O que é?
Imagine que você está aprendendo a dirigir. No começo, é normal dar uma engasgada no carro, esquecer de olhar o retrovisor ou até mesmo confundir o freio com o acelerador. Com o tempo, a maioria das pessoas pega o jeito e dirige sem pensar muito nisso. Agora, pense em alguém que, mesmo depois de anos, ainda tem dificuldades para controlar quando e onde “ir ao banheiro” — não por preguiça ou rebeldia, mas porque algo no corpo ou na mente não está funcionando como deveria. É mais ou menos isso que acontece nos transtornos da eliminação.
Os Transtornos da Eliminação Não Especificados são como um “guarda-chuva” para situações em que uma pessoa tem problemas recorrentes para controlar a urina ou as fezes, mas que não se encaixam perfeitamente nos diagnósticos mais conhecidos, como enurese (xixi na cama) ou encoprese (cocô em lugares inadequados). É como se a pessoa tivesse sintomas claros de que algo não vai bem com o controle da eliminação, mas esses sintomas não seguem exatamente o “roteiro” que os médicos costumam ver nos casos típicos.
Por exemplo: uma criança de 8 anos que faz xixi na cama apenas quando está muito estressada com provas na escola, mas não tem esse problema em outras épocas. Ou um adolescente que, desde pequeno, segura o cocô por tanto tempo que acaba tendo escapes involuntários, mas não tem constipação (prisão de ventre) como a maioria dos casos de encoprese. Ou ainda um adulto que, depois de um trauma, passa a ter episódios de incontinência urinária, mas só quando está em lugares muito barulhentos. Essas situações podem ser classificadas como Transtornos da Eliminação Não Especificados porque causam sofrimento e atrapalham a vida da pessoa, mas não se encaixam nos critérios clássicos de outros transtornos da eliminação.
Como isso se diferencia de situações normais?
Todo mundo já passou por algum “acidente” com xixi ou cocô em algum momento da vida. Bebês fazem isso o tempo todo — é normal! Crianças pequenas também podem ter escapes, especialmente quando estão muito entretidas brincando e “esquecem” de ir ao banheiro. Até adultos podem ter um episódio isolado de incontinência urinária depois de uma infecção, um susto ou uma noite de bebedeira. O que diferencia um transtorno da eliminação de uma situação normal é a frequência, a duração e o impacto na vida da pessoa.
Por exemplo:
– Normal: Uma criança de 3 anos que faz xixi na cama uma vez por mês porque ainda está aprendendo a controlar a bexiga.
– Transtorno: Uma criança de 7 anos que faz xixi na cama várias vezes por semana, mesmo depois de já ter aprendido a controlar, e que fica envergonhada a ponto de evitar dormir na casa de amigos.
– Normal: Um adulto que tem um escape de urina depois de uma crise de riso muito forte.
– Transtorno: Um adulto que tem escapes de urina toda vez que está ansioso, a ponto de evitar sair de casa ou ir a lugares com muitas pessoas.
Nos transtornos da eliminação não especificados, os sintomas são persistentes (não acontecem só uma vez ou outra), causam sofrimento (a pessoa se sente envergonhada, frustrada ou com medo) e atrapalham a vida (na escola, no trabalho, nos relacionamentos). Além disso, não são causados por uma condição médica (como uma infecção urinária ou uma doença neurológica) ou pelo uso de substâncias (como laxantes ou diuréticos).
Quem é afetado?
Os transtornos da eliminação são mais comuns em crianças, especialmente entre 5 e 10 anos, mas também podem afetar adolescentes e adultos. Vamos aos números:
- Enurese (xixi na cama): Afeta cerca de 5 a 10% das crianças de 7 anos, sendo mais comum em meninos. A maioria supera o problema naturalmente, mas cerca de 1 a 2% dos adolescentes e adultos ainda têm episódios frequentes.
- Encoprese (cocô em lugares inadequados): Afeta cerca de 1 a 3% das crianças em idade escolar, sendo 3 a 6 vezes mais comum em meninos. Em adultos, é mais raro, mas pode acontecer em casos de transtornos mentais graves ou após traumas.
- Transtornos da eliminação não especificados: Não há dados específicos sobre a prevalência, mas estima-se que representem uma pequena porcentagem dos casos de transtornos da eliminação. Ou seja, são menos comuns que a enurese ou a encoprese, mas ainda assim afetam um número significativo de pessoas.
No Brasil, não temos estatísticas precisas sobre transtornos da eliminação, mas estudos internacionais sugerem que 1 em cada 10 crianças terá algum tipo de dificuldade com controle de urina ou fezes em algum momento da infância. A boa notícia é que, com o tratamento certo, a maioria melhora significativamente.
Um pouco de história
Os transtornos da eliminação são conhecidos há séculos, mas só recentemente foram estudados de forma científica. Na antiguidade, acreditava-se que fazer xixi na cama era sinal de preguiça ou falta de disciplina. Na Idade Média, algumas culturas associavam a enurese a bruxaria ou possessão demoníaca — o que, claro, não faz nenhum sentido!
Foi só no século XX que os médicos começaram a entender que esses problemas tinham causas biológicas e psicológicas. Em 1952, o DSM-I (primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) incluiu a enurese como um diagnóstico psiquiátrico. Com o tempo, os critérios foram sendo refinados, e hoje sabemos que esses transtornos são multifatoriais: envolvem genética, desenvolvimento do sistema nervoso, hábitos, estresse e até mesmo a dinâmica familiar.
A categoria “Transtornos da Eliminação Não Especificados” surgiu para dar conta daquelas situações que não se encaixavam perfeitamente nos diagnósticos clássicos. É como se os médicos dissessem: “Sabemos que algo não está certo, mesmo que não seja exatamente enurese ou encoprese. Vamos investigar e tratar da mesma forma, porque o sofrimento é real.”
Quais são os sintomas?
Os transtornos da eliminação não especificados não têm uma lista rígida de sintomas como a enurese ou a encoprese, porque, por definição, são casos que não se encaixam perfeitamente nos critérios desses diagnósticos. No entanto, há alguns sinais comuns que podem indicar que algo não vai bem. Vamos entender cada um deles com exemplos do dia a dia.
1. Eliminação repetida de urina ou fezes em lugares inadequados
O que isso significa na prática?
A pessoa faz xixi ou cocô em lugares onde não deveria — como na cama, na roupa, no chão ou em qualquer lugar que não seja o banheiro. Isso pode acontecer de forma involuntária (a pessoa não percebe ou não consegue segurar) ou voluntária (a pessoa escolhe fazer ali, mesmo sabendo que não é o certo).
Exemplos concretos:
– Criança: Um menino de 9 anos que, mesmo depois de já ter aprendido a usar o banheiro, faz xixi na cama 2 vezes por semana, mas só quando está muito cansado ou estressado com a escola. Ele acorda envergonhado e esconde os lençóis sujos dos pais.
– Adolescente: Uma garota de 14 anos que, desde pequena, tem dificuldade para evacuar. Ela segura o cocô por dias, até que não aguenta mais e acaba tendo escapes na calcinha. Isso acontece 1 vez por semana, mas ela não tem prisão de ventre — o problema é que ela “esquece” de ir ao banheiro quando está entretida com outras coisas.
– Adulto: Um homem de 35 anos que, depois de um acidente de carro, passou a ter episódios de incontinência urinária quando está em lugares barulhentos, como shoppings ou festas. Ele não tem nenhum problema físico, mas o estresse faz com que perca o controle da bexiga.
O que é normal vs. o que é sintomático?
– Normal: Uma criança de 3 anos que faz xixi na cama de vez em quando, especialmente se estiver doente ou muito cansada.
– Sintomático: Uma criança de 8 anos que faz xixi na cama várias vezes por semana, mesmo sem nenhum motivo aparente, e que fica tão envergonhada que evita dormir na casa de amigos.
– Normal: Um adulto que tem um escape de urina depois de uma crise de riso muito forte.
– Sintomático: Um adulto que tem escapes de urina toda vez que está ansioso, a ponto de evitar sair de casa.
2. Sofrimento ou prejuízo significativo na vida da pessoa
O que isso significa na prática?
Os “acidentes” com xixi ou cocô não são apenas um incômodo passageiro — eles atrapalham a vida da pessoa de verdade. Isso pode se manifestar de várias formas:
– Vergonha ou culpa: A pessoa se sente envergonhada, suja ou “anormal” por causa dos episódios.
– Isolamento social: Ela evita situações em que pode ter um “acidente”, como dormir na casa de amigos, viajar ou ir a festas.
– Problemas na escola ou no trabalho: Crianças podem ser zoadas pelos colegas, e adultos podem faltar ao trabalho por medo de ter um episódio em público.
– Conflitos familiares: Pais podem brigar com os filhos por acharem que eles estão “fazendo de propósito”, ou casais podem ter desentendimentos porque um dos parceiros não entende o que está acontecendo.
Exemplos concretos:
– Criança: Um menino de 7 anos que faz cocô na calça 1 vez por semana na escola. Os colegas riem dele, e ele passa a recusar ir às aulas. Os pais acham que é birra, mas na verdade ele está com medo de pedir para ir ao banheiro e ser zoado de novo.
– Adolescente: Uma garota de 15 anos que faz xixi na cama 2 vezes por mês. Ela nunca convida amigas para dormir em casa e inventa desculpas para não ir a acampamentos. Fica tão ansiosa com a possibilidade de ter um episódio que desenvolve insônia.
– Adulto: Uma mulher de 40 anos que, depois de um divórcio, passou a ter episódios de incontinência urinária quando está em lugares lotados. Ela parou de ir ao cinema, ao teatro e até mesmo ao supermercado nos fins de semana, porque tem medo de ter um “acidente” na frente de outras pessoas.
O que é normal vs. o que é sintomático?
– Normal: Uma criança de 5 anos que faz cocô na calça uma vez porque estava brincando e não quis parar para ir ao banheiro. Ela fica um pouco envergonhada, mas logo supera.
– Sintomático: Uma criança de 9 anos que faz cocô na calça várias vezes por mês e que chora de vergonha, recusando-se a ir à escola por medo de ser zoada.
– Normal: Um adulto que, depois de uma noite de bebedeira, tem um episódio de incontinência urinária e acha graça no dia seguinte.
– Sintomático: Um adulto que, por causa dos episódios de incontinência, deixa de sair de casa e desenvolve depressão.
3. Os sintomas não são causados por uma condição médica ou pelo uso de substâncias
O que isso significa na prática?
Os “acidentes” não acontecem por causa de uma doença física (como uma infecção urinária, diabetes ou uma lesão na medula espinhal) ou pelo uso de remédios (como laxantes ou diuréticos). Se o médico descobre que há uma causa física, o diagnóstico muda — por exemplo, para incontinência urinária por bexiga hiperativa ou encoprese por constipação crônica.
Exemplos concretos:
– Não é transtorno da eliminação: Uma criança que faz xixi na cama porque tem uma infecção urinária. Assim que a infecção é tratada, os episódios param.
– É transtorno da eliminação: Uma criança que faz xixi na cama mesmo sem ter nenhuma infecção ou problema físico, e os episódios continuam por meses.
– Não é transtorno da eliminação: Um adulto que tem escapes de urina porque toma um remédio para pressão alta que tem efeito diurético. Quando ele troca o remédio, os episódios param.
– É transtorno da eliminação: Um adulto que tem escapes de urina mesmo sem tomar nenhum remédio, e os episódios acontecem principalmente quando ele está estressado.
O que é normal vs. o que é sintomático?
– Normal: Uma pessoa que faz xixi na cama depois de tomar muito líquido antes de dormir.
– Sintomático: Uma pessoa que faz xixi na cama mesmo sem ter bebido nada antes de dormir, e isso acontece várias vezes por semana.
– Normal: Uma criança que faz cocô na calça porque está com diarreia por causa de uma virose.
– Sintomático: Uma criança que faz cocô na calça mesmo sem estar doente, e isso acontece várias vezes por mês.
4. Os sintomas não se encaixam perfeitamente em outros transtornos da eliminação
O que isso significa na prática?
Os transtornos da eliminação mais conhecidos são:
– Enurese: Fazer xixi na cama ou na roupa pelo menos 2 vezes por semana por 3 meses, em crianças com mais de 5 anos.
– Encoprese: Fazer cocô em lugares inadequados pelo menos 1 vez por mês por 3 meses, em crianças com mais de 4 anos.
Nos Transtornos da Eliminação Não Especificados, os sintomas não seguem exatamente esses critérios, mas ainda assim causam sofrimento. Por exemplo:
– A criança faz xixi na cama apenas 1 vez por semana, mas isso a deixa tão envergonhada que ela evita dormir na casa de amigos.
– O adolescente faz cocô na calça apenas quando está muito estressado, mas não tem constipação.
– O adulto tem episódios de incontinência urinária apenas em situações específicas, como quando está em lugares barulhentos.
Exemplos concretos:
– Enurese clássica: Um menino de 6 anos que faz xixi na cama 3 vezes por semana, todas as semanas, há mais de 3 meses.
– Transtorno da eliminação não especificado: Um menino de 6 anos que faz xixi na cama 1 vez por semana, mas só quando está muito cansado ou estressado. Ele não se encaixa no critério de frequência da enurese, mas o problema ainda o incomoda muito.
– Encoprese clássica: Uma menina de 8 anos que faz cocô na calça 2 vezes por mês, há mais de 3 meses, porque tem prisão de ventre.
– Transtorno da eliminação não especificado: Uma menina de 8 anos que faz cocô na calça 1 vez por mês, mas só quando está muito ansiosa com provas na escola. Ela não tem prisão de ventre, então não se encaixa no critério clássico da encoprese.
Ter alguns desses sintomas não significa ter o diagnóstico
É importante lembrar que ter um ou dois episódios de xixi ou cocô em lugares inadequados não significa que a pessoa tem um transtorno da eliminação. O que define o diagnóstico é:
1. A frequência: Os episódios acontecem com regularidade, não são algo pontual.
2. A duração: Os sintomas persistem por semanas ou meses, não são algo passageiro.
3. O impacto: Os episódios causam sofrimento ou atrapalham a vida da pessoa de alguma forma.
4. A ausência de outras causas: Não há uma condição médica ou uso de substâncias que explique os sintomas.
Por exemplo:
– Uma criança que faz xixi na cama uma vez porque está doente não tem enurese.
– Um adulto que tem um escape de urina depois de uma noite de bebedeira não tem incontinência urinária.
