Hiponatremia e SIADH Induzidos por ISRSs no Idoso

Definição e epidemiologia

A hiponatremia induzida por Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) é definida como uma concentração sérica de sódio inferior a 135 mEq/L, que se desenvolve após o início do tratamento com um fármaco desta classe, frequentemente mediada pela Síndrome de Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético (SIADH). O SIADH é uma condição na qual há liberação não-fisiológica de Arginina Vasopressina (AVP), também conhecido como hormônio antidiurético (ADH), levando à retenção renal de água livre, diluição do sódio sérico e consequente hiponatremia hiposmolar e euvolêmica.

Nos sistemas de classificação DSM-5-TR e CID-11, esta condição não é um transtorno psiquiátrico primário, mas sim um "Problema Relacionado a Medicamentos ou Outras Substâncias" ou um efeito adverso que deve ser codificado sob os capítulos de "Efeitos Adversos de Drogas" (DSM-5-TR) ou "Causas Externas de Morbidade" (CID-11). Sua posição nosológica é, portanto, como uma complicação iatrogênica do tratamento farmacológico.

A epidemiologia aponta para uma vulnerabilidade significativamente aumentada na população idosa. Conforme destacado no Compêndio de Psiquiatria de Kaplan & Sadock, casos de hiponatremia e SIADH foram observados "sobretudo entre os mais velhos". A incidência exata varia entre estudos, mas estima-se que ocorra em 0.5% a 32% dos idosos em uso de ISRSs, sendo a variação ampla devida a diferenças nos critérios diagnósticos, na população estudada e no ISRS específico. O risco é particularmente elevado nas primeiras semanas de tratamento (geralmente entre 2 a 4 semanas), mas pode ocorrer em qualquer momento. A distribuição por sexo parece favorecer as mulheres idosas, possivelmente devido a diferenças na composição corporal e na farmacocinética. Dados epidemiológicos brasileiros específicos são escassos, mas a prevalência segue a tendência internacional, sendo uma preocupação crescente dada a expansão do uso de ISRSs na atenção primária e especializada no país.

Fatores de risco principais:

  • Idade avançada (>65 anos): O fator de risco mais consistente.
  • Sexo feminino.
  • Uso concomitante de diuréticos (especialmente tiazídicos), conforme mencionado no compêndio.
  • Baixo peso corporal ou IMC reduzido.
  • Comorbidades clínicas: Insuficiência renal, insuficiência cardíaca, hipotireoidismo, doenças pulmonares, neoplasias.
  • Polifarmácia.
  • Histórico prévio de hiponatremia ou SIADH.

O curso clínico é tipicamente agudo ou subagudo após a introdução ou aumento da dose do ISRS. A resolução ocorre geralmente dias a semanas após a descontinuação do agente causador, embora a correção da natremia deva ser cuidadosa para evitar complicações neurológicas como a mielinólise pontina.

Etiopatogenia e neurobiologia

A etiopatogenia central reside na capacidade dos ISRSs de desencadear o SIADH. O mecanismo exato não está completamente elucidado, mas envolve a interferência nos sistemas de regulação da serotonina sobre a liberação de AVP.

Modelo Neurobiológico Principal:

  1. Estimulação Serotoninérgica: Os ISRSs, ao aumentarem a disponibilidade de serotonina (5-HT) na fenda sináptica, ativam excessivamente os receptores 5-HT2C e possivelmente 5-HT1A localizados nos núcleos supraóptico e paraventricular do hipotálamo.
  2. Liberação Inapropriada de AVP: Esta estimulação serotoninérgica leva a uma secreção não-osmoregulada de AVP (ou ADH) pela neuro-hipófise, independente da osmolaridade sérica ou volume sanguíneo efetivo.
  3. Ação Renal: O AVP circulante liga-se aos receptores V2 nos túbulos coletores renais, promovendo a inserção de aquaporinas-2 na membrana apical. Isso aumenta drasticamente a permeabilidade à água, permitindo sua reabsorção passiva do lúmen tubular para o interstício renal hiperosmolar.
  4. Diluição da Natremia: A retenção de água livre dilui os solutos séricos, principalmente o sódio, resultando em hiponatremia hiposmolar. A expansão de volume inibe a reabsorção de sódio no túbulo proximal e estimula a excreção de sódio urinário (natriurese), mantendo a euvolemia relativa, o que é característico do SIADH.

