O que é?
Imagine que você está em um supermercado, olhando para uma barra de chocolate que custa apenas alguns reais. Você não está com fome, nem precisa daquele chocolate – na verdade, você tem dinheiro suficiente para comprar várias barras. Mesmo assim, algo dentro de você parece te empurrar para colocá-lo no bolso. Não é porque você quer o chocolate, nem porque não pode pagar. É como se uma força invisível tomasse conta de você, e antes que perceba, já está saindo da loja com o doce escondido. Depois vem a culpa, a vergonha, o medo de ser pego. Você jura que nunca mais fará isso, mas dias depois, o mesmo impulso volta.
Essa experiência, vivida de forma recorrente e incontrolável, é o que caracteriza a cleptomania. Não se trata de um simples “furto por necessidade” ou “roubo por rebeldia”, mas sim de um transtorno mental reconhecido, onde a pessoa sente um impulso irresistível de roubar objetos que, na maioria das vezes, não têm valor prático ou financeiro para ela. O ato de furtar não é planejado, não visa lucro, nem é uma forma de protesto ou vingança. É como se o cérebro da pessoa estivesse programado para buscar aquele alívio momentâneo que o furto proporciona, mesmo que depois venha o arrependimento.
A cleptomania faz parte de um grupo de condições chamadas Transtornos do Controle de Impulsos (TCI). Esses transtornos têm em comum a dificuldade de resistir a um impulso, mesmo quando a pessoa sabe que aquilo pode trazer consequências negativas. Outros exemplos de TCI incluem a piromania (impulso de atear fogo), o transtorno explosivo intermitente (crises de raiva incontroláveis) e a tricotilomania (impulso de arrancar cabelos ou pelos). O que diferencia a cleptomania é justamente esse foco específico no ato de furtar.
Como a cleptomania se diferencia de outros comportamentos?
Muitas pessoas confundem cleptomania com simples “roubo”. Mas há diferenças fundamentais:
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Motivação: No roubo comum, a pessoa quer o objeto (por necessidade, valor ou status). Na cleptomania, o objeto em si não importa – o que move a pessoa é o ato de furtar. É como se o cérebro buscasse aquela “descarga” de adrenalina e alívio que vem com o furto, não o objeto roubado.
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Planejamento: Ladrões comuns planejam seus furtos, escolhem alvos valiosos e tomam precauções para não serem pegos. Quem tem cleptomania age por impulso, muitas vezes em situações onde seria fácil ser flagrado. Não há estratégia, apenas uma necessidade urgente que precisa ser satisfeita na hora.
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Sentimentos após o ato: Enquanto um ladrão profissional pode sentir satisfação ou indiferença após um furto bem-sucedido, a pessoa com cleptomania geralmente sente culpa, vergonha e arrependimento intensos. Muitas vezes, ela nem usa ou guarda o que roubou – pode até jogar fora ou devolver depois.
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Consequências: Ladrões comuns podem continuar roubando se não forem pegos. Quem tem cleptomania geralmente quer parar, mas não consegue. O sofrimento emocional é tão grande que muitas pessoas buscam ajuda justamente por não aguentarem mais viver com aquela culpa constante.
Quem é afetado pela cleptomania?
A cleptomania é um transtorno raro. Estudos sugerem que ela afeta entre 0,3% e 0,6% da população geral – ou seja, de cada 1000 pessoas, apenas 3 a 6 teriam o diagnóstico. No entanto, esse número pode estar subestimado, já que muitas pessoas têm vergonha de admitir o problema.
Alguns dados importantes sobre quem é mais afetado:
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Gênero: As mulheres são mais diagnosticadas com cleptomania do que os homens, em uma proporção de 3 para 1. Isso não significa necessariamente que as mulheres tenham mais o transtorno, mas pode refletir diferenças na busca por tratamento ou na forma como a sociedade lida com furtos cometidos por homens e mulheres.
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Idade: Os sintomas geralmente começam no final da adolescência ou início da idade adulta, por volta dos 16 aos 20 anos. É raro o início na infância ou após os 35 anos. Quando aparece mais tarde, costuma estar associado a outros problemas de saúde mental.
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Presos por furtos: Entre pessoas presas por furtos em lojas, estima-se que 4% a 24% tenham cleptomania. Isso mostra que, embora o transtorno seja raro na população geral, ele é relativamente comum entre quem é pego roubando.
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Comorbidades: A cleptomania raramente vem sozinha. Ela costuma aparecer junto com outros transtornos mentais, como depressão, ansiedade, transtornos alimentares (especialmente bulimia), transtorno bipolar e dependência química. Estudos mostram que até 24% das pessoas com bulimia também têm cleptomania em algum momento da vida.
No Brasil, não temos dados específicos sobre a prevalência da cleptomania, mas sabemos que os transtornos do controle de impulsos são subdiagnosticados no país. Muitas pessoas só buscam ajuda quando já estão com problemas legais ou quando o sofrimento emocional se torna insuportável. Além disso, o estigma em torno de furtos faz com que muitas pessoas escondam seus sintomas por anos, às vezes décadas.
Um pouco de história
A cleptomania nem sempre foi reconhecida como um transtorno mental. No início do século XIX, quando o termo foi criado (do grego kleptein, “roubar”, e mania, “loucura”), acreditava-se que era um problema exclusivo de mulheres ricas que roubavam por “capricho”. Essa visão preconceituosa persistiu por muito tempo, associando a cleptomania a uma suposta “fraqueza moral” ou “histeria feminina”.
Foi só em 1980, com a publicação do DSM-III (o manual diagnóstico americano), que a cleptomania passou a ser oficialmente reconhecida como um transtorno mental. Antes disso, ela aparecia de forma vaga em manuais anteriores ou era completamente ignorada. Mesmo assim, durante décadas, muitos profissionais de saúde mental duvidavam de sua existência, tratando-a como um simples “roubo por falta de caráter”.
Hoje, graças a estudos científicos, sabemos que a cleptomania é um transtorno real, com bases biológicas e psicológicas. Neurocientistas já identificaram alterações em áreas do cérebro relacionadas ao controle de impulsos em pessoas com o diagnóstico. Além disso, pesquisas mostram que a cleptomania responde a tratamentos específicos, como medicamentos e terapia cognitivo-comportamental, o que reforça sua natureza de transtorno mental, não de “falta de vergonha na cara”.
Quais são os sintomas?
Para entender a cleptomania, é fundamental conhecer seus sintomas principais. Segundo o DSM-5 (o manual diagnóstico usado por psiquiatras), existem cinco critérios que definem o transtorno. Vamos explicar cada um deles em detalhes, com exemplos do dia a dia e esclarecendo o que é normal versus o que é sintomático.
Critério A: Fracasso recorrente em resistir aos impulsos de furtar objetos desnecessários
Tradução para linguagem leiga: A pessoa não consegue evitar roubar coisas que, na verdade, não precisa nem quer. Não é um furto planejado para obter algo útil ou valioso – é como se o cérebro “exigisse” aquele ato, mesmo que a pessoa saiba que não faz sentido.
Exemplos concretos:
– Maria tem um bom emprego e dinheiro no banco. Mesmo assim, toda vez que vai à farmácia, sente uma necessidade irresistível de pegar um batom ou um sabonete líquido. Ela nem usa esses produtos – depois do furto, joga tudo no lixo ou guarda em uma gaveta que nunca abre.
– João está no trabalho quando passa por uma sala vazia e vê um grampeador em cima da mesa. Ele não precisa de um grampeador (tem dois em casa), mas algo dentro dele diz: “Pega!”. Ele resiste por alguns minutos, mas acaba colocando o objeto na mochila. No caminho para casa, sente vergonha e joga o grampeador em uma lixeira na rua.
– Ana está em um supermercado e vê uma lata de ervilhas. Ela não gosta de ervilhas, nem está fazendo nenhuma receita que as use. Mesmo assim, coloca a lata na bolsa. Depois, quando chega em casa, fica olhando para a lata por horas, sem saber o que fazer com ela.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Você vê algo que gosta e não tem dinheiro para comprar naquele momento. Então, planeja economizar para comprar depois ou pede emprestado. Ou, em um momento de rebeldia adolescente, você pega algo pequeno de uma loja “para testar limites”, mas nunca mais faz isso.
– Sintomático: Você rouba coisas que não precisa, não quer e nem usa. O ato de furtar se repete várias vezes, mesmo que você tente parar. Não é uma questão de dinheiro – você tem condições de comprar o que rouba, mas algo dentro de você “exige” que você pegue.
Critério B: Sentimento aumentado de tensão imediatamente antes da realização do furto
Tradução para linguagem leiga: Antes de roubar, a pessoa sente uma ansiedade crescente, como se algo dentro dela estivesse “apertando”. É uma sensação física e emocional de urgência, quase como se o corpo estivesse se preparando para uma corrida.
Exemplos concretos:
– Carla está em uma loja de roupas e vê um cachecol. Ela não precisa de um cachecol (já tem vários em casa), mas quando pensa em pegá-lo, sente o coração acelerar, as mãos suarem e uma sensação de “pressa” tomar conta dela. É como se seu corpo estivesse dizendo: “Faça isso agora, ou algo ruim vai acontecer”.
– Pedro está em um mercado e passa pela seção de doces. Ele não está com fome, mas quando vê uma barra de chocolate, sente uma tensão no peito, como se estivesse prestes a fazer algo proibido. A sensação é tão forte que ele precisa se afastar, mas acaba voltando e pegando o chocolate.
– Sofia está em uma livraria e vê um caderno bonito. Ela não precisa de um caderno novo, mas quando pensa em pegá-lo, sente uma onda de adrenalina, como se estivesse prestes a pular de paraquedas. A sensação é tão intensa que ela mal consegue pensar em outra coisa.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Você sente uma leve ansiedade antes de fazer algo arriscado, como pedir aumento ao chefe ou confessar um sentimento. Essa ansiedade é proporcional à situação e passa depois que você age.
– Sintomático: A tensão é desproporcional ao ato. Você sente como se estivesse prestes a fazer algo perigoso ou proibido, mesmo que seja apenas pegar um objeto pequeno e sem valor. Essa sensação é física (coração acelerado, suor, tremores) e emocional (urgência, medo de não conseguir resistir).
Critério C: Prazer, satisfação ou alívio no momento de cometer o furto
Tradução para linguagem leiga: No exato momento em que a pessoa pega o objeto, ela sente uma “descarga” de prazer ou alívio, como se um peso enorme tivesse sido tirado de suas costas. É uma sensação intensa, mas passageira – dura apenas alguns segundos ou minutos.
Exemplos concretos:
– Quando Laura finalmente coloca o brinco que estava olhando na bolsa, ela sente uma onda de alívio, como se tivesse tirado um fardo das costas. Por um breve momento, tudo parece certo no mundo. Mas logo depois, vem a culpa.
– No instante em que Ricardo esconde o chaveiro na mão e sai da loja, ele sente uma euforia momentânea, como se tivesse ganhado na loteria. É uma sensação física de prazer, quase como um orgasmo. Mas assim que chega na rua, a realidade bate e ele se sente envergonhado.
– Quando Amanda pega o pacote de canetas na papelaria, ela sente uma satisfação imediata, como se tivesse resolvido um problema enorme. É como se seu cérebro dissesse: “Pronto, agora está tudo bem”. Mas minutos depois, ela se pergunta: “Por que eu fiz isso?”.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Você sente satisfação ao conseguir algo que queria, como comprar um presente para alguém ou alcançar uma meta. Essa sensação é proporcional ao esforço e dura um tempo razoável.
– Sintomático: O prazer é intenso, mas extremamente breve. É como se seu cérebro estivesse “viciado” naquela sensação de alívio momentâneo. Depois, vem a culpa, a vergonha e a sensação de vazio.
Critério D: O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança, nem ocorre em resposta a um delírio ou alucinação
Tradução para linguagem leiga: A pessoa não rouba porque está com raiva de alguém, nem porque ouve vozes mandando fazer isso, nem porque acredita em coisas irreais (como achar que o objeto é seu por direito). O furto acontece por causa daquele impulso incontrolável, não por outros motivos.
Exemplos concretos:
– Não é cleptomania: Marcos rouba o celular do chefe porque está com raiva dele por ter sido demitido. Ele quer se vingar e não sente culpa depois.
– Não é cleptomania: Joana ouve vozes que dizem: “Pegue aquele colar, ele é seu por direito”. Ela acredita que o colar pertence a ela por uma razão mágica ou espiritual.
– É cleptomania: Fernanda pega um livro na livraria sem motivo aparente. Ela não está com raiva de ninguém, não ouve vozes e não acredita que o livro seja dela. Ela simplesmente sentiu aquele impulso e não conseguiu resistir.
Normal vs. Sintomático:
– Normal: Você pode pegar algo sem pagar em um momento de raiva ou desespero (por exemplo, roubar comida porque está com fome e não tem dinheiro). Mas nesses casos, há uma motivação clara e você não sente aquele ciclo de tensão-prazer-culpa típico da cleptomania.
– Sintomático: O furto não tem uma motivação racional. Você não está com raiva, não ouve vozes, não acredita em coisas irreais. É como se seu cérebro estivesse “programado” para buscar aquele ato, independentemente do contexto.
Critério E: O furto não é mais bem explicado por um transtorno da conduta, um episódio maníaco ou um transtorno da personalidade antissocial
Tradução para linguagem leiga: A cleptomania não é apenas um sintoma de outro problema maior. Por exemplo, adolescentes com transtorno da conduta podem roubar como parte de um padrão de comportamento rebelde ou agressivo. Pessoas em episódio maníaco (do transtorno bipolar) podem gastar ou roubar de forma impulsiva por estarem “fora de si”. E quem tem transtorno de personalidade antissocial pode roubar sem sentir culpa, como parte de um padrão de desrespeito às regras. Na cleptomania, o furto é um problema em si, não um sintoma de outra condição.
Exemplos concretos:
– Transtorno da conduta: Lucas, de 15 anos, rouba carros, bate em colegas e destrói propriedade alheia. Ele não sente culpa e faz isso como parte de um padrão de comportamento desafiador. Não é cleptomania.
– Episódio maníaco: Clara está em uma fase de euforia do transtorno bipolar. Ela gasta todo o dinheiro da família em compras impulsivas e também rouba roupas em lojas. Quando a fase maníaca passa, ela se arrepende, mas durante o episódio, não consegue controlar seus atos.
– Transtorno de personalidade antissocial: Rodrigo rouba porque não se importa com as regras ou com os sentimentos dos outros. Ele não sente culpa e faz isso como parte de um padrão de vida desonesto.
