Transtornos devidos ao uso de inalantes voláteis (CID-11: 6C4B)

O que é?

Imagine que você está em uma oficina mecânica, sente o cheiro forte de gasolina e, por um momento, se sente meio tonto. Ou então, lembra daquela vez que usou um removedor de esmalte e inalou sem querer, sentindo uma leve tontura. Agora, pense em alguém que busca essa sensação de propósito, várias vezes, mesmo sabendo que faz mal. É mais ou menos isso que acontece nos transtornos devidos ao uso de inalantes voláteis.

Essa condição é um problema sério de saúde mental que acontece quando uma pessoa usa produtos químicos que evaporam facilmente — como cola de sapateiro, gasolina, tinta spray, removedores, esmaltes ou até mesmo alguns produtos de limpeza — para ficar “chapada”. O problema não é só o uso ocasional, mas quando isso vira um padrão que prejudica a vida da pessoa, causando sofrimento e dificuldades no dia a dia.

A diferença entre uma experiência isolada e o transtorno está na frequência, na quantidade e no impacto. Todo mundo já sentiu um cheiro forte e ficou meio zonzo, mas no transtorno por uso de inalantes, a pessoa passa a depender dessa sensação, usa cada vez mais, mesmo quando isso causa problemas sérios na escola, no trabalho, na família ou na saúde. É como se o cérebro ficasse “viciado” não só na substância, mas no ritual de usá-la, mesmo quando a pessoa sabe que está se prejudicando.

No Brasil, esse problema é mais comum do que muita gente imagina. Estudos mostram que adolescentes e jovens adultos são os mais afetados, especialmente meninos e homens. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1% dos adolescentes brasileiros já usaram inalantes pelo menos uma vez na vida, e uma parte significativa deles desenvolve o transtorno. Em algumas comunidades carentes, onde o acesso a drogas mais caras é limitado, o uso de inalantes pode ser ainda mais frequente, porque são produtos baratos e fáceis de encontrar em qualquer supermercado ou loja de materiais de construção.

Historicamente, o uso de inalantes não é novo. Há registros de pessoas usando substâncias voláteis para alterar a consciência desde a Grécia Antiga, quando inalavam gases de cavernas para ter visões. No século XIX, o éter e o clorofórmio eram usados como anestésicos e também recreativamente. No Brasil, o problema ganhou mais atenção nas últimas décadas, especialmente com o aumento do uso de cola de sapateiro entre crianças e adolescentes em situação de rua. Hoje, sabemos que os inalantes são especialmente perigosos porque, além de viciar, podem causar danos irreversíveis ao cérebro, coração, fígado e outros órgãos.

Quais são os sintomas?

Para entender se alguém está desenvolvendo um transtorno por uso de inalantes, os médicos usam uma lista de critérios. Não é só uma questão de “usar muito”, mas de como esse uso afeta a vida da pessoa. Vamos traduzir cada um desses critérios para o dia a dia, com exemplos concretos.

1. Usar mais do que pretendia ou por mais tempo do que queria

O que isso significa na prática?
Você já combinou com um amigo de tomar só uma cerveja e acabou bebendo cinco? Com os inalantes, é parecido. A pessoa pode começar dizendo “só vou cheirar um pouquinho” e acabar passando horas inalando, mesmo sem querer.

Exemplos do dia a dia:
– Um adolescente pega um tubo de cola de sapateiro para “experimentar” com os amigos e acaba usando o tubo inteiro em uma tarde, mesmo prometendo a si mesmo que seria só uma vez.
– Alguém compra um removedor de esmalte para pintar as unhas, mas acaba usando o produto várias vezes ao dia para ficar “alto”, mesmo sabendo que deveria parar.
– Um mecânico usa gasolina para limpar peças e, sem perceber, passa a cheirar o pano sujo várias vezes durante o expediente, mesmo prometendo a si mesmo que seria só naquele dia.

Normal vs. sintomático:
É normal experimentar uma substância uma vez por curiosidade. O problema começa quando a pessoa perde o controle e usa muito mais do que planejava, repetidamente.


2. Tentar parar ou reduzir e não conseguir

O que isso significa na prática?
A pessoa percebe que o uso está prejudicando sua vida e decide parar, mas não consegue, mesmo tentando várias vezes. É como tentar fazer dieta e não resistir a um doce: a vontade é mais forte do que a decisão.

Exemplos do dia a dia:
– Um jovem promete aos pais que vai parar de cheirar cola, mas toda vez que vê um tubo, não consegue resistir, mesmo sabendo que vai decepcioná-los.
– Alguém tenta substituir o uso de inalantes por outras atividades, como esportes ou música, mas acaba voltando para a substância depois de alguns dias.
– Uma pessoa marca uma consulta com um psicólogo para parar de usar inalantes, mas no dia seguinte já está usando de novo, mesmo querendo muito parar.

Normal vs. sintomático:
Todo mundo tem dificuldade para mudar hábitos, mas no transtorno, a pessoa tenta parar várias vezes e não consegue, mesmo quando isso causa problemas sérios.


3. Gastar muito tempo para conseguir, usar ou se recuperar dos inalantes

O que isso significa na prática?
O uso de inalantes começa a tomar conta da rotina da pessoa. Ela passa horas procurando a substância, usando ou se recuperando dos efeitos, deixando de lado outras atividades importantes.

Exemplos do dia a dia:
– Um adolescente falta à escola para ficar em casa cheirando cola, ou vai para a aula ainda “chapado”, sem conseguir prestar atenção.
– Alguém passa horas do dia procurando lugares para comprar tinta spray ou gasolina, mesmo sabendo que deveria estar trabalhando ou estudando.
– Uma pessoa usa inalantes à noite e passa o dia seguinte inteiro se sentindo mal, sem energia para fazer nada, como se estivesse de ressaca.

Normal vs. sintomático:
É normal gostar de uma atividade e dedicar tempo a ela, mas no transtorno, a pessoa negligencia outras áreas da vida — como família, trabalho ou saúde — por causa do uso.


4. Ter desejo intenso ou fissura por inalantes

O que isso significa na prática?
A pessoa sente uma vontade tão forte de usar inalantes que é difícil pensar em outra coisa. É como quando você está com muita fome e só consegue pensar em comida, mas multiplicado por dez.

Exemplos do dia a dia:
– Alguém está em uma festa e, mesmo se divertindo, só consegue pensar em como vai conseguir um tubo de cola para usar depois.
– Uma pessoa passa na frente de uma loja de materiais de construção e sente uma vontade irresistível de comprar tinta spray, mesmo sem precisar.
– Um adolescente acorda no meio da noite com uma vontade tão forte de cheirar cola que não consegue voltar a dormir até conseguir a substância.

Normal vs. sintomático:
Todo mundo tem desejos, mas no transtorno, a fissura é tão intensa que a pessoa faz de tudo para satisfazê-la, mesmo sabendo que vai se prejudicar.


5. Não conseguir cumprir obrigações por causa do uso

O que isso significa na prática?
O uso de inalantes começa a atrapalhar a vida da pessoa no trabalho, na escola ou em casa. Ela deixa de fazer coisas importantes porque está usando a substância ou se recuperando dos efeitos.

Exemplos do dia a dia:
– Um estudante começa a tirar notas baixas porque falta às aulas ou não consegue se concentrar nos estudos por causa do uso de inalantes.
– Alguém perde o emprego porque chega atrasado ou não consegue trabalhar direito depois de usar a substância.
– Uma pessoa deixa de cuidar dos filhos ou da casa porque passa horas usando inalantes ou se recuperando dos efeitos.

Normal vs. sintomático:
Todo mundo tem dias ruins, mas no transtorno, a pessoa falha repetidamente em suas obrigações por causa do uso, mesmo quando isso causa consequências sérias.


6. Continuar usando mesmo quando causa problemas nos relacionamentos

O que isso significa na prática?
A pessoa sabe que o uso de inalantes está prejudicando seus relacionamentos, mas continua usando mesmo assim. É como continuar comendo doces mesmo sabendo que isso está deixando você doente.

Exemplos do dia a dia:
– Um adolescente continua cheirando cola mesmo depois que os pais descobrem e brigam com ele, ou mesmo quando os amigos começam a se afastar.
– Alguém perde a confiança do parceiro ou da parceira porque mente sobre o uso de inalantes, mas continua usando mesmo assim.
– Uma pessoa se isola da família porque sabe que eles não aprovam o uso, mas não consegue parar.

Normal vs. sintomático:
É normal ter desentendimentos com a família ou amigos, mas no transtorno, a pessoa continua usando a substância mesmo quando isso está destruindo seus relacionamentos.


7. Deixar de lado atividades importantes por causa do uso

O que isso significa na prática?
A pessoa abandona hobbies, esportes, trabalho ou outras atividades que antes eram importantes para ela, porque prefere usar inalantes.

Exemplos do dia a dia:
– Um jovem que adorava jogar futebol deixa de ir aos treinos porque prefere ficar em casa cheirando cola.
– Alguém que gostava de desenhar ou tocar música para de praticar porque passa horas usando inalantes.
– Uma pessoa deixa de sair com os amigos ou de participar de eventos familiares porque prefere ficar sozinha usando a substância.

Normal vs. sintomático:
É normal mudar de interesses ao longo da vida, mas no transtorno, a pessoa abandona atividades que antes eram importantes para ela por causa do uso.


8. Usar em situações perigosas

O que isso significa na prática?
A pessoa usa inalantes em situações em que isso pode colocar ela ou outras pessoas em risco, como dirigir, operar máquinas ou até mesmo nadar.

