O que é?
Imagine que, de repente, seu corpo e sua mente parecem ter sido desconectados. Você sabe que está ali, mas não consegue se mexer, falar ou reagir ao que acontece ao seu redor. Ou, ao contrário, seu corpo se move de forma estranha, repetitiva, como se estivesse preso em um loop sem controle. Talvez você fique horas na mesma posição, como uma estátua, ou repita palavras e gestos sem parar. Essas são algumas das formas como a catatonia pode se manifestar.
A catatonia não é uma doença isolada, mas sim um conjunto de sintomas motores e comportamentais que podem aparecer em diferentes transtornos mentais, como depressão grave, transtorno bipolar, esquizofrenia ou até mesmo em condições neurológicas. Pense nela como um alarme de incêndio que dispara sem motivo aparente: o cérebro envia sinais confusos para o corpo, fazendo com que ele “trave” ou aja de maneira descontrolada, mesmo quando a pessoa não quer.
No Brasil, estima-se que a catatonia afete cerca de 10% das pessoas internadas em hospitais psiquiátricos, mas ela também pode ocorrer em ambulatórios e até em casa. Não há uma diferença clara entre homens e mulheres na frequência, mas alguns estudos sugerem que ela pode ser um pouco mais comum em pessoas com transtornos do humor (depressão ou bipolaridade) do que em esquizofrenia. A idade de início varia muito: pode aparecer na adolescência, na vida adulta ou até em idosos, especialmente quando associada a doenças neurológicas.
A catatonia é reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (CID-11, código 6A40) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Isso significa que ela não é “frescura”, “manha” ou “falta de vontade” — é uma condição médica real, com causas biológicas e tratamentos eficazes. Infelizmente, por ser pouco conhecida, muitas pessoas demoram a receber o diagnóstico correto, o que pode piorar o quadro.
Se você ou alguém que você ama está passando por isso, saiba: você não está sozinho. A catatonia pode ser assustadora, mas com o tratamento certo, a maioria das pessoas melhora significativamente.
Como se manifesta? (Sinais e sintomas)
A catatonia é como um curto-circuito no controle dos movimentos e da fala. Os sintomas podem variar muito de uma pessoa para outra, mas geralmente envolvem alterações extremas no comportamento motor — desde a imobilidade total até agitação descontrolada. Vamos entender cada um deles em detalhes, com exemplos do dia a dia.
1. Sintomas de “travamento” (imobilidade)
Esses sintomas fazem a pessoa parecer “congelada”, como se estivesse em um estado de suspensão.
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Estupor:
O que é: A pessoa fica completamente imóvel e sem reação, como se estivesse em um transe. Ela pode não responder a perguntas, não piscar, não engolir saliva ou até mesmo não reagir à dor.
Exemplo: Imagine alguém sentado no sofá, olhando para a parede por horas, sem se mexer, mesmo que você chame seu nome ou toque em seu ombro. Se você levantar o braço da pessoa, ele pode ficar no ar, como se fosse uma boneca de pano. -
Catalepsia:
O que é: A pessoa mantém posturas estranhas e desconfortáveis por muito tempo, como se fosse uma estátua. Se você mover um braço ou uma perna dela, ela pode ficar naquela posição até que alguém a mude.
Exemplo: Você pode ver alguém com o braço levantado no ar por 20 minutos, como se estivesse segurando um objeto invisível. Ou então, deitada na cama com a cabeça suspensa, como se estivesse apoiada em um travesseiro que não existe. -
Flexibilidade cérea:
O que é: Quando você move um membro da pessoa, ele resiste levemente no começo, como se fosse feito de cera, e depois mantém a posição em que foi colocado.
Exemplo: Se você tentar abaixar o braço de alguém com catatonia, vai sentir uma resistência inicial, como se estivesse moldando argila. Depois, o braço fica parado na nova posição, mesmo que seja desconfortável. -
Mutismo:
O que é: A pessoa para de falar completamente, mesmo que esteja consciente. Não é que ela não queira falar — é como se as palavras tivessem sumido.
Exemplo: Alguém que antes conversava normalmente agora fica em silêncio absoluto, mesmo quando você faz perguntas diretas. Às vezes, a pessoa até abre a boca para falar, mas não sai som nenhum. -
Negativismo:
O que é: A pessoa resiste ativamente a qualquer tentativa de movimento ou instrução, como se estivesse “brigando” contra o mundo.
Exemplo: - Se você pedir para ela levantar, ela se joga no chão.
- Se você tentar dar comida, ela fecha a boca com força.
- Se você tentar guiá-la para andar, ela fica parada ou vai na direção oposta.
2. Sintomas de agitação ou movimentos estranhos
Nesses casos, a pessoa não fica parada, mas seus movimentos são repetitivos, sem propósito ou exagerados.
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Agitação psicomotora:
O que é: Movimentos descontrolados e sem objetivo, como andar de um lado para o outro, balançar as pernas ou mexer as mãos sem parar.
Exemplo: A pessoa pode ficar andando em círculos pela sala por horas, ou então bater os pés no chão sem motivo. Às vezes, ela parece estar em pânico, mas não consegue explicar o porquê. -
Postura (manutenção ativa de posições):
O que é: A pessoa mantém uma posição estranha por muito tempo, como se estivesse desafiando a gravidade.
Exemplo: Ela pode ficar em pé com um braço levantado por horas, ou então deitada com a cabeça e os pés apoiados na cama, mas o corpo suspenso no ar (como uma “ponte”). -
Maneirismos:
O que é: Movimentos exagerados e teatrais, como se a pessoa estivesse atuando em uma peça.
Exemplo: - Cumprimentar todo mundo com uma reverência exagerada.
- Andar na ponta dos pés, como uma bailarina.
-
Falar com uma voz afetada, como se estivesse dublando um filme.
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Estereotipias:
O que é: Movimentos repetitivos e sem sentido, como se a pessoa estivesse presa em um loop.
Exemplo: - Balançar o corpo para frente e para trás sem parar.
- Bater palmas ritmicamente por horas.
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Fazer caretas repetidas (como franzir a testa ou sorrir sem motivo).
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Ecolalia:
O que é: A pessoa repete as últimas palavras que ouviu, como um eco.
Exemplo: - Você diz: “Tudo bem?”
- Ela responde: “Bem? Bem? Bem?”
-
Mesmo que você mude de assunto, ela continua repetindo a última palavra.
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Ecopraxia:
O que é: A pessoa imita os movimentos de outra pessoa, como um espelho.
Exemplo: - Se você coçar a cabeça, ela coça a cabeça.
- Se você cruzar os braços, ela cruza os braços.
-
Mesmo que você peça para ela parar, ela continua copiando.
-
Caretas:
O que é: Expressões faciais exageradas e sem motivo, como se a pessoa estivesse fazendo caretas o tempo todo.
Exemplo: Ela pode franzir a testa, sorrir ou fazer bico sem nenhuma relação com o que está acontecendo ao redor.
3. Sintomas “escondidos” (que nem todo mundo conhece)
Além dos sintomas mais óbvios, a catatonia pode ter outras manifestações menos conhecidas:
- Automatismos:
O que é: A pessoa faz movimentos automáticos e sem propósito, como se estivesse em “piloto automático”.
