Um guia completo para entender, reconhecer e lidar com essa condição
O que é?
Imagine que o desenvolvimento de uma criança é como construir uma casa. Os alicerces são os primeiros anos de vida, onde aprendemos a falar, andar, interagir com os outros e entender o mundo. Para a maioria das crianças, essa construção segue um ritmo esperado: aos 2 anos, já formam frases simples; aos 5, conseguem brincar em grupo e seguir regras básicas; aos 10, já têm autonomia para tarefas do dia a dia.
Agora, pense em uma casa onde os alicerces foram colocados de forma irregular. Algumas paredes estão tortas, outras faltam, e os cômodos não se conectam direito. É assim que funciona o Transtorno do Desenvolvimento Psicológico Não Especificado (F89). Não é um “atraso” geral, como no caso do retardo mental, nem um padrão específico como o autismo. É como se algumas habilidades — sociais, emocionais ou cognitivas — tivessem “emperrado” no caminho, sem uma causa clara ou um diagnóstico mais definido.
Como ele se diferencia de outras condições?
Muitas pessoas confundem o F89 com outros transtornos do desenvolvimento, mas há diferenças importantes:
- Não é autismo (Transtorno do Espectro Autista – TEA): No autismo, há padrões claros de dificuldade na comunicação, interesses restritos e comportamentos repetitivos. No F89, esses sintomas podem até aparecer, mas não são tão marcados ou não se encaixam perfeitamente nos critérios do TEA.
- Não é retardo mental: No retardo mental, há um atraso global no desenvolvimento (intelectual, social, motor). No F89, algumas áreas podem estar preservadas, enquanto outras estão comprometidas de forma desigual.
- Não é um transtorno de personalidade: Os transtornos de personalidade (como borderline ou esquizoide) costumam se manifestar na adolescência ou vida adulta, com padrões rígidos de comportamento. O F89 começa na infância e está mais ligado a dificuldades no desenvolvimento inicial.
Quem é afetado?
O F89 é considerado um diagnóstico “guarda-chuva”, usado quando uma criança apresenta dificuldades no desenvolvimento que não se encaixam em nenhum outro transtorno específico. Por isso, é difícil estimar quantas pessoas têm essa condição. Alguns dados importantes:
- Faixa etária: Os sintomas costumam aparecer nos primeiros anos de vida (antes dos 5 anos), mas o diagnóstico pode ser feito mais tarde, quando as dificuldades se tornam mais evidentes.
- Gênero: Alguns estudos sugerem que meninos são mais diagnosticados do que meninas, mas isso pode refletir um viés na forma como os sintomas são percebidos (por exemplo, meninos tendem a externalizar mais os problemas, enquanto meninas internalizam).
- No Brasil: Não há estatísticas oficiais sobre o F89 no país, mas sabe-se que transtornos do desenvolvimento são subdiagnosticados, especialmente em regiões com menos acesso a serviços de saúde mental. Muitas crianças acabam sendo rotuladas como “difíceis”, “preguiçosas” ou “mal-educadas” antes de receberem uma avaliação adequada.
Um pouco de história
O conceito de transtornos do desenvolvimento psicológico surgiu no século XX, quando médicos e psicólogos começaram a estudar crianças que não se encaixavam nos diagnósticos existentes. Antes disso, muitas eram consideradas “anormais” ou “deficientes” sem uma compreensão clara do que estava acontecendo.
O F89 foi incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como uma categoria residual, ou seja, um “lugar” para casos que não se encaixam em outros diagnósticos. Isso não significa que seja menos importante — pelo contrário, mostra que ainda há muito a aprender sobre como o desenvolvimento infantil funciona.
Quais são os sintomas?
O F89 não tem uma lista fixa de sintomas, porque é justamente um diagnóstico usado quando as dificuldades não se encaixam em nenhum outro transtorno específico. No entanto, a CID-10 e o DSM-5 apontam alguns padrões comuns que podem aparecer. Vamos traduzir cada um deles para o dia a dia.
1. Dificuldades no desenvolvimento que não são explicadas por atraso global (como no retardo mental)
O que isso significa na prática?
Imagine uma criança de 6 anos que:
– Fala tão bem quanto as outras crianças da idade, mas não consegue entender regras simples de jogos (como esperar sua vez ou seguir instruções).
– Reconhece letras e números, mas não consegue organizar uma história em sequência (por exemplo, contar o que fez no fim de semana).
– É carinhosa com os pais, mas não faz amigos na escola porque não entende como iniciar uma conversa ou compartilhar brinquedos.
Exemplos concretos:
– Na escola: A professora pede para a turma formar uma fila, mas a criança não entende por que precisa esperar ou onde deve ficar. Ela pode empurrar os colegas ou ficar parada, sem saber o que fazer.
– Em casa: Os pais explicam que é hora de guardar os brinquedos, mas a criança ignora ou fica frustrada, como se não tivesse entendido a instrução.
– No parquinho: Enquanto outras crianças brincam de pega-pega ou esconde-esconde, ela fica sozinha, olhando para o chão ou repetindo movimentos sem propósito (como balançar o corpo para frente e para trás).
O que é normal vs. o que é sintoma?
– Normal: Uma criança de 3 anos pode ter dificuldade para esperar sua vez em um jogo ou ficar frustrada quando não consegue fazer algo. Isso faz parte do desenvolvimento.
– Sintoma: Se aos 6 anos ela ainda não consegue seguir regras básicas, mesmo com explicações repetidas, ou se não demonstra interesse em brincar com outras crianças, pode ser um sinal de que algo não está seguindo o curso esperado.
2. Dificuldades que não se encaixam nos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (como autismo)
O que isso significa na prática?
No autismo, há padrões muito claros:
– Dificuldade extrema em manter contato visual.
– Interesses restritos (por exemplo, só querer falar sobre dinossauros).
– Comportamentos repetitivos (como balançar as mãos ou alinhar objetos).
No F89, esses sintomas podem aparecer, mas não são tão marcados ou não seguem um padrão consistente. É como se a criança tivesse “traços” de autismo, mas não o suficiente para um diagnóstico.
Exemplos concretos:
– Contato visual: A criança olha nos olhos às vezes, mas em outras situações evita completamente (por exemplo, olha quando está feliz, mas desvia o olhar quando está nervosa).
– Interesses: Ela pode gostar de um assunto específico (como carros), mas não de forma obsessiva — às vezes aceita falar de outras coisas.
– Comportamentos repetitivos: Ela pode balançar o corpo quando está ansiosa, mas não faz isso o tempo todo.
O que é normal vs. o que é sintoma?
– Normal: Uma criança pode ter um interesse passageiro por um assunto (como princesas ou super-heróis) e falar muito sobre isso por algumas semanas.
– Sintoma: Se ela insiste em falar apenas sobre um tema por meses, mesmo quando os outros demonstram desinteresse, ou se rejeita qualquer mudança na rotina (como um caminho diferente para a escola), pode ser um sinal de alerta.
3. Ligação com cuidados inadequados na infância (negligência ou instabilidade)
Aqui, a CID-10 faz uma observação importante: muitas vezes, as dificuldades no desenvolvimento estão ligadas a experiências traumáticas ou negligência nos primeiros anos de vida. Isso não significa que os pais sejam “culpados”, mas que o ambiente em que a criança cresceu pode ter prejudicado seu desenvolvimento emocional e social.
Critérios específicos:
(1) Negligência emocional: falta de afeto, estímulo e conforto
O que isso significa na prática?