– Uma criança que faz cocô na calça uma vez por mês porque está com prisão de ventre pode ter encoprese, mas se isso acontece apenas quando ela está muito estressada, pode ser um transtorno da eliminação não especificado.
Se você ou alguém que você conhece está passando por algo parecido, o ideal é procurar um médico para entender o que está acontecendo. Muitas vezes, esses problemas têm solução!
Como se manifesta no dia a dia?
Os transtornos da eliminação não especificados podem afetar a vida da pessoa de várias formas, dependendo da idade, do contexto e da gravidade dos sintomas. Vamos ver como isso aparece em diferentes áreas do cotidiano.
No trabalho ou na escola
Para crianças e adolescentes:
– Falta de concentração: A criança pode ter dificuldade para prestar atenção na aula porque está preocupada com a possibilidade de ter um “acidente”. Ela fica ansiosa, olhando para o relógio e contando os minutos para o recreio, quando poderá ir ao banheiro.
– Faltas e atrasos: Alguns alunos faltam à escola ou chegam atrasados porque têm medo de ter um episódio na frente dos colegas. Outros podem inventar desculpas para não participar de atividades fora da sala de aula, como excursões ou aulas de educação física.
– Bullying: Infelizmente, crianças com transtornos da eliminação são alvos frequentes de bullying. Colegas podem zoar, chamar de “bebê” ou espalhar boatos. Isso pode levar a um círculo vicioso: quanto mais a criança é zoada, mais ansiosa ela fica, e mais episódios de xixi ou cocô na roupa ela tem.
– Desempenho escolar: A vergonha e a ansiedade podem afetar o rendimento. A criança pode tirar notas mais baixas, não porque não seja inteligente, mas porque está tão preocupada com os “acidentes” que não consegue se concentrar nos estudos.
Exemplo concreto:
João tem 10 anos e faz xixi na cama 1 vez por semana. Ele nunca convida amigos para dormir em casa e inventa desculpas para não ir a acampamentos da escola. Na sala de aula, ele fica inquieto, levantando várias vezes para ir ao banheiro. Os colegas começaram a zoar dele, chamando-o de “João xixi”. Ele passou a faltar às aulas de educação física porque tem medo de ter um escape durante a aula e ser zoado de novo. As notas dele caíram, e os professores acham que ele está “desinteressado”.
Para adultos:
– Faltas e atrasos: O adulto pode faltar ao trabalho ou chegar atrasado porque está evitando situações em que pode ter um episódio. Por exemplo, alguém que tem incontinência urinária em lugares barulhentos pode evitar reuniões com muitos participantes ou eventos corporativos.
– Produtividade reduzida: A ansiedade com a possibilidade de ter um “acidente” pode distrair a pessoa, fazendo com que ela demore mais para realizar tarefas ou cometa erros por falta de atenção.
– Isolamento profissional: Alguns adultos evitam interações sociais no trabalho, como happy hours ou almoços com colegas, por medo de ter um episódio em público. Isso pode prejudicar a carreira, especialmente em profissões que exigem networking.
– Estigma: Em alguns ambientes de trabalho, especialmente os mais rígidos ou machistas, ter um transtorno da eliminação pode ser visto como sinal de “fraqueza” ou “falta de controle”. Isso pode levar a discriminação ou até mesmo a demissão.
Exemplo concreto:
Maria tem 32 anos e trabalha em uma empresa de tecnologia. Depois de um assalto, ela passou a ter episódios de incontinência urinária quando está em lugares lotados. Ela evita reuniões presenciais, preferindo participar por videochamada. Quando precisa ir ao escritório, ela chega cedo para usar o banheiro antes de todo mundo chegar e sai tarde para evitar o horário de pico no transporte público. Ela recusou uma promoção que exigiria mais viagens porque tem medo de ter um episódio em um avião ou em um hotel. Os colegas começaram a achar que ela é “antissocial”, e seu chefe questionou seu comprometimento com a empresa.
Nos relacionamentos
Com a família:
– Conflitos: Pais e filhos podem brigar porque os pais não entendem que os “acidentes” não são culpa da criança. Frases como “Você está fazendo isso de propósito!” ou “Se você se esforçasse mais, não aconteceria!” só pioram a situação.
– Superproteção: Alguns pais, com medo de que a criança seja zoada ou sofra bullying, podem se tornar superprotetores. Isso pode atrapalhar o desenvolvimento da autonomia da criança e reforçar a ideia de que ela é “diferente” ou “incapaz”.
– Culpa: Os pais podem se sentir culpados, achando que fizeram algo errado na criação do filho. Isso pode levar a sentimentos de frustração, tristeza e até mesmo depressão.
– Irmãos: Irmãos mais velhos ou mais novos podem sentir ciúmes da atenção extra que a criança com transtorno da eliminação recebe. Ou, pior, podem zoar o irmão, repetindo o que ouvem na escola.
Exemplo concreto:
Ana tem 8 anos e faz cocô na calça 1 vez por semana. Os pais dela brigam toda vez que isso acontece. A mãe acha que Ana está “fazendo de propósito” para chamar atenção, enquanto o pai acredita que é “preguiça”. Ana se sente culpada e tenta esconder as roupas sujas, mas os pais acabam descobrindo. O irmão mais velho, de 12 anos, zoa dela na frente dos amigos, chamando-a de “Ana cocô”. Ana passou a evitar brincar com o irmão e se isolou no quarto.
Com amigos:
– Isolamento: Crianças e adolescentes podem evitar convites para dormir na casa de amigos, festas de aniversário ou acampamentos por medo de ter um episódio na frente dos outros.
– Vergonha: Mesmo quando não há bullying, a pessoa pode se sentir envergonhada e achar que os amigos vão “descobrir” seu segredo. Isso pode levar a comportamentos estranhos, como recusar-se a usar o banheiro na casa de alguém ou inventar desculpas para ir embora mais cedo.
– Dificuldade para fazer amigos: Em casos mais graves, a pessoa pode ter tanta vergonha que evita interações sociais por completo, tornando-se isolada e solitária.
Exemplo concreto:
Pedro tem 14 anos e faz xixi na cama 1 vez por mês. Ele nunca dorme na casa de amigos e inventa desculpas para não ir a festas de pijama. Quando os amigos perguntam por quê, ele diz que “não gosta de dormir fora de casa”. Um dia, um amigo o convidou para um acampamento de fim de semana. Pedro ficou tão ansioso que teve uma crise de pânico e precisou ser levado ao hospital. Os amigos acharam estranho e começaram a evitá-lo, pensando que ele era “dramático”.
Com parceiros românticos:
– Medo de intimidade: Adultos com transtornos da eliminação podem evitar relacionamentos sérios por medo de que o parceiro descubra o problema. Eles podem inventar desculpas para não dormir na casa do outro ou evitar situações íntimas.
– Conflitos: Se o parceiro não entende o que está acontecendo, pode achar que a pessoa está “escondendo algo” ou “não confia nele”. Isso pode levar a brigas e desentendimentos.
– Impacto na vida sexual: Alguns adultos com incontinência urinária ou fecal podem evitar relações sexuais por medo de ter um episódio durante o ato. Isso pode causar frustração e afetar a autoestima.
Exemplo concreto:
Carlos tem 28 anos e, desde a adolescência, tem episódios de incontinência urinária quando está muito ansioso. Ele namora há 2 anos, mas nunca dormiu na casa da namorada. Quando ela pergunta por quê, ele diz que “gosta de dormir na própria cama”. Um dia, eles marcaram uma viagem juntos. Carlos ficou tão ansioso que teve um episódio de incontinência no avião. Ele ficou tão envergonhado que inventou uma desculpa e voltou para casa no primeiro voo. A namorada ficou magoada e achou que ele não queria viajar com ela. Eles terminaram o relacionamento pouco depois.
Na rotina
Sono:
– Insônia: A ansiedade com a possibilidade de fazer xixi na cama pode fazer com que a pessoa tenha dificuldade para dormir. Ela pode acordar várias vezes durante a noite para ir ao banheiro ou ficar com medo de dormir profundamente e não perceber o xixi.
– Sono fragmentado: Mesmo quando consegue dormir, a pessoa pode ter um sono leve e acordar com qualquer barulho, com medo de ter um episódio.
– Cansaço diurno: A falta de sono de qualidade pode levar a cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia.
Exemplo concreto:
Luana tem 12 anos e faz xixi na cama 2 vezes por mês. Ela dorme com um despertador programado para tocar a cada 2 horas, para que ela possa ir ao banheiro. Mesmo assim, às vezes ela acorda encharcada. Ela passou a ter medo de dormir e desenvolveu insônia. Durante o dia, ela fica sonolenta e irritada, e as notas na escola caíram.
Alimentação:
– Restrições: Algumas pessoas evitam beber líquidos à noite para não fazer xixi na cama. Outras podem evitar alimentos que “soltam o intestino”, como frutas ou verduras, por medo de ter um episódio de cocô na roupa.
– Transtornos alimentares: Em casos extremos, a pessoa pode desenvolver transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia, como forma de “controlar” o corpo e evitar os episódios.
– Prisão de ventre: Algumas crianças seguram o cocô por tanto tempo que acabam desenvolvendo prisão de ventre. Isso pode piorar os episódios de encoprese, criando um círculo vicioso.
Exemplo concreto:
Rafael tem 9 anos e faz cocô na calça 1 vez por semana. Ele passou a evitar comer frutas e verduras porque acha que esses alimentos “soltam o intestino”. Ele também bebe pouca água durante o dia, o que piorou sua prisão de ventre. Agora, ele faz cocô na calça com mais frequência, porque o intestino está sempre cheio e duro.
Autocuidado:
– Higiene: A pessoa pode passar muito tempo no banho, tentando “limpar” a vergonha dos episódios. Ou, ao contrário, pode evitar tomar banho por medo de que os outros percebam o cheiro.
– Roupas: Algumas pessoas usam roupas escuras ou folgadas para disfarçar possíveis manchas. Outras carregam uma muda de roupa na mochila “por precaução”.
– Banheiros públicos: Adultos com incontinência urinária podem evitar usar banheiros públicos por medo de que os outros ouçam ou vejam algo. Isso pode levar a infecções urinárias ou outros problemas de saúde.
Exemplo concreto:
Fernanda tem 35 anos e tem episódios de incontinência urinária quando está estressada. Ela evita usar banheiros públicos e segura o xixi por horas, mesmo quando está com vontade. Isso levou a várias infecções urinárias, que só pioraram o problema. Ela passou a usar absorventes diários “por segurança” e carrega uma muda de roupa na bolsa. Ela também evita usar roupas claras, porque acha que as manchas ficam mais visíveis.
Lazer:
– Atividades físicas: Algumas pessoas evitam esportes ou atividades físicas por medo de ter um episódio durante o exercício. Isso pode levar a um estilo de vida sedentário e a problemas de saúde.
– Viagens: Viajar pode se tornar um pesadelo. A pessoa pode evitar viagens longas ou destinos sem banheiros acessíveis. Hotéis e aviões podem ser fontes de ansiedade.
– Eventos sociais: Festas, shows e outros eventos sociais podem ser evitados por medo de não ter acesso rápido a um banheiro ou de ter um episódio na frente de outras pessoas.
Exemplo concreto:
Marcos tem 40 anos e tem episódios de incontinência fecal quando está ansioso. Ele adorava jogar futebol com os amigos, mas passou a evitar os jogos porque tinha medo de ter um episódio durante a partida. Ele também cancelou uma viagem de férias com a família porque o destino não tinha banheiros acessíveis. Agora, ele passa a maior parte do tempo em casa, assistindo TV e comendo delivery. Ele se sente deprimido e isolado.
Na saúde física
Os transtornos da eliminação não especificados não são apenas um problema “da cabeça” — eles também podem afetar o corpo de várias formas:
- Infecções urinárias: Segurar o xixi por muito tempo ou evitar urinar em banheiros públicos pode levar a infecções urinárias recorrentes. Isso causa dor, ardência e, em casos graves, pode afetar os rins.
- Problemas intestinais: Segurar o cocô por muito tempo pode levar a prisão de ventre crônica, hemorroidas e fissuras anais (pequenas feridas no ânus que doem muito).
- Dor pélvica: A tensão constante nos músculos da bexiga ou do intestino pode causar dores na região pélvica ou abdominal.
- Problemas de pele: A umidade constante da urina ou das fezes pode causar assaduras, dermatites e infecções fúngicas na pele.
- Desidratação: Algumas pessoas evitam beber líquidos para não fazer xixi na cama ou na roupa. Isso pode levar a desidratação, tonturas e até mesmo desmaios.
Exemplo concreto:
Clara tem 15 anos e faz xixi na cama 1 vez por semana. Ela passou a beber pouca água durante o dia para evitar os episódios. Isso levou a desidratação e infecções urinárias recorrentes. Ela também desenvolveu uma dermatite na região genital por causa da umidade constante. Agora, além da vergonha, ela sente dor e desconforto físico.
O que causa essa condição?
Os transtornos da eliminação não especificados são como um quebra-cabeça com várias peças. Não há uma única causa — geralmente, é uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Vamos entender cada um deles.
Fatores genéticos
Como funciona?
Seus genes são como um “manual de instruções” para o seu corpo. Eles determinam características como a cor dos olhos, a altura e até mesmo como seu cérebro e sistema urinário/intestino funcionam. Alguns estudos sugerem que os transtornos da eliminação podem correr em famílias. Por exemplo:
– Se um dos pais teve enurese na infância, o filho tem 40% mais chances de ter o mesmo problema.
– Se ambos os pais tiveram enurese, as chances sobem para 70%.
Isso não significa que o problema é “culpa” dos genes, mas sim que algumas pessoas nascem com uma predisposição — como se o “manual de instruções” delas tivesse uma pequena falha que torna mais difícil controlar a bexiga ou o intestino.
Analogia:
Imagine que seu corpo é um carro. A maioria das pessoas nasce com um carro que tem freios perfeitos — quando elas sentem vontade de fazer xixi ou cocô, conseguem “pisar no freio” e segurar até chegar ao banheiro. Já as pessoas com predisposição genética para transtornos da eliminação nascem com freios um pouco mais fracos. Não é que o carro não funcione — é só que ele precisa de um pouco mais de cuidado e manutenção para não dar problemas.