Exemplo: - Pegar e soltar um objeto repetidamente.
- Coçar o braço sem parar, mesmo sem coceira.
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Andar em círculos sem perceber.
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Sintomas autonômicos:
O que é: Alterações no corpo que não dependem da vontade, como sudorese excessiva, salivação, aumento da frequência cardíaca ou pressão alta.
Exemplo: A pessoa pode suar frio mesmo em um dia fresco, ou então ter o coração acelerado sem motivo aparente. -
Sintomas emocionais:
O que é: Mesmo que a pessoa não consiga se expressar, ela pode estar extremamente ansiosa, assustada ou confusa por dentro.
Exemplo: Ela pode ficar imóvel, mas seus olhos mostram medo intenso, como se estivesse vendo algo assustador.
Como os sintomas variam?
A catatonia não é igual para todo mundo. Ela pode ser:
– Leve: A pessoa ainda consegue se comunicar um pouco, mas tem alguns movimentos estranhos ou resistência a ordens.
– Moderada: Os sintomas são mais intensos, e a pessoa já não consegue realizar atividades do dia a dia sozinha.
– Grave: A pessoa fica completamente imóvel, sem falar ou reagir, e pode precisar de cuidados médicos urgentes.
Além disso, a catatonia pode flutuar — em um dia a pessoa está agitada, no outro está em estupor. Isso pode confundir familiares, que acham que ela está “melhorando” ou “piorando” sem motivo.
Os critérios diagnósticos — em linguagem simples
Para que um médico diagnostique catatonia associada a outro transtorno mental, é preciso que a pessoa tenha pelo menos 3 dos 12 sintomas abaixo. Vamos traduzir cada um deles para o que isso significa na prática.
Critério A: Presença de 3 ou mais dos seguintes sintomas
1. Estupor
Versão técnica: “Ausência de atividade psicomotora; não há relação ativa com o ambiente.”
Na prática:
– A pessoa fica completamente parada, como se estivesse em transe.
– Não responde a perguntas, não pisca, não engole saliva.
– Pode ficar horas na mesma posição, sem se mexer.
Exemplo: Imagine alguém sentado no sofá, olhando para a parede, sem reagir quando você chama seu nome ou toca em seu ombro.
2. Catalepsia
Versão técnica: “Indução passiva de uma postura mantida contra a gravidade.”
Na prática:
– Se você mover um braço ou perna da pessoa, ela fica naquela posição, mesmo que seja desconfortável.
– É como se o corpo dela fosse feito de cera — você molda, e ela fica assim.
Exemplo: Você levanta o braço da pessoa, e ele fica no ar por 10 minutos, como se ela estivesse segurando algo invisível.
3. Flexibilidade cérea
Versão técnica: “Resistência leve e constante ao posicionamento pelo examinador.”
Na prática:
– Quando você tenta mover um membro da pessoa, há uma resistência inicial, como se estivesse empurrando argila.
– Depois, o membro fica na posição em que foi colocado.
Exemplo: Você tenta abaixar o braço da pessoa, e ele resiste um pouco antes de ficar parado na nova posição.
4. Mutismo
Versão técnica: “Pouca ou nenhuma resposta verbal (excluindo-se afasia conhecida).”
Na prática:
– A pessoa para de falar completamente, mesmo que esteja consciente.
– Não é que ela não queira falar — é como se as palavras tivessem sumido.
Exemplo: Você faz uma pergunta direta (“Você está com fome?”), e a pessoa não responde, mesmo abrindo a boca como se fosse falar.
5. Negativismo
Versão técnica: “Oposição ou ausência de resposta a instruções ou estímulos externos.”
Na prática:
– A pessoa faz o oposto do que é pedido ou resiste ativamente a qualquer movimento.
– É como se ela estivesse “brigando” contra o mundo.
Exemplo:
– Você pede para ela levantar, e ela se joga no chão.
– Você oferece comida, e ela fecha a boca com força.
6. Postura (manutenção ativa de uma postura)
Versão técnica: “Manutenção espontânea e ativa de uma postura contra a gravidade.”
Na prática:
– A pessoa fica em posições estranhas por muito tempo, como se estivesse desafiando a gravidade.
– Não é que ela esteja confortável — é como se o corpo dela tivesse “travado” naquela posição.
Exemplo:
– Ela fica em pé com um braço levantado por horas.
– Deita na cama com a cabeça e os pés apoiados, mas o corpo suspenso no ar (como uma “ponte”).
7. Maneirismo
Versão técnica: “Caricatura esquisita e circunstancial de ações normais.”
Na prática:
– Movimentos exagerados e teatrais, como se a pessoa estivesse atuando.
– Não são gestos naturais — parecem forçados ou artificiais.
Exemplo:
– Cumprimentar todo mundo com uma reverência exagerada.
– Andar na ponta dos pés, como uma bailarina.
8. Estereotipia
Versão técnica: “Movimentos repetitivos, anormalmente frequentes, não direcionados a um objetivo.”
Na prática:
– Movimentos repetitivos e sem sentido, como se a pessoa estivesse presa em um loop.
– Ela pode fazer isso por horas, sem conseguir parar.
Exemplo:
– Balançar o corpo para frente e para trás sem parar.
– Bater palmas ritmicamente por horas.
9. Agitação (não influenciada por estímulos externos)
Versão técnica: “Agitação psicomotora não influenciada por estímulos externos.”
Na prática:
– Movimentos descontrolados e sem objetivo, como andar de um lado para o outro ou mexer as mãos sem parar.
– Não é uma agitação por ansiedade — é como se o corpo estivesse “ligado” sem motivo.
Exemplo:
– A pessoa anda em círculos pela sala por horas.
– Mexe as pernas sem parar, mesmo sentada.
10. Caretas
Versão técnica: “Expressões faciais bizarras e repetitivas.”
Na prática:
– A pessoa faz caretas exageradas e sem motivo, como se estivesse fazendo mímica.
– Não tem relação com o que está acontecendo ao redor.
Exemplo:
– Franzir a testa ou sorrir sem motivo aparente.
– Fazer bico ou piscar repetidamente.
11. Ecolalia
Versão técnica: “Imitação da fala de outra pessoa.”
Na prática:
– A pessoa repete as últimas palavras que ouviu, como um eco.
– Mesmo que você mude de assunto, ela continua repetindo.
Exemplo:
– Você diz: “Tudo bem?”
– Ela responde: “Bem? Bem? Bem?”
12. Ecopraxia
Versão técnica: “Imitação dos movimentos de outra pessoa.”
Na prática:
– A pessoa copia os movimentos de quem está perto, como um espelho.
– Se você coçar a cabeça, ela coça a cabeça. Se você cruzar os braços, ela cruza os braços.
Exemplo:
– Você levanta a mão, e ela levanta a mão.
– Você boceja, e ela boceja logo em seguida.
Critério B: A catatonia está associada a outro transtorno mental
Versão técnica: “Há evidências, a partir da história, do exame físico ou de achados laboratoriais, de que a perturbação é a consequência fisiopatológica direta de outro transtorno mental.”
Na prática:
– A catatonia não aparece sozinha — ela sempre está ligada a outro problema de saúde mental, como:
– Depressão grave.