Imagine uma criança que:
– Nunca foi abraçada ou consolada quando chorava.
– Não teve brinquedos ou livros para estimular sua imaginação.
– Passava horas sozinha, sem interação com adultos ou outras crianças.
Exemplos concretos:
– Em casa: A criança chora porque caiu e se machucou, mas os pais não a confortam — dizem apenas “para de chorar” ou ignoram.
– Na escola: Quando a professora elogia um desenho, a criança não reage, como se não entendesse que aquilo é algo bom.
– Com os amigos: Ela não sabe como responder quando alguém a elogia ou a convida para brincar — pode ficar paralisada ou até fugir.
(2) Negligência física: falta de cuidados básicos
O que isso significa na prática?
– A criança não é alimentada regularmente (passa fome ou come apenas quando alguém se lembra).
– Não tem roupas adequadas para o clima (usa roupas sujas ou rasgadas no frio).
– Não recebe cuidados médicos quando está doente.
Exemplos concretos:
– Na escola: A criança chega com fome todos os dias e come vorazmente o lanche, como se não soubesse quando será a próxima refeição.
– Em casa: Ela não tem um lugar fixo para dormir — às vezes dorme no sofá, outras vezes no chão.
– No médico: Os pais nunca levaram a criança para vacinas ou consultas de rotina.
(3) Instabilidade nos cuidadores: mudanças frequentes de responsáveis
O que isso significa na prática?
– A criança passa por vários lares adotivos em pouco tempo.
– Não tem uma figura de referência (por exemplo, vive com avós, depois com tios, depois em um abrigo).
– Os pais são ausentes (por trabalho, vício ou problemas de saúde mental).
Exemplos concretos:
– Na escola: A criança não sabe dizer quem vai buscá-la no fim do dia — às vezes é a mãe, outras vezes a tia, outras vezes uma vizinha.
– Em casa: Ela não tem fotos da família ou objetos pessoais, porque nunca ficou tempo suficiente em um lugar para criar raízes.
– Com os amigos: Ela não convida ninguém para sua casa, porque não sabe se vai estar lá no dia seguinte.
O que é normal vs. o que é sintoma?
– Normal: Uma criança pode passar por uma fase difícil (como a separação dos pais) e ficar mais quieta ou irritada por um tempo.
– Sintoma: Se ela não demonstra apego por ninguém, mesmo depois de meses convivendo com a mesma pessoa, ou se não reage a elogios ou críticas, pode ser um sinal de que algo não está certo.
4. Prejuízo significativo na vida da criança
Para que o diagnóstico seja feito, as dificuldades precisam atrapalhar a vida da criança de forma clara. Isso pode aparecer em várias áreas:
Na escola
- Dificuldade para aprender: Mesmo com inteligência normal, a criança pode ter notas baixas porque não consegue se concentrar, seguir instruções ou organizar tarefas.
- Problemas de comportamento: Pode ser agressiva, desafiadora ou extremamente tímida, o que atrapalha a convivência com colegas e professores.
- Falta de amigos: Não consegue manter amizades porque não entende regras sociais (como dividir ou esperar sua vez).
Em casa
- Dificuldade para seguir regras: Os pais pedem para guardar os brinquedos, mas a criança ignora ou faz birra.
- Dependência excessiva: Mesmo sendo capaz de se vestir sozinha, ela espera que os pais façam tudo por ela.
- Comportamentos estranhos: Pode repetir frases sem sentido, ter medos inexplicáveis ou se assustar com coisas simples (como o barulho de um liquidificador).
Na saúde física
- Problemas de sono: Dorme muito pouco ou tem pesadelos frequentes.
- Alimentação desregulada: Come demais ou de menos, sem um padrão claro.
- Doenças frequentes: Pode ter mais resfriados, dores de cabeça ou problemas gastrointestinais por causa do estresse.
Um alerta importante
Ter um ou dois desses sintomas não significa que a criança tenha F89. O que define o diagnóstico é:
✅ A combinação de vários sintomas (não apenas um).
✅ A duração (os sintomas persistem por meses ou anos, não são passageiros).
✅ O impacto na vida (atrapalham a escola, os relacionamentos ou o dia a dia).
Se você reconheceu alguns desses sinais em uma criança, não entre em pânico. Muitas vezes, com apoio adequado (terapia, mudanças na rotina, suporte familiar), é possível melhorar significativamente a qualidade de vida.
Como se manifesta no dia a dia?
Para entender melhor como o F89 afeta a vida de uma criança, vamos ver exemplos concretos em diferentes áreas.
Na escola
A escola é um dos lugares onde as dificuldades do F89 ficam mais evidentes, porque exige habilidades que muitas crianças com essa condição ainda não desenvolveram.
Dificuldades comuns:
- Não consegue seguir instruções simples
- A professora pede: “Peguem o caderno de matemática e abram na página 10”.
- A criança olha ao redor, não entende o que fazer e começa a rabiscar no caderno de português.
-
Quando a professora repete, ela pode ficar irritada ou ignorar.
-
Problemas para fazer amizades
- Enquanto as outras crianças brincam de pega-pega no recreio, ela fica sozinha, olhando para o chão.
-
Se alguém a convida para brincar, ela pode recusar ou não entender as regras do jogo.
-
Comportamentos que chamam atenção
- Pode ser agressiva (empurrar colegas, gritar) ou extremamente passiva (não reage quando alguém a provoca).
-
Às vezes, faz coisas estranhas, como rir sem motivo ou repetir a mesma frase várias vezes.
-
Dificuldade para aprender
- Mesmo com inteligência normal, pode ter notas baixas porque:
- Não consegue se concentrar na aula.
- Não entende explicações abstratas (como “se João tem 5 maçãs e dá 2 para Maria, com quantas ele fica?”).
- Não consegue organizar tarefas (esquece de fazer lição de casa ou entrega trabalhos incompletos).
Como a escola pode ajudar?
- Adaptações simples:
- Dar instruções uma de cada vez (em vez de várias ao mesmo tempo).
- Usar imagens ou gestos para explicar conceitos.
- Permitir que a criança faça pausas quando estiver sobrecarregada.
- Apoio psicológico:
- Ter um profissional na escola para ajudar a criança a lidar com frustrações.
- Ensinar habilidades sociais (como iniciar uma conversa ou resolver conflitos).
Nos relacionamentos
As dificuldades sociais são uma das marcas do F89. A criança pode querer fazer amigos, mas não sabe como.
Com a família
- Dificuldade para expressar emoções:
- Quando está triste, pode não chorar — em vez disso, fica irritada ou se isola.
- Quando está feliz, pode não demonstrar (não sorri, não abraça).
- Dependência excessiva ou independência extrema:
- Algumas crianças são muito grudadas nos pais e têm medo de ficar sozinhas.
- Outras agem como se não precisassem de ninguém, mesmo quando estão sofrendo.
- Reações exageradas:
- Uma pequena frustração (como não ganhar um brinquedo) pode desencadear uma birra intensa.
Com os amigos
- Não entende regras sociais:
- Pode interromper conversas, falar alto demais ou não respeitar o espaço dos outros.
- Não entende piadas ou sarcasmo (leva tudo ao pé da letra).
- Dificuldade para manter amizades:
- Consegue fazer amigos, mas não sabe como mantê-los (por exemplo, não liga para saber como estão ou não lembra de datas importantes).
- Pode ser muito intensa (quer passar todo o tempo com uma pessoa) ou muito distante (não demonstra interesse).