– Cleptomania: Beatriz rouba canetas em lojas, mesmo tendo dinheiro para comprar. Ela sente uma tensão antes, alívio durante e culpa depois. Não há um padrão maior de comportamento antissocial ou rebelde – o problema é especificamente aquele impulso incontrolável.
O que não é cleptomania?
Ter alguns desses sintomas isoladamente não significa que você tenha cleptomania. Por exemplo:
– Se você roubou uma vez na vida por necessidade ou rebeldia, não é cleptomania.
– Se você sente vontade de roubar quando está com raiva ou bêbado, mas consegue resistir na maioria das vezes, não é cleptomania.
– Se você rouba coisas valiosas para vender ou usar, não é cleptomania.
O diagnóstico só é feito quando:
1. Os furtos são recorrentes (acontecem várias vezes).
2. Há aquele ciclo de tensão-prazer-culpa.
3. Os objetos roubados não são necessários ou valiosos.
4. A pessoa tenta resistir, mas não consegue.
5. O furto não é melhor explicado por outro transtorno mental.
Além disso, é fundamental que os sintomas causem sofrimento significativo ou prejuízo na vida da pessoa. Por exemplo:
– Problemas legais (ser preso, ter que pagar fiança).
– Conflitos familiares (brigas com parceiros, pais ou filhos por causa dos furtos).
– Sofrimento emocional (culpa constante, vergonha, medo de ser descoberto).
– Prejuízo financeiro (gastar dinheiro com advogados, multas ou indenizações).
Se você se identificou com alguns desses sintomas, não significa que tenha cleptomania, mas pode ser um sinal de que precisa conversar com um profissional de saúde mental. Muitas pessoas com o transtorno sofrem em silêncio por anos antes de buscar ajuda.
Como se manifesta no dia a dia?
A cleptomania não afeta apenas o momento do furto – ela permeia a vida da pessoa de várias formas, muitas vezes invisíveis para quem está de fora. Vamos explorar como esse transtorno se manifesta em diferentes áreas do cotidiano.
No trabalho ou na escola
Imagine que você está em um ambiente profissional ou estudantil e, de repente, sente aquele impulso familiar. Você olha para o grampeador na mesa do colega, para a caneta esquecida no quadro, para o livro na estante da sala dos professores. Seu coração acelera, suas mãos suam, e você sente que precisa pegar aquilo – mesmo sabendo que não faz sentido.
Exemplos concretos:
– Reuniões e aulas: Durante uma reunião chata no trabalho, você vê o celular de um colega em cima da mesa. Você não precisa de um celular novo, mas sente uma vontade irresistível de pegá-lo. Você resiste por alguns minutos, mas acaba colocando o aparelho no bolso. Depois, fica paranoico durante o resto do dia, com medo de que alguém tenha visto.
– Intervalos: Na hora do café na escola, você passa pela mochila de um colega e vê um estojo de lápis coloridos. Você não desenha, nem precisa daqueles lápis, mas algo dentro de você diz: “Pega!”. Você olha em volta, vê que não tem ninguém olhando e enfia o estojo na sua bolsa. Na sala de aula, você mal consegue se concentrar, com medo de que o dono perceba.
– Eventos corporativos: Em uma feira de negócios, você vê brindes expostos em um estande: canetas, chaveiros, blocos de notas. Você pega vários, mesmo sabendo que não vai usar nenhum. Depois, sente vergonha de ter tantos objetos inúteis e acaba jogando tudo fora.
Impactos no desempenho:
– Falta de concentração: A ansiedade antes e depois do furto faz com que você tenha dificuldade para se concentrar nas tarefas. Você pode passar horas remoendo o que fez, em vez de trabalhar ou estudar.
– Ausências: Algumas pessoas começam a faltar ao trabalho ou à escola por vergonha ou medo de serem descobertas. Outras evitam situações onde o impulso possa surgir, como reuniões ou eventos sociais.
– Problemas de relacionamento: Colegas ou professores podem notar mudanças no seu comportamento e começar a desconfiar. Você pode se tornar mais reservado ou irritado, o que afeta suas relações no ambiente profissional ou acadêmico.
– Risco de demissão ou expulsão: Se os furtos forem descobertos, você pode enfrentar consequências graves, como advertências, suspensões ou até demissão. Em escolas, pode haver processos disciplinares.
Nos relacionamentos
A cleptomania pode colocar um peso enorme nos relacionamentos, especialmente porque muitas pessoas têm vergonha de contar sobre o problema. O medo de ser julgado ou abandonado faz com que elas escondam os sintomas, o que gera um ciclo de segredos e desconfiança.
Exemplos concretos:
– Com o parceiro/a:
– Você e seu marido estão passando por dificuldades financeiras. Mesmo assim, você rouba um perfume caro em uma loja. Quando ele pergunta como você conseguiu o perfume, você inventa uma desculpa (“ganhei de presente”, “comprei em uma promoção”). Ele desconfia, mas não diz nada. A mentira fica entre vocês, criando uma barreira.
– Sua esposa encontra objetos estranhos na sua bolsa: um pente que não é seu, um sachê de shampoo de hotel, uma colher de plástico. Ela pergunta de onde vieram, e você fica na defensiva. Ela começa a revistar suas coisas quando você não está em casa, o que gera brigas constantes.
– Você rouba algo na frente do seu parceiro sem querer. Ele fica chocado e pergunta: “Por que você fez isso?”. Você não sabe explicar, e ele começa a questionar sua sanidade. Vocês brigam, e ele ameaça terminar o relacionamento se você não buscar ajuda.
- Com a família:
- Seus pais encontram objetos roubados no seu quarto: um chaveiro, um brinquedo pequeno, um pacote de balas. Eles ficam preocupados e perguntam o que está acontecendo. Você nega tudo, mas eles começam a monitorar suas saídas e a revistar suas coisas.
- Sua irmã mais nova te pega roubando algo em uma loja. Ela fica assustada e conta para os pais. Eles te levam ao psicólogo, mas você nega que tenha um problema. A família fica dividida: alguns acham que você está “possuída”, outros que é “falta de caráter”.
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Você é preso por furto e precisa ligar para seus pais para pagar a fiança. Eles ficam envergonhados e com raiva. Você promete que nunca mais fará isso, mas semanas depois, o impulso volta. Eles perdem a confiança em você e começam a tratar você como uma criança irresponsável.
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Com amigos:
- Você e seus amigos vão a uma festa, e você rouba um copo de shot da mesa. Um amigo vê e pergunta: “Por que você pegou isso?”. Você fica sem graça e joga o copo fora. Ele começa a te olhar diferente, como se você fosse uma pessoa desonesta.
- Você rouba algo na casa de um amigo e ele percebe. Ele não diz nada na hora, mas depois começa a evitar você. Quando você pergunta o que houve, ele diz: “Não me sinto seguro com você por perto”.
- Seus amigos organizam um churrasco, e você rouba um garfo de plástico. Ninguém percebe, mas você fica paranoico durante todo o evento, com medo de que alguém tenha visto. Você evita olhar nos olhos das pessoas e mal consegue aproveitar a festa.
Impactos emocionais:
– Isolamento: A vergonha e o medo de ser descoberto fazem com que você se afaste das pessoas. Você evita convites para sair, cancela planos de última hora e se torna cada vez mais solitário.
– Mentiras constantes: Para esconder os furtos, você começa a mentir sobre onde esteve, o que comprou ou como conseguiu certos objetos. As mentiras se acumulam, e você vive com medo de ser pego.
– Desconfiança: Seus entes queridos começam a desconfiar de você, mesmo em situações inocentes. Por exemplo, se você chega em casa com uma sacola, seu parceiro pode perguntar: “O que você comprou?” com um tom de acusação.
– Culpa: Você se sente culpado por magoar as pessoas que ama. Essa culpa pode se transformar em autodepreciação (“Sou uma pessoa horrível”, “Ninguém merece ter alguém como eu por perto”).
– Risco de violência: Em alguns casos, a tensão acumulada pode levar a explosões de raiva ou agressividade, especialmente quando a pessoa é confrontada sobre os furtos.
Na rotina
A cleptomania não afeta apenas os momentos de furto – ela pode bagunçar toda a rotina da pessoa, desde o sono até a alimentação. O estresse constante de viver com esse segredo cobra um preço alto no dia a dia.
Exemplos concretos:
– Sono:
– Você rouba algo durante o dia e passa a noite inteira acordado, remoendo o que fez. Você se pergunta: “Por que eu fiz isso?”, “E se alguém viu?”, “Como vou devolver?”.
– Você desenvolve insônia por medo de ser descoberto. Toda vez que ouve um barulho à noite, você pensa: “É a polícia?”.
– Você começa a ter pesadelos recorrentes com situações de furto. Em alguns sonhos, você é pego; em outros, consegue escapar. Esses sonhos te deixam exausto durante o dia.
- Alimentação:
- A ansiedade antes e depois dos furtos faz com que você perca o apetite. Você pula refeições ou come muito pouco, o que pode levar a problemas de saúde como gastrite ou anemia.
- Em outros casos, a culpa faz com que você coma em excesso, como uma forma de “punir” a si mesmo. Você engorda ou desenvolve compulsão alimentar.
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Você evita comer em lugares públicos por medo de que o impulso de furtar apareça. Por exemplo, você pede comida para entregar em casa em vez de ir a um restaurante.
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Autocuidado:
- Você para de se arrumar porque acha que não merece se sentir bonito. Você deixa de cortar o cabelo, de comprar roupas novas ou de cuidar da pele.
- Você negligencia sua saúde física. Deixa de ir ao médico, de tomar remédios ou de fazer exames de rotina porque está focado demais em esconder seus furtos.
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Você desenvolve hábitos prejudiciais, como roer unhas, arrancar cabelos ou cutucar a pele, como uma forma de aliviar a ansiedade.
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Lazer:
- Você para de fazer atividades que antes gostava, como ir ao cinema, viajar ou praticar esportes, porque tem medo de que o impulso apareça nesses lugares.
- Você evita lojas e shoppings, mesmo para comprar coisas que precisa, porque sabe que esses ambientes podem desencadear o impulso.
- Você se isola em casa, assistindo séries ou jogando videogame por horas, como uma forma de escapar da realidade.
Na saúde física
A cleptomania não afeta apenas a mente – ela também pode ter consequências físicas, muitas vezes invisíveis. O estresse crônico de viver com esse transtorno pode se manifestar no corpo de várias formas.
Exemplos concretos:
– Problemas gastrointestinais: A ansiedade constante pode causar gastrite, síndrome do intestino irritável, refluxo ou úlceras. Você pode sentir dores de estômago frequentes, náuseas ou diarreia.
– Dores de cabeça: A tensão emocional pode levar a enxaquecas ou dores de cabeça tensionais. Você pode sentir uma pressão constante na cabeça, como se estivesse usando um capacete apertado.
– Problemas de pele: O estresse pode piorar condições como acne, psoríase ou eczema. Você pode desenvolver erupções cutâneas, coceiras ou feridas por se cutucar.
– Dores musculares: A tensão emocional pode causar dores no pescoço, nos ombros ou nas costas. Você pode acordar com o corpo dolorido, como se tivesse feito um treino pesado no dia anterior.
– Problemas cardíacos: A ansiedade crônica pode levar a palpitações, pressão alta ou até arritmias. Você pode sentir o coração acelerado sem motivo aparente, especialmente antes ou depois de um furto.
– Sistema imunológico enfraquecido: O estresse prolongado pode baixar suas defesas, fazendo com que você fique doente com mais frequência. Você pode pegar resfriados, infecções urinárias ou outras doenças com mais facilidade.
O que causa essa condição?
A cleptomania não tem uma causa única – ela é resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. É como se várias peças de um quebra-cabeça se encaixassem para criar o transtorno. Vamos entender cada uma dessas peças.
Fatores genéticos
Imagine que seu cérebro é como um computador, e seus genes são o sistema operacional. Algumas pessoas nascem com um “sistema operacional” que as torna mais propensas a ter dificuldades no controle de impulsos. Não é que exista um “gene da cleptomania”, mas sim uma predisposição genética que pode aumentar as chances de desenvolver o transtorno.
O que a ciência diz:
– Estudos mostram que parentes de primeiro grau (pais, irmãos, filhos) de pessoas com cleptomania têm mais chances de desenvolver transtornos do controle de impulsos, como jogo patológico ou compras compulsivas.
– Também há uma associação com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) na família. Ou seja, se seus pais ou irmãos têm TOC, você pode ter um risco maior de desenvolver cleptomania.
– Não é uma herança direta (“se meu pai tem, eu terei”), mas sim uma predisposição. É como ter uma tendência a desenvolver diabetes – você pode nunca ter a doença, mas precisa tomar mais cuidado com a alimentação.
Exemplo prático:
– Maria tem cleptomania. Seu irmão, João, tem jogo patológico, e sua mãe tem TOC. Não é que a família “transmita” a cleptomania diretamente, mas há uma tendência genética a ter dificuldades no controle de impulsos ou comportamentos repetitivos.
Fatores neurobiológicos
Seu cérebro é como uma orquestra, onde diferentes áreas e substâncias químicas trabalham juntas para produzir pensamentos, emoções e comportamentos. Na cleptomania, algumas dessas “músicas” estão desafinadas, especialmente aquelas relacionadas ao prazer, à recompensa e ao controle de impulsos.
O que acontece no cérebro:
1. Sistema de recompensa: Quando você faz algo prazeroso (como comer um doce ou receber um elogio), seu cérebro libera dopamina, um neurotransmissor que te faz sentir bem. Na cleptomania, o ato de furtar libera uma quantidade excessiva de dopamina, criando uma sensação de prazer intensa e momentânea. É como se seu cérebro estivesse “viciado” nessa descarga.
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Controle de impulsos: A região frontal do cérebro (o “freio” dos impulsos) não funciona tão bem em pessoas com cleptomania. É como se o pedal do freio estivesse com defeito – você sente o impulso, mas não consegue pará-lo a tempo.
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Serotonina: Esse neurotransmissor ajuda a regular o humor e a ansiedade. Níveis baixos de serotonina estão associados a comportamentos impulsivos e compulsivos. É como se seu cérebro estivesse em um estado constante de “alerta vermelho”, buscando alívio a qualquer custo.
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Sistema opioide: Esse sistema está relacionado à sensação de prazer e alívio da dor. Na cleptomania, ele pode estar hiperativo, fazendo com que o furto seja experimentado como uma “dose” de alívio emocional.
