Transtornos hipercinéticos (CID-10: F90)

O que é?

Imagine que o cérebro é como um carro. Na maioria das pessoas, esse carro tem um freio que funciona bem: quando precisamos prestar atenção numa aula, conversar com alguém ou fazer uma tarefa chata, conseguimos “pisar no freio” dos nossos impulsos e nos concentrar. Agora, pense num carro cujo freio está com problemas. Ele até consegue andar, mas fica difícil controlar a velocidade, mudar de direção quando necessário e parar no lugar certo. É mais ou menos assim que funciona o cérebro de uma criança (ou adulto) com transtorno hipercinético.

Os transtornos hipercinéticos são um grupo de condições que começam cedo na vida – geralmente antes dos 5 anos – e fazem com que a pessoa tenha muita dificuldade para se concentrar, ficar parada e controlar seus impulsos. O nome pode parecer complicado, mas “hipercinético” vem do grego e significa literalmente “movimento em excesso”. No dia a dia, a gente costuma chamar isso de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), que é o nome mais conhecido atualmente.

É importante entender que não se trata de “falta de educação” ou “má vontade”. A criança não está “fazendo de propósito” para irritar os pais ou professores. O cérebro dela funciona de um jeito diferente, como se os circuitos responsáveis pelo autocontrole e pela atenção estivessem com um curto-circuito. Isso não significa que ela seja menos inteligente – muitas crianças com transtorno hipercinético são extremamente criativas e inteligentes, só têm mais dificuldade para organizar esses pensamentos e colocá-los em prática.

No Brasil, estima-se que cerca de 5% das crianças em idade escolar tenham TDAH, o que representa aproximadamente 2 milhões de crianças e adolescentes. Os meninos são diagnosticados com uma frequência 2 a 3 vezes maior que as meninas, mas isso pode acontecer porque nas meninas os sintomas costumam ser diferentes – elas tendem a ser mais desatentas do que hiperativas, o que muitas vezes passa despercebido. Mundialmente, a prevalência é semelhante, afetando cerca de 5-7% das crianças e 2-5% dos adultos.

Historicamente, esse transtorno já recebeu vários nomes. No início do século XX, era chamado de “lesão cerebral mínima”. Depois, nos anos 1960, passou a ser conhecido como “disfunção cerebral mínima”. O termo “transtorno hipercinético” apareceu na CID-9, e hoje o mais usado é TDAH, que reflete melhor a combinação de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. O importante é entender que, independentemente do nome, estamos falando de uma condição real, com bases biológicas, que causa sofrimento significativo quando não é tratada adequadamente.

Quais são os sintomas?

Os transtornos hipercinéticos se manifestam principalmente através de três grupos de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Para receber o diagnóstico, a pessoa precisa apresentar vários desses sintomas de forma intensa, persistente (por pelo menos 6 meses) e em mais de um ambiente (por exemplo, em casa e na escola). Ter um ou dois sintomas isoladamente não significa ter o transtorno – o que importa é o conjunto, a intensidade e o quanto isso atrapalha a vida da pessoa.

Vamos entender cada um desses grupos com exemplos do dia a dia:

Desatenção

  1. Dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas
  2. Como aparece: A criança começa a fazer a lição de casa, mas se distrai com qualquer barulho, folha voando ou pensamento que passa pela cabeça. Depois de 5 minutos, já está fazendo outra coisa.
  3. Exemplo concreto: Na escola, a professora pede para copiar um texto do quadro. A criança começa bem, mas na terceira linha já está olhando pela janela, depois brincando com o lápis, depois conversando com o colega. No final, só copiou metade e com vários erros.
  4. Normal vs. sintomático: Todo mundo se distrai às vezes, especialmente em tarefas chatas. Mas uma criança com desatenção significativa se distrai mesmo em atividades que gosta, como jogos ou desenhos animados.

  5. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra

  6. Como aparece: Os pais chamam várias vezes e a criança não responde, como se estivesse “no mundo da lua”. Às vezes, até responde algo que não tem nada a ver com o que foi perguntado.
  7. Exemplo concreto: A mãe pede para guardar os brinquedos. A criança diz “tá bom” mas continua brincando. Depois de 10 minutos, a mãe pergunta se guardou e ela responde “guardar o quê?”.
  8. Normal vs. sintomático: Crianças pequenas às vezes não escutam porque estão muito concentradas em algo. A diferença é que a criança com desatenção não escuta mesmo quando você está na frente dela falando diretamente.

  9. Não segue instruções e não termina tarefas escolares, domésticas ou deveres profissionais

  10. Como aparece: Começa várias coisas mas não termina nenhuma. Pode até entender o que precisa fazer, mas se perde no meio do caminho.
  11. Exemplo concreto: O pai pede para arrumar o quarto. A criança começa tirando os brinquedos do chão, mas no meio do caminho encontra um carrinho e começa a brincar. Depois vê um livro e começa a folhear. No final, o quarto continua bagunçado e ela está fazendo outra coisa.
  12. Normal vs. sintomático: É normal crianças deixarem tarefas pela metade às vezes. Mas quando isso acontece na maioria das vezes, mesmo com tarefas simples, pode ser um sinal.

  13. Dificuldade para organizar tarefas e atividades

  14. Como aparece: A mochila é uma bagunça, os cadernos estão incompletos, perde coisas o tempo todo. Mesmo tarefas simples viram uma confusão.
  15. Exemplo concreto: Na escola, a professora pede para fazer uma atividade com cola, tesoura e papel colorido. A criança começa a recortar sem planejar, perde a tesoura, derruba a cola, e no final o trabalho fica uma bagunça.
  16. Normal vs. sintomático: Toda criança é bagunceira em alguma fase. Mas quando a desorganização é extrema e atrapalha o dia a dia, pode ser um sintoma.

  17. Evita, não gosta ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado

  18. Como aparece: Qualquer coisa que precise de concentração por mais de alguns minutos vira uma tortura. A criança inventa desculpas para não fazer.
  19. Exemplo concreto: A lição de casa que deveria levar 20 minutos vira uma batalha de 2 horas, com choro, reclamações e procrastinação. Mesmo tarefas simples como arrumar a cama viram um drama.
  20. Normal vs. sintomático: Ninguém gosta de fazer coisas chatas. Mas quando a criança evita até atividades que gosta porque exigem concentração, pode ser um sinal.

  21. Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades

  22. Como aparece: Está sempre perdendo materiais escolares, brinquedos, chaves, celular. Às vezes encontra as coisas em lugares estranhos.
  23. Exemplo concreto: A criança perde o estojo todo dia. Já encontrou o caderno dentro da geladeira, o tênis no quintal e o dever de casa no lixo.
  24. Normal vs. sintomático: Todo mundo perde coisas às vezes. Mas quando isso acontece quase diariamente e com coisas importantes, pode ser um sintoma.

  25. É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa

  26. Como aparece: Qualquer coisa chama mais atenção do que o que deveria estar fazendo. Um barulho, um movimento, um pensamento aleatório.
  27. Exemplo concreto: Está fazendo a lição e de repente lembra que precisa regar a planta. Vai regar, vê um passarinho na janela, lembra que precisa alimentar o cachorro, e assim por diante.
  28. Normal vs. sintomático: É normal se distrair com coisas interessantes. Mas quando a distração acontece com qualquer coisa, mesmo coisas sem importância, pode ser um sinal.

  29. Apresenta esquecimento em atividades diárias

  30. Como aparece: Esquece compromissos, datas importantes, o que acabou de fazer. Parece viver “no mundo da lua”.
  31. Exemplo concreto: A mãe pede para comprar pão na padaria. A criança sai, vê um amigo, brinca um pouco, e volta para casa sem o pão e sem lembrar do que tinha ido fazer.
  32. Normal vs. sintomático: Todo mundo esquece coisas às vezes. Mas quando o esquecimento é constante e atrapalha a rotina, pode ser um sintoma.

Hiperatividade

  1. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira
  2. Como aparece: Não consegue ficar parado. Mesmo sentado, está sempre se mexendo, balançando as pernas, batucando com os dedos.
  3. Exemplo concreto: Na sala de aula, a criança parece ter formigas no corpo. Mexe as pernas, balança a cadeira, vira para todos os lados, como se não conseguisse ficar parada por mais de alguns segundos.
  4. Normal vs. sintomático: É normal crianças pequenas serem agitadas. Mas quando a agitação é constante e acontece mesmo em situações que exigem calma, pode ser hiperatividade.

  5. Abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado

  6. Como aparece: Levanta no meio da aula, da refeição, da consulta médica. Parece ter um motorzinho que não para.
  7. Exemplo concreto: No cinema, a criança não consegue ficar sentada. Levanta várias vezes para ir ao banheiro, comprar pipoca, ver o que está acontecendo lá fora.
  8. Normal vs. sintomático: Crianças pequenas têm dificuldade para ficar paradas por muito tempo. Mas quando isso acontece mesmo em situações importantes e com crianças mais velhas, pode ser um sinal.

  9. Corre ou escala em demasia, em situações impróprias

  10. Como aparece: Está sempre correndo, subindo em móveis, pulando. Parece não ter noção de perigo.
  11. Exemplo concreto: No supermercado, a criança corre pelos corredores, sobe nas prateleiras, pula nos carrinhos. Mesmo quando os pais pedem para parar, ela não consegue.
  12. Normal vs. sintomático: Crianças pequenas são naturalmente agitadas. Mas quando a agitação é extrema e acontece em situações perigosas ou inadequadas, pode ser hiperatividade.

  13. Tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer

  14. Como aparece: Mesmo em atividades que deveriam ser calmas, como desenhar ou assistir TV, a criança está sempre se mexendo, falando, fazendo barulho.
  15. Exemplo concreto: Na hora da história antes de dormir, a criança não consegue ficar parada. Mexe nos brinquedos, fala sem parar, levanta várias vezes.
  16. Normal vs. sintomático: É normal crianças pequenas terem dificuldade para ficar paradas. Mas quando isso acontece mesmo em atividades que a criança gosta, pode ser um sinal.