– Transtorno bipolar (especialmente em episódios maníacos ou depressivos).
– Esquizofrenia.
– Transtorno do espectro autista (em alguns casos).
– Transtornos de neurodesenvolvimento.
– O médico precisa confirmar que os sintomas não são causados por uma doença física (como um tumor no cérebro ou uma infecção).
Critério C: Não é melhor explicada por outro transtorno mental
Versão técnica: “A perturbação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (p. ex., episódio maníaco).”
Na prática:
– Se a pessoa está em um episódio maníaco (do transtorno bipolar), por exemplo, e apresenta agitação psicomotora, isso não é catatonia — é parte do próprio episódio.
– A catatonia só é diagnosticada quando os sintomas vão além do que é esperado para o transtorno de base.
Critério D: Não ocorre exclusivamente durante um delirium
Versão técnica: “A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um delirium.”
Na prática:
– Delirium é um estado de confusão mental aguda, geralmente causado por doenças físicas (como infecções, desidratação ou efeitos de remédios).
– Se a pessoa está desorientada, sonolenta e confusa, e só apresenta sintomas de catatonia nesse contexto, não é catatonia — é delirium.
– A catatonia só é diagnosticada se os sintomas persistem mesmo quando a pessoa está lúcida.
Resumindo: Como saber se é catatonia?
Para receber o diagnóstico, a pessoa precisa:
✅ Ter pelo menos 3 dos 12 sintomas listados acima.
✅ Os sintomas estarem ligados a outro transtorno mental (depressão, bipolaridade, esquizofrenia, etc.).
✅ Não serem explicados por uma doença física (como um tumor, infecção ou efeito de drogas).
✅ Não ocorrerem apenas durante um delirium.
Se esses critérios forem preenchidos, o médico pode diagnosticar catatonia associada a outro transtorno mental.
O que pode causar isso?
A catatonia não tem uma causa única — ela é como um quebra-cabeça com várias peças. Pode ser resultado de uma combinação de fatores genéticos, químicos, psicológicos e ambientais. Vamos entender cada um deles.
1. Fatores genéticos: “A catatonia pode estar no DNA?”
Não existe um “gene da catatonia”, mas algumas pessoas nascem com uma predisposição a desenvolvê-la, especialmente se têm histórico familiar de:
– Transtornos do humor (depressão, bipolaridade).
– Esquizofrenia.
– Transtornos do neurodesenvolvimento (como autismo).
Como isso funciona?
Imagine que o cérebro é como um painel de controle elétrico. Em algumas pessoas, os fios desse painel são mais sensíveis — qualquer curto-circuito (como estresse ou uma doença) pode fazer com que o sistema “trave”. Isso não significa que a pessoa vai desenvolver catatonia, mas que ela tem mais chances se outros fatores aparecerem.
Exemplo:
– Se seu pai ou mãe teve depressão grave com sintomas catatônicos, você pode ter uma maior vulnerabilidade a desenvolver algo parecido.
– Mas isso não é uma sentença! Muitas pessoas com histórico familiar nunca apresentam catatonia.
2. Fatores neurobiológicos: “O que acontece no cérebro?”
A catatonia está ligada a desequilíbrios em neurotransmissores (as substâncias químicas que transmitem mensagens no cérebro). Os principais envolvidos são:
- GABA (ácido gama-aminobutírico):
- É o principal neurotransmissor inibitório do cérebro — ou seja, ele “freia” a atividade neural.
- Na catatonia, parece que o GABA não está funcionando direito, fazendo com que o cérebro fique “travado” ou “descontrolado”.
-
Analogia: É como se o freio de mão do carro estivesse puxado o tempo todo — o motor está ligado, mas o carro não sai do lugar.
-
Dopamina:
- Está ligada ao controle dos movimentos e à motivação.
- Na catatonia, pode haver excesso ou falta de dopamina em certas áreas do cérebro.
-
Analogia: É como se o acelerador do carro estivesse quebrado — às vezes ele acelera sozinho, às vezes não responde.
-
Glutamato:
- É o principal neurotransmissor excitatório — ele “liga” os neurônios.
- Desequilíbrios no glutamato podem contribuir para a agitação ou imobilidade da catatonia.
- Analogia: É como se o cérebro estivesse com um curto-circuito — às vezes liga tudo de uma vez, às vezes não liga nada.
Outros fatores cerebrais:
– Córtex pré-frontal: Área responsável pelo planejamento e controle dos movimentos. Se não estiver funcionando bem, a pessoa pode ter dificuldade para iniciar ou parar ações.
– Gânglios da base: Estruturas envolvidas no controle motor. Problemas aqui podem causar movimentos repetitivos ou imobilidade.
– Tálamo: Funciona como uma “central de informações”. Se estiver disfuncional, pode causar confusão entre estímulos internos e externos.
3. Fatores psicológicos: “O estresse pode causar catatonia?”
Sim, eventos traumáticos ou estresse extremo podem desencadear catatonia em pessoas predispostas. Alguns exemplos:
– Traumas: Abuso físico, sexual ou emocional, especialmente na infância.
– Perda significativa: Morte de um ente querido, divórcio, desemprego.
– Mudanças bruscas: Mudança de cidade, perda de autonomia, internação psiquiátrica.
– Pressão social: Bullying, discriminação, isolamento.
Como isso acontece?
O cérebro tem um mecanismo de defesa chamado “congelamento” (freeze). Em situações de perigo extremo, algumas pessoas “desligam” como forma de proteção. Na catatonia, esse mecanismo pode ficar preso no “on”, fazendo com que a pessoa continue “congelada” mesmo quando o perigo já passou.
Exemplo:
– Uma pessoa que sofreu abuso na infância pode desenvolver catatonia na vida adulta após um novo trauma.
– Alguém com depressão grave pode entrar em estupor após uma perda importante.
4. Fatores ambientais e sociais: “O mundo ao redor influencia?”
Sim! Alguns fatores externos podem aumentar o risco de catatonia ou piorar os sintomas:
- Isolamento social: Pessoas que vivem sozinhas ou têm pouca interação social têm mais chances de desenvolver sintomas graves.
- Falta de tratamento: Quando transtornos mentais (como depressão ou esquizofrenia) não são tratados, o risco de catatonia aumenta.
- Uso de substâncias: Drogas como cocaína, anfetaminas ou álcool podem desencadear ou piorar sintomas catatônicos.
- Privação sensorial: Ambientes muito monótonos (como hospitais ou prisões) podem contribuir para o desenvolvimento de catatonia.
- Mudanças bruscas de rotina: Viagens, internações ou mudanças de medicação podem ser gatilhos.
Fatores de proteção:
– Rede de apoio forte: Família, amigos e grupos de apoio podem ajudar a prevenir crises.
– Tratamento precoce: Quanto antes o transtorno de base (depressão, bipolaridade, etc.) for tratado, menor o risco de catatonia.
– Rotina estruturada: Horários regulares para dormir, comer e se exercitar ajudam a estabilizar o cérebro.
– Terapias complementares: Yoga, meditação e exercícios físicos podem reduzir o estresse.
5. Mitos comuns sobre as causas da catatonia
❌ “Catatonia é frescura ou falta de vontade.”