Exemplos do dia a dia:
– Alguém usa gasolina enquanto dirige, colocando em risco a própria vida e a de outras pessoas.
– Uma pessoa usa tinta spray em um ambiente fechado, sem ventilação, correndo o risco de sufocar ou explodir.
– Um adolescente usa cola de sapateiro enquanto anda de bicicleta ou skate, aumentando o risco de acidentes.

Normal vs. sintomático:
É normal correr riscos às vezes, mas no transtorno, a pessoa usa a substância em situações claramente perigosas, mesmo sabendo dos riscos.


9. Continuar usando mesmo sabendo que faz mal à saúde

O que isso significa na prática?
A pessoa sabe que os inalantes estão prejudicando sua saúde — causando problemas no fígado, nos rins, no cérebro ou no coração —, mas continua usando mesmo assim.

Exemplos do dia a dia:
– Alguém descobre que está com problemas no fígado por causa do uso de inalantes, mas continua usando mesmo assim.
– Uma pessoa tem convulsões ou desmaios por causa do uso, mas não consegue parar.
– Um adolescente sabe que os inalantes podem causar danos cerebrais irreversíveis, mas continua usando porque a vontade é mais forte.

Normal vs. sintomático:
É normal ter hábitos pouco saudáveis, como comer fast food, mas no transtorno, a pessoa continua usando a substância mesmo quando sabe que isso está causando danos sérios à saúde.


10. Desenvolver tolerância

O que isso significa na prática?
Com o tempo, a pessoa precisa usar cada vez mais inalantes para sentir o mesmo efeito. É como quando você toma café todos os dias e, depois de um tempo, precisa de duas xícaras para acordar, em vez de uma.

Exemplos do dia a dia:
– Um adolescente começa cheirando um tubo de cola por semana e, depois de alguns meses, precisa de três tubos para sentir o mesmo efeito.
– Alguém que usava gasolina uma vez por dia passa a usar várias vezes ao dia para se sentir “alto”.
– Uma pessoa que antes ficava “chapada” com uma latinha de tinta spray agora precisa de duas ou três para sentir o mesmo efeito.

Normal vs. sintomático:
É normal o corpo se adaptar a substâncias, mas no transtorno, a pessoa precisa usar quantidades cada vez maiores para sentir o mesmo efeito, o que aumenta os riscos à saúde.


11. Ter sintomas de abstinência

O que isso significa na prática?
Quando a pessoa para de usar inalantes, ela pode sentir sintomas físicos e emocionais desagradáveis, como ansiedade, tremores, suor frio, irritabilidade ou até mesmo alucinações. É como quando você fica muito tempo sem comer e começa a sentir fraqueza e tontura.

Exemplos do dia a dia:
– Um adolescente que para de cheirar cola começa a sentir tremores, suar frio e ficar muito ansioso, como se estivesse gripado.
– Alguém que para de usar gasolina sente uma vontade tão forte de usar de novo que não consegue pensar em outra coisa.
– Uma pessoa que tenta parar de usar inalantes começa a ter pesadelos ou alucinações, como ver coisas que não estão lá.

Normal vs. sintomático:
É normal sentir desconforto quando paramos de fazer algo que gostamos, mas no transtorno, os sintomas de abstinência são intensos e podem incluir sintomas físicos e psicológicos graves.


O que é normal e o que não é?

Ter um ou dois desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha o transtorno. O que importa é o conjunto: a intensidade, a duração e o impacto na vida. Por exemplo, todo mundo já usou uma substância uma vez por curiosidade, mas isso não significa que tenha um transtorno. O problema começa quando o uso vira um padrão que prejudica a vida da pessoa, mesmo quando ela tenta parar.

Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, o primeiro passo é não se culpar. O transtorno por uso de inalantes é uma condição médica, como diabetes ou pressão alta, e precisa de tratamento. O importante é buscar ajuda.

Como se manifesta no dia a dia?

O transtorno por uso de inalantes não afeta só a pessoa que usa a substância, mas também sua rotina, seus relacionamentos e sua saúde. Vamos ver como isso aparece na prática, em diferentes áreas da vida.

No trabalho ou na escola

Quando alguém está desenvolvendo um transtorno por uso de inalantes, uma das primeiras áreas a serem afetadas é o desempenho no trabalho ou na escola. Os efeitos podem ser sutis no começo, mas com o tempo, vão se tornando mais evidentes.

Exemplos concretos:
Faltas e atrasos: A pessoa começa a faltar ao trabalho ou à escola com frequência, especialmente depois de usar inalantes. Pode inventar desculpas como “estou gripado” ou “o ônibus quebrou”, mas na verdade está se recuperando dos efeitos da substância.
Queda no desempenho: As notas ou a produtividade caem porque a pessoa não consegue se concentrar. Um estudante que antes tirava notas boas começa a ter dificuldade para acompanhar as aulas. Um funcionário que era pontual e eficiente passa a cometer erros bobos.
Problemas de comportamento: A pessoa pode ficar mais irritada, agressiva ou apática no trabalho ou na escola. Colegas ou professores podem notar que ela está “diferente”, mas não sabem explicar o porquê.
Perda de interesse: Atividades que antes eram importantes, como projetos na escola ou metas no trabalho, deixam de fazer sentido. A pessoa parece desmotivada, mas na verdade está mais interessada em usar inalantes do que em qualquer outra coisa.

Como isso afeta a vida:
No começo, a pessoa pode conseguir esconder os problemas, mas com o tempo, as consequências aparecem: advertências na escola, demissões no trabalho, reprovações. Isso pode levar a um ciclo de baixa autoestima, onde a pessoa se sente incapaz e usa ainda mais inalantes para “escapar” desses sentimentos.


Nos relacionamentos

Os relacionamentos são outra área que sofre muito com o transtorno por uso de inalantes. A pessoa pode se afastar de amigos e familiares, ou então ter conflitos constantes por causa do uso.

Exemplos concretos:
Isolamento: A pessoa começa a evitar encontros com amigos ou reuniões familiares porque prefere ficar sozinha usando inalantes. Pode inventar desculpas como “estou cansado” ou “não estou a fim”, mas na verdade está usando a substância em segredo.
Mentiras e segredos: Para esconder o uso, a pessoa pode começar a mentir sobre onde estava, com quem estava ou o que estava fazendo. Isso pode gerar desconfiança nos relacionamentos, especialmente com pais, parceiros ou amigos próximos.
Conflitos: Brigas podem se tornar mais frequentes, especialmente quando a família ou os amigos descobrem o uso de inalantes. A pessoa pode ficar na defensiva, negar o problema ou até mesmo culpar os outros por “não entenderem”.
Perda de confiança: Com o tempo, as mentiras e os segredos podem fazer com que as pessoas ao redor percam a confiança. Amigos podem se afastar, e a família pode começar a monitorar a pessoa de perto, o que aumenta ainda mais o estresse.

Como isso afeta a vida:
Os relacionamentos são uma das principais fontes de apoio quando alguém está passando por um problema de saúde mental. Quando a pessoa se isola ou entra em conflito com as pessoas que ama, fica ainda mais difícil buscar ajuda e se recuperar.


Na rotina

O uso de inalantes também afeta a rotina diária da pessoa, desde o sono até a alimentação e o autocuidado.

Exemplos concretos:
Sono desregulado: A pessoa pode ter dificuldade para dormir ou então dormir demais, dependendo do tipo de inalante usado. Alguns inalantes deixam a pessoa agitada, enquanto outros causam sonolência. Isso pode levar a um ciclo de cansaço e uso da substância para “dar energia” ou “relaxar”.
Alimentação irregular: O apetite pode diminuir, levando a perda de peso ou deficiências nutricionais. A pessoa pode pular refeições porque está usando inalantes ou então comer compulsivamente para aliviar a ansiedade.
Falta de autocuidado: A higiene pessoal pode ser negligenciada. A pessoa pode parar de tomar banho, escovar os dentes ou trocar de roupa com frequência, especialmente se estiver usando inalantes de forma intensa.
Lazer substituído: Atividades de lazer, como esportes, hobbies ou sair com amigos, podem ser deixadas de lado porque a pessoa prefere usar inalantes. Isso pode levar a um sentimento de vazio e falta de propósito.

Como isso afeta a vida:
Quando a rotina é afetada, a pessoa pode se sentir perdida, sem estrutura. Isso pode piorar os sintomas do transtorno e tornar ainda mais difícil buscar ajuda.


Na saúde física

Os inalantes são substâncias tóxicas que podem causar danos graves ao corpo, mesmo com pouco tempo de uso. Alguns desses danos podem ser irreversíveis.

Exemplos concretos:
Problemas respiratórios: O uso de inalantes pode causar tosse, falta de ar e até mesmo danos permanentes aos pulmões. A pessoa pode sentir que está “sempre gripada” ou ter dificuldade para respirar depois de usar a substância.
Danos ao cérebro: Os inalantes podem causar danos cerebrais, levando a problemas de memória, dificuldade de concentração e até mesmo alterações de personalidade. A pessoa pode se sentir “mais lenta” ou ter dificuldade para aprender coisas novas.
Problemas cardíacos: Alguns inalantes podem causar arritmias cardíacas, que são batimentos irregulares do coração. Em casos graves, isso pode levar a paradas cardíacas e até mesmo à morte.
Danos ao fígado e rins: O uso prolongado de inalantes pode causar danos ao fígado e aos rins, levando a problemas como hepatite ou insuficiência renal.
Problemas de pele: O contato com inalantes pode causar irritações na pele, como vermelhidão, coceira ou feridas ao redor do nariz e da boca.

