérebro estivesse “inchado” e não conseguisse trabalhar direito.
– Neurotransmissores: São substâncias químicas que ajudam os neurônios a se comunicarem. Em alguns transtornos, há um desequilíbrio nesses neurotransmissores, como se as “mensagens” entre as células não estivessem sendo transmitidas corretamente.
Exemplo concreto:
– Na doença de Alzheimer, duas proteínas (beta-amiloide e tau) se acumulam no cérebro, formando placas e emaranhados. Essas proteínas danificam os neurônios, especialmente nas áreas responsáveis pela memória e pelo raciocínio.
– Na demência vascular, pequenos derrames ou problemas de circulação danificam partes do cérebro, causando sintomas como dificuldade para se concentrar ou lentidão de pensamento.
Analogia:
Imagine o cérebro como uma cidade. Os neurônios são as casas, e os neurotransmissores são os carteiros que levam mensagens entre elas. Em um transtorno neurocognitivo:
– Algumas casas (neurônios) são destruídas por incêndios (proteínas anormais).
– Algumas ruas (circulação sanguínea) são bloqueadas, impedindo os carteiros de passar.
– Os carteiros (neurotransmissores) ficam confusos e entregam as mensagens no lugar errado.
Fatores ambientais
O que significa em linguagem simples:
O que acontece ao longo da vida — desde a gestação até a velhice — pode aumentar ou diminuir o risco de desenvolver um transtorno neurocognitivo. É como se o cérebro guardasse memórias não só de fatos, mas também de experiências que podem deixá-lo mais forte ou mais vulnerável.
Fatores que aumentam o risco:
– Traumas na cabeça: Pancadas fortes na cabeça (como em acidentes de carro ou quedas) podem danificar os neurônios e aumentar o risco de transtornos neurocognitivos no futuro.
– Exposição a toxinas: Substâncias como álcool, drogas ou metais pesados (como chumbo) podem danificar o cérebro ao longo do tempo.
– Estilo de vida sedentário: A falta de atividade física pode prejudicar a circulação sanguínea no cérebro e aumentar o risco de problemas cognitivos.
– Dieta pobre: Uma alimentação rica em gorduras ruins e pobre em nutrientes pode contribuir para o acúmulo de proteínas anormais no cérebro.
– Estresse crônico: O estresse prolongado pode aumentar a inflamação no cérebro e prejudicar a memória.
Fatores que protegem o cérebro:
– Atividade física regular: Exercícios como caminhada, natação ou dança melhoram a circulação sanguínea no cérebro e estimulam o crescimento de novos neurônios.
– Alimentação saudável: Dietas como a mediterrânea (rica em peixes, azeite, frutas e vegetais) protegem o cérebro contra danos.
– Estimulação cognitiva: Atividades como ler, aprender idiomas ou tocar instrumentos musicais mantêm o cérebro ativo e fortalecem as conexões entre os neurônios.
– Sono de qualidade: Dormir bem ajuda o cérebro a “limpar” toxinas e consolidar memórias.
– Vida social ativa: Interagir com outras pessoas estimula o cérebro e reduz o risco de isolamento, que pode piorar os sintomas.
Exemplo concreto:
– Um estudo mostrou que pessoas que praticam atividade física regularmente têm até 50% menos risco de desenvolver Alzheimer. Isso acontece porque o exercício aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro e estimula a produção de substâncias que protegem os neurônios.
– Outro estudo descobriu que pessoas que têm uma vida social ativa (como participar de grupos ou clubes) têm menos chances de desenvolver transtornos neurocognitivos. Isso acontece porque as interações sociais estimulam o cérebro e reduzem o estresse.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se eu não tenho histórico familiar, não preciso me preocupar com Alzheimer.”
✅ Verdade: Embora o histórico familiar aumente o risco, fatores ambientais (como dieta, exercício e sono) também têm um papel importante. Mesmo sem histórico, um estilo de vida pouco saudável pode aumentar as chances de desenvolver a doença.
Fatores da gestação e desenvolvimento
O que significa em linguagem simples:
O que acontece antes mesmo de nascermos pode influenciar a saúde do cérebro ao longo da vida. É como se o cérebro fosse uma planta: se as condições no início da vida não forem ideais, a planta pode crescer mais fraca e ser mais suscetível a doenças no futuro.
Fatores que podem afetar o cérebro:
– Desnutrição na gestação: Se a mãe não se alimenta bem durante a gravidez, o cérebro do bebê pode não se desenvolver completamente.
– Exposição a toxinas: Substâncias como álcool, cigarro ou drogas durante a gestação podem danificar os neurônios do bebê.
– Infecções durante a gravidez: Algumas infecções (como rubéola ou toxoplasmose) podem afetar o desenvolvimento do cérebro do feto.
– Complicações no parto: Falta de oxigênio durante o parto (asfixia) pode danificar os neurônios do bebê.
– Traumas na infância: Maus-tratos, abuso ou negligência na infância podem afetar o desenvolvimento cerebral e aumentar o risco de transtornos neurocognitivos no futuro.
Exemplo concreto:
– Crianças que sofrem desnutrição nos primeiros anos de vida podem ter dificuldades de aprendizagem e maior risco de desenvolver transtornos neurocognitivos na vida adulta.
– Bebês que nascem prematuros ou com baixo peso têm mais chances de apresentar problemas cognitivos ao longo da vida.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se meu filho teve uma infância difícil, ele vai desenvolver Alzheimer quando for velho.”
✅ Verdade: Traumas na infância aumentam o risco, mas não são uma sentença. Muitos fatores (como estilo de vida e acesso a tratamento) podem compensar esses riscos ao longo da vida.
Modelo biopsicossocial
O que significa em linguagem simples:
Os transtornos neurocognitivos não são causados por um único fator — eles são o resultado de uma combinação de aspectos biológicos (como genes e saúde do cérebro), psicológicos (como emoções e personalidade) e sociais (como ambiente e relacionamentos). É como se várias camadas se sobrepusessem para criar o quadro clínico.
Como isso funciona:
– Biológico: Genes, saúde do cérebro, doenças físicas.
– Psicológico: Estresse, traumas, personalidade, emoções.
– Social: Ambiente em que a pessoa vive, acesso a tratamento, apoio da família e amigos.
Exemplo concreto:
– Uma pessoa pode ter uma predisposição genética para Alzheimer (fator biológico), mas se ela mantiver uma vida social ativa, praticar exercícios e controlar o estresse (fatores psicológicos e sociais), pode nunca desenvolver a doença.
– Outra pessoa pode não ter histórico familiar, mas se ela sofrer um AVC (fator biológico) e não receber apoio da família (fator social), pode desenvolver um transtorno neurocognitivo.
Analogia:
Imagine o cérebro como um jardim. Os fatores biológicos são as sementes (algumas são mais fortes, outras mais frágeis). Os fatores psicológicos são como o clima (sol, chuva, vento). Os fatores sociais são como o jardineiro (que cuida ou não das plantas). Um jardim com sementes frágeis, clima ruim e jardineiro negligente terá mais chances de ter problemas. Mas se o jardineiro for cuidadoso, mesmo sementes frágeis podem crescer bem.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de transtorno neurocognitivo pode ser assustador, mas é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e buscar o melhor tratamento. O processo de diagnóstico não é rápido — ele envolve várias etapas para garantir que os sintomas sejam avaliados de forma completa e precisa. Vamos entender como isso funciona na prática.
O processo de avaliação passo a passo
1. Primeira consulta: a conversa inicial
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada entre o médico (geralmente um neurologista, psiquiatra ou geriatra), a pessoa e seus familiares. É como uma entrevista em que o médico faz perguntas para entender:
– Quais são os sintomas e há quanto tempo eles estão presentes.
– Como esses sintomas afetam o dia a dia da pessoa.
– Se há histórico familiar de transtornos neurocognitivos ou outras doenças.
– Quais remédios a pessoa toma (alguns podem causar esquecimento ou confusão).
– Se houve mudanças recentes na vida (como perda de um ente querido, mudança de casa ou aposentadoria).
Exemplo de perguntas que o médico pode fazer:
– “Você tem notado dificuldade para lembrar coisas recentes?”
– “Você consegue fazer as atividades do dia a dia sem ajuda?”
– “Você se perde em lugares conhecidos?”
– “Você tem dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa?”
– “Alguém da sua família teve Alzheimer ou outra demência?”
2. Exame físico e neurológico
Depois da conversa, o médico faz um exame físico para verificar:
– Pressão arterial, frequência cardíaca e outros sinais vitais.
– Reflexos, coordenação e força muscular.
– Sinais de doenças que podem afetar o cérebro, como diabetes ou problemas na tireoide.
