Transtornos da identidade sexual (CID-10: F64)

Um guia completo para entender, conviver e buscar ajuda


O que é?

Imagine que, desde criança, você sente que nasceu no corpo errado. Não é uma questão de gostar de brincadeiras ou roupas associadas ao outro gênero — é algo mais profundo, como se sua mente e seu corpo estivessem em conflito constante. Você olha no espelho e não se reconhece. As pessoas te tratam como menino ou menina, mas você sabe, no fundo, que não é assim. Esse desconforto não passa com o tempo, não é uma fase, e pode trazer um sofrimento enorme.

Os Transtornos da Identidade Sexual (ou Disforia de Gênero, como é chamado em algumas classificações mais recentes) descrevem justamente essa desconexão entre o gênero com o qual a pessoa se identifica e o sexo que lhe foi atribuído ao nascer. Não se trata de uma escolha, uma moda ou um “capricho”. É uma experiência interna tão intensa que pode afetar todos os aspectos da vida: relacionamentos, trabalho, saúde mental e até a saúde física.

Como isso se diferencia de outras situações?

Muitas pessoas confundem identidade de gênero com orientação sexual ou com comportamentos de gênero. Vamos esclarecer:

  • Identidade de gênero é como você se sente por dentro: homem, mulher, ambos, nenhum, ou algo fora desse binário. É sobre quem você é.
  • Orientação sexual é por quem você sente atração: heterossexual, homossexual, bissexual, assexual, etc. É sobre por quem você se interessa.
  • Comportamentos de gênero são as roupas, brincadeiras ou papéis sociais que uma pessoa adota. Uma menina pode gostar de jogar futebol e um menino pode adorar ballet sem que isso signifique nada sobre sua identidade de gênero.

Por exemplo: uma mulher trans (pessoa que foi designada como homem ao nascer, mas se identifica como mulher) pode ser heterossexual (atraída por homens), homossexual (atraída por mulheres) ou bissexual. O que define sua identidade não é por quem ela se atrai, mas como ela se vê.

Outra confusão comum é com o fetichismo transvéstico, em que uma pessoa (geralmente homens heterossexuais) se excita sexualmente ao vestir roupas do gênero oposto. Nesse caso, não há uma identificação com o outro gênero — é apenas uma prática sexual. Já no transtorno da identidade sexual, a pessoa quer ser do outro gênero, não apenas se vestir como tal.

Quem é afetado?

Não há números exatos no Brasil, mas estudos internacionais estimam que 1 em cada 10.000 a 30.000 pessoas designadas como homens ao nascer e 1 em cada 30.000 a 100.000 pessoas designadas como mulheres ao nascer vivenciam disforia de gênero. No entanto, esses números podem estar subestimados, pois muitas pessoas não buscam ajuda por medo de preconceito.

  • Crianças: Os primeiros sinais costumam aparecer entre 2 e 4 anos, quando a criança começa a expressar desconforto com seu corpo ou com o gênero que lhe foi atribuído.
  • Adolescentes: A disforia pode se intensificar na puberdade, quando as mudanças corporais (como o crescimento dos seios ou da barba) tornam o desconforto ainda maior.
  • Adultos: Muitos só buscam ajuda na vida adulta, após anos de sofrimento em silêncio.

No Brasil, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) estima que existam cerca de 3 milhões de pessoas trans no país, mas apenas uma pequena parte tem acesso a tratamento adequado. A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, em grande parte devido à violência e à falta de acesso à saúde.

Um pouco de história

A ideia de que o gênero não é necessariamente igual ao sexo biológico não é nova. Em muitas culturas indígenas, por exemplo, existem papéis de gênero não-binários há séculos (como os Dois-Espíritos em povos nativos norte-americanos ou as Hijras na Índia).

Na medicina ocidental, porém, a disforia de gênero só começou a ser estudada no século XX. Nos anos 1950, o caso de Christine Jorgensen, uma mulher trans que passou por cirurgia de redesignação sexual na Dinamarca, chamou a atenção do mundo. Na época, a imprensa sensacionalista tratou o assunto como um “escândalo”, mas seu caso ajudou a abrir discussões sobre identidade de gênero.

No Brasil, a luta por direitos e reconhecimento ganhou força nas últimas décadas. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que pessoas trans alterassem seu nome e gênero no registro civil sem necessidade de cirurgia ou laudo médico. Em 2019, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer hormonioterapia e cirurgias de redesignação sexual gratuitamente.

Apesar desses avanços, o preconceito ainda é uma realidade cruel. Muitas pessoas trans são expulsas de casa, sofrem violência nas ruas ou têm dificuldade para conseguir emprego. Por isso, entender o que é a disforia de gênero não é apenas uma questão médica, mas também uma questão de direitos humanos.


Quais são os sintomas?