✅ Não! A catatonia é uma condição médica real, com bases biológicas. A pessoa não está “fingindo” ou “querendo chamar atenção”.
❌ “Só acontece em esquizofrenia.”
✅ Não! Embora seja comum em esquizofrenia, a catatonia aparece mais frequentemente em depressão grave e transtorno bipolar.
❌ “É causada por má criação ou trauma na infância.”
✅ Não necessariamente. Traumas podem ser um gatilho, mas a catatonia também tem causas genéticas e neuroquímicas. Nem todo mundo que teve uma infância difícil desenvolve catatonia.
❌ “É um sinal de que a pessoa está piorando para sempre.”
✅ Não! Com o tratamento certo, a maioria das pessoas melhora significativamente. A catatonia não é uma sentença.
❌ “Só idosos têm catatonia.”
✅ Não! Ela pode aparecer em qualquer idade, inclusive em crianças e adolescentes.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de catatonia pode ser assustador, mas entender como o processo funciona ajuda a diminuir a ansiedade. Não existe um exame de sangue ou de imagem que confirme a catatonia — o diagnóstico é feito com base em observação clínica, entrevista e exclusão de outras causas. Vamos entender passo a passo.
1. O primeiro passo: Reconhecer os sinais
Geralmente, quem percebe os sintomas primeiro são familiares, amigos ou a própria pessoa. Alguns sinais de alerta:
– A pessoa para de falar de repente.
– Fica horas na mesma posição, sem se mexer.
– Faz movimentos repetitivos sem motivo.
– Resiste a qualquer tentativa de movimento (negativismo).
– Parece desconectada do mundo, mesmo estando acordada.
Se você notar esses sinais, procure ajuda médica imediatamente. A catatonia pode ser uma emergência psiquiátrica, especialmente se a pessoa:
– Não está comendo ou bebendo.
– Não está reagindo a estímulos.
– Está em uma posição que pode causar lesões (como ficar com o braço levantado por horas).
2. Onde buscar ajuda no Brasil?
Pelo SUS (Sistema Único de Saúde)
- UBS (Unidade Básica de Saúde):
- O primeiro passo é agendar uma consulta com um clínico geral ou médico de família.
- Ele fará uma avaliação inicial e, se suspeitar de catatonia, encaminhará para um psiquiatra ou neurologista.
-
Dica: Leve um relato detalhado dos sintomas (quando começaram, como evoluíram, se há histórico familiar de transtornos mentais).
-
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial):
- Se a UBS não conseguir agendar uma consulta rápida, procure o CAPS mais próximo.
- Os CAPS são serviços especializados em saúde mental e podem fazer uma avaliação mais detalhada.
-
Existem CAPS para adultos (CAPS II, CAPS III), para crianças (CAPSi) e para usuários de álcool e drogas (CAPS AD).
-
Ambulatórios de Saúde Mental:
- Alguns hospitais e universidades têm ambulatórios especializados em transtornos mentais.
-
Eles oferecem atendimento gratuito e podem ser uma boa opção se o CAPS estiver com fila de espera.
-
Emergência psiquiátrica:
- Se a pessoa estiver em risco imediato (não come, não bebe, está em estupor grave), leve-a para:
- UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
- Hospital psiquiátrico público (como o Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, em São Paulo).
- SAMU (192) em casos de emergência.
Particular (convênio ou particular)
- Psiquiatra: O profissional mais indicado para diagnosticar catatonia.
- Neurologista: Pode ser consultado para descartar causas neurológicas (como epilepsia ou tumores).
- Psicólogo: Ajuda no acompanhamento terapêutico, mas não faz diagnóstico de catatonia (isso é papel do psiquiatra ou neurologista).
Dica: Se possível, procure um psiquiatra com experiência em transtornos do humor ou esquizofrenia, pois são as condições mais associadas à catatonia.
3. Como é feita a avaliação?
O diagnóstico de catatonia é clínico, ou seja, baseado na observação dos sintomas e na história da pessoa. Não existe um exame que “prove” a catatonia, mas alguns testes ajudam a descartar outras causas.
Passo 1: Entrevista clínica
O médico fará perguntas como:
– “Quando os sintomas começaram?” (De repente ou aos poucos?)
– “A pessoa está tomando algum remédio?” (Alguns medicamentos podem causar sintomas parecidos.)
– “Há histórico de transtornos mentais na família?” (Depressão, bipolaridade, esquizofrenia.)
– “A pessoa passou por algum trauma ou estresse recente?” (Perda de emprego, morte de alguém querido, abuso.)
– “Ela está comendo e bebendo normalmente?” (Desidratação e desnutrição podem piorar os sintomas.)
Passo 2: Exame físico e neurológico
O médico verificará:
– Sinais vitais (pressão, frequência cardíaca, temperatura).
– Reflexos (para descartar doenças neurológicas).
– Sinais de desidratação ou desnutrição.
– Presença de movimentos anormais (como tremores ou rigidez).
Passo 3: Escalas de avaliação
Alguns médicos usam escalas padronizadas para avaliar a gravidade da catatonia, como:
– Escala de Bush-Francis (a mais usada):
– Avalia 23 sintomas de catatonia, como estupor, catalepsia, ecolalia, etc.
– Cada sintoma recebe uma pontuação (de 0 a 3).
– Se a pessoa tiver pelo menos 3 sintomas com pontuação ≥ 2, o diagnóstico de catatonia é confirmado.
– Escala de Kanner:
– Focada em sintomas motores, como imobilidade e agitação.
Passo 4: Exames complementares
Como a catatonia pode ser causada por doenças físicas, o médico pode pedir:
– Exames de sangue:
– Hemograma (para verificar infecções).
– Eletrólitos (sódio, potássio, cálcio — desequilíbrios podem causar sintomas neurológicos).
– Função tireoidiana (hipotireoidismo pode causar lentidão).
– Função hepática e renal (problemas nesses órgãos podem afetar o cérebro).
– Exames de imagem:
– Tomografia ou ressonância magnética do cérebro (para descartar tumores, AVCs ou outras lesões).
– Eletroencefalograma (EEG):
– Para descartar epilepsia ou outras alterações elétricas no cérebro.
– Punção lombar (líquor):
– Em casos suspeitos de infecções no sistema nervoso (como meningite ou encefalite).
Passo 5: Diagnóstico diferencial
O médico precisa descartar outras condições que podem causar sintomas parecidos, como:
– Delirium (confusão mental aguda, geralmente causada por doenças físicas).
– Síndrome neuroléptica maligna (reação grave a alguns antipsicóticos).
– Doenças neurológicas (Parkinson, epilepsia, tumores cerebrais).
– Transtorno conversivo (sintomas físicos sem causa orgânica, relacionados a estresse).
Se todas essas possibilidades forem descartadas e a pessoa tiver pelo menos 3 sintomas de catatonia, o diagnóstico é confirmado.
4. Quanto tempo leva para ser diagnosticado?
Depende da gravidade dos sintomas:
– Casos leves: Pode levar algumas semanas, pois o médico precisa observar a evolução.
– Casos graves (estupor, mutismo, risco de desidratação): O diagnóstico pode ser feito em alguns dias, pois a pessoa precisa de tratamento urgente.