O exame neurológico é mais específico e avalia:
– Memória: o médico pode pedir para a pessoa lembrar de três palavras depois de alguns minutos.
– Linguagem: pedir para nomear objetos ou repetir frases.
– Habilidades visuoespaciais: pedir para copiar um desenho simples.
– Função executiva: pedir para fazer cálculos mentais ou seguir instruções simples.
3. Testes cognitivos
Os testes cognitivos são como “provas” para o cérebro. Eles medem diferentes funções, como memória, atenção, linguagem e raciocínio. Alguns testes comuns incluem:
– Mini Exame do Estado Mental (MEEM): Um teste rápido com perguntas como “Que dia é hoje?”, “Onde estamos?” e “Lembre-se dessas três palavras: casa, carro, árvore”.
– Teste do Relógio: A pessoa é pedida para desenhar um relógio marcando uma hora específica (como 10h10). Esse teste avalia habilidades visuoespaciais e função executiva.
– Teste de Fluência Verbal: A pessoa precisa dizer o maior número possível de palavras que começam com uma determinada letra (como “F”) em um minuto. Esse teste avalia linguagem e função executiva.
Exemplo de como um teste pode revelar problemas:
João, 70 anos, sempre foi bom em matemática. Durante o teste, o médico pediu para ele contar de 100 até 1, pulando de 7 em 7 (100, 93, 86…). João começou bem, mas depois de 93 pulou para 84 e parou. Isso pode indicar dificuldade de atenção e função executiva.
4. Exames de imagem
Os exames de imagem ajudam a “ver” o cérebro e identificar possíveis causas para os sintomas. Os mais comuns são:
– Tomografia computadorizada (TC): Um exame rápido que mostra a estrutura do cérebro e pode identificar problemas como AVCs, tumores ou atrofia (encolhimento do cérebro).
– Ressonância magnética (RM): Um exame mais detalhado que mostra com precisão as diferentes áreas do cérebro e pode identificar lesões, inflamações ou outras alterações.
– Tomografia por emissão de pósitrons (PET): Um exame mais avançado que mostra como o cérebro está funcionando. Pode ser usado para identificar padrões típicos de doenças como Alzheimer.
Exemplo de como um exame de imagem pode ajudar:
Maria, 65 anos, estava tendo dificuldade para se locomover e perda de memória. A ressonância magnética mostrou que ela tinha pequenos infartos cerebrais (AVCs silenciosos), o que levou ao diagnóstico de demência vascular.
5. Exames de sangue
Os exames de sangue ajudam a descartar outras causas para os sintomas, como:
– Deficiência de vitamina B12 (que pode causar esquecimento e confusão).
– Problemas na tireoide (hipotireoidismo pode causar lentidão de pensamento).
– Infecções (como sífilis ou HIV, que podem afetar o cérebro).
– Doenças autoimunes (como lúpus, que pode causar inflamação no cérebro).
6. Avaliação psicológica
Em alguns casos, o médico pode encaminhar a pessoa para uma avaliação psicológica mais detalhada. O psicólogo ou neuropsicólogo faz testes mais longos e específicos para avaliar:
– Memória de curto e longo prazo.
– Atenção e concentração.
– Linguagem e comunicação.
– Função executiva (planejamento, organização, tomada de decisões).
– Habilidades visuoespaciais.
7. Avaliação funcional
Além dos testes cognitivos, o médico pode avaliar como a pessoa está lidando com as atividades do dia a dia. Isso pode ser feito através de:
– Questionários respondidos pela pessoa e por familiares.
– Observação direta (por exemplo, pedir para a pessoa preparar uma refeição simples).
– Escalas que medem a independência da pessoa (como a Escala de Lawton, que avalia atividades como usar o telefone, fazer compras e gerenciar dinheiro).
Quanto tempo leva para o diagnóstico?
O processo de diagnóstico pode levar de algumas semanas a alguns meses, dependendo da complexidade do caso e da disponibilidade de exames. É como montar um quebra-cabeça: quanto mais peças (sintomas, exames, histórico) o médico tiver, mais fácil será ver a imagem completa.
Exemplo de cronograma:
1. Primeira consulta (1-2 horas): Conversa inicial e exame físico.
2. Testes cognitivos (1-2 horas): Realizados na mesma consulta ou em um retorno.
3. Exames de sangue (1 semana): Coleta e resultados.
4. Exames de imagem (1-2 semanas): Agendamento e laudo.
5. Avaliação neuropsicológica (2-4 horas): Pode ser feita em uma ou duas sessões.
6. Consulta de retorno (1 hora): Discussão dos resultados e diagnóstico.
Quem pode diagnosticar?
O diagnóstico de transtorno neurocognitivo geralmente é feito por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir:
– Neurologista: Médico especializado em doenças do cérebro e do sistema nervoso.
– Psiquiatra: Médico especializado em transtornos mentais, especialmente quando há sintomas como depressão ou ansiedade associados.
– Geriatra: Médico especializado no cuidado de idosos.
– Neuropsicólogo: Psicólogo especializado em avaliar funções cognitivas.
– Psicólogo: Pode ajudar no diagnóstico e no acompanhamento emocional.
SUS vs. particular
No Brasil, é possível fazer o diagnóstico tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto por serviços particulares. Vamos ver como funciona cada um:
SUS:
– Vantagens: Gratuito, acessível em todo o país.
– Como acessar:
1. Procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
2. O médico da UBS pode encaminhar para um neurologista ou geriatra em um ambulatório especializado.
3. Exames como tomografia e ressonância podem ser agendados pelo SUS, mas podem ter fila de espera.
– Desafios: Demora no agendamento de consultas e exames, especialmente em cidades menores.
Particular:
– Vantagens: Mais rápido, com acesso a exames e especialistas sem fila de espera.
– Como acessar:
1. Procurar um neurologista, psiquiatra ou geriatra particular.
2. O médico pode solicitar exames e encaminhar para outros especialistas, como neuropsicólogo.
– Desafios: Custo elevado, especialmente para exames como ressonância magnética e PET.
Dica:
Se você está no SUS e a fila de espera está muito longa, pode procurar:
– Universidades: Muitas faculdades de medicina têm ambulatórios que atendem pelo SUS com menor espera.
– Hospitais universitários: Oferecem atendimento especializado e exames com qualidade.
– Programas de saúde mental: Alguns municípios têm programas específicos para idosos ou pessoas com transtornos neurocognitivos.
O que esperar da primeira consulta?
A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se você não sabe o que esperar. Vamos desmistificar esse momento:
1. Chegue preparado:
– Leve uma lista dos sintomas, com exemplos concretos de como eles aparecem no dia a dia.
– Anote os remédios que a pessoa toma (ou leve as caixas).
– Leve o histórico médico da família (se alguém teve Alzheimer, Parkinson, AVC, etc.).
– Se possível, vá acompanhado de um familiar ou amigo que conheça bem a pessoa.
2. O médico vai fazer muitas perguntas:
– Sobre os sintomas: quando começaram, como evoluíram, o que piora ou melhora.
– Sobre o histórico médico: doenças prévias, cirurgias, internações.
– Sobre o estilo de vida: alimentação, exercícios, sono, uso de álcool ou drogas.
– Sobre o histórico familiar: se alguém na família teve transtornos neurocognitivos.
3. Exame físico e neurológico:
– O médico pode pedir para a pessoa andar, levantar os braços, seguir objetos com os olhos.
– Pode fazer perguntas simples para testar a memória e a atenção.
4. Explicação sobre os próximos passos:
– O médico vai explicar quais exames são necessários e por quê.
– Pode encaminhar para outros especialistas, como neuropsicólogo ou fonoaudiólogo.
– Vai marcar um retorno para discutir os resultados.
Dica:
Não tenha vergonha de fazer perguntas. Anote suas dúvidas antes da consulta e leve um caderno para anotar as orientações do médico. Se não entender algo, peça para ele explicar de novo.
Diagnóstico diferencial: o que pode ser confundido?
Muitas condições podem causar sintomas parecidos com os dos transtornos neurocognitivos. Por isso, o médico precisa fazer um “diagnóstico diferencial” — ou seja, descartar outras possibilidades antes de confirmar o diagnóstico. Vamos ver algumas delas:
1. Depressão
– Sintomas em comum: Esquecimento, falta de concentração, lentidão de pensamento, desinteresse por atividades.
– Como diferenciar:
– Na depressão, a pessoa geralmente está triste, desanimada e pode ter pensamentos negativos (como “não presto para nada”).
– Nos transtornos neurocognitivos, a pessoa pode não perceber os próprios sintomas ou não se importar com eles.
– Os sintomas de depressão costumam melhorar com tratamento (remédios e terapia), enquanto os transtornos neurocognitivos tendem a piorar com o tempo.