Fatores que Amplificam o Risco no Idoso:

  • Alterações Fisiológicas da Senescência: Declínio da função renal (redução da taxa de filtração glomerular) e da capacidade de excretar água livre. Aumento basal dos níveis de AVP com a idade.
  • "Set-point" Osmorregulatório Alterado: Os osmorreceptores hipotalâmicos podem se tornar mais sensíveis ou sua regulação pode estar prejudicada.
  • Polifarmácia: Interações medicamentosas e uso de diuréticos, que são citados no compêndio como um fator de risco coadjuvante importante.
  • Redução da Massa Magra e da Água Corporal Total: Uma mesma quantidade de água retida causa uma diluição proporcionalmente maior do sódio sérico.

Não há, até o momento, achados específicos de neuroimagem, genética ou biologia molecular que sejam utilizados rotineiramente para predizer o risco. A pesquisa aponta para possíveis polimorfismos genéticos nos receptores de serotonina ou nos sistemas de transporte, mas sem aplicação clínica corrente.

Quadro clínico

As manifestações clínicas são diretamente consequentes da hiponatremia e da hiposmolaridade cerebral resultante. A gravidade dos sintomas correlaciona-se mais com a velocidade de instalação da hiponatremia do que com seu valor absoluto. Idosos são particularmente sensíveis a alterações neurológicas sutis.

Sintomas por Domínio:

  • Cognitivo (os mais comuns e precoces no idoso):
    • Confusão mental e desorientação (citada explicitamente no compêndio como sintoma comum).
    • Déficits cognitivos sutis ou agravamento de um declínio cognitivo pré-existente.
    • Letargia e sonolência.
    • Dificuldade de concentração e prejuízo da memória recente.
  • Comportamental e Psíquico:
    • Agitação ou irritabilidade (também citada).
    • Alterações do humor que podem mimetizar um agravamento da depressão ou o surgimento de um quadro psicótico.
    • Apatia.
  • Neurológico Somático:
    • Cefaleia.
    • Náuseas e vômitos (inespecíficos, mas frequentes).
    • Instabilidade postural, marcha atáxica, tonturas.
    • Fraqueza muscular, cãibras.
    • Reflexos profundos diminuídos.
    • Em casos graves e de instalação rápida: convulsões, depressão do nível de consciência (estupor, coma) e parada respiratória.

Características Clínicas do SIADH (Critérios Diagnósticos Laboratoriais):

  1. Hiponatremia (sódio <135 mEq/L) e hiposmolaridade sérica (<275 mOsm/kg).
  2. Osmolaridade urinária inapropriadamente elevada (>100 mOsm/kg, frequentemente >300).
  3. Natriurese inapropriada (sódio urinário >40 mEq/L, geralmente >100) com ingestão normossódica.
  4. Euvolemia clínica (ausência de edema ou desidratação significativa).
  5. Função tireoidiana, adrenal e renal normais.

Armadilha Clínica: No idoso, os sintomas iniciais (confusão, letargia, instabilidade) são frequentemente atribuídos erroneamente à demência, à depressão refratária, a um acidente vascular cerebral ou aos próprios efeitos colaterais dos ISRSs, atrasando o diagnóstico. O clínico deve ter um alto índice de suspeita.