Como isso afeta a vida:
Os danos à saúde física podem ser assustadores e, em alguns casos, irreversíveis. Isso pode levar a pessoa a se sentir desesperançosa, achando que “não tem mais jeito”. Mas é importante lembrar que, mesmo com danos, o corpo tem uma capacidade incrível de se recuperar, especialmente com tratamento adequado.

O que causa essa condição?

O transtorno por uso de inalantes não tem uma única causa. Ele é resultado de uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais. Vamos entender cada um deles de forma simples e clara.

Fatores genéticos: a herança familiar

Imagine que o cérebro é como um computador, e os genes são o “sistema operacional” que vem instalado de fábrica. Algumas pessoas nascem com um sistema que as torna mais vulneráveis a desenvolver dependência de substâncias, incluindo inalantes.

Como isso funciona na prática?
– Se alguém na família (como pais, avós ou tios) teve problemas com álcool, drogas ou até mesmo jogos de azar, a pessoa pode ter uma predisposição genética para desenvolver dependência.
– Não é uma “sentença”, mas uma maior probabilidade. É como ter uma tendência a desenvolver diabetes: se a pessoa cuidar da alimentação e se exercitar, pode nunca desenvolver a doença, mas se não cuidar, as chances aumentam.
– Estudos mostram que filhos de pais com dependência química têm até quatro vezes mais chances de desenvolver um transtorno por uso de substâncias.

Mito vs. verdade:
Mito: “Se meu pai era alcoólatra, eu também vou ser.”
Verdade: A genética aumenta o risco, mas não determina o futuro. Muitas pessoas com histórico familiar de dependência nunca desenvolvem o problema, especialmente se tiverem apoio e tratamento adequado.


Fatores neurobiológicos: o que acontece no cérebro

Os inalantes agem diretamente no cérebro, alterando a forma como ele funciona. É como se eles “hackeassem” o sistema de recompensa do cérebro, fazendo com que a pessoa sinta uma necessidade intensa de usar a substância.

Como isso funciona na prática?
– O cérebro tem um sistema de recompensa que nos faz sentir prazer quando fazemos coisas boas, como comer, socializar ou praticar esportes. Os inalantes “sequestram” esse sistema, fazendo com que a pessoa sinta prazer apenas quando usa a substância.
– Com o tempo, o cérebro se acostuma com os inalantes e passa a “exigir” cada vez mais para sentir o mesmo efeito. É como se o cérebro ficasse “viciado” na substância.
– Além disso, os inalantes podem danificar áreas do cérebro responsáveis pela memória, pelo controle de impulsos e pela tomada de decisões. Isso explica por que a pessoa pode ter dificuldade para parar de usar, mesmo sabendo que faz mal.

Analogia:
Imagine que o cérebro é como um jardim. Os inalantes são como ervas daninhas que crescem rápido e sufocam as flores. Com o tempo, o jardim fica cheio de ervas daninhas, e as flores (que representam as coisas boas da vida, como família, trabalho e hobbies) têm dificuldade para crescer.


Fatores ambientais: o papel da família, dos amigos e da sociedade

O ambiente em que a pessoa vive tem um papel enorme no desenvolvimento do transtorno por uso de inalantes. Fatores como pobreza, violência, falta de oportunidades e influência de amigos podem aumentar o risco.

Como isso funciona na prática?
Família: Crianças e adolescentes que crescem em lares onde há uso de substâncias, violência ou negligência têm maior risco de desenvolver dependência. Por outro lado, famílias que oferecem apoio, limites claros e um ambiente seguro podem proteger contra o problema.
Amigos: Se a pessoa convive com amigos que usam inalantes, as chances de experimentar e desenvolver dependência aumentam. É como quando todo mundo na escola usa um tipo de roupa ou ouve uma música: a pressão do grupo pode ser forte.
Comunidade: Viver em comunidades com alto índice de violência, pobreza ou falta de oportunidades pode aumentar o risco. Quando a pessoa não vê perspectivas de futuro, pode buscar “escape” nos inalantes.
Acesso fácil: Inalantes são baratos e fáceis de encontrar, o que aumenta o risco de uso, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.

Mito vs. verdade:
Mito: “Só quem é fraco ou sem caráter usa drogas.”
Verdade: O uso de substâncias é influenciado por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Ninguém escolhe desenvolver um transtorno por uso de inalantes — é uma condição médica, como qualquer outra.


Fatores psicológicos: o papel das emoções e da mente

Problemas emocionais, como ansiedade, depressão, traumas ou baixa autoestima, podem aumentar o risco de desenvolver dependência de inalantes. A pessoa pode usar a substância como uma forma de “automedicação”, para aliviar sentimentos ruins.

Como isso funciona na prática?
Ansiedade e depressão: Alguém que se sente ansioso ou deprimido pode usar inalantes para “desligar” esses sentimentos. O problema é que, com o tempo, a substância piora a ansiedade e a depressão, criando um ciclo vicioso.
Traumas: Pessoas que passaram por traumas, como abuso, violência ou perda de um ente querido, podem usar inalantes para “esquecer” o que aconteceu. Mas, novamente, a substância não resolve o problema — só o adia.
Baixa autoestima: Alguém que não se sente valorizado pode usar inalantes para se sentir “aceito” pelo grupo ou para “fugir” dos sentimentos de inadequação.

Analogia:
Imagine que a mente é como um balde cheio de água. Quando a pessoa está emocionalmente sobrecarregada, o balde transborda. Os inalantes são como um buraco no fundo do balde: eles esvaziam a água por um tempo, mas não resolvem o problema. Com o tempo, o buraco fica maior, e o balde nunca fica cheio — a pessoa precisa usar cada vez mais inalantes para se sentir “aliviada”.


Modelo biopsicossocial: a combinação de fatores

O transtorno por uso de inalantes não é causado por um único fator, mas pela combinação de fatores biológicos (como genética e neurobiologia), psicológicos (como emoções e traumas) e sociais (como família, amigos e comunidade). É como um quebra-cabeça: cada peça contribui para o quadro final.

Exemplo prático:
Imagine um adolescente chamado João. Ele tem um pai alcoólatra (fator genético), cresceu em uma comunidade violenta (fator social) e sofre de ansiedade (fator psicológico). Quando João começa a usar inalantes com os amigos, esses fatores se combinam para aumentar o risco de ele desenvolver um transtorno. Se ele tivesse apenas um desses fatores, o risco seria menor.


Mitos sobre as causas

Vamos desfazer alguns mitos comuns sobre o que causa o transtorno por uso de inalantes.

Mito: “Só quem é pobre ou mora na rua usa inalantes.”
Verdade: O uso de inalantes acontece em todas as classes sociais. O que muda é o tipo de inalante usado. Enquanto adolescentes de comunidades carentes podem usar cola de sapateiro, pessoas de classes mais altas podem usar produtos como removedores de esmalte ou sprays de tinta.

Mito: “Quem usa inalantes é porque não tem força de vontade.”
Verdade: O transtorno por uso de inalantes é uma condição médica, como diabetes ou pressão alta. Ninguém escolhe ter dependência — é uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Mito: “Se a pessoa usar inalantes uma vez, já vai ficar viciada.”
Verdade: Nem todo mundo que experimenta inalantes desenvolve dependência. O risco depende de uma combinação de fatores, como genética, ambiente e saúde mental.

Mito: “Inalantes são menos perigosos do que outras drogas.”
Verdade: Inalantes são extremamente perigosos. Eles podem causar danos irreversíveis ao cérebro, coração e outros órgãos, e até mesmo levar à morte em uma única dose.

Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno por uso de inalantes pode ser assustador, mas é o primeiro passo para buscar ajuda e melhorar. Vamos entender como funciona esse processo, desde os primeiros sinais até a consulta com o profissional de saúde.

O processo de avaliação: passo a passo

O diagnóstico não é feito em uma única consulta. É um processo que envolve conversas, exames e, muitas vezes, a participação da família. Vamos ver como isso acontece na prática.

1. Primeiros sinais: quando a família ou os amigos percebem que algo está errado
Antes mesmo de procurar ajuda, as pessoas ao redor podem notar mudanças no comportamento da pessoa que usa inalantes. Alguns sinais comuns incluem:
– Mudanças repentinas de humor, como irritabilidade ou apatia.
– Queda no desempenho na escola ou no trabalho.
– Isolamento social, evitando encontros com amigos e familiares.
– Cheiro de produtos químicos na roupa, no cabelo ou no hálito.
– Manchas de tinta ou cola nas mãos, no rosto ou nas roupas.
– Objetos estranhos, como sacos plásticos, panos ou latas de spray, escondidos no quarto ou na mochila.

Se você notar esses sinais em alguém próximo, o primeiro passo é conversar com a pessoa de forma acolhedora, sem julgamentos. Dizer coisas como “Estou preocupado com você” ou “Quero te ajudar” pode abrir espaço para uma conversa honesta.

2. A primeira consulta: o que esperar
Quando a pessoa decide buscar ajuda, a primeira consulta geralmente é com um psiquiatra, psicólogo ou médico de família. No SUS, esse atendimento pode ser feito em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou hospital público. Na rede particular, a pessoa pode procurar um psiquiatra ou psicólogo especializado em dependência química.