2. Ansiedade
– Sintomas em comum: Dificuldade de concentração, esquecimento, irritabilidade.
– Como diferenciar:
– Na ansiedade, a pessoa geralmente está preocupada com algo específico (como medo de perder o emprego ou de adoecer).
– Nos transtornos neurocognitivos, a dificuldade de concentração é mais geral e não está ligada a uma preocupação específica.
3. Delirium
– Sintomas em comum: Confusão mental, desorientação, dificuldade para se concentrar.
– Como diferenciar:
– O delirium aparece de repente (em horas ou dias) e pode melhorar quando a causa é tratada (como uma infecção ou desidratação).
– Os transtornos neurocognitivos têm início gradual e pioram com o tempo.
4. Deficiência de vitamina B12
– Sintomas em comum: Esquecimento, confusão, formigamento nas mãos e pés.
– Como diferenciar:
– A deficiência de B12 pode ser detectada com um exame de sangue e tratada com suplementos.
– Os sintomas melhoram com o tratamento, enquanto nos transtornos neurocognitivos eles tendem a piorar.
5. Hipotireoidismo
– Sintomas em comum: Lentidão de pensamento, esquecimento, cansaço.
– Como diferenciar:
– O hipotireoidismo pode ser detectado com um exame de sangue e tratado com remédios.
– Os sintomas melhoram com o tratamento, enquanto nos transtornos neurocognitivos eles tendem a piorar.
6. Efeitos colaterais de remédios
– Sintomas em comum: Confusão, esquecimento, sonolência.
– Como diferenciar:
– Alguns remédios (como calmantes, antidepressivos ou remédios para dormir) podem causar sintomas parecidos com os dos transtornos neurocognitivos.
– Os sintomas melhoram quando o remédio é ajustado ou suspenso.
7. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em adultos
– Sintomas em comum: Dificuldade de concentração, esquecimento, desorganização.
– Como diferenciar:
– O TDAH geralmente começa na infância e persiste na vida adulta.
– Nos transtornos neurocognitivos, os sintomas aparecem mais tarde na vida e tendem a piorar com o tempo.
8. Doenças psiquiátricas (como esquizofrenia ou transtorno bipolar)
– Sintomas em comum: Confusão, dificuldade para se organizar, mudanças de comportamento.
– Como diferenciar:
– Nas doenças psiquiátricas, os sintomas geralmente começam mais cedo (na adolescência ou início da vida adulta) e podem incluir delírios ou alucinações.
– Nos transtornos neurocognitivos, os sintomas aparecem mais tarde e estão mais relacionados a dificuldades de memória e raciocínio.
Tratamento
Receber um diagnóstico de transtorno neurocognitivo pode ser assustador, mas é importante lembrar que existem tratamentos e estratégias que podem ajudar a pessoa a viver melhor e mais independente por mais tempo. O tratamento é sempre personalizado, levando em conta os sintomas, a causa (quando conhecida) e as necessidades individuais. Vamos entender as principais abordagens.
Medicamentos
Os remédios não curam os transtornos neurocognitivos, mas podem ajudar a controlar os sintomas, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. É como colocar um “freio” no processo de declínio cognitivo, dando mais tempo para a pessoa aproveitar a vida.
1. Inibidores da colinesterase
– Para que servem: Melhorar a memória, a atenção e a capacidade de realizar atividades do dia a dia.
– Como funcionam: Aumentam os níveis de acetilcolina, uma substância química importante para a memória e o aprendizado. É como se “lubrificassem” a comunicação entre os neurônios.
– Remédios comuns: Donepezila, Rivastigmina, Galantamina.
– Efeitos colaterais: Náusea, vômitos, diarreia, perda de apetite, tontura. Esses efeitos geralmente melhoram depois de algumas semanas.
– Quanto tempo para fazer efeito: Algumas semanas.
– Para quem são indicados: Pessoas com Alzheimer leve a moderado ou outras formas de demência.
Exemplo concreto:
João, 72 anos, foi diagnosticado com Alzheimer leve. O médico receitou Donepezila. Depois de algumas semanas, a família notou que ele estava mais atento durante as conversas e conseguia lembrar melhor dos compromissos.
2. Memantina
– Para que serve: Melhorar a memória, a atenção e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. Também pode ajudar a reduzir agitação e agressividade.
– Como funciona: Regula a atividade do glutamato, uma substância química envolvida no aprendizado e na memória. É como se “ajustasse o volume” da comunicação entre os neurônios.
– Remédio comum: Memantina.
– Efeitos colaterais: Tontura, dor de cabeça, constipação, confusão. Esses efeitos geralmente são leves e melhoram com o tempo.
– Quanto tempo para fazer efeito: Algumas semanas.
– Para quem é indicada: Pessoas com Alzheimer moderado a grave.
Exemplo concreto:
Maria, 78 anos, tem Alzheimer moderado e estava tendo episódios de agitação. O médico adicionou Memantina ao tratamento. Depois de algumas semanas, ela ficou mais calma e conseguiu participar melhor das atividades em família.
3. Antidepressivos
– Para que servem: Tratar sintomas de depressão e ansiedade, que são comuns em pessoas com transtornos neurocognitivos.
– Como funcionam: Aumentam os níveis de serotonina e noradrenalina, substâncias químicas que regulam o humor.
– Remédios comuns: Sertralina, Citalopram, Fluoxetina.
– Efeitos colaterais: Náusea, boca seca, sonolência, insônia. Esses efeitos geralmente melhoram depois de algumas semanas.
– Quanto tempo para fazer efeito: 2 a 4 semanas.
– Para quem são indicados: Pessoas com sintomas de depressão ou ansiedade.
Exemplo concreto:
Ana, 65 anos, foi diagnosticada com transtorno neurocognitivo leve e estava se sentindo muito triste e desanimada. O médico receitou Sertralina. Depois de algumas semanas, ela voltou a ter interesse por atividades que antes gostava, como jardinagem.
4. Antipsicóticos
– Para que servem: Tratar sintomas comportamentais, como agitação, agressividade, delírios ou alucinações.
– Como funcionam: Bloqueiam a ação da dopamina, uma substância química envolvida na regulação do humor e do comportamento.
– Remédios comuns: Risperidona, Quetiapina, Haloperidol.
– Efeitos colaterais: Sonolência, tremores, rigidez muscular, aumento do risco de quedas. Esses remédios devem ser usados com cautela em idosos, pois podem aumentar o risco de AVC.
– Quanto tempo para fazer efeito: Alguns dias.
– Para quem são indicados: Pessoas com sintomas comportamentais graves que não melhoram com outras abordagens.
Exemplo concreto:
Carlos, 80 anos, tem demência com corpos de Lewy e começou a ter alucinações, vendo pessoas que não estavam lá. O médico receitou uma dose baixa de Quetiapina. Depois de alguns dias, as alucinações diminuíram e ele ficou mais tranquilo.
5. Estabilizadores de humor
– Para que servem: Tratar sintomas de agitação, irritabilidade ou oscilações de humor.
– Como funcionam: Regulam a atividade elétrica no cérebro.
– Remédios comuns: Ácido valproico, Carbamazepina.
– Efeitos colaterais: Sonolência, tontura, ganho de peso. Esses remédios devem ser usados com cautela em idosos.
– Quanto tempo para fazer efeito: Algumas semanas.
– Para quem são indicados: Pessoas com sintomas de agitação ou oscilações de humor que não melhoram com outras abordagens.
Importante sobre os medicamentos:
– Não pare de tomar sem orientação médica: Alguns remédios, como os inibidores da colinesterase, podem causar piora dos sintomas se forem suspensos de repente.
– Efeitos colaterais são temporários: Muitos efeitos colaterais melhoram depois de algumas semanas. Se forem muito incômodos, converse com o médico para ajustar a dose ou trocar o remédio.
– Cada pessoa reage de um jeito: O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Pode ser necessário testar diferentes remédios ou combinações até encontrar a melhor opção.
– Remédios não mudam quem você é: Eles não alteram a personalidade da pessoa, apenas ajudam a controlar os sintomas.
Psicoterapia
A psicoterapia é uma parte importante do tratamento, especialmente para ajudar a pessoa e a família a lidar com as emoções e os desafios do dia a dia. Vamos ver as principais abordagens:
1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
– O que é: Uma abordagem focada em identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que causam sofrimento.
– Como funciona:
– O terapeuta ajuda a pessoa a identificar pensamentos negativos (como “Não consigo mais fazer nada”) e substituí-los por pensamentos mais realistas (como “Ainda consigo fazer muitas coisas, só preciso de um pouco mais de tempo”).
– Também ensina estratégias para lidar com os sintomas, como técnicas de relaxamento para ansiedade ou lembretes para esquecimentos.