Como os pais podem ajudar?
- Ensinar habilidades sociais na prática:
- Brincar de “faz de conta” para simular situações sociais (como convidar um amigo para brincar).
- Elogiar quando a criança age de forma adequada (“Que legal que você dividiu o brinquedo!”).
- Dar modelos de comportamento:
- Mostrar como se pede desculpas, como se inicia uma conversa ou como se lida com a frustração.
- Evitar superproteção:
- É importante proteger a criança, mas também dar espaço para que ela experimente e aprenda com os erros.
Na rotina
A rotina de uma criança com F89 pode ser caótica, porque ela tem dificuldade para se organizar e lidar com mudanças.
Sono
- Dificuldade para dormir:
- Pode demorar horas para pegar no sono ou acordar várias vezes durante a noite.
- Alguns têm pesadelos frequentes ou medo de dormir sozinhos.
- Sono desregulado:
- Dorme de dia e fica acordada à noite, ou dorme poucas horas por noite.
Dicas para melhorar o sono:
– Criar uma rotina relaxante antes de dormir (banho morno, história, luz baixa).
– Evitar telas (TV, celular, tablet) pelo menos 1 hora antes de dormir.
– Manter horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana.
Alimentação
- Seletividade extrema:
- Come apenas alguns alimentos (por exemplo, só arroz e batata frita).
- Recusa alimentos por textura, cor ou cheiro.
- Comer demais ou de menos:
- Algumas crianças comem compulsivamente, como se não soubessem quando estão satisfeitas.
- Outras comem muito pouco, sem demonstrar fome.
Dicas para uma alimentação saudável:
– Introduzir novos alimentos gradualmente (começar com pequenas porções).
– Fazer refeições em família, sem distrações (como TV ou celular).
– Evitar brigas ou chantagens (“Se não comer, não vai brincar”). Isso pode piorar a relação com a comida.
Autocuidado
- Dificuldade para se vestir, escovar os dentes ou tomar banho:
- Mesmo sendo capaz, pode resistir ou fazer tudo muito devagar.
- Higiene precária:
- Não gosta de tomar banho, escovar os dentes ou trocar de roupa.
Dicas para incentivar o autocuidado:
– Transformar as tarefas em brincadeiras (por exemplo, escovar os dentes junto com a criança, fazendo caretas no espelho).
– Usar recompensas simbólicas (como um adesivo no calendário a cada tarefa concluída).
– Dar escolhas limitadas (“Você quer escovar os dentes antes ou depois do pijama?”).
Na saúde física
O estresse causado pelas dificuldades do F89 pode afetar o corpo da criança de várias formas.
Problemas comuns:
- Dores de cabeça ou barriga frequentes:
- Muitas vezes, são somatizações (o corpo expressando o que a mente não consegue).
- Sistema imunológico enfraquecido:
- Pode ter mais resfriados, alergias ou infecções.
- Problemas gastrointestinais:
- Diarreia, prisão de ventre ou refluxo podem estar ligados ao estresse.
Como cuidar da saúde física?
- Rotina médica regular:
- Levar a criança ao pediatra pelo menos uma vez por ano, mesmo que não esteja doente.
- Atividade física:
- Brincadeiras ao ar livre, natação ou dança ajudam a reduzir o estresse e melhorar o sono.
- Alimentação balanceada:
- Mesmo com seletividade, tentar incluir frutas, legumes e proteínas na dieta.
O que causa essa condição?
O F89 não tem uma causa única. É como um quebra-cabeça com várias peças: genética, ambiente, experiências de vida e até mesmo fatores biológicos. Vamos entender cada uma delas.
1. Fatores genéticos: “A herança invisível”
Imagine que o desenvolvimento de uma criança é como uma receita de bolo. Os genes são os ingredientes: farinha, ovos, açúcar. Se algum ingrediente estiver “estragado” ou em quantidade errada, o bolo pode não crescer direito.
No F89, não há um “gene do transtorno”, mas algumas crianças podem ter uma predisposição genética para dificuldades no desenvolvimento. Isso significa que, se há casos de autismo, TDAH, esquizofrenia ou outros transtornos mentais na família, a criança pode ter mais chances de desenvolver problemas no desenvolvimento.
Exemplo:
– Se o pai ou a mãe teve dificuldades de aprendizagem na infância, a criança pode herdar uma tendência a ter os mesmos desafios.
– Se há casos de depressão ou ansiedade na família, a criança pode ser mais sensível a estressores ambientais.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se ninguém na família tem problemas mentais, meu filho não pode ter F89.”
✅ Verdade: Mesmo sem histórico familiar, outros fatores (como ambiente ou complicações na gestação) podem desencadear o transtorno.
2. Fatores neurobiológicos: “O cérebro em construção”
O cérebro de uma criança é como uma cidade em obras. Algumas ruas estão prontas, outras ainda estão sendo pavimentadas, e algumas nem começaram a ser construídas. No F89, algumas “ruas” (áreas do cérebro) podem não estar se desenvolvendo como esperado.
O que pode estar acontecendo no cérebro?
- Desequilíbrio químico:
- Neurotransmissores (como serotonina e dopamina) são como “mensageiros” do cérebro. Se eles não estão em equilíbrio, a comunicação entre as áreas cerebrais pode ficar prejudicada.
- Conexões cerebrais fracas:
- Algumas áreas do cérebro (como o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e controle de impulsos) podem não estar se conectando direito com outras regiões.
- Diferenças estruturais:
- Estudos mostram que crianças com transtornos do desenvolvimento podem ter diferenças sutis no tamanho ou formato de algumas áreas cerebrais.
Exemplo:
– Uma criança com dificuldade para entender regras sociais pode ter menos atividade na área do cérebro responsável pela empatia (o córtex cingulado anterior).
– Uma criança que não consegue se concentrar pode ter dificuldade na comunicação entre o córtex pré-frontal e as áreas de atenção.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Crianças com F89 têm o cérebro ‘danificado’.”
✅ Verdade: O cérebro delas é diferente, não danificado. Com estímulos adequados, novas conexões podem ser formadas.
3. Fatores ambientais: “O peso do mundo ao redor”
O ambiente em que a criança cresce é como o solo onde uma planta é plantada. Se o solo for pobre em nutrientes, a planta pode crescer torta ou fraca. No F89, experiências negativas na infância podem “enfraquecer” o desenvolvimento.
Fatores de risco:
- Negligência:
- Falta de afeto, estímulo ou cuidados básicos (como alimentação e higiene).
- Abuso:
- Físico, emocional ou sexual.
- Instabilidade familiar:
- Mudanças frequentes de cuidadores (como em casos de adoção ou abrigos).
- Pobreza extrema:
- Falta de acesso a saúde, educação e alimentação adequada.
- Exposição a violência:
- Testemunhar brigas em casa ou na comunidade.
Exemplo:
– Uma criança que cresceu em um abrigo, sem uma figura de referência, pode ter dificuldade para formar vínculos afetivos.
– Uma criança que sofreu abuso pode desenvolver comportamentos agressivos ou de evitação.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se a criança teve uma infância difícil, ela vai ter problemas para sempre.”
✅ Verdade: Com apoio adequado (terapia, ambiente seguro), muitas crianças conseguem superar traumas e desenvolver habilidades que pareciam perdidas.
4. Fatores da gestação e parto: “O começo de tudo”
Alguns problemas no desenvolvimento podem começar antes mesmo do nascimento.