Exemplo concreto:
João e Pedro são irmãos. João sempre teve dificuldade para controlar o xixi à noite, mesmo depois de já ter aprendido a usar o banheiro. Pedro, por outro lado, nunca teve esse problema. Quando os pais de João descobriram que o avô dele também fazia xixi na cama até os 12 anos, entenderam que talvez houvesse uma predisposição genética na família.
Fatores neurobiológicos
O que acontece no cérebro?
Seu cérebro e seu sistema urinário/intestino estão constantemente “conversando” através de nervos e hormônios. Quando tudo funciona bem, essa comunicação é perfeita:
1. Sua bexiga ou intestino enviam um sinal para o cérebro: “Ei, estou cheio!”
2. Seu cérebro responde: “Ok, segure aí que já vamos ao banheiro!”
3. Quando você chega ao banheiro, seu cérebro libera o “freio” e você consegue fazer xixi ou cocô.
Nos transtornos da eliminação, essa comunicação não funciona tão bem. Algumas possíveis explicações:
- Bexiga hiperativa: A bexiga envia sinais de “estou cheia!” mesmo quando não está. É como se o alarme de um carro disparasse sem motivo — você fica com vontade de fazer xixi o tempo todo, mesmo que tenha acabado de ir ao banheiro.
- Sistema nervoso imaturo: Em crianças, o sistema nervoso ainda está em desenvolvimento. Às vezes, o cérebro não consegue “ouvir” os sinais da bexiga ou do intestino, especialmente durante o sono. É como se o telefone estivesse no silencioso — a bexiga liga, mas o cérebro não atende.
- Hormônio antidiurético (ADH): Esse hormônio é responsável por reduzir a produção de urina durante a noite. Algumas pessoas produzem menos ADH, o que faz com que a bexiga encha mais rápido e aumente as chances de fazer xixi na cama.
- Ansiedade e estresse: Quando você está ansioso ou estressado, seu corpo libera hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios podem “bagunçar” a comunicação entre o cérebro e a bexiga/intestino, fazendo com que você perca o controle.
Analogia:
Imagine que seu cérebro é um maestro regendo uma orquestra. Cada instrumento (bexiga, intestino, músculos) precisa tocar no momento certo para que a música saia perfeita. Nos transtornos da eliminação, é como se alguns instrumentos estivessem desafinados ou tocando fora do ritmo. O maestro (cérebro) tenta consertar, mas às vezes não consegue — e a música (controle da eliminação) sai errada.
Exemplo concreto:
Maria tem 30 anos e, desde a adolescência, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. Ela descobriu que, nesses momentos, seu corpo libera muita adrenalina, o que faz com que sua bexiga se contraia de forma descontrolada. É como se o “maestro” (cérebro) perdesse o controle da orquestra e todos os instrumentos tocassem ao mesmo tempo.
Fatores ambientais
Experiências de vida que podem influenciar:
Os transtornos da eliminação não são “culpa” de ninguém, mas algumas experiências podem desencadear ou piorar os sintomas. Vamos ver algumas delas:
- Estresse e ansiedade:
- Crianças: Mudanças na rotina (como o nascimento de um irmão, mudança de escola ou divórcio dos pais) podem desencadear episódios de xixi ou cocô na roupa.
- Adolescentes: Pressão escolar, bullying ou conflitos familiares podem piorar os sintomas.
- Adultos: Problemas no trabalho, dificuldades financeiras ou traumas (como abuso ou acidentes) podem levar a episódios de incontinência.
- Hábitos inadequados:
- Segurar o xixi ou o cocô por muito tempo: Isso pode “confundir” a bexiga ou o intestino, fazendo com que eles percam a capacidade de enviar sinais corretos para o cérebro.
- Não beber água suficiente: Pode levar a prisão de ventre ou urina muito concentrada, o que irrita a bexiga e aumenta as chances de infecções.
- Dieta pobre em fibras: Pode causar prisão de ventre, o que aumenta as chances de encoprese.
- Traumas:
- Abuso físico ou sexual: Pode levar a uma desconexão entre o cérebro e o corpo, fazendo com que a pessoa perca o controle da eliminação.
- Acidentes ou cirurgias: Lesões na medula espinhal ou cirurgias na região pélvica podem afetar o controle da bexiga ou do intestino.
- Dinâmica familiar:
- Pressão excessiva: Pais que brigam ou punem a criança por fazer xixi ou cocô na roupa podem aumentar a ansiedade e piorar os sintomas.
- Superproteção: Pais que tratam a criança como “doente” ou “incapaz” podem reforçar a ideia de que ela não consegue controlar o próprio corpo.
- Falta de rotina: Crianças que não têm horários regulares para ir ao banheiro podem ter mais dificuldade para desenvolver o controle da eliminação.
Analogia:
Imagine que seu corpo é um jardim. Os genes são as sementes — algumas nascem mais fortes, outras mais frágeis. O ambiente é como o solo, a água e o sol: se você regar demais, as plantas podem apodrecer; se regar de menos, elas podem murchar. Nos transtornos da eliminação, é como se algumas sementes (genes) fossem mais sensíveis, e o ambiente (estresse, hábitos, traumas) pudesse fazer com que elas crescessem “tortas” ou não se desenvolvessem direito.
Exemplo concreto:
Lucas tem 6 anos e começou a fazer xixi na cama depois que os pais se divorciaram. Antes, ele nunca tinha tido esse problema. Os pais brigavam muito na frente dele, e ele passou a ter medo de dormir sozinho. O estresse da separação “bagunçou” a comunicação entre seu cérebro e sua bexiga, fazendo com que ele perdesse o controle durante o sono.
Fatores da gestação e desenvolvimento
O que acontece antes do nascimento?
Alguns fatores durante a gestação ou os primeiros anos de vida podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver transtornos da eliminação. Vamos ver alguns deles:
- Gestação:
- Tabagismo ou uso de álcool/drogas: Pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê, incluindo as áreas responsáveis pelo controle da bexiga e do intestino.
- Estresse materno: Mulheres que passam por muito estresse durante a gravidez podem ter bebês com maior predisposição a problemas de desenvolvimento, incluindo transtornos da eliminação.
- Infecções durante a gravidez: Algumas infecções, como a toxoplasmose ou a rubéola, podem afetar o desenvolvimento do feto.
- Parto:
- Prematuridade: Bebês prematuros podem ter um sistema nervoso menos desenvolvido, o que pode afetar o controle da eliminação.
- Complicações no parto: Falta de oxigênio durante o parto (asfixia perinatal) pode causar lesões no cérebro que afetam o controle da bexiga e do intestino.
- Primeiros anos de vida:
- Atraso no desenvolvimento: Crianças que demoram mais para andar, falar ou desenvolver outras habilidades motoras podem ter mais dificuldade para controlar a eliminação.
- Treinamento esfincteriano inadequado: Ensinar a criança a usar o banheiro cedo demais (antes dos 2 anos) ou tarde demais (depois dos 4 anos) pode aumentar as chances de problemas.
- Experiências traumáticas: Crianças que passam por situações de abuso, negligência ou violência podem desenvolver transtornos da eliminação como uma forma de “regressão” (voltar a comportamentos de quando eram bebês).
Analogia:
Imagine que o desenvolvimento do controle da eliminação é como construir uma casa. Os genes são os materiais de construção — alguns são mais resistentes, outros mais frágeis. A gestação e os primeiros anos de vida são como a fundação da casa. Se a fundação for fraca (por causa de estresse, infecções ou complicações no parto), a casa pode ficar torta ou instável, mesmo que os materiais sejam bons. Nos transtornos da eliminação, é como se a “casa” do controle da bexiga ou do intestino tivesse uma fundação um pouco mais frágil.
Exemplo concreto:
Sofia nasceu prematura, com 32 semanas de gestação. Ela passou os primeiros meses de vida na UTI neonatal e teve dificuldade para mamar e ganhar peso. Quando começou a andar e falar, os pais perceberam que ela demorava mais que as outras crianças para desenvolver essas habilidades. Aos 5 anos, ela ainda fazia xixi na cama 3 vezes por semana. Os médicos explicaram que o sistema nervoso dela pode ter sido afetado pela prematuridade, o que dificultou o desenvolvimento do controle da bexiga.
Modelo biopsicossocial
Por que é sempre uma combinação de fatores?
Os transtornos da eliminação não são causados por apenas uma coisa — eles são o resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Vamos entender como esses três aspectos interagem:
- Biológico (o corpo):
- Genes que predispõem a problemas no controle da bexiga ou do intestino.
- Sistema nervoso imaturo ou com dificuldade para “conversar” com a bexiga/intestino.
- Hormônios que regulam a produção de urina ou o funcionamento do intestino.
- Psicológico (a mente):
- Ansiedade, estresse ou traumas que “bagunçam” a comunicação entre o cérebro e o corpo.
- Medo de ter um episódio, o que aumenta a ansiedade e piora os sintomas (círculo vicioso).
- Vergonha ou culpa, que podem levar a isolamento e depressão.
- Social (o ambiente):
- Dinâmica familiar: pais que brigam, superprotegem ou pressionam demais.
- Escola: bullying, pressão por desempenho ou falta de apoio dos professores.
- Cultura: crenças de que fazer xixi ou cocô na roupa é “falta de vergonha” ou “preguiça”.
Analogia:
Imagine que os transtornos da eliminação são como um incêndio. Para que o fogo comece, você precisa de três coisas: combustível (fatores biológicos), oxigênio (fatores psicológicos) e uma faísca (fatores sociais). Se faltar uma dessas coisas, o fogo não começa. Da mesma forma, se uma pessoa tem predisposição genética (combustível) e passa por um trauma (faísca), mas tem um ambiente familiar acolhedor (sem oxigênio), ela pode não desenvolver o transtorno. Por outro lado, se uma pessoa não tem predisposição genética, mas passa por um estresse extremo (como abuso) e não tem apoio, ela pode desenvolver sintomas.
Exemplo concreto:
Pedro tem 7 anos e faz xixi na cama 2 vezes por semana. Vamos analisar os fatores:
– Biológico: O pai de Pedro também fazia xixi na cama até os 10 anos, então há uma predisposição genética.
– Psicológico: Pedro é uma criança ansiosa e perfeccionista. Ele fica muito estressado com as provas na escola e tem medo de tirar notas baixas.
– Social: Os pais de Pedro brigam muito na frente dele, e a mãe o pressiona para “parar de fazer xixi na cama”. Isso aumenta a ansiedade dele e piora os sintomas.
Se Pedro tivesse apenas a predisposição genética, mas um ambiente tranquilo e sem estresse, talvez não desenvolvesse o problema. Da mesma forma, se ele não tivesse a predisposição genética, mas passasse por um trauma (como abuso), poderia desenvolver sintomas. É a combinação dos três fatores que leva ao transtorno.
Mitos e verdades sobre as causas
❌ Mito 1: “Fazer xixi na cama é falta de vergonha ou preguiça.”
✅ Verdade: Ninguém faz xixi ou cocô na roupa porque quer. Os transtornos da eliminação são problemas médicos, não questões de caráter. Culpar a pessoa só aumenta a vergonha e a ansiedade, piorando os sintomas.
❌ Mito 2: “Se a criança fizer cocô na calça, é porque os pais não ensinaram direito.”
✅ Verdade: O treinamento esfincteriano é importante, mas não é a única causa dos transtornos da eliminação. Muitas crianças aprendem a usar o banheiro direitinho, mas desenvolvem problemas por causa de estresse, genética ou outros fatores. Não é culpa dos pais.
❌ Mito 3: “Adultos que têm incontinência urinária são velhos ou doentes.”
✅ Verdade: A incontinência urinária pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive crianças, adolescentes e adultos jovens. Ela não é “normal” em nenhuma fase da vida e sempre merece investigação médica.
❌ Mito 4: “Se a criança fizer xixi na cama, é porque está com medo do escuro.”
✅ Verdade: O medo do escuro pode ser um fator em alguns casos, mas não é a causa principal da enurese. A maioria das crianças que fazem xixi na cama não tem medo do escuro — o problema está na comunicação entre o cérebro e a bexiga durante o sono.
❌ Mito 5: “Transtornos da eliminação são coisa de criança. Quando crescer, passa.”
✅ Verdade: É verdade que a maioria das crianças supera os transtornos da eliminação com o tempo, mas nem todas. Cerca de 1 a 2% dos adolescentes e adultos ainda têm episódios frequentes. Além disso, alguns adultos desenvolvem incontinência urinária ou fecal por causa de estresse, traumas ou outras condições médicas. Não é algo que “passa sozinho” para todo mundo.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado pode ser um alívio para muitas pessoas, porque finalmente entendem que não estão “fazendo de propósito” e que há tratamento. Mas como esse diagnóstico é feito? Vamos entender o processo passo a passo.
Passo 1: Observar os sintomas
O primeiro passo é prestar atenção nos sintomas. Se você ou alguém que você conhece está tendo episódios frequentes de xixi ou cocô em lugares inadequados, é importante anotar:
– Com que frequência os episódios acontecem (ex.: 1 vez por semana, 3 vezes por mês).
– Em que situações eles acontecem (ex.: só à noite, só quando está estressado, só em lugares barulhentos).
– Há quanto tempo os episódios vêm acontecendo (ex.: desde sempre, desde o divórcio dos pais, desde um acidente).
– Como a pessoa se sente depois dos episódios (ex.: envergonhada, culpada, indiferente).
– Se há outros sintomas associados (ex.: dor ao urinar, prisão de ventre, ansiedade, depressão).
Exemplo de anotação:
“João, 8 anos. Faz xixi na cama 1 vez por semana, há 6 meses. Acontece só quando ele está muito cansado ou estressado com a escola. Ele acorda envergonhado e esconde os lençóis sujos. Não tem outros sintomas. Os pais brigam com ele quando isso acontece.”
Essas anotações vão ajudar o médico a entender o que está acontecendo e a descartar outras condições.
Passo 2: Procurar um profissional
Os transtornos da eliminação podem ser diagnosticados por diferentes profissionais, dependendo da idade da pessoa e da gravidade dos sintomas:
- Pediatra: É o primeiro profissional a ser procurado no caso de crianças. Ele pode avaliar se há alguma causa física (como infecção urinária ou prisão de ventre) e encaminhar para outros especialistas, se necessário.
- Psiquiatra: Especialista em saúde mental, pode diagnosticar transtornos da eliminação e avaliar se há outros problemas associados, como ansiedade ou depressão. É o profissional mais indicado para adultos.
