Encoprese (CID-11: 6C01)

O que é?

Imagine que seu filho, com mais de quatro anos, já aprendeu a usar o banheiro sozinho, mas de repente começa a fazer cocô na calça com frequência. Não é uma vez ou outra, por distração ou brincadeira, mas algo que acontece várias vezes por mês, sem explicação aparente. Essa situação, que pode deixar pais e crianças frustrados, envergonhados e até com raiva, tem um nome: encoprese.

A encoprese é um transtorno da eliminação caracterizado pela evacuação repetida de fezes em lugares inadequados, como roupas, chão ou móveis, em crianças que já passaram da idade em que se espera que controlem o intestino. Para ser considerado encoprese, esse comportamento precisa acontecer pelo menos uma vez por mês durante três meses seguidos, e a criança precisa ter pelo menos quatro anos de idade (ou um desenvolvimento equivalente).

É importante entender que a encoprese não é birra, preguiça ou falta de educação. A criança não faz isso de propósito para chamar atenção ou irritar os pais. Na maioria dos casos, há um problema físico por trás, como prisão de ventre crônica, que faz com que o intestino fique tão cheio que as fezes acabam vazando sem que a criança perceba. Em outros casos, pode haver fatores emocionais ou comportamentais envolvidos, mas sempre como parte de um quadro mais complexo.

Como a encoprese se diferencia de situações normais?

Todo mundo já passou por situações em que não conseguiu chegar ao banheiro a tempo, seja por estar preso no trânsito, em uma reunião longa ou simplesmente por não encontrar um banheiro disponível. Isso é normal e acontece com crianças e adultos. A diferença na encoprese é que esses “acidentes” acontecem com frequência, mesmo quando há banheiros por perto e a criança já demonstrou capacidade de controlar o intestino antes.

Outra situação comum é a criança que, por estar muito envolvida em uma brincadeira, acaba segurando o cocô até não aguentar mais e faz na calça. Isso também pode acontecer ocasionalmente, mas na encoprese não é algo esporádico. Além disso, muitas crianças com encoprese nem percebem que estão evacuando, porque o intestino está tão cheio que as fezes vazam sem aviso.

Quem é afetado pela encoprese?

A encoprese é mais comum do que se imagina. Estudos mostram que cerca de 1 a 3% das crianças em idade escolar apresentam esse problema. É mais frequente em meninos do que em meninas, com uma proporção de aproximadamente 3 meninos para cada menina. A maioria dos casos começa entre os 4 e 7 anos de idade, mas pode persistir na adolescência e, em casos raros, até na vida adulta.

No Brasil, não há estatísticas precisas sobre a prevalência da encoprese, mas considerando que a constipação intestinal (prisão de ventre) afeta cerca de 25% das crianças brasileiras, é provável que muitos casos de encoprese passem despercebidos ou sejam tratados apenas como problemas físicos, sem o acompanhamento psicológico necessário.

Um pouco de história

O termo “encoprese” vem do grego en (dentro) e kopros (fezes), e foi usado pela primeira vez na literatura médica no início do século XX. Antes disso, crianças que faziam cocô na calça eram vistas como mal-educadas, preguiçosas ou até mesmo possuídas por espíritos malignos em algumas culturas. Felizmente, a medicina evoluiu e hoje entendemos que a encoprese é um problema de saúde que precisa de tratamento, não de punição ou vergonha.

Nas décadas de 1960 e 1970, os primeiros estudos começaram a mostrar que a maioria dos casos de encoprese estava relacionada à constipação crônica. Isso mudou a forma como o problema era tratado, passando de uma abordagem puramente comportamental (como castigos ou recompensas) para um tratamento que combina cuidados com o intestino, mudanças na alimentação e, quando necessário, acompanhamento psicológico.

Quais são os sintomas?

Para entender melhor a encoprese, vamos desmembrar os critérios diagnósticos do DSM-5 e da CID-11, traduzindo cada um para uma linguagem acessível e dando exemplos práticos de como esses sintomas aparecem no dia a dia.

Critério A: Eliminação intestinal repetida de fezes em locais inapropriados

Tradução: A criança faz cocô em lugares que não são o banheiro, como na calça, no chão, na cama ou até mesmo em móveis, de forma repetida.

Exemplos concretos:
1. João, 5 anos: João já usa o banheiro sozinho há mais de um ano, mas nos últimos meses tem feito cocô na cueca quase todos os dias. Às vezes, a mãe só percebe quando sente o cheiro ou quando João vai tomar banho. Ele não avisa e parece não notar que está sujo.
2. Maria, 6 anos: Maria adora brincar de boneca e, quando está muito entretida, acaba fazendo cocô na calça. Ela chora e diz que não percebeu, mas os pais ficam irritados porque acham que ela está “fazendo de propósito” para não interromper a brincadeira.
3. Pedro, 8 anos: Pedro tem vergonha de usar o banheiro da escola porque os colegas riem dele. Ele segura o cocô o dia todo e, quando chega em casa, já está com a calça suja. Às vezes, acontece o mesmo no fim de semana, quando está na casa da avó.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Normal: Uma criança de 2 ou 3 anos que ainda está aprendendo a usar o banheiro pode ter acidentes esporádicos. Também é normal que crianças mais velhas tenham um “escape” ocasional, como quando estão doentes, com diarreia ou em uma situação de estresse extremo (como o primeiro dia de aula).
Sintoma: Quando a criança já demonstrou controle do intestino por pelo menos seis meses e começa a ter acidentes frequentes (pelo menos uma vez por mês durante três meses), sem uma causa física imediata (como uma infecção intestinal), isso pode indicar encoprese.

Critério B: Pelo menos um evento desse tipo ocorre a cada mês por pelo menos três meses

Tradução: Para ser considerado encoprese, o problema precisa acontecer com frequência, não apenas uma ou duas vezes. É preciso que a criança tenha pelo menos um episódio de cocô em local inadequado por mês, durante três meses seguidos.

Exemplos concretos:
1. Lucas, 7 anos: Nos últimos quatro meses, Lucas fez cocô na calça pelo menos uma vez por mês. Às vezes, são pequenos escapes, como uma mancha na cueca, e outras vezes é um cocô inteiro. Os pais anotaram as datas e perceberam que não é algo esporádico.
2. Ana, 5 anos: Ana teve três episódios nos últimos três meses: um na escola, um na casa da tia e outro no parque. Em todos os casos, ela disse que não sentiu vontade de ir ao banheiro e só percebeu quando já estava suja.
3. Rafael, 9 anos: Rafael faz cocô na calça quase todos os dias, mas os pais só procuraram ajuda depois de três meses, quando perceberam que o problema não melhorava sozinho.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Normal: Uma criança que faz cocô na calça uma vez a cada dois ou três meses, sem um padrão claro, provavelmente não tem encoprese. Pode ser apenas um acidente isolado.
Sintoma: Se os episódios acontecem pelo menos uma vez por mês durante três meses, é um sinal de que algo mais está acontecendo e que a criança precisa de avaliação.

Critério C: A idade cronológica mínima é de 4 anos (ou nível de desenvolvimento equivalente)

Tradução: A encoprese só é diagnosticada em crianças com pelo menos 4 anos de idade (ou que tenham um desenvolvimento equivalente a essa idade). Isso porque, antes dos 4 anos, é esperado que a criança ainda esteja aprendendo a controlar o intestino.

Exemplos concretos:
1. Gabriel, 3 anos e 11 meses: Gabriel ainda faz cocô na fralda às vezes, mas os pais estão ensinando ele a usar o penico. Como ele ainda não completou 4 anos, não é considerado encoprese, mesmo que tenha acidentes frequentes.
2. Beatriz, 5 anos: Beatriz tem síndrome de Down e um desenvolvimento equivalente a uma criança de 3 anos. Mesmo tendo 5 anos, ela ainda não tem maturidade para controlar o intestino, então não se enquadra no diagnóstico de encoprese.
3. Thiago, 4 anos e 1 mês: Thiago já usa o banheiro sozinho há seis meses, mas nos últimos três meses tem feito cocô na calça pelo menos uma vez por mês. Como ele já completou 4 anos, pode ser avaliado para encoprese.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Normal: Crianças com menos de 4 anos ainda estão aprendendo a controlar o intestino, então acidentes são esperados. Mesmo crianças mais velhas com atraso no desenvolvimento podem demorar mais para adquirir esse controle.
Sintoma: Se a criança já demonstrou controle do intestino por pelo menos seis meses e depois começou a ter acidentes frequentes, isso pode indicar encoprese, independentemente da idade cronológica.

Critério D: O comportamento não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou outra condição médica

Tradução: A encoprese não é causada por remédios, drogas ou outras doenças que afetam o intestino. Por exemplo, se a criança está tomando um laxante que causa diarreia e por isso faz cocô na calça, isso não é encoprese. Da mesma forma, se ela tem uma doença como fibrose cística ou doença de Hirschsprung (que afeta os nervos do intestino), os acidentes não são considerados encoprese.

Exceção: Se a criança tem prisão de ventre (constipação) e faz cocô na calça por causa disso, ainda pode ser encoprese. Nesse caso, a constipação é parte do problema, não uma causa externa.

Exemplos concretos:
1. Carlos, 6 anos: Carlos tem fibrose cística e, por causa da doença, tem dificuldade para controlar o intestino. Ele faz cocô na calça com frequência, mas isso não é considerado encoprese porque é causado pela doença.
2. Fernanda, 5 anos: Fernanda está tomando um remédio para dor de cabeça que causa diarreia. Por isso, ela faz cocô na calça às vezes. Como o problema é causado pelo remédio, não é encoprese.
3. Daniel, 7 anos: Daniel tem prisão de ventre há meses e, por isso, faz cocô na calça com frequência. Mesmo que a constipação seja a causa dos acidentes, isso ainda pode ser considerado encoprese, porque a constipação faz parte do quadro.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Normal: Se a criança faz cocô na calça por causa de uma doença ou remédio, isso não é encoprese. O problema precisa ser tratado de acordo com a causa (por exemplo, ajustando a medicação ou tratando a doença).
Sintoma: Se a criança não tem nenhuma doença ou não está tomando remédios que afetem o intestino, mas mesmo assim faz cocô na calça com frequência, pode ser encoprese.

Subtipos da encoprese

A encoprese pode ser dividida em dois subtipos, dependendo da presença ou não de constipação (prisão de ventre):

  1. Com constipação e incontinência por extravasamento:
  2. O que é: A criança tem prisão de ventre crônica, o que faz com que o intestino fique tão cheio que as fezes vazam sem que ela perceba. É como uma represa que transborda: o cocô mais líquido escapa pelas laterais do cocô endurecido que está preso no intestino.
  3. Exemplos:

    • Mateus, 6 anos: Mateus faz cocô apenas uma vez por semana, e quando faz, é em bolinhas duras e doloridas. Nos outros dias, ele tem escapes de cocô líquido na calça, que sujam a cueca sem que ele perceba.
    • Juliana, 5 anos: Juliana segura o cocô porque tem medo de sentir dor ao evacuar. Com o tempo, o cocô endurece e ela passa a ter escapes frequentes, que mancham a calcinha.
  4. Sem constipação e incontinência por extravasamento:

  5. O que é: A criança não tem prisão de ventre, mas mesmo assim faz cocô em locais inadequados. Nesse caso, o problema pode estar mais relacionado a fatores emocionais ou comportamentais, como estresse, ansiedade ou dificuldade em reconhecer os sinais do corpo.
  6. Exemplos:
    • Lucas, 7 anos: Lucas faz cocô normalmente no banheiro quase todos os dias, mas às vezes, quando está muito nervoso (como antes de uma prova na escola), faz na calça. Ele diz que não sentiu vontade, mas os pais percebem que isso acontece em situações de estresse.
    • Sofia, 6 anos: Sofia faz cocô na calça quando está brincando e não quer parar para ir ao banheiro. Ela sabe que precisa ir, mas prefere continuar a brincadeira e acaba tendo um acidente.