  17. Está “a mil” ou age como se estivesse “a todo vapor”

  18. Como aparece: Parece ter energia infinita. Os pais dizem que ela “não para nunca” e que “precisa de 48 horas num dia”.
  19. Exemplo concreto: Enquanto outras crianças estão cansadas depois de um dia na escola, essa criança parece ter acabado de acordar. Continua correndo, pulando, falando sem parar.
  20. Normal vs. sintomático: Algumas crianças são naturalmente mais agitadas. Mas quando a energia parece inesgotável e atrapalha o dia a dia, pode ser hiperatividade.

  21. Fala em demasia

  22. Como aparece: Fala sem parar, interrompe os outros, não espera sua vez de falar. Parece que as palavras saem antes mesmo de pensar.
  23. Exemplo concreto: Na sala de aula, a criança responde antes da professora terminar a pergunta. Em casa, fala sem parar, mesmo quando ninguém está prestando atenção.
  24. Normal vs. sintomático: É normal crianças falarem muito, especialmente quando estão animadas. Mas quando a fala é excessiva e atrapalha a comunicação, pode ser um sintoma.

Impulsividade

  1. Dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido concluídas
  2. Como aparece: Responde sem pensar, antes mesmo da pessoa terminar de falar. Às vezes responde algo que não tem nada a ver com a pergunta.
  3. Exemplo concreto: A professora pergunta “Quem descobriu o Brasil?”. A criança grita “Pedro Álvares Cabral!” antes mesmo da professora terminar a frase.
  4. Normal vs. sintomático: Todo mundo responde rápido às vezes. Mas quando isso acontece o tempo todo e a pessoa não consegue esperar, pode ser impulsividade.

  5. Tem dificuldade para aguardar sua vez

  6. Como aparece: Não consegue esperar na fila, interrompe jogos, quer tudo para agora. Parece não ter paciência para nada.
  7. Exemplo concreto: No parquinho, a criança não espera sua vez no escorregador. Empurra os outros para passar na frente. Em casa, não consegue esperar o almoço ficar pronto.
  8. Normal vs. sintomático: Crianças pequenas têm dificuldade para esperar. Mas quando isso acontece mesmo com crianças mais velhas e em várias situações, pode ser um sinal.

  9. Interrompe ou se intromete em assuntos alheios

  10. Como aparece: Interrompe conversas, entra no meio de jogos, mexe nas coisas dos outros sem pedir.
  11. Exemplo concreto: Os pais estão conversando e a criança interrompe várias vezes, mesmo quando não é urgente. No parquinho, entra no meio do jogo dos outros sem ser convidada.
  12. Normal vs. sintomático: É normal crianças pequenas interromperem às vezes. Mas quando isso acontece o tempo todo e a pessoa não consegue controlar, pode ser impulsividade.

É importante lembrar que todos nós temos alguns desses comportamentos às vezes. O que diferencia o transtorno é a intensidade, a frequência e o quanto isso atrapalha a vida da pessoa. Uma criança que às vezes se distrai ou fica agitada não tem necessariamente TDAH. Mas quando esses comportamentos acontecem na maioria das vezes, em vários lugares diferentes (casa, escola, casa dos avós) e causam problemas significativos, pode ser hora de procurar ajuda.

Além disso, os sintomas podem se manifestar de formas diferentes em meninos e meninas. Os meninos tendem a ser mais hiperativos e impulsivos, o que chama mais atenção. Já as meninas costumam ser mais desatentas, o que muitas vezes passa despercebido. Por isso, é comum que os meninos sejam diagnosticados mais cedo.

Como se manifesta no dia a dia?

Viver com transtorno hipercinético pode ser como tentar dirigir um carro com o volante solto: você até consegue ir para algum lugar, mas é difícil controlar a direção e a velocidade. Vamos ver como isso aparece em diferentes áreas da vida:

Na escola

A escola costuma ser o lugar onde os sintomas aparecem com mais força, porque é um ambiente que exige muita concentração, organização e controle do comportamento. Para uma criança com transtorno hipercinético, a sala de aula pode parecer um lugar cheio de distrações e regras incompreensíveis.

Dificuldades comuns:
Tarefas incompletas: A criança começa a lição, mas se distrai com qualquer coisa e não termina. No final do dia, a mochila está cheia de atividades pela metade.
Problemas com organização: O caderno é uma bagunça, com folhas amassadas, desenhos nas margens e anotações incompletas. A criança perde materiais o tempo todo.
Dificuldade para seguir regras: Mesmo sabendo as regras, a criança tem dificuldade para segui-las. Levanta no meio da aula, fala sem esperar sua vez, interrompe os colegas.
Problemas com autoridade: Não é que a criança seja rebelde – ela simplesmente não consegue controlar seus impulsos. Isso pode ser interpretado como desrespeito, quando na verdade é uma dificuldade neurológica.
Dificuldade com prazos: Deixar tudo para a última hora é comum. A criança sabe que tem uma prova na sexta, mas só vai estudar na quinta à noite, quando já está cansada e ansiosa.
Problemas sociais: Pode ser difícil fazer amigos porque a criança interrompe os jogos, não espera sua vez e às vezes age de forma impulsiva demais.

Exemplo concreto:
João tem 8 anos e está na terceira série. Na aula de matemática, a professora explica como resolver problemas de multiplicação. João começa a prestar atenção, mas depois de alguns minutos já está olhando pela janela, brincando com o lápis e conversando com o colega do lado. Quando a professora pede para fazer os exercícios, João começa o primeiro, mas se distrai com um barulho no corredor e não termina. No final da aula, ele só fez metade dos exercícios e com vários erros. A professora chama a atenção, mas João não entende por que está sempre “levando bronca” – afinal, ele tentou fazer a lição.

Nos relacionamentos

Os relacionamentos podem ser um grande desafio para pessoas com transtorno hipercinético. A impulsividade e a dificuldade para prestar atenção podem ser interpretadas como desinteresse, falta de educação ou até egoísmo.

Na família:
Conflitos constantes: Os pais podem se sentir exaustos de tanto chamar a atenção da criança. “Já falei mil vezes para guardar os brinquedos!” é uma frase comum.
Falta de rotina: A família toda fica cansada porque a criança não consegue seguir horários. Jantar, tomar banho e dormir viram uma batalha diária.
Sentimento de culpa: Os pais podem se sentir culpados, achando que estão fazendo algo errado. Afinal, todas as outras crianças parecem conseguir seguir as regras, por que a nossa não?
Irmãos: Os irmãos podem se sentir injustiçados porque a criança com transtorno hipercinético parece “levar vantagem” – afinal, ela sempre está “levando bronca” e mesmo assim não muda.

Com amigos:
Dificuldade para manter amizades: A criança pode ser muito intensa – fala demais, interrompe, não espera sua vez nos jogos. Isso pode afastar os amigos.
Bullying: Infelizmente, crianças com transtorno hipercinético são mais propensas a sofrer bullying, porque seus comportamentos chamam atenção e podem ser interpretados como “esquisitos”.
Isolamento: Algumas crianças acabam se isolando porque se sentem diferentes e não conseguem se comportar como os outros esperam.

Exemplo concreto:
Maria tem 10 anos e adora brincar com as amigas. Mas toda vez que elas estão jogando algo, Maria interrompe, não espera sua vez e às vezes até muda as regras do jogo no meio. As amigas ficam irritadas e começam a não chamar mais Maria para brincar. Maria não entende por que as amigas não gostam mais dela – afinal, ela só queria se divertir. Os pais tentam explicar que ela precisa esperar sua vez, mas Maria não consegue controlar esse impulso.

Na rotina

A rotina diária pode ser um verdadeiro desafio. Coisas que parecem simples para a maioria das pessoas – como tomar banho, escovar os dentes ou arrumar a mochila – podem virar uma batalha.

Sono:
Dificuldade para dormir: A mente não para, mesmo quando o corpo está cansado. A criança pode demorar horas para pegar no sono.
Sono agitado: Mesmo dormindo, a criança se mexe muito, fala dormindo, acorda várias vezes.
Dificuldade para acordar: De manhã, é uma luta para acordar. A criança parece sempre cansada, mesmo tendo dormido bastante.

Alimentação:
Comer rápido demais: A criança engole a comida sem mastigar direito, porque não consegue esperar.
Esquecer de comer: Às vezes, a criança está tão distraída que esquece de comer. Os pais precisam lembrar várias vezes.
Comer por impulso: Abre a geladeira e come o que vê pela frente, sem pensar se está com fome ou não.

Autocuidado:
Esquecer de escovar os dentes: Mesmo com várias lembranças, a criança esquece ou faz rápido demais.
Tomar banho de qualquer jeito: Entra e sai do banho em dois minutos, sem lavar direito.
Escolher roupas inadequadas: Sai de casa com roupas que não combinam ou inadequadas para o clima.

Exemplo concreto:
Pedro tem 7 anos e sua rotina matinal é sempre uma correria. Ele acorda atrasado porque demorou para dormir, não quer tomar café da manhã porque está com pressa, esquece de escovar os dentes e sai com a camisa do avesso. A mãe precisa correr para não perder o ônibus escolar. À noite, Pedro não quer tomar banho porque está assistindo TV. Quando finalmente vai, sai do banho em dois minutos e não quer escovar os dentes. A mãe fica exausta e se pergunta por que é tão difícil fazer as coisas mais simples.