Para que um profissional de saúde mental faça o diagnóstico de Transtorno da Identidade Sexual (CID-10: F64), dois aspectos principais devem estar presentes:

  1. Uma identificação forte e persistente com o gênero oposto (ou com um gênero diferente do atribuído ao nascer).
  2. Um desconforto intenso com o próprio corpo ou com o papel de gênero esperado.

Além disso, esses sentimentos devem causar sofrimento significativo ou prejudicar a vida da pessoa. Vamos detalhar cada um desses pontos.


1. Identificação com o gênero oposto (Critério A)

Esse critério significa que a pessoa sente, de forma profunda e constante, que pertence ao gênero oposto (ou a um gênero diferente do que lhe foi atribuído). Não é apenas uma preferência passageira por roupas ou brincadeiras associadas ao outro gênero — é uma convicção interna de que seu verdadeiro eu é diferente do que seu corpo mostra.

Como isso aparece no dia a dia?

  • Em crianças:
  • Uma menina pode insistir que é um menino, dizendo frases como: “Eu sou um menino, não uma menina!” ou “Quando eu crescer, vou ter barba!”.
  • Um menino pode recusar brinquedos “de menino” (como carrinhos) e preferir bonecas, dizendo que quer ser mãe quando crescer.
  • A criança pode ficar muito chateada quando alguém a trata pelo gênero errado, mesmo que seja sem intenção.

  • Em adolescentes e adultos:

  • A pessoa pode fantasiar frequentemente sobre ser do outro gênero, imaginando como seria sua vida se tivesse nascido com o corpo certo.
  • Pode adotar comportamentos do gênero com o qual se identifica, como usar roupas íntimas do outro gênero em segredo ou mudar seu nome e pronomes entre amigos.
  • Em alguns casos, a pessoa tenta “passar” como do gênero desejado em situações sociais, mesmo que ainda não tenha feito transição médica.

O que é normal vs. o que é sintomático?

  • Normal: Uma menina gostar de jogar futebol ou um menino gostar de ballet não significa que eles tenham disforia de gênero. Muitas crianças experimentam papéis de gênero diferentes sem que isso reflita sua identidade.
  • Sintomático: Quando a criança insiste repetidamente que é do outro gênero, chora ou fica angustiada quando é tratada pelo gênero atribuído ao nascer, ou recusa categoricamente qualquer coisa associada ao seu gênero (como roupas ou brinquedos).

2. Desconforto com o próprio corpo ou papel de gênero (Critério B)

Esse é o aspecto mais doloroso da disforia de gênero. A pessoa sente um mal-estar profundo com seu corpo, com as expectativas sociais sobre seu gênero ou com a forma como os outros a veem.

Como isso aparece no dia a dia?

  • Desconforto com o corpo:
  • Crianças: Podem tentar esconder partes do corpo que as incomodam, como amarrar os seios com faixas ou evitar banhos de piscina para não mostrar o corpo.
  • Adolescentes: Muitas entram em depressão ou ansiedade intensa quando começam a desenvolver características sexuais secundárias (como seios ou barba), porque isso as afasta ainda mais do gênero com o qual se identificam.
  • Adultos: Alguns evitam olhar no espelho, não gostam de ser tocados em certas partes do corpo ou sentem nojo de seus órgãos genitais.

  • Desconforto com o papel de gênero:

  • A pessoa pode odiar quando alguém a trata pelo gênero errado, mesmo que seja algo simples, como ser chamada de “senhor” ou “senhora”.
  • Pode evitar situações sociais onde precise se apresentar de acordo com seu gênero atribuído (como festas de família ou ambientes de trabalho).
  • Em casos extremos, algumas pessoas deixam de sair de casa por medo de serem julgadas.

O que é normal vs. o que é sintomático?

  • Normal: Todo mundo tem dias em que não gosta de sua aparência (como se sentir gordo ou feio). Isso é passageiro e não causa sofrimento intenso.
  • Sintomático: Quando o desconforto com o corpo ou com o gênero atribuído é tão forte que interfere na vida diária, causando ansiedade, depressão ou até pensamentos suicidas.

3. Sofrimento significativo ou prejuízo na vida (Critério D)

Não basta apenas se identificar com outro gênero — é preciso que essa desconexão cause sofrimento real ou prejudique áreas importantes da vida, como:
Relacionamentos: Brigas com a família, isolamento social, dificuldade em manter amizades.
Trabalho ou escola: Baixo desempenho, faltas frequentes, demissão ou evasão escolar.
Saúde mental: Depressão, ansiedade, automutilação ou pensamentos suicidas.
Saúde física: Negligência com cuidados médicos (como evitar exames ginecológicos ou urológicos) ou uso de substâncias para aliviar a angústia.

Exemplos concretos:

  • Um adolescente trans pode parar de ir à escola porque não aguenta mais ser chamado pelo nome de registro.
  • Uma mulher trans pode evitar relacionamentos amorosos por medo de ser rejeitada.
  • Um homem trans pode desenvolver um transtorno alimentar para tentar “masculinizar” seu corpo.

