Definição e conceito
A agitação psicomotora é uma alteração da psicomotricidade caracterizada por aceleração e exaltação de toda a atividade motora do indivíduo, em geral secundárias a um taquipsiquismo acentuado. Em termos semiológicos, corresponde a uma hipercinesia marcante, com aumento da excitabilidade, inquietação constante, deambulação de um lado para outro, gesticulação excessiva e, frequentemente, associação com loquacidade ou logorreia, insônia, irritabilidade, hostilidade e agressividade.
Na classificação das alterações psicomotoras, a agitação maníaca situa-se entre as formas de hipercinesia organizada e intencional, distinguindo-se da agitação catatônica (impulsiva, com explosões inesperadas) e da agitação do delirium (desordenada, refletindo dificuldade de apreensão do ambiente). Em inglês, os termos correspondentes são psychomotor agitation, manic agitation e hyperkinesia.
Do ponto de vista nosológico, a agitação psicomotora é um sinal relativamente inespecífico, mas assume características particulares na síndrome maníaca. Em estudos de análise fatorial, o aumento da atividade motora e a sensação subjetiva de energia vital emergem como alterações cardinais da mania, mais importantes até do que as alterações do humor. Em outras palavras, a aceleração motora não é mero epifenômeno da euforia ou irritabilidade, mas um componente central da síndrome.
Epidemiologicamente, a agitação psicomotora é um dos sinais mais frequentes nos serviços de emergência e internação psiquiátrica, estando associada a quadros maníacos, episódios esquizofrênicos agudos, quadros confusionais, intoxicações e abstinências, entre outros. Em episódios maníacos típicos, a duração mínima do quadro é de cerca de uma semana, com média de duração de algumas semanas, período durante o qual a agitação pode variar de grau leve a extremo, configurando o chamado “furor maníaco”.
Apresentação clínica
A agitação psicomotora em síndromes maníacas apresenta-se como uma aceleração global da atividade motora, intimamente ligada a um taquipsiquismo (aceleração de todos os processos mentais) e a uma exaltação afetiva (euforia ou irritabilidade). A seguir, descrevem-se os achados por domínios psicopatológicos.
Domínio cognitivo e do pensamento
O taquipsiquismo manifesta-se por pensamento acelerado, com diminuição da latência de resposta, fuga de ideias e labilidade da atenção. O paciente relata que “os pensamentos vêm muito rápido”, “não consigo parar de pensar” ou “uma ideia puxa outra”. Na entrevista, observa-se que o paciente responde rapidamente às perguntas, muitas vezes antes de concluí-las, e salta de um tema a outro com pouca conexão lógica.
A fuga de ideias é a alteração formal clássica: o curso do pensamento acelera-se a ponto de perder a continuidade temática, embora preserve, em graus variáveis, associações por rimas, sons ou aspectos superficiais. Em paralelo, podem ocorrer alterações mnésicas, como hipermnésia de evocação (recordação vívida de eventos remotos) e hipomnésia de fixação (dificuldade de reter novas informações), além de alomnésias.
Atenção é lábil: o paciente se distrai com estímulos externos mínimos, interrompe a própria fala, inicia várias tarefas simultaneamente e não as conclui. Essa desorganização cognitiva contribui para a sensação de “mente a mil” e para a incapacidade de manter foco em atividades produtivas.
Domínio afetivo e da volição
A base afetiva da síndrome maníaca é a euforia, alegria exacerbada, elação (experiência de expansão do Eu) e grandiosidade, ou então irritabilidade marcante, desproporcional aos eventos. A labilidade afetiva é comum: o paciente alterna rapidamente entre momentos eufóricos, jocosos e expansivos, e momentos de irritação, choros abruptos ou tristeza superficial.
A volição encontra-se exacerbada (hiperbulia). O paciente sente-se “cheio de energia”, “invencível” ou “superpoderoso”, com aumento da libido e impulsividade. A necessidade de sono diminui de forma característica: o paciente dorme poucas horas e acorda descansado, às vezes afirmando que “o sono é perda de tempo”. Essa hiperbulia é um dos componentes centrais da agitação motora na mania.
Domínio da linguagem e comunicação
A aceleração do pensamento traduz-se em linguagem acelerada e pressionada. Observam-se:
- Logorreia e taquilalia: fala excessiva, rápida, difícil de interromper.