Fatores de risco:
- Complicações na gravidez:
- Infecções (como rubéola ou toxoplasmose), uso de álcool ou drogas, desnutrição.
- Parto prematuro:
- Bebês nascidos antes das 37 semanas podem ter mais dificuldades no desenvolvimento.
- Sofrimento fetal:
- Falta de oxigênio durante o parto pode afetar áreas do cérebro.
- Exposição a toxinas:
- Chumbo, mercúrio ou pesticidas podem prejudicar o desenvolvimento cerebral.
Exemplo:
– Uma criança que nasceu prematura pode ter dificuldade para se concentrar ou controlar impulsos.
– Uma criança cuja mãe usou álcool durante a gravidez pode ter problemas de aprendizagem.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se a criança teve problemas na gestação, ela vai ter deficiência intelectual.”
✅ Verdade: Muitas crianças com histórico de complicações na gestação se desenvolvem normalmente com estímulos adequados.
5. Modelo biopsicossocial: “A soma de tudo”
O F89 não é causado por um único fator, mas pela combinação de vários. É como uma receita onde:
– Biológico (genes, cérebro): Os ingredientes.
– Psicológico (emoções, pensamentos): O modo de preparo.
– Social (ambiente, família, cultura): O forno onde o bolo assa.
Exemplo:
– Uma criança com predisposição genética para dificuldades de aprendizagem (biológico) + pais ausentes (social) + experiência de bullying na escola (psicológico) pode desenvolver sintomas mais graves do que uma criança com apenas um desses fatores.
Como é feito o diagnóstico?
Receber um diagnóstico de F89 pode ser um alívio para muitas famílias, porque dá nome ao que a criança está vivendo e abre portas para tratamentos. Mas o processo não é simples — exige tempo, paciência e uma avaliação cuidadosa.
Passo a passo do diagnóstico
- Primeiros sinais de alerta:
- Os pais ou professores percebem que a criança não está se desenvolvendo como as outras (por exemplo, não fala, não faz amigos, tem comportamentos estranhos).
-
Às vezes, a criança é encaminhada para avaliação por causa de problemas na escola (notas baixas, agressividade, isolamento).
-
Consulta com o pediatra:
- O primeiro passo é descartar causas físicas (como problemas de audição, visão ou doenças neurológicas).
-
O pediatra pode pedir exames (como hemograma, teste de audição ou ressonância magnética) para garantir que não há nada orgânico por trás dos sintomas.
-
Avaliação com especialistas:
- Psiquiatra infantil: Faz uma entrevista detalhada com os pais e observa a criança.
- Psicólogo: Aplica testes para avaliar habilidades cognitivas, emocionais e sociais.
- Fonoaudiólogo: Avalia a linguagem e a comunicação.
-
Terapeuta ocupacional: Observa habilidades motoras e de autonomia.
-
Coleta de informações:
-
Os profissionais vão perguntar sobre:
- Histórico familiar (se há casos de transtornos mentais).
- Gestação e parto (se houve complicações).
- Desenvolvimento da criança (quando começou a falar, andar, interagir).
- Comportamentos atuais (como ela age em casa, na escola, com os amigos).
-
Diagnóstico diferencial:
-
O F89 é um diagnóstico de exclusão, ou seja, é dado quando nenhum outro transtorno se encaixa melhor. Por isso, os profissionais precisam descartar:
- Autismo (TEA): Se há padrões claros de dificuldade na comunicação e comportamentos repetitivos.
- TDAH: Se a criança tem hiperatividade, impulsividade e desatenção.
- Retardo mental: Se há atraso global no desenvolvimento.
- Transtornos de ansiedade ou depressão: Se os sintomas são mais emocionais do que desenvolvimentais.
-
Chegada ao diagnóstico:
- Se os sintomas não se encaixam em nenhum outro transtorno e atrapalham a vida da criança, o diagnóstico de F89 pode ser dado.
- Às vezes, o diagnóstico é provisório — os profissionais podem esperar mais alguns meses para ver como a criança evolui.
Quanto tempo leva para ser diagnosticado?
Não há um prazo fixo, mas o processo pode levar de alguns meses a mais de um ano, dependendo de:
– Acesso a profissionais: Em cidades pequenas ou no SUS, pode haver fila de espera.
– Complexidade do caso: Se a criança tem sintomas mistos (por exemplo, traços de autismo + TDAH), a avaliação pode ser mais demorada.
– Colaboração da família: Se os pais conseguem dar informações detalhadas e levar a criança às consultas, o processo é mais rápido.
Quem pode diagnosticar?
- Psiquiatra infantil: É o profissional mais indicado, porque tem formação para avaliar transtornos mentais.
- Neurologista infantil: Pode ajudar a descartar causas neurológicas.
- Psicólogo: Faz avaliações cognitivas e emocionais, mas não pode receitar medicamentos.
- Equipe multiprofissional: Em alguns casos, o diagnóstico é feito por uma equipe (psiquiatra + psicólogo + fonoaudiólogo + terapeuta ocupacional).
Diagnóstico no SUS vs. particular
| SUS | Particular |
|---|---|
| Vantagens: Gratuito, cobertura nacional. | Vantagens: Mais rápido, profissionais especializados. |
| Desvantagens: Filas de espera, poucos profissionais especializados em algumas regiões. | Desvantagens: Custo alto (consultas podem custar R$ 300–R$ 800). |
| Como acessar: Procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou CAPS infantil. | Como acessar: Procurar clínicas particulares ou planos de saúde. |
| Tempo de espera: Pode levar meses ou até anos. | Tempo de espera: Geralmente algumas semanas. |
Dica: Se você está no SUS e a fila está muito longa, peça um encaminhamento para um CAPS infantil (Centro de Atenção Psicossocial). Esses serviços são especializados em saúde mental infantil e podem agilizar o processo.
O que esperar da primeira consulta?
A primeira consulta costuma ser mais longa (1–2 horas) e envolve:
1. Entrevista com os pais:
– O profissional vai perguntar sobre:
– Gestação, parto e primeiros anos de vida.
– Comportamentos atuais (sono, alimentação, escola, relacionamentos).
– Histórico familiar de transtornos mentais.
2. Observação da criança:
– O profissional vai interagir com a criança para observar:
– Como ela se comunica.
– Como reage a instruções.
– Se apresenta comportamentos repetitivos ou estranhos.
3. Explicação sobre os próximos passos:
– O profissional pode pedir exames ou encaminhar para outros especialistas.
– Pode sugerir uma avaliação mais longa (com testes psicológicos).
Dica: Leve anotações sobre o desenvolvimento da criança (quando começou a falar, andar, etc.) e vídeos de comportamentos que você acha estranhos. Isso ajuda o profissional a entender melhor o caso.
Diagnóstico diferencial: condições que podem ser confundidas
Algumas condições têm sintomas parecidos com o F89, mas são diferentes. Veja como o médico as diferencia:
| Condição | Como se diferencia do F89? |
|---|---|
| Autismo (TEA) | No autismo, há padrões claros de dificuldade na comunicação, interesses restritos e comportamentos repetitivos. No F89, esses sintomas podem aparecer, mas não são tão marcados. |
| TDAH | No TDAH, a criança tem hiperatividade, impulsividade e desatenção, mas não necessariamente dificuldades no desenvolvimento social ou emocional. |
| Retardo mental | No retardo mental, há atraso global no desenvolvimento (intelectual, social, motor). No F89, algumas áreas podem estar preservadas. |
| Transtorno de ansiedade | Na ansiedade, os sintomas são mais emocionais (medo, preocupação excessiva). No F89, as dificuldades são mais amplas (social, cognitivo, emocional). |
| Transtorno de apego reativo | No apego reativo, a criança teve negligência grave e não forma vínculos afetivos. No F89, os sintomas são mais variados e não necessariamente ligados a maus-tratos. |
Tratamento
Receber o diagnóstico de F89 pode ser assustador, mas há muitas formas de ajudar a criança a se desenvolver e ter uma vida plena. O tratamento costuma ser multidisciplinar, ou seja, envolve vários profissionais trabalhando juntos.