- Psicólogo: Pode ajudar a entender os fatores psicológicos e emocionais por trás dos sintomas e oferecer terapia.
- Urologista: Especialista em problemas do sistema urinário. Pode ser consultado se houver suspeita de causas físicas, como bexiga hiperativa.
- Gastroenterologista: Especialista em problemas do sistema digestivo. Pode ser consultado se houver suspeita de causas físicas para a encoprese, como prisão de ventre crônica.
- Neurologista: Pode ser consultado se houver suspeita de problemas neurológicos, como lesões na medula espinhal.
Onde procurar ajuda no Brasil?
– SUS (Sistema Único de Saúde):
– UBS (Unidade Básica de Saúde): O primeiro passo é agendar uma consulta com um clínico geral ou pediatra. Ele pode encaminhar para outros especialistas, se necessário.
– CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Para casos em que há suspeita de transtornos mentais associados, como ansiedade ou depressão.
– Hospitais universitários: Muitas universidades têm ambulatórios especializados em saúde mental infantil e adulta.
– Particular:
– Clínicas e consultórios particulares de pediatria, psiquiatria, psicologia, urologia e gastroenterologia.
– Planos de saúde: A maioria cobre consultas com esses especialistas.
Exemplo de encaminhamento no SUS:
Maria levou o filho João, de 8 anos, à UBS porque ele estava fazendo xixi na cama 1 vez por semana. O pediatra pediu exames de urina e sangue para descartar infecções e diabetes. Como os exames deram normais, ele encaminhou João para um psiquiatra infantil no CAPS. O psiquiatra conversou com João e com os pais, fez algumas perguntas e chegou ao diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado. Ele recomendou terapia comportamental e orientou os pais sobre como lidar com a situação.
Passo 3: A primeira consulta
A primeira consulta é um momento importante para entender o que está acontecendo e tirar dúvidas. Veja o que esperar:
- Conversa sobre os sintomas:
- O médico vai perguntar sobre a frequência, duração e situações em que os episódios acontecem.
- Ele também vai perguntar sobre outros sintomas, como dor, febre, alterações no apetite ou no humor.
-
No caso de crianças, os pais também serão questionados sobre o desenvolvimento, a rotina e a dinâmica familiar.
-
Histórico médico:
-
O médico vai perguntar sobre doenças prévias, cirurgias, alergias, uso de remédios e histórico familiar de transtornos da eliminação ou outras condições médicas.
-
Exame físico:
- Crianças: O médico pode examinar a região genital e anal para verificar se há sinais de irritação, infecção ou malformações.
-
Adultos: Além do exame físico, o médico pode pedir exames específicos, como ultrassom da bexiga ou do intestino.
-
Exames complementares:
- Exame de urina: Para descartar infecções urinárias.
- Exame de sangue: Para descartar diabetes ou outras condições metabólicas.
- Ultrassom: Para avaliar a bexiga, os rins ou o intestino.
- Urodinâmica: Exame que avalia o funcionamento da bexiga (mais comum em adultos).
-
Manometria anorretal: Exame que avalia o funcionamento do intestino (mais comum em casos de encoprese).
-
Avaliação psicológica:
- O médico pode perguntar sobre estresse, ansiedade, traumas ou outros problemas emocionais.
- Em alguns casos, ele pode encaminhar para um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação mais detalhada.
Exemplo de perguntas que o médico pode fazer:
– “Com que frequência isso acontece?”
– “Em que situações isso acontece?”
– “Você sente dor ou desconforto?”
– “Como você se sente depois dos episódios?”
– “Há algo que parece piorar ou melhorar os sintomas?”
– “Alguém na família já teve problemas parecidos?”
– “Você está passando por algum estresse ou mudança na vida?”
Passo 4: Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial é o processo de descartar outras condições que podem causar sintomas parecidos. Isso é importante porque alguns problemas físicos ou mentais podem se manifestar como incontinência urinária ou fecal, mas exigem tratamentos diferentes. Vamos ver algumas condições que podem ser confundidas com transtornos da eliminação não especificados:
Condições físicas:
- Infecção urinária:
- Sintomas: Dor ou ardência ao urinar, vontade frequente de fazer xixi, urina com cheiro forte ou sangue.
-
Como diferenciar: Os episódios de xixi na roupa acontecem apenas durante a infecção. Quando a infecção é tratada, os sintomas desaparecem.
-
Diabetes:
- Sintomas: Sede excessiva, fome constante, perda de peso, cansaço, vontade frequente de fazer xixi.
-
Como diferenciar: O médico pode pedir um exame de glicemia (açúcar no sangue) para descartar diabetes.
-
Prisão de ventre (constipação):
- Sintomas: Dificuldade para evacuar, fezes duras e dolorosas, sensação de evacuação incompleta.
-
Como diferenciar: A encoprese causada por prisão de ventre geralmente melhora com o tratamento da constipação. Nos transtornos da eliminação não especificados, a prisão de ventre não é a causa principal.
-
Bexiga hiperativa:
- Sintomas: Vontade súbita e incontrolável de fazer xixi, mesmo quando a bexiga não está cheia.
-
Como diferenciar: A bexiga hiperativa é mais comum em adultos e idosos. O médico pode pedir um exame de urodinâmica para confirmar o diagnóstico.
-
Doenças neurológicas:
- Exemplos: Esclerose múltipla, lesões na medula espinhal, paralisia cerebral.
- Sintomas: Além da incontinência, podem haver outros sintomas neurológicos, como fraqueza, formigamento ou dificuldade para andar.
-
Como diferenciar: O médico pode pedir exames de imagem (como ressonância magnética) para avaliar o sistema nervoso.
-
Malformações congênitas:
- Exemplos: Refluxo vesicoureteral (quando a urina volta dos ureteres para os rins), ânus imperfurado (quando o ânus não se forma corretamente).
- Sintomas: Além da incontinência, podem haver infecções urinárias recorrentes ou dificuldade para evacuar.
- Como diferenciar: O médico pode pedir exames de imagem para avaliar a anatomia do sistema urinário ou digestivo.
Condições psicológicas:
- Transtorno de ansiedade:
- Sintomas: Preocupação excessiva, medo de situações específicas, ataques de pânico, sintomas físicos como taquicardia e sudorese.
-
Como diferenciar: A incontinência urinária ou fecal pode ser um sintoma da ansiedade, não um transtorno da eliminação em si. O tratamento da ansiedade geralmente melhora os episódios.
-
Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT):
- Sintomas: Reviver um trauma através de pesadelos ou flashbacks, evitar situações que lembrem o trauma, hipervigilância.
-
Como diferenciar: A incontinência pode ser uma reação ao trauma, especialmente em casos de abuso sexual. O tratamento do TEPT geralmente melhora os sintomas.
-
Transtorno depressivo:
- Sintomas: Tristeza persistente, perda de interesse em atividades, alterações no sono e no apetite, fadiga.
-
Como diferenciar: A incontinência pode ser um sintoma da depressão, especialmente em idosos. O tratamento da depressão geralmente melhora os episódios.
-
Transtorno opositor desafiador (TOD):
- Sintomas: Comportamento desafiador, birras frequentes, recusa em seguir regras.
-
Como diferenciar: Em alguns casos, crianças com TOD podem fazer xixi ou cocô na roupa como forma de desafiar os pais. No entanto, isso é raro e geralmente acontece em situações específicas (ex.: durante uma birra).
-
Transtorno do espectro autista (TEA):
- Sintomas: Dificuldade de comunicação, comportamentos repetitivos, sensibilidade sensorial.
- Como diferenciar: Algumas crianças com TEA podem ter dificuldade para aprender a usar o banheiro ou podem fazer xixi/cocô na roupa por causa de dificuldades sensoriais (ex.: não perceber que a bexiga está cheia). O tratamento do TEA geralmente melhora os sintomas.
Passo 5: Chegando ao diagnóstico
Depois de descartar outras condições, o médico vai avaliar se os sintomas se encaixam nos critérios para transtorno da eliminação não especificado. Lembre-se de que esse diagnóstico é dado quando:
1. A pessoa tem episódios repetidos de xixi ou cocô em lugares inadequados.
2. Os episódios causam sofrimento ou prejuízo significativo na vida da pessoa.
3. Os episódios não são causados por uma condição médica ou pelo uso de substâncias.
4. Os sintomas não se encaixam perfeitamente nos critérios de outros transtornos da eliminação (como enurese ou encoprese).
Exemplo de diagnóstico:
João, 8 anos, faz xixi na cama 1 vez por semana, há 6 meses. Os episódios acontecem apenas quando ele está muito cansado ou estressado com a escola. Ele acorda envergonhado e esconde os lençóis sujos dos pais. Os exames de urina e sangue deram normais, e não há sinais de infecção ou diabetes. O médico descartou outras condições e chegou ao diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado com sintomas urinários.
Quanto tempo leva para ser diagnosticado?
O tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode variar muito, dependendo de vários fatores:
- Idade da pessoa: Crianças geralmente são diagnosticadas mais rápido, porque os pais procuram ajuda assim que percebem os sintomas. Adultos podem demorar mais para buscar tratamento, por vergonha ou por achar que “é coisa da idade”.
- Gravidade dos sintomas: Se os episódios são frequentes e causam muito sofrimento, a pessoa tende a procurar ajuda mais rápido.
- Acesso a serviços de saúde: Em regiões com poucos profissionais ou serviços de saúde mental, o diagnóstico pode demorar mais.
- Conhecimento dos pais/professores: Se os pais ou professores conhecem os transtornos da eliminação, eles tendem a procurar ajuda mais cedo.
Média de tempo:
– Crianças: Entre 3 e 6 meses após o início dos sintomas.
– Adultos: Entre 6 meses e 2 anos após o início dos sintomas.
Exemplo de trajetória:
Ana, 30 anos, começou a ter episódios de incontinência urinária depois de um assalto. No começo, ela achou que era “nervosismo” e não procurou ajuda. Com o tempo, os episódios ficaram mais frequentes, e ela passou a evitar sair de casa. Depois de 1 ano, ela finalmente procurou um urologista, que a encaminhou para um psiquiatra. O diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado veio após 3 meses de investigação.
O que esperar da primeira consulta?
A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se você não sabe o que esperar. Veja algumas dicas para se preparar:
- Leve anotações:
- Anote a frequência, duração e situações em que os episódios acontecem.
- Anote outros sintomas, como dor, febre ou alterações no humor.
-
Anote o histórico médico da família.
-
Leve exames anteriores:
-
Se você já fez exames de urina, sangue ou imagem, leve os resultados para a consulta.
-
Prepare-se para perguntas pessoais:
-
O médico pode perguntar sobre estresse, traumas, relacionamentos ou outros aspectos da sua vida. Não tenha vergonha de responder com honestidade — essas informações são importantes para o diagnóstico.
-
Tire suas dúvidas:
-
Anote suas dúvidas antes da consulta e não tenha medo de perguntar. Alguns exemplos:
- “Isso tem cura?”
- “Quais são as opções de tratamento?”
- “O que eu posso fazer em casa para melhorar?”
- “Isso vai passar sozinho?”
-
Leve um acompanhante:
-
Se você se sentir mais confortável, leve um familiar ou amigo para a consulta. Ele pode ajudar a lembrar das informações e dar apoio emocional.
-
Não tenha vergonha:
- Os profissionais de saúde estão acostumados a lidar com esses assuntos e não vão julgar você. Eles estão ali para ajudar.
Exemplo de como se preparar:
Pedro, 10 anos, vai ao psiquiatra com os pais porque faz cocô na calça 1 vez por semana. Antes da consulta, os pais anotaram:
– “Pedro faz cocô na calça 1 vez por semana, há 4 meses.”
– “Isso acontece só quando ele está muito entretido com videogame ou brincando.”
– “Ele não tem prisão de ventre, mas segura o cocô por horas.”
– “Ele fica envergonhado e chora quando isso acontece.”
– “O avô dele também tinha problemas para controlar o cocô quando criança.”
– “Pedro está passando por um momento difícil na escola porque os colegas zoam dele.”
Durante a consulta, o psiquiatra pergunta sobre a rotina de Pedro, seus hábitos alimentares e como a família lida com os episódios. Ele também pergunta se Pedro já passou por algum trauma ou estresse recente. No final, ele explica que Pedro tem um transtorno da eliminação não especificado e recomenda terapia comportamental.
Tratamento
Receber um diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado pode ser um alívio, porque finalmente há uma explicação para o que está acontecendo. Mas e agora? Como tratar? A boa notícia é que a maioria das pessoas melhora com o tratamento certo. Vamos entender as opções disponíveis.
Medicamentos
Os medicamentos não são a primeira linha de tratamento para os transtornos da eliminação não especificados, mas podem ser úteis em alguns casos, especialmente quando há outros problemas associados, como ansiedade ou bexiga hiperativa. Vamos ver as principais classes de remédios usadas:
1. Para enurese (xixi na cama):
- Desmopressina:
- O que é: Um hormônio sintético que imita o hormônio antidiurético (ADH), responsável por reduzir a produção de urina durante a noite.
- Como funciona: A desmopressina faz com que os rins produzam menos urina, reduzindo as chances de a bexiga encher demais durante o sono.
- Efeitos colaterais: Dor de cabeça, náusea, dor de estômago. Em casos raros, pode causar retenção de líquidos (inchaço).
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os efeitos são percebidos em 1 a 2 semanas.
- Duração do tratamento: O médico pode recomendar o uso por 3 a 6 meses, com redução gradual da dose.
- Importante: A desmopressina não cura a enurese, mas ajuda a controlar os sintomas enquanto a criança desenvolve o controle da bexiga. Ela deve ser usada junto com outras terapias, como o treinamento da bexiga.
Exemplo de uso:
João, 8 anos, faz xixi na cama 3 vezes por semana. O médico prescreveu desmopressina em comprimidos, para ser tomada 1 hora antes de dormir. Depois de 2 semanas, João passou a fazer xixi na cama apenas 1 vez por semana. O médico recomendou que ele continuasse tomando o remédio por mais 3 meses, enquanto fazia terapia comportamental.
- Imipramina:
- O que é: Um antidepressivo tricíclico que, em doses baixas, pode ajudar a reduzir os episódios de enurese.
- Como funciona: A imipramina relaxa a bexiga e aumenta sua capacidade, além de ter um efeito leve sobre o sono (deixa o sono mais leve, facilitando o despertar quando a bexiga está cheia).