Importante: Ter alguns sintomas não significa ter o diagnóstico

Muitas pessoas têm alguns desses sentimentos em algum momento da vida, mas isso não significa que tenham disforia de gênero. O que define o diagnóstico é:
Intensidade: O desconforto é tão forte que atrapalha a vida?
Persistência: Os sentimentos duram anos, não apenas algumas semanas ou meses?
Impacto: Causa sofrimento real ou prejuízo em áreas importantes da vida?

Se você ou alguém que você conhece se identifica com esses sintomas, não significa que “está doente” ou que “precisa ser consertado”. Significa que há um conflito entre o corpo e a mente, e que existem formas de aliviar esse sofrimento — seja por meio de terapia, hormônios, cirurgias ou simplesmente ser aceito como você é.


Como se manifesta no dia a dia?

Viver com disforia de gênero pode ser como usar uma roupa que não serve em você: você sabe que não é sua, mas não consegue tirar. Esse desconforto afeta todas as áreas da vida. Vamos ver como isso aparece na prática.


No trabalho ou na escola

  • Dificuldade em se apresentar: Muitas pessoas trans evitam ambientes profissionais ou escolares por medo de serem maltratadas. Algumas usam roupas que “disfarçam” seu corpo (como blusas largas para esconder os seios), o que pode ser desconfortável e limitante.
  • Assédio e discriminação: Infelizmente, muitas pessoas trans sofrem piadas, comentários maldosos ou até demissões injustas. No Brasil, 90% das pessoas trans já sofreram algum tipo de violência no trabalho, segundo a ANTRA.
  • Nome social: Mesmo quando a pessoa consegue mudar seu nome legalmente, muitos colegas ou professores insistem em usar o nome antigo, o que causa angústia. Algumas empresas e escolas já adotam o nome social (o nome pelo qual a pessoa quer ser chamada), mas ainda há resistência.
  • Banheiros: O simples ato de usar um banheiro público pode ser uma fonte de ansiedade. Muitas pessoas trans são questionadas ou até agredidas por usarem o banheiro do gênero com o qual se identificam.

Exemplo real:

“Eu trabalhava em uma loja e meus colegas insistiam em me chamar pelo nome antigo, mesmo depois que eu pedi para usarem meu nome social. Um dia, um cliente me chamou de ‘senhor’ na frente de todo mundo, e eu comecei a chorar no banheiro. Acabei pedindo demissão porque não aguentava mais.” — João, 28 anos, homem trans.


Nos relacionamentos

  • Família: Muitos pais e mães têm dificuldade em aceitar a identidade de gênero de seus filhos. Alguns negam o problema, outros culpam a pessoa (“Você está fazendo isso para me provocar!”), e há casos de expulsão de casa. No Brasil, 72% das pessoas trans já sofreram violência familiar, segundo a ANTRA.
  • Amizades: Alguns amigos se afastam por não entenderem ou por preconceito. Outros, mesmo querendo ajudar, não sabem como agir e acabam magoando sem querer (como usar o pronome errado por hábito).
  • Relacionamentos amorosos: Muitas pessoas trans têm medo de se relacionar por receio de rejeição. Algumas escondem sua identidade no início, o que pode gerar conflitos depois. Outras só se relacionam com pessoas que já as aceitam como são, o que limita suas opções.

Exemplo real:

“Minha mãe me expulsou de casa quando eu disse que era uma mulher trans. Ela disse que preferia ter um filho morto do que uma filha ‘viada’. Hoje, a gente não se fala. Eu morei na rua por um tempo até conseguir me reerguer.” — Maria, 30 anos, mulher trans.


Na rotina diária

  • Sono: A ansiedade e a depressão podem causar insônia ou sono excessivo. Algumas pessoas trans evitam dormir porque não querem acordar no corpo “errado”.
  • Alimentação: Muitas desenvolvem transtornos alimentares para tentar mudar seu corpo (como parar de comer para não desenvolver seios ou comer demais para ganhar músculos).
  • Autocuidado: Algumas pessoas deixam de ir ao médico por vergonha ou medo de serem maltratadas (como evitar exames ginecológicos ou urológicos).
  • Lazer: Muitas evitam atividades sociais (como ir à praia ou à academia) por medo de expor o corpo. Outras só se sentem à vontade em espaços LGBTQIA+.

Exemplo real:

“Eu odiava meu corpo. Quando eu era adolescente, eu amarrava meus seios com faixas para esconder. Cheguei a passar fome para não desenvolver curvas. Hoje, depois da transição hormonal, eu me olho no espelho e me reconheço. É como se eu tivesse voltado a respirar.” — Lucas, 25 anos, homem trans.