Ter alguns sintomas isoladamente não significa ter encoprese

É importante lembrar que ter um ou dois episódios de cocô na calça não significa que a criança tenha encoprese. O diagnóstico leva em conta:
Frequência: Os acidentes precisam acontecer pelo menos uma vez por mês durante três meses.
Idade: A criança precisa ter pelo menos 4 anos (ou desenvolvimento equivalente).
Impacto: O problema precisa causar sofrimento para a criança ou para a família, ou interferir na rotina (como na escola ou nas brincadeiras).
Ausência de outras causas: Não pode ser explicado por uma doença, remédio ou outra condição médica.

Se a criança tem apenas alguns episódios isolados, pode ser apenas uma fase passageira ou um sinal de que ela precisa de ajuda para aprender a reconhecer os sinais do corpo. Mas se os acidentes são frequentes e persistentes, é importante procurar um médico para avaliar o que está acontecendo.

Como se manifesta no dia a dia?

A encoprese não afeta apenas o momento em que a criança faz cocô na calça. Ela pode influenciar vários aspectos da vida da criança e da família, desde a rotina diária até os relacionamentos e a autoestima. Vamos ver como esse problema se manifesta em diferentes áreas da vida.

Na escola

A escola é um dos lugares onde a encoprese pode causar mais constrangimento e dificuldades. Imagine uma criança que faz cocô na calça durante a aula: o cheiro pode chamar a atenção dos colegas, que podem rir, apontar ou até mesmo evitar brincar com ela. Isso pode levar a uma série de problemas:

  1. Bullying e isolamento:
  2. Exemplo: Pedro, 8 anos, fez cocô na calça durante a aula de educação física. Os colegas sentiram o cheiro e começaram a rir, chamando-o de “fedorento”. Depois desse dia, Pedro passou a evitar as aulas de educação física e a sentar sozinho no recreio, com medo de que acontecesse de novo.
  3. Impacto: A criança pode começar a se isolar, recusar-se a ir à escola ou desenvolver ansiedade social. Em casos extremos, pode até levar a sintomas de depressão.

  4. Dificuldade de concentração:

  5. Exemplo: Ana, 6 anos, está sempre preocupada em fazer cocô na calça durante a aula. Ela fica tão ansiosa que não consegue prestar atenção no que a professora está explicando e acaba tendo dificuldades de aprendizagem.
  6. Impacto: A ansiedade constante pode prejudicar o desempenho escolar e fazer com que a criança fique para trás em relação aos colegas.

  7. Problemas com os professores:

  8. Exemplo: Lucas, 7 anos, faz cocô na calça quase todos os dias na escola. A professora, que não sabe que ele tem encoprese, acha que ele está fazendo de propósito para chamar atenção e começa a repreendê-lo na frente dos colegas.
  9. Impacto: A criança pode desenvolver uma relação negativa com a escola e com os professores, além de se sentir ainda mais envergonhada e incompreendida.

  10. Falta de higiene:

  11. Exemplo: Rafael, 9 anos, faz cocô na calça e, com vergonha, esconde a roupa suja na mochila ou no banheiro da escola. Com o tempo, o cheiro fica forte e os colegas começam a reclamar.
  12. Impacto: Além do constrangimento, a falta de higiene pode levar a infecções ou problemas de pele, como assaduras ou dermatites.

Nos relacionamentos

A encoprese pode afetar profundamente os relacionamentos da criança, tanto com a família quanto com os amigos.

  1. Conflitos familiares:
  2. Exemplo: Os pais de João, 5 anos, não entendem por que ele faz cocô na calça com tanta frequência. Eles brigam com ele, dizem que é falta de vergonha e até o castigam, tirando seus brinquedos. João fica ainda mais ansioso e os acidentes aumentam.
  3. Impacto: A relação entre pais e filhos pode se tornar tensa, com brigas frequentes e um clima de hostilidade em casa. A criança pode se sentir rejeitada e desenvolver baixa autoestima.

  4. Dificuldade em fazer amigos:

  5. Exemplo: Maria, 6 anos, evita convidar amigas para dormir em casa porque tem medo de fazer cocô na calça durante a noite. Ela também não quer ir às festinhas de aniversário dos colegas, com medo de que aconteça um acidente.
  6. Impacto: A criança pode se sentir excluída e desenvolver dificuldades para se socializar, o que pode afetar sua vida adulta.

  7. Relação com os irmãos:

  8. Exemplo: Sofia, 7 anos, tem um irmão mais novo que não entende por que ela faz cocô na calça. Ele a imita na frente dos pais e dos amigos, o que deixa Sofia ainda mais envergonhada.
  9. Impacto: A relação entre irmãos pode se tornar competitiva ou hostil, com ciúmes e brigas frequentes.

  10. Vergonha e culpa:

  11. Exemplo: Pedro, 8 anos, sente tanta vergonha de fazer cocô na calça que evita contar para os pais quando acontece. Ele esconde as roupas sujas e tenta lavar sozinho, mas muitas vezes não consegue limpar direito, o que piora o cheiro e a situação.
  12. Impacto: A criança pode desenvolver sentimentos de culpa e inadequação, achando que é “suja” ou “nojenta”. Isso pode levar a problemas emocionais mais sérios, como depressão ou ansiedade.

Na rotina

A encoprese pode transformar tarefas simples do dia a dia em verdadeiros desafios. Coisas que outras crianças fazem sem pensar, como ir ao banheiro ou escolher uma roupa, podem se tornar fontes de estresse.

  1. Higiene pessoal:
  2. Exemplo: Ana, 6 anos, precisa trocar de roupa várias vezes ao dia porque faz cocô na calça. Ela também precisa tomar banho com mais frequência, o que pode ser cansativo e demorado.
  3. Impacto: A rotina da criança e da família pode ficar sobrecarregada, com menos tempo para brincadeiras, estudos ou descanso.

  4. Escolha de roupas:

  5. Exemplo: Lucas, 7 anos, prefere usar calças escuras e largas para disfarçar os acidentes. Ele também evita roupas claras ou justas, com medo de que os colegas percebam.
  6. Impacto: A criança pode se sentir limitada em suas escolhas e desenvolver uma relação negativa com o próprio corpo.

  7. Alimentação:

  8. Exemplo: Rafael, 9 anos, tem medo de comer alimentos que possam soltar o intestino, como frutas ou verduras. Ele prefere comer apenas arroz, batata e carne, o que pode levar a uma alimentação desequilibrada.
  9. Impacto: A criança pode desenvolver deficiências nutricionais ou problemas de saúde relacionados à má alimentação, como anemia ou obesidade.

  10. Sono:

  11. Exemplo: Sofia, 6 anos, acorda várias vezes durante a noite com medo de fazer cocô na cama. Ela também evita beber água antes de dormir, o que pode levar à desidratação.
  12. Impacto: A falta de sono pode prejudicar o crescimento, o humor e o desempenho escolar da criança.

Na saúde física

A encoprese não é apenas um problema comportamental ou emocional: ela também pode afetar a saúde física da criança, especialmente quando está relacionada à constipação.

  1. Dor abdominal:
  2. Exemplo: João, 5 anos, reclama de dor de barriga quase todos os dias. Os pais acham que é manha, mas na verdade é porque ele está com o intestino cheio de fezes endurecidas.
  3. Impacto: A dor constante pode fazer com que a criança perca o apetite, fique irritada e tenha dificuldade para dormir.

  4. Hemorroidas e fissuras anais:

  5. Exemplo: Ana, 6 anos, chora toda vez que faz cocô porque sente uma dor forte. Ao examinar, o médico descobre que ela tem uma fissura anal (um pequeno corte no ânus) causada pelo esforço para evacuar.
  6. Impacto: Além da dor, as fissuras e hemorroidas podem levar a sangramentos e infecções, piorando ainda mais a situação.

  7. Infecções urinárias:

  8. Exemplo: Lucas, 7 anos, faz cocô na calça e, com vergonha, não troca a roupa suja. Com o tempo, as bactérias do cocô podem contaminar a uretra e causar uma infecção urinária.
  9. Impacto: As infecções urinárias podem ser dolorosas e, se não tratadas, podem levar a problemas mais sérios, como infecções nos rins.

  10. Perda de apetite:

  11. Exemplo: Rafael, 9 anos, não sente fome porque seu intestino está sempre cheio. Ele come muito pouco e acaba perdendo peso.
  12. Impacto: A falta de nutrientes pode prejudicar o crescimento e o desenvolvimento da criança, além de deixá-la fraca e sem energia.

O que causa essa condição?

A encoprese não tem uma causa única. Na maioria dos casos, é resultado de uma combinação de fatores físicos, emocionais e comportamentais. Vamos entender cada um deles em detalhes.

Fatores físicos: o papel da constipação

A causa mais comum da encoprese é a constipação crônica (prisão de ventre). Quando a criança segura o cocô por muito tempo, as fezes ficam endurecidas e difíceis de eliminar. Com o tempo, o intestino fica tão cheio que as fezes mais líquidas começam a vazar ao redor do cocô endurecido, sujando a calça sem que a criança perceba. É como uma garrafa cheia de areia: se você continuar colocando mais areia, em algum momento ela vai transbordar pelas laterais.

Por que a constipação acontece?
1. Alimentação pobre em fibras: Crianças que comem poucos alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras e cereais integrais, têm mais chances de desenvolver constipação.
Exemplo: Maria, 5 anos, come apenas arroz, batata e carne. Ela não gosta de frutas ou verduras e recusa qualquer alimento que não seja “branco”. Com o tempo, seu intestino fica preguiçoso e ela passa dias sem fazer cocô.

  1. Pouca ingestão de água: A água ajuda a amolecer as fezes e facilita a evacuação. Crianças que bebem pouca água têm mais chances de ficar constipadas.
  2. Exemplo: João, 6 anos, não gosta de beber água e prefere sucos ou refrigerantes. Como esses líquidos não hidratam da mesma forma, seu cocô fica duro e difícil de eliminar.

  3. Sedentarismo: A atividade física estimula o movimento do intestino. Crianças que passam muito tempo sentadas, assistindo TV ou jogando videogame, podem ter o intestino mais lento.

  4. Exemplo: Pedro, 7 anos, adora videogame e passa horas sentado jogando. Ele faz cocô apenas uma vez por semana e, quando faz, é com muita dor.