- Efeitos colaterais: Boca seca, constipação, tontura. Em doses altas, pode causar arritmias cardíacas (por isso, é usada com cautela).
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os efeitos são percebidos em 2 a 4 semanas.
- Duração do tratamento: O médico pode recomendar o uso por 3 a 6 meses, com redução gradual da dose.
- Importante: A imipramina não é a primeira escolha para enurese, porque tem mais efeitos colaterais que a desmopressina. Ela é usada quando outros tratamentos não funcionam.
Exemplo de uso:
Maria, 10 anos, faz xixi na cama todas as noites, mesmo depois de tentar outros tratamentos. O médico prescreveu imipramina em dose baixa. Depois de 3 semanas, ela passou a fazer xixi na cama apenas 2 vezes por semana. O médico recomendou que ela continuasse tomando o remédio por mais 4 meses, enquanto fazia terapia comportamental.
2. Para encoprese (cocô na roupa):
- Laxantes:
- O que são: Remédios que ajudam a amolecer as fezes e facilitar a evacuação.
- Como funcionam: Os laxantes aumentam a quantidade de água no intestino, tornando as fezes mais moles e fáceis de eliminar.
- Tipos:
- Laxantes osmóticos (ex.: polietilenoglicol, lactulose): Atraem água para o intestino.
- Laxantes estimulantes (ex.: bisacodil, sene): Estimulam os movimentos do intestino.
- Laxantes formadores de volume (ex.: fibras): Aumentam o volume das fezes, estimulando o intestino a se movimentar.
- Efeitos colaterais: Cólicas, diarreia, gases. Em casos raros, podem causar desidratação.
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os efeitos são percebidos em 1 a 3 dias.
- Duração do tratamento: O médico pode recomendar o uso por algumas semanas ou meses, até que o intestino volte a funcionar normalmente.
- Importante: Os laxantes não devem ser usados por muito tempo sem orientação médica, porque podem causar dependência (o intestino “esquece” como funcionar sozinho).
Exemplo de uso:
Pedro, 9 anos, faz cocô na calça 2 vezes por semana porque tem prisão de ventre. O médico prescreveu polietilenoglicol (um laxante osmótico) para ser tomado todos os dias. Depois de 1 semana, Pedro passou a evacuar todos os dias, e os episódios de cocô na calça diminuíram. O médico recomendou que ele continuasse tomando o remédio por mais 2 meses, enquanto fazia terapia comportamental.
3. Para ansiedade ou depressão associadas:
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS):
- Exemplos: Fluoxetina, sertralina, escitalopram.
- O que são: Antidepressivos que aumentam os níveis de serotonina no cérebro, um neurotransmissor relacionado ao humor e à ansiedade.
- Como funcionam: Os ISRS ajudam a reduzir a ansiedade e a depressão, o que pode melhorar os sintomas dos transtornos da eliminação, especialmente em adultos.
- Efeitos colaterais: Náusea, dor de cabeça, insônia, sonolência, diminuição do desejo sexual.
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os efeitos são percebidos em 4 a 6 semanas.
- Duração do tratamento: O médico pode recomendar o uso por 6 meses a 1 ano ou mais, dependendo da resposta ao tratamento.
- Importante: Os ISRS não vicia, mas não devem ser interrompidos de uma vez. O médico vai orientar como reduzir a dose gradualmente.
Exemplo de uso:
Ana, 35 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. Ela também tem sintomas de depressão, como tristeza e falta de energia. O médico prescreveu sertralina (um ISRS) para ajudar com a ansiedade e a depressão. Depois de 6 semanas, Ana percebeu que estava menos ansiosa e que os episódios de incontinência diminuíram. O médico recomendou que ela continuasse tomando o remédio por mais 6 meses, enquanto fazia terapia.
4. Para bexiga hiperativa:
- Anticolinérgicos:
- Exemplos: Oxibutinina, tolterodina, solifenacina.
- O que são: Remédios que relaxam a bexiga, reduzindo a vontade súbita de fazer xixi.
- Como funcionam: Os anticolinérgicos bloqueiam os receptores de acetilcolina na bexiga, reduzindo as contrações involuntárias.
- Efeitos colaterais: Boca seca, constipação, visão turva, tontura.
- Tempo para fazer efeito: Geralmente, os efeitos são percebidos em 1 a 2 semanas.
- Duração do tratamento: O médico pode recomendar o uso por alguns meses, até que a bexiga volte a funcionar normalmente.
- Importante: Os anticolinérgicos não devem ser usados por pessoas com glaucoma ou problemas cardíacos graves.
Exemplo de uso:
Carlos, 40 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está em lugares lotados. O médico diagnosticou bexiga hiperativa e prescreveu oxibutinina. Depois de 2 semanas, Carlos percebeu que a vontade súbita de fazer xixi diminuiu, e os episódios de incontinência se tornaram mais raros. O médico recomendou que ele continuasse tomando o remédio por mais 3 meses, enquanto fazia fisioterapia para fortalecer a bexiga.
Psicoterapia
A psicoterapia é uma parte fundamental do tratamento dos transtornos da eliminação não especificados, especialmente em crianças. Ela ajuda a pessoa a entender e lidar com os fatores emocionais e comportamentais por trás dos sintomas. Vamos ver as principais abordagens usadas:
1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
O que é?
A TCC é uma abordagem prática e focada no presente. Ela ajuda a pessoa a identificar pensamentos, emoções e comportamentos que podem estar contribuindo para os sintomas e a desenvolver estratégias para mudá-los.
Como funciona?
– Identificação de pensamentos disfuncionais: A pessoa aprende a reconhecer pensamentos negativos ou distorcidos (ex.: “Todo mundo vai rir de mim se eu fizer xixi na cama”) e a substituí-los por pensamentos mais realistas (ex.: “Ninguém é perfeito, e isso não define quem eu sou”).
– Treinamento de habilidades: A pessoa aprende técnicas para lidar com a ansiedade, o estresse e a vergonha, como respiração profunda, relaxamento muscular e resolução de problemas.
– Exposição gradual: Em casos de evitação (ex.: evitar dormir na casa de amigos por medo de fazer xixi na cama), a pessoa é exposta gradualmente à situação temida, para aprender a lidar com ela.
– Treinamento da bexiga/intestino: A pessoa aprende a reconhecer os sinais do corpo (ex.: vontade de fazer xixi ou cocô) e a responder de forma adequada (ex.: ir ao banheiro imediatamente).
Para quem é indicada?
– Crianças, adolescentes e adultos com transtornos da eliminação.
– Pessoas com ansiedade, estresse ou traumas associados aos sintomas.
– Pessoas que evitam situações por medo de ter um episódio.
Exemplo de sessão:
João, 8 anos, faz xixi na cama 1 vez por semana e evita dormir na casa de amigos. Na terapia, ele aprende:
1. A reconhecer os sinais da bexiga: “Quando eu sinto uma pressão na barriga, é sinal de que preciso ir ao banheiro.”
2. A lidar com a vergonha: “Se eu fizer xixi na cama, não é o fim do mundo. Posso trocar os lençóis e tentar de novo.”
3. A enfrentar o medo: O terapeuta sugere que João comece dormindo na casa de um primo próximo, que ele confia. Depois, ele pode tentar dormir na casa de um amigo.
Duração do tratamento:
– Crianças: Geralmente, 12 a 20 sessões, uma vez por semana.
– Adultos: Geralmente, 12 a 24 sessões, uma vez por semana.
2. Terapia comportamental
O que é?
A terapia comportamental é focada em mudar comportamentos específicos que podem estar contribuindo para os sintomas. Ela é muito usada em crianças com enurese ou encoprese.
Como funciona?
– Treinamento da bexiga: A criança aprende a reconhecer os sinais da bexiga e a ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade.
– Treinamento do intestino: A criança aprende a reconhecer os sinais do intestino e a ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade.
– Reforço positivo: A criança recebe elogios ou recompensas (ex.: adesivos, brinquedos) quando consegue controlar a eliminação.
– Alarme para enurese: Um dispositivo que toca quando a criança começa a fazer xixi na cama, ajudando-a a acordar e ir ao banheiro. Com o tempo, a criança aprende a reconhecer os sinais da bexiga e a acordar sozinha.
Para quem é indicada?
– Crianças com enurese ou encoprese.
– Crianças que evitam ir ao banheiro por medo ou preguiça.
Exemplo de treinamento da bexiga:
Maria, 7 anos, faz xixi na cama 2 vezes por semana. O terapeuta sugere:
1. Horários regulares: Maria deve ir ao banheiro a cada 2 horas durante o dia, mesmo que não esteja com vontade.
2. Antes de dormir: Maria deve ir ao banheiro logo antes de dormir e evitar beber líquidos 1 hora antes.
3. Reforço positivo: Toda vez que Maria consegue passar a noite sem fazer xixi na cama, ela ganha um adesivo. Quando juntar 10 adesivos, ela pode escolher um brinquedo.
Duração do tratamento:
– Geralmente, 4 a 12 semanas, com sessões semanais.
3. Terapia familiar
O que é?
A terapia familiar envolve todos os membros da família no tratamento. Ela ajuda a melhorar a comunicação, reduzir conflitos e ensinar os pais a lidar com os sintomas da criança de forma mais eficaz.
Como funciona?
– Psicoeducação: Os pais aprendem sobre os transtornos da eliminação e entendem que não é culpa da criança.
– Comunicação não violenta: Os pais aprendem a conversar com a criança sem brigar ou culpar, usando frases como “Eu sei que você não faz de propósito” em vez de “Você está fazendo isso para me irritar!”.
– Estratégias de manejo: Os pais aprendem técnicas para lidar com os episódios, como:
– Não punir a criança por fazer xixi ou cocô na roupa.
– Não fazer a criança lavar as roupas sujas como castigo (isso só aumenta a vergonha).
– Elogiar a criança quando ela consegue controlar a eliminação.
– Estabelecer uma rotina para ir ao banheiro (ex.: depois das refeições, antes de dormir).
– Resolução de conflitos: Se os pais brigam muito ou têm dificuldade para lidar com o problema, a terapia ajuda a melhorar a dinâmica familiar.
Para quem é indicada?
– Famílias com crianças ou adolescentes com transtornos da eliminação.
– Famílias com muitos conflitos ou dificuldade para lidar com os sintomas.
Exemplo de sessão:
Os pais de Pedro, 9 anos, brigam toda vez que ele faz cocô na calça. Na terapia familiar, eles aprendem:
1. A não brigar com Pedro: “Nós sabemos que você não faz de propósito. Vamos tentar entender o que está acontecendo.”
2. A elogiar Pedro: “Parabéns por ter conseguido ir ao banheiro hoje!”
3. A estabelecer uma rotina: “Vamos tentar ir ao banheiro depois do almoço e do jantar, mesmo que você não esteja com vontade.”
4. A lidar com a própria frustração: “Nós também ficamos frustrados, mas vamos tentar não descontar em você.”
Duração do tratamento:
– Geralmente, 6 a 12 sessões, uma vez por semana ou a cada 15 dias.
4. Terapia de aceitação e compromisso (ACT)
O que é?
A ACT é uma abordagem que ajuda a pessoa a aceitar os sintomas sem lutar contra eles e a se comprometer com ações que melhorem sua qualidade de vida. Ela é útil para adultos com transtornos da eliminação que sentem muita vergonha ou ansiedade.
Como funciona?
– Aceitação: A pessoa aprende a aceitar que os episódios de incontinência fazem parte da sua vida no momento, sem se culpar ou se envergonhar.
– Desfusão cognitiva: A pessoa aprende a observar seus pensamentos (ex.: “Todo mundo está olhando para mim”) sem se identificar com eles (ex.: “Eu estou tendo o pensamento de que todo mundo está olhando para mim, mas isso não significa que seja verdade”).
– Valores: A pessoa identifica o que é importante para ela (ex.: viajar, ter amigos, trabalhar) e se compromete com ações que a aproximem desses valores, mesmo que os sintomas ainda estejam presentes.
– Ação comprometida: A pessoa define metas pequenas e realistas para melhorar sua qualidade de vida, como sair de casa uma vez por semana ou dormir na casa de um amigo.
Para quem é indicada?
– Adultos com transtornos da eliminação que sentem muita vergonha ou ansiedade.
– Pessoas que evitam situações por medo de ter um episódio.
Exemplo de sessão:
Ana, 35 anos, evita sair de casa por medo de ter um episódio de incontinência urinária. Na terapia, ela aprende:
1. A aceitar os sintomas: “Eu não gosto de ter esses episódios, mas eles não definem quem eu sou.”
2. A desfazer pensamentos negativos: “Eu estou tendo o pensamento de que todo mundo vai perceber se eu tiver um episódio, mas isso não significa que seja verdade.”
3. A identificar seus valores: “Eu valorizo viajar e estar com meus amigos.”
4. A se comprometer com ações: “Vou sair de casa uma vez por semana, mesmo que esteja com medo. Vou começar indo ao mercado, que é um lugar tranquilo.”
Duração do tratamento:
– Geralmente, 12 a 24 sessões, uma vez por semana.
Mudanças no dia a dia
Além dos medicamentos e da psicoterapia, algumas mudanças na rotina podem ajudar a melhorar os sintomas dos transtornos da eliminação não especificados. Vamos ver algumas dicas práticas:
1. Exercício físico
Por que ajuda?
– Fortalece os músculos: Exercícios para o assoalho pélvico (como os exercícios de Kegel) podem ajudar a melhorar o controle da bexiga e do intestino.
– Reduz o estresse: A atividade física libera endorfinas, hormônios que melhoram o humor e reduzem a ansiedade.
– Melhora o sono: Exercícios regulares podem ajudar a regular o sono, reduzindo os episódios de enurese noturna.
Quais exercícios fazer?
– Exercícios de Kegel: Contrair os músculos do assoalho pélvico (como se estivesse segurando o xixi) por 5 segundos, relaxar por 5 segundos e repetir 10 vezes. Fazer 3 séries por dia.
– Caminhada: Caminhar 30 minutos por dia ajuda a regular o intestino e reduzir a prisão de ventre.
– Natação: É um exercício de baixo impacto que fortalece os músculos sem sobrecarregar as articulações.
– Yoga: Ajuda a reduzir o estresse e melhorar a consciência corporal.
Exemplo de rotina:
Pedro, 10 anos, faz cocô na calça 1 vez por semana. O médico recomendou:
– Exercícios de Kegel: 3 séries de 10 repetições por dia.