O que acontece na consulta:
Conversa inicial: O profissional vai perguntar sobre os sintomas, o histórico de uso de inalantes e como isso está afetando a vida da pessoa. É importante ser honesto, mesmo que seja difícil.
Histórico médico: O profissional vai perguntar sobre outras condições de saúde, como problemas no fígado, rins ou coração, e sobre o uso de outras substâncias, como álcool ou cigarro.
Histórico familiar: O profissional pode perguntar se alguém na família teve problemas com dependência química, pois isso pode indicar uma predisposição genética.
Exame físico: Em alguns casos, o profissional pode pedir exames de sangue, urina ou imagem (como tomografia) para avaliar danos ao corpo.
Avaliação psicológica: O profissional pode fazer perguntas sobre emoções, traumas ou outros problemas de saúde mental, como ansiedade ou depressão.

3. Critérios diagnósticos: como o profissional avalia
O profissional vai usar os critérios do DSM-5 ou da CID-11 para avaliar se a pessoa tem o transtorno. Como vimos na seção anterior, esses critérios incluem coisas como:
– Usar mais do que pretendia.
– Tentar parar e não conseguir.
– Gastar muito tempo usando ou se recuperando dos efeitos.
– Ter problemas no trabalho, na escola ou nos relacionamentos por causa do uso.
– Continuar usando mesmo sabendo que faz mal.

Se a pessoa apresentar pelo menos dois desses critérios nos últimos 12 meses, o profissional pode fazer o diagnóstico.

4. Diagnóstico diferencial: descartando outras condições
Às vezes, os sintomas do transtorno por uso de inalantes podem ser confundidos com outras condições, como:
Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): A pessoa pode ter dificuldade de concentração e impulsividade, mas não necessariamente por causa do uso de inalantes.
Transtorno bipolar: Mudanças de humor e comportamento impulsivo podem ser confundidas com os efeitos dos inalantes.
Esquizofrenia: Alucinações ou delírios causados pelos inalantes podem ser confundidos com sintomas psicóticos.
Depressão ou ansiedade: A pessoa pode usar inalantes para aliviar esses sintomas, mas o profissional precisa avaliar se o problema principal é a dependência ou o transtorno de humor.

Para diferenciar essas condições, o profissional pode fazer perguntas mais detalhadas, pedir exames ou encaminhar a pessoa para outros especialistas.

5. Gravidade do transtorno: leve, moderado ou grave
O profissional também vai avaliar a gravidade do transtorno, com base na quantidade de critérios que a pessoa apresenta:
Leve: 2 a 3 critérios.
Moderado: 4 a 5 critérios.
Grave: 6 ou mais critérios.

Essa classificação ajuda a definir o tipo de tratamento mais adequado.


Quanto tempo leva para o diagnóstico?

O tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode variar muito. Algumas pessoas demoram anos para buscar ajuda, enquanto outras procuram um profissional logo que percebem o problema. Em média, o processo de avaliação pode levar de algumas semanas a alguns meses, dependendo da complexidade do caso e da disponibilidade de profissionais.


Quem pode diagnosticar?

No Brasil, os profissionais que podem diagnosticar o transtorno por uso de inalantes incluem:
Psiquiatras: Médicos especializados em saúde mental, que podem prescrever medicamentos e fazer o diagnóstico.
Psicólogos: Profissionais que podem fazer a avaliação psicológica e encaminhar para um psiquiatra, se necessário.
Médicos de família: Profissionais da atenção básica que podem fazer uma avaliação inicial e encaminhar para um especialista.
Equipes dos CAPS: Nos Centros de Atenção Psicossocial, equipes multiprofissionais (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais) podem fazer o diagnóstico e oferecer tratamento.


SUS vs. particular: como funciona no Brasil

No SUS, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos. A pessoa pode procurar uma UBS, CAPS ou hospital público. O processo pode ser mais demorado devido à alta demanda, mas é acessível a todos.

Na rede particular, o diagnóstico pode ser mais rápido, mas o custo varia. Alguns planos de saúde cobrem consultas com psiquiatras e psicólogos, mas é importante verificar a cobertura antes de agendar.


O que esperar da primeira consulta

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se a pessoa não sabe o que esperar. Vamos ver como se preparar:

Antes da consulta:
– Anote os sintomas e como eles estão afetando sua vida. Isso ajuda o profissional a entender melhor o caso.
– Se possível, leve um familiar ou amigo de confiança. Eles podem ajudar a lembrar de detalhes importantes.
– Prepare-se para falar sobre seu histórico de uso de inalantes, mesmo que seja difícil. Quanto mais honesto você for, melhor será o diagnóstico.

Durante a consulta:
– O profissional vai fazer perguntas sobre seus sintomas, histórico médico e familiar, e como o uso de inalantes está afetando sua vida.
– Não tenha medo de fazer perguntas. Se algo não ficar claro, peça para o profissional explicar de outra forma.
– Lembre-se: o profissional está ali para ajudar, não para julgar.

Depois da consulta:
– O profissional pode pedir exames ou encaminhar para outros especialistas.
– Se for diagnosticado com o transtorno, o profissional vai conversar sobre as opções de tratamento.
– Não desanime se o diagnóstico for confirmado. Lembre-se: é o primeiro passo para melhorar.


Diagnóstico diferencial: condições que podem ser confundidas

Como mencionamos antes, alguns sintomas do transtorno por uso de inalantes podem ser confundidos com outras condições. Vamos ver como o profissional diferencia essas condições:

1. Intoxicação por inalantes vs. transtorno por uso de inalantes
Intoxicação: Acontece logo após o uso da substância e inclui sintomas como tontura, fala arrastada, falta de coordenação e alucinações. É temporário e passa quando os efeitos da substância acabam.
Transtorno por uso: É um padrão de uso problemático que causa sofrimento e prejuízos na vida da pessoa, mesmo quando ela não está intoxicada.

2. Transtorno por uso de inalantes vs. TDAH
TDAH: A pessoa tem dificuldade de concentração, impulsividade e hiperatividade desde a infância, mesmo sem usar inalantes.
Transtorno por uso de inalantes: Os sintomas de desatenção e impulsividade aparecem ou pioram com o uso da substância.

3. Transtorno por uso de inalantes vs. transtorno bipolar
Transtorno bipolar: A pessoa tem episódios de mania (euforia, agitação) e depressão, que acontecem independentemente do uso de substâncias.
Transtorno por uso de inalantes: As mudanças de humor são causadas ou pioradas pelo uso da substância.

4. Transtorno por uso de inalantes vs. esquizofrenia
Esquizofrenia: A pessoa tem alucinações, delírios e pensamento desorganizado de forma persistente, mesmo sem usar substâncias.
Transtorno por uso de inalantes: Os sintomas psicóticos são temporários e acontecem apenas durante ou logo após o uso da substância.

Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno por uso de inalantes pode ser um alívio — afinal, agora você sabe o que está acontecendo e pode buscar ajuda. Mas também pode gerar dúvidas e medos: “Como vou parar?”, “Vai doer?”, “Vou conseguir?”. A boa notícia é que o tratamento existe, funciona e pode ajudar a pessoa a retomar o controle da sua vida.

Vamos entender como funciona o tratamento, desde medicamentos até mudanças no dia a dia.

Medicamentos

Os medicamentos não são a única parte do tratamento, mas podem ser uma ferramenta importante para ajudar a pessoa a parar de usar inalantes e lidar com os sintomas de abstinência. Vamos ver quais são os principais e como eles funcionam.

1. Medicamentos para abstinência
Quando a pessoa para de usar inalantes, pode sentir sintomas de abstinência, como ansiedade, tremores, suor frio e irritabilidade. Alguns medicamentos podem ajudar a aliviar esses sintomas.

Exemplos:
Benzodiazepínicos (como diazepam ou clonazepam): São usados para aliviar a ansiedade e os tremores. Funcionam como um “freio” no sistema nervoso, ajudando a pessoa a se sentir mais calma. O problema é que esses medicamentos também podem causar dependência, então são usados por pouco tempo e com supervisão médica.
Antidepressivos (como fluoxetina ou sertralina): Podem ajudar se a pessoa estiver se sentindo deprimida ou ansiosa. Eles aumentam os níveis de serotonina no cérebro, um neurotransmissor que regula o humor.

Como funcionam na prática?
Imagine que o cérebro é como um carro em alta velocidade. Quando a pessoa para de usar inalantes, é como se o carro freasse bruscamente, causando um “tranco”. Os medicamentos para abstinência são como um freio gradual, que ajuda o carro a parar sem solavancos.

2. Medicamentos para prevenir recaídas
Depois que a pessoa para de usar inalantes, o cérebro ainda pode “pedir” a substância, especialmente em situações de estresse ou quando a pessoa vê algo que lembra o uso. Alguns medicamentos podem ajudar a reduzir essa vontade.

Exemplos:
Naltrexona: É um medicamento que bloqueia os receptores de opioides no cérebro, reduzindo a sensação de prazer causada pelos inalantes. É como se ele “desligasse” o botão de recompensa que os inalantes ativam.
Acamprosato: Ajuda a restaurar o equilíbrio químico no cérebro, reduzindo a vontade de usar inalantes. É como se ele “reprogramasse” o cérebro para não precisar mais da substância.

3. Medicamentos para tratar condições associadas
Muitas pessoas com transtorno por uso de inalantes também têm outros problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade ou psicose. Tratar essas condições é fundamental para o sucesso do tratamento.

Exemplos:
Antipsicóticos (como risperidona ou quetiapina): Podem ser usados se a pessoa tiver alucinações ou delírios causados pelos inalantes.
Estabilizadores de humor (como lítio ou valproato): Podem ajudar se a pessoa tiver oscilações de humor, como no transtorno bipolar.