Na saúde física

A disforia de gênero não afeta apenas a mente — ela também pode ter impactos físicos:
Dor crônica: O estresse constante pode causar dores de cabeça, problemas digestivos e tensão muscular.
Doenças relacionadas ao estresse: Ansiedade e depressão podem levar a pressão alta, problemas cardíacos e enfraquecimento do sistema imunológico.
Automutilação: Algumas pessoas se cortam ou se machucam como forma de aliviar a angústia.
Uso de substâncias: Muitas recorrem a álcool, drogas ou medicamentos sem prescrição para tentar “esquecer” o desconforto.

Exemplo real:

“Eu comecei a me cortar quando tinha 14 anos. Não era para chamar atenção, era só uma forma de sentir algo diferente da dor que eu sentia por dentro. Hoje, depois de anos de terapia, eu consigo lidar melhor, mas ainda tenho dias difíceis.” — Ana, 22 anos, mulher trans.


O que causa essa condição?

A disforia de gênero não tem uma causa única. Assim como muitas outras características humanas, ela surge de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Vamos entender cada um deles.


1. Fatores genéticos: “Será que isso vem de família?”

Alguns estudos sugerem que a genética pode influenciar na identidade de gênero. Por exemplo:
– Gêmeos idênticos (que compartilham 100% dos genes) têm mais chances de ambos serem trans do que gêmeos não-idênticos.
– Pesquisas com animais mostram que alterações em certos genes podem afetar o comportamento de gênero.

Analogia:
Imagine que o cérebro é como um computador. Os genes são o hardware — a estrutura básica. Se o hardware vem “programado” de uma forma diferente do corpo, pode haver um conflito entre o que a pessoa sente e o que seu corpo mostra.

Mas atenção: Isso não significa que existe um “gene da transgeneridade”. A identidade de gênero é complexa e envolve muitos genes e fatores ambientais.


2. Fatores neurobiológicos: “O que acontece no cérebro?”

Algumas pesquisas mostram que o cérebro de pessoas trans pode ter semelhanças com o cérebro do gênero com o qual elas se identificam, mesmo antes de qualquer tratamento hormonal.

  • Estrutura cerebral: Estudos de ressonância magnética encontraram diferenças em áreas do cérebro relacionadas à autopercepção e identidade.
  • Hormônios pré-natais: Durante a gestação, a exposição a certos hormônios pode influenciar no desenvolvimento do cérebro e da identidade de gênero.

Analogia:
Pense no cérebro como uma caixa de som. Em algumas pessoas, a “música” que toca dentro da cabeça (a identidade de gênero) não combina com a “caixa” (o corpo). Não é que a música esteja “errada” — é que a caixa não foi feita para ela.


3. Fatores ambientais: “Será que é culpa da sociedade?”

A forma como a sociedade trata os papéis de gênero pode influenciar na expressão da disforia, mas não é a causa. Por exemplo:
Pressão social: Se uma criança é constantemente repreendida por gostar de coisas “do outro gênero”, ela pode reprimir seus sentimentos e sofrer mais.
Traumas: Abuso, bullying ou rejeição familiar podem piorar a disforia, mas não a causam.
Cultura: Em algumas culturas, a diversidade de gênero é aceita ou até celebrada (como as Hijras na Índia). Em outras, é reprimida, o que pode aumentar o sofrimento.

Importante: A disforia de gênero não é causada por “má educação” ou “influência de amigos”. Uma criança não “vira trans” porque viu um desenho ou porque seus pais a deixaram brincar com bonecas.


4. Fatores da gestação e desenvolvimento

Algumas pesquisas sugerem que fatores durante a gravidez podem influenciar na identidade de gênero, como:
Exposição a hormônios: Se a mãe teve contato com certas substâncias durante a gestação, isso pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê.
Estresse materno: Situações de estresse extremo durante a gravidez podem alterar a produção de hormônios e afetar o desenvolvimento fetal.

Analogia:
Imagine que o corpo e o cérebro são como duas peças de um quebra-cabeça. Em algumas pessoas, as peças não se encaixam perfeitamente desde o início. Não é culpa de ninguém — é apenas como a natureza “montou” aquela pessoa.


Mitos e verdades sobre as causas

Vamos desmistificar algumas ideias erradas:

Mito: “Pessoas trans são assim porque foram abusadas na infância.”
Verdade: Não há evidências de que abuso cause disforia de gênero. Muitas pessoas trans nunca sofreram abuso, e muitas pessoas que sofreram abuso não são trans.

Mito: “Isso é coisa de gente mimada ou que quer chamar atenção.”
Verdade: A disforia de gênero causa sofrimento real. Ninguém escolhe passar por isso.

Mito: “Se a criança for criada sem rótulos de gênero, ela não vai ser trans.”
Verdade: A identidade de gênero não é determinada pela educação. Crianças criadas em ambientes neutros podem ser trans, cisgênero (quando a identidade combina com o sexo atribuído ao nascer) ou não-binárias.