5. O que fazer enquanto espera o diagnóstico?
- Mantenha a pessoa hidratada e alimentada: Se ela não estiver comendo ou bebendo, ofereça líquidos e alimentos leves (como sopas ou sucos).
- Evite estímulos excessivos: Ambientes muito barulhentos ou agitados podem piorar os sintomas.
- Anote os sintomas: Registre quando começaram, como evoluíram e se há algum padrão (por exemplo, se pioram à noite).
- Não force movimentos: Se a pessoa estiver em catalepsia ou negativismo, não tente movê-la à força — isso pode causar lesões.
- Busque apoio emocional: A catatonia é assustadora para quem passa e para quem acompanha. Procure grupos de apoio ou terapia para familiares.
Condições parecidas (diagnóstico diferencial)
A catatonia pode ser confundida com várias outras condições, tanto mentais quanto físicas. Vamos entender as principais diferenças.
1. Delirium
Por que são confundidos?
– Tanto o delirium quanto a catatonia podem causar confusão, imobilidade ou agitação.
– Ambos podem aparecer de repente.
Diferença-chave:
– Delirium:
– A pessoa está desorientada (não sabe onde está, que dia é hoje).
– Os sintomas flutuam ao longo do dia (hora está agitada, hora está sonolenta).
– Geralmente é causado por doenças físicas (infecções, desidratação, efeitos de remédios).
– Catatonia:
– A pessoa pode estar orientada (sabe onde está, reconhece as pessoas), mas não consegue se mexer ou falar.
– Os sintomas são mais estáveis (não flutuam tanto).
– Está associada a transtornos mentais (depressão, bipolaridade, esquizofrenia).
Podem coexistir?
Sim! Uma pessoa com catatonia pode desenvolver delirium se tiver uma infecção ou desidratação.
2. Síndrome neuroléptica maligna (SNM)
Por que são confundidos?
– Ambas podem causar rigidez muscular, febre e alterações na pressão arterial.
– A SNM é uma reação grave a antipsicóticos, e a catatonia pode ser tratada com esses mesmos remédios.
Diferença-chave:
– Síndrome neuroléptica maligna (SNM):
– Causada exclusivamente por antipsicóticos (como haloperidol, risperidona).
– A pessoa desenvolve febre alta, sudorese, rigidez muscular e alterações na pressão.
– É uma emergência médica — precisa de tratamento imediato.
– Catatonia:
– Pode ser causada por vários fatores (depressão, bipolaridade, doenças neurológicas).
– Não necessariamente envolve febre ou alterações autonômicas.
– Pode ser tratada com benzodiazepínicos (como diazepam) ou eletroconvulsoterapia (ECT).
Podem coexistir?
Sim, mas é raro. Se uma pessoa com catatonia tomar antipsicóticos e desenvolver febre e rigidez, pode ser SNM.
3. Depressão grave com sintomas psicóticos
Por que são confundidos?
– Tanto a depressão grave quanto a catatonia podem causar mutismo, imobilidade e falta de reação.
– A catatonia pode ocorrer dentro de um episódio depressivo.
Diferença-chave:
– Depressão grave com sintomas psicóticos:
– A pessoa tem delírios (crenças falsas, como achar que está sendo perseguida) ou alucinações (ouvir vozes).
– Os sintomas motores (como imobilidade) são menos pronunciados do que na catatonia.
– Catatonia associada à depressão:
– Os sintomas motores (estupor, catalepsia, ecolalia) são o foco principal.
– A pessoa pode não ter delírios ou alucinações.
Podem coexistir?
Sim! Uma pessoa com depressão grave pode desenvolver catatonia.
4. Esquizofrenia catatônica
Por que são confundidos?
– A catatonia pode ocorrer na esquizofrenia, mas nem toda catatonia é esquizofrenia.
Diferença-chave:
– Esquizofrenia catatônica:
– A pessoa tem sintomas psicóticos (delírios, alucinações) além da catatonia.
– Os sintomas duram mais de 6 meses.
– Catatonia associada a outro transtorno mental:
– A catatonia é o sintoma principal, e pode estar ligada a depressão, bipolaridade ou outras condições.
– Não necessariamente envolve sintomas psicóticos.
Podem coexistir?
Sim! A catatonia pode ser um especificador da esquizofrenia.
5. Transtorno conversivo (transtorno de sintomas neurológicos funcionais)
Por que são confundidos?
– Ambos podem causar sintomas motores estranhos, como imobilidade ou movimentos repetitivos.
– No transtorno conversivo, os sintomas não têm causa orgânica e estão relacionados a estresse psicológico.
Diferença-chave:
– Transtorno conversivo:
– Os sintomas não seguem um padrão neurológico (por exemplo, a pessoa pode ter paralisia em um braço, mas consegue mexer os dedos).
– Geralmente há um gatilho emocional claro (como um trauma recente).
– A pessoa não responde a benzodiazepínicos (remédios que melhoram a catatonia).
– Catatonia:
– Os sintomas seguem padrões específicos (estupor, catalepsia, ecolalia).
– Pode ocorrer sem um gatilho emocional claro.
– Melhora com benzodiazepínicos ou ECT.
Podem coexistir?
Sim, mas é raro.
6. Doenças neurológicas (Parkinson, epilepsia, tumores cerebrais)
Por que são confundidos?
– Algumas doenças neurológicas podem causar rigidez, tremores ou imobilidade, semelhantes à catatonia.
Diferença-chave:
– Doenças neurológicas:
– Os sintomas progridem lentamente (no Parkinson, por exemplo, os tremores pioram com o tempo).
– Há alterações em exames de imagem ou laboratoriais.
– Não respondem a benzodiazepínicos ou ECT.
– Catatonia:
– Os sintomas podem aparecer de repente.
– Não há alterações em exames de imagem (a menos que seja catatonia secundária a uma doença neurológica).
– Melhora com tratamento específico (benzodiazepínicos, ECT).
Podem coexistir?
Sim! A catatonia pode ser secundária a doenças neurológicas (como encefalite ou tumores cerebrais).
Tratamento
A catatonia é uma emergência psiquiátrica — quanto antes for tratada, melhores são as chances de recuperação. O tratamento envolve medicamentos, terapias e mudanças no dia a dia. Vamos entender cada parte.
1. Medicamentos
Os remédios são a primeira linha de tratamento para a catatonia. Os principais são:
Benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam, clonazepam)
Como funcionam?
– Aumentam a ação do GABA, um neurotransmissor que “acalma” o cérebro.
– Em doses altas, podem quebrar o estado catatônico em poucas horas.
Exemplos de remédios:
– Lorazepam (Lorax®): O mais usado para catatonia. Pode ser dado por via oral, intramuscular ou intravenosa.
– Diazepam (Valium®): Usado em casos de agitação.
– Clonazepam (Rivotril®): Pode ser usado em doses menores para manutenção.
Quanto tempo leva para fazer efeito?
– Em casos leves, a melhora pode ser vista em 24 a 48 horas.
– Em casos graves (estupor, mutismo), pode ser necessário doses altas por via intravenosa, com melhora em algumas horas.