– Para quem é indicada: Pessoas com transtornos neurocognitivos leves a moderados que ainda têm consciência dos próprios sintomas e querem aprender a lidar com eles.
– Duração: Geralmente de 12 a 20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da pessoa.
Exemplo concreto:
Pedro, 68 anos, foi diagnosticado com transtorno neurocognitivo leve e estava se sentindo muito ansioso por causa dos esquecimentos. Na terapia, ele aprendeu a:
– Identificar pensamentos como “Vou esquecer tudo e virar um peso para minha família” e substituí-los por “Estou fazendo o melhor que posso, e minha família me apoia”.
– Usar um aplicativo de lembretes no celular para compromissos importantes.
– Praticar técnicas de respiração para lidar com a ansiedade.
2. Terapia de reminiscência
– O que é: Uma abordagem que usa memórias do passado para estimular a cognição e melhorar o humor.
– Como funciona:
– O terapeuta pede para a pessoa falar sobre eventos importantes da sua vida, como a infância, o casamento ou a carreira.
– Pode usar fotos, músicas, objetos ou cheiros para estimular as memórias.
– O objetivo é fortalecer a identidade da pessoa e melhorar a autoestima.
– Para quem é indicada: Pessoas com transtornos neurocognitivos moderados a graves, que têm dificuldade para lembrar de eventos recentes, mas ainda têm memórias do passado.
– Duração: Pode ser feita em sessões individuais ou em grupo, de forma contínua.
Exemplo concreto:
Maria, 80 anos, tem Alzheimer moderado e estava se sentindo muito triste e desorientada. Na terapia de reminiscência, ela:
– Olhou fotos antigas da sua juventude e contou histórias sobre sua família.
– Ouviu músicas que gostava quando era jovem e cantou junto.
– Falou sobre seu trabalho como professora e como se sentia orgulhosa dos alunos que ensinou.
Depois das sessões, ela ficou mais animada e passou a reconhecer melhor os familiares.
3. Terapia de validação
– O que é: Uma abordagem que foca em validar as emoções e experiências da pessoa, mesmo que elas pareçam confusas ou irreais.
– Como funciona:
– O terapeuta escuta a pessoa com atenção e respeito, sem corrigir ou contradizer suas percepções.
– Usa técnicas como espelhamento (repetir as palavras da pessoa para mostrar que está ouvindo) e perguntas abertas (como “Conte mais sobre isso”).
– O objetivo é reduzir a ansiedade e melhorar a comunicação.
– Para quem é indicada: Pessoas com transtornos neurocognitivos moderados a graves, que têm dificuldade para se comunicar ou apresentam comportamentos desafiadores.
– Duração: Pode ser feita em sessões individuais ou em grupo, de forma contínua.
Exemplo concreto:
João, 85 anos, tem demência avançada e frequentemente fala sobre sua mãe como se ela ainda estivesse viva. Em vez de corrigi-lo (“Sua mãe já faleceu”), o terapeuta:
– Pergunta: “Como é sua mãe? O que ela gosta de fazer?”
– Valida suas emoções: “Parece que você sente muita falta dela.”
– Usa o assunto para estimular memórias positivas: “O que vocês gostavam de fazer juntos?”
Depois das sessões, João fica mais calmo e menos agitado.
4. Terapia familiar
– O que é: Uma abordagem que envolve a família no tratamento, ajudando-a a lidar com os desafios do dia a dia e a se comunicar melhor com a pessoa.
– Como funciona:
– O terapeuta ajuda a família a entender os sintomas e as limitações da pessoa.
– Ensina estratégias para lidar com comportamentos desafiadores, como agitação ou agressividade.
– Trabalha questões emocionais, como culpa, raiva ou tristeza.
– Para quem é indicada: Famílias que estão enfrentando dificuldades para cuidar da pessoa ou que estão emocionalmente sobrecarregadas.
– Duração: Geralmente de 6 a 12 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da família.
Exemplo concreto:
A família de Ana, 75 anos, estava tendo dificuldade para lidar com seus esquecimentos e episódios de agitação. Na terapia familiar, eles aprenderam a:
– Não corrigir Ana quando ela esquece algo, mas sim redirecionar a conversa para um assunto que ela goste.
– Usar frases curtas e simples para se comunicar.
– Dividir as tarefas de cuidado para não sobrecarregar uma única pessoa.
– Procurar grupos de apoio para cuidadores.
5. Terapia ocupacional
– O que é: Uma abordagem que ajuda a pessoa a manter a independência nas atividades do dia a dia.
– Como funciona:
– O terapeuta avalia as habilidades e dificuldades da pessoa.
– Ensina estratégias para realizar atividades como se vestir, cozinhar ou tomar banho.
– Adapta o ambiente para facilitar a vida da pessoa (por exemplo, colocando etiquetas nos armários ou usando tapetes antiderrapantes).
– Para quem é indicada: Pessoas com transtornos neurocognitivos leves a moderados que ainda conseguem realizar atividades do dia a dia, mas com dificuldade.
– Duração: Geralmente de 6 a 12 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da pessoa.
Exemplo concreto:
Carlos, 70 anos, tem transtorno neurocognitivo leve e estava tendo dificuldade para se vestir sozinho. Na terapia ocupacional, ele aprendeu a:
– Colocar as roupas em ordem no armário (de cima para baixo, na sequência em que serão vestidas).
– Usar roupas com elásticos ou velcro em vez de botões.
– Colocar um espelho no quarto para verificar se a roupa está bem colocada.
Mudanças no dia a dia
Além dos medicamentos e da psicoterapia, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida da pessoa com transtorno neurocognitivo. Vamos ver algumas estratégias:
1. Exercício físico
– Por que ajuda: Melhora a circulação sanguínea no cérebro, estimula o crescimento de novos neurônios e reduz o estresse.
– Quais tipos são melhores:
– Caminhada: 30 minutos por dia, 5 vezes por semana.
– Dança: estimula a memória e a coordenação motora.
– Tai chi chuan: melhora o equilíbrio e reduz o risco de quedas.
– Natação: é suave para as articulações e melhora a respiração.
– Como começar:
– Escolha uma atividade que a pessoa goste.
– Comece com sessões curtas (10-15 minutos) e aumente gradualmente.
– Faça exercícios em grupo para estimular a socialização.
Exemplo concreto:
Maria, 75 anos, sempre gostou de dançar. Depois do diagnóstico de transtorno neurocognitivo leve, ela começou a frequentar aulas de dança de salão duas vezes por semana. Além de se exercitar, ela fez novas amizades e voltou a se sentir mais confiante.
2. Sono
– Por que é importante: Durante o sono, o cérebro “limpa” toxinas e consolida memórias. Dormir mal pode piorar os sintomas cognitivos.
– Dicas para uma boa noite de sono:
– Estabeleça uma rotina: tente dormir e acordar sempre no mesmo horário.
– Evite cafeína e álcool à noite.
– Faça atividades relaxantes antes de dormir, como ler ou ouvir música calma.
– Mantenha o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
– Evite cochilos longos durante o dia.
– O que fazer se a pessoa inverter o dia e a noite:
– Exponha-a à luz natural durante o dia para regular o relógio biológico.
– Evite atividades estimulantes à noite (como assistir TV ou usar o celular).
– Se a pessoa acordar durante a noite, evite acender as luzes ou iniciar uma conversa. Em vez disso, ajude-a a voltar para a cama com calma.
Exemplo concreto:
João, 80 anos, estava tendo dificuldade para dormir e ficava acordado até tarde assistindo TV. A família:
– Estabeleceu uma rotina: jantar cedo, tomar um banho morno e ler um livro antes de dormir.
– Colocou cortinas blackout no quarto para bloquear a luz.
– Deixou um abajur com luz fraca ao lado da cama para que ele pudesse se levantar à noite sem se assustar.
Depois de algumas semanas, João voltou a dormir melhor.
3. Alimentação
– Por que é importante: Uma dieta saudável pode proteger o cérebro e melhorar os sintomas.
– O que incluir:
– Peixes ricos em ômega-3 (como salmão e sardinha): protegem os neurônios.
– Frutas e vegetais coloridos (como mirtilo, espinafre e brócolis): ricos em antioxidantes.
– Grãos integrais (como aveia e quinoa): fornecem energia de forma constante.
– Azeite de oliva: reduz a inflamação no cérebro.
– O que evitar:
– Alimentos ultraprocessados (como salgadinhos e refrigerantes): podem aumentar a inflamação.
– Açúcar em excesso: pode piorar os sintomas cognitivos.
– Gorduras trans (presentes em frituras e margarinas): prejudicam a circulação sanguínea.
– Dicas práticas:
– Prepare refeições simples e nutritivas.
– Use pratos coloridos para estimular o apetite.