Mito: “Isso é uma moda ou influência da internet.”
Verdade: Pessoas trans existem há séculos, em todas as culturas. A internet apenas deu visibilidade a algo que sempre existiu.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de Transtorno da Identidade Sexual (F64) não é como fazer um exame de sangue e ter um resultado imediato. É um processo cuidadoso, que envolve conversas, avaliações e, acima de tudo, escuta.


Passo a passo do diagnóstico

  1. Primeira consulta:
  2. O profissional (psiquiatra, psicólogo ou endocrinologista) vai ouvir sua história com atenção. Não espere perguntas invasivas — o foco é entender como você se sente e como isso afeta sua vida.
  3. Alguns profissionais usam questionários para avaliar a intensidade da disforia.

  4. Avaliação psicológica:

  5. O profissional vai verificar se os sintomas persistem há muito tempo e se causam sofrimento real.
  6. Também vai descartar outras condições que podem causar confusão, como depressão, ansiedade ou transtornos de personalidade.

  7. Acompanhamento:

  8. Não é raro que o diagnóstico leve alguns meses, porque é importante ter certeza de que a disforia não é passageira.
  9. Em crianças, o acompanhamento é ainda mais cuidadoso, porque algumas podem não ser trans (elas podem ser apenas crianças que gostam de coisas “do outro gênero” sem que isso reflita sua identidade).

  10. Laudo para transição médica (se desejado):

  11. Se a pessoa quiser fazer hormonioterapia ou cirurgia, o profissional pode emitir um laudo confirmando o diagnóstico. No SUS, esse laudo é necessário para acessar os tratamentos.

Quem pode diagnosticar?

  • Psiquiatras: Podem fazer o diagnóstico e prescrever medicamentos, se necessário.
  • Psicólogos: Podem fazer o diagnóstico e oferecer terapia, mas não prescrevem remédios.
  • Endocrinologistas: Especialistas em hormônios, importantes para quem deseja fazer transição médica.

No SUS:
– Você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e pedir encaminhamento para um Centro de Referência em Saúde LGBTQIA+ ou um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).
– O processo pode ser demorado, mas é um direito seu ter acesso ao tratamento.

Na rede particular:
– O custo varia, mas muitos planos de saúde cobrem consultas com psiquiatras e psicólogos.
– Alguns profissionais oferecem atendimento social (com preços mais acessíveis).


O que esperar da primeira consulta?

  • Não tenha medo de ser honesto: O profissional está ali para ajudar, não para julgar.
  • Leve anotações: Se for difícil falar, escreva como você se sente e mostre ao médico.
  • Pergunte tudo: Não saia da consulta com dúvidas. Se não entender algo, peça para explicar de novo.

Diagnóstico diferencial: O que pode ser confundido?

Algumas condições podem parecer disforia de gênero, mas têm causas diferentes:

  1. Transtornos de personalidade:
  2. Algumas pessoas com transtorno de personalidade borderline podem ter confusão sobre sua identidade, mas isso costuma ser passageiro e relacionado a instabilidade emocional.

  3. Esquizofrenia:

  4. Em casos raros, pessoas com esquizofrenia podem ter delírios sobre seu gênero, mas isso costuma vir acompanhado de outros sintomas (como alucinações ou paranoia).

  5. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC):

  6. Algumas pessoas com TOC podem ter pensamentos intrusivos sobre seu gênero, mas isso causa ansiedade extrema, não uma identificação real.

  7. Orientação sexual egodistônica:

  8. Algumas pessoas não aceitam sua orientação sexual (como ser gay ou lésbica) e podem confundir isso com disforia de gênero. Mas a orientação sexual é sobre por quem você se atrai, não sobre quem você é.

Tratamento

A disforia de gênero não tem cura — porque não é uma doença. Mas existem formas de aliviar o sofrimento e ajudar a pessoa a viver de acordo com sua verdadeira identidade. O tratamento é personalizado: algumas pessoas optam por terapia, outras por hormônios, e outras por cirurgia. O importante é que a decisão seja sua, com apoio de profissionais.


1. Psicoterapia

A terapia é fundamental, seja qual for o caminho que você escolher. Ela ajuda a:
Entender seus sentimentos e lidar com a disforia.
Preparar-se para a transição (se for o caso).
Lidar com o preconceito e fortalecer sua autoestima.

Abordagens mais usadas

  1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC):
  2. Ajuda a identificar pensamentos negativos (como “Eu nunca vou ser feliz no meu corpo”) e substituí-los por outros mais realistas.
  3. Ensina técnicas para lidar com a ansiedade e o estresse.

  4. Terapia de aceitação e compromisso (ACT):

  5. Foca em aceitar os sentimentos difíceis sem deixar que eles controlem sua vida.
  6. Ajuda a agir de acordo com seus valores, mesmo com o desconforto.