1. Medicamentos
Os medicamentos não curam o F89, mas podem ajudar a controlar sintomas específicos, como ansiedade, agressividade ou dificuldade de concentração.
Classes de medicamentos usadas:
| Medicamento | Para que serve? | Como funciona? | Efeitos colaterais comuns |
|---|---|---|---|
| Estimulantes (ex.: Ritalina, Concerta) | TDAH (desatenção, hiperatividade) | Aumentam a dopamina e noradrenalina no cérebro, melhorando a concentração. | Insônia, perda de apetite, dor de cabeça. |
| Antipsicóticos atípicos (ex.: Risperidona, Aripiprazol) | Agressividade, irritabilidade, comportamentos repetitivos | Bloqueiam a dopamina em áreas específicas do cérebro. | Ganho de peso, sonolência, tremores. |
| Antidepressivos (ex.: Fluoxetina, Sertralina) | Ansiedade, depressão, comportamentos obsessivos | Aumentam a serotonina no cérebro, melhorando o humor. | Náusea, dor de cabeça, insônia. |
| Estabilizadores de humor (ex.: Ácido Valproico, Carbamazepina) | Oscilações de humor, impulsividade | Regulam a atividade elétrica no cérebro. | Sonolência, ganho de peso, tremores. |
Perguntas comuns sobre medicamentos:
❓ “Meu filho vai precisar tomar remédio para sempre?”
➡️ Não necessariamente. Alguns medicamentos são usados por um tempo, até que a criança desenvolva outras habilidades (como controle emocional). Outros podem ser necessários por anos, dependendo do caso.
❓ “Os remédios vão mudar a personalidade do meu filho?”
➡️ Não. Os medicamentos não mudam quem a criança é — eles ajudam a controlar sintomas que estão atrapalhando sua vida. Por exemplo, se ela é agressiva por causa da impulsividade, o remédio pode ajudá-la a se acalmar, mas não vai transformá-la em outra pessoa.
❓ “Os remédios causam dependência?”
➡️ A maioria não. Alguns medicamentos (como os estimulantes para TDAH) podem causar dependência se usados de forma inadequada, mas sob supervisão médica, o risco é baixo.
❓ “Quanto tempo demora para fazer efeito?”
➡️ Depende do remédio:
– Estimulantes (para TDAH): 1–2 horas (efeito rápido).
– Antidepressivos: 2–6 semanas (efeito gradual).
– Antipsicóticos: 1–2 semanas.
❓ “O que fazer se meu filho tiver efeitos colaterais?”
➡️ Não pare o remédio de uma vez. Converse com o médico — ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento.
2. Psicoterapia
A terapia é fundamental para ajudar a criança a desenvolver habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Existem várias abordagens, e a escolha depende das necessidades da criança.
Abordagens com mais evidência para F89:
| Abordagem | Como funciona? | Para quem é indicada? | O que acontece na sessão? |
|---|---|---|---|
| Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) | Ensina a criança a identificar pensamentos negativos e substituí-los por outros mais realistas. Também trabalha habilidades sociais e emocionais. | Crianças com ansiedade, depressão, dificuldade para lidar com frustrações. | A criança aprende através de jogos, desenhos e conversas. Por exemplo, se ela tem medo de ir à escola, o terapeuta pode ajudá-la a enfrentar esse medo gradualmente. |
| Terapia de Integração Sensorial | Ajuda a criança a processar estímulos sensoriais (toque, som, movimento). | Crianças com hipersensibilidade (ex.: não suporta barulhos altos) ou hipossensibilidade (ex.: não sente dor). | A criança faz atividades lúdicas (como pular em uma cama elástica, brincar com massinha) para aprender a regular suas sensações. |
| Terapia de Habilidades Sociais | Ensina regras de convivência (como iniciar uma conversa, dividir brinquedos, lidar com críticas). | Crianças com dificuldade para fazer amigos ou entender regras sociais. | A criança participa de brincadeiras em grupo e recebe feedback do terapeuta. Por exemplo, se ela interrompe uma conversa, o terapeuta explica como esperar sua vez. |
| Terapia Familiar | Trabalha a dinâmica familiar para melhorar a comunicação e reduzir conflitos. | Famílias com dificuldade para lidar com os comportamentos da criança ou com histórico de negligência. | Os pais e a criança participam juntos. O terapeuta ajuda a família a criar regras claras e a lidar com crises. |
| Psicomotricidade | Usa movimentos e brincadeiras para melhorar a coordenação motora, a atenção e a autoestima. | Crianças com dificuldade para se organizar, agitação ou falta de confiança. | A criança faz atividades físicas (como pular corda, equilibrar-se em uma trave) enquanto o terapeuta observa e orienta. |
Terapia individual vs. grupo vs. familiar
| Tipo de terapia | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Individual | Foco total na criança, ambiente seguro para se abrir. | Pode ser mais caro, não trabalha interação social. |
| Grupo | A criança aprende na prática como interagir com os outros. | Pode ser difícil para crianças muito tímidas ou agressivas. |
| Familiar | Melhora a comunicação em casa e ajuda os pais a entenderem melhor a criança. | Exige comprometimento de todos os membros da família. |
Quanto tempo dura a terapia?
- Terapia breve: 10–20 sessões (para questões pontuais, como medo de ir à escola).
- Terapia de longo prazo: 1–2 anos ou mais (para dificuldades mais complexas, como traumas ou transtornos associados).
3. Mudanças no dia a dia
Além da terapia e dos medicamentos, pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença na vida da criança.
Exercício físico
Por que ajuda?
– Melhora a concentração e reduz a hiperatividade.
– Libera endorfinas, que melhoram o humor.
– Ajuda a regular o sono.
Quais atividades são melhores?
– Natação: Trabalha a coordenação motora e é relaxante.
– Artes marciais (judô, karatê): Ensinam disciplina e controle emocional.
– Dança: Ajuda a expressar emoções e melhora a autoestima.
– Brincadeiras ao ar livre: Correr, pular, andar de bicicleta.
Dica: Escolha atividades que a criança goste — se ela não se divertir, não vai aderir.
Sono
Por que é importante?
– Uma criança com F89 pode ter dificuldade para dormir (por ansiedade, agitação ou rotina desorganizada).
– O sono ruim piora os sintomas (irritabilidade, desatenção, agressividade).
Dicas para uma boa noite de sono:
✅ Rotina fixa: Horário para dormir e acordar todos os dias (inclusive nos fins de semana).
✅ Ambiente tranquilo: Quarto escuro, silencioso e em temperatura agradável.
✅ Rotina relaxante: Banho morno, história, música calma.
❌ Evitar:
– Telas (TV, celular, tablet) 1 hora antes de dormir.
– Bebidas com cafeína (refrigerante, chocolate) à noite.
– Atividades agitadas antes de dormir.
Alimentação
Como a alimentação afeta o desenvolvimento?