  5. Medo de sentir dor: Se a criança já teve uma experiência dolorosa ao evacuar (como uma fissura anal), ela pode começar a segurar o cocô para evitar a dor. Com o tempo, isso piora a constipação e cria um ciclo vicioso.

  6. Exemplo: Ana, 4 anos, fez cocô muito duro e sentiu uma dor forte. Desde então, ela segura o cocô o máximo que pode, com medo de sentir dor de novo. Com o tempo, seu intestino fica cheio e ela começa a ter escapes na calça.

Fatores emocionais: estresse, ansiedade e traumas

Em alguns casos, a encoprese pode estar relacionada a fatores emocionais, especialmente quando não há constipação. Crianças que passam por situações de estresse, ansiedade ou traumas podem desenvolver encoprese como uma forma de expressar seu sofrimento.

  1. Estresse familiar:
  2. Exemplo: Lucas, 6 anos, começou a fazer cocô na calça depois que seus pais se separaram. Ele não consegue falar sobre seus sentimentos e acaba “falando” através do corpo.
  3. Impacto: Situações como separação dos pais, nascimento de um irmão, mudança de escola ou morte de um ente querido podem desencadear encoprese em crianças sensíveis.

  4. Ansiedade de separação:

  5. Exemplo: Sofia, 5 anos, faz cocô na calça toda vez que a mãe sai para trabalhar. Ela sente tanta ansiedade que não consegue controlar o intestino.
  6. Impacto: Crianças com ansiedade de separação podem desenvolver encoprese como uma forma de chamar a atenção ou de expressar seu medo de ficar sozinhas.

  7. Bullying ou abuso:

  8. Exemplo: Rafael, 8 anos, começou a fazer cocô na calça depois de sofrer bullying na escola. Ele não conta para os pais o que está acontecendo e acaba desenvolvendo encoprese como uma forma de lidar com o trauma.
  9. Impacto: Situações de abuso físico, sexual ou emocional podem levar a criança a “desligar” do corpo como uma forma de proteção, resultando em problemas como a encoprese.

  10. Mudanças na rotina:

  11. Exemplo: Pedro, 7 anos, sempre fez cocô no banheiro, mas começou a ter acidentes depois que a família se mudou para uma casa nova. Ele estranha o novo banheiro e fica ansioso para usá-lo.
  12. Impacto: Mudanças como troca de escola, mudança de casa ou viagem podem desencadear encoprese em crianças que já têm uma predisposição.

Fatores comportamentais: hábitos e aprendizado

Algumas crianças desenvolvem encoprese por causa de hábitos inadequados ou dificuldades no aprendizado do controle do intestino.

  1. Treinamento esfincteriano inadequado:
  2. Exemplo: Ana, 4 anos, foi treinada a usar o penico muito cedo, antes de estar pronta. Os pais a pressionavam e a castigavam quando ela tinha acidentes. Com o tempo, ela desenvolveu medo de fazer cocô e começou a segurar, levando à constipação e à encoprese.
  3. Impacto: Treinar a criança antes que ela esteja pronta ou usar métodos punitivos pode levar a problemas como a encoprese.

  4. Falta de rotina:

  5. Exemplo: João, 5 anos, não tem horário para ir ao banheiro. Ele faz cocô em horários diferentes todos os dias, o que dificulta o aprendizado do controle do intestino.
  6. Impacto: Crianças que não têm uma rotina para ir ao banheiro podem ter mais dificuldade para reconhecer os sinais do corpo e desenvolver encoprese.

  7. Negligência ou falta de atenção:

  8. Exemplo: Maria, 6 anos, é criada pela avó, que não percebe quando ela faz cocô na calça. Como ninguém a ensina a limpar-se ou a trocar de roupa, ela se acostuma com a sensação de estar suja e não se importa mais.
  9. Impacto: A falta de atenção dos cuidadores pode fazer com que a criança não aprenda a reconhecer os sinais do corpo ou a importância da higiene.

  10. Comportamento opositor:

  11. Exemplo: Pedro, 7 anos, faz cocô na calça como uma forma de desafiar os pais. Ele sabe que isso os irrita e usa o comportamento como uma forma de chamar a atenção.
  12. Impacto: Crianças com transtorno opositivo-desafiador podem desenvolver encoprese como uma forma de expressar sua rebeldia.

Fatores genéticos: a encoprese é hereditária?

Alguns estudos sugerem que a encoprese pode ter um componente genético, especialmente quando está relacionada à constipação. Se os pais ou irmãos da criança tiveram problemas de constipação ou encoprese na infância, há uma chance maior de que ela também desenvolva o problema.

Exemplo:
Rafael, 8 anos: Rafael tem encoprese e constipação crônica. Seu pai também teve o mesmo problema quando criança e só melhorou depois de adulto. Isso sugere que pode haver uma predisposição genética na família.

No entanto, é importante lembrar que a genética não é o único fator. Mesmo que haja uma predisposição familiar, a encoprese só se desenvolve se houver outros fatores desencadeantes, como má alimentação, estresse ou falta de rotina.

Modelo biopsicossocial: a combinação de fatores

A encoprese é um exemplo claro de como fatores biológicos, psicológicos e sociais podem se combinar para criar um problema de saúde. Não é apenas uma questão de “intestino preguiçoso” ou “falta de educação”: é uma condição complexa que precisa ser entendida em sua totalidade.

Exemplo:
Sofia, 6 anos: Sofia tem uma predisposição genética para constipação (fator biológico). Ela também está passando por um momento de estresse porque seus pais estão se separando (fator psicológico). Além disso, a escola não tem banheiros adequados e ela tem vergonha de usá-los (fator social). A combinação desses fatores leva ao desenvolvimento da encoprese.

Mitos e verdades sobre as causas da encoprese

Mito: “A encoprese é falta de educação. A criança faz de propósito para irritar os pais.”
Verdade: A encoprese não é birra ou falta de educação. Na maioria dos casos, a criança não tem controle sobre o que está acontecendo. Punir ou brigar só piora a situação, porque aumenta a ansiedade e a vergonha.

Mito: “A encoprese é causada por vermes.”
Verdade: Embora os vermes possam causar diarreia ou desconforto abdominal, eles não são a causa da encoprese. O problema está relacionado à constipação ou a fatores emocionais, não a parasitas.

Mito: “A encoprese é um problema psicológico. A criança faz cocô na calça porque está traumatizada.”
Verdade: Embora fatores emocionais possam desencadear ou piorar a encoprese, na maioria dos casos o problema começa com a constipação. Mesmo quando há um componente emocional, o tratamento precisa abordar tanto o físico quanto o psicológico.

Mito: “A encoprese passa sozinha com o tempo. Não precisa tratar.”
Verdade: A encoprese raramente melhora sem tratamento. Quanto mais tempo o problema persistir, mais difícil pode ser resolvê-lo. Além disso, a criança pode desenvolver problemas emocionais, como baixa autoestima ou ansiedade, que podem afetar sua vida adulta.

Como é feito o diagnóstico?

Receber o diagnóstico de encoprese pode ser um alívio para muitas famílias, porque finalmente entendem que o problema não é “falta de educação” ou “birra”, mas sim uma condição médica que precisa de tratamento. Mas como é feito esse diagnóstico? Vamos entender o processo passo a passo.

O primeiro passo: reconhecer o problema

Muitas famílias demoram para procurar ajuda porque têm vergonha ou acham que o problema vai passar sozinho. Alguns pais tentam resolver a situação em casa, com mudanças na alimentação ou castigos, mas sem sucesso. O primeiro passo para o diagnóstico é reconhecer que algo não está certo e que a criança precisa de ajuda profissional.

Sinais de que é hora de procurar um médico:
– A criança faz cocô na calça pelo menos uma vez por mês há três meses ou mais.
– Ela já demonstrou controle do intestino antes, mas agora está tendo acidentes frequentes.
– Os acidentes estão afetando a rotina da criança, como na escola ou nas brincadeiras.
– A criança parece envergonhada, ansiosa ou triste por causa dos acidentes.
– Os pais estão frustrados, irritados ou sem saber como lidar com a situação.

Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico da encoprese pode ser feito por diferentes profissionais de saúde, dependendo da abordagem necessária:

  1. Pediatra: O pediatra é o primeiro profissional a ser procurado. Ele fará uma avaliação inicial para descartar causas físicas, como doenças intestinais, e poderá encaminhar a criança para outros especialistas, se necessário.
  2. Gastroenterologista pediátrico: Se houver suspeita de constipação crônica ou outros problemas intestinais, o pediatra pode encaminhar a criança para um gastroenterologista, que é especialista em doenças do aparelho digestivo.
  3. Psiquiatra infantil: Se houver suspeita de que fatores emocionais ou comportamentais estão contribuindo para o problema, o pediatra pode encaminhar a criança para um psiquiatra infantil, que avaliará se há transtornos como ansiedade, depressão ou transtorno opositivo-desafiador.
  4. Psicólogo infantil: O psicólogo pode ajudar a entender se há fatores emocionais envolvidos e trabalhar com a criança e a família para desenvolver estratégias de enfrentamento.
  5. Enfermeiro ou educador em saúde: Em alguns casos, especialmente no SUS, enfermeiros ou educadores em saúde podem orientar a família sobre mudanças na alimentação e na rotina que ajudem a melhorar a situação.

O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta é um momento importante para entender o que está acontecendo e traçar um plano de tratamento. Veja o que geralmente acontece:

  1. Conversa com os pais:
  2. O médico perguntará sobre o histórico da criança: quando os acidentes começaram, com que frequência acontecem, se há outros sintomas (como dor abdominal ou sangue nas fezes), e como a família tem lidado com a situação.
  3. Também será perguntado sobre a rotina da criança: alimentação, horários de sono, atividades físicas, e se houve alguma mudança recente (como mudança de escola, nascimento de um irmão ou separação dos pais).
  4. O médico pode perguntar sobre o histórico familiar: se os pais ou irmãos tiveram problemas semelhantes na infância.

  5. Conversa com a criança:

  6. Dependendo da idade, o médico pode conversar diretamente com a criança para entender como ela se sente em relação aos acidentes. Perguntas como “Você sente vontade de fazer cocô antes de acontecer?” ou “Você sente dor quando faz cocô?” podem ajudar a identificar a causa do problema.
  7. O médico também pode perguntar sobre a rotina da criança na escola, como ela se relaciona com os colegas e se tem alguma preocupação ou medo.

  8. Exame físico:

  9. O médico fará um exame físico para verificar se há sinais de constipação, como um abdômen distendido (barriga inchada) ou fezes endurecidas no intestino.
  10. Em alguns casos, pode ser necessário fazer um exame de toque retal para avaliar a presença de fezes no reto. Esse exame é rápido e indolor, mas pode ser desconfortável para a criança. O médico explicará como será feito e pedirá permissão aos pais e à criança.