  7. Terapia familiar:

  8. Importante para pais, parceiros e filhos que precisam entender e apoiar a pessoa trans.
  9. Ajuda a família a lidar com seus próprios sentimentos (como medo, culpa ou vergonha).

  10. Terapia de grupo:

  11. Conversar com outras pessoas trans pode ser muito reconfortante, porque você percebe que não está sozinho.
  12. Grupos de apoio existem em muitas cidades e online.

O que acontece numa sessão?
– No início, o terapeuta vai ouvir sua história e entender como a disforia afeta sua vida.
– Depois, vocês vão trabalhar juntos para encontrar estratégias que ajudem você a se sentir melhor.
– Não espere que a terapia “resolva” a disforia — o objetivo é aprender a conviver com ela da melhor forma possível.


2. Hormonioterapia

Para muitas pessoas trans, os hormônios são uma parte essencial da transição. Eles ajudam a desenvolver características do gênero desejado, aliviando a disforia.

Hormônios para mulheres trans (MTF – Male to Female)

  • Estrogênio: Hormônio feminino que promove:
  • Crescimento dos seios.
  • Redistribuição da gordura corporal (mais nos quadris e coxas).
  • Pele mais fina e menos oleosa.
  • Redução do crescimento de pelos faciais.
  • Antiandrógenos: Bloqueiam a testosterona, reduzindo:
  • Ereções espontâneas.
  • Libido.
  • Força muscular.

Efeitos colaterais possíveis:
– Aumento do risco de trombose (por isso, é importante fazer exames regulares).
– Alterações de humor (como irritabilidade ou tristeza).
– Ganho de peso.

Hormônios para homens trans (FTM – Female to Male)

  • Testosterona: Hormônio masculino que promove:
  • Crescimento de pelos faciais e corporais.
  • Engrossamento da voz.
  • Aumento da massa muscular.
  • Parada da menstruação.
  • Aumento do clitóris (que pode se assemelhar a um pequeno pênis).

Efeitos colaterais possíveis:
– Acne.
– Aumento do risco de doenças cardíacas (por isso, é importante monitorar a pressão arterial).
– Alterações de humor (como agressividade).

Importante:
– Os hormônios não são mágicos — os efeitos levam meses ou anos para aparecer.
– Eles não revertem características permanentes (como a altura ou a estrutura óssea).
– No SUS, a hormonioterapia é gratuita, mas pode haver fila de espera.


3. Cirurgias de redesignação sexual

Algumas pessoas optam por cirurgias para modificar seu corpo e aliviar a disforia. As mais comuns são:

Para mulheres trans (MTF)

  • Vaginoplastia: Criação de uma vagina a partir do pênis e escroto.
  • Mamoplastia: Aumento dos seios (se os hormônios não forem suficientes).
  • Cirurgia facial feminilizadora: Modificação dos ossos do rosto para um aspecto mais feminino.

Para homens trans (FTM)

  • Mastectomia: Remoção das mamas.
  • Histerectomia: Remoção do útero.
  • Faloplastia ou metoidioplastia: Criação de um pênis (a partir do clitóris ou de enxertos de pele).

Importante:
– As cirurgias não são obrigatórias. Muitas pessoas trans vivem bem sem elas.
– No SUS, as cirurgias são gratuita, mas a fila de espera pode ser longa (anos).
– É fundamental estar bem psicologicamente antes de fazer uma cirurgia, porque ela é irreversível.


4. Mudanças no dia a dia

Além dos tratamentos médicos, pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença:

Exercícios físicos

  • Para mulheres trans: Exercícios de alongamento e ioga podem ajudar a suavizar a postura e reduzir a tensão muscular.
  • Para homens trans: Musculação pode ajudar a desenvolver massa muscular e uma silhueta mais masculina.

Vestuário e aparência

  • Roupas que te deixem confortável: Não precisa seguir “regras” de gênero — use o que te faz sentir bem.
  • Cabelo: Um novo corte ou cor pode ajudar a se reconhecer no espelho.
  • Maquiagem e acessórios: Para algumas pessoas, isso ajuda a expressar sua identidade.

Nome social e pronomes

  • Peça para as pessoas usarem seu nome social (mesmo que ainda não tenha mudado legalmente).
  • Corrija com gentileza quando alguém errar seu pronome. Não é uma ofensa pessoal — é um hábito que leva tempo para mudar.

Rede de apoio

  • Converse com pessoas que te aceitam: Ter amigos e familiares que te apoiam faz toda a diferença.
  • Participe de grupos LGBTQIA+: Muitas cidades têm centros de acolhimento para pessoas trans.

Convivendo com o diagnóstico

Receber um diagnóstico de disforia de gênero pode ser assustador no começo, mas também pode ser o primeiro passo para viver de forma mais autêntica. Vamos ver como lidar com isso, tanto para a pessoa trans quanto para seus familiares e amigos.