Efeitos colaterais:
– Sonolência.
– Tontura.
– Risco de dependência (por isso, o uso deve ser curto e supervisionado).
⚠️ Aviso importante:
– Nunca pare de tomar benzodiazepínicos de repente — isso pode causar síndrome de abstinência (ansiedade, tremores, convulsões).
– O uso deve ser acompanhado por um médico.
Antipsicóticos (em alguns casos)
Quando são usados?
– Se a catatonia estiver associada a esquizofrenia ou transtorno bipolar.
– Nunca devem ser usados sozinhos — sempre em combinação com benzodiazepínicos.
Exemplos de remédios:
– Olanzapina (Zyprexa®).
– Quetiapina (Seroquel®).
– Risperidona (Risperdal®).
Risco:
– Alguns antipsicóticos podem piorar a catatonia ou causar síndrome neuroléptica maligna (SNM).
– Por isso, devem ser usados com cautela e sob supervisão médica.
Outros medicamentos (em casos específicos)
- Amantadina: Usada em casos resistentes a benzodiazepínicos.
- Memantina: Pode ajudar em alguns casos de catatonia crônica.
- Zolpidem: Um remédio para insônia que, em doses baixas, pode melhorar sintomas catatônicos.
2. Eletroconvulsoterapia (ECT)
O que é?
– Um tratamento seguro e eficaz para catatonia, especialmente em casos graves ou resistentes a medicamentos.
– Consiste em aplicar uma corrente elétrica leve no cérebro (sob anestesia) para induzir uma crise convulsiva controlada.
Como funciona?
– Acredita-se que a ECT reorganiza os circuitos cerebrais e aumenta a liberação de neurotransmissores.
– É como um “reset” no cérebro.
Quando é indicada?
– Catatonia grave (estupor, mutismo, risco de desidratação).
– Catatonia resistente a benzodiazepínicos.
– Catatonia em gestantes (porque alguns remédios não podem ser usados na gravidez).
Eficácia:
– 80 a 90% das pessoas melhoram após algumas sessões.
– A melhora pode ser drástica — algumas pessoas saem do estupor após a primeira sessão.
Efeitos colaterais:
– Dor de cabeça.
– Confusão temporária.
– Perda de memória de curto prazo (geralmente reversível).
⚠️ Mitos sobre ECT:
❌ “ECT é tortura.”
✅ Não! A pessoa recebe anestesia geral e não sente dor. É um procedimento seguro e regulamentado.
❌ “ECT causa danos cerebrais.”
✅ Não! Estudos mostram que a ECT não causa danos permanentes no cérebro.
❌ “Só é usada em casos extremos.”
✅ Não! A ECT é um tratamento de primeira linha para catatonia grave.
3. Psicoterapia
A psicoterapia não trata a catatonia diretamente, mas ajuda a:
– Prevenir recaídas.
– Lidar com o transtorno de base (depressão, bipolaridade, esquizofrenia).
– Melhorar a qualidade de vida.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
Como funciona?
– Ajuda a pessoa a identificar e mudar padrões de pensamento negativos.
– Ensina estratégias para lidar com estresse e ansiedade.
Quando é indicada?
– Após a melhora dos sintomas catatônicos.
– Para pessoas com depressão ou ansiedade associada.
Exemplo de técnica:
– Reestruturação cognitiva: A pessoa aprende a questionar pensamentos como “Eu nunca vou melhorar” e substituí-los por “Estou em tratamento e posso melhorar”.
Terapia familiar
Como funciona?
– Envolve familiares e cuidadores no tratamento.
– Ensina como lidar com os sintomas e como oferecer apoio sem sobrecarregar.
Quando é indicada?
– Quando a catatonia afeta a dinâmica familiar.
– Para prevenir recaídas (muitas vezes, o estresse familiar pode piorar os sintomas).
Exemplo de técnica:
– Psicoeducação: O terapeuta explica o que é a catatonia e como a família pode ajudar (sem pressionar a pessoa).
Terapia ocupacional
Como funciona?
– Ajuda a pessoa a retomar atividades do dia a dia (como cozinhar, trabalhar, estudar).
– Usa atividades práticas para melhorar a motivação e a autonomia.
Quando é indicada?
– Após a melhora dos sintomas catatônicos.
– Para pessoas que perderam habilidades devido à catatonia.
Exemplo de atividade:
– Treinamento de habilidades sociais: A pessoa pratica como iniciar uma conversa ou fazer um pedido em um restaurante.
4. Mudanças no dia a dia
Além dos tratamentos médicos, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a prevenir recaídas e melhorar a qualidade de vida.
Exercício físico
Por que ajuda?
– Libera endorfinas, que melhoram o humor.
– Melhora a circulação sanguínea no cérebro.
– Reduz o estresse e a ansiedade.
Quais exercícios são melhores?
– Caminhada: 30 minutos por dia, 5 vezes por semana.
– Yoga: Ajuda a controlar a respiração e reduzir a tensão muscular.
– Natação: É uma atividade de baixo impacto, ideal para quem tem rigidez muscular.
– Dança: Combina movimento e socialização, o que pode ser terapêutico.
Dica:
– Comece devagar — mesmo 10 minutos de caminhada já fazem diferença.
– Escolha uma atividade que a pessoa goste — se ela não curte academia, não adianta forçar.
Sono
Por que é importante?
– A falta de sono pode piorar sintomas de depressão e ansiedade, que estão ligados à catatonia.
– Um sono de qualidade ajuda o cérebro a se recuperar.
Dicas para melhorar o sono:
– Rotina: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias.
– Ambiente: O quarto deve ser escuro, silencioso e fresco.
– Evite telas: Desligue celular, TV e computador 1 hora antes de dormir.
– Relaxamento: Pratique respiração profunda ou meditação antes de deitar.
– Evite cafeína: Café, chá preto e refrigerantes à base de cola devem ser evitados após as 16h.
Alimentação
Por que é importante?
– Uma dieta equilibrada ajuda o cérebro a funcionar melhor.
– Alguns nutrientes são essenciais para a produção de neurotransmissores.
Alimentos que ajudam:
– Ômega-3: Peixes (salmão, sardinha), nozes, linhaça. Melhora a função cerebral.
– Magnésio: Espinafre, abacate, banana. Ajuda a relaxar os músculos.
– Vitamina B12: Carnes, ovos, leite. Importante para o sistema nervoso.
– Triptofano: Banana, chocolate amargo, ovos. Precursor da serotonina (neurotransmissor do bem-estar).
Alimentos a evitar:
– Açúcar refinado: Pode causar picos de glicose, piorando o humor.
– Alimentos ultraprocessados: Podem aumentar a inflamação no cérebro.
– Álcool: Pode interagir com medicamentos e piorar os sintomas.
Rotina
Por que é importante?
– Uma rotina estruturada ajuda o cérebro a se sentir seguro e previsível.
– Reduz o estresse e a ansiedade.
Como estruturar a rotina?
1. Acordar no mesmo horário todos os dias.
2. Tomar café da manhã (mesmo que seja algo leve, como uma fruta).
3. Definir horários para atividades (trabalho, estudo, lazer).
4. Incluir momentos de relaxamento (leitura, música, meditação).
5. Dormir no mesmo horário.
Dica:
– Use agendas ou aplicativos para organizar o dia.