  11. Exames complementares:

  12. Na maioria dos casos, não são necessários exames de imagem ou laboratório para diagnosticar encoprese. No entanto, se houver suspeita de outras condições, como doença de Hirschsprung (um problema nos nervos do intestino) ou fibrose cística, o médico pode solicitar exames como:

    • Raio-X abdominal: Para verificar a quantidade de fezes no intestino.
    • Enema opaco: Um exame de raio-X com contraste para avaliar a anatomia do intestino.
    • Manometria anorretal: Um exame que mede a pressão no ânus e no reto para avaliar o funcionamento dos músculos.
    • Exames de sangue: Para verificar se há anemia ou outros problemas metabólicos.
  13. Diagnóstico diferencial:

  14. O médico descartará outras condições que podem causar sintomas semelhantes, como:
    • Doença de Hirschsprung: Um problema congênito em que os nervos do intestino não se desenvolvem corretamente, causando constipação grave.
    • Fibrose cística: Uma doença genética que afeta a produção de muco no corpo, incluindo no intestino, levando à constipação.
    • Hipotireoidismo: Uma condição em que a tireoide não produz hormônios suficientes, o que pode deixar o intestino mais lento.
    • Doenças neurológicas: Problemas como paralisia cerebral ou espinha bífida podem afetar o controle do intestino.
    • Abuso sexual: Em casos raros, a encoprese pode ser um sinal de abuso sexual, especialmente se a criança apresentar outros sintomas, como mudanças de comportamento, medo de ficar sozinha ou lesões na região genital.

Quanto tempo leva para o diagnóstico?

O diagnóstico da encoprese geralmente é feito em uma ou duas consultas, especialmente se não houver suspeita de outras condições. No entanto, em casos mais complexos, pode ser necessário fazer exames ou consultar outros especialistas, o que pode levar algumas semanas.

Exemplo:
Primeira consulta: O pediatra avalia a criança, faz o exame físico e solicita um raio-X abdominal para verificar a quantidade de fezes no intestino.
Segunda consulta (uma semana depois): O médico analisa o resultado do raio-X e confirma o diagnóstico de encoprese com constipação. Ele prescreve um laxante e orienta mudanças na alimentação.
Acompanhamento: A família volta ao médico a cada duas semanas para avaliar a evolução do tratamento.

Diagnóstico no SUS vs. particular

No Brasil, o diagnóstico e tratamento da encoprese podem ser feitos tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede particular. As diferenças estão principalmente na agilidade e na disponibilidade de especialistas.

  1. SUS:
  2. Vantagens: O SUS oferece atendimento gratuito e, em muitas cidades, há programas específicos para crianças com problemas de eliminação. Além disso, o SUS tem uma abordagem mais integral, com equipes multidisciplinares que incluem pediatras, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.
  3. Desvantagens: A fila de espera para consultas com especialistas, como gastroenterologistas ou psiquiatras infantis, pode ser longa. Além disso, nem todas as cidades têm acesso a exames mais complexos, como a manometria anorretal.
  4. Como acessar: A família pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) para uma avaliação inicial. Se necessário, o pediatra encaminhará a criança para outros especialistas.

  5. Particular:

  6. Vantagens: Na rede particular, o diagnóstico costuma ser mais rápido, com menos filas de espera. Além disso, há mais disponibilidade de exames e especialistas, como gastroenterologistas pediátricos e psicólogos infantis.
  7. Desvantagens: O custo pode ser alto, especialmente se forem necessários exames ou consultas com vários especialistas. Além disso, nem todos os planos de saúde cobrem todos os tipos de tratamento.
  8. Como acessar: A família pode procurar um pediatra particular ou um gastroenterologista pediátrico. Alguns planos de saúde oferecem reembolso parcial para consultas e exames.

O que fazer enquanto espera pelo diagnóstico?

Enquanto espera pela consulta ou pelos resultados dos exames, há algumas coisas que a família pode fazer para ajudar a criança:

  1. Manter um diário:
  2. Anotar quando os acidentes acontecem, o que a criança comeu naquele dia, se ela sentiu dor ou desconforto, e como estava o humor dela. Isso pode ajudar o médico a identificar padrões e possíveis desencadeantes.

  3. Evitar castigos ou broncas:

  4. Brigar ou castigar a criança só aumenta a ansiedade e a vergonha, piorando o problema. É importante lembrar que ela não está fazendo de propósito.

  5. Estabelecer uma rotina para ir ao banheiro:

  6. Incentivar a criança a sentar no vaso sanitário por alguns minutos após as refeições, mesmo que não sinta vontade. Isso ajuda a criar o hábito e a treinar o intestino.

  7. Oferecer uma alimentação rica em fibras e água:

  8. Frutas, verduras, cereais integrais e muita água ajudam a amolecer as fezes e facilitam a evacuação. Evitar alimentos que prendem o intestino, como banana, maçã sem casca e arroz branco.

  9. Conversar com a escola:

  10. Se os acidentes acontecem na escola, é importante conversar com os professores para que eles saibam como lidar com a situação. Alguns professores podem ajudar a criança a ir ao banheiro com mais frequência ou a trocar de roupa sem chamar a atenção dos colegas.

Tratamento

O tratamento da encoprese é multidisciplinar, ou seja, envolve diferentes profissionais e abordagens. Não existe uma “cura mágica”, mas com paciência, consistência e o apoio certo, a maioria das crianças melhora significativamente. O tratamento geralmente combina medicamentos, psicoterapia, mudanças na alimentação e na rotina, e apoio emocional para a criança e a família.

Vamos entender cada uma dessas abordagens em detalhes.


Medicamentos

Os medicamentos são usados principalmente para tratar a constipação (prisão de ventre), que é a causa mais comum da encoprese. Eles ajudam a amolecer as fezes, facilitar a evacuação e esvaziar o intestino, quebrando o ciclo de retenção e vazamento.

Tipos de medicamentos

  1. Laxantes osmóticos:
  2. O que são: São medicamentos que puxam água para o intestino, amolecendo as fezes e facilitando a evacuação. Eles não são absorvidos pelo corpo, então agem apenas no intestino.
  3. Exemplos:
    • Polietilenoglicol (PEG): É o laxante mais usado para crianças com encoprese. Ele vem em pó, que pode ser misturado em água ou suco, e não tem gosto ruim. Exemplos de marcas: Muvinlax, Laxol.
    • Lactulose: É um açúcar que não é absorvido pelo intestino e ajuda a amolecer as fezes. Tem um gosto doce, o que pode facilitar a aceitação pelas crianças. Exemplo de marca: Lactulona.
  4. Como funcionam: Eles começam a fazer efeito em 1 a 3 dias. A dose é ajustada de acordo com a resposta da criança: se as fezes estiverem muito moles, a dose é reduzida; se continuarem duras, a dose é aumentada.
  5. Efeitos colaterais: Podem causar gases, cólicas ou diarreia se a dose for muito alta. É importante seguir a orientação médica para ajustar a dose corretamente.

  6. Laxantes estimulantes:

  7. O que são: São medicamentos que estimulam os movimentos do intestino, ajudando a empurrar as fezes para fora. Eles são usados por curtos períodos, geralmente para esvaziar o intestino antes de começar o tratamento com laxantes osmóticos.
  8. Exemplos:
    • Bisacodil: Pode ser usado em comprimidos ou supositórios. Exemplo de marca: Dulcolax.
    • Senna: É um laxante natural, derivado de uma planta. Exemplo de marca: Tamarine.
  9. Como funcionam: Começam a fazer efeito em 6 a 12 horas (comprimidos) ou 15 a 60 minutos (supositórios).
  10. Efeitos colaterais: Podem causar cólicas, diarreia ou irritação no ânus. Não devem ser usados por longos períodos, pois podem levar à dependência.

  11. Suplementos de fibras:

  12. O que são: São suplementos que aumentam o volume das fezes e ajudam a regular o intestino. Eles são usados como complemento à alimentação rica em fibras.
  13. Exemplos:
    • Psyllium: É uma fibra natural que absorve água e aumenta o volume das fezes. Exemplo de marca: Metamucil.
    • Inulina: É uma fibra prebiótica que ajuda a regular o intestino. Exemplo de marca: Beneo.
  14. Como funcionam: Começam a fazer efeito em 1 a 3 dias. Devem ser tomados com bastante água para evitar obstrução intestinal.
  15. Efeitos colaterais: Podem causar gases ou inchaço abdominal se a criança não estiver acostumada com fibras.

  16. Probióticos:

  17. O que são: São bactérias “do bem” que ajudam a equilibrar a flora intestinal. Eles podem ser usados como complemento ao tratamento, especialmente se a criança tiver gases ou desconforto abdominal.
  18. Exemplos:
    • Lactobacillus: Exemplo de marca: Lacteol.
    • Bifidobacterium: Exemplo de marca: Floratil.
  19. Como funcionam: Começam a fazer efeito em algumas semanas. Eles ajudam a melhorar a saúde intestinal e podem reduzir sintomas como gases e inchaço.
  20. Efeitos colaterais: Geralmente são bem tolerados, mas podem causar gases nos primeiros dias.

Quanto tempo os medicamentos demoram para fazer efeito?

  • Laxantes osmóticos (PEG, lactulose): Começam a fazer efeito em 1 a 3 dias. O intestino pode levar algumas semanas para se regular completamente.
  • Laxantes estimulantes (bisacodil, senna): Fazem efeito em 6 a 12 horas (comprimidos) ou 15 a 60 minutos (supositórios). São usados por curtos períodos.
  • Suplementos de fibras (psyllium, inulina): Começam a fazer efeito em 1 a 3 dias.
  • Probióticos: Podem levar algumas semanas para fazer efeito.

Mitos sobre os medicamentos

Mito: “Laxantes viciam o intestino. Se a criança tomar, vai ficar dependente para sempre.”
Verdade: Os laxantes osmóticos (como o PEG) não viciam o intestino. Eles apenas ajudam a regular o funcionamento do intestino enquanto são usados. Quando a criança melhora, o médico reduz a dose gradualmente até suspender o medicamento.

Mito: “Laxantes fazem mal para a criança. É melhor resolver com alimentação.”
Verdade: Em casos de constipação grave, apenas a alimentação não é suficiente para resolver o problema. Os laxantes são seguros quando usados corretamente e ajudam a quebrar o ciclo de retenção e vazamento.

Mito: “Se a criança tomar laxante, vai ter diarreia o tempo todo.”
Verdade: Quando usados na dose certa, os laxantes não causam diarreia. O objetivo é que as fezes fiquem macias, mas não líquidas. Se a criança tiver diarreia, o médico ajustará a dose.

Dicas para dar medicamentos para crianças

  1. Explicar o motivo:
  2. Diga à criança que o remédio vai ajudar a “limpar a barriga” e fazer o cocô sair mais fácil, sem dor. Use uma linguagem que ela entenda, como: “Esse pozinho vai ajudar seu intestino a trabalhar direitinho, como um motorzinho.”

  3. Tornar o momento divertido:

  4. Use copos coloridos, canudos engraçados ou misture o remédio em um suco que a criança goste. Para crianças pequenas, você pode usar uma seringa (sem agulha) para dar o remédio na boca.

  5. Ser consistente:

  6. Dê o remédio sempre no mesmo horário, para criar uma rotina. Por exemplo, logo após o café da manhã ou antes de dormir.

  7. Elogiar o esforço:

  8. Elogie a criança quando ela tomar o remédio sem reclamar. Isso ajuda a criar uma associação positiva com o tratamento.