– Alguns nutrientes são essenciais para o cérebro, como:
– Ômega-3 (peixes, nozes): Melhora a memória e a concentração.
– Ferro (carne, feijão): Previne anemia, que pode causar cansaço e desatenção.
– Vitaminas do complexo B (ovos, leite): Importantes para o sistema nervoso.
Dicas para uma alimentação saudável:
✅ Oferecer variedade: Mesmo que a criança seja seletiva, tente introduzir novos alimentos gradualmente.
✅ Refeições em família: Comer junto ajuda a criança a aprender regras sociais (como esperar sua vez para falar).
✅ Evitar alimentos ultraprocessados: Eles podem piorar a hiperatividade e a irritabilidade.
❌ Não forçar: Brigar na hora da refeição pode criar trauma e piorar a relação com a comida.
Rotina
Por que a rotina é importante?
– Crianças com F89 se sentem mais seguras quando sabem o que vai acontecer.
– Uma rotina bem estruturada reduz a ansiedade e melhora o comportamento.
Como estruturar o dia?
1. Acordar no mesmo horário todos os dias.
2. Café da manhã (mesmo que seja pouco).
3. Atividades da manhã (escola, terapia, brincadeiras).
4. Almoço em horário fixo.
5. Atividades da tarde (lição de casa, exercício físico, tempo livre).
6. Jantar em família.
7. Rotina da noite (banho, história, dormir).
Dica: Use agendas visuais (com desenhos ou fotos) para ajudar a criança a entender a rotina.
Técnicas de manejo para os sintomas
Algumas estratégias podem ajudar a lidar com comportamentos desafiadores:
| Comportamento | O que fazer? | O que NÃO fazer? |
|---|---|---|
| Birra | – Manter a calma. – Ignorar o comportamento (se não for perigoso). – Elogiar quando ela se acalmar. |
– Gritar ou bater. – Ceder às exigências. – Fazer ameaças que não serão cumpridas. |
| Agressividade | – Afastar a criança do que está causando a raiva. – Ensinar formas de expressar a raiva (ex.: desenhar, socar um travesseiro). – Dar opções (“Você quer parar agora ou daqui a 5 minutos?”). |
– Retribuir a agressão. – Fazer chantagem (“Se bater, não vai brincar”). – Ignorar se a criança estiver machucando alguém. |
| Isolamento | – Respeitar o espaço da criança, mas oferecer companhia. – Propor atividades que ela goste (ex.: desenhar, ouvir música). – Evitar forçar interações sociais. |
– Criticar (“Você é antissocial”). – Forçar a criança a participar de atividades em grupo. – Comparar com outras crianças. |
| Desatenção | – Dar instruções uma de cada vez. – Usar contato visual ao falar. – Dividir tarefas em passos pequenos. |
– Dar várias ordens ao mesmo tempo. – Esperar que ela se concentre por muito tempo. – Criticar (“Você não presta atenção em nada!”). |
Convivendo com o diagnóstico
Receber o diagnóstico de F89 pode ser um choque para a família. É normal sentir medo, culpa ou até alívio (por finalmente ter uma explicação). O importante é lembrar que a criança não é o diagnóstico — ela é uma pessoa com desafios, mas também com muitas qualidades.
Para a pessoa com o diagnóstico
Se você é uma criança ou adolescente com F89, saiba que:
✅ Você não está sozinho. Muitas crianças passam por dificuldades parecidas.
✅ Você não é “difícil” ou “problemático”. Seu cérebro funciona de um jeito diferente, e isso não é ruim — só significa que você precisa de estratégias diferentes para aprender e se relacionar.
✅ Você pode melhorar. Com terapia, apoio da família e paciência, muitas coisas vão ficar mais fáceis.
✅ Você tem pontos fortes. Talvez você seja muito criativo, tenha uma memória incrível ou seja ótimo em resolver problemas. Foque nisso!
Dicas para lidar com os desafios:
– Peça ajuda quando precisar. Não tenha vergonha de dizer que não entendeu algo ou que está se sentindo sobrecarregado.
– Encontre atividades que você goste. Pode ser desenhar, tocar um instrumento, praticar esportes — o importante é se sentir bem.
– Não se compare com os outros. Cada pessoa tem seu ritmo, e está tudo bem.
– Celebre suas conquistas. Aprendeu a amarrar o sapato? Fez um amigo novo? Isso é motivo de orgulho!
Para familiares e amigos
Se você convive com uma criança com F89, seu apoio é fundamental. Mas também é importante cuidar de si mesmo.
Como ajudar de forma efetiva?
✅ Informe-se sobre o transtorno. Quanto mais você entender, melhor poderá ajudar.
✅ Seja paciente. A criança pode precisar de mais tempo para aprender coisas que parecem simples.
✅ Estabeleça limites claros. Regras consistentes ajudam a criança a se sentir segura.
✅ Elogie os esforços, não só os resultados. Em vez de dizer “Você é inteligente”, diga “Eu vi que você se esforçou muito nisso!”.
✅ Crie um ambiente seguro. Evite brigas, gritos ou situações que possam assustar a criança.
✅ Incentive a autonomia. Deixe a criança fazer coisas sozinha (mesmo que demore mais), como se vestir ou arrumar a mochila.
O que NÃO fazer?
❌ Comparar com outras crianças. Cada criança tem seu ritmo.
❌ Rotular. Evite frases como “Você é preguiçoso” ou “Você não presta atenção em nada”.
❌ Superproteger. É importante dar espaço para a criança experimentar e aprender com os erros.
❌ Ignorar seus próprios sentimentos. É normal sentir frustração, cansaço ou até raiva. Não se culpe por isso.
❌ Desistir. Pode ser difícil, mas com persistência, as coisas melhoram.
Como cuidar de si mesmo?
- Peça ajuda. Não tente fazer tudo sozinho — converse com outros familiares, amigos ou profissionais.
- Tire um tempo para você. Mesmo que seja só 10 minutos por dia, faça algo que goste (ler, tomar um café, caminhar).
- Participe de grupos de apoio. Conversar com outras famílias que passam pela mesma situação pode ser muito reconfortante.
- Aceite que você não é perfeito. Todos cometem erros — o importante é aprender com eles.
Como explicar para outras pessoas?
Muitas pessoas não entendem o que é o F89 e podem fazer comentários inadequados. Veja como explicar de forma simples:
Para crianças:
“O [nome da criança] tem um jeito diferente de aprender e se relacionar. Às vezes, ele precisa de mais ajuda para entender as coisas, mas é uma pessoa incrível!”
Para adultos:
“O F89 é um transtorno do desenvolvimento que afeta a forma como a criança interage com o mundo. Não é falta de educação ou preguiça — é como se o cérebro dela processasse as informações de um jeito diferente. Com apoio, ela pode desenvolver suas habilidades e ter uma vida plena.”
Quando os sintomas podem piorar?
Algumas situações podem desencadear ou piorar os sintomas do F89:
⚠️ Mudanças na rotina:
– Mudança de escola, de casa ou de cuidador.
– Férias ou feriados (quando a rotina é quebrada).
⚠️ Eventos estressantes:
– Morte de um familiar.
– Separação dos pais.
– Bullying na escola.
⚠️ Falta de sono ou alimentação inadequada:
– Dormir pouco ou comer mal pode aumentar a irritabilidade e a desatenção.
⚠️ Doenças ou dores físicas:
– Uma dor de ouvido ou uma gripe podem deixar a criança mais agitada ou retraída.
O que fazer nesses casos?