Exemplo prático:
– Quando Ana vê um objeto que desperta seu impulso, é como se seu cérebro dissesse: “Pega isso agora! Vai te fazer sentir bem!”. A dopamina é liberada, criando uma sensação de prazer. Mas logo depois, a serotonina baixa faz com que ela se sinta culpada e ansiosa, o que pode levar a outro furto para aliviar essa sensação ruim. É um ciclo vicioso.
Fatores ambientais
Seus genes e seu cérebro são como o hardware de um computador – eles definem suas capacidades e limitações. Mas o ambiente é o software: ele determina como você usa essas capacidades. Experiências de vida, estresse e traumas podem “programar” seu cérebro para desenvolver cleptomania, especialmente se você já tem uma predisposição genética.
Fatores que podem contribuir:
1. Traumas na infância: Abuso físico, emocional ou sexual, negligência, bullying ou perda de um dos pais podem aumentar o risco de desenvolver transtornos do controle de impulsos. O furto pode ser uma forma de aliviar a dor emocional ou de recuperar um senso de controle.
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Estresse crônico: Problemas financeiros, desemprego, divórcio ou doenças na família podem desencadear ou piorar os sintomas. O furto pode ser uma forma de escapar temporariamente da realidade.
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Exposição a comportamentos impulsivos: Crescer em um ambiente onde roubar é normalizado (por exemplo, em famílias com histórico de criminalidade) pode aumentar as chances de desenvolver cleptomania.
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Pressão social: Em algumas culturas ou grupos sociais, roubar pode ser visto como uma forma de “provar coragem” ou de se encaixar. Isso pode ser especialmente problemático na adolescência.
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Eventos desencadeantes: Às vezes, um evento específico pode desencadear os primeiros sintomas, como a morte de um ente querido, uma demissão ou um término de relacionamento.
Exemplo prático:
– Carlos cresceu em uma família pobre, onde roubar comida era a única forma de não passar fome. Quando adulto, ele desenvolveu cleptomania – não por necessidade, mas porque seu cérebro associou o furto a alívio emocional.
– Sofia foi abusada sexualmente na infância. Na adolescência, começou a roubar objetos pequenos como uma forma de “recuperar o controle” sobre sua vida.
Fatores da gestação e desenvolvimento
Alguns estudos sugerem que complicações durante a gravidez ou o parto podem aumentar o risco de transtornos do controle de impulsos. Por exemplo:
– Exposição a substâncias: Se a mãe usou álcool, tabaco ou drogas durante a gravidez, o bebê pode ter um risco maior de desenvolver problemas no controle de impulsos.
– Complicações no parto: Falta de oxigênio durante o nascimento ou parto prematuro podem afetar o desenvolvimento cerebral.
– Baixo peso ao nascer: Bebês que nascem com baixo peso têm mais chances de desenvolver transtornos mentais na vida adulta.
Exemplo prático:
– Lucas nasceu prematuro e passou os primeiros meses de vida no hospital. Quando adulto, desenvolveu cleptomania. Não é que a prematuridade tenha “causado” o transtorno, mas pode ter contribuído para uma maior vulnerabilidade.
Modelo biopsicossocial
A cleptomania não é causada por um único fator – é sempre uma combinação de biologia (genes, cérebro), psicologia (emoções, traumas) e ambiente (família, cultura, estresse). É como uma receita de bolo: se você mudar um ingrediente, o resultado final será diferente.
Exemplo prático:
– Ana tem uma predisposição genética para transtornos do controle de impulsos (biologia). Ela cresceu em uma família onde o pai era alcoólatra e a mãe tinha depressão (ambiente). Na adolescência, sofreu bullying na escola (psicologia). Todos esses fatores se combinaram para que ela desenvolvesse cleptomania na vida adulta.
Mitos sobre as causas da cleptomania
❌ Mito 1: “Cleptomania é falta de caráter ou fraqueza moral.”
✅ Verdade: A cleptomania é um transtorno mental, não uma escolha. Assim como a depressão não é “frescura”, a cleptomania não é “falta de vergonha na cara”. Pessoas com o transtorno sofrem muito e geralmente querem parar, mas não conseguem sem ajuda.
❌ Mito 2: “Só pessoas ricas têm cleptomania.”
✅ Verdade: A cleptomania afeta pessoas de todas as classes sociais. O que define o transtorno não é o valor do objeto roubado, mas sim o impulso incontrolável e a falta de necessidade.
❌ Mito 3: “Cleptomania é coisa de mulher.”
✅ Verdade: Embora as mulheres sejam mais diagnosticadas, homens também podem ter cleptomania. A diferença pode estar na busca por tratamento – mulheres tendem a procurar ajuda mais cedo.
❌ Mito 4: “Cleptomania é apenas uma fase, vai passar sozinha.”
✅ Verdade: Sem tratamento, a cleptomania tende a piorar com o tempo. É um transtorno crônico que requer acompanhamento profissional.
❌ Mito 5: “Se a pessoa quiser, ela consegue parar de roubar.”
✅ Verdade: A cleptomania envolve alterações no cérebro que tornam o controle dos impulsos muito difícil. É como pedir para uma pessoa com depressão “sair dessa” – não é uma questão de força de vontade, mas de tratamento adequado.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de cleptomania pode ser um alívio para muitas pessoas – finalmente, há uma explicação para aquele sofrimento que elas carregam há anos. Mas também pode ser assustador, especialmente porque o transtorno ainda é cercado de estigma. Vamos entender como funciona o processo de diagnóstico, passo a passo.
O caminho até o diagnóstico
Muitas pessoas com cleptomania sofrem em silêncio por anos antes de buscar ajuda. Alguns motivos comuns para esse atraso:
– Vergonha: A pessoa sente vergonha de admitir que rouba coisas sem necessidade.
– Medo de ser julgada: Ela teme que os outros a vejam como uma “ladra” ou “má pessoa”.
– Negação: Ela acredita que consegue controlar os impulsos sozinha.
– Falta de informação: Ela não sabe que a cleptomania é um transtorno mental tratável.
Sinais de que é hora de buscar ajuda:
– Você já tentou parar de roubar várias vezes, mas não conseguiu.
– Os furtos estão causando problemas na sua vida: brigas em casa, problemas no trabalho, dívidas, problemas legais.
– Você sente culpa, vergonha ou ansiedade constantes por causa dos furtos.
– Você evita situações sociais por medo de que o impulso apareça.
– Você já pensou em se machucar ou se matar por causa da culpa.
Onde buscar ajuda no Brasil
No Brasil, você pode buscar ajuda tanto na rede pública (SUS) quanto na rede particular.
Rede pública (SUS):
1. Unidade Básica de Saúde (UBS): O primeiro passo é marcar uma consulta com um clínico geral ou médico de família na UBS mais próxima da sua casa. Esse profissional pode fazer uma avaliação inicial e encaminhar você para um especialista.
2. Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): Os CAPS são serviços especializados em saúde mental. Existem CAPS para diferentes faixas etárias (CAPS infantil, CAPS adulto) e para diferentes necessidades (CAPS AD para álcool e drogas, CAPS III para casos mais graves). Você pode procurar o CAPS da sua região diretamente ou ser encaminhado pela UBS.
3. Ambulatórios de saúde mental: Alguns hospitais públicos têm ambulatórios especializados em psiquiatria. Você pode ser encaminhado para um desses serviços pela UBS ou pelo CAPS.
4. Hospitais universitários: Muitos hospitais ligados a universidades oferecem atendimento psiquiátrico gratuito ou de baixo custo. Alguns exemplos são o Hospital das Clínicas em São Paulo, o Instituto de Psiquiatria do Rio de Janeiro e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Rede particular:
1. Psiquiatras: Você pode marcar uma consulta diretamente com um psiquiatra. O valor da consulta varia, mas muitos profissionais trabalham com valores acessíveis ou oferecem descontos.
2. Psicólogos: Alguns psicólogos têm formação para identificar transtornos mentais e podem encaminhar você para um psiquiatra se necessário.
3. Clínicas de saúde mental: Existem clínicas particulares que oferecem atendimento psiquiátrico e psicológico. Algumas trabalham com convênios médicos.
4. Planos de saúde: Se você tem plano de saúde, pode buscar um psiquiatra ou psicólogo credenciado. Verifique com seu plano quais são os profissionais cobertos.
O que esperar da primeira consulta
A primeira consulta com um psiquiatra ou psicólogo pode ser um pouco assustadora, especialmente se você nunca passou por isso antes. Mas não precisa se preocupar – o profissional está ali para te ajudar, não para te julgar.
Como se preparar:
– Anote seus sintomas: Faça uma lista dos seus furtos recentes, incluindo o que roubou, quando, como se sentiu antes e depois. Isso vai ajudar o profissional a entender seu padrão de comportamento.
– Liste seus medicamentos: Anote todos os remédios que você toma, incluindo vitaminas, chás e suplementos. Alguns medicamentos podem interagir com os usados no tratamento da cleptomania.
– Pense em sua história de vida: Eventos como traumas, perdas, mudanças importantes ou doenças na família podem ser relevantes para o diagnóstico.
– Traga um acompanhante: Se você se sentir mais confortável, pode levar um familiar ou amigo para a consulta. Essa pessoa pode ajudar a contar sua história e dar suporte emocional.
– Prepare suas perguntas: Anote todas as dúvidas que você tem sobre a cleptomania, o tratamento ou o diagnóstico. Não tenha vergonha de perguntar – o profissional está ali para te esclarecer.
O que acontece na consulta:
1. Conversa inicial: O profissional vai te perguntar o motivo da consulta. Você pode começar dizendo algo como: “Tenho dificuldade para controlar meus impulsos de roubar” ou “Sinto uma vontade incontrolável de furtar coisas que não preciso”.
2. Histórico médico: Ele vai perguntar sobre sua saúde física e mental, incluindo doenças passadas, tratamentos anteriores e histórico familiar de transtornos mentais.
3. Sintomas atuais: O profissional vai explorar seus sintomas em detalhes. Ele pode perguntar:
– Com que frequência você rouba?
– Que tipo de objetos você costuma roubar?
– Como você se sente antes, durante e depois do furto?
– Você já tentou parar? Como foi?
– Os furtos estão afetando sua vida de alguma forma?
4. Exame do estado mental: O psiquiatra vai observar seu comportamento, sua fala, seu humor e sua capacidade de raciocínio. Isso ajuda a identificar outros transtornos que podem estar presentes.
5. Exames físicos: Em alguns casos, o profissional pode pedir exames de sangue ou outros testes para descartar causas físicas para seus sintomas (como problemas na tireoide ou deficiências vitamínicas).
6. Diagnóstico preliminar: Com base nas informações coletadas, o profissional pode dar um diagnóstico preliminar e explicar o que é a cleptomania. Ele também pode pedir que você observe seus sintomas por algumas semanas antes de confirmar o diagnóstico.
7. Plano de tratamento: Se o diagnóstico for confirmado, o profissional vai conversar com você sobre as opções de tratamento, que podem incluir medicamentos, terapia ou ambos.
Quanto tempo leva para ser diagnosticado?
O tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode variar muito. Algumas pessoas são diagnosticadas rapidamente, enquanto outras levam anos. Alguns fatores que influenciam esse tempo:
– Acesso a serviços de saúde: Em grandes cidades, é mais fácil encontrar profissionais especializados. Em áreas rurais ou pequenas cidades, pode ser mais difícil.
– Estigma: Muitas pessoas têm vergonha de admitir que têm cleptomania, o que atrasa a busca por ajuda.
– Comorbidades: Se a pessoa tem outros transtornos mentais (como depressão ou ansiedade), o diagnóstico da cleptomania pode demorar mais, porque os sintomas de outros transtornos podem “mascarar” os da cleptomania.
– Consciência do problema: Algumas pessoas não percebem que têm um transtorno e acreditam que conseguem controlar os impulsos sozinhas.
Em média, as pessoas com cleptomania levam 5 a 10 anos entre os primeiros sintomas e o diagnóstico. Esse atraso pode ter consequências graves, como problemas legais, financeiros e emocionais.
Quem pode diagnosticar?
No Brasil, o diagnóstico de cleptomania deve ser feito por um médico psiquiatra. Outros profissionais de saúde mental, como psicólogos, podem identificar os sintomas e encaminhar a pessoa para um psiquiatra, mas não podem dar o diagnóstico oficial nem prescrever medicamentos.
Profissionais envolvidos no diagnóstico e tratamento:
1. Psiquiatra: Médico especializado em transtornos mentais. Ele pode diagnosticar a cleptomania, prescrever medicamentos e acompanhar o tratamento.
2. Psicólogo: Profissional especializado em terapia. Ele pode ajudar a pessoa a entender e lidar com seus impulsos, além de trabalhar questões emocionais relacionadas ao transtorno.
3. Terapeuta ocupacional: Em alguns casos, pode ajudar a pessoa a desenvolver habilidades para lidar com situações que desencadeiam os impulsos.
4. Assistente social: Pode ajudar a pessoa a acessar serviços de saúde e direitos sociais, além de oferecer suporte em questões familiares e financeiras.
Diagnóstico diferencial: o que pode ser confundido com cleptomania?
Algumas condições podem ter sintomas semelhantes aos da cleptomania, mas são transtornos diferentes. O profissional de saúde mental precisa descartar essas possibilidades antes de confirmar o diagnóstico. Vamos entender as principais:
- Furtos comuns:
- O que é: Roubar por necessidade, ganância ou rebeldia.
-
Como diferenciar: No furto comum, a pessoa planeja o roubo, escolhe objetos valiosos e não sente culpa depois. Na cleptomania, o furto é impulsivo, os objetos não têm valor e a pessoa sente culpa intensa.
-
Transtorno da conduta:
- O que é: Padrão de comportamento agressivo, desafiador e desrespeitoso às regras, comum em crianças e adolescentes.
-
Como diferenciar: No transtorno da conduta, os furtos fazem parte de um padrão maior de comportamento antissocial (como brigas, mentiras e vandalismo). Na cleptomania, o furto é um problema isolado, e a pessoa geralmente se arrepende depois.
-
Episódio maníaco (transtorno bipolar):
- O que é: Fase de euforia, impulsividade e comportamento de risco que faz parte do transtorno bipolar.
-
Como diferenciar: Durante um episódio maníaco, a pessoa pode roubar, gastar dinheiro impulsivamente ou se envolver em outros comportamentos de risco. Mas esses sintomas fazem parte de um quadro maior, que inclui euforia, irritabilidade, diminuição da necessidade de sono e pensamentos acelerados. Na cleptomania, o furto é o problema principal, e não há outros sintomas de mania.
-
Transtorno de personalidade antissocial:
- O que é: Padrão de desrespeito às regras e aos direitos dos outros, sem remorso.