Quanto tempo para fazer efeito?
Os medicamentos não fazem efeito imediatamente. Alguns, como os antidepressivos, podem levar de 2 a 6 semanas para começar a fazer efeito. Outros, como os benzodiazepínicos, agem mais rápido, mas devem ser usados por pouco tempo.

Efeitos colaterais comuns e o que fazer
Todo medicamento pode ter efeitos colaterais, mas nem todo mundo os sente. Os mais comuns incluem:
Sonolência: Alguns medicamentos podem deixar a pessoa com sono. Se isso acontecer, o médico pode ajustar a dose ou mudar o horário de tomar o remédio.
Boca seca: Beber água e mascar chiclete sem açúcar pode ajudar.
Tontura: Levantar devagar da cama ou da cadeira pode evitar quedas.
Ganho de peso: Alguns medicamentos podem aumentar o apetite. Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios pode ajudar a controlar o peso.

Importante: Nunca pare de tomar um medicamento sem orientação médica. Parar de repente pode causar sintomas de abstinência ou piorar os sintomas da condição.


Psicoterapia

Os medicamentos ajudam a aliviar os sintomas, mas a psicoterapia é fundamental para tratar as causas do transtorno e ajudar a pessoa a desenvolver estratégias para lidar com a vontade de usar inalantes. Vamos ver as principais abordagens.

1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
A TCC é uma das abordagens mais usadas para tratar o transtorno por uso de inalantes. Ela ajuda a pessoa a identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que levam ao uso da substância.

Como funciona na prática?
Identificar gatilhos: A pessoa aprende a reconhecer situações, emoções ou pensamentos que a fazem querer usar inalantes. Por exemplo, estresse no trabalho, brigas em casa ou até mesmo ver um tubo de cola.
Desenvolver estratégias: A pessoa aprende técnicas para lidar com esses gatilhos sem usar a substância. Por exemplo, se o gatilho é estresse, ela pode aprender a praticar respiração profunda ou exercícios físicos.
Mudar pensamentos: A pessoa aprende a questionar pensamentos como “Eu preciso usar inalantes para me sentir bem” e substituí-los por pensamentos mais realistas, como “Eu consigo lidar com isso sem usar”.

Exemplo de uma sessão:
Imagine que a pessoa usa inalantes sempre que se sente ansiosa. Na terapia, ela aprende a reconhecer os sinais de ansiedade (como coração acelerado e mãos suadas) e a usar técnicas de relaxamento, como respiração profunda, para se acalmar. Com o tempo, ela percebe que consegue lidar com a ansiedade sem precisar da substância.

2. Entrevista motivacional
A entrevista motivacional é uma abordagem que ajuda a pessoa a encontrar motivação para mudar. É especialmente útil para quem ainda não está pronto para parar de usar inalantes.

Como funciona na prática?
Explorar ambivalência: A pessoa pode sentir que quer parar de usar inalantes, mas ao mesmo tempo não quer abrir mão da sensação que a substância proporciona. O terapeuta ajuda a pessoa a explorar esses sentimentos contraditórios.
Reforçar motivação: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar seus valores e objetivos (como “quero ser um bom pai” ou “quero terminar a faculdade”) e a ver como o uso de inalantes está atrapalhando esses objetivos.
Plano de ação: Quando a pessoa está pronta, o terapeuta ajuda a criar um plano para reduzir ou parar o uso, com metas realistas e estratégias para lidar com recaídas.

Exemplo de uma sessão:
A pessoa diz: “Eu quero parar de usar inalantes, mas não consigo”. O terapeuta pergunta: “O que você ganha com o uso de inalantes?”. A pessoa responde: “Me sinto mais relaxado”. O terapeuta então pergunta: “E o que você perde?”. A pessoa pensa e diz: “Perco a confiança da minha família e não consigo me concentrar no trabalho”. O terapeuta ajuda a pessoa a ver que os prejuízos são maiores do que os benefícios e a encontrar outras formas de se sentir relaxada.

3. Terapia de grupo
A terapia de grupo é uma ótima opção para quem se sente sozinho no processo de recuperação. Ela oferece apoio, compreensão e a chance de aprender com as experiências de outras pessoas.

Como funciona na prática?
Compartilhar experiências: Cada pessoa tem a chance de falar sobre suas dificuldades e conquistas. Isso ajuda a reduzir o sentimento de isolamento e a ver que outras pessoas estão passando pelo mesmo.
Aprender com os outros: A pessoa pode aprender estratégias que funcionaram para outras pessoas e compartilhar as suas próprias.
Receber apoio: O grupo oferece um espaço seguro para a pessoa se expressar sem medo de ser julgada.

Exemplo de uma sessão:
Em um grupo de terapia para dependência de inalantes, uma pessoa compartilha que teve uma recaída depois de uma briga com a família. Outras pessoas do grupo compartilham como lidaram com situações semelhantes, e todos oferecem apoio e encorajamento.

4. Terapia familiar
O transtorno por uso de inalantes afeta não só a pessoa que usa a substância, mas também sua família. A terapia familiar ajuda a melhorar a comunicação, resolver conflitos e oferecer apoio.

Como funciona na prática?
Melhorar a comunicação: A família aprende a conversar de forma mais aberta e menos crítica, o que ajuda a pessoa a se sentir mais apoiada.
Resolver conflitos: A terapia ajuda a família a lidar com brigas e ressentimentos que podem ter surgido por causa do uso de inalantes.
Oferecer apoio: A família aprende como ajudar a pessoa a se recuperar, sem julgamentos ou cobranças excessivas.

Exemplo de uma sessão:
Uma mãe e um filho brigam constantemente porque ela não consegue entender por que ele usa inalantes. Na terapia, eles aprendem a conversar sem gritar e a ouvir um ao outro. A mãe entende que o filho não usa inalantes porque “quer”, mas porque está lutando contra uma doença. O filho, por sua vez, entende que a mãe está preocupada e quer ajudá-lo.


Mudanças no dia a dia

O tratamento não se resume a medicamentos e terapia. Mudanças no dia a dia são fundamentais para ajudar a pessoa a se recuperar e evitar recaídas. Vamos ver algumas estratégias.

1. Exercício físico
O exercício físico é uma das melhores formas de lidar com a vontade de usar inalantes. Ele libera endorfinas, substâncias que causam sensação de bem-estar, e ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.

Quais tipos de exercício ajudam mais?
Exercícios aeróbicos: Caminhada, corrida, natação e dança são ótimos para liberar endorfinas e melhorar o humor.
Exercícios de força: Musculação e pilates ajudam a melhorar a autoestima e a sensação de controle sobre o corpo.
Exercícios de relaxamento: Yoga e tai chi ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade.

Como começar?
– Comece devagar. Não precisa correr uma maratona no primeiro dia. Uma caminhada de 10 minutos já faz diferença.
– Encontre uma atividade que você goste. Se não gostar de academia, tente dança, natação ou artes marciais.
– Faça exercícios com amigos ou familiares. Isso torna a atividade mais divertida e ajuda a manter o compromisso.

2. Sono
O sono é fundamental para a recuperação. Quando a pessoa não dorme bem, fica mais irritada, ansiosa e com mais vontade de usar inalantes.

Dicas para melhorar o sono:
Rotina: Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, mesmo nos fins de semana.
Ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco. Evite usar eletrônicos (como celular e TV) antes de dormir.
Relaxamento: Pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação, antes de dormir.
Evite estimulantes: Café, refrigerante e chocolate podem atrapalhar o sono. Tente evitá-los à noite.

3. Alimentação
Uma alimentação saudável ajuda o corpo a se recuperar dos danos causados pelos inalantes e melhora o humor e a energia.

Dicas para uma alimentação saudável:
Coma regularmente: Pular refeições pode causar queda de energia e aumentar a vontade de usar inalantes. Tente comer de 3 em 3 horas.
Hidrate-se: Beba bastante água ao longo do dia. A desidratação pode causar fadiga e dor de cabeça.
Evite açúcar e alimentos processados: Eles podem causar picos de energia seguidos de quedas, o que aumenta a irritabilidade e a vontade de usar inalantes.
Coma alimentos ricos em triptofano: O triptofano é um aminoácido que ajuda a produzir serotonina, um neurotransmissor que regula o humor. Alimentos ricos em triptofano incluem banana, ovos, peixes e castanhas.

4. Rotina
Ter uma rotina estruturada ajuda a pessoa a se sentir mais no controle da sua vida e reduz a vontade de usar inalantes.

Dicas para criar uma rotina:
Planeje o dia: Faça uma lista das atividades que precisa fazer e tente segui-la. Isso ajuda a evitar o tédio e a procrastinação, que podem levar ao uso de inalantes.
Inclua atividades prazerosas: Reserve um tempo para fazer coisas que você gosta, como ler, ouvir música ou praticar um hobby.
Estabeleça metas: Metas pequenas e realistas, como “hoje vou lavar a louça” ou “vou caminhar 10 minutos”, ajudam a criar um senso de realização.

5. Técnicas de manejo para a vontade de usar inalantes
A vontade de usar inalantes pode ser intensa, especialmente nos primeiros meses de recuperação. Ter estratégias para lidar com essa vontade é fundamental.

Técnicas que podem ajudar:
Distração: Quando a vontade vier, tente se distrair com uma atividade, como assistir a um filme, ligar para um amigo ou fazer um quebra-cabeça.
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita algumas vezes até se sentir mais calmo.
Conversar com alguém: Ligue para um amigo, familiar ou terapeuta e converse sobre o que está sentindo.
Lembrar dos motivos para parar: Faça uma lista dos motivos pelos quais você quer parar de usar inalantes e leia sempre que a vontade vier.