- Hiperfonia e hiperprosódia: voz alta, entonação exagerada, ênfase dramática.
- Diminuição da latência de resposta: o paciente responde antes de a pergunta ser concluída.
- Em casos mais graves, coprolalia (uso de palavrões de forma desinibida).
O paciente monopoliza a conversa, não respeita turnos de fala, interrompe o entrevistador, faz piadas, canta, levanta-se e anda pela sala enquanto fala. A comunicação adquire um caráter performático, exibicionista ou, em alguns casos, irônico e arrogante.
Domínio motor e comportamental
A agitação psicomotora maníaca é tipicamente mais organizada e mais relacionada ao ambiente do que a agitação observada na esquizofrenia ou no delirium. O paciente apresenta:
- Inquietação motora constante: não permanece sentado, levanta-se repetidamente, anda de um lado para outro.
- Gesticulação ampla e expressiva: movimentos amplos dos braços, expressão facial exuberante.
- Iniciação de múltiplas atividades: começa vários projetos, escreve muito, faz compras excessivas, liga para muitas pessoas, envolve-se em atividades profissionais ou criativas de forma desorganizada.
- Comportamentos de risco: dirigir em alta velocidade, gastos financeiros exagerados, investimentos impulsivos, promiscuidade sexual, uso de substâncias.
A agitação pode variar de grau leve (inquietação, loquacidade) a grave, com intensa agitação, heteroagressividade, postura arrogante e hostil, configurando o furor maníaco. A agressividade, quando presente, tende a ser desorganizada e sem objetivos precisos, diferente da agitação paranoide, em que a agressão é reativa a supostas ameaças.
Domínio somático e neurovegetativo
Além da diminuição da necessidade de sono, podem ocorrer:
- Hiperatividade autonômica: sudorese, taquicardia, sensação de “corpo elétrico”.
- Hiperestesia: sensação de que os sentidos estão “aumentados” ou mais vívidos.
- Perda de peso por aumento de gasto energético e redução da ingesta alimentar (o paciente “esquece” de comer ou recusa pausas para refeições).
Exemplos clínicos concisos
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Paciente de 32 anos, com transtorno bipolar I conhecido, chega à emergência trazido pela família. Anda sem parar pelo corredor, fala alto, interpela outros pacientes, ri de forma explosiva, relata que “veio salvar o hospital” e que “sua mente está em combustão”. Refere que dorme 2–3 horas por noite há uma semana e que “não precisa de mais do que isso”.
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Paciente de 45 anos, em primeiro episódio maníaco, apresenta-se logorreico, veste roupas coloridas e chamativas, maquiagem exagerada, múltiplos colares. Gesticula muito, levanta-se da cadeira a cada minuto, propõe planos de negócios “bilionários” e torna-se irritado quando confrontado com limites. Relata que “está com a energia no talo” e que “o mundo não está acompanhando sua velocidade”.
Neurobiologia e fisiopatologia
A agitação psicomotora na mania reflete disfunção em circuitos fronto-subcorticais envolvidos na regulação do humor, da atividade motora, da impulsividade e do controle inibitório. Embora os trechos fornecidos não detalhem mecanismos moleculares, a literatura clássica de psicopatologia associa a síndrome maníaca a alterações nos sistemas monoaminérgicos, particularmente dopamina e noradrenalina, com contribuição de serotonina e glutamato.
Modelos neurobiológicos propõem que a hiperatividade dopaminérgica em vias mesolímbicas contribui para a euforia, grandiosidade, aumento da motivação e busca de recompensas, enquanto a hiperatividade noradrenérgica relaciona-se à hipervigília, agitação, insônia e aumento da energia. A desregulação de circuitos frontoestriatais e límbicos pode explicar tanto a aceleração motora quanto a impulsividade e a labilidade afetiva.
Estudos de análise fatorial, citados por Cheniaux, indicam que o aumento da atividade motora e a sensação subjetiva de energia vital são alterações cardinais da mania, sugerindo que os substratos neurais da psicomotricidade e da volição estão entre os mais comprometidos na síndrome. Isso se alinha à observação clínica de que a agitação psicomotora pode ser mais proeminente do que a própria euforia em alguns episódios.