-
Como diferenciar: Pessoas com transtorno de personalidade antissocial roubam sem sentir culpa e não se importam com as consequências. Na cleptomania, a pessoa sente culpa e vergonha depois do furto.
-
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC):
- O que é: Transtorno caracterizado por obsessões (pensamentos intrusivos) e compulsões (comportamentos repetitivos para aliviar a ansiedade).
-
Como diferenciar: No TOC, os comportamentos compulsivos (como lavar as mãos ou verificar portas) são realizados para aliviar uma obsessão (como medo de contaminação ou de que algo ruim aconteça). Na cleptomania, o furto não é uma compulsão para aliviar uma obsessão, mas sim um impulso incontrolável por si só.
-
Demência ou transtorno neurocognitivo:
- O que é: Perda progressiva de funções cognitivas, como memória, raciocínio e controle de impulsos, comum em idosos.
-
Como diferenciar: Na demência, os furtos são acidentais e fazem parte de um declínio cognitivo geral. A pessoa pode pegar objetos sem perceber ou esquecer que já os tem. Na cleptomania, o furto é intencional e acompanhado daquele ciclo de tensão-prazer-culpa.
-
Simulação:
- O que é: Fingir sintomas de um transtorno para obter algum benefício, como evitar uma condenação criminal.
- Como diferenciar: Na simulação, a pessoa inventa ou exagera sintomas para enganar os outros. Na cleptomania, os sintomas são reais e causam sofrimento genuíno.
Exames e testes
Não existem exames de sangue ou de imagem que diagnostiquem a cleptomania. O diagnóstico é feito com base na conversa com o profissional de saúde mental e na observação dos sintomas.
No entanto, alguns exames podem ser pedidos para descartar outras condições:
– Exames de sangue: Para verificar níveis de hormônios (como tireoide), vitaminas ou substâncias que possam estar afetando seu comportamento.
– Eletroencefalograma (EEG): Em casos raros, pode ser pedido para descartar condições neurológicas que afetem o comportamento.
– Tomografia ou ressonância magnética: Para descartar lesões cerebrais ou outras condições neurológicas.
O que fazer depois do diagnóstico?
Receber o diagnóstico de cleptomania pode ser um momento de alívio (“Finalmente sei o que tenho!”) ou de medo (“E agora, o que eu faço?”). Ambos os sentimentos são normais. O importante é lembrar que a cleptomania tem tratamento e que você não está sozinho.
Passos depois do diagnóstico:
1. Entenda o transtorno: Peça ao profissional que explique o que é a cleptomania, quais são as causas e como o tratamento funciona. Quanto mais você souber, mais preparado estará para lidar com os sintomas.
2. Converse com pessoas de confiança: Compartilhe o diagnóstico com familiares ou amigos próximos. Eles podem te dar apoio emocional e ajudar a seguir o tratamento.
3. Siga o plano de tratamento: O profissional vai sugerir um plano de tratamento, que pode incluir medicamentos, terapia ou ambos. É fundamental seguir as orientações à risca.
4. Evite gatilhos: Identifique situações, lugares ou objetos que desencadeiam seus impulsos e tente evitá-los, pelo menos no início do tratamento.
5. Busque grupos de apoio: Conversar com outras pessoas que têm cleptomania pode ser muito útil. No Brasil, existem grupos de apoio presenciais e online para transtornos do controle de impulsos.
6. Cuide da sua saúde física: Pratique exercícios, alimente-se bem e durma o suficiente. Uma rotina saudável ajuda a controlar os impulsos.
7. Seja paciente: O tratamento da cleptomania não é rápido. Pode levar semanas ou meses para que você comece a notar melhoras. Não desanime se tiver recaídas – elas fazem parte do processo.
Tratamento
A cleptomania tem tratamento, e quanto mais cedo você buscar ajuda, melhores são as chances de controle dos sintomas. O tratamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, terapia e mudanças no estilo de vida. Vamos entender cada uma dessas abordagens em detalhes.
Medicamentos
Os medicamentos usados no tratamento da cleptomania atuam no cérebro para ajudar a controlar os impulsos, reduzir a ansiedade e melhorar o humor. Eles não “curam” o transtorno, mas podem diminuir a intensidade e a frequência dos sintomas, tornando mais fácil para a pessoa resistir aos impulsos.
Classes de medicamentos mais usadas:
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS):
- O que são: Medicamentos antidepressivos que aumentam os níveis de serotonina no cérebro. A serotonina é um neurotransmissor que ajuda a regular o humor, a ansiedade e o controle de impulsos.
- Como funcionam: Eles “ajustam” o sistema de recompensa do cérebro, tornando os impulsos menos intensos e mais fáceis de controlar.
- Exemplos: Fluoxetina, sertralina, escitalopram, paroxetina.
- Efeitos colaterais comuns: Náusea, dor de cabeça, insônia, sonolência, diminuição do desejo sexual, ganho de peso.
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os ISRS começam a fazer efeito após 2 a 4 semanas de uso contínuo. O efeito máximo pode levar até 8 semanas.
-
Desmistificando: Os ISRS não são “pílulas da felicidade” – eles não mudam sua personalidade nem te deixam “dopado”. Eles apenas ajudam seu cérebro a funcionar de forma mais equilibrada.
-
Estabilizadores de humor:
- O que são: Medicamentos usados principalmente no tratamento do transtorno bipolar, mas que também podem ajudar no controle de impulsos.
- Como funcionam: Eles regulam a atividade elétrica do cérebro, reduzindo a impulsividade e a instabilidade emocional.
- Exemplos: Lítio, valproato, lamotrigina.
- Efeitos colaterais comuns: Ganho de peso, tremores, sonolência, problemas gastrointestinais.
- Tempo para fazer efeito: O lítio pode levar de 1 a 3 semanas para começar a fazer efeito. Outros estabilizadores, como o valproato, podem agir mais rapidamente.
-
Desmistificando: Esses medicamentos não são usados apenas para “pessoas loucas”. Eles são ferramentas importantes no tratamento de vários transtornos mentais, incluindo a cleptomania.
-
Antagonistas opioides:
- O que são: Medicamentos que bloqueiam os receptores opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer associada ao furto.
- Como funcionam: Eles “desligam” a sensação de recompensa que o cérebro sente durante o furto, tornando o ato menos atraente.
- Exemplo: Naltrexona.
- Efeitos colaterais comuns: Náusea, dor de cabeça, tontura, fadiga.
- Tempo para fazer efeito: A naltrexona pode começar a fazer efeito em alguns dias, mas o efeito máximo pode levar algumas semanas.
-
Desmistificando: A naltrexona não é uma “droga pesada” – ela é usada no tratamento de dependência de álcool e opioides, mas também pode ajudar em comportamentos compulsivos como a cleptomania.
-
Outros medicamentos:
- Antipsicóticos atípicos: Em alguns casos, podem ser usados para ajudar no controle de impulsos, especialmente se a pessoa tem outros transtornos mentais associados.
- Benzodiazepínicos: Podem ser usados em curto prazo para controlar a ansiedade, mas não são recomendados para uso prolongado devido ao risco de dependência.
Importante sobre medicamentos:
– Não pare de tomar por conta própria: Alguns medicamentos precisam ser retirados gradualmente, sob supervisão médica. Parar de repente pode causar sintomas de abstinência ou piora dos sintomas.
– Efeitos colaterais são temporários: Muitos efeitos colaterais diminuem ou desaparecem após algumas semanas de uso. Converse com seu médico antes de desistir do tratamento.
– Cada pessoa reage de um jeito: O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Pode ser necessário testar alguns medicamentos até encontrar o mais adequado para você.
– Medicamentos não são a única solução: Eles são uma parte importante do tratamento, mas funcionam melhor quando combinados com terapia e mudanças no estilo de vida.
Psicoterapia
A terapia é uma parte fundamental do tratamento da cleptomania. Ela ajuda a pessoa a entender as causas dos seus impulsos, desenvolver estratégias para controlá-los e lidar com as consequências emocionais do transtorno. Vamos entender as abordagens terapêuticas mais usadas.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
A TCC é a abordagem com mais evidências científicas para o tratamento da cleptomania. Ela se baseia na ideia de que nossos pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados, e que mudar um desses aspectos pode influenciar os outros.
Como funciona:
1. Identificação de gatilhos: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar situações, pensamentos ou emoções que desencadeiam os impulsos de furtar. Por exemplo: estresse no trabalho, solidão, tédio.
2. Reestruturação cognitiva: A pessoa aprende a reconhecer e questionar pensamentos distorcidos que levam ao furto. Por exemplo: “Eu mereço isso”, “Ninguém vai perceber”, “Isso vai me fazer sentir melhor”.
3. Técnicas de controle de impulsos: São ensinadas estratégias para resistir aos impulsos, como:
– Atraso: Esperar 10 minutos antes de agir, para dar tempo ao cérebro de “esfriar”.
– Distração: Fazer algo que ocupe a mente, como contar até 100, ligar para um amigo ou sair do ambiente.
– Substituição: Trocar o impulso de furtar por outro comportamento, como apertar uma bolinha antiestresse ou desenhar.
4. Exposição com prevenção de resposta: A pessoa é exposta gradualmente a situações que desencadeiam o impulso, mas aprende a resistir. Por exemplo, ir a uma loja e não furtar nada.
5. Treinamento de habilidades sociais: Muitas pessoas com cleptomania têm dificuldade para expressar suas emoções de forma saudável. A terapia ajuda a desenvolver habilidades como comunicação assertiva e resolução de conflitos.
6. Prevenção de recaídas: A pessoa aprende a identificar sinais de que os impulsos estão voltando e a agir antes que uma recaída aconteça.
O que acontece em uma sessão de TCC:
– Conversa inicial: O terapeuta pergunta como foi sua semana, se teve impulsos de furtar e como lidou com eles.
– Revisão das tarefas: Se você recebeu alguma tarefa para fazer em casa (como anotar seus impulsos ou praticar uma técnica de controle), vocês revisam juntos.
– Trabalho com pensamentos: O terapeuta ajuda você a identificar pensamentos distorcidos e a substituí-los por pensamentos mais realistas.
– Treinamento de habilidades: Vocês praticam técnicas para controlar os impulsos, como respiração profunda ou visualização.
– Planejamento da semana: Vocês combinam tarefas para a semana seguinte, como evitar gatilhos ou praticar uma técnica específica.
Duração da TCC:
– A TCC para cleptomania geralmente dura de 12 a 20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo da gravidade dos sintomas.
– As sessões costumam ser semanais, com duração de 50 a 60 minutos cada.
Terapia de aceitação e compromisso (ACT)
A ACT é uma abordagem terapêutica que combina técnicas de mindfulness (atenção plena) com estratégias para lidar com pensamentos e emoções difíceis. Ela ajuda a pessoa a aceitar seus impulsos sem agir sobre eles.
Como funciona:
1. Aceitação: A pessoa aprende a reconhecer e aceitar seus impulsos sem julgamento, em vez de lutar contra eles. Por exemplo: “Estou sentindo vontade de furtar, e isso é normal. Não preciso agir sobre essa vontade”.
2. Desfusão cognitiva: Técnicas para “descolar” dos pensamentos impulsivos. Por exemplo, imaginar que os pensamentos são nuvens passando no céu, ou dizer: “Estou tendo o pensamento de que preciso furtar”.
3. Mindfulness: Práticas de atenção plena para ajudar a pessoa a se conectar com o momento presente, em vez de ficar presa em pensamentos sobre o passado (culpa) ou o futuro (medo de ser pego).
4. Valores: A pessoa identifica seus valores pessoais (como honestidade, respeito, família) e usa esses valores como motivação para resistir aos impulsos.
5. Ação comprometida: A pessoa define metas baseadas em seus valores e age de acordo com elas, mesmo quando os impulsos aparecem.
Exemplo prático:
– Você está em uma loja e sente vontade de furtar um objeto. Em vez de lutar contra essa vontade ou se culpar por tê-la, você reconhece: “Estou sentindo vontade de furtar. Isso é um impulso, não uma ordem”. Você observa a sensação no seu corpo (coração acelerado, mãos suadas) sem julgamento. Então, lembra dos seus valores (ser uma pessoa honesta, cuidar da sua família) e decide não furtar.
Terapia psicodinâmica
A terapia psicodinâmica explora como experiências passadas, especialmente na infância, podem influenciar os comportamentos atuais. Ela ajuda a pessoa a entender as raízes emocionais dos seus impulsos.
Como funciona:
1. Exploração do passado: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar eventos traumáticos ou experiências de vida que possam estar relacionadas aos impulsos de furtar. Por exemplo: abuso, negligência, bullying, perdas.
2. Relação terapêutica: A forma como a pessoa se relaciona com o terapeuta pode revelar padrões de comportamento que se repetem em outras áreas da vida.
3. Insight: A pessoa desenvolve uma compreensão mais profunda dos seus impulsos e das emoções por trás deles. Por exemplo: “Eu roubo quando me sinto sozinha, porque isso me dá uma sensação momentânea de conexão”.
4. Elaboração: A pessoa trabalha para integrar essas compreensões à sua vida atual, desenvolvendo formas mais saudáveis de lidar com suas emoções.
Exemplo prático:
– Durante a terapia, você percebe que seus impulsos de furtar aumentam quando você se sente ignorada ou rejeitada. Você lembra que, na infância, sua mãe estava sempre ocupada com o trabalho e não tinha tempo para você. O terapeuta ajuda você a entender que, inconscientemente, você associa o furto a uma forma de chamar atenção ou de se sentir “vista”. Com essa compreensão, você começa a trabalhar formas mais saudáveis de lidar com a solidão e a rejeição.
Terapia em grupo
A terapia em grupo oferece um espaço seguro para compartilhar experiências, aprender com outras pessoas que têm o mesmo transtorno e receber apoio mútuo.
Como funciona:
1. Compartilhamento de experiências: Cada participante tem a oportunidade de falar sobre seus desafios, sucessos e recaídas.
2. Aprendizado mútuo: As pessoas trocam estratégias que funcionaram para elas, como técnicas de controle de impulsos ou formas de lidar com a culpa.
3. Suporte emocional: O grupo oferece um espaço de acolhimento, onde as pessoas se sentem compreendidas e menos sozinhas.
4. Feedback: Os participantes podem dar feedback uns aos outros, ajudando a identificar padrões de comportamento ou pensamentos distorcidos.
Exemplo prático:
– Em um grupo de terapia para cleptomania, você ouve uma participante dizer: “Eu percebi que meus impulsos aumentam quando estou estressada no trabalho. Agora, quando sinto vontade de furtar, eu saio para caminhar ou ligo para uma amiga”. Você decide experimentar essa estratégia e percebe que funciona para você também.