  9. Não desistir:

  10. Algumas crianças podem resistir no começo, mas com paciência e criatividade, elas acabam aceitando. Se a criança cuspir o remédio, tente novamente mais tarde ou converse com o médico sobre outras opções.

Psicoterapia

A psicoterapia é uma parte fundamental do tratamento da encoprese, especialmente quando há fatores emocionais ou comportamentais envolvidos. Ela ajuda a criança a lidar com a vergonha, a ansiedade e o estresse relacionados ao problema, além de trabalhar questões como autoestima e relacionamentos.

Abordagens com mais evidência

  1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC):
  2. O que é: É uma abordagem que ajuda a criança a identificar e mudar pensamentos e comportamentos negativos relacionados à encoprese. Por exemplo, se a criança acredita que “ninguém gosta de mim porque faço cocô na calça”, o terapeuta a ajuda a questionar essa ideia e a encontrar evidências do contrário.
  3. Como funciona:
    • Psicoeducação: O terapeuta explica para a criança (e para os pais) o que é a encoprese e como o tratamento funciona. Isso ajuda a reduzir a culpa e a vergonha.
    • Treinamento de habilidades: A criança aprende técnicas para reconhecer os sinais do corpo (como a vontade de fazer cocô) e para lidar com a ansiedade.
    • Exposição gradual: Se a criança tem medo de usar o banheiro, o terapeuta a ajuda a enfrentar esse medo passo a passo, começando com situações menos assustadoras (como sentar no vaso sanitário com a roupa) e avançando para situações mais desafiadoras (como fazer cocô no banheiro).
    • Reforço positivo: A criança é elogiada e recompensada por pequenos progressos, como sentar no vaso sanitário ou avisar quando precisa ir ao banheiro.
  4. Duração: Geralmente, são necessárias de 10 a 20 sessões, dependendo da gravidade do problema.

  5. Terapia familiar:

  6. O que é: É uma abordagem que envolve toda a família no tratamento. O objetivo é melhorar a comunicação, reduzir conflitos e ensinar os pais a lidar com a situação de forma mais eficaz.
  7. Como funciona:
    • Orientação aos pais: Os pais aprendem a evitar castigos ou broncas, que só pioram a situação. Em vez disso, eles são orientados a elogiar os progressos da criança e a manter uma rotina consistente para ir ao banheiro.
    • Resolução de conflitos: Se houver brigas frequentes por causa da encoprese, o terapeuta ajuda a família a encontrar formas mais saudáveis de lidar com o problema.
    • Apoio emocional: Os pais também recebem apoio para lidar com a frustração e o estresse causados pela situação.
  8. Duração: Pode variar de algumas sessões a vários meses, dependendo das necessidades da família.

  9. Terapia lúdica (para crianças pequenas):

  10. O que é: É uma abordagem que usa brincadeiras, desenhos e histórias para ajudar a criança a expressar seus sentimentos e a lidar com a encoprese.
  11. Como funciona:
    • Brincadeiras: O terapeuta usa bonecos, massinha ou jogos para simular situações relacionadas à encoprese, como ir ao banheiro ou lidar com o bullying na escola.
    • Desenhos: A criança é incentivada a desenhar como se sente em relação ao problema. Isso ajuda o terapeuta a entender suas emoções e a trabalhar questões como vergonha ou medo.
    • Histórias: O terapeuta conta histórias sobre personagens que passam por situações semelhantes à da criança, mostrando como eles superaram o problema.
  12. Duração: Geralmente, são necessárias de 10 a 15 sessões.

  13. Biofeedback:

  14. O que é: É uma técnica que ajuda a criança a aprender a controlar os músculos do ânus e do reto. É usada principalmente em casos em que a criança não consegue sentir quando precisa fazer cocô ou não consegue relaxar os músculos para evacuar.
  15. Como funciona:
    • Sensores: São colocados sensores no ânus da criança para medir a atividade dos músculos.
    • Exercícios: A criança aprende a contrair e relaxar os músculos corretamente, com a ajuda de um computador que mostra em tempo real como os músculos estão funcionando.
    • Prática: A criança pratica os exercícios em casa, até conseguir controlar os músculos sem a ajuda dos sensores.
  16. Duração: Geralmente, são necessárias de 5 a 10 sessões.

O que acontece em uma sessão de psicoterapia?

Cada abordagem tem suas particularidades, mas em geral, uma sessão de psicoterapia para encoprese segue este formato:

  1. Conversa inicial:
  2. O terapeuta pergunta como a criança está se sentindo e se houve algum progresso ou dificuldade desde a última sessão.

  3. Atividade principal:

  4. Dependendo da abordagem, pode ser uma conversa sobre pensamentos e sentimentos, uma brincadeira, um exercício de relaxamento ou uma atividade prática (como desenhar ou contar uma história).

  5. Tarefa de casa:

  6. O terapeuta passa uma tarefa para a criança praticar até a próxima sessão. Por exemplo:

    • “Vamos tentar sentar no vaso sanitário por 5 minutos depois do almoço, mesmo que não sinta vontade.”
    • “Vamos anotar em um caderno quando você sentir vontade de fazer cocô e se conseguiu chegar ao banheiro a tempo.”
  7. Feedback:

  8. O terapeuta elogia os progressos da criança e discute as dificuldades, buscando soluções em conjunto.

  9. Encerramento:

  10. A sessão termina com uma atividade leve, como uma brincadeira ou um exercício de relaxamento, para que a criança saia se sentindo bem.

Terapia individual vs. grupo vs. familiar

  1. Terapia individual:
  2. Para quem: Crianças que precisam trabalhar questões específicas, como vergonha, ansiedade ou baixa autoestima.
  3. Vantagens: A criança recebe atenção exclusiva do terapeuta e pode se abrir mais facilmente.
  4. Desvantagens: Pode ser mais cara e não envolve a família diretamente.

  5. Terapia em grupo:

  6. Para quem: Crianças que se beneficiam de saber que não estão sozinhas e que podem aprender com os outros.
  7. Vantagens: A criança percebe que outras crianças passam pelo mesmo problema, o que reduz a vergonha. Além disso, ela pode aprender estratégias com os colegas.
  8. Desvantagens: Nem todas as crianças se sentem confortáveis em compartilhar suas experiências em grupo.

  9. Terapia familiar:

  10. Para quem: Famílias que estão enfrentando conflitos ou dificuldades de comunicação por causa da encoprese.
  11. Vantagens: Envolve toda a família no tratamento, o que aumenta as chances de sucesso.
  12. Desvantagens: Pode ser desafiador reunir todos os membros da família para as sessões.

Quanto tempo dura a psicoterapia?

A duração da psicoterapia varia de acordo com a gravidade do problema e a resposta da criança ao tratamento. Em geral:
Casos leves: 5 a 10 sessões.
Casos moderados: 10 a 20 sessões.
Casos graves: 20 ou mais sessões, com acompanhamento a longo prazo.

É importante lembrar que a psicoterapia não é uma solução rápida. Ela exige paciência e consistência, tanto da criança quanto da família. Os progressos podem ser lentos no começo, mas com o tempo, a criança começa a se sentir mais confiante e a ter menos acidentes.


Mudanças no dia a dia

Além dos medicamentos e da psicoterapia, pequenas mudanças na rotina, na alimentação e nos hábitos da criança podem fazer uma grande diferença no tratamento da encoprese. Essas mudanças ajudam a regular o intestino, a reduzir a ansiedade e a criar uma rotina mais saudável.

Alimentação: o que ajuda e o que prejudica

A alimentação é uma das principais ferramentas para tratar a constipação e, consequentemente, a encoprese. Alguns alimentos ajudam a amolecer as fezes e a regular o intestino, enquanto outros podem piorar a constipação.

Alimentos que ajudam:
1. Fibras:
O que são: As fibras são partes dos alimentos que não são digeridas pelo corpo. Elas ajudam a aumentar o volume das fezes e a facilitar a evacuação.
Exemplos:
Frutas: Mamão, ameixa, pera com casca, laranja com bagaço, kiwi.
Verduras e legumes: Brócolis, couve, espinafre, abóbora, cenoura cozida.
Cereais integrais: Pão integral, arroz integral, aveia, granola.
Leguminosas: Feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha.
Dica: Introduza as fibras gradualmente na alimentação da criança, para evitar gases e desconforto abdominal.

  1. Água:
  2. Por que é importante: A água ajuda a amolecer as fezes e a facilitar a evacuação. Crianças com constipação devem beber pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia.
  3. Dicas:

    • Ofereça água ao longo do dia, mesmo que a criança não peça.
    • Evite sucos industrializados ou refrigerantes, que têm pouco valor nutricional e podem piorar a constipação.
    • Se a criança não gosta de água, ofereça água de coco, chás gelados (sem açúcar) ou água com rodelas de frutas (como limão ou laranja).
  4. Gorduras saudáveis:

  5. O que são: As gorduras saudáveis ajudam a lubrificar o intestino e a facilitar a passagem das fezes.
  6. Exemplos:

    • Azeite de oliva (pode ser usado em saladas ou no arroz).
    • Abacate.
    • Oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas).
    • Peixes (salmão, sardinha).
  7. Probióticos:

  8. O que são: São bactérias “do bem” que ajudam a equilibrar a flora intestinal.
  9. Exemplos:
    • Iogurte natural.
    • Kefir.
    • Leite fermentado (como Yakult).
    • Chucrute.

Alimentos que prejudicam:
1. Alimentos processados:
Exemplos: Salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets, salsicha.
Por que prejudicam: Eles são pobres em fibras e ricos em gorduras ruins, que deixam o intestino mais lento.

  1. Laticínios em excesso:
  2. Exemplos: Leite, queijo, iogurte (em grandes quantidades).
  3. Por que prejudicam: O leite de vaca pode causar constipação em algumas crianças, especialmente se consumido em excesso.

  4. Alimentos com baixo teor de fibras:

  5. Exemplos: Arroz branco, pão branco, macarrão comum, banana, maçã sem casca.
  6. Por que prejudicam: Eles não ajudam a regular o intestino e podem piorar a constipação.

  7. Bebidas com cafeína:

  8. Exemplos: Café, chá preto, refrigerantes à base de cola.
  9. Por que prejudicam: A cafeína pode desidratar o corpo e deixar as fezes mais duras.

Exemplo de cardápio para uma criança com encoprese:
Café da manhã: Vitamina de mamão com aveia e linhaça + pão integral com queijo branco.
Lanche da manhã: Pera com casca + água.
Almoço: Arroz integral + feijão + frango grelhado + salada de brócolis e cenoura + azeite de oliva.
Lanche da tarde: Iogurte natural com granola + kiwi.
Jantar: Sopa de legumes com carne moída + torrada integral.
Ceia: Mamão com sementes de chia.

Rotina para ir ao banheiro

Criar uma rotina para ir ao banheiro ajuda a treinar o intestino da criança e a evitar acidentes. O ideal é que a criança sente no vaso sanitário por alguns minutos após as refeições, mesmo que não sinta vontade. Isso porque o intestino costuma ficar mais ativo depois de comer, o que facilita a evacuação.

Dicas para criar a rotina:
1. Escolha horários fixos:
– Os melhores horários são após o café da manhã, almoço e jantar. Escolha um ou dois horários por dia para começar e vá aumentando gradualmente.