Na saúde física

O transtorno hipercinético não afeta só a mente – o corpo também sente os efeitos. Alguns problemas físicos são comuns:

  • Acidentes: Por causa da impulsividade e da falta de atenção, a criança pode se machucar mais. Quedas, cortes, batidas são frequentes.
  • Problemas de coordenação: Algumas crianças têm dificuldade para amarrar os sapatos, andar de bicicleta ou praticar esportes que exigem coordenação motora fina.
  • Dores de cabeça: O esforço constante para se concentrar pode causar dores de cabeça.
  • Problemas gastrointestinais: A ansiedade e o estresse podem causar dores de barriga, náuseas e até vômitos.
  • Fadiga: Mesmo parecendo ter energia infinita, a criança pode se sentir exausta no final do dia, porque gastou muita energia tentando se controlar.

Exemplo concreto:
Lucas tem 9 anos e adora futebol. Mas toda vez que joga, ele se machuca. Tropeça nos próprios pés, chuta a bola com força demais e acerta o colega, cai com frequência. Os outros meninos começam a não querer Lucas no time porque ele “estraga o jogo”. Lucas fica frustrado porque adora futebol, mas não consegue jogar sem se machucar ou machucar os outros.

O que causa essa condição?

Se você está lendo isso porque acabou de receber o diagnóstico ou está acompanhando alguém que recebeu, é natural se perguntar: “Por que isso aconteceu?”. A resposta não é simples, porque o transtorno hipercinético não tem uma única causa. É como um quebra-cabeça com várias peças – algumas genéticas, outras relacionadas ao cérebro, e outras ainda ligadas ao ambiente. Vamos entender cada uma dessas peças:

Fatores genéticos

Imagine que o cérebro é como uma receita de bolo. Essa receita é passada de geração em geração, com pequenas variações. Em algumas famílias, a receita do cérebro vem com uma tendência maior para o transtorno hipercinético.

Estudos mostram que se um dos pais tem TDAH, a chance do filho ter é de cerca de 30-40%. Se os dois pais têm, essa chance sobe para 50-70%. Isso não significa que o filho vai ter com certeza, mas que a probabilidade é maior.

Como isso funciona na prática:
– Se o pai ou a mãe tem TDAH, é comum ver traços semelhantes nos filhos, mesmo que não seja o diagnóstico completo.
– Gêmeos idênticos têm mais chance de ambos terem TDAH do que gêmeos não-idênticos, o que reforça a ideia de que os genes têm um papel importante.
– Não existe “o gene do TDAH” – são vários genes que, juntos, aumentam a probabilidade.

Mito vs. Verdade:
Mito: “TDAH é coisa de família desestruturada.”
Verdade: O TDAH tem uma base genética forte. Famílias desestruturadas podem piorar os sintomas, mas não causam o transtorno.

Fatores neurobiológicos

Agora vamos entender o que acontece dentro do cérebro. Imagine que o cérebro é como uma orquestra. Em pessoas sem TDAH, todos os instrumentos tocam no ritmo certo, criando uma música harmoniosa. No cérebro com TDAH, alguns instrumentos estão desafinados ou tocam fora do ritmo.

O que está diferente no cérebro:
1. Neurotransmissores: São como mensageiros químicos que ajudam as diferentes partes do cérebro a se comunicarem. No TDAH, alguns desses mensageiros (principalmente dopamina e noradrenalina) não funcionam direito.
Analogia: É como se o cérebro tivesse um sistema de walkie-talkies com interferência. As mensagens não chegam claras ou chegam tarde.

  1. Estruturas cerebrais: Algumas áreas do cérebro são um pouco diferentes em pessoas com TDAH:
  2. Córtex pré-frontal: É como o “CEO do cérebro”, responsável pelo planejamento, controle de impulsos e tomada de decisões. No TDAH, essa área funciona de forma menos eficiente.
  3. Gânglios da base: São como os “freios do cérebro”. No TDAH, esses freios não funcionam tão bem.
  4. Cerebelo: Ajuda no controle do movimento e da atenção. Também pode ser afetado.

  5. Conexões cerebrais: O cérebro é uma rede de conexões. No TDAH, algumas dessas conexões são mais fracas, especialmente as que ligam as áreas responsáveis pela atenção e pelo controle de impulsos.

Mito vs. Verdade:
Mito: “TDAH é falta de inteligência.”
Verdade: O TDAH não tem nada a ver com inteligência. Muitas pessoas com TDAH são extremamente inteligentes, só têm dificuldade para organizar e usar essa inteligência de forma eficiente.

Fatores ambientais

O ambiente em que a criança cresce pode influenciar no desenvolvimento do TDAH, mas não é a causa principal. É como se os genes dessem a predisposição, e o ambiente decidisse se essa predisposição vai se manifestar ou não.

Fatores que podem aumentar o risco:
1. Gestação e parto:
– Tabagismo, álcool ou drogas durante a gravidez aumentam o risco.
– Parto prematuro ou baixo peso ao nascer.
– Complicações no parto que causam falta de oxigênio no cérebro.

  1. Exposição a toxinas:
  2. Chumbo (presente em algumas tintas antigas e canos de água).
  3. Pesticidas e outros produtos químicos.

  4. Ambiente familiar:

  5. Conflitos familiares constantes, violência doméstica.
  6. Pais muito permissivos ou muito autoritários.
  7. Falta de rotina e estrutura em casa.

  8. Ambiente escolar:

  9. Escolas muito rígidas ou muito permissivas.
  10. Falta de estímulo adequado para a idade.

Mito vs. Verdade:
Mito: “TDAH é causado por assistir muita TV ou jogar videogame.”
Verdade: TV e videogame não causam TDAH, mas podem piorar os sintomas em crianças que já têm o transtorno. O problema não é a tecnologia em si, mas o fato de que ela oferece estímulos rápidos e constantes, o que pode tornar ainda mais difícil para a criança se concentrar em atividades mais lentas e menos estimulantes.

Fatores da gestação e desenvolvimento

Alguns fatores que acontecem antes mesmo do nascimento podem aumentar o risco de TDAH:

  1. Genética materna: Se a mãe tem TDAH, o risco do bebê ter é maior, mesmo que ele seja adotado e criado por outra família.
  2. Estresse durante a gravidez: Mulheres que passam por muito estresse durante a gestação têm maior chance de ter filhos com TDAH.
  3. Exposição a substâncias: Como mencionado antes, álcool, tabaco e drogas durante a gravidez aumentam o risco.
  4. Infecções durante a gravidez: Algumas infecções, como rubéola, podem aumentar o risco.

Mito vs. Verdade:
Mito: “TDAH é causado por vacinas.”
Verdade: Não há nenhuma evidência científica que ligue vacinas ao TDAH. Esse é um mito perigoso que já foi completamente desmentido por vários estudos.

Modelo biopsicossocial

Na medicina moderna, entendemos que a maioria das condições de saúde é resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Com o TDAH não é diferente.

  • Biológico: Genes, funcionamento do cérebro, neurotransmissores.
  • Psicológico: Como a pessoa lida com os sintomas, sua autoestima, suas estratégias de enfrentamento.
  • Social: Ambiente familiar, escola, amigos, cultura.

É como uma receita de bolo onde cada ingrediente é importante. Se um ingrediente estiver faltando ou estiver estragado, o bolo não fica bom. No TDAH, é a combinação desses fatores que determina como os sintomas vão se manifestar e como a pessoa vai lidar com eles.

Exemplo concreto:
João tem uma predisposição genética para TDAH (fator biológico). Ele cresceu numa família onde os pais brigavam muito (fator social) e nunca aprendeu estratégias para lidar com sua impulsividade (fator psicológico). Como resultado, seus sintomas são mais intensos e causam mais problemas no dia a dia.

Maria também tem predisposição genética para TDAH, mas cresceu numa família estruturada, com rotinas claras e pais que a ensinaram estratégias para lidar com suas dificuldades. Como resultado, seus sintomas são menos intensos e ela consegue ter uma vida mais funcional.

Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno hipercinético pode ser um alívio para muitas famílias – finalmente há uma explicação para os comportamentos que causavam tanta confusão e sofrimento. Mas também pode gerar muitas dúvidas: “Como os médicos sabem que é isso? Será que não é só uma fase? Será que não estamos exagerando?”. Vamos entender passo a passo como é feito o diagnóstico:

O processo de avaliação

O diagnóstico de TDAH não é feito com um exame de sangue ou uma ressonância magnética. É um processo cuidadoso que envolve várias etapas e profissionais. Imagine que é como montar um quebra-cabeça: cada peça traz uma informação importante, e só quando todas as peças estão no lugar é que podemos ver a imagem completa.

1. Primeira consulta: a conversa inicial
Geralmente, tudo começa quando os pais percebem que algo não vai bem. A criança está tendo dificuldades na escola, em casa, com os amigos. Ou então é a própria pessoa que busca ajuda porque sente que não consegue se concentrar, controlar seus impulsos ou organizar sua vida.

Na primeira consulta, o profissional (geralmente um psiquiatra, neurologista ou psicólogo) vai fazer muitas perguntas:
– Como é o comportamento da criança em casa? Na escola? Com os amigos?
– Desde quando esses comportamentos começaram?
– Em que situações eles aparecem mais?
– Como a família lida com essas situações?
– Há histórico de TDAH ou outros transtornos mentais na família?

2. Coleta de informações de várias fontes
O diagnóstico não pode ser feito só com base no que os pais dizem. É importante ouvir outras pessoas que convivem com a criança:
Professores: Como a criança se comporta na escola? Tem dificuldade para se concentrar? Seguir regras? Fazer amigos?
Outros familiares: Avós, tios, babás – qualquer pessoa que conviva regularmente com a criança.
A própria criança: Dependendo da idade, a criança também pode dar informações importantes sobre como se sente.

3. Escalas e questionários
Os profissionais usam questionários padronizados para avaliar os sintomas. Alguns exemplos:
SNAP-IV: Um questionário com perguntas sobre desatenção, hiperatividade e impulsividade.
Escala de Conners: Avalia comportamentos específicos relacionados ao TDAH.
CBCL (Child Behavior Checklist): Avalia vários aspectos do comportamento infantil.