6. Tecnologia assistiva
Alguns aplicativos e ferramentas online podem ajudar no processo de recuperação.

Exemplos:
Aplicativos de meditação: Apps como Headspace e Calm oferecem meditações guiadas para reduzir o estresse e a ansiedade.
Aplicativos de acompanhamento: Apps como o Sober Time ajudam a acompanhar o tempo de abstinência e oferecem mensagens de motivação.
Fóruns online: Comunidades como o Reddit têm grupos de apoio para pessoas em recuperação, onde é possível compartilhar experiências e receber apoio.

Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno por uso de inalantes pode ser um momento de alívio — afinal, agora você sabe o que está acontecendo e pode buscar ajuda. Mas também pode ser um momento de dúvidas, medos e incertezas. Como vou conviver com isso? Como vou explicar para minha família? E se eu tiver uma recaída?

Vamos ver como lidar com o diagnóstico, tanto para a pessoa que recebeu o diagnóstico quanto para seus familiares e amigos.

Para a pessoa com o diagnóstico

1. Aceitar o diagnóstico
O primeiro passo é aceitar que você tem um transtorno por uso de inalantes. Isso não significa que você é “fraco” ou “sem caráter”. Significa que você tem uma condição médica, como diabetes ou pressão alta, e que precisa de tratamento.

Como fazer isso?
Não se culpe: Lembre-se de que o transtorno é causado por uma combinação de fatores, e não é culpa sua.
Busque informações: Quanto mais você souber sobre o transtorno, mais preparado estará para lidar com ele.
Fale sobre isso: Compartilhe seus sentimentos com um terapeuta, amigo ou familiar de confiança. Guardar tudo para si só aumenta o sofrimento.

2. Construir uma rede de apoio
Ter pessoas ao seu lado faz toda a diferença na recuperação. Essas pessoas podem oferecer apoio emocional, ajudar a lidar com a vontade de usar inalantes e comemorar suas conquistas.

Como construir uma rede de apoio?
Família e amigos: Converse com as pessoas em quem você confia e peça ajuda. Explique que você está em tratamento e que precisa de apoio.
Grupos de apoio: Participar de grupos como os Narcóticos Anônimos (NA) ou grupos de terapia pode ajudar a se sentir menos sozinho e aprender com as experiências de outras pessoas.
Profissionais de saúde: Mantenha contato regular com seu psiquiatra, psicólogo e outros profissionais envolvidos no seu tratamento.

3. Lidar com a vontade de usar inalantes
A vontade de usar inalantes pode ser intensa, especialmente nos primeiros meses de recuperação. Ter estratégias para lidar com essa vontade é fundamental.

Estratégias que podem ajudar:
Distração: Quando a vontade vier, tente se distrair com uma atividade, como assistir a um filme, ligar para um amigo ou fazer um quebra-cabeça.
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita algumas vezes até se sentir mais calmo.
Conversar com alguém: Ligue para um amigo, familiar ou terapeuta e converse sobre o que está sentindo.
Lembrar dos motivos para parar: Faça uma lista dos motivos pelos quais você quer parar de usar inalantes e leia sempre que a vontade vier.

4. Cuidar da saúde física e mental
O tratamento do transtorno por uso de inalantes não se resume a parar de usar a substância. É importante cuidar da saúde física e mental como um todo.

Como fazer isso?
Exercício físico: Praticar exercícios regularmente ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e a vontade de usar inalantes.
Alimentação saudável: Uma alimentação equilibrada ajuda o corpo a se recuperar dos danos causados pelos inalantes e melhora o humor.
Sono: Dormir bem é fundamental para a recuperação. Tente manter uma rotina de sono regular.
Terapia: Continue frequentando a terapia, mesmo quando se sentir melhor. Ela ajuda a lidar com os desafios do dia a dia e a evitar recaídas.

5. Lidar com recaídas
Recaídas fazem parte do processo de recuperação. Elas não significam que você falhou, mas que precisa ajustar o tratamento.

Como lidar com uma recaída?
Não se culpe: Lembre-se de que a recaída é um obstáculo, não um fracasso.
Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída. Foi estresse? Ansiedade? Pressão de amigos?
Peça ajuda: Converse com seu terapeuta, médico ou grupo de apoio sobre o que aconteceu e como evitar recaídas no futuro.
Volte ao tratamento: Se você parou de tomar medicamentos ou de frequentar a terapia, volte a fazê-lo.

6. Celebrar as conquistas
A recuperação é um processo longo e desafiador, mas também é cheio de conquistas. Celebrar cada passo, por menor que seja, ajuda a manter a motivação.

Como celebrar?
Reconheça suas conquistas: Parar de usar inalantes por um dia, uma semana ou um mês já é uma grande vitória. Reconheça isso.
Compartilhe com sua rede de apoio: Conte para sua família, amigos ou grupo de apoio sobre suas conquistas. Eles vão ficar felizes por você e te encorajar a continuar.
Faça algo especial: Quando atingir uma meta, faça algo que goste, como sair para comer, assistir a um filme ou comprar algo que você queria.


Para familiares e amigos

1. Como ajudar de forma efetiva
Quando alguém que amamos recebe o diagnóstico de transtorno por uso de inalantes, é natural querer ajudar. Mas nem sempre sabemos como fazer isso da melhor forma.

O que fazer?
Ofereça apoio emocional: Diga à pessoa que você está ao lado dela e que acredita na sua recuperação. Frases como “Estou aqui para te ajudar” ou “Você não está sozinho” podem fazer toda a diferença.
Incentive o tratamento: Ajude a pessoa a encontrar um profissional de saúde, acompanhe-a nas consultas (se ela permitir) e incentive-a a seguir o tratamento.
Seja paciente: A recuperação é um processo longo e cheio de altos e baixos. Não espere que a pessoa melhore da noite para o dia.
Evite julgamentos: Lembre-se de que o transtorno por uso de inalantes é uma condição médica, e não uma escolha. Evite frases como “Você é fraco” ou “Isso é falta de vergonha na cara”.

O que NÃO fazer?
Não tente controlar a pessoa: Forçar a pessoa a parar de usar inalantes ou monitorar cada passo dela só vai aumentar o estresse e a resistência.
Não minimize o problema: Frases como “Isso é só uma fase” ou “Todo mundo experimenta” podem fazer a pessoa se sentir incompreendida.
Não use a substância na frente da pessoa: Se você fuma, bebe ou usa qualquer substância, evite fazer isso na frente da pessoa em recuperação.
Não desista: Mesmo que a pessoa tenha recaídas, continue oferecendo apoio. A recuperação é um processo longo, e seu apoio é fundamental.

2. Como cuidar de si mesmo
Cuidar de alguém com transtorno por uso de inalantes pode ser desgastante. É importante que você também cuide da sua saúde física e mental.

Como fazer isso?
Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou um terapeuta sobre o que está sentindo. Não guarde tudo para si.
Participe de grupos de apoio: Grupos como o Al-Anon (para familiares de dependentes químicos) oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber apoio.
Cuide da sua saúde: Durma bem, alimente-se de forma saudável e pratique exercícios físicos. Você precisa estar bem para ajudar a pessoa que ama.
Estabeleça limites: É importante ajudar, mas também é importante não se sobrecarregar. Estabeleça limites claros e não se sinta culpado por cuidar de si mesmo.

3. Como explicar para outras pessoas
Explicar o diagnóstico para outras pessoas pode ser difícil, especialmente se elas não entendem o que é o transtorno por uso de inalantes.

Como fazer isso?
Seja honesto: Explique que a pessoa tem uma condição médica e que está em tratamento.
Desfaça mitos: Se alguém disser que “é falta de vergonha na cara” ou “é só uma fase”, explique que o transtorno é uma doença, como qualquer outra.
Peça apoio: Se a pessoa permitir, peça para que outras pessoas ofereçam apoio, como acompanhá-la em consultas ou simplesmente ouvir o que ela tem a dizer.
Respeite a privacidade: Nem todo mundo precisa saber sobre o diagnóstico. Respeite a vontade da pessoa de manter a privacidade.


Quando os sintomas podem piorar?

Algumas situações podem aumentar o risco de recaída ou piorar os sintomas do transtorno por uso de inalantes. É importante estar atento a esses momentos e ter estratégias para lidar com eles.

Situações de risco:
Estresse: Problemas no trabalho, na escola ou nos relacionamentos podem aumentar a vontade de usar inalantes.
Ansiedade ou depressão: Sentimentos de tristeza, desesperança ou ansiedade podem levar a pessoa a buscar alívio nos inalantes.
Pressão de amigos: Se a pessoa convive com amigos que usam inalantes, pode sentir pressão para usar também.
Eventos traumáticos: Perda de um ente querido, término de relacionamento ou outras situações traumáticas podem desencadear uma recaída.
Tédio ou falta de propósito: Quando a pessoa não tem atividades prazerosas ou metas, pode buscar “escape” nos inalantes.

Como lidar com essas situações?
Planeje com antecedência: Se você sabe que vai passar por uma situação estressante, como uma prova ou uma reunião de família, planeje como vai lidar com a vontade de usar inalantes.
Busque apoio: Converse com seu terapeuta, médico ou grupo de apoio sobre o que está sentindo. Eles podem ajudar a encontrar estratégias para lidar com a situação.
Evite gatilhos: Se possível, evite situações ou pessoas que desencadeiam a vontade de usar inalantes.
Pratique técnicas de relaxamento: Respiração profunda, meditação e exercícios físicos podem ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.