Avaliação e diagnóstico

Entrevista Clínica e Anamnese:

  • Foco Temporal: Estabelecer a relação cronológica precisa entre o início ou ajuste de dose do ISRS e o aparecimento dos sintomas.
  • Revisão de Medicamentos: Listar todos os fármacos, especialmente diuréticos, anti-hipertensivos, analgésicos e outros psicotrópicos.
  • História Médica: Investigar comorbidades (cardíacas, renais, hepáticas, pulmonares, câncer).
  • Sintomas Guia: Questionar ativamente sobre confusão recente, quedas, tonturas, náuseas e alterações no padrão de diurese.

Exame do Estado Mental:

  • Atenção e Vigilância: Testar digit span (dígitos em sequência), capacidade de manter o foco.
  • Orientação: Avaliar orientação temporal, espacial e pessoal.
  • Memória: Testar memória imediata e recente (três palavras).
  • Funções Executivas: Séries-7, fluência verbal.
  • Humor e Afeto: Observar se há apatia, labilidade ou agitação.

Exames Complementares Obrigatórios:

  1. Eletrólitos Séricos (Sódio, Potássio): Exame de triagem fundamental. Deve ser solicitado antes do início de um ISRS em idosos e repetido entre 2 a 4 semanas após o início ou ajuste de dose.
  2. Osmolaridade Sérica e Urinária: Confirmam a hiposmolaridade sérica e a concentração inapropriada da urina.
  3. Sódio Urinário: Natriurese >40 mEq/L é sugestiva de SIADH, mas deve ser interpretada no contexto clínico (o uso de diuréticos invalida este parâmetro no momento da coleta).
  4. Função Tireoidiana (TSH) e Cortisol: Para excluir hipotireoidismo e insuficiência adrenal como causas de hiponatremia.
  5. Função Renal (Ureia, Creatinina, TFG) e Hepática: Avaliar a capacidade de excreção de água e outras causas.
  6. Ácido Úrico: Frequentemente baixo no SIADH.

Diagnóstico Diferencial Estruturado:

Condição Volume Status Sódio Urinário Osmolaridade Urinária Outras Dicas
SIADH por ISRS Euvolêmico >40 mEq/L >100 mOsm/kg História de uso recente de ISRS.
Hipovolemia (perdas GI, diuréticos) Hipovolêmico <20 mEq/L* >450 mOsm/kg Sinais de desidratação. Melhora com soro fisiológico.
Insuficiência Cardíaca Hipervolêmico <20 mEq/L >450 mOsm/kg Edemas, dispneia, história cardíaca.
Insuficiência Renal Hipervolêmico >20 mEq/L Isosmolar ao soro Elevação de creatinina.
Hipotireoidismo/Insuf. Adrenal Variável Variável Variável Confirmar com TSH e cortisol.
Polidipsia Primária Euvolêmico <20 mEq/L <100 mOsm/kg História psiquiátrica, ingestão hídrica excessiva.
Uso de Diuréticos Variável >40 mEq/L (durante ação) Variável História medicamentosa.
*Pode ser >20 se perdas renais de sódio (diuréticos, doença renal com perda de sal).

Armadilhas Diagnósticas:

  • Atribuir sintomas neurocognitivos à idade ou à depressão.
  • Não solicitar sódio sérico de rotina antes e após iniciar ISRSs em idosos.
  • Ignorar a interação com diuréticos.
  • Confundir com outras causas de hiponatremia sem realizar a investigação laboratorial adequada.

Tratamento farmacológico

O tratamento é, em primeiro lugar, a descontinuação ou substituição do ISRS causador. A correção da hiponatremia em si é um manejo clínico-internista/nefrológico que deve seguir protocolos de segurança para evitar a correção excessivamente rápida.