Esses questionários são respondidos pelos pais, professores e, em alguns casos, pela própria criança.

4. Avaliação médica
O médico vai fazer um exame físico completo para descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes:
– Problemas de visão ou audição.
– Distúrbios do sono.
– Doenças da tireoide.
– Deficiências nutricionais.
– Efeitos colaterais de medicamentos.

Em alguns casos, podem ser pedidos exames complementares, como:
– Exames de sangue.
– Eletroencefalograma (EEG).
– Ressonância magnética (em casos específicos).

5. Avaliação psicológica
Um psicólogo pode fazer testes para avaliar:
– Inteligência.
– Atenção.
– Memória.
– Habilidades sociais.
– Presença de outros transtornos, como ansiedade ou depressão.

6. Observação direta
Em alguns casos, o profissional pode observar a criança em situações do dia a dia, como na escola ou em casa.

7. Diagnóstico diferencial
Esta é uma etapa muito importante. O profissional precisa descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes:
Ansiedade: Crianças ansiosas podem ter dificuldade para se concentrar e ficar agitadas.
Depressão: Pode causar desatenção, desinteresse e agitação.
Transtorno bipolar: Pode causar hiperatividade e impulsividade, mas geralmente aparece mais tarde e tem outros sintomas associados.
Transtornos de aprendizagem: Dificuldades específicas de aprendizagem podem ser confundidas com desatenção.
Transtorno do espectro autista: Pode causar dificuldades sociais e comportamentos repetitivos.
Problemas de visão ou audição: Se a criança não enxerga ou não ouve bem, pode parecer desatenta.
Efeitos colaterais de medicamentos: Alguns remédios podem causar agitação ou desatenção.

Quanto tempo leva?

O diagnóstico não é feito em uma única consulta. Geralmente, são necessárias várias sessões para coletar todas as informações necessárias. O processo todo pode levar de algumas semanas a alguns meses, dependendo da complexidade do caso.

Exemplo concreto:
A família de Pedro procurou ajuda porque ele estava tendo muitas dificuldades na escola. Na primeira consulta, o psiquiatra fez várias perguntas sobre o comportamento de Pedro em casa e na escola. Pediu para os pais e a professora responderem a alguns questionários. Marcou uma consulta com um neurologista para descartar outras condições. Depois de algumas semanas, o psiquiatra chamou os pais para dar o diagnóstico: Pedro tinha TDAH do tipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade).

Quem pode diagnosticar?

No Brasil, vários profissionais podem fazer o diagnóstico de TDAH:
Psiquiatras: Especialistas em saúde mental. Podem diagnosticar e prescrever medicamentos.
Neurologistas: Especialistas em doenças do sistema nervoso. Também podem diagnosticar e prescrever medicamentos.
Psicólogos: Podem fazer o diagnóstico, mas não podem prescrever medicamentos. Trabalham com terapia e estratégias comportamentais.
Pediatras: Alguns pediatras têm experiência em diagnosticar TDAH, especialmente em crianças pequenas.

Importante: O diagnóstico deve ser feito por um profissional qualificado. Infelizmente, há muitos casos de diagnósticos errados, tanto por excesso quanto por falta. Um diagnóstico errado pode causar mais problemas do que soluções.

SUS vs. particular

No Brasil, é possível fazer o diagnóstico tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto por serviços particulares.

SUS:
Vantagens: Gratuito, acessível para todas as pessoas.
Desvantagens: Pode ter filas de espera longas, especialmente para especialistas como psiquiatras e neurologistas.
Como acessar: Procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O médico da UBS pode encaminhar para um especialista.

Particular:
Vantagens: Menos espera, mais tempo de consulta, possibilidade de escolher o profissional.
Desvantagens: Custo elevado. Uma consulta com psiquiatra pode custar entre R$ 300 e R$ 800.
Planos de saúde: A maioria dos planos cobre consultas com psiquiatras e psicólogos, mas pode haver limite de sessões.

O que esperar da primeira consulta

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, especialmente se você não sabe o que esperar. Vamos desmistificar:

  1. Chegue cedo: A primeira consulta geralmente é mais longa, então é bom chegar com antecedência para preencher formulários.
  2. Leve informações: Anotações sobre o comportamento da criança, histórico médico, medicamentos que ela toma, histórico familiar.
  3. Seja honesto: Não tente “melhorar” ou “piorar” os sintomas. O profissional precisa de informações reais para fazer um diagnóstico correto.
  4. Faça perguntas: Anote suas dúvidas antes da consulta e não tenha vergonha de perguntar.
  5. Não espere respostas imediatas: O diagnóstico geralmente não é dado na primeira consulta. O profissional vai precisar de mais informações.

Exemplo de perguntas para fazer na primeira consulta:
– Quais são os próximos passos no processo de diagnóstico?
– Quanto tempo geralmente leva para chegar a um diagnóstico?
– Quais são as opções de tratamento?
– O que podemos fazer em casa para ajudar?
– Há algum material de leitura que você recomenda?

Diagnóstico diferencial: o que pode ser confundido com TDAH?

Como mencionamos antes, vários transtornos e condições podem causar sintomas semelhantes aos do TDAH. Vamos entender melhor:

  1. Ansiedade
  2. Semelhanças: Dificuldade para se concentrar, agitação, irritabilidade.
  3. Diferenças: Na ansiedade, a desatenção geralmente está relacionada a preocupações excessivas. A criança pode parecer desatenta porque está pensando em seus medos.
  4. Exemplo: Uma criança com ansiedade pode ter dificuldade para se concentrar na prova porque está preocupada em tirar nota baixa.

  5. Depressão

  6. Semelhanças: Desatenção, desinteresse, agitação ou lentidão.
  7. Diferenças: Na depressão, geralmente há outros sintomas como tristeza persistente, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, alterações no sono e no apetite.
  8. Exemplo: Uma criança deprimida pode parecer desatenta na aula porque não tem energia para prestar atenção, não porque não consegue se concentrar.

  9. Transtorno bipolar

  10. Semelhanças: Hiperatividade, impulsividade, dificuldade para se concentrar.
  11. Diferenças: No transtorno bipolar, esses sintomas aparecem em episódios, geralmente mais tarde na vida. Há também períodos de humor muito elevado (mania) ou muito baixo (depressão).
  12. Exemplo: Uma criança com transtorno bipolar pode ter períodos de hiperatividade intensa seguidos por períodos de tristeza profunda.

  13. Transtornos de aprendizagem

  14. Semelhanças: Dificuldade para se concentrar, baixo desempenho escolar.
  15. Diferenças: Nos transtornos de aprendizagem, a dificuldade é específica para uma área (leitura, escrita, matemática). A criança pode se concentrar bem em outras atividades.
  16. Exemplo: Uma criança com dislexia pode ter dificuldade para ler, mas se concentra bem em atividades que não envolvem leitura.

  17. Transtorno do espectro autista (TEA)

  18. Semelhanças: Dificuldade para se concentrar, comportamentos repetitivos, dificuldades sociais.
  19. Diferenças: No TEA, geralmente há dificuldades mais marcantes na comunicação e interação social, além de interesses muito restritos.
  20. Exemplo: Uma criança com TEA pode ter dificuldade para fazer amigos e se concentrar em assuntos que não são de seu interesse específico.

  21. Problemas de visão ou audição

  22. Semelhanças: Desatenção, baixo desempenho escolar.
  23. Diferenças: Se a criança não enxerga ou não ouve bem, ela pode parecer desatenta porque não está recebendo as informações corretamente.
  24. Exemplo: Uma criança com miopia pode ter dificuldade para copiar do quadro e parecer desatenta.

  25. Efeitos colaterais de medicamentos

  26. Semelhanças: Agitação, desatenção, impulsividade.
  27. Diferenças: Esses sintomas geralmente aparecem depois que a criança começou a tomar o medicamento e desaparecem quando o medicamento é suspenso.
  28. Exemplo: Alguns remédios para asma podem causar agitação e dificuldade para dormir.

  29. Privação de sono

  30. Semelhanças: Desatenção, hiperatividade, irritabilidade.
  31. Diferenças: Crianças que não dormem o suficiente podem apresentar sintomas semelhantes ao TDAH, mas esses sintomas geralmente melhoram quando o sono é regularizado.
  32. Exemplo: Uma criança que fica até tarde no celular pode ter dificuldade para se concentrar na escola no dia seguinte.

Tratamento

Receber o diagnóstico de transtorno hipercinético pode trazer um misto de alívio e preocupação. Alívio porque finalmente há uma explicação para os comportamentos que causavam tanta confusão. Preocupação porque agora vem a pergunta: “E agora, o que fazer?”. A boa notícia é que o TDAH tem tratamento, e quanto mais cedo ele começar, melhores são os resultados.

O tratamento do TDAH geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e mudanças no dia a dia. É como um tripé: cada perna é importante para manter o equilíbrio. Vamos entender cada uma delas:

Medicamentos

Os medicamentos são uma parte importante do tratamento do TDAH. Eles ajudam a “consertar” o funcionamento dos neurotransmissores no cérebro, melhorando a atenção, o controle dos impulsos e a hiperatividade. É como se eles ajudassem a “afinar” os instrumentos daquela orquestra cerebral que mencionamos antes.

Classes de medicamentos:

  1. Estimulantes
  2. Como funcionam: Aumentam os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, melhorando a atenção e o controle dos impulsos.
  3. Exemplos: Metilfenidato (Ritalina, Concerta), Lisdexanfetamina (Venvanse).
  4. Efeitos colaterais comuns: Perda de apetite, dificuldade para dormir, dor de cabeça, irritabilidade.
  5. Duração do efeito: Varia de 4 a 12 horas, dependendo do medicamento.