Perguntas frequentes

Quando alguém recebe o diagnóstico de transtorno por uso de inalantes, é natural ter muitas dúvidas. Vamos responder às perguntas mais comuns que pacientes e familiares fazem.

1. “Vou conseguir parar de usar inalantes?”

Essa é uma das perguntas mais frequentes, e a resposta é: sim, você consegue. O transtorno por uso de inalantes é uma condição médica, e como qualquer outra doença, tem tratamento. Muitas pessoas conseguem parar de usar inalantes e retomar o controle da sua vida.

O que influencia o sucesso?
Motivação: Quanto mais motivado você estiver para mudar, maiores são as chances de sucesso.
Tratamento adequado: Ter acompanhamento médico e psicológico faz toda a diferença.
Rede de apoio: Ter pessoas ao seu lado, como família, amigos e grupos de apoio, ajuda a manter a motivação.
Estratégias de enfrentamento: Aprender técnicas para lidar com a vontade de usar inalantes é fundamental.

Lembre-se: A recuperação é um processo, e recaídas podem acontecer. Isso não significa que você falhou, mas que precisa ajustar o tratamento. O importante é não desistir.


2. “Quanto tempo leva para me recuperar?”

Não existe um prazo exato para a recuperação, pois cada pessoa é única. Algumas pessoas conseguem parar de usar inalantes em poucos meses, enquanto outras podem levar anos. O importante é focar no processo, e não no tempo.

Fatores que influenciam o tempo de recuperação:
Gravidade do transtorno: Quanto mais grave for o transtorno, mais tempo pode levar para se recuperar.
Danos à saúde: Se os inalantes causaram danos ao cérebro, fígado ou outros órgãos, a recuperação pode ser mais lenta.
Apoio recebido: Ter uma rede de apoio forte e tratamento adequado acelera a recuperação.
Motivação: Quanto mais motivado você estiver, mais rápido verá resultados.

O que esperar?
Primeiros meses: Os primeiros meses são os mais desafiadores, pois a vontade de usar inalantes pode ser intensa. É normal ter altos e baixos.
Primeiro ano: Com o tempo, a vontade de usar inalantes diminui, e a pessoa começa a se sentir mais no controle.
Longo prazo: A recuperação é um processo contínuo. Mesmo depois de parar de usar inalantes, é importante continuar cuidando da saúde física e mental.


3. “Vou ter que tomar remédios para o resto da vida?”

Não necessariamente. Alguns medicamentos são usados apenas no início do tratamento, para ajudar a lidar com os sintomas de abstinência e reduzir a vontade de usar inalantes. Outros podem ser usados por mais tempo, dependendo das necessidades da pessoa.

Exemplos:
Benzodiazepínicos: São usados por pouco tempo, para aliviar a ansiedade e os tremores da abstinência.
Antidepressivos: Podem ser usados por alguns meses ou anos, dependendo se a pessoa tem depressão ou ansiedade associada.
Naltrexona: Pode ser usada por alguns meses para reduzir a vontade de usar inalantes.

O que determina o tempo de uso?
Sintomas: Se a pessoa ainda sentir vontade de usar inalantes ou tiver sintomas de depressão ou ansiedade, pode precisar continuar tomando medicamentos.
Condições associadas: Se a pessoa tiver outras condições de saúde mental, como transtorno bipolar ou esquizofrenia, pode precisar tomar medicamentos por mais tempo.
Decisão médica: O psiquiatra vai avaliar o caso e decidir, junto com a pessoa, qual é o melhor plano de tratamento.

Importante: Nunca pare de tomar um medicamento sem orientação médica. Parar de repente pode causar sintomas de abstinência ou piorar os sintomas da condição.


4. “Posso usar inalantes de vez em quando, sem me viciar?”

Não. Os inalantes são substâncias extremamente perigosas, e mesmo o uso ocasional pode causar danos graves à saúde. Além disso, o risco de desenvolver dependência é alto, mesmo com pouco tempo de uso.

Por que não é seguro?
Danos à saúde: Os inalantes podem causar danos irreversíveis ao cérebro, coração, fígado e outros órgãos, mesmo em uma única dose.
Risco de overdose: Alguns inalantes, como butano e propano, podem causar parada cardíaca e morte em uma única dose.
Dependência: O cérebro pode se “viciar” nos inalantes rapidamente, fazendo com que a pessoa precise usar cada vez mais para sentir o mesmo efeito.

Alternativas seguras:
Se você está usando inalantes para lidar com estresse, ansiedade ou tédio, existem alternativas mais seguras, como:
Exercício físico: Libera endorfinas, que causam sensação de bem-estar.
Terapia: Ajuda a lidar com emoções difíceis e a encontrar formas saudáveis de se sentir bem.
Hobbies: Pintar, tocar um instrumento, cozinhar ou praticar esportes são ótimas formas de se distrair e se sentir realizado.


5. “Como explicar para minha família que tenho esse diagnóstico?”

Explicar o diagnóstico para a família pode ser difícil, especialmente se eles não entendem o que é o transtorno por uso de inalantes. Mas é importante conversar, pois o apoio da família é fundamental para a recuperação.

Dicas para a conversa:
Escolha o momento certo: Converse quando todos estiverem calmos e tiverem tempo para ouvir.
Seja honesto: Explique que você tem uma condição médica e que está em tratamento.
Desfaça mitos: Se sua família achar que “é falta de vergonha na cara” ou “é só uma fase”, explique que o transtorno é uma doença, como qualquer outra.
Peça apoio: Diga o que você precisa, como acompanhamento em consultas ou simplesmente alguém para conversar.
Respeite os sentimentos deles: Sua família pode ficar assustada, triste ou até mesmo com raiva. Dê tempo para que eles processem a informação.

Exemplo de como começar a conversa:
“Mãe, pai, preciso conversar com vocês sobre uma coisa importante. Fui ao médico e descobri que tenho um transtorno por uso de inalantes. É uma condição médica, como diabetes ou pressão alta, e estou em tratamento. Preciso do apoio de vocês para me recuperar.”


6. “E se eu tiver uma recaída?”

Recaídas fazem parte do processo de recuperação, e não significam que você falhou. O importante é não desistir e buscar ajuda para entender o que levou à recaída e como evitar que aconteça novamente.

O que fazer em caso de recaída?
Não se culpe: Lembre-se de que a recaída é um obstáculo, não um fracasso.
Analise o que aconteceu: Tente entender o que levou à recaída. Foi estresse? Ansiedade? Pressão de amigos?
Peça ajuda: Converse com seu terapeuta, médico ou grupo de apoio sobre o que aconteceu e como evitar recaídas no futuro.
Volte ao tratamento: Se você parou de tomar medicamentos ou de frequentar a terapia, volte a fazê-lo.

Como evitar recaídas?
Identifique gatilhos: Saiba quais situações, emoções ou pessoas desencadeiam a vontade de usar inalantes e evite-as, se possível.
Tenha um plano: Se você sabe que vai passar por uma situação estressante, planeje como vai lidar com a vontade de usar inalantes.
Mantenha uma rotina saudável: Exercício físico, alimentação equilibrada e sono regular ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade.
Busque apoio: Converse com sua rede de apoio sempre que sentir vontade de usar inalantes.


7. “Posso trabalhar ou estudar normalmente durante o tratamento?”

Sim, é possível trabalhar ou estudar durante o tratamento, mas pode ser necessário fazer alguns ajustes, especialmente no início.

Dicas para conciliar tratamento e trabalho/estudo:
Comunique-se: Se possível, converse com seu chefe ou professores sobre o que está acontecendo. Eles podem oferecer apoio, como flexibilidade de horários ou redução da carga de trabalho.
Organize sua rotina: Planeje seu dia para incluir tempo para consultas, terapia e atividades de autocuidado.
Peça ajuda: Se estiver se sentindo sobrecarregado, peça ajuda a colegas, amigos ou familiares.
Priorize sua saúde: Lembre-se de que sua saúde vem em primeiro lugar. Se precisar tirar um tempo para se recuperar, não se sinta culpado.

O que fazer se o trabalho ou a escola estiverem muito estressantes?
Fale com seu médico ou terapeuta: Eles podem ajudar a encontrar estratégias para lidar com o estresse.
Considere uma licença: Se o estresse estiver atrapalhando sua recuperação, converse com seu médico sobre a possibilidade de tirar uma licença médica.
Busque apoio: Grupos de apoio e terapia podem ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade.


8. “Quais são os riscos de usar inalantes durante a gravidez?”

Usar inalantes durante a gravidez é extremamente perigoso, tanto para a mãe quanto para o bebê. Os inalantes podem causar danos graves ao desenvolvimento do feto e aumentar o risco de complicações na gravidez.

Riscos para o bebê:
Malformações congênitas: Os inalantes podem causar defeitos no coração, cérebro e outros órgãos do bebê.
Baixo peso ao nascer: Bebês expostos a inalantes durante a gravidez podem nascer com baixo peso, o que aumenta o risco de problemas de saúde.
Síndrome de abstinência neonatal: O bebê pode nascer viciado em inalantes e apresentar sintomas de abstinência, como tremores, irritabilidade e dificuldade para se alimentar.
Problemas de desenvolvimento: Crianças expostas a inalantes durante a gravidez podem ter dificuldades de aprendizagem, problemas de comportamento e deficiências intelectuais.

Riscos para a mãe:
Complicações na gravidez: Os inalantes aumentam o risco de aborto espontâneo, parto prematuro e descolamento de placenta.
Danos à saúde: Os inalantes podem causar danos ao fígado, rins, coração e cérebro da mãe.