  1. Crie um ambiente confortável:
  2. Use um redutor de assento para que a criança se sinta segura no vaso sanitário.
  3. Coloque um banquinho sob os pés da criança para que ela fique em uma posição mais confortável (com os joelhos mais altos que o quadril).
  4. Deixe o banheiro aconchegante, com livros ou brinquedos para distrair a criança enquanto ela espera.

  5. Estabeleça um tempo limite:

  6. A criança deve ficar sentada no vaso sanitário por 5 a 10 minutos, mesmo que não faça cocô. Se ela fizer cocô antes desse tempo, pode sair. Se não fizer, deve esperar até o tempo acabar.

  7. Use reforço positivo:

  8. Elogie a criança quando ela sentar no vaso sanitário, mesmo que não faça cocô. Por exemplo: “Parabéns por ter tentado! Na próxima vez, vai dar certo.”
  9. Use um quadro de recompensas, onde a criança ganha adesivos ou estrelinhas por cada vez que sentar no vaso sanitário. Quando acumular um certo número de adesivos, ela ganha um prêmio (como um brinquedo ou um passeio especial).

  10. Evite pressa ou pressão:

  11. Não force a criança a ficar no banheiro se ela estiver chorando ou resistindo. Isso pode criar uma associação negativa com o banheiro.
  12. Se a criança tiver medo do vaso sanitário, comece com o penico ou deixe-a sentar com a roupa no começo.

Exemplo de rotina:
7h30: Café da manhã.
8h00: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.
12h30: Almoço.
13h00: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.
18h30: Jantar.
19h00: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.

Exercício físico

A atividade física estimula o movimento do intestino e ajuda a prevenir a constipação. Crianças com encoprese devem fazer pelo menos 60 minutos de atividade física por dia.

Exemplos de atividades:
1. Brincadeiras ao ar livre:
– Pular corda, andar de bicicleta, brincar de pega-pega, jogar bola.
2. Esportes:
– Natação, futebol, dança, judô.
3. Atividades em casa:
– Dançar, pular no trampolim, fazer circuitos com obstáculos.
4. Caminhadas:
– Caminhar com o cachorro, ir a pé para a escola (se for perto), passear no parque.

Dicas:
– Escolha atividades que a criança goste, para que ela se sinta motivada.
– Evite atividades muito competitivas, que podem aumentar a ansiedade.
– Se a criança não gosta de esportes, incentive brincadeiras ao ar livre ou atividades em família, como passeios de bicicleta.

Sono

O sono é fundamental para a saúde intestinal e para o bem-estar emocional da criança. Crianças com encoprese devem dormir de 9 a 12 horas por noite, dependendo da idade.

Dicas para uma boa noite de sono:
1. Rotina de sono:
– Estabeleça horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana.
– Crie uma rotina relaxante antes de dormir, como tomar um banho morno, ler um livro ou ouvir uma música calma.

  1. Ambiente confortável:
  2. O quarto deve ser escuro, silencioso e fresco.
  3. Evite telas (TV, tablet, celular) pelo menos 1 hora antes de dormir.

  4. Alimentação noturna:

  5. Evite alimentos pesados ou com cafeína antes de dormir.
  6. Ofereça um lanche leve, como uma fruta ou um copo de leite morno.

  7. Atividade física:

  8. A atividade física durante o dia ajuda a criança a dormir melhor à noite. No entanto, evite exercícios intensos perto da hora de dormir.

Manejo do estresse e da ansiedade

O estresse e a ansiedade podem piorar a encoprese, especialmente em crianças que já têm uma predisposição. Por isso, é importante ensinar a criança a lidar com essas emoções de forma saudável.

Técnicas para crianças:
1. Respiração profunda:
– Ensine a criança a respirar fundo pelo nariz, segurar o ar por alguns segundos e soltar pela boca. Isso ajuda a acalmar o corpo e a mente.
Exemplo: “Vamos imaginar que você é um balão. Quando você inspira, o balão enche. Quando você expira, o balão esvazia.”

  1. Relaxamento muscular:
  2. Ensine a criança a contrair e relaxar os músculos do corpo, um de cada vez. Isso ajuda a liberar a tensão.
  3. Exemplo: “Vamos apertar os pés como se estivéssemos pisando em uvas. Agora, vamos soltar e sentir os pés relaxados.”

  4. Visualização:

  5. Peça à criança que feche os olhos e imagine um lugar onde ela se sinta feliz e segura, como uma praia ou um parque. Ela deve descrever esse lugar em detalhes, como os sons, os cheiros e as cores.
  6. Exemplo: “Feche os olhos e imagine que você está na praia. O sol está quente, a areia é macia e você ouve o som das ondas. Como você se sente?”

  7. Expressão artística:

  8. Desenhar, pintar ou modelar com massinha pode ajudar a criança a expressar seus sentimentos e a aliviar o estresse.
  9. Exemplo: “Vamos desenhar como você está se sentindo hoje. Pode ser uma cor, um animal ou qualquer coisa que vier à sua mente.”

  10. Histórias e metáforas:

  11. Conte histórias ou use metáforas para ajudar a criança a entender e lidar com suas emoções.
  12. Exemplo: “Sabe quando a panela de pressão fica muito cheia e começa a chiar? É assim que você está se sentindo agora. Vamos abrir a válvula devagarinho para o vapor sair.”

Técnicas para pais:
1. Validação das emoções:
– Reconheça os sentimentos da criança e mostre que você entende. Por exemplo: “Eu sei que você está com vergonha de fazer cocô na calça. Isso deve ser muito difícil para você.”

  1. Modelagem:
  2. Mostre à criança como você lida com o estresse. Por exemplo: “Eu estou me sentindo estressado com o trabalho, então vou respirar fundo e tomar um copo de água.”

  3. Tempo de qualidade:

  4. Reserve um tempo todos os dias para brincar ou conversar com a criança, sem distrações. Isso ajuda a fortalecer o vínculo e a reduzir a ansiedade.

  5. Limites claros:

  6. Estabeleça regras claras e consistentes, mas com empatia. Por exemplo: “Eu sei que você não quer sentar no vaso sanitário agora, mas é importante tentar. Vamos fazer isso juntos.”

Tecnologia assistiva

Em alguns casos, a tecnologia pode ajudar no tratamento da encoprese. Aplicativos, jogos e dispositivos podem tornar o processo mais divertido e motivador para a criança.

Exemplos:
1. Aplicativos de reforço positivo:
Exemplo: “Poo Goes Home” é um jogo em que a criança ajuda um cocô a chegar ao banheiro. Cada vez que ela senta no vaso sanitário na vida real, ganha pontos no jogo.
Outro exemplo: “Potty Time” é um aplicativo que ensina a criança a reconhecer os sinais do corpo e a ir ao banheiro a tempo.

  1. Relógios ou alarmes:
  2. Exemplo: Um relógio que vibra ou toca em horários específicos para lembrar a criança de ir ao banheiro.
  3. Outro exemplo: Um alarme que toca quando a criança faz cocô na calça, para que ela aprenda a reconhecer os sinais do corpo.

  4. Sensores de umidade:

  5. Exemplo: Um sensor que é colocado na cueca da criança e emite um sinal sonoro quando detecta umidade. Isso ajuda a criança a perceber quando está fazendo cocô na calça.

  6. Livros interativos:

  7. Exemplo: Livros que ensinam sobre o funcionamento do intestino e a importância de ir ao banheiro, com atividades interativas e jogos.

Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de encoprese pode ser um alívio, mas também pode trazer dúvidas, medos e desafios. É normal que tanto a criança quanto a família passem por um período de adaptação. Nesta seção, vamos falar sobre como lidar com o diagnóstico no dia a dia, tanto para a pessoa com encoprese quanto para os familiares e amigos.


Para a pessoa com o diagnóstico

Se você é uma criança ou adolescente com encoprese, saiba que você não está sozinho. Muitas crianças passam pelo mesmo problema, e com o tratamento certo, é possível melhorar. Aqui estão algumas dicas para lidar com o diagnóstico:

1. Entenda que não é sua culpa

Muitas crianças com encoprese se sentem culpadas ou envergonhadas, como se estivessem fazendo algo errado. Mas a encoprese não é culpa sua. É um problema de saúde, assim como uma dor de cabeça ou uma gripe. Você não faz cocô na calça de propósito, e não há motivo para se sentir mal por isso.

Exemplo:
– Se você se sentir triste ou envergonhado, converse com seus pais ou com o psicólogo. Eles podem ajudar você a entender que não é culpa sua.

2. Converse sobre o que está sentindo

Guardar seus sentimentos só faz com que eles fiquem mais fortes. Converse com seus pais, irmãos, amigos ou psicólogo sobre como você está se sentindo. Pode ser difícil no começo, mas falar sobre o problema ajuda a aliviar a ansiedade e a vergonha.

Dicas para conversar:
– Escolha um momento tranquilo, quando você e a outra pessoa estiverem calmos.
– Use frases como: “Eu queria te contar uma coisa que está acontecendo comigo…” ou “Às vezes, eu me sinto triste porque…”
– Se for difícil falar, você pode escrever uma carta ou desenhar como está se sentindo.

3. Participe do tratamento

O tratamento da encoprese envolve várias etapas, como tomar remédios, ir ao banheiro em horários específicos e conversar com o psicólogo. Pode parecer chato no começo, mas é importante seguir as orientações para melhorar.

Dicas para se motivar:
– Crie um quadro de recompensas: a cada vez que você seguir o tratamento, ganhe um adesivo ou uma estrelinha. Quando acumular um certo número, ganhe um prêmio (como um brinquedo ou um passeio especial).
– Peça ajuda aos seus pais ou ao psicólogo para tornar o tratamento mais divertido. Por exemplo, você pode escolher um livro para ler enquanto está no banheiro ou ouvir uma música que goste.

4. Não deixe que a encoprese defina quem você é

A encoprese é apenas uma parte da sua vida, não tudo o que você é. Você é muito mais do que isso: é um filho, um irmão, um amigo, um aluno, um artista, um esportista… Não deixe que o problema te impeça de fazer as coisas que você gosta.

Exemplo:
– Se você gosta de jogar futebol, continue jogando. Se gosta de desenhar, continue desenhando. A encoprese não precisa te impedir de ser feliz.

5. Aprenda a lidar com os acidentes

Mesmo com o tratamento, os acidentes podem acontecer. Isso é normal e não significa que você está fazendo algo errado. O importante é saber como lidar com eles.

Dicas para lidar com os acidentes:
– Tenha sempre uma troca de roupa na mochila ou na bolsa dos seus pais.
– Se acontecer na escola, peça ajuda a um professor ou a um amigo de confiança.
– Não tente esconder a roupa suja. Isso pode piorar o cheiro e deixar a situação mais constrangedora.
– Lave-se bem depois do acidente, para evitar assaduras ou irritações na pele.

6. Peça ajuda quando precisar

Se você estiver se sentindo muito triste, ansioso ou envergonhado, peça ajuda. Converse com seus pais, com o psicólogo ou com um professor de confiança. Eles estão lá para te apoiar.