– Ofereça líquidos ao longo do dia para evitar desidratação.
Exemplo concreto:
Ana, 72 anos, estava perdendo peso porque esquecia de comer. A família:
– Preparou refeições pequenas e frequentes (como frutas picadas, iogurte e sanduíches leves).
– Deixou garrafas de água em lugares visíveis pela casa.
– Usou pratos coloridos para chamar a atenção de Ana.
Depois de algumas semanas, ela voltou a se alimentar melhor e ganhou peso.
4. Rotina
– Por que é importante: Uma rotina previsível reduz a ansiedade e ajuda a pessoa a se sentir mais segura.
– Como estruturar o dia:
– Estabeleça horários fixos para as principais atividades (como acordar, comer, tomar banho e dormir).
– Use um quadro ou calendário grande para anotar os compromissos do dia.
– Divida tarefas complexas em etapas menores.
– Inclua atividades prazerosas, como ouvir música ou passear no parque.
– Dicas para lidar com a resistência:
– Se a pessoa não quiser fazer algo, tente redirecionar a atenção para outra atividade.
– Use frases positivas, como “Vamos tomar um banho gostoso” em vez de “Você precisa tomar banho”.
– Seja paciente e dê tempo para a pessoa realizar as tarefas no seu próprio ritmo.
Exemplo concreto:
Carlos, 78 anos, estava se sentindo perdido e ansioso depois do diagnóstico. A família:
– Criou uma rotina com horários fixos para as refeições, o banho e as atividades.
– Colocou um quadro na cozinha com os compromissos do dia (como “9h: café da manhã”, “10h: caminhada no parque”).
– Incluiu atividades que Carlos gostava, como ouvir música clássica e regar as plantas.
Depois de algumas semanas, ele ficou mais calmo e organizado.
5. Estimulação cognitiva
– Por que é importante: Manter o cérebro ativo pode retardar a progressão dos sintomas.
– Atividades que ajudam:
– Jogos de memória (como cartas ou dominó).
– Quebra-cabeças e palavras cruzadas.
– Aprender algo novo (como um idioma ou um instrumento musical).
– Ler livros ou revistas.
– Participar de grupos de conversa ou clubes do livro.
– Dicas práticas:
– Escolha atividades que a pessoa goste e que sejam adequadas ao seu nível de habilidade.
– Comece com atividades simples e aumente a dificuldade gradualmente.
– Faça as atividades em grupo para estimular a socialização.
Exemplo concreto:
Maria, 70 anos, sempre gostou de ler. Depois do diagnóstico de transtorno neurocognitivo leve, ela:
– Começou a participar de um clube do livro na biblioteca da cidade.
– Leu livros mais curtos e com letras grandes para facilitar a leitura.
– Discutiu os livros com os amigos do clube, o que a ajudou a manter a memória e a linguagem ativas.
6. Tecnologia assistiva
– O que é: Ferramentas tecnológicas que ajudam a pessoa a realizar atividades do dia a dia com mais independência.
– Exemplos:
– Lembretes: Aplicativos de celular ou relógios com alarmes para tomar remédios ou ir a compromissos.
– GPS: Dispositivos que ajudam a pessoa a se localizar caso se perca.
– Assistentes virtuais: Como Alexa ou Google Home, que podem responder perguntas simples ou tocar músicas.
– Telefones adaptados: Com botões grandes e fotos dos contatos para facilitar as ligações.
– Dicas para usar:
– Escolha dispositivos simples e fáceis de usar.
– Ensine a pessoa a usar a tecnologia passo a passo.
– Tenha paciência e repita as instruções quantas vezes forem necessárias.
Exemplo concreto:
João, 75 anos, estava tendo dificuldade para lembrar de tomar seus remédios. A família:
– Configurou um aplicativo de lembretes no celular dele, com alarmes para cada horário.
– Colocou etiquetas coloridas nas caixas de remédio para facilitar a identificação.
– Ensinou João a usar o aplicativo, mostrando como desligar o alarme quando tomasse o remédio.
Depois de algumas semanas, ele passou a tomar os remédios sozinho e no horário certo.
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de transtorno neurocognitivo pode ser um momento de muitas emoções — medo, tristeza, raiva, negação. É normal se sentir perdido no começo. Mas com o tempo, é possível aprender a conviver com a condição e encontrar formas de viver bem. Vamos ver como isso pode acontecer, tanto para a pessoa com o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.
Para a pessoa com o diagnóstico
1. Aceitar as emoções
– É normal sentir medo, tristeza ou raiva ao receber o diagnóstico. Não tente ignorar essas emoções — elas fazem parte do processo.
– Converse com alguém de confiança sobre o que está sentindo. Pode ser um familiar, um amigo ou um terapeuta.
– Lembre-se: ter um transtorno neurocognitivo não define quem você é. Você continua sendo a mesma pessoa, com suas histórias, habilidades e qualidades.
Exemplo concreto:
Ana, 68 anos, ficou muito triste ao receber o diagnóstico de transtorno neurocognitivo leve. Ela:
– Conversou com sua filha sobre seus medos e angústias.
– Começou a escrever em um diário para expressar suas emoções.
– Procurou um grupo de apoio para pessoas com diagnóstico recente, onde encontrou outras pessoas passando pela mesma situação.
2. Focar no que ainda é possível
– É fácil se concentrar no que está perdendo, mas tente focar no que ainda pode fazer.
– Faça uma lista das coisas que gosta e que ainda consegue realizar. Pode ser cozinhar, caminhar, ouvir música ou passar tempo com os netos.
– Lembre-se: mesmo que algumas habilidades estejam diminuindo, outras podem permanecer intactas ou até se fortalecer.
Exemplo concreto:
Carlos, 72 anos, sempre foi bom em matemática, mas depois do diagnóstico começou a ter dificuldade com cálculos. Ele:
– Passou a se concentrar em outras habilidades, como contar histórias para os netos.
– Descobriu que ainda conseguia tocar violão, algo que não fazia há anos.
– Começou a ensinar violão para crianças da vizinhança, o que o deixou muito feliz.
3. Manter a independência pelo maior tempo possível
– É natural que a família queira ajudar em tudo, mas tente fazer o máximo que puder sozinho.
– Peça ajuda apenas quando realmente precisar. Isso ajuda a manter a autoestima e a sensação de controle sobre a própria vida.
– Use estratégias para facilitar as tarefas, como listas de afazeres, lembretes no celular ou etiquetas nos armários.
Exemplo concreto:
Maria, 75 anos, estava tendo dificuldade para se vestir sozinha. Em vez de deixar que a filha escolhesse suas roupas, ela:
– Começou a colocar as roupas em ordem no armário (de cima para baixo, na sequência em que seriam vestidas).
– Usou roupas com elásticos ou velcro em vez de botões.
– Pediu ajuda apenas para verificar se a roupa estava bem colocada, usando um espelho.
4. Cuidar da saúde física
– Uma boa saúde física pode ajudar a manter a saúde mental.
– Mantenha uma alimentação saudável, pratique exercícios físicos e durma bem.
– Faça check-ups regulares com o médico para monitorar outras condições de saúde.
Exemplo concreto:
João, 80 anos, sempre foi sedentário, mas depois do diagnóstico:
– Começou a caminhar 30 minutos por dia, 3 vezes por semana.
– Passou a comer mais frutas, vegetais e peixes.
– Marcou consultas regulares com o médico para monitorar sua pressão arterial e colesterol.
Depois de alguns meses, ele se sentiu mais disposto e com mais energia.
5. Manter a vida social ativa
– O isolamento pode piorar os sintomas cognitivos e emocionais.
– Continue participando de atividades que gosta, como grupos de convivência, clubes do livro ou aulas de dança.
– Se tiver dificuldade para sair de casa, convide amigos e familiares para visitá-lo.
Exemplo concreto:
Ana, 70 anos, sempre gostou de jogar baralho, mas depois do diagnóstico começou a evitar os encontros com as amigas. Ela:
– Conversou com as amigas sobre suas dificuldades e pediu para jogarem jogos mais simples.
– Começou a participar de um grupo de convivência para idosos na igreja, onde fazia atividades em grupo.
– Passou a receber visitas regulares das amigas, que a ajudavam a se sentir menos sozinha.
6. Planejar o futuro
– É importante pensar no futuro e tomar decisões enquanto ainda é possível.
– Converse com a família sobre seus desejos em relação a cuidados médicos, finanças e moradia.
– Considere fazer um testamento vital, um documento que registra suas vontades em relação a tratamentos médicos.
Exemplo concreto:
Carlos, 75 anos, conversou com sua família sobre seus desejos para o futuro. Eles:
– Decidiram que Carlos continuaria morando em casa, com o apoio de cuidadores.