Terapia familiar
A cleptomania afeta não apenas a pessoa que tem o transtorno, mas também sua família. A terapia familiar ajuda a melhorar a comunicação, reduzir conflitos e oferecer suporte emocional.
Como funciona:
1. Educação sobre o transtorno: O terapeuta explica para a família o que é a cleptomania, suas causas e como ela se manifesta.
2. Melhoria da comunicação: A família aprende a conversar sobre o transtorno de forma aberta e sem julgamentos.
3. Resolução de conflitos: O terapeuta ajuda a família a lidar com conflitos relacionados ao transtorno, como mentiras, desconfiança ou problemas financeiros.
4. Suporte emocional: A família aprende a oferecer apoio emocional à pessoa com cleptomania, sem reforçar comportamentos prejudiciais.
5. Prevenção de recaídas: A família aprende a identificar sinais de que os impulsos estão voltando e a agir para prevenir recaídas.
Exemplo prático:
– Sua família está chateada porque você mentiu sobre um furto. Na terapia familiar, vocês conversam sobre como a vergonha e o medo de serem julgados te levaram a mentir. Sua família entende que a mentira não é uma questão de caráter, mas uma consequência do transtorno. Vocês combinam que, da próxima vez, eles vão te apoiar em vez de te julgar, e você se compromete a ser mais honesta.
Mudanças no dia a dia
Além de medicamentos e terapia, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a controlar os impulsos e melhorar a qualidade de vida.
Exercício físico
A prática regular de exercícios físicos ajuda a reduzir a ansiedade, melhorar o humor e aumentar o autocontrole. Alguns tipos de exercício que podem ser especialmente úteis:
- Yoga: Combina movimentos físicos com técnicas de respiração e meditação, ajudando a reduzir o estresse e aumentar a consciência corporal.
- Caminhada ou corrida: Atividades aeróbicas liberam endorfinas, substâncias que melhoram o humor e reduzem a ansiedade.
- Artes marciais: Disciplinas como judô, karatê ou jiu-jitsu ajudam a desenvolver autocontrole, disciplina e autoconfiança.
- Dança: Além de ser uma atividade física, a dança pode ser uma forma de expressão emocional e de conexão social.
Dica: Comece com atividades leves e vá aumentando a intensidade gradualmente. O importante é encontrar algo que você goste e que possa praticar regularmente.
Sono
O sono tem um papel fundamental na regulação do humor e do controle de impulsos. Dormir mal pode aumentar a ansiedade e tornar mais difícil resistir aos impulsos.
Dicas para uma boa higiene do sono:
– Rotina: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
– Ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
– Relaxamento: Evite telas (celular, TV, computador) pelo menos uma hora antes de dormir. Em vez disso, leia um livro, ouça música calma ou faça uma meditação.
– Alimentação: Evite cafeína, álcool e refeições pesadas perto da hora de dormir.
– Exercício: Pratique exercícios físicos regularmente, mas evite atividades intensas perto da hora de dormir.
Alimentação
Uma alimentação equilibrada ajuda a regular o humor, a energia e o funcionamento do cérebro. Alguns nutrientes são especialmente importantes para pessoas com cleptomania:
- Ômega-3: Encontrado em peixes como salmão e sardinha, nozes e sementes de linhaça. Ajuda a regular o humor e reduzir a impulsividade.
- Triptofano: Encontrado em alimentos como banana, ovos, queijo e chocolate amargo. É um precursor da serotonina, neurotransmissor que ajuda a regular o humor e o controle de impulsos.
- Vitaminas do complexo B: Encontradas em grãos integrais, vegetais verdes e carnes. São importantes para o funcionamento do sistema nervoso.
- Magnésio: Encontrado em vegetais verdes, nozes e sementes. Ajuda a reduzir a ansiedade e melhorar o sono.
Dica: Evite alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gorduras ruins. Eles podem causar picos de energia seguidos de quedas bruscas, o que pode aumentar a ansiedade e os impulsos.
Rotina
Ter uma rotina estruturada ajuda a reduzir a ansiedade e a criar um senso de controle. Algumas dicas:
- Planejamento: Faça uma lista das tarefas do dia e priorize as mais importantes. Isso ajuda a evitar a sensação de sobrecarga e a reduzir o estresse.
- Pausas: Inclua pausas regulares na sua rotina para relaxar e recarregar as energias. Por exemplo, faça uma caminhada de 10 minutos a cada duas horas de trabalho.
- Tempo para lazer: Reserve um tempo todos os dias para fazer algo que você goste, como ler, assistir a um filme ou conversar com um amigo.
- Técnicas de relaxamento: Pratique técnicas como respiração profunda, meditação ou mindfulness para reduzir a ansiedade e aumentar a consciência do momento presente.
Técnicas de manejo específicas
Algumas técnicas podem ajudar a controlar os impulsos no momento em que eles aparecem:
- Respiração 4-7-8:
- Inspire pelo nariz contando até 4.
- Prenda a respiração contando até 7.
- Expire pela boca contando até 8.
-
Repita 3 a 4 vezes. Essa técnica ajuda a acalmar o sistema nervoso e reduzir a ansiedade.
-
Grounding (ancoragem):
- Quando sentir o impulso de furtar, pare e observe o ambiente ao seu redor.
- Nomeie 5 coisas que você vê, 4 coisas que você toca, 3 coisas que você ouve, 2 coisas que você cheira e 1 coisa que você prova.
-
Essa técnica ajuda a trazer sua atenção para o momento presente e reduzir a intensidade do impulso.
-
Visualização:
- Feche os olhos e imagine um lugar onde você se sinta seguro e calmo, como uma praia ou uma floresta.
- Tente envolver todos os seus sentidos: o som das ondas, o cheiro do mar, a sensação da areia nos pés.
-
Essa técnica ajuda a reduzir a ansiedade e a criar uma sensação de controle.
-
Lista de prós e contras:
- Quando sentir vontade de furtar, faça uma lista mental dos prós e contras de agir sobre o impulso.
- Por exemplo:
- Prós: Alívio momentâneo, sensação de prazer.
- Contras: Culpa, vergonha, risco de ser pego, problemas legais, prejuízo financeiro.
-
Essa técnica ajuda a colocar as coisas em perspectiva e a tomar uma decisão mais consciente.
-
Contato com a natureza:
- Passar tempo ao ar livre, em contato com a natureza, ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.
- Tente incluir atividades como caminhadas em parques, jardinagem ou simplesmente sentar em um jardim.
Tecnologia assistiva
Alguns aplicativos e dispositivos podem ajudar a controlar os impulsos e monitorar o progresso no tratamento:
- Aplicativos de mindfulness:
- Apps como Headspace, Calm e Insight Timer oferecem meditações guiadas para reduzir a ansiedade e aumentar a consciência do momento presente.
- Aplicativos de controle de impulsos:
- Apps como Impulse Control e Stop, Breathe & Think ajudam a identificar gatilhos e a praticar técnicas de controle de impulsos.
- Diários digitais:
- Apps como Day One ou Journey permitem que você registre seus impulsos, emoções e estratégias que funcionaram para controlá-los.
- Lembretes:
- Use o alarme do celular para lembrar de praticar técnicas de relaxamento ou de evitar gatilhos.
- Grupos de apoio online:
- Plataformas como o Reddit têm comunidades de apoio para pessoas com transtornos do controle de impulsos, onde você pode compartilhar experiências e receber suporte.
Convivendo com o diagnóstico
Receber o diagnóstico de cleptomania é apenas o primeiro passo. Conviver com o transtorno exige paciência, autocompaixão e um compromisso contínuo com o tratamento. Nesta seção, vamos explorar como lidar com o dia a dia, como envolver familiares e amigos no processo e como reconhecer sinais de que os sintomas podem estar piorando.
Para a pessoa com o diagnóstico
Viver com cleptomania pode ser desafiador, mas também é uma oportunidade de autoconhecimento e crescimento. Aqui estão algumas estratégias para lidar com o transtorno no dia a dia:
Aceitação
O primeiro passo para conviver com a cleptomania é aceitar o diagnóstico. Isso não significa se resignar ou desistir, mas sim reconhecer que você tem um transtorno que precisa de tratamento, assim como qualquer outra condição de saúde.
Dicas para aceitação:
– Não se julgue: Lembre-se de que a cleptomania não define quem você é. Você é muito mais do que seus impulsos.
– Seja gentil consigo mesmo: Trate-se com a mesma compaixão que trataria um amigo querido que estivesse passando por uma dificuldade.
– Reconheça seus esforços: Mesmo que você ainda tenha impulsos, celebre cada vez que conseguir resistir a eles. Pequenos passos são importantes.
– Busque apoio: Converse com outras pessoas que têm cleptomania. Saber que você não está sozinho pode ser muito reconfortante.
Autoconhecimento
Entender seus gatilhos, padrões de comportamento e estratégias que funcionam para você é fundamental para controlar os impulsos.
Dicas para autoconhecimento:
– Mantenha um diário: Anote seus impulsos, quando eles acontecem, como você se sente antes e depois, e o que ajudou (ou não) a controlá-los.
– Identifique gatilhos: Preste atenção em situações, lugares, pessoas ou emoções que desencadeiam seus impulsos. Por exemplo: estresse no trabalho, solidão, tédio.
– Observe seus padrões: Você costuma furtar em determinados horários, dias da semana ou tipos de loja? Identificar esses padrões pode ajudar a evitá-los.
– Reconheça seus pontos fortes: Liste suas qualidades e habilidades. Isso ajuda a construir uma imagem mais positiva de si mesmo.
Estratégias de enfrentamento
Ter um “kit de ferramentas” com estratégias para lidar com os impulsos pode ser muito útil. Aqui estão algumas ideias:
- Plano de ação para impulsos:
- Passo 1: Reconheça o impulso. Diga a si mesmo: “Estou sentindo vontade de furtar”.
- Passo 2: Afaste-se da situação. Saia da loja ou do ambiente que está desencadeando o impulso.
- Passo 3: Use uma técnica de controle. Pode ser respiração 4-7-8, grounding ou visualização.
- Passo 4: Distraia-se. Faça algo que ocupe sua mente, como ligar para um amigo, ouvir música ou fazer uma caminhada.
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Passo 5: Reflita. Depois que o impulso passar, pense no que desencadeou e como você pode evitar isso no futuro.
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Cartão de enfrentamento:
- Escreva em um cartão as razões pelas quais você quer parar de furtar e as consequências negativas dos furtos. Leve esse cartão sempre com você e leia quando sentir o impulso.
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Exemplo:
- “Eu quero parar de furtar porque…”
- Quero me sentir orgulhoso de mim mesmo.
- Não quero magoar minha família.
- Não quero ter problemas legais.
- “Se eu furtar, posso…”
- Me sentir culpado e envergonhado.
- Perder a confiança das pessoas que amo.
- Ter que lidar com consequências financeiras e legais.
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Rede de apoio:
- Identifique pessoas em quem você confia e que podem te apoiar quando os impulsos aparecerem. Combine um código com elas (como uma palavra ou frase) para sinalizar que você está precisando de ajuda.
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Exemplo: Se você estiver em uma loja e sentir o impulso, pode enviar uma mensagem para um amigo com a palavra “ajuda”. Ele pode ligar para você e te distrair até que o impulso passe.
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Ambientes seguros:
- Evite lugares que desencadeiam seus impulsos, pelo menos no início do tratamento. Por exemplo, se você costuma furtar em supermercados, faça compras online ou peça para alguém ir com você.
- Se precisar ir a um lugar que desencadeia impulsos, vá acompanhado e combine com a pessoa que ela vai te ajudar a resistir.
Lidando com recaídas
Recaídas fazem parte do processo de recuperação. Elas não significam que você falhou ou que o tratamento não está funcionando. O importante é aprender com elas e seguir em frente.
O que fazer em caso de recaída:
1. Não se culpe: Lembre-se de que a cleptomania é um transtorno, não uma falha de caráter. Recaídas são normais e não definem quem você é.
2. Analise o que aconteceu: Tente identificar o que desencadeou a recaída. Foi estresse? Solidão? Tédio? Um gatilho específico?
3. Aprenda com a experiência: Pense no que você pode fazer diferente da próxima vez. Que estratégias poderiam ter ajudado a evitar a recaída?
4. Peça ajuda: Converse com seu terapeuta, psiquiatra ou alguém de confiança sobre o que aconteceu. Eles podem te ajudar a entender e a seguir em frente.
5. Volte ao tratamento: Se você parou de tomar medicamentos ou de ir à terapia, retome o tratamento. Se já estava em tratamento, converse com seu profissional sobre ajustes que possam ser necessários.
Exemplo prático:
– Você teve uma recaída e furtou algo em uma loja. Em vez de se culpar e desistir, você:
1. Reconhece que a recaída aconteceu porque estava estressado com problemas no trabalho.
2. Anota no seu diário o que desencadeou o impulso e como se sentiu antes e depois.
3. Conversa com seu terapeuta sobre estratégias para lidar com o estresse no trabalho.
4. Retoma seu plano de ação para impulsos e combina com um amigo que ele vai te ligar quando você estiver estressado.
Cuidando da saúde mental
A cleptomania pode afetar sua autoestima, seu humor e sua qualidade de vida. Cuidar da sua saúde mental é fundamental para o tratamento.
Dicas para cuidar da saúde mental:
– Pratique a autocompaixão: Trate-se com gentileza, como trataria um amigo querido. Reconheça seus esforços e celebre suas conquistas, por menores que sejam.
– Conecte-se com outras pessoas: Isolamento pode piorar os sintomas. Tente manter contato com amigos e familiares, mesmo que seja virtualmente.
– Faça coisas que te dão prazer: Reserve um tempo todos os dias para fazer algo que você goste, como ler, cozinhar, ouvir música ou praticar um hobby.
– Ajude os outros: Fazer algo bom para alguém pode melhorar seu humor e sua autoestima. Pode ser um gesto pequeno, como ajudar um vizinho ou doar roupas que você não usa mais.
– Pratique gratidão: Todos os dias, anote três coisas pelas quais você é grato. Isso ajuda a focar nas coisas positivas da vida e a melhorar o humor.
Lidando com consequências
A cleptomania pode trazer consequências emocionais, financeiras e legais. Lidar com essas consequências faz parte do processo de recuperação.
Consequências emocionais:
– Culpa e vergonha: É normal se sentir culpado ou envergonhado depois de um furto. Lembre-se de que esses sentimentos são uma reação ao transtorno, não um reflexo de quem você é.