Para a pessoa com o diagnóstico

  1. Não tenha pressa:
  2. Você não precisa fazer tudo de uma vez. A transição é um processo, não uma corrida.
  3. Algumas pessoas começam com mudanças sociais (nome, pronomes, roupas), outras preferem mudanças médicas (hormônios, cirurgias). Não há certo ou errado.

  4. Busque apoio profissional:

  5. Terapia, endocrinologista e grupos de apoio podem te ajudar a se sentir menos sozinho.
  6. No SUS, você tem direito a acompanhamento psicológico e médico gratuito.

  7. Cuide da sua saúde mental:

  8. A disforia pode causar ansiedade e depressão. Não ignore esses sentimentos.
  9. Se tiver pensamentos suicidas, procure ajuda imediatamente (CVV: 188).

  10. Construa uma rede de apoio:

  11. Nem todo mundo vai te entender, e tudo bem. Foque nas pessoas que te amam como você é.
  12. Se sua família não te aceita, busque amigos, grupos LGBTQIA+ ou profissionais de saúde.

  13. Celebre suas pequenas vitórias:

  14. Cada passo na sua transição é uma conquista. Seja usar um novo nome, começar hormônios ou simplesmente se olhar no espelho e se reconhecer.

Para familiares e amigos

  1. Escute mais, fale menos:
  2. Não tente convencer a pessoa de que ela está errada. Se ela diz que é trans, acredite nela.
  3. Pergunte: “Como posso te apoiar?” em vez de “Tem certeza disso?”.

  4. Use o nome e os pronomes corretos:

  5. Pode levar tempo para se acostumar, mas faz toda a diferença. Se errar, peça desculpas e corrija.
  6. Evite frases como “Mas você era tão bonita antes!” ou “Não parece um homem de verdade”.

  7. Informe-se:

  8. Leia sobre identidade de gênero, disforia e direitos das pessoas trans.
  9. Evite perguntas invasivas (como “Você já fez a cirurgia?”).

  10. Respeite o tempo da pessoa:

  11. Algumas pessoas querem transicionar rápido, outras preferem ir devagar. Não pressione.
  12. Se a pessoa não quiser falar sobre o assunto, respeite.

  13. Cuide de você também:

  14. Apoiar alguém trans pode ser emocionalmente desgastante. Busque terapia ou grupos de apoio para familiares.
  15. Não se culpe se não entender tudo de uma vez. O importante é estar presente.

Quando os sintomas podem piorar?

A disforia pode se intensificar em algumas situações:
Puberdade: Quando o corpo começa a mudar de forma irreversível.
Eventos sociais: Festas de família, casamentos ou situações em que a pessoa precisa se apresentar de acordo com seu gênero atribuído.
Relacionamentos: Quando a pessoa se apaixona e tem medo de ser rejeitada.
Mudanças no corpo: Como engordar, emagrecer ou envelhecer.

O que fazer nesses momentos?
Busque apoio: Converse com um terapeuta ou com pessoas que te entendem.
Pratique autocuidado: Faça coisas que te deixem feliz, mesmo que pequenas.
Lembre-se: A disforia não define quem você é. Você é muito mais do que seu corpo.


Perguntas frequentes

1. “Ser trans é uma doença mental?”

Não. A disforia de gênero não é uma doença, mas o sofrimento causado pela desconexão entre corpo e mente pode ser tratado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade da lista de transtornos mentais em 2018, classificando-a como uma condição relacionada à saúde sexual.

2. “Crianças podem ser trans?”

Sim. Muitas crianças desde muito cedo expressam desconforto com seu gênero atribuído. Estudos mostram que a maioria das crianças trans continua se identificando como trans na vida adulta, especialmente quando têm apoio familiar.

No entanto, algumas crianças podem experimentar papéis de gênero diferentes sem que isso reflita sua identidade. Por isso, o acompanhamento psicológico é importante.

3. “Hormônios e cirurgias são obrigatórios para ser trans?”

Não. Ser trans não depende de tratamentos médicos. Algumas pessoas optam por não fazer hormônios ou cirurgias, e isso não as torna “menos trans”.

O importante é como a pessoa se sente, não o que ela faz com seu corpo.

4. “Como saber se meu filho é trans?”

Não existe um “teste” para saber, mas alguns sinais podem indicar disforia:
Insistência repetida de que é do outro gênero.
Desconforto intenso com seu corpo (como recusar banhos ou evitar olhar no espelho).
Tristeza ou raiva quando é tratado pelo gênero atribuído ao nascer.

Se você notar esses sinais, procure um psicólogo especializado em identidade de gênero. Evite forçar a criança a se conformar com seu gênero atribuído — isso pode causar sofrimento a longo prazo.

5. “Posso mudar de ideia depois de começar a transição?”

Sim. A transição é um processo pessoal, e algumas pessoas podem reavaliar suas decisões ao longo do caminho.