– Caminhada: 30 minutos por dia, depois do jantar.
– Natação: 2 vezes por semana.
2. Sono
Por que ajuda?
– Dormir bem reduz o estresse e a ansiedade, que podem piorar os sintomas dos transtornos da eliminação.
– Acordar para ir ao banheiro durante a noite pode ajudar a reduzir os episódios de enurese.
Dicas para melhorar o sono:
– Rotina regular: Ir para a cama e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
– Ambiente tranquilo: Manter o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
– Evitar telas antes de dormir: A luz azul dos celulares e tablets pode atrapalhar o sono.
– Evitar líquidos antes de dormir: Não beber líquidos 1 a 2 horas antes de dormir, para reduzir as chances de fazer xixi na cama.
– Acordar para ir ao banheiro: Se a pessoa faz xixi na cama, pode ser útil acordar uma vez durante a noite para ir ao banheiro (ex.: programar um despertador para tocar 3 horas depois de dormir).
Exemplo de rotina:
João, 8 anos, faz xixi na cama 2 vezes por semana. O médico recomendou:
– Dormir e acordar no mesmo horário todos os dias.
– Não beber líquidos 1 hora antes de dormir.
– Acordar para ir ao banheiro 3 horas depois de dormir.
3. Alimentação
Por que ajuda?
– Beber água suficiente ajuda a regular o intestino e evita a prisão de ventre.
– Evitar certos alimentos pode reduzir a irritação da bexiga ou do intestino.
Dicas para uma alimentação saudável:
– Beber água: Pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia (mais se fizer exercícios ou estiver calor).
– Comer fibras: Frutas, verduras, legumes, grãos integrais e sementes ajudam a regular o intestino.
– Evitar alimentos irritantes: Café, chá preto, refrigerantes, álcool e alimentos picantes podem irritar a bexiga e aumentar a vontade de fazer xixi.
– Evitar alimentos que prendem o intestino: Queijos, carnes vermelhas e alimentos processados podem piorar a prisão de ventre.
Exemplo de cardápio:
Maria, 35 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. O médico recomendou:
– Café da manhã: Aveia com banana e sementes de chia.
– Almoço: Arroz integral, feijão, frango grelhado e salada de alface, tomate e cenoura.
– Lanche da tarde: Iogurte natural com granola.
– Jantar: Sopa de legumes com peixe.
– Evitar: Café, refrigerante e alimentos picantes.
4. Rotina
Por que ajuda?
– Uma rotina estruturada reduz a ansiedade e ajuda a pessoa a se organizar melhor.
– Horários regulares para ir ao banheiro podem ajudar a treinar a bexiga e o intestino.
Dicas para uma rotina saudável:
– Horários para ir ao banheiro: Tentar ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade (ex.: depois das refeições, antes de dormir).
– Agenda organizada: Planejar o dia com antecedência, incluindo tempo para atividades de lazer e relaxamento.
– Tempo para o autocuidado: Reservar um tempo para cuidar de si mesmo, como tomar um banho relaxante ou ler um livro.
– Tempo para a família: Reservar um tempo para estar com a família, sem distrações (ex.: jantar juntos, brincar com os filhos).
Exemplo de rotina:
Pedro, 9 anos, faz cocô na calça 1 vez por semana. O médico recomendou:
– Ir ao banheiro depois do café da manhã, do almoço e do jantar, mesmo que não esteja com vontade.
– Brincar ao ar livre todos os dias, para reduzir o estresse.
– Jantar em família todos os dias, sem celulares ou TV.
5. Técnicas de manejo dos sintomas
Algumas técnicas podem ajudar a controlar os sintomas no momento em que eles acontecem ou a reduzir a ansiedade associada a eles.
Para incontinência urinária:
– Técnica do “segura e solta”: Quando sentir vontade de fazer xixi, contrair os músculos do assoalho pélvico (como se estivesse segurando o xixi) por 5 segundos, relaxar por 5 segundos e repetir 10 vezes. Isso pode ajudar a “segurar” até chegar ao banheiro.
– Respiração profunda: Inspirar profundamente pelo nariz, segurar por 3 segundos e expirar lentamente pela boca. Repetir 5 vezes. Isso ajuda a reduzir a ansiedade e a vontade súbita de fazer xixi.
– Distração: Quando sentir vontade de fazer xixi, distrair a mente com outra coisa (ex.: contar de trás para frente, pensar em uma música). Isso pode ajudar a “enganar” a bexiga até chegar ao banheiro.
Para incontinência fecal:
– Técnica do “empurrão suave”: Quando sentir vontade de fazer cocô, sentar no vaso sanitário e fazer uma pressão suave com os músculos abdominais (como se estivesse empurrando), sem forçar demais. Isso pode ajudar a evacuar sem dor ou desconforto.
– Massagem abdominal: Massagear a barriga no sentido horário, com movimentos suaves, para estimular o intestino.
– Postura no vaso sanitário: Apoiar os pés em um banquinho pequeno, para que os joelhos fiquem mais altos que os quadris. Isso facilita a evacuação.
Para ansiedade:
– Técnica do 5-4-3-2-1: Quando sentir ansiedade, identificar:
– 5 coisas que você vê (ex.: uma cadeira, uma planta, um quadro).
– 4 coisas que você toca (ex.: a textura da roupa, o chão, a mesa).
– 3 coisas que você ouve (ex.: o barulho do ventilador, a voz de alguém, um carro passando).
– 2 coisas que você cheira (ex.: o cheiro do café, o perfume de alguém).
– 1 coisa que você sente o gosto (ex.: o gosto da pasta de dente, o gosto da água).
Isso ajuda a “ancorar” a mente no presente e reduzir a ansiedade.
6. Tecnologia assistiva
Alguns dispositivos podem ajudar a controlar os sintomas ou a melhorar a qualidade de vida das pessoas com transtornos da eliminação.
Para enurese:
– Alarme para enurese: Um dispositivo que toca quando a criança começa a fazer xixi na cama, ajudando-a a acordar e ir ao banheiro. Com o tempo, a criança aprende a reconhecer os sinais da bexiga e a acordar sozinha.
– Absorventes noturnos: Absorventes especiais para usar à noite, que ajudam a manter a cama seca e reduzem a vergonha.
Para incontinência urinária:
– Absorventes para incontinência: Absorventes discretos que podem ser usados durante o dia, para evitar vazamentos.
– Roupas íntimas absorventes: Calcinhas ou cuecas com absorventes embutidos, que ajudam a manter a roupa seca.
– Aplicativos de lembrete: Aplicativos que lembram a pessoa de ir ao banheiro em horários regulares.
Para incontinência fecal:
– Roupas íntimas absorventes: Calcinhas ou cuecas com absorventes embutidos, que ajudam a manter a roupa limpa.
– Produtos de higiene: Lenços umedecidos e cremes para a pele, que ajudam a prevenir assaduras e irritações.
Exemplo de uso:
Maria, 40 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. Ela usa:
– Absorventes para incontinência durante o dia, para se sentir mais segura.
– Aplicativo de lembrete que a avisa a cada 2 horas para ir ao banheiro.
– Técnica do 5-4-3-2-1 quando sente ansiedade.
Convivendo com o diagnóstico
Receber um diagnóstico de transtorno da eliminação não especificado pode ser um alívio, porque finalmente há uma explicação para o que está acontecendo. Mas também pode ser um desafio, porque a pessoa precisa aprender a lidar com os sintomas no dia a dia. Vamos ver como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa quanto para seus familiares e amigos.
Para a pessoa com o diagnóstico
1. Entenda que não é sua culpa
– Os transtornos da eliminação não são culpa sua. Eles são problemas médicos, não questões de caráter ou preguiça.
– Não se culpe por ter episódios de xixi ou cocô na roupa. Isso só aumenta a vergonha e a ansiedade, piorando os sintomas.
2. Busque tratamento
– Não tenha vergonha de procurar ajuda. Quanto antes você começar o tratamento, mais rápido vai melhorar.
– Siga as orientações do médico e do terapeuta. O tratamento pode levar tempo, mas a maioria das pessoas melhora com paciência e persistência.
3. Converse sobre o que está sentindo
– Fale com alguém de confiança sobre o que está passando. Pode ser um familiar, um amigo, um terapeuta ou um grupo de apoio.
– Não guarde tudo para você. Guardar segredos só aumenta a ansiedade e o isolamento.
4. Aprenda a lidar com a vergonha
– Lembre-se: Todo mundo já passou por situações constrangedoras. Você não é a única pessoa no mundo que faz xixi ou cocô na roupa.
– Pratique a autocompaixão: Trate-se com a mesma gentileza que trataria um amigo querido. Em vez de pensar “Eu sou um fracasso”, pense “Eu estou passando por um momento difícil, mas vou superar isso.”
– Use o humor: Às vezes, rir de si mesmo pode ajudar a aliviar a tensão. Por exemplo, se você fizer xixi na cama, pode dizer “Pelo menos a cama está lavada!” (mas só faça isso se se sentir confortável).
5. Não deixe que o diagnóstico defina você
– Você é muito mais do que seus sintomas. Você tem qualidades, talentos e sonhos que vão além do transtorno da eliminação.
– Não evite viver por medo de ter um episódio. Com o tempo, você vai aprender a lidar com os sintomas e a viver uma vida plena.
6. Cuide da sua saúde mental
– Ansiedade e depressão são comuns em pessoas com transtornos da eliminação. Se você estiver se sentindo triste, ansioso ou sem esperança, procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.
– Pratique atividades que te fazem bem, como exercícios físicos, hobbies ou meditação.
7. Seja paciente consigo mesmo
– A melhora pode levar tempo. Não desanime se os sintomas não desaparecerem de uma hora para outra.
– Celebre as pequenas vitórias. Se você conseguiu dormir na casa de um amigo sem fazer xixi na cama, ou se conseguiu ir ao banheiro a tempo, isso é um progresso!
Exemplo de superação:
João, 10 anos, fazia xixi na cama 2 vezes por semana e evitava dormir na casa de amigos. Depois de começar o tratamento, ele:
– Conversou com os pais sobre o que estava sentindo.
– Começou a terapia comportamental e a usar o alarme para enurese.
– Aprendeu a lidar com a vergonha, rindo de si mesmo quando tinha um episódio.
– Não deixou que o diagnóstico o impedisse de viver. Ele continuou indo à escola, brincando com os amigos e praticando esportes.
– Celebrou as pequenas vitórias. Quando conseguiu dormir na casa de um primo sem fazer xixi na cama, ele se sentiu muito orgulhoso.
Hoje, João faz xixi na cama apenas 1 vez por mês e dorme na casa de amigos sem problemas. Ele ainda está em tratamento, mas já se sente muito melhor.
Para familiares e amigos
Se você é familiar ou amigo de alguém com transtorno da eliminação não especificado, seu apoio é fundamental para a melhora da pessoa. Mas como ajudar de forma efetiva? Vamos ver algumas dicas:
1. Não culpe a pessoa
- Não diga coisas como:
- “Você está fazendo isso de propósito!”
- “Se você se esforçasse mais, não aconteceria!”
- “Isso é falta de vergonha!”
- Lembre-se: A pessoa não tem culpa pelos episódios de xixi ou cocô na roupa. Culpar só aumenta a vergonha e a ansiedade, piorando os sintomas.
2. Não faça a pessoa se sentir envergonhada
- Não diga coisas como:
- “Todo mundo está rindo de você!”
- “Você é o único que faz isso!”
- “Isso é nojento!”
- Lembre-se: A pessoa já se sente envergonhada. Não há necessidade de aumentar esse sentimento.
3. Ofereça apoio emocional
- Diga coisas como:
- “Eu sei que você não faz de propósito.”
- “Isso não define quem você é.”
- “Estou aqui para te ajudar.”
- Mostre que você se importa. Pergunte como a pessoa está se sentindo e ouça sem julgar.
4. Ajude a pessoa a seguir o tratamento
- Incentive a pessoa a ir às consultas e a tomar os remédios, se for o caso.
- Ajude a pessoa a seguir as orientações do médico, como ir ao banheiro em horários regulares ou evitar líquidos antes de dormir.
- Elogie os progressos. Se a pessoa conseguiu controlar a eliminação por uma semana, diga “Parabéns! Estou orgulhoso de você!”
5. Não faça a pessoa lavar as roupas sujas
- Não use isso como castigo. Fazer a pessoa lavar as roupas sujas só aumenta a vergonha e a humilhação.
- Lave as roupas sujas sem comentários. Se a pessoa quiser ajudar, tudo bem, mas não force.
6. Não conte para todo mundo
- Respeite a privacidade da pessoa. Não conte para amigos, vizinhos ou parentes sem a permissão dela.
- Se a pessoa quiser contar para alguém, deixe que ela decida. Não tome essa decisão por ela.
7. Cuide de si mesmo
- Lidar com os transtornos da eliminação pode ser estressante. Não se esqueça de cuidar da sua própria saúde mental.
- Procure apoio. Converse com um terapeuta ou participe de um grupo de apoio para familiares.
- Não se culpe. Você não é responsável pelos sintomas da pessoa, e não há nada que você pudesse ter feito para evitá-los.
Exemplo de como ajudar:
Os pais de Maria, 8 anos, descobriram que ela faz cocô na calça 1 vez por semana. Eles:
– Não brigam com Maria quando isso acontece.
– Elogiam Maria quando ela consegue ir ao banheiro a tempo.
– Lavam as roupas sujas sem comentários.
– Incentivam Maria a ir ao banheiro depois das refeições.
– Conversam com Maria sobre o que ela está sentindo.
– Procuram ajuda de um terapeuta familiar para aprender a lidar com a situação.
Com o tempo, Maria se sente mais segura e os episódios de cocô na calça diminuem.
Quando os sintomas podem piorar?
Os sintomas dos transtornos da eliminação não especificados podem piorar em algumas situações. Saber identificar esses momentos pode ajudar a pessoa a se preparar e a evitar recaídas. Vamos ver algumas situações que podem desencadear ou piorar os sintomas:
1. Estresse e ansiedade
- Exemplos:
- Provas na escola ou no trabalho.
- Mudanças na rotina (ex.: mudança de escola, novo emprego).
- Conflitos familiares ou no relacionamento.
- Problemas financeiros.
- Por que piora? O estresse e a ansiedade liberam hormônios como o cortisol e a adrenalina, que podem “bagunçar” a comunicação entre o cérebro e a bexiga/intestino.