– Não sobrecarregue a rotina — inclua pausas.
Rede de apoio
Por que é importante?
– A catatonia pode ser isolante — ter pessoas por perto ajuda a prevenir recaídas.
– A família e os amigos podem oferecer suporte emocional e prático.
Como construir uma rede de apoio?
– Converse com familiares e amigos sobre o que está acontecendo.
– Participe de grupos de apoio (presenciais ou online).
– Procure um psicólogo para orientação.
– Não tenha vergonha de pedir ajuda — todo mundo precisa de apoio em algum momento.
Grupos de apoio no Brasil:
– ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos): www.abrata.org.br
– CVV (Centro de Valorização da Vida): www.cvv.org.br (para apoio emocional).
– Grupos no Facebook: Busque por “catatonia”, “depressão” ou “transtorno bipolar”.
Técnicas de manejo de sintomas
Algumas estratégias podem ajudar a lidar com os sintomas no dia a dia:
Para imobilidade (estupor, catalepsia):
– Toque suave: Se a pessoa estiver imóvel, toque seu braço ou ombro gentilmente para tentar “despertá-la”.
– Música: Coloque uma música que ela goste — às vezes, isso ajuda a “quebrar” o estado catatônico.
– Luz natural: Leve-a para um lugar com luz do sol — isso pode estimular o cérebro.
Para agitação (estereotipias, ecolalia):
– Redirecionamento: Tente distraí-la com uma atividade simples (como dobrar roupas ou regar uma planta).
– Respiração: Ensine técnicas de respiração profunda para acalmar.
– Ambiente calmo: Reduza estímulos (barulho, luz forte, muitas pessoas ao redor).
Para mutismo:
– Comunicação não verbal: Use gestos, escrita ou desenhos para se comunicar.
– Perguntas simples: Faça perguntas de sim ou não (ex.: “Você está com sede?”).
– Não force: Se ela não responder, não insista — isso pode aumentar a ansiedade.
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de catatonia pode ser assustador e confuso, tanto para a pessoa quanto para a família. Mas com informação, tratamento e apoio, é possível levar uma vida plena. Vamos entender como lidar com o dia a dia.
Para a pessoa com o diagnóstico
Aceitação e autocompaixão
- Não se culpe: A catatonia não é sua culpa — é uma condição médica, como diabetes ou hipertensão.
- Seja gentil consigo mesmo: Nos dias ruins, lembre-se: você está fazendo o seu melhor.
- Celebre as pequenas vitórias: Melhorou um pouco hoje? Isso já é motivo para comemorar!
Como lidar com dias difíceis
- Tenha um “kit de emergência”:
- Uma lista de pessoas para ligar (familiares, amigos, terapeuta).
- Atividades que acalmam (música, desenho, um livro favorito).
- Remédios de resgate (se o médico prescrever).
- Não lute contra os sintomas: Se estiver em estupor, não force — isso pode piorar. Espere passar.
- Peça ajuda: Se estiver se sentindo sobrecarregado, fale com alguém de confiança.
Autocuidado
- Priorize o sono: Durma o suficiente — a falta de sono piora os sintomas.
- Alimente-se bem: Mesmo que não esteja com fome, coma algo leve (uma fruta, um iogurte).
- Movimente-se: Mesmo que seja só uma caminhada de 10 minutos.
- Faça coisas que gosta: Assistir a um filme, ouvir música, cozinhar — reserve um tempo para o prazer.
Grupos de apoio
- Falar com quem passa pelo mesmo pode ser muito reconfortante.
- Exemplos de grupos:
- ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos).
- Grupos no Facebook (busque por “catatonia” ou “transtorno bipolar”).
- Fóruns online (como o Reddit, em comunidades como r/bipolar ou r/depression).
Para familiares e amigos
Como ajudar (sem sufocar)
- Seja paciente: A catatonia pode ser frustrante para quem acompanha, mas não é culpa da pessoa.
- Não leve para o pessoal: Se ela não responder ou estiver agitada, não é contra você.
- Ofereça ajuda prática:
- “Posso te ajudar a preparar o almoço?”
- “Quer que eu te acompanhe em uma caminhada?”
- Evite frases como:
- “Isso é frescura.”
- “Você só precisa se esforçar mais.”
- “Todo mundo tem problemas.”
O que NÃO fazer
- Não force movimentos: Se ela estiver em catalepsia, não tente movê-la à força — isso pode causar lesões.
- Não discuta: Se ela estiver em negativismo, não insista — espere passar.
- Não minimize: Frases como “Isso é só uma fase” podem aumentar a culpa e a vergonha.
Como explicar para outras pessoas
- Seja honesto, mas simples:
- “Ela tem uma condição chamada catatonia, que afeta os movimentos e a fala. Não é contagioso e ela está em tratamento.”
- Evite detalhes desnecessários: Não precisa explicar todos os sintomas — foque no que é relevante.
- Peça ajuda: Se alguém perguntar “Como posso ajudar?”, sugira algo concreto (ex.: “Pode nos ajudar levando-a para uma consulta?”).
Cuidando de si mesmo
- Você não pode cuidar dos outros se não cuidar de si:
- Reserve um tempo para fazer coisas que gosta.
- Converse com um terapeuta se estiver se sentindo sobrecarregado.
- Não se isole — mantenha contato com amigos e familiares.
- Lembre-se: Você também precisa de apoio e descanso.
Quando os sintomas podem piorar?
Algumas situações podem desencadear ou piorar os sintomas de catatonia:
Gatilhos comuns
- Estresse: Problemas no trabalho, brigas familiares, perdas.
- Mudanças bruscas: Mudança de casa, de emprego, de medicação.
- Privação de sono: Dormir pouco ou ter o sono desregulado.
- Doenças físicas: Infecções, desidratação, dor crônica.
- Uso de substâncias: Álcool, drogas ou até mesmo alguns remédios (como corticoides).
Sinais de recaída
Fique atento a:
– Mudanças no sono: Dormir muito mais ou muito menos.
– Irritabilidade: Ficar mais impaciente ou agressivo.
– Isolamento: Parar de falar ou evitar contato social.
– Movimentos estranhos: Começar a fazer caretas, repetir palavras ou ficar imóvel por longos períodos.
– Negativismo: Resistir a qualquer tentativa de ajuda.
O que fazer quando percebe piora?
- Não espere: Se notar sinais de recaída, procure o médico imediatamente.
- Ajuste a medicação: Às vezes, é necessário aumentar a dose ou trocar o remédio.
- Reduza estímulos: Ambientes calmos e rotinas estruturadas ajudam.
- Evite gatilhos: Se o estresse é um problema, tente reduzir compromissos e responsabilidades.
- Busque apoio: Converse com familiares, amigos ou um terapeuta.
Sinais de que precisa voltar ao médico
Alguns sinais indicam que é hora de procurar ajuda médica urgente:
⚠️ Procure atendimento imediato (SAMU 192, UPA, CAPS) se a pessoa:
– Não estiver comendo ou bebendo há mais de 24 horas.
– Estiver em estupor grave (sem reagir a estímulos).