– Conversaram sobre quais tratamentos médicos ele gostaria de receber ou não.
– Carlos fez um testamento vital e registrou suas vontades em relação a cuidados paliativos.
Para familiares e amigos
1. Como ajudar de forma efetiva
– Seja paciente: Lembre-se de que a pessoa não está fazendo as coisas de propósito. Ela está lutando contra uma doença.
– Simplifique a comunicação:
– Use frases curtas e claras.
– Faça uma pergunta de cada vez.
– Evite informações demais de uma vez.
– Mantenha a rotina: Uma rotina previsível ajuda a pessoa a se sentir mais segura.
– Estimule a independência: Ajude apenas quando for realmente necessário. Deixe a pessoa fazer o máximo que puder sozinha.
– Use lembretes visuais: Calendários, listas de tarefas e etiquetas podem ajudar a pessoa a se orientar.
Exemplo concreto:
A filha de Maria, 78 anos, aprendeu a se comunicar melhor com ela:
– Em vez de dizer “Hoje à tarde vamos ao médico e depois ao supermercado, não esqueça de levar os documentos”, ela dizia: “À tarde vamos ao médico. Você pode pegar seus documentos?”
– Usou um quadro na cozinha para anotar os compromissos do dia.
– Colocou etiquetas nos armários para ajudar Maria a encontrar as coisas.
2. O que NÃO fazer
– Não corrija a pessoa na frente dos outros: Isso pode causar vergonha e frustração.
– Não discuta ou tente convencer a pessoa de que ela está errada: Se ela disser que viu alguém que não está lá, em vez de corrigi-la, valide suas emoções (“Parece que você está assustada. Vamos sentar um pouco?”).
– Não trate a pessoa como uma criança: Mesmo que ela precise de ajuda, ela ainda é um adulto com suas próprias vontades e preferências.
– Não ignore seus próprios sentimentos: Cuidar de alguém com transtorno neurocognitivo pode ser emocionalmente desgastante. Não tenha vergonha de pedir ajuda.
Exemplo concreto:
O neto de João, 82 anos, aprendeu a lidar melhor com as alucinações do avô:
– Em vez de dizer “Vô, não tem ninguém aqui, você está imaginando coisas”, ele dizia: “Eu não estou vendo ninguém, mas parece que você está assustado. Vamos tomar um chá?”
– Validava as emoções de João e o ajudava a se sentir seguro.
3. Como cuidar de si mesmo
– Não se sobrecarregue: Cuidar de alguém com transtorno neurocognitivo pode ser exaustivo. Divida as tarefas com outros familiares ou contrate um cuidador.
– Tire um tempo para si: Reserve algumas horas por semana para fazer algo que goste, como ler, caminhar ou encontrar amigos.
– Procure apoio: Grupos de apoio para cuidadores podem ser muito úteis. Você pode encontrar outros cuidadores passando pela mesma situação e trocar experiências.
– Cuide da sua saúde: Mantenha uma alimentação saudável, pratique exercícios físicos e durma bem. Você não pode cuidar bem dos outros se não cuidar de si mesmo.
Exemplo concreto:
A filha de Ana, 75 anos, estava se sentindo sobrecarregada com os cuidados. Ela:
– Contratou uma cuidadora para ajudar algumas horas por semana.
– Começou a frequentar um grupo de apoio para cuidadores, onde encontrou outras pessoas passando pela mesma situação.
– Reservou as manhãs de sábado para fazer algo que gostava, como caminhar no parque ou tomar um café com as amigas.
4. Como explicar para outras pessoas
– Seja honesto, mas delicado: Explique que a pessoa tem uma condição que afeta a memória e o raciocínio, mas que ela continua sendo a mesma pessoa.
– Dê exemplos concretos: “O vovô às vezes esquece onde deixou as chaves, mas ainda adora contar histórias da juventude.”
– Peça paciência e compreensão: “Às vezes ele repete a mesma pergunta várias vezes. Por favor, não se irrite com ele.”
– Incentive a interação: “Ele adora quando vocês vão visitá-lo. Podem conversar sobre coisas que ele gosta, como futebol ou música.”
Exemplo concreto:
A família de Carlos, 80 anos, explicou para os netos sobre o diagnóstico do avô:
– “O vovô tem uma doença que faz ele esquecer algumas coisas, mas ele ainda ama vocês e adora quando vão visitá-lo.”
– “Às vezes ele repete a mesma história várias vezes. Não precisa corrigi-lo, só ouçam com carinho.”
– “Ele gosta muito de futebol. Vocês podem conversar com ele sobre os times que ele torce.”
Quando os sintomas podem piorar?
Os transtornos neurocognitivos geralmente progridem com o tempo, mas alguns fatores podem acelerar ou piorar os sintomas. É importante conhecê-los para tentar evitá-los.
1. Estresse e ansiedade
– O estresse pode piorar os sintomas cognitivos e causar agitação ou agressividade.
– O que fazer:
– Mantenha uma rotina tranquila e previsível.
– Evite situações estressantes, como discussões ou ambientes muito barulhentos.
– Ensine técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação.
Exemplo concreto:
Maria, 72 anos, ficou muito agitada durante uma festa de família com muita gente e barulho. A família:
– Levou Maria para um lugar mais tranquilo.
– Colocou uma música calma para ela ouvir.
– Fez uma massagem suave nas mãos dela para ajudá-la a relaxar.
2. Mudanças no ambiente
– Mudanças bruscas, como uma mudança de casa ou uma viagem, podem causar confusão e desorientação.
– O que fazer:
– Se for necessário fazer uma mudança, prepare a pessoa com antecedência.
– Mantenha objetos familiares no novo ambiente, como fotos ou móveis.
– Evite fazer muitas mudanças de uma vez.
Exemplo concreto:
João, 78 anos, estava tendo dificuldade para se adaptar à nova casa da filha. A família:
– Levou alguns móveis e objetos da casa antiga para a nova.
– Colocou fotos da família em lugares visíveis.
– Manteve a mesma rotina de horários para as refeições e o sono.
3. Doenças físicas
– Infecções, desidratação ou outras doenças podem piorar os sintomas cognitivos.
– O que fazer:
– Mantenha um acompanhamento médico regular.
– Trate infecções e outras doenças prontamente.
– Garanta que a pessoa esteja bem hidratada e alimentada.
Exemplo concreto:
Ana, 75 anos, teve uma infecção urinária e ficou muito confusa. A família:
– Levou Ana ao médico assim que notou os sintomas.
– Garantiu que ela tomasse os remédios corretamente.
– Ofereceu líquidos com frequência para mantê-la hidratada.
Depois do tratamento, Ana voltou ao seu estado normal.
4. Falta de estímulo
– A falta de atividades e interações sociais pode acelerar o declínio cognitivo.
– O que fazer:
– Incentive a pessoa a participar de atividades que goste.
– Estimule a interação social, como visitas de amigos e familiares.
– Mantenha o cérebro ativo com jogos, leitura ou música.
Exemplo concreto:
Carlos, 80 anos, estava passando muito tempo sozinho em casa. A família:
– Incentivou Carlos a participar de um grupo de convivência para idosos.
– Começou a levá-lo para caminhar no parque todas as manhãs.
– Comprou um quebra-cabeça e um livro de palavras cruzadas para ele se distrair.
5. Efeitos colaterais de remédios
– Alguns remédios podem piorar os sintomas cognitivos ou causar confusão.
– O que fazer:
– Revise regularmente os remédios que a pessoa toma com o médico.
– Evite remédios que causam sonolência ou confusão, como alguns calmantes ou antidepressivos.
– Nunca suspenda ou mude a dose de um remédio sem orientação médica.
Exemplo concreto:
João, 82 anos, estava tomando um remédio para dormir que estava deixando-o confuso durante o dia. A família:
– Conversou com o médico sobre os efeitos colaterais.
– O médico trocou o remédio por um que não causava confusão.
Depois da mudança, João voltou a ficar mais alerta durante o dia.
Perguntas frequentes
1. “Meu pai foi diagnosticado com transtorno neurocognitivo. Isso significa que ele vai ter Alzheimer?”
Não necessariamente. Os transtornos neurocognitivos são um grupo amplo de condições que afetam a memória, o raciocínio e outras funções cognitivas. O Alzheimer é apenas uma das causas possíveis. Outras causas incluem:
– Doenças vasculares (como AVCs).
– Doença com corpos de Lewy.
– Degeneração lobar frontotemporal.
– Traumas na cabeça.
– Doenças autoimunes ou metabólicas.
O diagnóstico específico depende de uma avaliação detalhada, que pode incluir exames de imagem, testes cognitivos e exames de sangue. Mesmo que o diagnóstico seja de Alzheimer, é importante lembrar que cada pessoa progride de forma diferente, e existem tratamentos que podem ajudar a controlar os sintomas.