Algoritmo Terapêutico para Hiponatremia/SIADH Induzido por ISRS:

  1. Grau Leve (Sódio 130-134 mEq/L, assintomático ou sintomas mínimos):

    • Ação: Descontinuar o ISRS.
    • Medida Adicional: Restrição hídrica moderada (ex.: 800-1000 mL/dia). Monitorar sódio sérico a cada 24-48h.
    • Substituição do Antidepressivo: Considerar antidepressivo com menor risco associado de SIADH (ex.: bupropiona, mirtazapina), sempre com monitorização.
  2. Grau Moderado (Sódio 125-129 mEq/L, sintomático) ou Grave Assintomático:

    • Ação: Descontinuar o ISRS imediatamente.
    • Medida Principal: Restrição hídrica estrita (500-800 mL/dia). Pode ser necessário uso de solução salina hipertônica (3%) em ambiente hospitalar, com correção lenta (<6-8 mEq/L nas primeiras 24h, <12-15 mEq/L em 48h).
    • Terapia Farmacológica para SIADH (se necessário):
      • Demecolciclina (150-300 mg, 2x/dia): Antagonista da ação do ADH no túbulo coletor. Efeito tardio (2-3 dias). Risco de nefrotoxicidade em insuficientes renais.
      • Ureia Oral (15-30 g/dia): Promove diurese osmótica, aumentando a excreção de água livre. Menos disponível no Brasil.
      • Vaptanos (Tolvaptan): Antagonistas seletivos dos receptores V2 de AVP. De uso hospitalar especializado, devido ao custo elevado e necessidade de monitorização rigorosa da velocidade de correção.
  3. Grave Sintomático (Sódio <125 mEq/L com sintomas neurológicos graves – convulsões, coma):

    • Emergência Médica: Internação em UTI.
    • Tratamento: Infusão de solução salina hipertônica (3%) com bomba de infusão, monitorização frequente do sódio sérico (a cada 2-4h inicialmente).
    • Objetivo: Elevação rápida de 4-6 mEq/L nas primeiras horas para alívio dos sintomas graves, seguida de correção lenta conforme diretriz acima.

Monitoramento:

  • Durante o Tratamento com ISRS em Idosos: Dosagem de sódio sérico antes do início, na 2ª e 4ª semanas, e depois a cada 3-6 meses ou conforme sintomas.
  • Durante a Correção da Hiponatremia: Sódio sérico a cada 6-12h inicialmente, dependendo da gravidade e do método de correção.

Contexto Brasileiro (RENAME, SUS):

  • A maioria dos ISRSs (sertralina, fluoxetina, escitalopram) está disponível no Componente Básico da Assistência Farmacêutica do SUS e na RENAME.
  • A demecolciclina tem disponibilidade limitada no país. O manejo baseia-se fortemente na restrição hídrica e, quando necessário, no uso hospitalar de soro hipertônico.
  • Os vaptanos não são padronizados no SUS para esta indicação, sendo de uso restrito ao setor privado.

Tratamento não farmacológico

O tratamento não farmacológico é centrado no manejo da condição aguda e na prevenção de recorrências.

  1. Restrição Hídrica: É a pedra angular do tratamento não farmacológico do SIADH. Deve ser individualizada e supervisionada para evitar desidratação. Educação do paciente e da família sobre a importância de limitar a ingestão de líquidos.
  2. Aumento da Ingestão de Solutos: Dieta normossódica ou ligeiramente rica em sal, associada a uma ingestão proteica adequada, pode ajudar a aumentar a excreção de água livre.
  3. Psicoeducação: Explicar ao paciente e familiares a relação causal entre o antidepressivo e os sintomas, a natureza reversível da condição e os sinais de alerta para recorrência (confusão, tontura).
  4. Reabilitação/Estimulação Cognitiva: Em casos onde a hiponatremia prolongada causou déficits cognitivos, a reabilitação neuropsicológica pode ser benéfica após a correção da natremia.
  5. Suporte Familiar: Orientar sobre a necessidade de supervisão do idoso, especialmente no cumprimento da restrição hídrica e na identificação precoce de sintomas.