Em termos de neuroimagem funcional, espera-se, em episódios maníacos, padrões de hiperatividade em regiões como córtex pré-frontal ventromedial, estriado ventral e amígdala, com alterações na conectividade entre córtex pré-frontal dorsolateral e áreas subcorticais responsáveis pelo controle executivo e inibição de respostas. Essas alterações podem contribuir para a desinibição comportamental, a impulsividade e a dificuldade de frear a atividade motora.
Aspectos genéticos também são relevantes: o transtorno bipolar apresenta herdabilidade elevada, e múltiplos genes de pequeno efeito, relacionados a sistemas de neurotransmissores, canais iônicos e sinalização intracelular, podem modular a vulnerabilidade a episódios maníacos e à expressão de sintomas como agitação psicomotora.
Avaliação clínica e diagnóstico diferencial
Achados ao exame do estado mental
Na observação do paciente com agitação maníaca, destacam-se:
- Aparência e comportamento: vestimenta chamativa, exibicionista ou descuidada; atitude expansiva, desinibida, jocosa, irônica ou hostil; inquietação motora, deambulação, gesticulação ampla.
- Linguagem e fala: logorreia, taquilalia, hiperfonia, hiperprosódia, diminuição da latência de resposta, fuga de ideias, discurso difícil de interromper.
- Humor e afeto: euforia, elação, grandiosidade ou irritabilidade; afeto lábil, superficial; possível incontinência afetiva (risos ou choro abruptos).
- Cognição: taquipsiquismo, labilidade da atenção, pensamento acelerado até fuga de ideias; possível hipermnésia de evocação.
- Volição: hiperbulia, aumento da libido, impulsividade, diminuição da necessidade de sono.
- Julgamento e insight: frequentemente comprometidos; o paciente minimiza riscos, não reconhece a necessidade de tratamento.
Instrumentos e escalas de avaliação padronizadas
A avaliação da agitação psicomotora em contexto maníaco pode utilizar escalas gerais de mania e escalas específicas de agitação/agressividade. Embora os trechos não detalhem instrumentos específicos, na prática clínica são comuns:
- Escalas de mania: Young Mania Rating Scale (YMRS), Bech-Rafaelsen Mania Scale (MAS).
- Escalas de agitação/agressividade: Positive and Negative Syndrome Scale – Excited Component (PANSS-EC), Behavioral Activity Rating Scale (BARS), Agitation-Calmness Evaluation Scale (ACES).
- Protocolos de manejo de agitação: recomenda-se seguir protocolos estruturados, como o da Universidade de Barcelona (mencionado por Dalgalarrondo), que orientam desde a avaliação de risco até a contenção farmacológica e mecânica.
Em serviços brasileiros, é adequado documentar a agitação com descrições comportamentais objetivas (por exemplo, “deambula sem parar pelo corredor”, “não permanece sentado por mais de 30 segundos”, “interrompe a entrevista repetidamente”) e registrar o uso de escalas padronizadas no prontuário.
Diagnóstico diferencial estruturado
A agitação psicomotora é inespecífica; o diagnóstico diferencial deve considerar:
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Agitação maníaca (Transtorno Bipolar I/II, episódio maníaco ou hipomaníaco)
- Taquipsiquismo, euforia/irritabilidade, grandiosidade, aumento de energia, diminuição da necessidade de sono.
- Agitação mais organizada e relacionada ao ambiente.
- História prévia de episódios depressivos ou maníacos.
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Agitação paranoide (esquizofrenia paranóide, transtorno delirante, transtorno esquizofreniforme)
- Agitação secundária a vivências paranoides: alucinações auditivas ameaçadoras, ideias delirantes de perseguição.
- Paciente desconfiado, vigilante, olhar assustado, fácies tensa, pronto para se defender.
- Agressividade tende a ser reativa a supostas ameaças.
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Agitação catatônica (esquizofrenia com catatonia, catatonia devida a outra condição médica)
- Agitação impulsiva, com momentos inesperados de explosões agressivas e agitação intensa.
- Pode estar associada a outros sinais catatônicos (ecopraxia, maneirismos, negativismo, obediência automática).
- Nem sempre há conteúdo delirante proeminente.
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Agitação no delirium (transtorno neurocognitivo maior ou leve devido a outra condição médica, com delirium)
- Agitação desordenada, refletindo dificuldade de apreensão do ambiente.
- Flutuação do nível de consciência, desorientação, alterações cognitivas agudas.
- Possível presença de alucinações visuais e sinais neurológicos.