– Manter a calma. A criança pode estar sentindo sua ansiedade.
– Oferecer segurança. Explique o que está acontecendo de forma simples (“A vovó foi para o céu, mas a gente ainda pode lembrar dela com carinho”).
– Manter a rotina o máximo possível. Mesmo em viagens ou mudanças, tente manter horários fixos para refeições e sono.
– Procurar ajuda profissional. Se os sintomas piorarem muito, converse com o psiquiatra ou psicólogo.
Perguntas frequentes
1. “Meu filho vai se desenvolver normalmente?”
Não existe uma resposta única para essa pergunta, porque cada criança é diferente. Algumas crianças com F89:
– Alcançam marcos do desenvolvimento mais tarde (por exemplo, começam a falar depois dos 3 anos).
– Precisam de apoio por mais tempo (por exemplo, continuam tendo dificuldade para fazer amigos na adolescência).
– Desenvolvem habilidades de forma desigual (por exemplo, são ótimas em matemática, mas têm dificuldade para ler).
O mais importante é não comparar seu filho com outras crianças. O foco deve ser ajudá-lo a desenvolver seu potencial, não atingir um “padrão normal”.
Sinais de que a criança está progredindo:
✔️ Melhora na comunicação (consegue expressar o que sente).
✔️ Mais autonomia (consegue se vestir sozinha, fazer lição de casa).
✔️ Melhor interação social (faz amigos, participa de brincadeiras em grupo).
✔️ Menos comportamentos desafiadores (menos birras, agressividade).
2. “O F89 tem cura?”
O F89 não é uma doença, mas um padrão de desenvolvimento diferente. Por isso, não há uma “cura”, mas há tratamentos que ajudam a criança a se desenvolver melhor.
Com terapia, apoio familiar e, em alguns casos, medicamentos, muitas crianças conseguem superar suas dificuldades e ter uma vida plena. Algumas até “perdem” o diagnóstico na adolescência ou vida adulta, porque desenvolvem habilidades que antes eram desafiadoras.
O que determina o prognóstico?
– Idade do diagnóstico: Quanto mais cedo a criança receber apoio, melhor.
– Gravidade dos sintomas: Crianças com sintomas leves tendem a ter mais progressos.
– Apoio familiar: Famílias que buscam ajuda e seguem as orientações dos profissionais têm melhores resultados.
– Acesso a tratamento: Crianças que fazem terapia e, quando necessário, usam medicamentos, evoluem mais.
3. “Meu filho vai conseguir estudar, trabalhar e ter uma família?”
Sim! Muitas pessoas com transtornos do desenvolvimento estudam, trabalham e formam famílias. O que muda é o caminho — algumas precisam de mais apoio, outras encontram formas alternativas de alcançar seus objetivos.
Exemplos de adaptações que podem ajudar:
– Na escola:
– Sala de recursos (para crianças com dificuldade de aprendizagem).
– Provas adaptadas (mais tempo, questões mais simples).
– Acompanhamento de um mediador (para ajudar nas interações sociais).
– No trabalho:
– Escolher uma profissão que combine com suas habilidades (por exemplo, alguém com dificuldade social pode se dar bem em trabalhos mais técnicos).
– Ambientes de trabalho inclusivos (que respeitam as diferenças).
– Na vida adulta:
– Terapia contínua (para lidar com desafios emocionais).
– Rede de apoio (amigos, familiares, grupos de suporte).
Histórias inspiradoras:
– Temple Grandin: Autista, se tornou uma das maiores especialistas em comportamento animal do mundo.
– John Elder Robison: Escreveu o livro “Olhe nos meus olhos”, sobre sua vida com Síndrome de Asperger (um tipo de autismo).
– Muitas pessoas anônimas: Que trabalham, estudam e formam famílias, mesmo com desafios no desenvolvimento.
4. “Como lidar com a culpa que sinto?”
É completamente normal sentir culpa quando um filho recebe um diagnóstico como o F89. Muitos pais se perguntam:
– “Será que eu fiz algo errado?”
– “Será que eu poderia ter evitado isso?”
– “Será que eu não dei atenção suficiente?”
A verdade é:
✅ Você não é culpado. O F89 é causado por uma combinação de fatores (genética, ambiente, experiências de vida), e nenhum pai é perfeito.
✅ Você está fazendo o seu melhor. Mesmo que às vezes erre, seu amor e dedicação fazem diferença.
✅ Culpa não ajuda ninguém. Em vez de se culpar, concentre-se em como ajudar seu filho agora.
O que fazer com a culpa?
– Fale sobre seus sentimentos. Converse com o psicólogo, com outros pais ou escreva em um diário.
– Lembre-se de que você não está sozinho. Muitos pais passam pela mesma coisa.
– Foque no presente. O que você pode fazer hoje para ajudar seu filho?
5. “Como explicar para a criança que ela tem F89?”
Essa é uma conversa delicada, mas muito importante. A criança precisa entender que não há nada de errado com ela — ela só funciona de um jeito diferente.
Dicas para a conversa:
– Use uma linguagem simples e positiva. Por exemplo:
“Você sabe que algumas coisas são mais difíceis para você do que para outras crianças? Isso acontece porque seu cérebro funciona de um jeito diferente. Mas isso não é ruim — só significa que você é único!”
– Dê exemplos concretos. Por exemplo:
“Você lembra quando ficou frustrado porque não conseguiu amarrar o sapato? Isso não é porque você é preguiçoso, é porque seu cérebro ainda está aprendendo essa habilidade.”
– Enfatize os pontos fortes. Por exemplo:
“Você é muito bom em desenhar e tem uma memória incrível! Essas são coisas que muitas crianças não têm.”
– Deixe claro que ela pode melhorar. Por exemplo:
“Com a ajuda da terapia e do nosso apoio, você vai aprender a lidar com essas dificuldades.”
– Responda às perguntas com honestidade. Se a criança perguntar “Eu sou doente?”, explique:
“Não, você não está doente. Seu cérebro só funciona de um jeito diferente, e isso faz parte de quem você é.”
Idade para conversar:
– Crianças pequenas (3–6 anos): Use histórias ou desenhos para explicar.
– Crianças maiores (7–12 anos): Converse de forma direta e positiva.
– Adolescentes: Eles podem ter mais perguntas e preocupações (como “Vou conseguir um emprego?”). Seja honesto, mas otimista.
6. “Como lidar com o preconceito das outras pessoas?”
Infelizmente, muitas pessoas não entendem o que é o F89 e podem fazer comentários ofensivos ou julgamentos. Isso pode acontecer na escola, na família ou até na rua.
O que fazer?
– Eduque com paciência. Explique o que é o transtorno e como ele afeta seu filho.
– Não leve para o pessoal. As pessoas agem por ignorância, não por maldade.
– Proteja seu filho. Se alguém fizer um comentário inadequado na frente da criança, explique que aquela pessoa não entende e que seu filho é incrível do jeito que é.
– Busque apoio. Converse com outras famílias que passam pela mesma situação — elas vão entender o que você está vivendo.
Frases para usar em situações difíceis:
– “Meu filho não é mal-educado — ele tem um transtorno do desenvolvimento que afeta a forma como ele interage com o mundo.”
– “Ele está aprendendo, e com paciência e apoio, vai conseguir.”
– “Não é falta de limites — é uma condição que precisa de compreensão.”
7. “Meu filho pode ter outros transtornos além do F89?”