2. “Minha mãe esquece onde deixou as chaves todos os dias. Isso é sinal de Alzheimer?”
Esquecer onde deixou as chaves de vez em quando é normal e acontece com todo mundo, especialmente quando estamos estressados ou distraídos. O que diferencia um esquecimento normal de um sinal de alerta é:
– Frequência: Esquecer as chaves uma vez por semana é normal. Esquecer todos os dias não é.
– Impacto: Esquecer as chaves e conseguir lembrar depois de alguns minutos é normal. Esquecer como usar as chaves ou para que servem não é.
– Outros sintomas: Se a pessoa também estiver tendo dificuldade para lembrar de compromissos, se perder em lugares conhecidos ou ter problemas para realizar tarefas do dia a dia, é importante procurar um médico.
3. “Meu avô foi diagnosticado com transtorno neurocognitivo leve. Isso vai virar demência?”
Nem sempre. O transtorno neurocognitivo leve é uma fase intermediária entre o envelhecimento normal e a demência. Algumas pessoas com esse diagnóstico permanecem estáveis por anos, enquanto outras progridem para uma demência. Fatores que podem influenciar a progressão incluem:
– Causa do transtorno: Se for causado por uma condição tratável (como deficiência de vitamina B12), os sintomas podem melhorar com o tratamento.
– Estilo de vida: Pessoas que mantêm uma vida ativa, com exercícios físicos, alimentação saudável e estimulação cognitiva, têm menos chances de progredir para demência.
– Genética: Algumas pessoas têm uma predisposição genética para desenvolver demência, mas isso não é uma sentença.
O mais importante é seguir as orientações médicas, fazer acompanhamento regular e adotar um estilo de vida saudável.
4. “Minha mãe está com Alzheimer e não me reconhece mais. Isso significa que ela não me ama?”
Não. O Alzheimer e outros transtornos neurocognitivos afetam a memória e a capacidade de reconhecer pessoas, mas não apagam os sentimentos. Mesmo que sua mãe não consiga dizer seu nome ou reconhecer seu rosto, ela ainda pode sentir amor, carinho e segurança quando está perto de você.
Algumas dicas para se conectar com ela:
– Use o toque: Segure sua mão, faça carinho no cabelo ou dê um abraço. O toque pode transmitir afeto mesmo quando as palavras falham.
– Use a música: Cante ou toque músicas que ela gostava quando era mais jovem. A música pode acessar memórias emocionais que ainda estão intactas.
– Fale sobre o passado: Mesmo que ela não se lembre de eventos recentes, pode se lembrar de histórias antigas. Pergunte sobre sua infância, seu casamento ou seus filhos.
– Esteja presente: Às vezes, apenas estar ao lado dela, em silêncio, pode ser reconfortante.
5. “Meu marido foi diagnosticado com demência vascular. O que posso fazer para retardar a progressão?”
A demência vascular é causada por problemas de circulação sanguínea no cérebro, como AVCs ou pequenos infartos. Para retardar a progressão, é importante:
– Controlar os fatores de risco:
– Mantenha a pressão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue sob controle.
– Trate doenças como diabetes e hipertensão com acompanhamento médico.
– Evite o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
– Adotar um estilo de vida saudável:
– Pratique exercícios físicos regularmente (como caminhada, natação ou dança).
– Mantenha uma alimentação saudável, rica em frutas, vegetais, peixes e grãos integrais.
– Durma bem e mantenha uma rotina de sono regular.
– Estimular o cérebro:
– Faça atividades que desafiem a mente, como jogos de memória, palavras cruzadas ou aprender algo novo.
– Mantenha uma vida social ativa, com interações frequentes com amigos e familiares.
– Seguir o tratamento médico:
– Tome os remédios prescritos pelo médico (como anti-hipertensivos ou anticoagulantes).
– Faça acompanhamento regular para monitorar a progressão da doença.
6. “Minha avó tem Alzheimer e está muito agitada à noite. O que posso fazer?”
A agitação noturna é comum em pessoas com Alzheimer e pode ser causada por vários fatores, como:
– Síndrome do pôr do sol: Algumas pessoas com Alzheimer ficam mais agitadas no final da tarde ou à noite, possivelmente por causa de mudanças na luz e no ritmo circadiano.
– Dor ou desconforto: A pessoa pode estar com dor, fome, sede ou necessidade de ir ao banheiro, mas não consegue comunicar.
– Confusão: À noite, com menos estímulos, a pessoa pode se sentir mais desorientada e assustada.
Algumas estratégias para lidar com a agitação noturna:
– Mantenha uma rotina: Tente manter horários regulares para as refeições, o banho e o sono.
– Exponha à luz natural: Durante o dia, exponha a pessoa à luz natural para regular o relógio biológico.
– Evite cochilos longos: Cochilos durante o dia podem atrapalhar o sono à noite.
– Crie um ambiente tranquilo: À noite, mantenha o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
– Ofereça atividades relaxantes: Antes de dormir, faça atividades calmas, como ouvir música suave ou tomar um banho morno.
– Verifique necessidades básicas: Certifique-se de que a pessoa não está com fome, sede, dor ou necessidade de ir ao banheiro.
– Evite estimulantes: À noite, evite cafeína, álcool e atividades estimulantes, como assistir TV ou usar o celular.
7. “Meu pai tem demência e não quer tomar banho. Como posso convencê-lo?”
A resistência ao banho é comum em pessoas com demência e pode ser causada por vários fatores, como:
– Medo da água: A pessoa pode ter medo de escorregar ou se afogar.
– Desconforto: Ela pode não gostar da sensação da água ou do sabonete.
– Confusão: Ela pode não entender por que precisa tomar banho ou pode se sentir envergonhada.
Algumas estratégias para lidar com a resistência ao banho:
– Mantenha a rotina: Tente manter um horário fixo para o banho, de preferência quando a pessoa estiver mais calma.
– Prepare o ambiente: Deixe tudo pronto antes de começar (toalhas, roupas limpas, sabonete).
– Use frases positivas: Em vez de dizer “Você precisa tomar banho”, diga “Vamos tomar um banho gostoso”.
– Respeite a privacidade: Feche a porta do banheiro e cubra a pessoa com uma toalha para que ela não se sinta exposta.
– Seja flexível: Se a pessoa não quiser tomar banho, tente limpar apenas as partes mais importantes (como o rosto, as axilas e a região íntima) com uma toalha úmida.
– Ofereça escolhas: Deixe a pessoa escolher entre tomar banho de chuveiro ou de banheira, ou entre dois sabonetes diferentes.
– Use distração: Coloque uma música que a pessoa goste ou converse sobre um assunto que ela goste durante o banho.
8. “Minha mãe tem Alzheimer e está perdendo peso. O que posso fazer?”
A perda de peso é comum em pessoas com Alzheimer e pode ser causada por vários fatores, como:
– Esquecimento: A pessoa pode esquecer de comer ou não sentir fome.
– Dificuldade para mastigar ou engolir: Ela pode ter dificuldade para comer alimentos sólidos.
– Perda do paladar ou do olfato: Ela pode não sentir o gosto ou o cheiro dos alimentos.
– Depressão ou apatia: Ela pode perder o interesse pela comida.
Algumas estratégias para lidar com a perda de peso:
– Ofereça refeições pequenas e frequentes: Em vez de três refeições grandes, ofereça cinco ou seis refeições menores ao longo do dia.
– Prepare alimentos fáceis de comer: Prefira alimentos macios, como purês, sopas ou frutas picadas.
– Use pratos coloridos: Pratos coloridos podem estimular o apetite.
– Ofereça líquidos: Ofereça água, sucos ou vitaminas entre as refeições para evitar desidratação.
– Estimule o apetite: Faça refeições em família ou convide amigos para comer junto.
– Consulte um nutricionista: Um nutricionista pode ajudar a planejar uma dieta adequada às necessidades da pessoa.
– Verifique a saúde bucal: Certifique-se de que a pessoa não está com dor de dente ou dificuldade para mastigar.
9. “Meu marido tem demência e está tendo alucinações. O que devo fazer?”
As alucinações são comuns em algumas formas de demência, como a demência com corpos de Lewy. Elas podem ser assustadoras para a pessoa e para a família, mas existem estratégias para lidar com elas:
– Não corrija a pessoa: Em vez de dizer “Não tem ninguém aqui”, valide suas emoções (“Parece que você está assustado. Vamos sentar um pouco?”).
– Verifique a segurança: Certifique-se de que a pessoa não está em perigo (por exemplo, tentando “fugir” de algo que não existe).
– Reduza estímulos: Ambientes muito barulhentos ou com muitas pessoas podem piorar as alucinações.