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Agitação em transtornos de personalidade (por exemplo, borderline, antissocial)
- Agitação reativa a estressores interpessoais, geralmente sem taquipsiquismo global.
- História de instabilidade afetiva crônica, impulsividade, comportamentos autolesivos.
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Agitação por substâncias (intoxicação por estimulantes, abstinência de depressores, efeitos adversos de medicações)
- Intoxicação por cocaína, anfetaminas, cafeína em altas doses, alucinógenos.
- Abstinência de álcool, benzodiazepínicos.
- Uso de medicações como anti-hipertensivos, neurolépticos, cinarizina (associados a quadros parkinsonianos ou outros efeitos extrapiramidais).
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Agitação em demências e retardo mental
- Demências: apraxias, perseverações motoras, ecopraxia; quadros ansiosos ou delirantes podem cursar com agitação.
- Retardo mental: oligofrenia agitada com aumento da psicomotricidade; possibilidade de maneirismos e ecopraxia.
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TDAH e outros transtornos disruptivos da infância e adolescência
- Hiperatividade motora, impulsividade, déficit de atenção, mas sem taquipsiquismo típico da mania ou sintomas de exaltação afetiva.
Armadilhas diagnósticas comuns
- Atribuir qualquer agitação a “mania” sem avaliar presença de taquipsiquismo, exaltação afetiva e história clínica.
- Confundir agitação ansiosa com mania: na ansiedade, há preocupação, tensão, hipervigília, mas não expansão do Eu, grandiosidade ou diminuição da necessidade de sono.
- Negligenciar causas orgânicas (delirium, intoxicação, efeito adverso de medicação) em pacientes com transtorno mental prévio.
- Subestimar risco de heteroagressividade em pacientes maníacos, sobretudo naqueles com irritabilidade marcante, hostilidade e história prévia de violência.
Condições associadas
A agitação psicomotora em síndromes maníacas ocorre tipicamente no contexto de transtorno bipolar, mas pode aparecer em outras condições.
Transtorno Bipolar I e II
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Episódio maníaco (TB I)
Presença de humor anormalmente elevado, expansivo ou irritável, e aumento da energia/atividade, por pelo menos uma semana, com prejuízo acentuado. A agitação psicomotora é um dos sintomas centrais, acompanhada de fuga de ideias, grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, logorreia, distratibilidade, envolvimento em atividades com potencial doloroso. -
Episódio hipomaníaco (TB I e II)
Sintomas semelhantes ao maníaco, porém com duração de pelo menos quatro dias, sem prejuízo acentuado ou necessidade de hospitalização, e sem características psicóticas. A agitação pode ser menos intensa, mas ainda perceptível.
Correlações com CID-11 e DSM-5-TR
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CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 11ª edição)
- Episódio maníaco: categoria dentro de “Transtornos do humor (afetivos)”.
- Agitação psicomotora é um dos sintomas descritivos do episódio maníaco.
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DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, texto revisado)
- Transtorno Bipolar I: critério A para episódio maníaco inclui agitação psicomotora (observável por outros, não apenas sensação subjetiva de inquietação).
- Transtorno Bipolar II: episódio hipomaníaco com critérios semelhantes, porém menos graves.
Outras condições
- Episódios maníacos ou hipomaníacos induzidos por substâncias/medicações ou devidos a outra condição médica (por exemplo, hipertireoidismo, lesões cerebrais, doenças neurológicas).
- Em pacientes com esquizofrenia, a agitação psicomotora pode ocorrer em fases agudas, mas a diferenciação da mania baseia-se na presença de sintomas negativos proeminentes, curso crônico e tipo de alteração do pensamento (embotamento afetivo, desorganização formal).
Implicações terapêuticas
O manejo da agitação psicomotora em síndromes maníacas envolve tratamento do episódio maníaco como um todo, com ênfase em estabilização do humor, contenção da agitação e prevenção de recaídas.
Abordagem farmacológica
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Estabilizadores do humor (timo-reguladores)
- Lítio: eficaz na mania aguda e na prevenção de novos episódios. Níveis séricos terapêuticos devem ser monitorados, com atenção à função renal e tireoidiana.
- Anticonvulsivantes: valproato, carbamazepina, lamotrigina (esta última mais na prevenção de depressão bipolar). Valproato e carbamazepina são particularmente úteis em episódios maníacos agudos.