- Como lidar?
- Pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação.
- Converse sobre o que está te estressando. Guardar tudo para si só aumenta a ansiedade.
- Mantenha uma rotina saudável, com horários regulares para dormir, comer e se exercitar.
2. Doenças físicas
- Exemplos:
- Infecções urinárias.
- Prisão de ventre.
- Gripe ou resfriado.
- Por que piora? Doenças físicas podem irritar a bexiga ou o intestino, aumentando a vontade de fazer xixi ou cocô.
- Como lidar?
- Trate a doença física assim que os sintomas aparecerem.
- Beba bastante água para ajudar o corpo a se recuperar.
- Descanse e evite atividades estressantes até se sentir melhor.
3. Mudanças na rotina
- Exemplos:
- Viagens.
- Férias.
- Mudança de casa.
- Por que piora? Mudanças na rotina podem aumentar a ansiedade e desregular os horários de ir ao banheiro.
- Como lidar?
- Mantenha alguns hábitos da rotina, como horários para dormir e comer.
- Leve absorventes ou roupas íntimas absorventes para se sentir mais seguro.
- Planeje com antecedência. Se for viajar, procure saber onde ficam os banheiros no caminho.
4. Traumas ou eventos emocionais
- Exemplos:
- Abuso físico ou sexual.
- Acidentes ou assaltos.
- Perda de um ente querido.
- Por que piora? Traumas podem causar uma desconexão entre o cérebro e o corpo, fazendo com que a pessoa perca o controle da eliminação.
- Como lidar?
- Procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. Terapia pode ajudar a processar o trauma.
- Não guarde tudo para si. Converse com alguém de confiança sobre o que está sentindo.
- Seja paciente consigo mesmo. Superar um trauma leva tempo.
5. Puberdade e adolescência
- Exemplos:
- Mudanças hormonais.
- Pressão social e bullying.
- Primeiros relacionamentos amorosos.
- Por que piora? A puberdade é uma fase de muitas mudanças físicas e emocionais, que podem aumentar a ansiedade e piorar os sintomas.
- Como lidar?
- Converse sobre as mudanças. Se você é adolescente, converse com seus pais ou um adulto de confiança sobre o que está sentindo.
- Não se compare aos outros. Cada pessoa se desenvolve no seu próprio tempo.
- Procure ajuda se precisar. Se os sintomas estiverem te atrapalhando, converse com um médico ou psicólogo.
6. Gravidez e pós-parto
- Exemplos:
- Mudanças hormonais.
- Pressão do útero sobre a bexiga.
- Estresse e ansiedade com a chegada do bebê.
- Por que piora? A gravidez e o pós-parto são fases de muitas mudanças físicas e emocionais, que podem afetar o controle da bexiga e do intestino.
- Como lidar?
- Faça exercícios para o assoalho pélvico, como os exercícios de Kegel.
- Beba bastante água e coma alimentos ricos em fibras para evitar a prisão de ventre.
- Converse com seu médico sobre qualquer sintoma que esteja te incomodando.
7. Envelhecimento
- Exemplos:
- Perda de elasticidade da bexiga.
- Doenças crônicas (ex.: diabetes, Parkinson).
- Uso de medicamentos que afetam a bexiga ou o intestino.
- Por que piora? Com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças que podem afetar o controle da eliminação.
- Como lidar?
- Faça exercícios para o assoalho pélvico regularmente.
- Beba bastante água e evite alimentos que irritam a bexiga.
- Converse com seu médico sobre qualquer sintoma novo.
Exemplo de como lidar com uma piora:
Ana, 35 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. Ela está passando por um momento difícil no trabalho, e os episódios pioraram. Para lidar com isso, ela:
– Conversou com seu terapeuta sobre o que está sentindo.
– Começou a praticar meditação para reduzir a ansiedade.
– Levou absorventes para o trabalho para se sentir mais segura.
– Conversou com seu chefe sobre a possibilidade de trabalhar em casa alguns dias, para reduzir o estresse.
Com o tempo, Ana se sente mais calma e os episódios de incontinência diminuem.
Perguntas frequentes
Quando recebemos um diagnóstico como esse, é normal ter muitas dúvidas. Vamos responder às perguntas mais comuns que pacientes e familiares fazem sobre os transtornos da eliminação não especificados.
1. “Meu filho faz xixi na cama. Isso é normal?”
Resposta:
Depende da idade e da frequência. Fazer xixi na cama é normal em crianças pequenas, porque elas ainda estão aprendendo a controlar a bexiga. A maioria das crianças consegue controlar o xixi durante o dia aos 2-3 anos e durante a noite aos 3-5 anos. No entanto, se a criança tem mais de 5 anos e faz xixi na cama 2 ou mais vezes por semana, por 3 meses ou mais, pode ser enurese.
Nos transtornos da eliminação não especificados, a criança pode fazer xixi na cama com menos frequência (ex.: 1 vez por semana), mas ainda assim sofrer com vergonha ou evitar situações sociais. O mais importante não é só a frequência, mas o impacto na vida da criança.
Exemplo:
– Normal: Uma criança de 4 anos que faz xixi na cama 1 vez por mês porque ainda está aprendendo a controlar a bexiga.
– Transtorno da eliminação não especificado: Uma criança de 7 anos que faz xixi na cama 1 vez por semana, evita dormir na casa de amigos e chora de vergonha.
O que fazer?
– Não brigue com a criança. Isso só aumenta a vergonha e a ansiedade.
– Converse com um pediatra. Ele pode avaliar se há alguma causa física (como infecção urinária) e encaminhar para um especialista, se necessário.
– Estabeleça uma rotina. Incentive a criança a ir ao banheiro antes de dormir e evite líquidos 1 hora antes.
2. “Meu filho faz cocô na calça. É preguiça ou birra?”
Resposta:
Não é preguiça nem birra. Fazer cocô na calça é um problema médico, não uma questão de comportamento. A maioria das crianças consegue controlar o cocô aos 2-4 anos, mas algumas podem ter dificuldade por vários motivos:
– Prisão de ventre: A criança segura o cocô por tanto tempo que ele fica duro e doloroso para sair. Quando finalmente sai, pode vazar ao redor das fezes duras.
– Ansiedade ou estresse: Mudanças na rotina (como o nascimento de um irmão ou mudança de escola) podem desencadear episódios de cocô na calça.
– Dificuldade para reconhecer os sinais do corpo: Algumas crianças não percebem quando o intestino está cheio, especialmente se estão muito entretidas com outras atividades.
– Medo de ir ao banheiro: Algumas crianças têm medo do vaso sanitário, da descarga ou de evacuar em lugares públicos.
Exemplo:
– Normal: Uma criança de 3 anos que faz cocô na calça uma vez porque estava brincando e não quis parar para ir ao banheiro.
– Transtorno da eliminação não especificado: Uma criança de 6 anos que faz cocô na calça 1 vez por semana, mesmo sem ter prisão de ventre, e que chora de vergonha quando isso acontece.
O que fazer?
– Não brigue com a criança. Isso só aumenta a vergonha e a ansiedade.
– Converse com um pediatra. Ele pode avaliar se há prisão de ventre ou outras causas físicas.
– Estabeleça uma rotina. Incentive a criança a ir ao banheiro depois das refeições, mesmo que não esteja com vontade.
– Elogie a criança quando ela conseguir ir ao banheiro a tempo.
3. “Adultos também podem ter transtornos da eliminação?”
Resposta:
Sim! Embora os transtornos da eliminação sejam mais comuns em crianças, adultos também podem ter esses problemas, especialmente em situações de estresse, ansiedade ou após traumas. Alguns exemplos:
– Incontinência urinária: Perda involuntária de urina, que pode acontecer ao tossir, rir, fazer exercícios ou em situações de estresse.
– Incontinência fecal: Perda involuntária de fezes, que pode acontecer em situações de ansiedade ou após cirurgias na região pélvica.
– Enurese noturna: Fazer xixi na cama durante o sono, que pode acontecer em adultos com bexiga hiperativa ou após traumas.
Por que acontece em adultos?
– Estresse e ansiedade: Situações como problemas no trabalho, dificuldades financeiras ou traumas (como abuso ou acidentes) podem desencadear episódios de incontinência.
– Doenças físicas: Diabetes, esclerose múltipla, Parkinson e outras doenças podem afetar o controle da bexiga ou do intestino.
– Cirurgias ou lesões: Cirurgias na região pélvica (como histerectomia ou prostatectomia) ou lesões na medula espinhal podem causar incontinência.
– Envelhecimento: Com o tempo, os músculos do assoalho pélvico podem enfraquecer, levando a episódios de incontinência.
Exemplo:
– Normal: Um adulto que tem um escape de urina depois de uma crise de riso muito forte.
– Transtorno da eliminação não especificado: Um adulto que tem episódios de incontinência urinária toda vez que está ansioso, a ponto de evitar sair de casa.
O que fazer?
– Não tenha vergonha de procurar ajuda. Muitos adultos sofrem em silêncio por achar que “é coisa de criança” ou que “é normal na idade”.
– Converse com um urologista ou gastroenterologista. Ele pode avaliar se há alguma causa física e recomendar o tratamento adequado.
– Procure um psicólogo ou psiquiatra. Se os sintomas estiverem relacionados a ansiedade ou estresse, a terapia pode ajudar.
– Faça exercícios para o assoalho pélvico, como os exercícios de Kegel.
4. “Transtornos da eliminação têm cura?”
Resposta:
Sim, a maioria das pessoas melhora com o tratamento. Os transtornos da eliminação não são uma sentença de vida, e muitas pessoas conseguem controlar os sintomas ou até mesmo superá-los completamente.
Crianças:
– A maioria das crianças supera os transtornos da eliminação com o tempo, especialmente com o tratamento certo.
– Enurese: Cerca de 15% das crianças melhoram a cada ano sem tratamento. Com tratamento, a melhora é mais rápida.
– Encoprese: Cerca de 50% das crianças melhoram em 6 meses com tratamento, e 90% melhoram em 2 anos.
Adultos:
– A melhora depende da causa dos sintomas. Se a incontinência for causada por estresse ou ansiedade, o tratamento psicológico pode ajudar muito. Se for causada por uma doença física, o tratamento médico pode resolver o problema.
– Incontinência urinária: Cerca de 70-80% das pessoas melhoram com tratamento, que pode incluir medicamentos, fisioterapia ou cirurgia.
– Incontinência fecal: Cerca de 50-70% das pessoas melhoram com tratamento, que pode incluir mudanças na dieta, medicamentos ou fisioterapia.
O que influencia a melhora?
– Idade: Crianças geralmente melhoram mais rápido que adultos.
– Causa dos sintomas: Se os sintomas forem causados por estresse ou ansiedade, o tratamento psicológico pode ajudar muito. Se forem causados por uma doença física, o tratamento médico é essencial.
– Adesão ao tratamento: Seguir as orientações do médico e do terapeuta aumenta as chances de melhora.
– Apoio da família: Ter o apoio de familiares e amigos faz toda a diferença.
Exemplo de melhora:
João, 8 anos, fazia xixi na cama 2 vezes por semana. Depois de começar o tratamento (terapia comportamental e alarme para enurese), ele passou a fazer xixi na cama apenas 1 vez por mês. Hoje, com 10 anos, ele não faz mais xixi na cama e dorme na casa de amigos sem problemas.
5. “Meu filho vai ser zoado na escola por causa disso. O que fazer?”
Resposta:
Infelizmente, o bullying é uma realidade para muitas crianças com transtornos da eliminação. Mas há várias coisas que você pode fazer para proteger seu filho e ajudá-lo a lidar com a situação:
1. Converse com a escola:
– Fale com a professora ou a coordenadora pedagógica sobre o que está acontecendo. Explique que seu filho tem um problema médico e que não é culpa dele.
– Peça para a escola tomar medidas para evitar o bullying, como conversar com os alunos sobre respeito e diversidade.
– Sugira que a escola tenha banheiros acessíveis e que permita que seu filho vá ao banheiro sempre que precisar.
2. Ensine seu filho a lidar com o bullying:
– Diga que o bullying não é culpa dele. Explique que algumas pessoas zoam os outros porque não entendem o que está acontecendo.
– Ensine frases para responder ao bullying, como:
– “Isso não é da sua conta.”
– “Eu tenho um problema médico, e não é legal zoar os outros.”
– “Se você continuar zoando, vou contar para a professora.”
– Incentive seu filho a procurar ajuda. Diga que ele pode sempre contar com você, com a professora ou com um amigo de confiança.
3. Fortaleça a autoestima do seu filho:
– Elogie as qualidades do seu filho, como inteligência, criatividade ou habilidades esportivas.
– Incentive seu filho a fazer atividades que goste, como esportes, música ou arte.
– Mostre que você o ama incondicionalmente. Diga que você está orgulhoso dele, independentemente dos sintomas.
4. Procure ajuda profissional:
– Converse com um psicólogo. Ele pode ajudar seu filho a lidar com a vergonha e a ansiedade causadas pelo bullying.
– Converse com um pediatra. Ele pode encaminhar seu filho para um especialista, se necessário.
Exemplo de como lidar com o bullying:
Pedro, 9 anos, faz cocô na calça 1 vez por semana. Os colegas da escola começaram a zoar ele, chamando-o de “Pedro cocô”. Os pais de Pedro:
– Conversaram com a professora, que explicou para a turma que Pedro tem um problema médico e que não é legal zoar os outros.
– Ensinaram Pedro a responder ao bullying, dizendo “Isso não é da sua conta” ou “Se você continuar zoando, vou contar para a professora.”
– Elogiaram Pedro por suas qualidades, como ser bom em matemática e no futebol.
– Levaram Pedro ao psicólogo, que o ajudou a lidar com a vergonha e a ansiedade.
Com o tempo, os colegas pararam de zoar Pedro, e ele se sentiu mais seguro na escola.
6. “Posso dar remédio para meu filho sem consultar um médico?”
Resposta:
Não. Nunca dê remédio para seu filho (ou para você) sem consultar um médico. Alguns remédios podem ter efeitos colaterais graves ou piorar os sintomas.
Por que não?
– Alguns remédios podem ser perigosos. Por exemplo, laxantes em excesso podem causar desidratação ou dependência (o intestino “esquece” como funcionar sozinho).
– Alguns remédios podem interagir com outros medicamentos. Por exemplo, alguns antidepressivos não podem ser tomados com certos remédios para pressão alta.