– Apresentar febre alta e rigidez muscular (pode ser síndrome neuroléptica maligna).
– Tiver convulsões.
– Falar em morte ou suicídio.
⚠️ Agende uma consulta em breve se a pessoa:
– Voltar a ter sintomas de catatonia (mesmo que leves).
– Parar de tomar a medicação por conta própria.
– Apresentar efeitos colaterais graves (como sonolência excessiva ou tremores).
– Não estiver melhorando após algumas semanas de tratamento.
Perguntas frequentes
1. Catatonia tem cura?
A catatonia não é uma doença crônica — ela é um conjunto de sintomas que pode ser tratado. Com o tratamento certo (medicamentos, ECT, terapia), a maioria das pessoas melhora significativamente e pode levar uma vida normal.
No entanto, como a catatonia está associada a outros transtornos (como depressão ou bipolaridade), o transtorno de base pode precisar de tratamento contínuo. Isso não significa que a catatonia vai voltar, mas que é importante manter o acompanhamento médico.
2. A catatonia é para sempre?
Não! A catatonia pode ser episódica — ou seja, aparece em momentos de crise e some com o tratamento. Muitas pessoas têm apenas um episódio na vida, enquanto outras podem ter recaídas.
O importante é:
– Seguir o tratamento (mesmo quando estiver bem).
– Identificar gatilhos (estresse, falta de sono, etc.) e evitá-los.
– Manter uma rotina saudável (sono, alimentação, exercícios).
3. Posso trabalhar/estudar normalmente?
Depende da gravidade dos sintomas e do tratamento. Algumas pessoas conseguem retomar suas atividades após a melhora, enquanto outras precisam de adaptações.
Dicas para voltar ao trabalho/estudo:
– Converse com o médico: Ele pode indicar adaptações (como horário flexível ou redução de carga).
– Comece devagar: Não tente voltar à rotina de antes de uma vez.
– Peça apoio: Converse com colegas, professores ou RH sobre suas necessidades.
– Use técnicas de manejo de estresse: Respiração, pausas, atividades relaxantes.
Se os sintomas impedirem completamente o trabalho ou estudo, pode ser necessário afastamento temporário (auxílio-doença no INSS).
4. Meus filhos podem ter catatonia também?
A catatonia não é hereditária, mas alguns fatores de risco (como predisposição a depressão ou esquizofrenia) podem ser passados geneticamente.
Se você tem catatonia associada a um transtorno mental (como bipolaridade), seus filhos podem ter maior risco de desenvolver o mesmo transtorno — mas isso não significa que terão catatonia.
O que você pode fazer:
– Fique atento a sinais precoces (mudanças de humor, isolamento, dificuldade escolar).
– Promova um ambiente saudável (rotina, sono, alimentação, apoio emocional).
– Converse com um psiquiatra infantil se notar algo preocupante.
5. Como explicar para as outras pessoas?
Muitas pessoas não conhecem a catatonia, então é normal que fiquem confusas ou façam perguntas. Algumas sugestões:
Para amigos e familiares:
– “É uma condição que afeta os movimentos e a fala, mas tem tratamento. Não é contagioso e não é culpa minha.”
– “Às vezes fico parado ou repito coisas sem querer, mas estou em tratamento e melhorando.”
Para colegas de trabalho/escola:
– “Estou passando por um problema de saúde, mas já estou em tratamento. Se eu parecer diferente, é só um sintoma da condição.”
– “Não é algo que eu controle, mas estou fazendo o possível para melhorar.”
Para crianças:
– “Às vezes o cérebro da mamãe/papai fica cansado e não consegue mandar os sinais certos para o corpo. Mas os médicos estão ajudando.”
Se não quiser explicar:
– Você não é obrigado a dar detalhes. Pode simplesmente dizer: “Estou passando por um problema de saúde, mas já estou em tratamento.”
6. Onde encontrar ajuda no Brasil?
Pelo SUS:
- UBS (Unidade Básica de Saúde): Primeiro passo para encaminhamento.
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Atendimento especializado em saúde mental.
- Ambulatórios de saúde mental: Alguns hospitais e universidades oferecem atendimento gratuito.
- Hospitais psiquiátricos públicos: Para casos graves (ex.: Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, em São Paulo).
Particular/Convênio:
- Psiquiatra: Para diagnóstico e tratamento medicamentoso.
- Neurologista: Para descartar causas neurológicas.
- Psicólogo: Para terapia de apoio.
- Terapia ocupacional: Para retomar atividades do dia a dia.
Grupos de apoio:
- ABRATA: www.abrata.org.br (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos).
- CVV: www.cvv.org.br (apoio emocional pelo telefone 188).
- Grupos no Facebook: Busque por “catatonia”, “depressão” ou “transtorno bipolar”.
Emergências:
- SAMU: 192.
- UPA (Unidade de Pronto Atendimento): Para casos urgentes.
- CAPS 24h: Alguns CAPS oferecem atendimento em plantão.
Quando procurar ajuda urgente
A catatonia pode ser uma emergência médica, especialmente em casos graves. Fique atento aos sinais de alerta.
⚠️ Procure atendimento imediato (SAMU 192, UPA, CAPS) se a pessoa:
- Não estiver comendo ou bebendo há mais de 24 horas.
- Estiver em estupor grave (sem reagir a estímulos, como toque ou dor).
- Apresentar febre alta (acima de 38°C) e rigidez muscular (pode ser síndrome neuroléptica maligna).
- Tiver convulsões.
- Falar em morte ou suicídio.
- Estiver desidratada (boca seca, urina escura, tontura).
- Apresentar alterações na pressão arterial ou frequência cardíaca.
⚠️ Agende uma consulta em breve se a pessoa:
- Voltar a ter sintomas de catatonia (mesmo que leves).
- Parar de tomar a medicação por conta própria.
- Apresentar efeitos colaterais graves (sonolência excessiva, tremores, confusão).
- Não estiver melhorando após algumas semanas de tratamento.
- Estiver com dificuldade para dormir ou se alimentar.
Direitos do paciente em emergência psiquiátrica
No Brasil, a Lei 10.216/2001 garante que:
– Ninguém pode ser internado à força sem avaliação médica.
– A internação involuntária (quando a pessoa não concorda, mas precisa) só pode ser feita com laudo de dois médicos.
– A família deve ser informada sobre qualquer internação.
– O paciente tem direito a tratamento humanizado (sem violência ou restrições desnecessárias).
Se você sentir que seus direitos estão sendo desrespeitados, procure:
– Defensoria Pública: www.defensoria.sp.def.br (exemplo para São Paulo).
– Ministério Público: www.mpf.mp.br.
– Conselho Regional de Medicina (CRM): Para denunciar maus-tratos.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022. Disponível em: https://icd.who.int/.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Fink, M.; Taylor, M. A. Catatonia: A Clinician’s Guide to Diagnosis and Treatment. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.
- Walther, S.; Stegmayer, K.; Wilson, J. E.; Heckers, S. Structure and Neural Mechanisms of Catatonia. The Lancet Psychiatry, 2019.
- Northoff, G. Catatonia and Neuroleptic Malignant Syndrome: Psychopathology and Pathophysiology. Journal of Neural Transmission, 2002.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.