– Ansiedade e depressão: A cleptomania pode levar a transtornos de ansiedade e depressão. Se você estiver se sentindo muito ansioso ou deprimido, converse com seu psiquiatra sobre ajustes no tratamento.
– Baixa autoestima: A cleptomania pode fazer com que você se sinta “fraco” ou “sem caráter”. Lembre-se de que você está lutando contra um transtorno, não contra uma falha moral.
Consequências financeiras:
– Dívidas: Se você foi pego furtando, pode ter que pagar multas ou indenizações. Converse com um advogado para entender suas opções.
– Perda de bens: Em alguns casos, você pode perder bens ou ter sua conta bloqueada. Um advogado pode te ajudar a negociar com os credores.
– Planejamento financeiro: Faça um planejamento financeiro para pagar suas dívidas e evitar novos problemas. Um consultor financeiro pode te ajudar.
Consequências legais:
– Processos judiciais: Se você foi pego furtando, pode enfrentar um processo judicial. Converse com um advogado para entender seus direitos e opções.
– Registro criminal: Dependendo do caso, você pode ter um registro criminal. Isso pode afetar suas oportunidades de trabalho e viagens. Um advogado pode te orientar sobre como lidar com essa situação.
– Medidas alternativas: Em alguns casos, é possível evitar a prisão ou o registro criminal através de medidas alternativas, como prestação de serviços comunitários ou tratamento psiquiátrico. Converse com seu advogado sobre essas opções.
Exemplo prático:
– Você foi pego furtando e está enfrentando um processo judicial. Em vez de se desesperar, você:
1. Contrata um advogado para te orientar sobre o processo.
2. Conversa com seu psiquiatra sobre um laudo que comprove seu diagnóstico e tratamento.
3. Combina com seu advogado e psiquiatra uma estratégia para mostrar ao juiz que você está buscando ajuda.
4. Se for condenado, cumpre a pena ou as medidas alternativas, mas não desiste do tratamento.
Para familiares e amigos
Ter um ente querido com cleptomania pode ser desafiador. É normal sentir raiva, frustração, medo ou até mesmo vergonha. Mas seu apoio pode fazer uma grande diferença no tratamento. Vamos entender como ajudar de forma efetiva.
Como ajudar de forma efetiva
- Eduque-se sobre o transtorno:
- Leia sobre cleptomania para entender o que seu ente querido está passando. Isso ajuda a reduzir julgamentos e a oferecer um apoio mais empático.
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Lembre-se de que a cleptomania não é uma escolha, mas um transtorno mental. Seu ente querido não está “fazendo de propósito” ou “querendo te magoar”.
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Ofereça apoio emocional:
- Diga ao seu ente querido que você está ali para apoiá-lo, não para julgá-lo. Frases como “Eu te amo e estou aqui para te ajudar” podem fazer uma grande diferença.
- Ouça sem interromper ou dar conselhos não solicitados. Às vezes, a pessoa só precisa desabafar.
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Valide os sentimentos dele. Por exemplo: “Eu entendo que você está se sentindo culpado, e isso deve ser muito difícil”.
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Incentive o tratamento:
- Encoraje seu ente querido a buscar ajuda profissional. Ofereça-se para ajudá-lo a marcar consultas ou a acompanhá-lo nas primeiras sessões.
- Se ele já estiver em tratamento, pergunte como você pode apoiá-lo. Por exemplo: “O que posso fazer para te ajudar a seguir o tratamento?”.
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Celebre as conquistas dele, por menores que sejam. Por exemplo: “Fico feliz que você tenha resistido ao impulso hoje. Isso é um grande passo!”.
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Ajude a evitar gatilhos:
- Pergunte ao seu ente querido quais situações desencadeiam seus impulsos e como você pode ajudá-lo a evitá-las.
- Ofereça-se para acompanhá-lo a lugares que desencadeiam impulsos, como supermercados ou shoppings.
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Ajude-o a criar um ambiente seguro em casa, removendo objetos que possam ser tentadores.
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Estabeleça limites saudáveis:
- É importante apoiar seu ente querido, mas também é fundamental cuidar de si mesmo. Estabeleça limites claros sobre o que você pode e não pode fazer.
- Por exemplo: “Eu te amo e quero te ajudar, mas não posso mentir para encobrir seus furtos. Isso não é bom para você nem para mim”.
- Se você se sentir sobrecarregado, busque apoio para si mesmo, como terapia ou grupos de apoio para familiares.
O que NÃO fazer
- Não julgue ou critique:
- Evite frases como “Você não tem vergonha na cara?” ou “Isso é falta de caráter”. Essas críticas só aumentam a culpa e a vergonha, piorando os sintomas.
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Lembre-se de que a cleptomania é um transtorno, não uma escolha.
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Não encubra os furtos:
- Não minta para encobrir os furtos do seu ente querido. Isso só reforça o comportamento e atrasa o tratamento.
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Por exemplo: Não diga “Foi um presente” quando alguém perguntar sobre um objeto roubado.
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Não minimize o problema:
- Evite frases como “Isso é só uma fase” ou “Todo mundo faz isso”. Minimizar o problema pode fazer com que seu ente querido não busque ajuda.
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Reconheça a gravidade do transtorno e incentive o tratamento.
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Não force a barra:
- Não force seu ente querido a falar sobre o transtorno se ele não estiver pronto. Respeite o tempo dele.
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Não o obrigue a ir a lugares que desencadeiam impulsos, como shoppings, se ele não se sentir seguro.
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Não se culpe:
- Não se culpe pelos furtos do seu ente querido. Você não é responsável pelo transtorno dele.
- Lembre-se de que você está fazendo o seu melhor para apoiá-lo.
Como cuidar de si mesmo enquanto cuida do outro
Apoiar alguém com cleptomania pode ser emocionalmente desgastante. É fundamental que você também cuide de si mesmo.
Dicas para cuidar de si mesmo:
1. Busque apoio:
– Converse com amigos ou familiares de confiança sobre o que você está passando. Eles podem oferecer um ombro amigo e uma perspectiva diferente.
– Considere participar de grupos de apoio para familiares de pessoas com transtornos mentais. No Brasil, existem grupos como o Familiares Anônimos e o Al-Anon (para familiares de dependentes químicos, mas que também acolhem outros transtornos).
- Estabeleça limites:
- Defina o que você pode e não pode fazer para ajudar seu ente querido. Por exemplo: “Eu posso te acompanhar às consultas, mas não posso mentir para encobrir seus furtos”.
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Lembre-se de que você não é responsável pelo tratamento dele. Você pode apoiar, mas não pode “consertar” a situação.
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Cuide da sua saúde mental:
- Considere fazer terapia para lidar com o estresse e as emoções que surgem ao apoiar alguém com cleptomania.
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Pratique técnicas de relaxamento, como meditação, yoga ou respiração profunda.
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Mantenha sua rotina:
- Não abandone suas atividades e hobbies por causa do transtorno do seu ente querido. Reserve um tempo para fazer coisas que te dão prazer.
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Mantenha uma rotina de sono, alimentação e exercícios físicos. Isso ajuda a reduzir o estresse e a manter a energia.
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Reconheça seus limites:
- Se você se sentir sobrecarregado, não hesite em pedir ajuda. Pode ser para um amigo, um familiar ou um profissional de saúde mental.
- Lembre-se de que você não pode controlar o comportamento do seu ente querido, mas pode controlar como você reage a ele.
Como explicar para outras pessoas
Explicar a cleptomania para outras pessoas pode ser desafiador, especialmente por causa do estigma associado a furtos. Aqui estão algumas dicas:
- Escolha o momento certo:
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Escolha um momento tranquilo, quando a pessoa estiver aberta a ouvir. Evite explicar em momentos de estresse ou conflito.
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Seja honesto, mas cuidadoso:
- Explique que a cleptomania é um transtorno mental, não uma escolha. Use uma linguagem simples e evite jargões médicos.
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Exemplo: “A cleptomania é um transtorno que faz com que a pessoa sinta impulsos incontroláveis de furtar coisas que não precisa. Não é falta de caráter, é como se o cérebro dela estivesse programado para buscar aquele alívio momentâneo que o furto proporciona”.
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Dê exemplos:
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Use exemplos para ilustrar como o transtorno se manifesta. Por exemplo: “É como quando você está com muita fome e sente vontade de comer um doce. Você sabe que não deve, mas a vontade é tão forte que é difícil resistir. Na cleptomania, é assim, mas com o impulso de furtar”.
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Explique o tratamento:
- Fale sobre as opções de tratamento, como terapia e medicamentos. Isso ajuda a mostrar que o transtorno tem solução.
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Exemplo: “Existem tratamentos que ajudam a controlar os impulsos, como terapia e medicamentos. Meu ente querido está buscando ajuda e já está melhorando”.
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Peça apoio:
- Se a pessoa for próxima, peça que ela ajude a apoiar seu ente querido. Por exemplo: “Se você notar que ele está estressado, pode oferecer uma distração ou um ombro amigo”.
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Se a pessoa não for próxima, peça que ela respeite a privacidade do seu ente querido e evite julgamentos.
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Esteja preparado para perguntas:
- Algumas pessoas podem fazer perguntas insensíveis ou julgadoras. Esteja preparado para respondê-las com calma e firmeza.
- Exemplo de pergunta: “Por que ele não para de roubar se sabe que é errado?”.
- Exemplo de resposta: “Porque não é uma questão de saber o que é certo ou errado. É como pedir para uma pessoa com depressão ‘sair dessa’ – não é uma questão de força de vontade, mas de tratamento”.
Quando os sintomas podem piorar?
Os sintomas da cleptomania podem variar ao longo do tempo. Alguns períodos são mais desafiadores, e é importante reconhecer os sinais de que os impulsos estão piorando para agir antes que uma recaída aconteça.
Sinais de que os sintomas podem estar piorando:
1. Aumento da frequência dos impulsos:
– Você está sentindo vontade de furtar com mais frequência do que o normal.
– Os impulsos estão mais intensos e difíceis de controlar.
- Dificuldade para resistir:
- Você está tendo mais dificuldade para resistir aos impulsos, mesmo usando as estratégias que funcionavam antes.
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Você está furando com mais frequência, mesmo que sejam objetos pequenos ou sem valor.
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Mudanças no humor:
- Você está mais irritado, ansioso ou deprimido do que o normal.
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Você está se sentindo mais culpado ou envergonhado depois dos furtos.
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Isolamento social:
- Você está evitando contato com amigos e familiares por vergonha ou medo de ser descoberto.
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Você está cancelando planos ou evitando situações sociais.
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Negligência com o tratamento:
- Você está faltando às consultas com o psiquiatra ou terapeuta.
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Você está deixando de tomar os medicamentos ou de praticar as técnicas de controle de impulsos.
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Estresse ou mudanças na vida:
- Você está passando por um período de estresse, como problemas no trabalho, término de relacionamento ou perda de um ente querido.
- Você está enfrentando mudanças significativas na vida, como mudança de cidade, novo emprego ou nascimento de um filho.
O que fazer se os sintomas piorarem:
1. Reconheça os sinais:
– Se você notar que os impulsos estão piorando, não ignore. Reconheça que é um sinal de que você precisa de mais apoio.
- Converse com seu profissional de saúde mental:
- Marque uma consulta com seu psiquiatra ou terapeuta para avaliar se é necessário ajustar o tratamento.
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Se você estiver tomando medicamentos, converse sobre possíveis ajustes na dose ou na medicação.
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Reforce as estratégias de enfrentamento:
- Volte a praticar as técnicas de controle de impulsos que funcionavam para você.
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Evite gatilhos e situações de risco, pelo menos temporariamente.
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Busque apoio:
- Converse com amigos, familiares ou grupos de apoio sobre o que você está passando. Eles podem te ajudar a se sentir menos sozinho e a encontrar soluções.
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Se você estiver se sentindo muito ansioso ou deprimido, considere fazer terapia adicional ou participar de um grupo de apoio.
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Cuide da sua saúde física:
- Pratique exercícios físicos, alimente-se bem e durma o suficiente. Uma rotina saudável ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.
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Evite álcool e drogas, pois eles podem piorar os impulsos e a ansiedade.
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Seja gentil consigo mesmo:
- Lembre-se de que pioras fazem parte do processo de recuperação. Não se culpe ou desista.
- Celebre cada pequeno passo, mesmo que sejam apenas tentativas de resistir aos impulsos.
Exemplo prático:
– Você percebe que está sentindo vontade de furtar com mais frequência e está tendo dificuldade para resistir. Em vez de se desesperar, você:
1. Reconhece que os sintomas estão piorando e que precisa de mais apoio.
2. Marca uma consulta com seu psiquiatra para avaliar se é necessário ajustar a medicação.
3. Conversa com seu terapeuta sobre estratégias adicionais para controlar os impulsos.
4. Pede para um amigo te acompanhar a lugares que desencadeiam impulsos.
5. Retoma sua rotina de exercícios e meditação para reduzir o estresse.
6. Lembra-se de que essa piora é temporária e que você está fazendo o seu melhor.
Perguntas frequentes
Aqui estão algumas perguntas que pacientes e familiares costumam fazer sobre a cleptomania, com respostas detalhadas:
1. “Cleptomania tem cura?”
A cleptomania não tem uma “cura” no sentido tradicional, como tomar um remédio e nunca mais ter sintomas. No entanto, ela tem tratamento, e muitas pessoas conseguem controlar os sintomas a ponto de não terem mais impulsos ou recaídas.
O que isso significa na prática?
– Controle dos sintomas: Com tratamento adequado (medicamentos + terapia), a maioria das pessoas consegue reduzir a frequência e a intensidade dos impulsos. Algumas chegam a ficar meses ou anos sem furtar.
– Melhora da qualidade de vida: O tratamento ajuda a reduzir a culpa, a vergonha e a ansiedade associadas ao transtorno, melhorando a autoestima e os relacionamentos.
– Recaídas: Mesmo com tratamento, recaídas podem acontecer, especialmente em períodos de estresse. Elas não significam que o tratamento falhou, mas sim que é necessário ajustá-lo.
– Remissão: Em alguns casos, os sintomas podem desaparecer completamente, especialmente se o tratamento começar cedo e a pessoa tiver um bom suporte social.
Exemplo prático:
– João foi diagnosticado com cleptomania aos 25 anos. Após dois anos de tratamento (terapia + medicamentos), ele não teve mais impulsos de furtar. Ele continua tomando a medicação e fazendo terapia de manutenção, mas vive uma vida normal, sem sofrer com os sintomas.
2. “Como diferenciar cleptomania de roubo comum?”