Exemplo:
– Se você estiver sendo zoado na escola por causa da encoprese, conte para seus pais ou para o psicólogo. Eles podem ajudar a resolver a situação.


Para familiares e amigos

Se você é pai, mãe, irmão, amigo ou parente de uma criança com encoprese, seu apoio é fundamental para o tratamento. Aqui estão algumas dicas para ajudar de forma efetiva:

1. Evite castigos ou broncas

Brigar ou castigar a criança só aumenta a ansiedade e a vergonha, piorando o problema. Lembre-se de que ela não está fazendo cocô na calça de propósito.

Exemplo do que NÃO fazer:
– “Você é um porcalhão! Não acredito que fez isso de novo!”
– “Se você não parar com isso, não vai mais brincar com seus amigos!”

Exemplo do que fazer:
– “Eu sei que isso é difícil para você. Vamos tentar de novo amanhã.”
– “Não tem problema. Vamos trocar de roupa e continuar o dia.”

2. Elogie os progressos

Mesmo que os progressos sejam pequenos, elogie a criança. Isso ajuda a aumentar a autoestima e a motivação.

Exemplos de elogios:
– “Parabéns por ter sentado no vaso sanitário! Isso foi muito corajoso da sua parte.”
– “Eu vi que você avisou quando sentiu vontade de fazer cocô. Isso é ótimo!”

3. Mantenha a calma

Lidar com a encoprese pode ser frustrante, especialmente quando os acidentes são frequentes. Mas é importante manter a calma e não descontar na criança.

Dicas para manter a calma:
– Respire fundo antes de reagir.
– Lembre-se de que a criança não está fazendo de propósito.
– Se estiver muito irritado, peça um tempo para se acalmar antes de conversar com a criança.

4. Crie uma rotina consistente

Crianças com encoprese se beneficiam de uma rotina previsível. Estabeleça horários fixos para as refeições, para ir ao banheiro e para as atividades do dia a dia.

Exemplo de rotina:
– 7h00: Acordar e tomar café da manhã.
– 7h30: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.
– 12h00: Almoçar.
– 12h30: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.
– 18h00: Jantar.
– 18h30: Sentar no vaso sanitário por 5 a 10 minutos.
– 20h00: Hora de dormir.

5. Converse com a escola

Se os acidentes acontecem na escola, converse com os professores para que eles saibam como lidar com a situação. Peça para que eles ajudem a criança a ir ao banheiro com mais frequência e a trocar de roupa sem chamar a atenção dos colegas.

Exemplo de como conversar com a escola:
– “Meu filho tem encoprese e está em tratamento. Às vezes, ele faz cocô na calça sem perceber. Vocês poderiam ajudá-lo a ir ao banheiro após as refeições e a trocar de roupa discretamente?”

6. Cuide de si mesmo

Cuidar de uma criança com encoprese pode ser estressante e cansativo. Não se esqueça de cuidar de si mesmo também.

Dicas para cuidar de si mesmo:
– Reserve um tempo para fazer coisas que você gosta, como ler, caminhar ou conversar com amigos.
– Converse com outras pessoas que passam pela mesma situação. Grupos de apoio para pais de crianças com encoprese podem ser muito úteis.
– Se estiver se sentindo sobrecarregado, procure ajuda de um psicólogo ou de um grupo de apoio.

7. Não compare a criança com outras

Cada criança é única e tem seu próprio ritmo. Não compare seu filho com outras crianças da mesma idade. O importante é que ele esteja progredindo, mesmo que seja devagar.

Exemplo do que NÃO fazer:
– “Olha o seu primo, ele já usa o banheiro sozinho há anos. Por que você não consegue?”

Exemplo do que fazer:
– “Eu sei que isso é difícil, mas você está se esforçando muito. Vamos continuar tentando.”

8. Explique para outras pessoas

Se outras pessoas, como avós, tios ou amigos, não entenderem o que é a encoprese, explique para elas. Isso ajuda a evitar comentários inadequados ou julgamentos.

Exemplo de como explicar:
– “A encoprese é um problema de saúde que faz com que a criança faça cocô na calça sem perceber. Não é falta de educação ou birra. Ele está em tratamento e estamos fazendo o possível para ajudá-lo.”


Quando os sintomas podem piorar?

Mesmo com o tratamento, alguns fatores podem fazer com que os sintomas da encoprese piorem temporariamente. É importante estar atento a esses momentos e saber como lidar com eles.

1. Estresse ou ansiedade

Situações de estresse ou ansiedade, como mudança de escola, separação dos pais ou bullying, podem piorar a encoprese.

Exemplo:
João, 7 anos: João começou a fazer cocô na calça com mais frequência depois que seus pais se separaram. Ele estava muito ansioso e não conseguia controlar o intestino.

Como lidar:
– Converse com a criança sobre o que está acontecendo e valide seus sentimentos.
– Mantenha a rotina o mais estável possível.
– Se necessário, procure ajuda de um psicólogo.

2. Mudanças na rotina

Mudanças na rotina, como viagens, férias ou mudança de casa, podem desestabilizar o tratamento.

Exemplo:
Maria, 6 anos: Maria estava indo muito bem no tratamento, mas depois de uma viagem de férias, voltou a fazer cocô na calça com frequência. Ela estranhou o banheiro do hotel e ficou ansiosa para usá-lo.

Como lidar:
– Tente manter os horários das refeições e de ir ao banheiro, mesmo durante viagens ou mudanças.
– Leve um redutor de assento portátil para usar em banheiros desconhecidos.
– Converse com a criança sobre as mudanças e tranquilize-a.

3. Doenças ou infecções

Doenças como gripes, infecções intestinais ou diarreia podem desregular o intestino e piorar a encoprese.

Exemplo:
Pedro, 5 anos: Pedro pegou uma virose e teve diarreia por alguns dias. Depois que melhorou, voltou a fazer cocô na calça com frequência.

Como lidar:
– Siga as orientações médicas para tratar a doença.
– Mantenha a criança hidratada e ofereça uma alimentação leve.
– Volte ao tratamento da encoprese assim que a criança estiver melhor.

4. Parar o tratamento abruptamente

Parar o tratamento da encoprese sem orientação médica pode fazer com que os sintomas voltem.

Exemplo:
Ana, 8 anos: Ana estava indo muito bem no tratamento, mas os pais decidiram parar o laxante porque acharam que ela já estava curada. Em poucas semanas, os acidentes voltaram.

Como lidar:
– Nunca pare o tratamento sem conversar com o médico.
– O médico irá reduzir a dose dos medicamentos gradualmente, até que a criança não precise mais deles.

5. Falta de consistência no tratamento

A falta de consistência no tratamento, como esquecer de dar o remédio ou não seguir a rotina de ir ao banheiro, pode fazer com que os sintomas piorem.

Exemplo:
Lucas, 6 anos: Os pais de Lucas esqueceram de dar o laxante por alguns dias e ele voltou a fazer cocô na calça com frequência.

Como lidar:
– Crie lembretes para não esquecer de dar o remédio ou de seguir a rotina.
– Use um quadro de recompensas para motivar a criança a seguir o tratamento.

Perguntas frequentes

Aqui estão algumas das perguntas mais comuns que pacientes e familiares fazem sobre a encoprese, com respostas detalhadas:

1. A encoprese tem cura?

Sim, a encoprese tem cura na maioria dos casos. Com o tratamento certo, que combina medicamentos, psicoterapia, mudanças na alimentação e na rotina, a maioria das crianças melhora significativamente ou até mesmo resolve o problema completamente. No entanto, o tempo de tratamento varia de criança para criança. Algumas melhoram em poucos meses, enquanto outras podem precisar de um acompanhamento mais longo.

Exemplo:
João, 5 anos: João começou o tratamento e, em três meses, já estava fazendo cocô no banheiro na maioria das vezes. Depois de seis meses, os acidentes pararam completamente.
Maria, 7 anos: Maria demorou um ano para melhorar, mas com paciência e consistência no tratamento, ela também conseguiu superar o problema.

É importante lembrar que a encoprese não é uma “doença” no sentido tradicional, mas sim um problema de saúde que pode ser resolvido com o tratamento adequado. O mais importante é não desistir e seguir as orientações médicas.

2. Meu filho faz cocô na calça de propósito?

Não, na grande maioria dos casos, a criança não faz cocô na calça de propósito. A encoprese é um problema de saúde, não uma birra ou falta de educação. Na maioria das vezes, a criança não percebe que está fazendo cocô na calça, especialmente quando há constipação e incontinência por extravasamento.

Exemplo:
Pedro, 6 anos: Pedro faz cocô na calça quase todos os dias, mas não percebe. Seus pais achavam que ele estava fazendo de propósito para irritá-los, mas depois de uma avaliação médica, descobriram que ele tinha constipação grave e que as fezes vazavam sem que ele sentisse.

Em casos raros, a criança pode usar a encoprese como uma forma de chamar a atenção ou de expressar sua rebeldia, especialmente se houver um transtorno opositivo-desafiador. No entanto, mesmo nesses casos, o problema precisa ser tratado com abordagens específicas, não com castigos ou broncas.

3. A encoprese é causada por problemas psicológicos?

A encoprese pode ter causas psicológicas, mas na maioria dos casos, ela começa com um problema físico, como a constipação. No entanto, fatores emocionais, como estresse, ansiedade ou traumas, podem desencadear ou piorar o problema.

Exemplo:
Ana, 5 anos: Ana começou a fazer cocô na calça depois que seus pais se separaram. Ela estava muito ansiosa e não conseguia controlar o intestino.
Lucas, 7 anos: Lucas sempre teve constipação, mas os acidentes pioraram depois que ele começou a ser zoado na escola por causa do problema.

Mesmo quando há um componente emocional, o tratamento precisa abordar tanto o físico quanto o psicológico. Por exemplo, se a criança tem constipação, ela precisará de laxantes e mudanças na alimentação, além de psicoterapia para lidar com a ansiedade.

4. Como posso ajudar meu filho a não ter vergonha?

A vergonha é um dos sentimentos mais comuns em crianças com encoprese. Para ajudá-las a lidar com isso, é importante:

  1. Normalizar o problema:
  2. Explique que a encoprese é um problema de saúde, como uma dor de cabeça ou uma gripe, e que muitas crianças passam pelo mesmo.
  3. Exemplo: “Eu sei que você está com vergonha, mas isso acontece com muitas crianças. Não é culpa sua.”

  4. Evitar comentários negativos:

  5. Não faça comentários como “Que nojo!” ou “Você é um porcalhão!”. Isso só aumenta a vergonha e a culpa.
  6. Exemplo: Em vez de dizer “Você fez cocô na calça de novo?”, diga “Vamos trocar de roupa e continuar o dia.”

  7. Elogiar os progressos:

  8. Elogie a criança quando ela seguir o tratamento ou tiver um dia sem acidentes. Isso ajuda a aumentar a autoestima.
  9. Exemplo: “Parabéns por ter sentado no vaso sanitário! Isso foi muito corajoso da sua parte.”

  10. Conversar sobre o problema:

  11. Incentive a criança a falar sobre como se sente. Pergunte: “Como você está se sentindo hoje?” ou “O que você acha que pode te ajudar a se sentir melhor?”
  12. Exemplo: “Eu sei que isso é difícil para você. Quer conversar sobre como está se sentindo?”