– Alguns remédios podem mascarar outros problemas. Por exemplo, dar um remédio para prisão de ventre sem investigar a causa pode atrasar o diagnóstico de uma doença mais grave.
O que fazer?
– Converse com um pediatra ou médico de família. Ele pode avaliar se há necessidade de remédio e qual é o mais seguro.
– Siga as orientações do médico. Não aumente ou diminua a dose por conta própria.
– Não use remédios caseiros ou “milagrosos”. Alguns chás ou receitas da internet podem ser perigosos.
Exemplo do que NÃO fazer:
Os pais de Maria, 7 anos, deram um laxante para ela porque ela estava fazendo cocô na calça. O laxante fez efeito rápido, mas depois Maria ficou com diarreia e desidratada. Os pais levaram Maria ao hospital, onde descobriram que ela tinha uma infecção intestinal. O médico explicou que o laxante piorou a infecção.
7. “Meu filho não quer ir ao psicólogo. O que fazer?”
Resposta:
É normal que algumas crianças (e até adultos) tenham resistência em ir ao psicólogo. Elas podem achar que “não têm nada de errado” ou que “psicólogo é coisa de louco”. Mas há várias coisas que você pode fazer para incentivar seu filho a ir:
1. Explique o que é a terapia:
– Diga que o psicólogo é um “médico das emoções”. Ele ajuda as pessoas a se sentirem melhor quando estão tristes, ansiosas ou com medo.
– Dê exemplos de pessoas que vão ao psicólogo, como atletas, artistas ou até mesmo outros membros da família.
– Explique que a terapia é confidencial. O que seu filho falar com o psicólogo fica entre eles (a menos que haja risco de vida).
2. Escolha um psicólogo que seu filho goste:
– Peça indicações. Converse com amigos, familiares ou o pediatra do seu filho para encontrar um psicólogo que trabalhe bem com crianças.
– Deixe seu filho participar da escolha. Se possível, mostre fotos ou vídeos do psicólogo para seu filho ver como ele é.
– Escolha um psicólogo com abordagem lúdica. Alguns psicólogos usam jogos, desenhos ou brincadeiras para trabalhar com crianças.
3. Vá junto na primeira consulta:
– A primeira consulta pode ser assustadora. Ir junto com seu filho pode deixá-lo mais seguro.
– Depois da primeira consulta, pergunte ao seu filho o que achou. Se ele não gostou, converse com o psicólogo para ver se há outra abordagem.
4. Não force, mas não desista:
– Se seu filho se recusar a ir, não force. Isso pode criar uma resistência ainda maior.
– Tente novamente depois de alguns dias. Diga que você entende que ele está com medo, mas que o psicólogo pode ajudá-lo a se sentir melhor.
– Se seu filho continuar resistente, converse com o psicólogo. Ele pode sugerir outras formas de abordar o problema, como terapia familiar ou orientação aos pais.
Exemplo de como incentivar:
João, 10 anos, não queria ir ao psicólogo. Os pais dele:
– Explicaram que o psicólogo é um “médico das emoções” e que ele ajuda as pessoas a se sentirem melhor.
– Mostraram fotos do psicólogo e disseram que ele gosta de brincar com as crianças.
– Foram junto na primeira consulta e depois perguntaram a João o que ele achou.
– Elogiaram João por ter ido à consulta, mesmo que ele não tenha gostado muito.
Com o tempo, João começou a gostar das consultas e a se abrir com o psicólogo.
8. “Quanto tempo dura o tratamento?”
Resposta:
O tempo de tratamento varia muito, dependendo da idade da pessoa, da gravidade dos sintomas e da causa do problema. Vamos ver alguns exemplos:
Crianças:
– Enurese: Geralmente, o tratamento dura 3 a 6 meses. Cerca de 70% das crianças melhoram nesse período.
– Encoprese: Geralmente, o tratamento dura 6 a 12 meses. Cerca de 50% das crianças melhoram em 6 meses, e 90% melhoram em 2 anos.
– Transtorno da eliminação não especificado: O tratamento pode durar alguns meses a 1 ano, dependendo da resposta da criança.
Adultos:
– Incontinência urinária ou fecal: O tratamento pode durar alguns meses a 1 ano ou mais, dependendo da causa e da resposta ao tratamento.
– Transtorno da eliminação não especificado: O tratamento pode durar alguns meses a 1 ano, dependendo da resposta da pessoa.
O que influencia a duração do tratamento?
– Idade: Crianças geralmente melhoram mais rápido que adultos.
– Causa dos sintomas: Se os sintomas forem causados por estresse ou ansiedade, o tratamento psicológico pode ajudar mais rápido. Se forem causados por uma doença física, o tratamento médico pode levar mais tempo.
– Adesão ao tratamento: Seguir as orientações do médico e do terapeuta aumenta as chances de melhora mais rápida.
– Apoio da família: Ter o apoio de familiares e amigos faz toda a diferença.
Exemplo de duração do tratamento:
Maria, 8 anos, fazia xixi na cama 2 vezes por semana. Depois de começar o tratamento (terapia comportamental e alarme para enurese), ela:
– 1º mês: Fez xixi na cama 1 vez por semana.
– 3º mês: Fez xixi na cama 1 vez a cada 15 dias.
– 6º mês: Não fez mais xixi na cama.
Hoje, Maria não precisa mais do tratamento, mas continua indo ao banheiro antes de dormir e evitando líquidos 1 hora antes.
9. “Posso tratar em casa, sem remédio?”
Resposta:
Sim! Muitas pessoas melhoram sem remédios, apenas com mudanças na rotina, terapia e apoio da família. Vamos ver algumas estratégias que podem ajudar:
Para enurese (xixi na cama):
– Alarme para enurese: Um dispositivo que toca quando a criança começa a fazer xixi na cama, ajudando-a a acordar e ir ao banheiro.
– Treinamento da bexiga: Incentivar a criança a ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade.
– Evitar líquidos antes de dormir: Não beber líquidos 1 a 2 horas antes de dormir.
– Reforço positivo: Elogiar a criança quando ela conseguir passar a noite sem fazer xixi na cama.
Para encoprese (cocô na calça):
– Treinamento do intestino: Incentivar a criança a ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade.
– Dieta rica em fibras: Frutas, verduras, legumes e grãos integrais ajudam a regular o intestino.
– Beber bastante água: Pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia.
– Reforço positivo: Elogiar a criança quando ela conseguir ir ao banheiro a tempo.
Para incontinência urinária ou fecal em adultos:
– Exercícios de Kegel: Fortalecem os músculos do assoalho pélvico, melhorando o controle da bexiga e do intestino.
– Treinamento da bexiga/intestino: Ir ao banheiro em horários regulares, mesmo que não esteja com vontade.
– Dieta equilibrada: Evitar alimentos que irritam a bexiga (como café, álcool e alimentos picantes) e comer alimentos ricos em fibras.
– Técnicas de relaxamento: Respiração profunda, meditação ou yoga podem ajudar a reduzir a ansiedade, que pode piorar os sintomas.
Exemplo de tratamento em casa:
Pedro, 9 anos, fazia cocô na calça 1 vez por semana. Os pais dele:
– Estabeleceram uma rotina: Pedro passou a ir ao banheiro depois do café da manhã, do almoço e do jantar, mesmo que não estivesse com vontade.
– Mudaram a dieta: Pedro passou a comer mais frutas, verduras e grãos integrais e a beber mais água.
– Elogiaram Pedro quando ele conseguiu ir ao banheiro a tempo.
Depois de 3 meses, Pedro passou a fazer cocô na calça apenas 1 vez por mês.
10. “O que fazer se os sintomas não melhorarem?”
Resposta:
Se os sintomas não melhorarem depois de alguns meses de tratamento, é importante reavaliar a abordagem. Algumas coisas que você pode fazer:
1. Converse com o médico:
– Pergunte se há outras opções de tratamento. Por exemplo, se a terapia comportamental não estiver funcionando, o médico pode sugerir medicamentos ou outras abordagens.
– Pergunte se há necessidade de mais exames. Às vezes, os sintomas podem ser causados por uma condição médica que não foi diagnosticada.
– Pergunte se há necessidade de encaminhamento para um especialista. Por exemplo, se a enurese não melhorar, o médico pode encaminhar para um urologista.
2. Reavalie o tratamento:
– Você está seguindo as orientações do médico e do terapeuta? Às vezes, os sintomas não melhoram porque a pessoa não está seguindo o tratamento corretamente.
– O tratamento está adequado para a causa dos sintomas? Por exemplo, se os sintomas forem causados por ansiedade, a terapia cognitivo-comportamental pode ser mais eficaz que a terapia comportamental.
– O tratamento está sendo feito pelo tempo necessário? Alguns tratamentos, como os exercícios de Kegel, podem levar meses para fazer efeito.
3. Procure uma segunda opinião:
– Se você não estiver satisfeito com o tratamento, procure outro profissional. Às vezes, uma segunda opinião pode trazer novas perspectivas.
– Converse com outros pais ou pacientes. Grupos de apoio podem ser uma boa fonte de informações e indicações.
4. Não desista:
– A melhora pode levar tempo. Não desanime se os sintomas não desaparecerem de uma hora para outra.
– Celebre as pequenas vitórias. Mesmo que os sintomas não tenham desaparecido completamente, qualquer melhora é um progresso.
Exemplo de reavaliação:
João, 8 anos, fazia xixi na cama 2 vezes por semana. Depois de 3 meses de terapia comportamental e alarme para enurese, ele ainda fazia xixi na cama 1 vez por semana. Os pais de João:
– Conversaram com o pediatra, que sugeriu adicionar desmopressina (um remédio para enurese) ao tratamento.
– Reavaliaram a rotina de João, percebendo que ele estava bebendo muito líquido antes de dormir.
– Procuraram um urologista, que pediu um exame de urodinâmica para avaliar o funcionamento da bexiga.
Depois de ajustar o tratamento, João passou a fazer xixi na cama apenas 1 vez por mês.
Quando procurar ajuda urgente
A maioria dos casos de transtornos da eliminação não especificados não é uma emergência, mas há algumas situações em que é importante procurar ajuda médica imediatamente. Vamos ver os sinais de alerta:
Sinais de alerta em crianças:
- Dor intensa:
- Dor forte ao urinar ou evacuar.
- Dor abdominal intensa.
- Sangue na urina ou nas fezes:
- Urina com sangue ou cor escura.
- Fezes com sangue ou pretas (como borra de café).
- Febre alta:
- Febre acima de 38,5°C, especialmente se acompanhada de calafrios ou mal-estar.
- Vômitos persistentes:
- Vômitos que não param, especialmente se a criança não conseguir manter líquidos no estômago.
- Inchaço abdominal:
- Barriga muito inchada e dura, especialmente se a criança não conseguir evacuar ou eliminar gases.
- Perda de peso:
- Perda de peso sem motivo aparente.
- Mudanças no comportamento:
- Choro excessivo, irritabilidade ou letargia (sonolência excessiva).
- Recusa em comer ou beber.
O que fazer?
– Leve a criança ao pronto-socorro imediatamente.
– Não dê remédios por conta própria, a menos que orientado por um médico.
Exemplo de emergência:
Maria, 6 anos, faz cocô na calça 1 vez por semana. Um dia, ela começou a ter dor abdominal intensa, febre e vômitos. Os pais a levaram ao pronto-socorro, onde descobriram que ela tinha uma obstrução intestinal. Maria precisou ser operada.
Sinais de alerta em adultos:
- Dor intensa:
- Dor forte ao urinar ou evacuar.
- Dor abdominal intensa, especialmente se acompanhada de náuseas ou vômitos.
- Sangue na urina ou nas fezes:
- Urina com sangue ou cor escura.
- Fezes com sangue ou pretas (como borra de café).
- Febre alta:
- Febre acima de 38,5°C, especialmente se acompanhada de calafrios ou mal-estar.
- Incapacidade de urinar ou evacuar:
- Não conseguir fazer xixi ou cocô por mais de 12 horas, especialmente se acompanhado de dor ou inchaço abdominal.
- Tontura ou desmaio:
- Tontura intensa, desmaio ou confusão mental.
- Perda de peso:
- Perda de peso sem motivo aparente.
- Pensamentos suicidas:
- Pensamentos de morte ou desejo de se machucar.
O que fazer?
– Procure um pronto-socorro imediatamente.
– Se tiver pensamentos suicidas, ligue para o CVV (188) ou procure ajuda de um profissional de saúde mental.
Exemplo de emergência:
Carlos, 40 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansioso. Um dia, ele começou a ter dor intensa ao urinar, febre e urina com sangue. Ele foi ao pronto-socorro, onde descobriram que ele tinha uma infecção urinária grave. Carlos precisou ser internado para tomar antibióticos na veia.
Sinais de alerta psicológicos:
- Isolamento social:
- Evitar contato com amigos e familiares por vergonha ou medo.
- Recusar-se a sair de casa.
- Depressão:
- Tristeza persistente, perda de interesse em atividades, alterações no sono e no apetite.
- Sentimentos de desesperança ou culpa excessiva.
- Ansiedade intensa:
- Preocupação excessiva, ataques de pânico, sintomas físicos como taquicardia e sudorese.
- Pensamentos suicidas:
- Pensamentos de morte ou desejo de se machucar.
O que fazer?
– Procure um psicólogo ou psiquiatra imediatamente.
– Se tiver pensamentos suicidas, ligue para o CVV (188) ou procure ajuda de um profissional de saúde mental.
– Converse com alguém de confiança sobre o que está sentindo.
Exemplo de emergência psicológica:
Ana, 35 anos, tem episódios de incontinência urinária quando está ansiosa. Depois de um divórcio difícil, ela começou a se isolar em casa, recusando-se a sair ou falar com os amigos. Ela também passou a ter pensamentos suicidas. A irmã de Ana a levou a um psiquiatra, que diagnosticou depressão e recomendou internação para tratamento.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2022. Disponível em: https://icd.who.int/
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Saúde Mental na Infância e Adolescência. 2020.
- Sociedade Brasileira de Urologia. Enurese Noturna: Guia Prático. 2019.
- Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Encoprese: Orientações para Pais e Cuidadores. 2021.
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Bedwetting (Enuresis). 2020. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/
- Mayo Clinic. Urinary Incontinence. 2021. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/
- Harvard Health Publishing. Fecal Incontinence. 2020. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.