  • Mudanças sociais (nome, pronomes, roupas) são reversíveis.
  • Hormônios têm efeitos parcialmente reversíveis (como a voz, que pode não voltar ao normal).
  • Cirurgias são irreversíveis, por isso é importante estar seguro antes de fazê-las.

Se você começar a transição e perceber que não era o que queria, não há problema em parar. O importante é o que te faz feliz.

6. “Como lidar com o preconceito?”

Infelizmente, o preconceito ainda é uma realidade para muitas pessoas trans. Algumas estratégias para lidar com isso:
Busque ambientes seguros: Trabalhe, estude e conviva com pessoas que te respeitam.
Denuncie: No Brasil, a Lei 7.716/89 criminaliza a discriminação por identidade de gênero. Você pode denunciar em delegacias ou no Disque 100.
Fortaleça sua autoestima: Terapia, grupos de apoio e hobbies podem ajudar a não internalizar o ódio alheio.
Lembre-se: O problema não é você, é o preconceito.

7. “O SUS cobre tratamentos para pessoas trans?”

Sim. O SUS oferece:
Acompanhamento psicológico.
Hormonioterapia.
Cirurgias de redesignação sexual (como mastectomia, histerectomia e vaginoplastia).
Acompanhamento com endocrinologista.

O problema é que as filas de espera podem ser longas (anos, em alguns casos). Por isso, muitas pessoas buscam tratamento particular ou clínicas especializadas.

8. “Posso ser trans e não sentir disforia?”

Sim. Algumas pessoas trans não sentem desconforto intenso com seu corpo, mas ainda assim se identificam com outro gênero. Isso não as torna “menos trans”.

A disforia é um critério médico, mas não é obrigatória para que alguém seja trans.

9. “Como explicar para as crianças que um familiar é trans?”

  • Seja honesto, mas simples: “O tio João agora é a tia Joana. Ele se sente melhor assim.”
  • Use livros e desenhos: Existem muitos materiais infantis sobre diversidade de gênero.
  • Responda às perguntas: Se a criança perguntar “Por que?”, explique que algumas pessoas nascem com um corpo que não combina com o que sentem por dentro.
  • Evite mentiras: Dizer que “é só uma fase” pode confundir a criança e fazer com que ela não confie em você depois.

10. “O que fazer se eu me arrepender da transição?”

O arrependimento é raro, mas pode acontecer. Se você sentir que tomou uma decisão errada, procure:
Um terapeuta: Para entender seus sentimentos e avaliar suas opções.
Um médico: Para discutir a possibilidade de reverter tratamentos (como parar os hormônios).
Apoio emocional: Converse com pessoas de confiança ou grupos de apoio.

Lembre-se: não há vergonha em mudar de ideia. O importante é o que te faz feliz.


Quando procurar ajuda urgente

A disforia de gênero pode causar sofrimento intenso, e em alguns casos, é necessário buscar ajuda imediatamente. Procure um pronto-socorro ou ligue para o CVV (188) se você ou alguém que você conhece apresentar:

Sinais de alerta

⚠️ Pensamentos suicidas:
– Falar em se machucar ou morrer.
– Dizer frases como “Não aguento mais” ou “Seria melhor se eu não existisse”.
Planos concretos de suicídio (como pesquisar métodos ou se despedir das pessoas).

⚠️ Automutilação:
– Cortes, queimaduras ou machucados frequentes.
– Uso de álcool ou drogas para aliviar a dor emocional.

⚠️ Depressão grave:
Não conseguir sair da cama por dias.
Perder o interesse em tudo (comida, amigos, hobbies).
Chorar sem motivo aparente ou se sentir vazio por dentro.

⚠️ Ansiedade extrema:
Crises de pânico (falta de ar, coração acelerado, medo de morrer).
Evitar sair de casa por medo de ser julgado.

⚠️ Negligência com a saúde:
Parar de comer ou comer demais.
Não tomar remédios importantes (como hormônios ou medicamentos para outras condições).
Evitar médicos por vergonha ou medo.

O que fazer nesses casos?

  • Ligue para o CVV (188): O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito 24 horas.
  • Procure um pronto-socorro: Se a pessoa estiver em risco imediato, leve-a a um hospital.
  • Não deixe a pessoa sozinha: Fique por perto até que ela esteja segura.
  • Busque ajuda profissional: Um psiquiatra ou psicólogo pode ajudar a lidar com a crise.

Lembre-se: Você não está sozinho. Existem pessoas que querem te ajudar, mesmo que pareça impossível agora.


Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Dossiê dos Assassinatos e da Violência contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2022.
  • Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 01/2018 (sobre atendimento psicológico a pessoas trans).
  • WPATH (World Professional Association for Transgender Health). Standards of Care for the Health of Transgender and Gender Diverse People, 8ª ed., 2022.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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