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Antipsicóticos de segunda geração (neurolépticos atípicos)
- Olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol, ziprasidona, entre outros, são eficazes na redução da agitação, sintomas psicóticos e exaltação afetiva.
- Podem ser utilizados em monoterapia ou em associação com estabilizadores do humor.
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Benzodiazepínicos
- Em situações agudas de agitação intensa, benzodiazepínicos (por exemplo, lorazepam, diazepam) podem ser usados por curto período para sedação, sempre com monitoração de depressão respiratória e interações medicamentosas.
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Abordagem em emergência
- Protocolos estruturados, como o da Universidade de Barcelona, orientam a avaliação de risco, medidas ambientais (redução de estímulos, contenção verbal), contenção química e, quando necessário, contenção física, com registro detalhado e respeito às normas éticas e legais.
Abordagens psicoterapêuticas e psicossociais
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Psicoeducação
Fundamental para pacientes e familiares, abordando a natureza do transtorno bipolar, a importância da adesão medicamentosa, a identificação precoce de sinais prodrômicos de mania (por exemplo, redução do sono, aumento de energia, agitação) e estratégias de manejo de estresse. -
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
Auxilia na identificação de pensamentos grandiosos, na regulação de impulsos, no manejo de gatilhos para episódios e na prevenção de recaídas. -
Intervenções familiares
Apoiam a família na criação de ambiente estruturado, com rotinas de sono regulares, redução de conflitos e suporte à adesão ao tratamento.
Impacto prognóstico e na resposta ao tratamento
A presença de agitação psicomotora intensa em episódios maníacos associa-se a maior risco de internação, necessidade de contenção, comportamentos impulsivos perigosos e pior adesão ao tratamento. A resposta terapêutica costuma ser boa com estabilizadores do humor e antipsicóticos, mas pacientes com agitação muito intensa ou furor maníaco podem necessitar de internação em ambiente hospitalar, às vezes em unidades de maior vigilância.
A agitação residual ou crônica pode indicar tratamento insuficiente, comorbidades (por exemplo, uso de substâncias) ou má adesão. A monitoração longitudinal, com ajuste de doses e combinações medicamentosas, é essencial para estabilização a longo prazo.
Perspectiva do paciente e comunicação clínica
Como o paciente tipicamente vivencia e descreve o fenômeno
Pacientes em episódio maníaco com agitação psicomotora frequentemente descrevem:
- Sensação de “mente acelerada”, “pensamentos a mil”, “não conseguir parar”.
- Percepção de energia excessiva, “corpo elétrico”, necessidade de estar em movimento constante.
- Sentimentos de grandiosidade: “posso tudo”, “sou especial”, “tenho poderes”.
- Irritação com pessoas que “não acompanham seu ritmo” ou tentam impor limites.
- Minimização de riscos: “não vou sofrer acidentes”, “meu plano é infalível”.
Em fases iniciais, alguns pacientes relatam sensação de bem-estar, criatividade aumentada e produtividade. Com a progressão do episódio, surgem exaustão, confusão, conflitos interpessoais e consequências negativas de comportamentos impulsivos.
Orientações para comunicação com paciente e família
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Estabelecer aliança terapêutica
Acolher a experiência subjetiva do paciente, sem confrontá-lo de forma agressiva. Validar sentimentos (“percebo que você está se sentindo muito energizado”), ao mesmo tempo em que se apontam riscos de forma clara e empática. -
Linguagem clara e objetiva
Evitar termos estigmatizantes (“louco”, “fora de controle”). Explicar que a agitação é parte de uma síndrome tratável, relacionada a alterações no funcionamento cerebral. -
Envolver a família
Orientar familiares sobre sinais de alerta de episódio maníaco (redução do sono, agitação, gastos excessivos, irritabilidade), enfatizando a importância de procurar ajuda precocemente. Fornecer informações sobre serviços de referência (CAPS, ambulatórios de psiquiatria, serviços de emergência). -
Plano de crise compartilhado
Elaborar, em conjunto com paciente e família, um plano de ação para situações de piora, incluindo contatos de emergência, medicações de resgate (quando indicado) e critérios para busca de atendimento.