  13. Proteger a privacidade:

  14. Não conte para outras pessoas sobre os acidentes da criança sem a permissão dela. Isso ajuda a preservar sua privacidade e a reduzir a vergonha.
  15. Exemplo: Se a criança fizer cocô na calça na escola, peça para que os professores ajudem a trocar de roupa discretamente.

5. O que fazer quando meu filho faz cocô na calça na escola?

Os acidentes na escola são uma das situações mais constrangedoras para a criança. Veja como lidar com isso:

  1. Converse com a escola:
  2. Avise os professores sobre o problema e peça para que eles ajudem a criança a ir ao banheiro após as refeições e a trocar de roupa discretamente.
  3. Exemplo: “Meu filho tem encoprese e está em tratamento. Às vezes, ele faz cocô na calça sem perceber. Vocês poderiam ajudá-lo a ir ao banheiro após o lanche e a trocar de roupa sem chamar a atenção dos colegas?”

  4. Mande uma troca de roupa:

  5. Coloque uma troca de roupa (cueca, calça e meias) na mochila da criança, para que ela possa trocar caso aconteça um acidente.
  6. Exemplo: “Filho, eu coloquei uma troca de roupa na sua mochila. Se acontecer algum acidente, peça ajuda para a professora.”

  7. Ensine a criança a pedir ajuda:

  8. Ensine a criança a pedir ajuda a um professor ou a um amigo de confiança caso aconteça um acidente.
  9. Exemplo: “Se você fizer cocô na calça, não precisa ter vergonha. Peça ajuda para a professora, ela vai te ajudar a trocar de roupa.”

  10. Converse com a criança:

  11. Depois do acidente, converse com a criança sobre como ela está se sentindo e tranquilize-a.
  12. Exemplo: “Eu sei que isso foi difícil para você. Não tem problema, vamos tentar de novo amanhã.”

6. A encoprese pode afetar a vida adulta?

Se não for tratada, a encoprese pode ter consequências emocionais e sociais que afetam a vida adulta. Por exemplo:

  1. Baixa autoestima:
  2. Crianças que sofrem bullying ou que se sentem envergonhadas por causa da encoprese podem desenvolver baixa autoestima, que pode persistir na vida adulta.

  3. Ansiedade social:

  4. A vergonha e o medo de ter acidentes podem fazer com que a criança evite situações sociais, como dormir na casa de amigos ou participar de atividades em grupo. Isso pode levar a dificuldades de socialização na vida adulta.

  5. Problemas de relacionamento:

  6. Adultos que tiveram encoprese na infância podem ter dificuldades para se relacionar, especialmente em relacionamentos íntimos, por causa da vergonha ou do medo de serem julgados.

  7. Problemas de saúde:

  8. A constipação crônica, que é uma das causas da encoprese, pode levar a problemas de saúde na vida adulta, como hemorroidas, fissuras anais ou até mesmo câncer de cólon (em casos extremos).

No entanto, com o tratamento adequado, a maioria das crianças supera a encoprese e leva uma vida normal na vida adulta. O mais importante é procurar ajuda o quanto antes e seguir as orientações médicas.

7. Meu filho não quer tomar o remédio. O que fazer?

É comum que crianças resistam a tomar remédios, especialmente se eles tiverem um gosto ruim ou se forem difíceis de engolir. Veja algumas dicas para ajudar:

  1. Explique o motivo:
  2. Diga à criança que o remédio vai ajudar a “limpar a barriga” e fazer o cocô sair mais fácil, sem dor.
  3. Exemplo: “Esse pozinho vai ajudar seu intestino a trabalhar direitinho, como um motorzinho.”

  4. Torne o momento divertido:

  5. Use copos coloridos, canudos engraçados ou misture o remédio em um suco que a criança goste.
  6. Exemplo: “Vamos tomar o remédio com esse canudo de dinossauro! Quem consegue tomar tudo de uma vez?”

  7. Seja consistente:

  8. Dê o remédio sempre no mesmo horário, para criar uma rotina.
  9. Exemplo: “Todo dia depois do café da manhã, vamos tomar o remédio juntos.”

  10. Elogie o esforço:

  11. Elogie a criança quando ela tomar o remédio sem reclamar.
  12. Exemplo: “Parabéns por ter tomado o remédio! Você está ajudando seu intestino a ficar saudável.”

  13. Converse com o médico:

  14. Se a criança continuar resistindo, converse com o médico sobre outras opções, como remédios com sabor mais agradável ou em outra forma (como supositórios).

8. A encoprese pode voltar depois do tratamento?

Sim, em alguns casos, a encoprese pode voltar depois do tratamento, especialmente se a criança passar por situações de estresse, mudanças na rotina ou doenças. No entanto, se a família souber como lidar com esses momentos, os sintomas podem ser controlados mais rapidamente.

Exemplo:
Lucas, 8 anos: Lucas estava há seis meses sem acidentes, mas depois que sua avó faleceu, voltou a fazer cocô na calça. Seus pais o levaram de volta ao médico, que ajustou o tratamento e, em poucas semanas, os acidentes pararam novamente.

Como prevenir a recaída:
1. Mantenha uma rotina saudável:
– Mesmo depois que a criança melhorar, mantenha uma alimentação rica em fibras, uma rotina para ir ao banheiro e atividade física regular.

  1. Esteja atento a sinais de estresse:
  2. Se a criança estiver passando por uma situação estressante, como mudança de escola ou separação dos pais, fique atento a sinais de que a encoprese pode voltar.

  3. Não interrompa o tratamento abruptamente:

  4. Se a criança estiver tomando laxantes, não pare de dar o remédio sem orientação médica. O médico irá reduzir a dose gradualmente.

  5. Mantenha o acompanhamento médico:

  6. Mesmo depois que a criança melhorar, é importante fazer consultas de acompanhamento para garantir que o problema não volte.

9. Como explicar a encoprese para outras crianças?

Se a criança com encoprese tem irmãos ou amigos que não entendem o problema, pode ser útil explicar de uma forma simples e sem julgamentos.

Exemplo de como explicar:
– “O João tem um problema no intestino que faz com que ele às vezes faça cocô na calça sem perceber. Não é culpa dele, e ele está tomando remédio para melhorar. Nós podemos ajudá-lo sendo gentis e não zoando dele.”

Dicas:
– Use uma linguagem simples e adequada à idade da criança.
– Enfatize que não é culpa da criança com encoprese.
– Incentive os irmãos ou amigos a serem gentis e a oferecerem ajuda.

10. Onde posso encontrar apoio?

Lidar com a encoprese pode ser desafiador, mas você não está sozinho. Existem vários recursos que podem oferecer apoio:

  1. Profissionais de saúde:
  2. Pediatras, gastroenterologistas, psiquiatras infantis e psicólogos podem oferecer orientação e tratamento.

  3. Grupos de apoio:

  4. Grupos de apoio para pais de crianças com encoprese podem ser encontrados online ou em algumas cidades. Eles oferecem um espaço para compartilhar experiências e dicas.

  5. Livros e materiais educativos:

  6. Livros como “O Cocô do João” (de Guido van Genechten) ou “It’s No Accident” (de Steve Hodges) podem ajudar a explicar o problema para a criança e para a família.

  7. Associações e organizações:

  8. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Gastroenterologia Pediátrica (ABG) oferecem informações e recursos sobre encoprese.

  9. Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi):

  10. Os CAPSi são serviços do SUS que oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico para crianças e adolescentes. Eles podem ser uma opção para famílias que não têm acesso a tratamento particular.

Quando procurar ajuda urgente

A maioria dos casos de encoprese não é uma emergência médica, mas há algumas situações em que é importante procurar ajuda urgente. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

Sinais de alerta físicos

  1. Dor abdominal intensa:
  2. Se a criança estiver com dor abdominal forte, especialmente se a barriga estiver dura ou inchada, procure um médico imediatamente. Isso pode ser sinal de obstrução intestinal, que é uma emergência médica.

  3. Sangue nas fezes:

  4. Se a criança tiver sangue nas fezes, especialmente se for em grande quantidade ou se as fezes estiverem muito escuras (como borra de café), procure um médico. Isso pode ser sinal de fissura anal, hemorroidas ou outros problemas.

  5. Vômitos persistentes:

  6. Se a criança estiver vomitando repetidamente, especialmente se os vômitos forem em jato ou se ela não conseguir manter líquidos no estômago, procure um médico. Isso pode ser sinal de obstrução intestinal ou outra condição grave.

  7. Febre alta:

  8. Se a criança tiver febre alta (acima de 39°C) junto com dor abdominal ou vômitos, procure um médico imediatamente. Isso pode ser sinal de infecção ou outra condição grave.

  9. Perda de peso:

  10. Se a criança estiver perdendo peso sem motivo aparente, procure um médico. Isso pode ser sinal de que a constipação está afetando sua alimentação ou de que há outro problema de saúde.

Sinais de alerta emocionais

  1. Mudanças extremas de comportamento:
  2. Se a criança estiver extremamente irritada, agressiva ou apática, procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra infantil. Isso pode ser sinal de depressão ou ansiedade grave.

  3. Fala sobre morte ou suicídio:

  4. Se a criança falar sobre morte, suicídio ou se machucar, procure ajuda imediatamente. Isso é um sinal de que ela está sofrendo muito e precisa de apoio profissional.

  5. Isolamento social:

  6. Se a criança estiver evitando completamente o contato com outras pessoas, como amigos ou familiares, procure ajuda. Isso pode ser sinal de depressão ou ansiedade social.

  7. Autoagressão:

  8. Se a criança estiver se machucando de propósito, como batendo a cabeça na parede ou arranhando a pele, procure ajuda imediatamente. Isso pode ser sinal de um transtorno emocional grave.

Onde procurar ajuda urgente

  1. Pronto-socorro:
  2. Se a criança apresentar sinais de alerta físicos, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou febre alta, leve-a ao pronto-socorro mais próximo.

  3. CAPS ou CAPSi:

  4. Se a criança apresentar sinais de alerta emocionais, como fala sobre suicídio ou autoagressão, procure um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou um CAPSi. Esses serviços oferecem atendimento de urgência para questões de saúde mental.

  5. CVV (Centro de Valorização da Vida):

  6. Se a criança ou a família estiverem em crise emocional, o CVV oferece apoio por telefone, chat ou e-mail. O número é 188 (gratuito e 24 horas).

  7. SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência):

  8. Em casos de emergência, como dor abdominal intensa ou vômitos persistentes, ligue para o SAMU (192) para receber orientações e, se necessário, transporte para o hospital.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
  2. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  3. Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  4. Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Encoprese: diagnóstico e tratamento. 2020.
  6. Hodges, Steve. It’s No Accident: Breakthrough Solutions to Your Child’s Wetting, Constipation, UTIs, and Other Potty Problems. 2012.
  7. Brazelton, T. Berry. Toilet Training: The Brazelton Way. 2004.
  8. van Genechten, Guido. O Cocô do João. 2010.
  9. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Constipation in Children. 2018.
  10. Mayo Clinic. Encopresis: Symptoms and Causes. 2021.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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