Analogia: Imagine que o cérebro é como um carro com o motor desregulado. Os estimulantes são como um ajuste no motor – eles não mudam o carro, só fazem ele funcionar melhor.

  1. Não-estimulantes
  2. Como funcionam: Também atuam nos neurotransmissores, mas de forma diferente dos estimulantes.
  3. Exemplos: Atomoxetina (Strattera), Guanfacina (Intuniv).
  4. Efeitos colaterais comuns: Sonolência, dor de estômago, tontura.
  5. Duração do efeito: Geralmente duram o dia todo.

Analogia: Se os estimulantes são como um ajuste no motor, os não-estimulantes são como um novo sistema de freios – ajudam a controlar melhor o carro.

Perguntas comuns sobre medicamentos:

  1. “Os medicamentos vão mudar a personalidade do meu filho?”
    Não. Os medicamentos não mudam quem a pessoa é. Eles ajudam a pessoa a se concentrar melhor, controlar seus impulsos e organizar seus pensamentos. É como usar óculos: os óculos não mudam quem você é, só ajudam você a enxergar melhor.

  2. “Os medicamentos causam dependência?”
    Não. Quando usados corretamente, sob supervisão médica, os medicamentos para TDAH não causam dependência. Eles são seguros e eficazes.

  3. “Meu filho vai precisar tomar medicamento para sempre?”
    Não necessariamente. Algumas pessoas precisam tomar medicamento por muitos anos, outras só por alguns anos, e outras conseguem controlar os sintomas sem medicamento na vida adulta. Cada caso é único.

  4. “Os medicamentos têm efeitos colaterais graves?”
    Como qualquer medicamento, os remédios para TDAH podem ter efeitos colaterais. Mas eles geralmente são leves e temporários. O médico vai monitorar de perto para ajustar a dose e minimizar os efeitos colaterais.

  5. “Posso parar o medicamento quando quiser?”
    Não. Nunca pare o medicamento sem orientação médica. Parar de repente pode causar efeitos colaterais e piorar os sintomas.

Quanto tempo para fazer efeito?
– Os estimulantes começam a fazer efeito em cerca de 30 a 60 minutos.
– Os não-estimulantes podem levar algumas semanas para fazer efeito completo.

Importante:
– O médico vai começar com uma dose baixa e ir ajustando conforme a resposta da criança.
– É importante fazer acompanhamento regular para monitorar os efeitos do medicamento.
– Nunca dê medicamento para TDAH sem prescrição médica.

Psicoterapia

Enquanto os medicamentos ajudam a “consertar” o funcionamento do cérebro, a psicoterapia ajuda a pessoa a desenvolver estratégias para lidar com os sintomas no dia a dia. É como aprender a dirigir melhor aquele carro com o volante solto.

Abordagens com mais evidência para TDAH:

  1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
  2. Como funciona: Ajuda a pessoa a identificar pensamentos e comportamentos que pioram os sintomas e a desenvolver estratégias para mudá-los.
  3. Para crianças: Geralmente envolve jogos, desenhos e atividades lúdicas para ensinar habilidades como organização, controle de impulsos e resolução de problemas.
  4. Para adolescentes e adultos: Envolve técnicas para melhorar a organização, o planejamento, o controle da impulsividade e a autoestima.
  5. Duração: Geralmente de 12 a 20 sessões, mas pode ser mais longo dependendo das necessidades da pessoa.

Exemplo concreto:
João, 10 anos, tem dificuldade para organizar suas tarefas escolares. Na terapia, ele aprende a usar uma agenda e a dividir as tarefas em partes menores. Também aprende técnicas para se acalmar quando está muito agitado, como respirar fundo e contar até 10.

  1. Treinamento de Pais
  2. Como funciona: Ensina os pais a lidar com os comportamentos da criança de forma mais eficaz. Ajuda a reduzir conflitos e a melhorar a relação entre pais e filhos.
  3. Técnicas comuns:
    • Reforço positivo: Elogiar e recompensar os comportamentos desejados.
    • Estabelecimento de limites claros e consistentes.
    • Técnicas para lidar com comportamentos desafiadores.
  4. Duração: Geralmente de 8 a 12 sessões.

Exemplo concreto:
Os pais de Maria, 8 anos, aprendem a usar um sistema de pontos. Cada vez que Maria segue uma regra (como guardar os brinquedos ou fazer a lição), ela ganha pontos. Quando acumula um certo número de pontos, pode trocar por uma recompensa (como um passeio especial).

  1. Terapia Familiar
  2. Como funciona: Ajuda a família toda a lidar com os desafios do TDAH. Melhora a comunicação, reduz conflitos e ensina estratégias para lidar com os sintomas.
  3. Duração: Varia conforme as necessidades da família.

Exemplo concreto:
A família de Pedro, 9 anos, aprende a estabelecer rotinas claras e a dividir as responsabilidades. Os pais aprendem a não levar os comportamentos de Pedro para o lado pessoal e a lidar com a frustração de forma mais eficaz.

  1. Terapia de Grupo
  2. Como funciona: Ajuda a pessoa a desenvolver habilidades sociais e a se sentir menos isolada. É especialmente útil para crianças e adolescentes.
  3. Duração: Geralmente de 8 a 12 sessões.

Exemplo concreto:
Lucas, 11 anos, participa de um grupo de habilidades sociais. Ele aprende a esperar sua vez de falar, a ouvir os outros e a lidar com a frustração quando as coisas não saem como ele quer.

O que acontece numa sessão de terapia?
Para crianças: Geralmente envolve brincadeiras, jogos, desenhos e atividades lúdicas. O terapeuta usa essas atividades para ensinar habilidades e trabalhar questões emocionais.
Para adolescentes e adultos: Geralmente envolve conversas, exercícios práticos e tarefas para fazer em casa.

Terapia individual vs. grupo vs. familiar
Individual: Focada nas necessidades específicas da pessoa.
Grupo: Ajuda a desenvolver habilidades sociais e a se sentir menos isolado.
Familiar: Ajuda a família toda a lidar com os desafios do TDAH.

Mudanças no dia a dia

Além de medicamentos e terapia, algumas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença no controle dos sintomas do TDAH. São estratégias práticas que ajudam a pessoa a se organizar melhor, controlar seus impulsos e lidar com a hiperatividade.

Exercício físico
Por que ajuda: O exercício físico aumenta os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, os mesmos neurotransmissores que os medicamentos para TDAH atuam. Além disso, ajuda a reduzir a hiperatividade e a melhorar o humor.
Quais tipos ajudam mais:
– Exercícios aeróbicos: Correr, nadar, andar de bicicleta.
– Artes marciais: Judô, karatê, taekwondo (ajudam a desenvolver disciplina e controle dos impulsos).
– Dança: Ajuda a melhorar a coordenação e a expressão emocional.
Quanto tempo: Pelo menos 30 minutos por dia, 5 vezes por semana.

Exemplo concreto:
Pedro, 10 anos, começou a praticar judô 3 vezes por semana. Além de gastar energia, ele aprendeu a controlar melhor seus impulsos e a seguir regras. Os pais notaram que ele está mais calmo e concentrado em casa.

Sono
Por que é importante: O sono adequado é essencial para o funcionamento do cérebro. Crianças com TDAH geralmente têm dificuldade para dormir, o que pode piorar os sintomas.
Higiene do sono:
– Estabelecer uma rotina: Horário fixo para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana.
– Ambiente tranquilo: Quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável.
– Evitar telas antes de dormir: TV, celular e videogame podem atrapalhar o sono.
– Atividades relaxantes antes de dormir: Leitura, música calma, banho morno.
Duração: Crianças de 6 a 12 anos precisam de 9 a 12 horas de sono por noite. Adolescentes precisam de 8 a 10 horas.

Exemplo concreto:
Maria, 8 anos, tinha dificuldade para dormir. Os pais estabeleceram uma rotina: jantar às 19h, banho às 20h, história às 20h30 e luzes apagadas às 21h. No começo foi difícil, mas depois de algumas semanas Maria começou a dormir melhor e acordar mais disposta.

Alimentação
O que a ciência diz:
– Não há uma “dieta para TDAH”, mas uma alimentação saudável pode ajudar a melhorar os sintomas.
– Alguns estudos sugerem que certos aditivos alimentares (como corantes artificiais) podem piorar a hiperatividade em algumas crianças.
– O ômega-3 (encontrado em peixes como salmão e sardinha) pode ajudar a melhorar a atenção.
Dicas práticas:
– Evitar excesso de açúcar e cafeína.
– Incluir proteínas no café da manhã (ovos, iogurte, queijo).
– Fazer refeições regulares para evitar quedas de energia.
– Beber bastante água.

Exemplo concreto:
João, 9 anos, tomava muito refrigerante e comia muitos doces. Os pais começaram a oferecer mais frutas, verduras e proteínas. João também passou a tomar mais água. Os pais notaram que ele ficou menos agitado e mais concentrado.

Rotina
Por que é importante: Crianças com TDAH se beneficiam muito de rotinas claras e previsíveis. Saber o que vai acontecer ajuda a reduzir a ansiedade e a melhorar o comportamento.
Como estruturar o dia:
– Horários fixos para as principais atividades: acordar, refeições, lição de casa, brincar, dormir.
– Usar agendas, quadros de rotina ou aplicativos para lembrar das tarefas.
– Dividir tarefas grandes em partes menores.
– Estabelecer consequências claras para comportamentos desejados e indesejados.

Exemplo concreto:
A família de Lucas, 7 anos, criou um quadro de rotina com imagens. Cada atividade (escovar os dentes, tomar café, ir para a escola) tem um ícone. Lucas pode marcar cada atividade que completa. No final do dia, se ele completar todas as atividades, ganha um adesivo. Quando acumula 10 adesivos, ganha uma recompensa especial.