Essa é uma dúvida muito comum, especialmente porque a cleptomania ainda é cercada de estigma. A diferença principal está na motivação e no padrão de comportamento.
| Aspecto | Cleptomania | Roubo comum |
|---|---|---|
| Motivação | Impulso incontrolável, sem motivo racional. O objeto roubado não é necessário. | Ganho material, necessidade, status ou rebeldia. O objeto roubado é desejado. |
| Planejamento | Não há planejamento. O furto é impulsivo e muitas vezes em situações de risco. | Pode ser planejado, com estratégias para não ser pego. |
| Sentimentos antes | Tensão crescente, ansiedade, urgência. | Pode haver ansiedade, mas é proporcional ao risco (ex.: medo de ser pego). |
| Sentimentos durante | Prazer, alívio ou satisfação intensa, mas passageira. | Satisfação por obter o objeto desejado. |
| Sentimentos depois | Culpa, vergonha, arrependimento. | Pode haver satisfação, indiferença ou medo de ser pego (mas não culpa intensa). |
| Objetos roubados | Geralmente objetos sem valor ou utilidade para a pessoa. | Objetos valiosos ou desejados. |
| Tentativas de parar | A pessoa tenta resistir, mas não consegue. | A pessoa pode parar se achar que não vale a pena ou se for pega. |
| Impacto na vida | Sofrimento emocional intenso, problemas legais, financeiros e nos relacionamentos. | Pode haver problemas legais, mas não necessariamente sofrimento emocional. |
Exemplo prático:
– Cleptomania: Maria rouba um sabonete líquido em uma farmácia. Ela não precisa do sabonete (já tem vários em casa), mas sentiu um impulso incontrolável. Depois, sente culpa e joga o sabonete fora.
– Roubo comum: Pedro rouba um celular em uma loja. Ele planejou o furto, escolheu um modelo caro e vendeu o celular para ganhar dinheiro. Depois, não sente culpa, apenas satisfação por ter conseguido o que queria.
3. “Cleptomania é mais comum em mulheres?”
Sim, estudos mostram que a cleptomania é 3 vezes mais comum em mulheres do que em homens. No entanto, isso não significa que homens não possam ter o transtorno – eles simplesmente são menos diagnosticados.
Possíveis razões para essa diferença:
1. Busca por tratamento: Mulheres tendem a buscar ajuda médica mais cedo do que homens, o que pode levar a mais diagnósticos.
2. Estigma: Homens podem ter mais vergonha de admitir que têm cleptomania, por medo de serem vistos como “fracos” ou “sem caráter”.
3. Comorbidades: Mulheres têm mais chances de ter transtornos associados à cleptomania, como depressão, ansiedade e transtornos alimentares (especialmente bulimia).
4. Fatores hormonais: Alguns estudos sugerem que flutuações hormonais (como no período menstrual ou na menopausa) podem influenciar os impulsos em mulheres.
Importante:
– A cleptomania não é um transtorno “feminino”. Homens também podem ter, e o tratamento é igualmente eficaz para ambos os gêneros.
– Se você é homem e suspeita que tem cleptomania, não tenha vergonha de buscar ajuda. O transtorno não tem relação com sua masculinidade ou caráter.
4. “Cleptomania pode levar à prisão?”
Sim, infelizmente, a cleptomania pode levar a problemas legais, incluindo prisão. Isso acontece porque, aos olhos da lei, um furto é um furto, independentemente da motivação.
O que acontece se você for pego?:
1. Flagrante: Se você for pego furtando, pode ser detido em flagrante e levado à delegacia.
2. Boletim de Ocorrência: A loja pode registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) contra você.
3. Prisão preventiva: Dependendo do valor do objeto roubado e do seu histórico criminal, você pode ser preso preventivamente (ficar detido até o julgamento).
4. Processo judicial: Você será processado criminalmente. Se condenado, pode pegar pena de 1 a 4 anos de prisão (no caso de furto simples) ou mais, dependendo das circunstâncias.
5. Medidas alternativas: Em alguns casos, é possível evitar a prisão através de medidas alternativas, como:
– Prestação de serviços à comunidade: Trabalhar em hospitais, escolas ou ONGs por um período determinado.
– Pagamento de multa ou indenização: Pagar uma multa ou indenizar a loja pelo objeto roubado.
– Tratamento psiquiátrico: Apresentar um laudo médico comprovando o diagnóstico e o tratamento pode ajudar a reduzir a pena ou evitar a prisão.
Como evitar problemas legais?:
– Busque tratamento: Quanto antes você buscar ajuda, menores são as chances de ter problemas legais.
– Evite gatilhos: Fique longe de lugares ou situações que desencadeiam seus impulsos.
– Tenha um plano de ação: Combine com seu terapeuta ou psiquiatra um plano para lidar com os impulsos quando eles aparecerem.
– Converse com um advogado: Se você já teve problemas legais, converse com um advogado para entender suas opções.
Exemplo prático:
– Ana foi pega furtando pela terceira vez. Na delegacia, ela explicou que tem cleptomania e mostrou um laudo médico. O juiz determinou que ela fizesse tratamento psiquiátrico e prestasse serviços à comunidade, em vez de ir para a prisão. Ana seguiu o tratamento e não teve mais problemas legais.
5. “Cleptomania está relacionada a outros transtornos mentais?”
Sim, a cleptomania raramente vem sozinha. Ela costuma aparecer junto com outros transtornos mentais, o que é chamado de comorbidade. Alguns dos transtornos mais comuns associados à cleptomania são:
- Transtornos do humor:
- Depressão: Até 100% das pessoas com cleptomania têm depressão em algum momento da vida. A culpa e a vergonha pelos furtos podem piorar os sintomas depressivos.
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Transtorno bipolar: Especialmente em fases de mania ou hipomania, quando a impulsividade está aumentada.
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Transtornos de ansiedade:
- Transtorno de ansiedade generalizada: A ansiedade constante pode desencadear ou piorar os impulsos de furtar.
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Transtorno do pânico: Os ataques de pânico podem ser gatilhos para os furtos.
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Transtornos alimentares:
- Bulimia nervosa: Até 24% das pessoas com bulimia também têm cleptomania. O furto pode ser uma forma de aliviar a ansiedade associada à compulsão alimentar.
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Transtorno de compulsão alimentar: A impulsividade presente nesse transtorno pode se manifestar também nos furtos.
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Transtornos por uso de substâncias:
- Dependência de álcool: O álcool reduz o controle de impulsos, o que pode piorar os sintomas da cleptomania.
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Dependência de drogas: Substâncias como cocaína e anfetaminas aumentam a impulsividade e podem desencadear furtos.
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Outros transtornos do controle de impulsos:
- Jogo patológico: A dificuldade de controlar impulsos está presente em ambos os transtornos.
- Compras compulsivas: A pessoa pode ter impulsos tanto para comprar quanto para furtar objetos.
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Tricotilomania: Impulso de arrancar cabelos ou pelos.
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Transtornos de personalidade:
- Transtorno de personalidade borderline: A impulsividade e a instabilidade emocional são características comuns.
- Transtorno de personalidade antissocial: Embora menos comum, pode haver uma sobreposição de sintomas, especialmente em casos mais graves.
Por que isso acontece?
– Fatores genéticos: Alguns genes podem aumentar o risco para vários transtornos do controle de impulsos e do humor.
– Fatores neurobiológicos: Alterações em neurotransmissores como serotonina e dopamina estão presentes em vários transtornos mentais.
– Fatores ambientais: Traumas, estresse e experiências de vida podem desencadear ou piorar vários transtornos ao mesmo tempo.
Exemplo prático:
– Carla tem cleptomania e bulimia. Quando ela come compulsivamente, sente culpa e vergonha. Para aliviar esses sentimentos, ela furta objetos em lojas. Depois do furto, ela se sente ainda mais culpada e volta a comer compulsivamente. É um ciclo vicioso que só melhora com tratamento para ambos os transtornos.
6. “Como explicar para meu filho que eu tenho cleptomania?”
Explicar a cleptomania para uma criança pode ser desafiador, mas é importante que ela entenda o que está acontecendo, especialmente se os furtos estiverem afetando a família. Aqui estão algumas dicas:
- Escolha o momento certo:
- Escolha um momento tranquilo, quando a criança estiver calma e receptiva. Evite explicar em momentos de estresse ou conflito.
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Se possível, explique quando a criança já tiver idade suficiente para entender (geralmente a partir dos 6-7 anos).
-
Use uma linguagem simples:
- Explique que você tem um “problema no cérebro” que faz com que você sinta uma vontade muito forte de pegar coisas que não são suas, mesmo sabendo que é errado.
-
Compare com algo que a criança entenda. Por exemplo: “É como quando você sente vontade de comer um doce antes do jantar. Você sabe que não deve, mas a vontade é tão forte que é difícil resistir. No meu caso, é assim com pegar coisas em lojas”.
-
Diga que não é culpa dela:
- Crianças podem se culpar pelos problemas dos pais. Deixe claro que o transtorno não tem nada a ver com ela e que você está buscando ajuda.
-
Exemplo: “Isso não é culpa sua, nem minha. É uma doença, como a asma ou a diabetes, e estou me tratando para melhorar”.
-
Explique o tratamento:
- Diga que você está fazendo tratamento (terapia, medicamentos) para controlar os impulsos e que isso vai ajudar a família a ficar mais feliz e unida.
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Exemplo: “Estou tomando remédios e conversando com uma médica para aprender a controlar essa vontade. Assim, vou conseguir parar de pegar coisas e a gente vai poder fazer mais programas juntos”.
-
Responda às perguntas:
- Crianças podem fazer perguntas difíceis, como “Você vai ser preso?” ou “Por que você faz isso?”. Responda com honestidade, mas de forma adequada à idade.
- Exemplo de pergunta: “Você vai ser preso?”.
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Exemplo de resposta: “Eu estou fazendo de tudo para não ser pego, porque isso magoaria muito a gente. Mas se acontecer, a gente vai se ajudar e superar juntos”.
-
Dê segurança:
- Reforce que você ama a criança e que está fazendo o possível para melhorar.
-
Exemplo: “Eu te amo muito e quero ser um pai/mãe melhor para você. Por isso, estou me tratando”.
-
Envolva a criança no processo (se apropriado):
- Dependendo da idade, você pode pedir ajuda à criança para evitar gatilhos. Por exemplo: “Quando a gente for ao mercado, você pode me ajudar a ficar de olho nas minhas mãos?”.
Exemplo prático:
– João tem cleptomania e um filho de 8 anos. Ele explica: “Filho, você sabe que às vezes eu pego coisas em lojas sem pagar? Isso acontece porque eu tenho uma doença que faz meu cérebro sentir uma vontade muito forte de pegar coisas, mesmo sabendo que é errado. Não é porque eu não te amo ou porque sou uma pessoa ruim. É como se meu cérebro ficasse confuso. Mas estou tomando remédios e conversando com uma médica para melhorar. Você pode me ajudar ficando de olho nas minhas mãos quando a gente for às compras?”.
7. “Cleptomania pode começar na infância?”
A cleptomania geralmente começa no final da adolescência ou início da idade adulta, por volta dos 16 aos 20 anos. É raro o início na infância, mas não impossível.
O que pode ser confundido com cleptomania na infância?:
1. Furtos normais da infância:
– Crianças pequenas podem pegar objetos por curiosidade, sem entender que é errado. Isso é normal e não é cleptomania.
– Exemplo: Uma criança de 4 anos pega um brinquedo na casa de um amigo porque achou bonito. Ela não entende que isso é roubo.
- Transtorno de conduta:
- Crianças e adolescentes com transtorno de conduta podem roubar como parte de um padrão de comportamento desafiador e agressivo.
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Exemplo: Um adolescente de 14 anos rouba carros, bate em colegas e destrói propriedade alheia. Ele não sente culpa e faz isso como forma de rebeldia.
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Transtorno de oposição desafiante:
- Crianças com esse transtorno podem roubar como forma de desafiar figuras de autoridade, como pais e professores.
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Exemplo: Uma criança de 10 anos rouba o lanche de um colega porque está com raiva da professora.
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Furtos por necessidade:
- Crianças em situação de vulnerabilidade social podem roubar por necessidade, como comida ou material escolar.
- Exemplo: Uma criança rouba comida porque está com fome e não tem o que comer em casa.
Quando suspeitar de cleptomania na infância?:
– A criança rouba objetos que não têm valor ou utilidade para ela.
– Ela sente uma tensão crescente antes do furto e alívio depois.
– Ela tenta resistir ao impulso, mas não consegue.
– Ela sente culpa ou vergonha depois do furto.
– Os furtos acontecem várias vezes, mesmo com consequências negativas (como ser pega ou castigada).
O que fazer se suspeitar de cleptomania na infância?:
1. Não julgue ou castigue: Lembre-se de que a cleptomania é um transtorno, não uma escolha. Castigos podem piorar a culpa e a vergonha.
2. Converse com a criança: Pergunte como ela se sente antes e depois dos furtos. Tente entender o que está por trás do comportamento.
3. Busque ajuda profissional: Leve a criança a um psicólogo infantil ou psiquiatra. Eles podem avaliar se é cleptomania ou outro problema.
4. Evite gatilhos: Se a criança rouba quando está estressada ou entediada, tente reduzir essas situações.
5. Ensine sobre honestidade: Converse sobre a importância de ser honesto, mas sem fazer a criança se sentir culpada.
Exemplo prático:
– A mãe de Lucas, de 12 anos, percebe que ele está roubando objetos pequenos na escola, como lápis e borrachas. Ela conversa com ele e descobre que ele sente uma “coceira” nas mãos antes de pegar as coisas e um alívio depois. Ela leva Lucas a um psicólogo, que diagnostica cleptomania. Com terapia e apoio da família, Lucas aprende a controlar os impulsos.
8. “Cleptomania pode desaparecer sozinha?”
A cleptomania não costuma desaparecer sozinha. Sem tratamento, os sintomas tendem a piorar com o tempo, especialmente em períodos de estresse.
Por que não desaparece sozinha?:
1. Base neurobiológica: A cleptomania está associada a alterações no cérebro, especialmente em áreas relacionadas ao controle de impulsos e ao sistema de recompensa. Essas alterações não se corrigem sozinhas.
2. Ciclo vicioso: O furto traz alívio momentâneo, mas depois vem a culpa e a vergonha. Esses sentimentos podem levar a mais furtos, criando um ciclo difícil de quebrar sem ajuda.
3. Comorbidades: A cleptomania costuma vir junto com outros transtornos, como depressão e ansiedade. Esses transtornos também precisam de tratamento para que a cleptomania melhore.
4. Hábitos arraigados: Com o tempo, o furto pode se tornar um hábito automático, como roer unhas ou cutucar a pele. Quebrar esse hábito exige esforço consciente e estratégias específicas.