Procedimentos como ECT ou TMS não são tratamentos para o SIADH, mas podem ser reconsiderados para o tratamento da depressão subjacente após a resolução da hiponatremia e a escolha de um agente antidepressivo mais seguro.

Manejo clínico prático

Tomada de Decisão:

  • Ao Iniciar um ISRS em Idoso: Sempre dosar sódio basal. Escolher a dose inicial mais baixa possível ("start low, go slow"). Evitar combinação inicial com diuréticos.
  • Ao Detectar Hiponatremia Leve-Assintomática (Na 130-134): Reavaliar a necessidade do ISRS. Se essencial, considerar restrição hídrica leve e monitorização semanal. Se possível, suspender e trocar por antidepressivo de perfil diferente (ex.: bupropiona).
  • Ao Detectar Hiponatremia Sintomática ou <130 mEq/L: Suspender o ISRS imediatamente. Iniciar investigação para SIADH. Hospitalizar se sintomas neurológicos ou sódio <125 mEq/L.
  • Retomada do Tratamento Antidepressivo: Após normalização do sódio, escolher uma classe com menor risco relativo (bupropiona, mirtazapina). Monitorar rigorosamente. ISRSs diferentes também podem ser tentados com extrema cautela e monitorização muito próxima, embora haja risco de recorrência.

Monitoramento da Resposta:

  • Critério de Resolução do SIADH: Normalização do sódio sérico mantida sem necessidade de restrição hídrica após a retirada do agente causador.
  • Critério de Remissão da Depressão: Deve ser avaliado separadamente, após a estabilização clínica e metabólica do paciente.

Manejo da Resistência/Recorrência: Se a hiponatremia persiste apesar da suspensão do ISRS, investigar outras causas (tumor oculto, dor crônica, pneumopatia). Se recorre com outro ISRS, evitar esta classe.

Contexto do SUS/CAPS:

  • Atenção Básica: Pode realizar a prescrição inicial e o monitoramento de rotina. Deve estar capacitada para reconhecer os sintomas prodrômicos.
  • CAPS: Atendem casos mais complexos. Devem ter protocolo interno para monitoração de eletrólitos em idosos em uso de psicotrópicos.
  • Acesso a Exames: A dosagem de sódio é um exame de baixo custo e amplamente disponível, devendo ser incorporada à prática rotineira.

Perspectiva do paciente e comunicação clínica

Vivenciando o Quadro: O paciente idoso frequentemente experimenta uma piora súbita e inexplicável de seu estado mental. Pode sentir-se "embaçado", confuso, instável e assustado. Esses sintomas são angustiantes e podem ser interpretados como um "derrame" ou uma demência acelerada, gerando grande ansiedade no paciente e na família.

Psicoeducação Efetiva:

  • Explicar a Causa: "O remédio para a depressão, que é geralmente seguro, pode, em algumas pessoas mais velhas, causar um desequilíbrio no sal do sangue. Isso deixa o cérebro inchado (por dentro), causando essa confusão e tontura."
  • Enfatizar a Reversibilidade: "É um efeito colateral que melhora quando paramos o remédio. Seu cérebro vai voltar ao normal."
  • Instruções Claras: "Vamos suspender este comprimido. Por alguns dias, você precisará tomar um pouco menos de líquidos do que o habitual. Vamos acompanhar com exames de sangue."
  • Sinais de Alerta: "Se você sentir muita dor de cabeça, ficar muito sonolento, tiver dificuldade para acordar ou começar com tremores, procure o hospital."

Impacto Funcional: A hiponatremia aguda é uma causa importante de delírio, quedas (com risco de fraturas), hospitalização e perda de independência no idoso. Impacta diretamente a qualidade de vida e a segurança.

Adesão: A experiência de um efeito adverso grave pode minar a confiança do paciente no tratamento. É crucial:

  • Reconhecer o Sofrimento: Validar a experiência do paciente.
  • Plano Conjunto: Discutir as opções de tratamento subsequente para a depressão.
  • Transparência: Explicar os riscos e benefícios de novas medicações e o plano de monitoramento.