O que fazer se estiver grávida e usando inalantes?
Busque ajuda imediatamente: Converse com seu médico ou procure um serviço de saúde. Quanto antes você parar de usar inalantes, menores serão os riscos para você e para o bebê.
Não tente parar sozinha: Parar de usar inalantes de repente pode ser perigoso. Procure ajuda médica para fazer isso de forma segura.
Busque apoio: Grupos de apoio e terapia podem ajudar a lidar com a vontade de usar inalantes e a se preparar para a chegada do bebê.


9. “Inalantes podem causar danos permanentes ao cérebro?”

Sim, os inalantes podem causar danos permanentes ao cérebro, especialmente com o uso prolongado. Esses danos podem afetar a memória, a capacidade de aprendizado, o controle de impulsos e até mesmo a personalidade.

Danos comuns ao cérebro:
Perda de memória: A pessoa pode ter dificuldade para lembrar de coisas recentes ou aprender coisas novas.
Dificuldade de concentração: Pode ser difícil se concentrar no trabalho, na escola ou em conversas.
Problemas de coordenação: A pessoa pode ter dificuldade para andar, escrever ou realizar tarefas que exigem coordenação motora.
Alterações de personalidade: A pessoa pode se tornar mais irritada, impulsiva ou apática.
Danos cerebrais permanentes: Em casos graves, os inalantes podem causar danos irreversíveis ao cérebro, como atrofia cerebral (encolhimento do cérebro) ou leucoencefalopatia (danos à substância branca do cérebro).

É possível se recuperar desses danos?
O cérebro tem uma capacidade incrível de se recuperar, especialmente em pessoas jovens. Com tratamento adequado e abstinência, muitos danos podem ser revertidos ou minimizados. No entanto, alguns danos podem ser permanentes, por isso é tão importante parar de usar inalantes o quanto antes.


10. “Como posso ajudar um amigo ou familiar que usa inalantes?”

Ajudar alguém que usa inalantes pode ser desafiador, mas seu apoio pode fazer toda a diferença na recuperação da pessoa.

O que fazer?
Ofereça apoio emocional: Diga à pessoa que você está ao lado dela e que acredita na sua recuperação. Frases como “Estou aqui para te ajudar” ou “Você não está sozinho” podem fazer toda a diferença.
Incentive o tratamento: Ajude a pessoa a encontrar um profissional de saúde, acompanhe-a nas consultas (se ela permitir) e incentive-a a seguir o tratamento.
Seja paciente: A recuperação é um processo longo e cheio de altos e baixos. Não espere que a pessoa melhore da noite para o dia.
Evite julgamentos: Lembre-se de que o transtorno por uso de inalantes é uma condição médica, e não uma escolha. Evite frases como “Você é fraco” ou “Isso é falta de vergonha na cara”.

O que NÃO fazer?
Não tente controlar a pessoa: Forçar a pessoa a parar de usar inalantes ou monitorar cada passo dela só vai aumentar o estresse e a resistência.
Não minimize o problema: Frases como “Isso é só uma fase” ou “Todo mundo experimenta” podem fazer a pessoa se sentir incompreendida.
Não use a substância na frente da pessoa: Se você fuma, bebe ou usa qualquer substância, evite fazer isso na frente da pessoa em recuperação.
Não desista: Mesmo que a pessoa tenha recaídas, continue oferecendo apoio. A recuperação é um processo longo, e seu apoio é fundamental.

Como conversar com a pessoa?
Escolha o momento certo: Converse quando a pessoa estiver sóbria e calma.
Seja honesto: Diga que você está preocupado e que quer ajudar.
Ouça mais do que fale: Deixe a pessoa falar sobre o que está sentindo, sem julgamentos.
Ofereça ajuda concreta: Pergunte o que a pessoa precisa, como acompanhamento em consultas ou simplesmente alguém para conversar.

Exemplo de como começar a conversa:
“Eu percebi que você não está bem e estou preocupado. Quero te ajudar. Você já pensou em procurar um médico ou um grupo de apoio?”

Quando procurar ajuda urgente

Alguns sinais indicam que a pessoa precisa de ajuda médica imediata. Se você ou alguém que você conhece apresentar algum desses sintomas, procure um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192) ou o CVV (188) imediatamente.

Sinais de alerta graves

1. Overdose de inalantes
A overdose de inalantes pode causar parada cardíaca, convulsões e até mesmo a morte. É uma emergência médica que requer atendimento imediato.

Sintomas de overdose:
– Perda de consciência.
– Respiração lenta ou irregular.
– Batimentos cardíacos irregulares ou muito rápidos.
– Convulsões.
– Pele pálida ou azulada (sinal de falta de oxigênio).
– Vômitos.

O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) imediatamente.
– Se a pessoa estiver inconsciente, coloque-a de lado para evitar engasgos.
– Não tente fazer a pessoa vomitar ou dar água, pois isso pode piorar a situação.
– Se a pessoa parar de respirar, inicie a reanimação cardiopulmonar (RCP) se souber como fazer.


2. Sintomas psicóticos
Os inalantes podem causar alucinações, delírios e comportamento agressivo. Se a pessoa estiver apresentando esses sintomas, ela precisa de ajuda médica imediata.

Sintomas psicóticos:
– Alucinações (ver, ouvir ou sentir coisas que não estão lá).
– Delírios (acreditar em coisas que não são verdadeiras, como achar que está sendo perseguido).
– Comportamento agressivo ou violento.
– Paranoia (achar que as pessoas estão contra ela).
– Discurso desorganizado ou confuso.

O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa para um pronto-socorro.
– Tente manter a pessoa calma e em um ambiente seguro até a chegada da ajuda.
– Não discuta com a pessoa ou tente convencê-la de que as alucinações não são reais. Isso pode aumentar a agitação.


3. Sintomas de abstinência graves
Os sintomas de abstinência de inalantes podem ser intensos e, em alguns casos, perigosos. Se a pessoa estiver apresentando sintomas graves, ela precisa de ajuda médica.

Sintomas graves de abstinência:
– Convulsões.
– Alucinações ou delírios.
– Confusão mental.
– Batimentos cardíacos irregulares.
– Febre alta.
– Desidratação grave.

O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa para um pronto-socorro.
– Ofereça água para evitar a desidratação, mas não force a pessoa a beber.
– Mantenha a pessoa em um ambiente calmo e seguro até a chegada da ajuda.


4. Ideação suicida ou tentativas de suicídio
O transtorno por uso de inalantes está associado a um risco aumentado de ideação suicida e tentativas de suicídio. Se a pessoa estiver falando em se machucar ou se matar, ela precisa de ajuda imediata.

Sinais de alerta:
– Falar em morte ou suicídio.
– Dizer frases como “Eu não aguento mais” ou “Vocês estariam melhor sem mim”.
– Isolar-se de amigos e familiares.
– Dar objetos pessoais de valor.
– Comportamento impulsivo ou arriscado.

O que fazer?
– Ligue para o CVV (188) ou para o SAMU (192) imediatamente.
– Não deixe a pessoa sozinha.
– Tire objetos perigosos do alcance da pessoa, como facas, remédios ou armas.
– Ofereça apoio emocional e incentive a pessoa a buscar ajuda profissional.


5. Danos físicos graves
Os inalantes podem causar danos graves ao corpo, como problemas cardíacos, hepáticos ou renais. Se a pessoa estiver apresentando sintomas graves, ela precisa de atendimento médico imediato.

Sintomas de danos físicos graves:
– Dor no peito ou falta de ar (sinais de problemas cardíacos).
– Dor abdominal intensa ou vômitos com sangue (sinais de problemas no fígado ou estômago).
– Urina escura ou diminuição da quantidade de urina (sinais de problemas nos rins).
– Fraqueza muscular ou paralisia (sinais de danos aos nervos).

O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) ou leve a pessoa para um pronto-socorro.
– Não tente tratar os sintomas em casa. Alguns danos podem ser irreversíveis se não forem tratados a tempo.


Onde procurar ajuda no Brasil

No Brasil, existem vários serviços gratuitos que podem ajudar em casos de emergência ou oferecer apoio emocional.

Serviços de emergência:
SAMU (192): Serviço de atendimento móvel de urgência. Ligue em casos de overdose, convulsões ou outros sintomas graves.
Corpo de Bombeiros (193): Ligue em casos de acidentes ou situações de risco.
Disque-Saúde (136): Central de atendimento do Ministério da Saúde, que pode orientar sobre serviços de saúde próximos.

Serviços de apoio emocional:
CVV (188): Centro de Valorização da Vida. Oferece apoio emocional e prevenção do suicídio. O atendimento é gratuito e sigiloso.
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): Oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico para pessoas com transtornos mentais e dependência química. O atendimento é gratuito e pode ser acessado por meio de uma UBS (Unidade Básica de Saúde).
UBS (Unidade Básica de Saúde): Oferece atendimento médico e psicológico básico. É o primeiro passo para acessar outros serviços do SUS.

Grupos de apoio:
Narcóticos Anônimos (NA): Grupos de apoio para pessoas com dependência química. As reuniões são gratuitas e abertas a todos.
Al-Anon: Grupos de apoio para familiares e amigos de dependentes químicos.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • National Institute on Drug Abuse (NIDA). Inhalants. Disponível em: https://www.drugabuse.gov.
  • Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). Inalantes. Disponível em: https://www.cisa.org.br.
  • Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD). Prevenção ao Uso de Drogas: Curso para Educadores de Escolas Públicas. Brasília, 2014.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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