Técnicas de manejo específicas
Para desatenção:
– Usar timers para dividir o tempo de estudo em blocos menores (por exemplo, 25 minutos de estudo e 5 minutos de pausa).
– Eliminar distrações: estudar em um lugar silencioso, sem TV ou celular.
– Usar marcadores de texto para destacar informações importantes.
Para hiperatividade:
– Permitir movimentos durante atividades que exigem concentração (por exemplo, usar uma bola de exercício como cadeira).
– Fazer pausas para movimento durante tarefas longas.
– Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda.
Para impulsividade:
– Ensinar a criança a parar e pensar antes de agir (“Pare, pense, aja”).
– Usar histórias e jogos para ensinar sobre consequências.
– Elogiar quando a criança consegue controlar seus impulsos.

Exemplo concreto:
Ana, 11 anos, tinha dificuldade para fazer a lição de casa. A mãe começou a usar a técnica Pomodoro: 25 minutos de estudo, 5 minutos de pausa. Ana também passou a usar fones de ouvido com música instrumental para se concentrar melhor. Com o tempo, ela conseguiu terminar a lição mais rápido e com menos erros.

Tecnologia assistiva
Aplicativos para organização:
– Trello, Evernote, Google Keep: para organizar tarefas e lembretes.
– Forest: para ajudar a se concentrar (a cada período de concentração, uma árvore virtual cresce).
– Focus@Will: música para ajudar na concentração.
Alarmes e lembretes: Para lembrar de tarefas e compromissos.
Gravadores de voz: Para gravar aulas e revisar depois.

Exemplo concreto:
Pedro, 14 anos, começou a usar o Trello para organizar suas tarefas escolares. Ele cria cartões para cada disciplina e move os cartões conforme vai completando as tarefas. Isso ajudou Pedro a não esquecer mais de fazer a lição e a entregar os trabalhos no prazo.

Convivendo com o diagnóstico

Receber o diagnóstico de transtorno hipercinético é o começo de uma nova jornada. Não é o fim do mundo, mas também não é algo que vai desaparecer magicamente. É como aprender a viver com uma condição crônica – requer adaptações, paciência e muito amor. Vamos entender como conviver com o diagnóstico, tanto para a pessoa que tem TDAH quanto para seus familiares e amigos.

Para a pessoa com o diagnóstico

Descobrir que tem TDAH pode trazer uma mistura de emoções: alívio (“Finalmente sei o que tenho!”), tristeza (“Por que eu sou assim?”), raiva (“Não é justo!”), ou até mesmo negação (“Isso não é comigo”). Todas essas reações são normais. O importante é entender que ter TDAH não define quem você é – é apenas uma parte de você, como ter olhos azuis ou ser canhoto.

Aceitação
O primeiro passo é aceitar o diagnóstico. Isso não significa se conformar ou desistir, mas sim reconhecer que você tem um jeito diferente de funcionar e que isso não é ruim – só é diferente. Aceitar não é fácil, especialmente quando você cresceu ouvindo que era “bagunceiro”, “desligado” ou “preguiçoso”. Mas lembre-se: você não é seus sintomas. Você é muito mais do que isso.

Exemplo concreto:
João, 12 anos, ficou chateado quando recebeu o diagnóstico. “Todo mundo vai me achar maluco”, ele pensou. Mas depois de conversar com o psicólogo, ele entendeu que ter TDAH não era uma sentença – era apenas uma explicação para as dificuldades que ele sempre teve. E o melhor: agora ele podia aprender a lidar com essas dificuldades.

Autoconhecimento
Conhecer seus pontos fortes e fracos é fundamental. O TDAH traz desafios, mas também traz qualidades únicas:
Pontos fortes comuns:
– Criatividade: Muitas pessoas com TDAH são extremamente criativas e têm ideias inovadoras.
– Energia: A hiperatividade pode ser canalizada para atividades produtivas.
– Entusiasmo: Quando algo interessa, a pessoa com TDAH pode se dedicar com uma paixão incrível.
– Resiliência: Viver com TDAH ensina a lidar com frustrações e a se adaptar a diferentes situações.
Desafios comuns:
– Desorganização.
– Dificuldade para terminar tarefas.
– Impulsividade.
– Dificuldade para lidar com frustração.

Exemplo concreto:
Maria, 15 anos, sempre teve dificuldade para se concentrar nos estudos. Mas ela descobriu que adorava desenhar e que conseguia se concentrar por horas quando estava criando. Ela decidiu usar essa habilidade para estudar: fazia resumos ilustrados e mapas mentais. Com o tempo, suas notas melhoraram e ela se sentiu mais confiante.

Estratégias práticas
Organização:
– Use agendas, aplicativos ou quadros de rotina.
– Divida tarefas grandes em partes menores.
– Tenha um lugar específico para cada coisa (chaves, carteira, celular).
Concentração:
– Elimine distrações quando precisar se concentrar.
– Use técnicas como Pomodoro (25 minutos de trabalho, 5 minutos de pausa).
– Experimente estudar ou trabalhar em lugares diferentes para ver onde se concentra melhor.
Impulsividade:
– Pratique a técnica “Pare, pense, aja”.
– Respire fundo antes de tomar decisões importantes.
– Peça feedback a pessoas de confiança sobre seus comportamentos impulsivos.
Hiperatividade:
– Canalize a energia para atividades físicas.
– Faça pausas para movimento durante tarefas longas.
– Use objetos para se mexer discretamente (como uma bola antiestresse).

Exemplo concreto:
Pedro, 18 anos, sempre esquecia seus compromissos. Ele começou a usar o Google Agenda e a colocar alarmes no celular para cada compromisso. Também criou o hábito de verificar a agenda todas as manhãs. Com o tempo, ele parou de esquecer as coisas e se sentiu mais no controle da sua vida.

Autoestima
O TDAH pode afetar a autoestima, especialmente quando a pessoa cresce ouvindo críticas. É importante trabalhar a autoestima e se lembrar de que você tem valor, independentemente dos seus desafios.

  • Dicas para melhorar a autoestima:
  • Faça uma lista das suas qualidades e conquistas.
  • Cerque-se de pessoas que te apoiam e te valorizam.
  • Pratique autocompaixão: trate-se com a mesma gentileza que trataria um amigo.
  • Estabeleça metas realistas e celebre cada conquista, por menor que seja.

Exemplo concreto:
Lucas, 14 anos, sempre se sentiu “burro” porque tinha dificuldade na escola. Depois do diagnóstico, ele entendeu que sua dificuldade não era falta de inteligência, mas sim um jeito diferente de aprender. Ele começou a se valorizar mais e a reconhecer suas qualidades, como sua criatividade e seu bom humor.

Rede de apoio
Ter pessoas com quem contar faz toda a diferença. Isso pode incluir:
– Família e amigos.
– Profissionais de saúde (médico, psicólogo, terapeuta ocupacional).
– Grupos de apoio para pessoas com TDAH.
– Professores e colegas de escola/trabalho.

Exemplo concreto:
Ana, 20 anos, se sentia sozinha com seu diagnóstico. Ela encontrou um grupo de apoio para jovens com TDAH e começou a participar das reuniões. Lá, ela conheceu outras pessoas que passavam pelas mesmas dificuldades e aprendeu estratégias novas. Ela se sentiu menos isolada e mais compreendida.

Para familiares e amigos

Descobrir que um filho, parceiro ou amigo tem TDAH pode ser um desafio. É normal sentir-se perdido, frustrado ou até mesmo culpado. Mas com informação e apoio, é possível ajudar a pessoa a lidar com os sintomas e a ter uma vida plena e feliz.

Como ajudar de forma efetiva

  1. Eduque-se sobre o TDAH
  2. Leia livros, artigos e assista a vídeos sobre o assunto.
  3. Participe de grupos de apoio para familiares.
  4. Converse com profissionais de saúde.

Exemplo concreto:
Os pais de João, 10 anos, participaram de um grupo de apoio para pais de crianças com TDAH. Lá, eles aprenderam estratégias para lidar com os comportamentos de João e se sentiram menos sozinhos.

  1. Seja paciente
  2. Lembre-se de que a pessoa não está “fazendo de propósito”.
  3. Evite frases como “Se você se esforçasse mais…” ou “Todo mundo consegue, por que você não?”.
  4. Celebre as pequenas conquistas.

Exemplo concreto:
Maria, 8 anos, sempre esquecia de guardar seus brinquedos. Em vez de brigar, a mãe começou a elogiar quando Maria guardava os brinquedos e a ajudá-la a criar o hábito. Com o tempo, Maria começou a guardar os brinquedos sozinha.

  1. Estabeleça rotinas claras
  2. Crianças com TDAH se beneficiam muito de rotinas previsíveis.
  3. Use quadros de rotina, agendas ou aplicativos para lembrar das tarefas.
  4. Seja consistente com as regras e consequências.

Exemplo concreto:
A família de Pedro, 7 anos, criou um quadro de rotina com imagens. Cada atividade (escovar os dentes, tomar café, ir para a escola) tem um ícone. Pedro pode marcar cada atividade que completa. No final do dia, se ele completar todas as atividades, ganha um adesivo. Quando acumula 10 adesivos, ganha uma recompensa especial.

  1. Divida tarefas em partes menores
  2. Tarefas grandes podem ser avassaladoras para pessoas com TDAH.
  3. Divida as tarefas em etapas menores e mais gerenciáveis.
  4. Dê instruções claras e simples, uma de cada vez.

Exemplo concreto:
A mãe de Lucas, 9 anos, pediu para ele arrumar o quarto. Lucas ficou sobrecarregado e não sabia por onde começar. A mãe então dividiu a tarefa: “Primeiro, pegue todas as roupas sujas e coloque no cesto. Depois, guarde os brinquedos na caixa. Por último, arrume a cama.” Lucas conseguiu completar a tarefa sem se sentir sobrecarregado.