Perguntas frequentes

1. Todo idoso que toma ISRS vai ter hiponatremia?
Não. É um efeito adverso incomum, mas o risco é significativamente maior do que em adultos jovens. Por isso, o monitoramento com exames de sangue é recomendado de forma preventiva.

2. Qual ISRS é o mais seguro para idosos em relação a esse risco?
Todos os ISRSs (sertralina, fluoxetina, paroxetina, escitalopram, citalopram) podem causar SIADH. A literatura é conflitante sobre diferenças significativas de risco entre eles. A escolha deve considerar outros perfis de efeitos colaterais (ex.: paroxetina tem efeito anticolinérgico). Bupropiona e mirtazapina têm risco relatado muito menor.

3. Meu familiar idoso começou a tomar sertralina e ficou confuso. Pode ser a depressão piorando?
Pode, mas a hiponatremia/SIADH é uma possibilidade que deve ser descartada primeiro por ser uma causa médica aguda, reversível e potencialmente grave. Um exame de sódio sérico é rápido e decisivo. Nunca atribua novos sintomas cognitivos ou comportamentais em idosos sob ISRS apenas à psiquiatria sem excluir causas orgânicas.

4. O que é mais perigoso: continuar com a depressão grave ou correr o risco de hiponatremia com o ISRS?
A depressão não tratada no idoso tem graves consequências (suicídio, piora de comorbidades, declínio funcional). O risco de hiponatremia é gerenciável com monitoramento. O médico deve ponderar os riscos e benefícios. O perigo está em não monitorar, não necessariamente em usar a medicação.

5. Depois de corrigida a hiponatremia, posso voltar a tomar o mesmo antidepressivo?
Geralmente não é recomendado, pois o risco de recorrência é alto. Deve-se preferir trocar para uma classe antidepressiva com mecanismo de ação diferente (ex.: noradrenérgico e dopaminérgico como bupropiona, ou noradrenérgico e serotoninérgico como mirtazapina).

6. O paciente em uso crônico de ISRS (há anos) ainda está em risco?
O risco é maior nas primeiras semanas, mas casos de início tardio (meses ou anos depois) são descritos, especialmente após aumento de dose, desidratação, introdução de um novo medicamento (como diurético) ou surgimento de uma nova doença. A vigilância deve ser mantida.

7. Além do exame de sangue, há como suspeitar clinicamente?
Sim. O surgimento súbito ou subagudo de: 1) Confusão mental ou piora da memória; 2) Instabilidade para caminhar e tonturas; 3) Náuseas inexplicadas; 4) Cãibras musculares ou fraqueza. Esses sintomas exigem dosagem imediata de sódio.

8. No SUS, como garantir esse monitoramento?
O médico prescritor (da UBS ou CAPS) deve solicitar a dosagem de sódio como parte do acompanhamento obrigatório do idoso em uso de ISRS. É um exame de baixo custo e de rotina nos laboratórios do SUS. A dificuldade pode ser logística (transporte do paciente). A educação da equipe e da família sobre a importância desse monitoramento é fundamental.

Referências

  • Sadock, B.J.; Sadock, V.A.; Ruiz, P. Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 11ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. (Fontes primárias das páginas 286, 287, 930, 937, 993, 1032, 1036, 1249).
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – Texto Revisado (DSM-5-TR). Porto Alegre: Artmed, 2022.
  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – 11ª edição (CID-11). Genebra: OMS, 2022.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Diretrizes para o tratamento da depressão. 2019.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). 2022.
  • Ellison, D.H.; Berl, T. Clinical practice. The syndrome of inappropriate antidiuresis. N Engl J Med. 2007.

Conteúdo de referência clínica. Não substitui avaliação profissional individualizada.

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