– Use distração: Tente redirecionar a atenção da pessoa para outra atividade, como ouvir música ou olhar fotos.
– Consulte o médico: Se as alucinações forem frequentes ou causarem muito sofrimento, o médico pode prescrever um remédio para controlá-las.
Exemplo concreto:
João, 80 anos, começou a ver pessoas que não estavam lá. Sua esposa:
– Não corrigiu João, mas validou suas emoções (“Eu não estou vendo ninguém, mas parece que você está assustado. Vamos tomar um chá?”).
– Reduziu os estímulos no ambiente, desligando a TV e fechando as cortinas.
– Colocou uma música calma para distraí-lo.
– Conversou com o médico, que ajustou a medicação de João.
10. “Sou cuidador da minha mãe com Alzheimer e estou me sentindo sobrecarregado. O que posso fazer?”
Cuidar de alguém com Alzheimer ou outro transtorno neurocognitivo pode ser emocionalmente e fisicamente desgastante. É normal se sentir sobrecarregado, estressado ou até mesmo culpado. Algumas estratégias para cuidar de si mesmo:
– Peça ajuda: Não tente fazer tudo sozinho. Divida as tarefas com outros familiares ou contrate um cuidador profissional.
– Tire um tempo para si: Reserve algumas horas por semana para fazer algo que goste, como ler, caminhar ou encontrar amigos.
– Procure apoio: Grupos de apoio para cuidadores podem ser muito úteis. Você pode encontrar outros cuidadores passando pela mesma situação e trocar experiências.
– Cuide da sua saúde: Mantenha uma alimentação saudável, pratique exercícios físicos e durma bem. Você não pode cuidar bem dos outros se não cuidar de si mesmo.
– Aceite seus sentimentos: É normal sentir raiva, tristeza ou frustração. Não se culpe por ter esses sentimentos.
– Considere terapia: Um terapeuta pode ajudá-lo a lidar com as emoções e o estresse do cuidado.
– Informe-se: Quanto mais você souber sobre a doença, melhor poderá lidar com os desafios.
Recursos no Brasil:
– ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer): Oferece grupos de apoio, palestras e materiais educativos. Site: www.abraz.org.br.
– CVV (Centro de Valorização da Vida): Oferece apoio emocional gratuito por telefone (188), chat ou e-mail. Site: www.cvv.org.br.
– SUS: Oferece atendimento gratuito em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e ambulatórios especializados.
Quando procurar ajuda urgente
Os transtornos neurocognitivos geralmente progridem de forma gradual, mas alguns sinais indicam que é necessário procurar ajuda médica imediatamente. Vamos ver quais são esses sinais, organizados por gravidade:
Sinais de alerta moderado (procure um médico nas próximas 24-48 horas)
1. Mudanças súbitas no comportamento ou na cognição
– A pessoa fica muito confusa ou desorientada de repente, sem motivo aparente.
– Começa a ter dificuldade para falar, entender o que os outros dizem ou seguir instruções simples.
– Parece muito agitada, agressiva ou apática sem explicação.
Exemplo concreto:
João, 75 anos, sempre foi calmo, mas de repente começou a gritar com a esposa sem motivo e não conseguia lembrar o nome dos netos. A família o levou ao médico no dia seguinte, e foi diagnosticado um pequeno AVC.
2. Quedas frequentes ou dificuldade para andar
– A pessoa começa a tropeçar ou cair com frequência, mesmo em lugares conhecidos.
– Tem dificuldade para se levantar de uma cadeira ou da cama.
– Anda de forma instável, como se estivesse bêbada.
Exemplo concreto:
Maria, 80 anos, começou a cair várias vezes em casa, mesmo em lugares planos. A família a levou ao médico, que descobriu que ela estava com uma infecção urinária que estava afetando seu equilíbrio.
3. Perda de peso rápida ou recusa em comer
– A pessoa perde peso sem motivo aparente.
– Recusa-se a comer ou beber por mais de 24 horas.
– Tem dificuldade para engolir ou engasga com frequência.
Exemplo concreto:
Ana, 78 anos, perdeu 5 kg em um mês e estava recusando comida. A família a levou ao médico, que descobriu que ela estava com uma infecção na garganta que estava dificultando a deglutição.
4. Piora súbita dos sintomas cognitivos
– A pessoa que antes conseguia realizar tarefas simples (como se vestir ou tomar banho) de repente não consegue mais.
– Esquece como realizar atividades que sempre fez, como cozinhar ou usar o telefone.
– Não reconhece pessoas ou lugares que sempre reconheceu.
Exemplo concreto:
Carlos, 82 anos, sempre preparou seu próprio café da manhã, mas de repente não conseguia mais lembrar como fazer café. A família o levou ao médico, que ajustou sua medicação para Alzheimer.
Sinais de alerta grave (procure ajuda médica imediatamente)
1. Confusão mental aguda (delirium)
– A pessoa fica extremamente confusa, desorientada ou agitada de repente.
– Não reconhece familiares ou amigos.
– Tem alucinações ou delírios intensos.
– Não consegue se comunicar de forma coerente.
Exemplo concreto:
João, 85 anos, acordou no meio da noite gritando e dizendo que havia pessoas no quarto. Ele não reconhecia a esposa e não conseguia responder perguntas simples. A família o levou ao pronto-socorro, onde foi diagnosticado um delirium causado por uma infecção.
2. Sinais de AVC
– Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (rosto, braço ou perna).
– Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem.
– Perda súbita de visão em um ou ambos os olhos.
– Dor de cabeça intensa e súbita, sem causa aparente.
– Dificuldade para andar ou perda de equilíbrio.
Lembre-se: O AVC é uma emergência médica. Se você notar esses sinais, ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa ao pronto-socorro imediatamente.
Exemplo concreto:
Maria, 72 anos, de repente não conseguia levantar o braço direito e tinha dificuldade para falar. A família a levou ao pronto-socorro, onde foi diagnosticado um AVC. Ela recebeu tratamento imediato e conseguiu se recuperar.
3. Comportamentos perigosos
– A pessoa tenta sair de casa à noite e se perde.
– Deixa o fogão ligado ou a torneira aberta sem perceber.
– Tenta dirigir ou realizar outras atividades perigosas sem ter condições.
– Ameaça se machucar ou machucar outras pessoas.
Exemplo concreto:
Carlos, 78 anos, tentou sair de casa à noite para “voltar para sua antiga casa”, mesmo morando no mesmo lugar há 20 anos. A família instalou travas nas portas e procurou ajuda médica para ajustar sua medicação.
4. Sinais de desidratação ou desnutrição grave
– A pessoa não come ou bebe nada por mais de 24 horas.
– Tem a boca seca, urina escura ou pouca urina.
– Está muito fraca, sonolenta ou confusa.
– Tem tonturas ou desmaios.
Exemplo concreto:
Ana, 80 anos, não bebia água há dois dias e estava muito sonolenta. A família a levou ao pronto-socorro, onde ela recebeu soro para se reidratar.
5. Sinais de infecção grave
– Febre alta (acima de 38°C).
– Tosse com catarro amarelado ou esverdeado.
– Dor intensa em qualquer parte do corpo.
– Vermelhidão, inchaço ou pus em feridas.
– Dificuldade para respirar.
Exemplo concreto:
João, 82 anos, estava com febre alta e tosse com catarro. A família o levou ao pronto-socorro, onde foi diagnosticado uma pneumonia. Ele recebeu antibióticos e se recuperou.
O que fazer em caso de emergência
- Mantenha a calma: Tente acalmar a pessoa e a si mesmo.
- Ligue para o SAMU (192): Se a situação for grave, não tente resolver sozinho. O SAMU pode enviar uma ambulância e orientar sobre o que fazer enquanto espera.
- Leve a pessoa ao pronto-socorro: Se a situação não for tão grave, leve a pessoa ao pronto-socorro mais próximo.
- Informe os médicos sobre o diagnóstico: Leve uma lista dos remédios que a pessoa toma e informe sobre o diagnóstico de transtorno neurocognitivo.
- Não deixe a pessoa sozinha: Em situações de emergência, é importante que a pessoa não fique sozinha até receber ajuda médica.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Guia para Cuidadores de Pessoas com Alzheimer. 2020.
- Petersen, R. C. Mild Cognitive Impairment. New England Journal of Medicine, 2011.
- Alzheimer’s Association. 2023 Alzheimer’s Disease Facts and Figures. Alzheimer’s & Dementia, 2023.
- National Institute on Aging. What Is Dementia? Symptoms, Types, and Diagnosis. 2021.
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Demências: Guia Prático para Profissionais da Saúde. 2019.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeção da População do Brasil e das Unidades da Federação. 2021.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.