Sim. O F89 é um diagnóstico residual, ou seja, é dado quando os sintomas não se encaixam em nenhum outro transtorno específico. Mas muitas crianças com F89 também têm:
– TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).
– Transtornos de ansiedade (medo excessivo, preocupações constantes).
– Depressão (tristeza profunda, perda de interesse em atividades).
– Transtorno Opositivo-Desafiador (comportamentos desafiadores e agressivos).
O que fazer?
– Fique atento a novos sintomas. Se a criança começar a apresentar comportamentos diferentes (como tristeza profunda ou medo excessivo), converse com o médico.
– Não tenha medo de buscar uma segunda opinião. Às vezes, um novo profissional pode identificar algo que passou despercebido.
8. “Como posso ajudar meu filho a fazer amigos?”
Fazer amigos pode ser um grande desafio para crianças com F89, mas é possível com algumas estratégias.
Dicas para ajudar:
✅ Ensine habilidades sociais na prática:
– Brinque de “faz de conta” para simular situações sociais (como convidar um amigo para brincar).
– Ensine frases simples para iniciar uma conversa (“Oi, posso brincar com você?”).
✅ Incentive atividades em grupo:
– Esportes, aulas de arte ou grupos de escoteiros podem ajudar a criança a interagir com outras.
✅ Elogie quando ela fizer algo socialmente adequado:
– “Que legal que você dividiu o brinquedo com o João!”
✅ Não force interações:
– Se a criança não quiser ir a uma festa, respeite. Forçar pode criar traumas.
✅ Converse com a escola:
– Peça para a professora ajudar a criança a se integrar (por exemplo, colocando-a em grupos pequenos).
Sinais de que a criança está progredindo:
– Começa a iniciar conversas com outras crianças.
– Aceita convites para brincar.
– Demonstra interesse pelos amigos (pergunta sobre eles, lembra de datas importantes).
9. “Como lidar com as birras e a agressividade?”
Birras e agressividade são comuns em crianças com F89, porque elas têm dificuldade para lidar com frustrações e expressar emoções.
Estratégias para lidar com birras:
1. Mantenha a calma. Se você gritar ou bater, a situação vai piorar.
2. Ignore o comportamento (se não for perigoso). Muitas vezes, a criança faz birra para chamar atenção.
3. Ofereça opções. Por exemplo: “Você quer parar agora ou daqui a 5 minutos?”
4. Elogie quando ela se acalmar. “Que bom que você conseguiu se controlar!”
Estratégias para lidar com agressividade:
1. Afaste a criança do que está causando a raiva. Por exemplo, se ela está batendo porque não quer fazer a lição, tire-a da mesa por alguns minutos.
2. Ensine formas alternativas de expressar a raiva. Por exemplo: desenhar, socar um travesseiro, respirar fundo.
3. Não retribua a agressão. Bater ou gritar só ensina que a violência é aceitável.
4. Converse depois que ela se acalmar. Explique que bater machuca e que há outras formas de resolver problemas.
Quando procurar ajuda profissional?
– Se a agressividade colocar a criança ou outras pessoas em risco.
– Se as birras acontecerem várias vezes por dia e durarem muito tempo.
– Se a criança não responder a estratégias de manejo.
10. “Como posso ajudar meu filho na escola?”
A escola pode ser um desafio para crianças com F89, mas com algumas adaptações, ela pode se tornar um lugar mais acolhedor.
Dicas para ajudar:
✅ Converse com a escola:
– Explique o diagnóstico e peça adaptações simples, como:
– Dar instruções uma de cada vez.
– Permitir que a criança faça pausas quando estiver sobrecarregada.
– Usar agendas visuais para ajudar na organização.
✅ Ajude com a lição de casa:
– Divida as tarefas em passos pequenos.
– Use recompensas simbólicas (como um adesivo no calendário).
– Não faça a lição por ela — o objetivo é que ela aprenda.
✅ Incentive a socialização:
– Converse com a professora sobre atividades em grupo que a criança possa participar.
– Incentive brincadeiras com colegas fora da escola.
✅ Fique atento ao bullying:
– Crianças com F89 podem ser alvo de bullying por serem diferentes.
– Ensine a criança a pedir ajuda se alguém a maltratar.
Sinais de que a escola não está sendo adequada:
– A criança chora ou se recusa a ir todos os dias.
– As notas caem muito sem motivo aparente.
– A criança volta para casa muito agitada ou triste.
– A escola não colabora com adaptações.
O que fazer nesses casos?
– Converse com a coordenação. Peça uma reunião para discutir o que pode ser melhorado.
– Busque uma escola mais inclusiva. Algumas escolas têm sala de recursos ou professores treinados para lidar com crianças com necessidades especiais.
– Considere a educação domiciliar (homeschooling). Em alguns casos, pode ser uma opção para crianças que não se adaptam ao ambiente escolar tradicional.
Quando procurar ajuda urgente
A maioria dos sintomas do F89 não é emergencial, mas em algumas situações, é importante buscar ajuda imediatamente.
Sinais de alerta vermelho (procure ajuda IMEDIATA):
🚨 Comportamentos autodestrutivos:
– A criança fala em se machucar ou se matar.
– Faz cortes ou outras formas de automutilação.
🚨 Agressividade extrema:
– Bate em outras pessoas sem motivo aparente.
– Quebra objetos ou coloca a si mesma ou os outros em risco.
🚨 Sintomas psicóticos:
– Fala coisas sem sentido (ex.: “Os aliens estão me perseguindo”).
– Tem alucinações (vê ou ouve coisas que não existem).
🚨 Recusa total de comida ou água:
– Passa mais de 24 horas sem comer ou beber.
🚨 Convulsões:
– Movimentos incontroláveis do corpo, perda de consciência.
O que fazer?
– Ligue para o SAMU (192) ou leve a criança para um pronto-socorro psiquiátrico.
– Não deixe a criança sozinha até que a ajuda chegue.
– Tire objetos perigosos do alcance (facas, remédios, cordas).
Sinais de alerta amarelo (procure ajuda nas próximas 24–48 horas):
⚠️ Mudanças bruscas de comportamento:
– Deixa de falar, comer ou interagir de uma hora para outra.
⚠️ Isolamento extremo:
– Recusa-se a sair do quarto ou evita qualquer contato social.
⚠️ Medo excessivo:
– Tem pesadelos frequentes ou medo de coisas que antes não a assustavam.
⚠️ Regressão:
– Volta a fazer xixi na cama ou falar como bebê.
⚠️ Fala em morte:
– Diz coisas como “Queria desaparecer” ou “Ninguém sentiria minha falta”.
O que fazer?
– Converse com o psiquiatra ou psicólogo da criança.
– Aumente a supervisão (não deixe a criança sozinha por muito tempo).
– Ofereça apoio emocional (diga que você está ali para ajudar).
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
- American Psychiatric Association (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Grandin, Temple. O Cérebro Autista: Pensando Através do Espectro. São Paulo: Record, 2014.
- Robison, John Elder. Olhe nos Meus Olhos: Minha Vida com a Síndrome de Asperger. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008.
- Barkley, Russell A. TDAH: Guia Completo para Pais, Professores e Profissionais. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- Klin, Ami; Volkmar, Fred R.; Sparrow, Sara S. Asperger Syndrome. New York: Guilford Press, 2000.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.
📞 CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 (gratuito, 24 horas).
🏥 CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): Procure a unidade mais próxima pelo site do Ministério da Saúde.
📚 APAE: Para apoio a pessoas com deficiência intelectual, acesse www.apaebrasil.org.br.