  1. Use reforço positivo
  2. Elogie e recompense os comportamentos desejados.
  3. Evite focar apenas nos comportamentos negativos.
  4. Seja específico nos elogios: em vez de “Você foi bonzinho”, diga “Adorei como você guardou os brinquedos sem eu pedir!”.

Exemplo concreto:
Os pais de Ana, 6 anos, criaram um sistema de pontos. Cada vez que Ana seguia uma regra (como guardar os brinquedos ou fazer a lição), ela ganhava pontos. Quando acumulava um certo número de pontos, podia trocar por uma recompensa (como um passeio especial).

  1. Ensine habilidades sociais
  2. Pessoas com TDAH podem ter dificuldade para fazer amigos.
  3. Ensine habilidades como esperar a vez de falar, ouvir os outros e lidar com a frustração.
  4. Incentive a participação em atividades em grupo, como esportes ou clubes.

Exemplo concreto:
João, 12 anos, tinha dificuldade para fazer amigos porque interrompia as conversas e não esperava sua vez. Os pais o matricularam em um grupo de teatro, onde ele aprendeu a ouvir os outros e a trabalhar em equipe. Com o tempo, João fez novos amigos e se sentiu mais confiante.

  1. Cuide de si mesmo
  2. Cuidar de uma pessoa com TDAH pode ser exaustivo.
  3. Reserve um tempo para si mesmo.
  4. Procure apoio quando precisar.
  5. Lembre-se de que você não está sozinho.

Exemplo concreto:
A mãe de Maria, 8 anos, estava sempre cansada e estressada. Ela decidiu reservar uma noite por semana para si mesma: saía com as amigas ou fazia algo que gostava. Isso a ajudou a recarregar as energias e a lidar melhor com os desafios do dia a dia.

O que NÃO fazer

  1. Não leve os comportamentos para o lado pessoal
  2. Lembre-se de que a pessoa não está “fazendo de propósito” para te irritar.
  3. Evite frases como “Você só quer me provocar” ou “Você não me respeita”.

  4. Não compare

  5. Cada pessoa com TDAH é única.
  6. Evite comparações como “Seu irmão consegue, por que você não?” ou “Quando eu tinha sua idade…”.

  7. Não seja inconsistente

  8. Seja consistente com as regras e consequências.
  9. Evite ceder a birras ou chantagens emocionais.

  10. Não ignore seus próprios sentimentos

  11. É normal sentir-se frustrado, cansado ou até mesmo zangado.
  12. Não guarde esses sentimentos para si. Converse com alguém de confiança ou procure ajuda profissional.

  13. Não tente “consertar” a pessoa

  14. O TDAH não é algo que precisa ser “consertado”.
  15. Foque em ajudar a pessoa a desenvolver estratégias para lidar com os sintomas.

Como explicar para outras pessoas

Explicar o TDAH para outras pessoas pode ser um desafio, especialmente quando há preconceito ou falta de informação. Aqui estão algumas dicas:

  1. Seja simples e direto
  2. “O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, a impulsividade e a hiperatividade.”
  3. “Não é falta de educação ou preguiça. É um jeito diferente de o cérebro funcionar.”

  4. Use analogias

  5. “É como se o cérebro dela tivesse um motor que não para.”
  6. “É como tentar dirigir um carro com o volante solto.”

  7. Fale sobre os pontos fortes

  8. “Pessoas com TDAH são geralmente muito criativas e cheias de energia.”
  9. “Quando algo interessa, ela se dedica com uma paixão incrível.”

  10. Peça compreensão

  11. “Às vezes ela pode esquecer as coisas ou se distrair. Não é por mal.”
  12. “Se ela interromper ou não esperar a vez, não é falta de respeito. É uma dificuldade que ela está aprendendo a lidar.”

  13. Compartilhe informações

  14. Recomende livros, artigos ou vídeos sobre o assunto.
  15. Convide a pessoa para participar de grupos de apoio ou eventos sobre TDAH.

Exemplo concreto:
Os pais de Pedro, 10 anos, explicaram para a professora: “Pedro tem TDAH. Isso significa que ele tem dificuldade para se concentrar e controlar seus impulsos. Não é que ele não queira prestar atenção ou seguir as regras. É que seu cérebro funciona de um jeito diferente. Nós estamos trabalhando com ele para desenvolver estratégias, e gostaríamos de contar com sua ajuda.”

Quando os sintomas podem piorar?

Os sintomas do TDAH podem variar ao longo do tempo e em diferentes situações. Alguns fatores podem fazer com que os sintomas piorem:

  1. Mudanças na rotina
  2. Férias, mudanças de escola, viagens.
  3. Exemplo: Durante as férias, João, 8 anos, fica ainda mais agitado e desorganizado porque não tem a rotina da escola.

  4. Estresse

  5. Problemas familiares, pressão na escola, bullying.
  6. Exemplo: Maria, 14 anos, fica mais desatenta e impulsiva quando está estressada com provas ou conflitos com os amigos.

  7. Falta de sono

  8. Dormir pouco ou ter um sono de má qualidade.
  9. Exemplo: Pedro, 12 anos, fica mais hiperativo e irritado quando não dorme bem.

  10. Alimentação inadequada

  11. Excesso de açúcar, cafeína ou alimentos processados.
  12. Exemplo: Ana, 9 anos, fica mais agitada depois de comer muitos doces ou tomar refrigerante.

  13. Falta de exercício físico

  14. Passar muito tempo sentado ou sem gastar energia.
  15. Exemplo: Lucas, 10 anos, fica mais inquieto e desatento quando passa o dia todo dentro de casa sem se mexer.

  16. Mudanças hormonais

  17. Puberdade, menstruação, gravidez.
  18. Exemplo: Joana, 15 anos, percebe que seus sintomas pioram na semana antes da menstruação.

  19. Uso de substâncias

  20. Álcool, drogas, alguns medicamentos.
  21. Exemplo: Carlos, 17 anos, percebe que seus sintomas pioram quando usa maconha.

  22. Doenças ou lesões

  23. Gripes, infecções, traumatismos cranianos.
  24. Exemplo: Mariana, 11 anos, fica mais desatenta e irritada quando está gripada.

O que fazer quando os sintomas pioram?
Reveja a rotina: Certifique-se de que a pessoa está dormindo bem, se alimentando adequadamente e fazendo exercícios físicos.
Reduza o estresse: Identifique fontes de estresse e tente minimizá-las.
Ajuste o tratamento: Converse com o médico sobre ajustar a medicação ou a terapia.
Use estratégias de enfrentamento: Relembre as técnicas que ajudam a lidar com os sintomas.
Procure apoio: Converse com profissionais de saúde, familiares ou grupos de apoio.

Perguntas frequentes

  1. “Meu filho foi diagnosticado com TDAH. Isso significa que ele vai ter problemas para sempre?”
    Não. O TDAH é uma condição crônica, o que significa que os sintomas podem persistir ao longo da vida. Mas isso não quer dizer que a pessoa vai ter problemas para sempre. Com o tratamento adequado, muitas pessoas com TDAH conseguem levar uma vida plena e feliz. Além disso, alguns sintomas podem melhorar com a idade – por exemplo, a hiperatividade tende a diminuir na adolescência e na vida adulta. O importante é aprender a lidar com os sintomas e desenvolver estratégias para minimizar seu impacto na vida diária.

Exemplo concreto:
João foi diagnosticado com TDAH aos 7 anos. Com tratamento, ele aprendeu a lidar com seus sintomas e hoje, aos 18 anos, é um estudante universitário bem-sucedido. Ele ainda tem desafios, como dificuldade para se organizar, mas desenvolveu estratégias para lidar com isso, como usar aplicativos de organização e dividir tarefas grandes em partes menores.

  1. “TDAH é coisa de criança. Adultos também podem ter?”
    Sim. Antigamente, acreditava-se que o TDAH desaparecia na adolescência. Hoje sabemos que isso não é verdade. Estima-se que cerca de 60% das crianças com TDAH continuem apresentando sintomas na vida adulta. Muitos adultos são diagnosticados tardiamente, especialmente mulheres, que costumam apresentar mais sintomas de desatenção do que de hiperatividade.

Exemplo concreto:
Maria, 35 anos, sempre teve dificuldade para se concentrar no trabalho e se organizar. Ela achava que era “desligada” ou “preguiçosa”. Depois de anos de dificuldades, ela procurou um psiquiatra e recebeu o diagnóstico de TDAH. Com tratamento, ela conseguiu melhorar sua produtividade e sua qualidade de vida.

  1. “Os medicamentos para TDAH são perigosos? Ouvi dizer que causam dependência.”
    Os medicamentos para TDAH são seguros quando usados corretamente, sob supervisão médica. Eles não causam dependência quando usados nas doses prescritas. Os estimulantes, como o metilfenidato, são os medicamentos mais usados e têm um longo histórico de segurança e eficácia. Os efeitos colaterais geralmente são leves e temporários, como perda de apetite ou dificuldade para dormir.

Analogia:
Imagine que os medicamentos para TDAH são como óculos. Os óculos não mudam quem você é, só ajudam você a enxergar melhor. Da mesma forma, os medicamentos não mudam a personalidade da pessoa, só ajudam o cérebro a funcionar melhor.

  1. “Meu filho não quer tomar medicamento. O que eu faço?”
    É normal que crianças e adolescentes resistam a tomar medicamentos, especialmente no começo. Aqui estão algumas estratégias:
  2. Explique de forma simples: “Esse remédio vai ajudar seu cérebro a se concentrar melhor, como um óculos ajuda a enxergar melhor.”
  3. Envolva a criança na decisão: Deixe que ela escolha o horário de tomar o remédio ou a bebida para acompanhar.
  4. Mostre os benefícios: “Lembra como era difícil fazer a lição de casa? Com o remédio, vai ser mais fácil.”
  5. Seja paciente: Pode levar algum tempo para a criança se acostumar com o medicamento.
  6. Converse com o médico: Se a resistência persistir, converse com o médico sobre ajustar a dose ou mudar o medicamento.