O que pode acontecer sem tratamento?:
– Piora dos sintomas: Os impulsos podem se tornar mais frequentes e intensos.
– Problemas legais: Aumenta o risco de ser pego e enfrentar processos judiciais.
– Problemas financeiros: Multas, indenizações e gastos com advogados podem levar a dívidas.
– Problemas nos relacionamentos: A mentira e a desconfiança podem afastar amigos e familiares.
– Sofrimento emocional: A culpa e a vergonha podem levar a depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas.
Exceções:
– Em alguns casos, os sintomas podem diminuir temporariamente, especialmente se a pessoa estiver passando por um período de baixo estresse ou se encontrar outras formas de aliviar a ansiedade.
– No entanto, mesmo nesses casos, os sintomas costumam voltar quando a pessoa enfrenta novos desafios ou estresse.
Exemplo prático:
– Mariana começou a furtar na adolescência. Na faculdade, os sintomas diminuíram porque ela estava ocupada e feliz. Mas quando começou a trabalhar e enfrentou estresse no emprego, os impulsos voltaram com mais força. Ela percebeu que precisava de tratamento para controlar os sintomas de vez.
9. “Como lidar com a culpa depois de um furto?”
A culpa é um dos sentimentos mais comuns depois de um furto em pessoas com cleptomania. Ela pode ser tão intensa que leva a um ciclo de autodepreciação e novos furtos. Vamos entender como lidar com ela:
- Reconheça a culpa:
- Não tente ignorar ou minimizar o que sente. Reconheça que a culpa é uma reação normal ao que aconteceu.
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Exemplo: “Eu me sinto culpado porque sei que o que fiz foi errado. Isso mostra que tenho consciência e que quero melhorar”.
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Entenda a diferença entre culpa e vergonha:
- Culpa: “Eu fiz algo errado”. É um sentimento focado na ação.
- Vergonha: “Eu sou uma pessoa errada”. É um sentimento focado em quem você é.
- A culpa pode ser construtiva (te motiva a mudar), mas a vergonha é destrutiva (te faz se sentir sem valor).
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Exemplo: Em vez de pensar “Sou uma pessoa horrível”, pense “Eu fiz algo errado, mas isso não define quem eu sou”.
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Não se puna:
- Evite se machucar, se isolar ou se privar de coisas boas como forma de “pagar” pelo que fez.
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Exemplo: Em vez de se trancar em casa e pular refeições, faça algo que te faça se sentir bem, como conversar com um amigo ou praticar um hobby.
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Repare o erro (se possível):
- Se o furto causou prejuízo a alguém, tente reparar. Isso pode ajudar a aliviar a culpa.
- Exemplo: Se você roubou algo de uma loja, pode devolver o objeto ou pagar pelo que pegou (mesmo que anonimamente).
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Se não for possível reparar, faça algo bom para compensar. Por exemplo: doe roupas ou alimentos para quem precisa.
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Aprenda com a experiência:
- Pergunte-se: “O que eu posso aprender com isso? Como posso evitar que aconteça de novo?”.
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Exemplo: “Eu percebi que fico mais impulsivo quando estou estressado. Preciso encontrar outras formas de lidar com o estresse”.
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Converse com alguém de confiança:
- Falar sobre o que aconteceu pode aliviar a culpa. Escolha alguém que não vá te julgar, como um terapeuta, um amigo próximo ou um familiar.
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Exemplo: “Eu furtei de novo e estou me sentindo muito culpado. Você pode me ouvir?”.
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Pratique a autocompaixão:
- Trate-se com a mesma gentileza que trataria um amigo querido que estivesse passando por uma dificuldade.
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Exemplo: Em vez de pensar “Eu sou um fracasso”, pense “Eu estou passando por um momento difícil, mas estou buscando ajuda para melhorar”.
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Use técnicas de relaxamento:
- A culpa pode causar ansiedade e estresse. Técnicas como respiração profunda, meditação ou yoga podem ajudar a acalmar a mente.
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Exemplo: Faça a respiração 4-7-8 (inspire por 4 segundos, prenda por 7, expire por 8) para reduzir a ansiedade.
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Lembre-se do tratamento:
- A culpa é um sinal de que você quer melhorar. Use esse sentimento como motivação para seguir o tratamento e evitar novos furtos.
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Exemplo: “Eu me sinto culpado, mas isso mostra que estou no caminho certo. Vou continuar com a terapia e os medicamentos”.
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Evite o ciclo da culpa:
- A culpa pode levar a mais furtos (“Já que sou uma pessoa horrível, tanto faz”). Reconheça esse padrão e quebre o ciclo.
- Exemplo: Se sentir vontade de furtar de novo por causa da culpa, use uma técnica de controle de impulsos ou ligue para alguém de confiança.
Exemplo prático:
– Depois de um furto, Pedro se sente extremamente culpado. Em vez de se isolar, ele:
1. Reconhece a culpa e a diferencia da vergonha.
2. Conversa com seu terapeuta sobre o que aconteceu.
3. Devolve o objeto roubado anonimamente.
4. Pratica autocompaixão, lembrando-se de que está em tratamento e que recaídas fazem parte do processo.
5. Usa a culpa como motivação para seguir o tratamento e evitar novos furtos.
10. “Cleptomania tem relação com inteligência ou nível socioeconômico?”
Não, a cleptomania não tem relação com inteligência ou nível socioeconômico. Ela pode afetar pessoas de todas as classes sociais, níveis de educação e origens culturais.
Mitos sobre cleptomania e nível socioeconômico:
❌ Mito 1: “Só pessoas ricas têm cleptomania porque não precisam roubar”.
✅ Verdade: A cleptomania não tem relação com necessidade financeira. Pessoas ricas, pobres e de classe média podem ter o transtorno. O que define a cleptomania não é o valor do objeto roubado, mas sim o impulso incontrolável.
❌ Mito 2: “Pessoas com cleptomania são más ou sem caráter”.
✅ Verdade: A cleptomania é um transtorno mental, não uma questão de caráter. Pessoas com o transtorno geralmente sofrem muito com a culpa e a vergonha, e querem parar de furtar.
❌ Mito 3: “Cleptomania é coisa de gente burra”.
✅ Verdade: A cleptomania não tem relação com inteligência. Pessoas com alto nível de educação e QI elevado podem ter o transtorno.
Por que esses mitos existem?:
1. Estigma: A sociedade tende a julgar comportamentos que não entende. Como a cleptomania envolve furtos, muitas pessoas a associam a “falta de caráter” ou “maldade”.
2. Falta de informação: Muitas pessoas não sabem que a cleptomania é um transtorno mental e acreditam que é uma escolha.
3. Casos famosos: Algumas celebridades ou pessoas ricas foram diagnosticadas com cleptomania, o que pode dar a impressão de que o transtorno afeta apenas esse grupo. Na realidade, a cleptomania é rara em todos os grupos sociais.
Exemplo prático:
– Caso 1: Ana é uma executiva bem-sucedida, com alto salário e nível superior. Ela tem cleptomania e rouba objetos pequenos em lojas, mesmo tendo dinheiro para comprar.
– Caso 2: João é um trabalhador autônomo, com ensino médio completo e renda média. Ele também tem cleptomania e rouba objetos sem valor em supermercados.
– Caso 3: Maria é uma estudante universitária de baixa renda. Ela tem cleptomania e rouba canetas e cadernos na faculdade, mesmo podendo comprar esses materiais.
Nos três casos, a cleptomania não tem relação com inteligência ou nível socioeconômico. O que os une é o impulso incontrolável de furtar, independentemente da necessidade ou do valor do objeto.
Quando procurar ajuda urgente
A cleptomania pode trazer consequências graves, tanto emocionais quanto legais. É importante saber reconhecer os sinais de que a situação está ficando fora de controle e que é hora de buscar ajuda urgente.
Sinais de alerta emocional
- Pensamentos suicidas:
- Você está pensando em se machucar ou em acabar com sua vida por causa da culpa ou da vergonha.
- Você já fez planos ou tentativas de suicídio.
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O que fazer: Procure ajuda imediatamente. Ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no número 188 ou vá a um pronto-socorro psiquiátrico.
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Depressão grave:
- Você está se sentindo triste, vazio ou sem esperança na maior parte do tempo.
- Você perdeu o interesse em atividades que antes gostava.
- Você está tendo dificuldade para dormir, comer ou se concentrar.
- Você se sente inútil ou sem valor.
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O que fazer: Marque uma consulta urgente com um psiquiatra ou vá a um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).
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Ansiedade intensa:
- Você está tendo ataques de pânico (coração acelerado, falta de ar, medo de morrer).
- Você está evitando situações sociais por medo de ter impulsos ou de ser descoberto.
- Você está tendo pensamentos obsessivos sobre os furtos ou sobre ser pego.
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O que fazer: Converse com seu psiquiatra sobre ajustes na medicação ou busque terapia de emergência.
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Automutilação:
- Você está se cortando, se queimando ou se machucando de outras formas para aliviar a culpa ou a ansiedade.
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O que fazer: Procure ajuda médica imediatamente. Vá a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).
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Abuso de substâncias:
- Você está usando álcool ou drogas para aliviar a culpa, a vergonha ou a ansiedade.
- Você está bebendo ou usando drogas em excesso, mesmo sabendo que isso piora seus impulsos.
- O que fazer: Busque ajuda em um CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) ou converse com seu psiquiatra.
Sinais de alerta comportamentais
- Furtos frequentes e arriscados:
- Você está furtando com mais frequência, mesmo em situações de alto risco (como em lojas com câmeras ou seguranças).
- Você está roubando objetos de valor ou em grandes quantidades.
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O que fazer: Converse com seu terapeuta ou psiquiatra sobre estratégias para controlar os impulsos. Se necessário, peça para alguém te acompanhar a lugares que desencadeiam os furtos.
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Problemas legais graves:
- Você foi pego furtando e está enfrentando um processo judicial.
- Você foi preso ou está em risco de ser preso.
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O que fazer: Converse com um advogado imediatamente. Peça ao seu psiquiatra um laudo que comprove seu diagnóstico e tratamento.
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Isolamento social extremo:
- Você está evitando contato com amigos e familiares por vergonha ou medo de ser descoberto.
- Você está cancelando planos e se isolando em casa.
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O que fazer: Peça ajuda a alguém de confiança. Converse com seu terapeuta sobre como reconstruir suas relações sociais.
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Negligência com a saúde:
- Você está deixando de tomar medicamentos, de ir às consultas ou de seguir o tratamento.
- Você está negligenciando sua saúde física (não se alimentando bem, não dormindo, não praticando exercícios).
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O que fazer: Retome o tratamento imediatamente. Peça ajuda a um familiar ou amigo para te lembrar de tomar os medicamentos e ir às consultas.
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Comportamentos de risco:
- Você está se colocando em situações perigosas, como dirigir embriagado ou se envolver em brigas.
- Você está tendo comportamentos sexuais de risco ou gastando dinheiro de forma impulsiva.
- O que fazer: Converse com seu psiquiatra sobre ajustes no tratamento. Busque apoio em grupos de ajuda mútua, como os Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA) ou Devedores Anônimos.
Sinais de alerta para familiares
Se você é familiar ou amigo de alguém com cleptomania, fique atento a esses sinais de que a situação está ficando grave:
- Ameaças de suicídio:
- A pessoa está falando em se machucar ou em acabar com a vida.
- Ela está dando indícios de que não vê mais sentido em viver.
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O que fazer: Não deixe a pessoa sozinha. Leve-a a um pronto-socorro psiquiátrico ou ligue para o SAMU (192).
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Comportamentos autodestrutivos:
- A pessoa está se machucando, abusando de álcool ou drogas, ou se colocando em situações de risco.
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O que fazer: Converse com ela sobre o que está acontecendo e incentive-a a buscar ajuda profissional.
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Problemas legais graves:
- A pessoa foi presa ou está enfrentando um processo judicial sério.
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O que fazer: Ajude-a a encontrar um advogado e converse com o psiquiatra dela sobre um laudo médico.
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Isolamento extremo:
- A pessoa está se isolando de todos, inclusive de você.
- Ela está cancelando planos e evitando contato social.
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O que fazer: Tente manter contato, mesmo que ela resista. Ofereça seu apoio e incentive-a a buscar ajuda.
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Negligência com a saúde:
- A pessoa está deixando de tomar medicamentos, de ir às consultas ou de seguir o tratamento.
- Ela está negligenciando sua saúde física (não se alimentando bem, não dormindo, não praticando exercícios).
- O que fazer: Ofereça-se para acompanhá-la às consultas ou para ajudá-la a lembrar de tomar os medicamentos.
Onde buscar ajuda urgente no Brasil
- CVV (Centro de Valorização da Vida):
- O CVV oferece apoio emocional gratuito 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Telefone: 188 (ligação gratuita).
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Site: www.cvv.org.br (chat e e-mail).
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SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência):
- O SAMU oferece atendimento médico de emergência.
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Telefone: 192.
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Pronto-socorro psiquiátrico:
- Muitos hospitais têm pronto-socorros psiquiátricos para atendimento de emergência.
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Exemplos:
- São Paulo: Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
- Rio de Janeiro: Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
- Porto Alegre: Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
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CAPS (Centro de Atenção Psicossocial):
- Os CAPS oferecem atendimento especializado em saúde mental, incluindo emergências.
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Como encontrar: Procure o CAPS mais próximo da sua casa no site do Ministério da Saúde: www.saude.gov.br.
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UBS (Unidade Básica de Saúde):
- As UBS podem encaminhar para atendimento psiquiátrico de emergência.
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Como encontrar: Procure a UBS mais próxima da sua casa no site do Ministério da Saúde.
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Grupos de apoio:
- Grupos como o Familiares Anônimos e o Cleptomaníacos Anônimos oferecem apoio emocional e compartilhamento de experiências.
- Como encontrar: Procure grupos na sua cidade ou online.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Grant, J. E., & Potenza, M. N. (2008). Impulse Control Disorders: A Clinician’s Guide to Understanding and Treating Behavioral Addictions. New York: W.W. Norton & Company.
- Aboujaoude, E., & Koran, L. M. (2010). Impulse Control Disorders. Cambridge: Cambridge University Press.
- Tavares, H., & Alarcón, R. (2012). Transtornos do Controle dos Impulsos. Porto Alegre: Artmed.
- Kaplan, H. I., & Sadock, B. J. (2017). Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 11ª ed. Porto Alegre: Artmed.
- Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed.
- Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Clínica Psiquiátrica. 2ª ed. São Paulo: Manole, 2011.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.