Impacto funcional (trabalho, relacionamentos, qualidade de vida)
A agitação psicomotora em síndromes maníacas pode levar a:
- Conflitos no trabalho: falhas de desempenho por distratibilidade, comportamentos inadequados com colegas, decisões impulsivas com prejuízos financeiros.
- Dificuldades em relacionamentos: discussões frequentes, desconfiança, comportamentos de risco sexual, separações.
- Problemas financeiros: gastos excessivos, dívidas, investimentos mal planejados.
- Risco legal: dirigir perigosamente, envolvimento em brigas, comportamentos agressivos.
- Impacto na qualidade de vida: exaustão física e emocional após o episódio, sentimento de vergonha ou culpa diante de comportamentos realizados na fase maníaca.
A reabilitação psicossocial, incluindo apoio para retomada de atividades laborais, manejo financeiro e reconstrução de relações, é componente importante do tratamento.
Perguntas frequentes
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Agitação psicomotora em mania é sempre acompanhada de euforia?
Não necessariamente. Em muitos episódios maníacos, a irritabilidade é o humor predominante, e a agitação psicomotora pode ocorrer sem euforia evidente. Estudos de análise fatorial mostram que o aumento da atividade motora e a sensação de energia são alterações centrais, às vezes mais proeminentes do que a própria exaltação do humor. -
Como diferenciar agitação maníaca de agitação ansiosa?
Na agitação maníaca, há taquipsiquismo, grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, aumento de energia e, frequentemente, história de episódios anteriores de mania ou depressão. Na agitação ansiosa, predominam preocupação, tensão, hipervigília, sintomas somáticos de ansiedade (taquicardia, sudorese, tremores) e, em geral, não há expansão do Eu ou grandiosidade. -
Agitação psicomotora em mania pode evoluir para furor maníaco?
Sim. Em casos graves, a agitação psicomotora intensifica-se, com hiperatividade extrema, hostilidade, heteroagressividade desorganizada e perda completa de julgamento, configurando o furor maníaco. Essa situação constitui emergência psiquiátrica, exigindo internação, contenção e tratamento farmacológico imediato. -
A agitação psicomotora na mania é igual à agitação na esquizofrenia?
Não. A agitação na mania tende a ser mais organizada e relacionada ao ambiente, acompanhada de exaltação afetiva, taquipsiquismo e aumento de energia. Na esquizofrenia, a agitação pode ser mais desorganizada, associada a sintomas negativos, embotamento afetivo e alterações formais do pensamento características. -
Medicações podem causar agitação psicomotora?
Sim. Algumas medicações, como anti-hipertensivos, neurolépticos e cinarizina, podem induzir quadros parkinsonianos ou outros efeitos extrapiramidais, incluindo inquietação e acatisia, que podem ser confundidos com agitação psicomotora primária. A avaliação deve incluir história medicamentosa detalhada e exame neurológico. -
Como a família deve agir diante de um familiar em episódio maníaco com agitação intensa?
A família deve procurar atendimento psiquiátrico imediato, preferencialmente em serviço de emergência ou CAPS. Enquanto aguarda atendimento, recomenda-se manter ambiente calmo, evitar confrontos diretos, não desafiar ideias grandiosas ou delirantes, garantir segurança (retirar objetos perigosos, evitar acesso a veículos) e acompanhar o paciente de perto, sem deixá-lo sozinho. -
A agitação psicomotora na mania responde bem ao tratamento?
Em geral, sim. A combinação de estabilizadores do humor e antipsicóticos costuma controlar a agitação em dias a semanas, dependendo da gravidade. A resposta é melhor quando o tratamento é iniciado precocemente e mantido de forma continuada, com ajustes de dose e monitoração de efeitos adversos. -
É possível ter agitação psicomotora em episódios depressivos?
Sim. Em depressões ansiosas ou agitadas, pode ocorrer inquietação ou agitação psicomotora, embora seja mais comum a hipocinesia ou retardo psicomotor. A diferenciação com mania mista (sintomas depressivos e maníacos simultaneamente) deve ser cuidadosa, pois implica estratégias terapêuticas específicas.
Referências
- Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Cheniaux, E. Manual de Psicopatologia. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
- Sadock, B.J.; Sadock, V.A.; Ruiz, P. Compêndio de Psiquiatria. 11ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR. 5ª ed. texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2022.
- Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 11ª ed. Genebra: OMS, 2022.
Conteúdo de referência clínica. Não substitui avaliação profissional individualizada.