Exemplo concreto:
Pedro, 10 anos, não queria tomar o medicamento porque achava que era “remédio de maluco”. Os pais explicaram que o remédio ia ajudar ele a se concentrar melhor na escola e a não esquecer as coisas. Eles também deixaram Pedro escolher o suco que ia tomar com o remédio. Com o tempo, Pedro percebeu que o remédio o ajudava e parou de resistir.

  1. “TDAH é falta de educação? Meu filho é mal-educado?”
    Não. O TDAH não tem nada a ver com educação ou caráter. É um transtorno neurobiológico que afeta a atenção, a impulsividade e a hiperatividade. A criança não está “fazendo de propósito” para irritar os pais ou professores. Ela simplesmente não consegue controlar seus impulsos e sua atenção da mesma forma que outras crianças.

Exemplo concreto:
Maria, 8 anos, sempre interrompia as conversas dos adultos. Os pais achavam que ela era mal-educada e a repreendiam constantemente. Depois do diagnóstico de TDAH, eles entenderam que Maria não fazia por mal – ela simplesmente não conseguia controlar seu impulso de falar. Com terapia, Maria aprendeu a esperar sua vez de falar e os pais aprenderam a lidar com a situação de forma mais paciente.

  1. “Como posso ajudar meu filho na escola?”
    A escola pode ser um grande desafio para crianças com TDAH. Aqui estão algumas dicas:
  2. Converse com os professores: Explique sobre o diagnóstico e peça sua colaboração.
  3. Sente na frente: Isso ajuda a reduzir as distrações.
  4. Divida as tarefas: Tarefas grandes podem ser avassaladoras. Peça para dividir em partes menores.
  5. Use recursos visuais: Quadros, agendas e cores podem ajudar na organização.
  6. Permita movimentos: Deixe a criança se levantar de vez em quando ou usar uma bola de exercício como cadeira.
  7. Estabeleça um sistema de recompensas: Elogie e recompense os comportamentos desejados.

Exemplo concreto:
Os pais de João, 9 anos, conversaram com a professora sobre o diagnóstico de TDAH. A professora concordou em deixar João sentar na frente da sala e em dividir as tarefas em partes menores. Ela também criou um sistema de pontos: cada vez que João seguia uma regra (como levantar a mão para falar ou terminar uma tarefa), ele ganhava pontos. No final da semana, se acumulasse pontos suficientes, podia escolher uma atividade especial. Com essas estratégias, João melhorou seu desempenho escolar e sua autoestima.

  1. “Meu filho com TDAH é muito inteligente, mas tira notas baixas. Por quê?”
    Muitas crianças com TDAH são extremamente inteligentes, mas têm dificuldade para demonstrar seu potencial na escola. Isso acontece porque o TDAH afeta habilidades como organização, planejamento e controle dos impulsos – habilidades essenciais para o sucesso acadêmico. Além disso, a desatenção pode fazer com que a criança perca informações importantes durante as aulas.

Exemplo concreto:
Ana, 12 anos, sempre teve notas baixas na escola, apesar de ser muito inteligente. Depois do diagnóstico de TDAH, ela começou a usar estratégias como gravar as aulas e fazer resumos ilustrados. Com o tempo, suas notas melhoraram e ela conseguiu mostrar seu verdadeiro potencial.

  1. “TDAH tem cura?”
    Não há cura para o TDAH, mas há tratamento. Com o tratamento adequado, muitas pessoas com TDAH conseguem levar uma vida plena e feliz. O tratamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, terapia e mudanças no dia a dia. O objetivo não é “curar” o TDAH, mas sim ajudar a pessoa a lidar com os sintomas e a desenvolver seu potencial.

Analogia:
Imagine que o TDAH é como a miopia. Não há cura para a miopia, mas há tratamento: óculos. Os óculos não curam a miopia, mas ajudam a pessoa a enxergar melhor. Da mesma forma, o tratamento do TDAH não “cura” o transtorno, mas ajuda a pessoa a funcionar melhor no dia a dia.

  1. “Como posso ajudar meu filho a fazer amigos?”
    Crianças com TDAH podem ter dificuldade para fazer amigos porque seus comportamentos (como interromper, não esperar a vez ou ser muito intenso) podem afastar os outros. Aqui estão algumas dicas:
  2. Ensine habilidades sociais: Pratique habilidades como esperar a vez de falar, ouvir os outros e lidar com a frustração.
  3. Incentive atividades em grupo: Esportes, clubes e grupos de teatro podem ajudar a desenvolver habilidades sociais.
  4. Seja um modelo: Mostre como se comportar em situações sociais.
  5. Elogie os comportamentos positivos: “Adorei como você esperou sua vez de falar!”
  6. Converse sobre amizade: Explique o que é um bom amigo e como ser um.

Exemplo concreto:
Lucas, 10 anos, tinha dificuldade para fazer amigos porque interrompia as conversas e não esperava sua vez nos jogos. Os pais o matricularam em um grupo de teatro, onde ele aprendeu a ouvir os outros e a trabalhar em equipe. Com o tempo, Lucas fez novos amigos e se sentiu mais confiante.

  1. “O que eu faço quando meu filho tem uma crise?”
    Crises de birra, choro ou agressividade são comuns em crianças com TDAH, especialmente quando estão frustradas ou sobrecarregadas. Aqui estão algumas estratégias:

    • Mantenha a calma: Respire fundo e tente não reagir com raiva.
    • Valide os sentimentos: “Eu sei que você está frustrado. É normal se sentir assim.”
    • Ofereça um espaço seguro: Às vezes, a criança só precisa de um tempo para se acalmar.
    • Use técnicas de relaxamento: Respiração profunda, contar até 10, apertar uma bola antiestresse.
    • Estabeleça limites claros: “Eu entendo que você está chateado, mas não pode bater nos outros.”
    • Ofereça alternativas: “Em vez de gritar, vamos respirar fundo juntos.”

    Exemplo concreto:
    Maria, 7 anos, teve uma crise de birra porque não conseguiu montar um quebra-cabeça. A mãe a abraçou e disse: “Eu sei que você está frustrada. Vamos respirar fundo juntos.” Depois que Maria se acalmou, a mãe sugeriu: “Que tal tentarmos montar o quebra-cabeça juntos? Eu te ajudo.” Maria concordou e conseguiu terminar o quebra-cabeça com a ajuda da mãe.

Quando procurar ajuda urgente

A maioria dos sintomas do TDAH pode ser manejada com tratamento e estratégias adequadas. No entanto, em algumas situações, é importante procurar ajuda médica imediatamente. Aqui estão alguns sinais de alerta:

Sinais de alerta moderados (procure ajuda o mais rápido possível):
– Comportamentos que colocam a pessoa ou outras em risco, como correr para a rua sem olhar ou pular de lugares altos.
– Agressividade física frequente, como bater, chutar ou morder.
– Automutilação, como se cortar ou se machucar de propósito.
– Recusa persistente em tomar medicamentos ou participar do tratamento.
– Sintomas de depressão, como tristeza profunda, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, alterações no sono ou no apetite.
– Sintomas de ansiedade intensa, como ataques de pânico, medo excessivo ou evitação de situações sociais.

Sinais de alerta graves (procure ajuda imediatamente):
– Pensamentos ou planos de suicídio.
– Alucinações ou delírios (ver ou ouvir coisas que não existem, acreditar em coisas que não são reais).
– Comportamentos extremamente impulsivos que colocam a vida em risco, como dirigir em alta velocidade ou usar drogas perigosas.
– Recusa total em comer ou beber.
– Comportamentos violentos que causam ferimentos graves em si mesmo ou nos outros.

Onde procurar ajuda:
Serviços de emergência: SAMU (192), Corpo de Bombeiros (193).
Hospitais psiquiátricos: Muitos hospitais têm alas psiquiátricas para emergências.
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): Oferecem atendimento de urgência em saúde mental.
CVV (Centro de Valorização da Vida): Oferece apoio emocional e prevenção do suicídio. Ligue 188 ou acesse www.cvv.org.br.

Exemplo concreto:
João, 15 anos, começou a ter pensamentos suicidas depois de uma discussão com os pais. Os pais perceberam que algo estava errado quando João começou a dizer coisas como “Vocês estariam melhor sem mim” e “Eu não aguento mais”. Eles o levaram imediatamente para o pronto-socorro, onde ele foi avaliado por um psiquiatra e recebeu o apoio necessário.

Lembre-se: é sempre melhor procurar ajuda do que esperar que a situação piore. Se você ou alguém que você conhece está passando por uma crise, não hesite em buscar apoio.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • Barkley, R. A. TDAH: Guia Completo para Pais, Professores e Profissionais. Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • Rohde, L. A., & Mattos, P. Princípios e Práticas em TDAH. Porto Alegre: Artmed, 2016.
  • Goldstein, S., & Teeter Ellison, A. TDAH em Crianças e Adultos: Um Guia para Profissionais e Familiares. São Paulo: M. Books, 2015.
  • National Institute of Mental Health. Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd
  • CHADD (Children and Adults with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder). About ADHD. Disponível em: https://chadd.org/about-adhd/
  • Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). O que é TDAH? Disponível em: https://tdah.org.br/

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

marque sua consulta

Cansado de consultas apressadas e respostas vagas?

Para adultos buscando respostas ou pais preocupados com os filhos: avaliação profunda de TDAH e Autismo que transformam vidas.

Médico Psiquiatra com foco em TDAH e Autismo.
Atendimento a adultos, adolescentes e crianças a partir de 6 anos.

CRM/UF · RQE 00000 · Psiquiatria

Atendimento

Credenciais

© 2026 Dr. Luigi Fernando - Psiquiatria. Todos os direitos reservados.

Site desenvolvido por: