Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de alucinógenos (CID-10: F16)

Imagine que você está numa festa e alguém oferece um comprimido colorido ou um líquido num conta-gotas. A pessoa diz: “Isso vai te fazer ver as coisas de um jeito diferente, é incrível”. Você pode até ter ouvido falar de “viagens” com LSD, cogumelos mágicos ou ecstasy. Mas o que acontece quando essa “viagem” não acaba quando a droga sai do seu corpo? Ou quando os efeitos são tão fortes que você perde o contato com a realidade?

Os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de alucinógenos são como um curto-circuito no cérebro causado por essas substâncias. Elas mexem com a forma como você percebe o mundo, acha que as coisas são e até como se comporta. Mas aqui está a diferença: se você toma um copo de vinho e fica alegre, isso é uma reação normal ao álcool. Se você toma LSD e começa a ver monstros no teto ou acredita que seu melhor amigo é um espião, isso já não é só “estar chapado” — é um sinal de que algo mais sério está acontecendo.

Essa condição não é sobre “ter uma bad trip” e pronto. É quando os efeitos da droga duram muito mais do que deveriam, ou quando são tão intensos que atrapalham sua vida mesmo depois que a substância saiu do seu corpo. É como se o interruptor do seu cérebro ficasse preso na posição “ligado” para alucinações, paranoia ou confusão mental.

No Brasil, o uso de alucinógenos ainda não é tão comum quanto o de álcool ou maconha, mas vem crescendo, especialmente entre jovens de 18 a 24 anos. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 1% da população brasileira já experimentou algum tipo de alucinógeno pelo menos uma vez na vida. A maioria são homens, mas o uso entre mulheres vem aumentando. O problema é que muitas pessoas não sabem que essas substâncias podem causar danos permanentes — ou pelo menos muito difíceis de reverter.

Historicamente, os alucinógenos sempre estiveram ligados a rituais religiosos e culturais. Povos indígenas da América do Sul usam ayahuasca há séculos em cerimônias espirituais. Mas o que acontece quando essas substâncias saem do contexto sagrado e vão parar nas mãos de adolescentes em festas? O cérebro humano não foi feito para lidar com doses altas de LSD ou ecstasy sem consequências. E é aí que os problemas começam.


Quais são os sintomas?

Para entender se o que você ou alguém próximo está vivendo é um transtorno causado por alucinógenos, precisamos olhar para três coisas principais: o que acontece durante o uso da droga, o que acontece depois que a droga sai do corpo e como isso afeta a vida da pessoa. Vamos traduzir cada critério técnico para o dia a dia.

1. Os sintomas começam durante ou logo depois do uso da droga

O que isso quer dizer na prática?
Os efeitos não aparecem do nada, dias depois de usar a substância. Eles surgem enquanto a pessoa ainda está sob o efeito da droga ou até um mês depois que ela parou de usar. Por exemplo:
– Você toma LSD numa festa e, no dia seguinte, ainda está vendo cores mais vivas do que o normal ou ouvindo sons que não existem.
– Você usa ecstasy e, uma semana depois, ainda acredita que as pessoas ao seu redor estão tentando te envenenar.

Exemplos concretos:
Alucinações: Você está no trabalho e começa a ver insetos rastejando na parede, mas quando chega perto, não tem nada lá. Ou ouve vozes dizendo para você pular da janela, mesmo sabendo que isso não faz sentido.
Delírios: Você acha que seu chefe colocou uma câmera no seu computador para te espionar. Ou acredita que seu parceiro está te traindo, mesmo sem nenhuma prova.
Confusão mental: Você não consegue acompanhar uma conversa simples. As pessoas falam com você, mas você não entende o que elas estão dizendo, como se estivessem falando em outro idioma.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Todo mundo que usa alucinógenos vai ter algum tipo de alteração na percepção — é o que a droga faz. Mas quando essas alterações são tão fortes que você não consegue mais distinguir o que é real do que não é, ou quando elas duram muito mais do que deveriam, aí é um sinal de alerta.


2. Os sintomas são mais fortes do que o esperado para a quantidade de droga usada

O que isso quer dizer na prática?
Não é só uma questão de “tomar muito”. Mesmo uma dose pequena pode causar sintomas graves em algumas pessoas. Por exemplo:
– Você toma meio comprimido de ecstasy e, em vez de se sentir feliz e conectado com as pessoas, começa a ter ataques de pânico e acredita que todo mundo na festa quer te machucar.
– Você usa uma quantidade mínima de LSD e, em vez de ver cores mais vivas, começa a ter alucinações assustadoras que duram dias.

Exemplos concretos:
Reação exagerada: Você já usou alucinógenos antes e sempre teve experiências leves. Mas dessa vez, mesmo com a mesma dose, você começa a ver coisas que não existem e acredita que está sendo perseguido por alienígenas.
Duração prolongada: Os efeitos de um alucinógeno geralmente duram entre 6 e 12 horas. Mas você ainda está vendo coisas estranhas ou sentindo medo intenso uma semana depois.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Se você toma uma droga e tem uma experiência ruim, mas os efeitos passam em algumas horas, isso é uma “bad trip”. Mas se os efeitos duram dias ou semanas, ou se são tão intensos que você não consegue mais funcionar no dia a dia, aí é um sinal de que algo mais sério está acontecendo.


3. Os sintomas não são melhor explicados por outra condição mental

O que isso quer dizer na prática?
Às vezes, os sintomas causados por alucinógenos podem ser confundidos com outras condições, como esquizofrenia ou transtorno bipolar. Mas há algumas diferenças importantes:
Histórico familiar: Se você tem parentes com esquizofrenia ou transtorno bipolar, é mais provável que os sintomas sejam causados por essas condições, e não pela droga.
Início dos sintomas: Se você já tinha sintomas de paranoia ou alucinações antes de usar a droga, é mais provável que a droga tenha piorado uma condição que já existia.

Exemplos concretos:
Esquizofrenia: Você começa a ouvir vozes dizendo para você se machucar. Mas essas vozes não começaram depois que você usou LSD — elas já estavam lá antes.
Transtorno bipolar: Você tem episódios de euforia e depressão que não têm nada a ver com o uso de drogas.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Se você nunca teve sintomas de paranoia ou alucinações antes de usar a droga, e eles começaram logo depois, é mais provável que a droga seja a causa. Mas se você já tinha esses sintomas antes, é importante investigar outras condições.


4. Os sintomas não acontecem só durante um delirium

O que isso quer dizer na prática?
Delirium é um estado de confusão mental aguda, geralmente causado por febre alta, infecções ou desidratação. Se você está com delirium, pode ter alucinações ou delírios, mas eles vão embora quando a causa do delirium é tratada. No caso dos alucinógenos, os sintomas não são causados por um delirium — eles são causados diretamente pela droga.

Exemplos concretos:
Delirium por febre: Você está com uma infecção grave e começa a ver coisas que não existem. Mas quando a febre passa, as alucinações também passam.
Delirium por desidratação: Você passa o dia inteiro na praia sem beber água e começa a ter alucinações. Mas quando você se hidrata, os sintomas desaparecem.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Se os sintomas desaparecem quando a causa do delirium é tratada, eles não são causados pela droga. Mas se eles persistem mesmo depois que a pessoa está bem fisicamente, aí é um sinal de que a droga pode ser a causa.


5. Os sintomas causam sofrimento ou prejuízo na vida da pessoa

O que isso quer dizer na prática?
Não é só uma questão de “ter uma experiência ruim”. Os sintomas precisam ser tão intensos que atrapalham a vida da pessoa de forma significativa. Por exemplo:
No trabalho: Você não consegue mais se concentrar nas tarefas e acaba sendo demitido.
Nos relacionamentos: Você começa a desconfiar do seu parceiro sem motivo e isso causa brigas constantes.
Na saúde física: Você para de comer ou dormir direito porque está muito ansioso ou paranoico.

Exemplos concretos:
Isolamento social: Você para de sair de casa porque acredita que as pessoas estão te perseguindo.
Problemas legais: Você é preso porque agrediu alguém que acreditava estar te ameaçando.
Automutilação: Você se corta ou se machuca porque as vozes na sua cabeça mandam.

O que é normal vs. o que é sintoma?
Todo mundo tem dias ruins, mas quando os sintomas são tão intensos que você não consegue mais viver sua vida normalmente, aí é um sinal de que precisa de ajuda.


Ter alguns desses sintomas não significa que você tem o diagnóstico

É importante lembrar que ter um ou dois desses sintomas isoladamente não significa que você tem um transtorno causado por alucinógenos. O que importa é o conjunto dos sintomas, a intensidade deles, a duração e o impacto na sua vida.

Por exemplo:
– Se você usou LSD uma vez e teve uma alucinação leve que passou em algumas horas, isso não é um transtorno.
– Mas se você usa alucinógenos com frequência e começa a ter alucinações intensas que duram semanas, mesmo depois de parar de usar a droga, aí pode ser um sinal de que algo mais sério está acontecendo.

Se você ou alguém próximo está vivendo algo parecido, o mais importante é procurar ajuda. Um profissional de saúde mental pode avaliar o que está acontecendo e indicar o melhor tratamento.


Como se manifesta no dia a dia?

Os transtornos causados por alucinógenos não afetam só a mente — eles mexem com a vida inteira da pessoa. Vamos ver como isso aparece em diferentes áreas do dia a dia.

No trabalho ou na escola

Imagine que você é um estudante universitário. Você sempre foi bom aluno, mas depois de usar alucinógenos numa festa, começa a ter dificuldades para se concentrar. Você lê um parágrafo do livro e não entende nada. Ou começa a escrever um trabalho e não consegue terminar porque fica distraído com vozes na sua cabeça.

Ou talvez você trabalhe num escritório. Você sempre foi pontual e produtivo, mas agora chega atrasado todos os dias porque não consegue sair de casa — você acredita que seus colegas de trabalho estão planejando te demitir e fica paralisado de medo.

Exemplos concretos:
Dificuldade de concentração: Você não consegue assistir a uma aula inteira sem se distrair. Ou começa a fazer uma tarefa no trabalho e não consegue terminar porque sua mente fica vagando.
Paranoia no ambiente de trabalho: Você acredita que seu chefe está te espionando e começa a evitar reuniões. Ou acha que seus colegas estão falando mal de você e para de almoçar com eles.
Queda no desempenho: Suas notas caem porque você não consegue mais estudar. Ou você é demitido porque não consegue mais cumprir suas tarefas.


Nos relacionamentos

Os transtornos causados por alucinógenos podem destruir relacionamentos. Imagine que você é casado e, depois de usar alucinógenos, começa a acreditar que seu parceiro está te traindo. Você começa a revistar o celular dele, a seguir ele pela rua e a acusá-lo de coisas que ele não fez. Isso causa brigas constantes e, eventualmente, o fim do relacionamento.

Ou talvez você seja pai ou mãe. Você sempre foi carinhoso com seus filhos, mas agora acredita que eles são impostores e se recusa a chegar perto deles. Isso causa um sofrimento enorme para você e para sua família.

Exemplos concretos:
Desconfiança constante: Você começa a desconfiar de todo mundo ao seu redor. Acha que seus amigos estão rindo de você pelas costas ou que sua família está tentando te envenenar.
Isolamento social: Você para de sair de casa porque acredita que as pessoas estão te perseguindo. Ou para de atender o telefone porque acha que é a polícia ligando para te prender.
Agressividade: Você fica irritado com facilidade e começa a brigar com as pessoas por qualquer motivo. Ou agride fisicamente alguém porque acredita que essa pessoa está te ameaçando.


Na rotina

Os transtornos causados por alucinógenos podem bagunçar completamente a rotina da pessoa. Imagine que você sempre foi uma pessoa organizada. Você acorda cedo, faz exercícios, toma café da manhã e vai trabalhar. Mas depois de usar alucinógenos, você não consegue mais seguir essa rotina.

Você para de dormir direito porque fica acordado a noite toda ouvindo vozes. Ou para de comer porque acredita que sua comida está envenenada. Ou para de tomar banho porque acha que as pessoas estão te espionando pelo chuveiro.

Exemplos concretos:
Problemas de sono: Você não consegue dormir porque fica ouvindo vozes ou vendo coisas assustadoras. Ou dorme demais porque está deprimido e não tem energia para fazer nada.
Alimentação desregulada: Você para de comer porque acredita que sua comida está envenenada. Ou come demais porque está ansioso e usa a comida para se acalmar.
Falta de higiene: Você para de tomar banho porque acredita que as pessoas estão te espionando pelo banheiro. Ou para de escovar os dentes porque acha que a pasta de dente é veneno.


Na saúde física

Os transtornos causados por alucinógenos não afetam só a mente — eles também podem causar problemas físicos. Por exemplo:
Perda de peso: Você para de comer porque acredita que sua comida está envenenada e acaba perdendo muito peso.
Problemas cardíacos: Você fica tão ansioso que seu coração começa a bater muito rápido e você tem ataques de pânico.
Ferimentos: Você se machuca porque acredita que precisa se cortar para “se livrar das vozes”. Ou cai e se machuca porque está vendo coisas que não existem.

Exemplos concretos:
Desidratação: Você para de beber água porque acredita que ela está envenenada e acaba desidratando.
Infecções: Você para de tomar banho e acaba desenvolvendo infecções de pele.
Overdose: Você usa uma quantidade muito grande de alucinógenos e acaba tendo uma overdose, que pode ser fatal.


O que causa essa condição?

Os transtornos causados por alucinógenos não têm uma causa única — eles são resultado de uma combinação de fatores. Vamos entender cada um deles.

Fatores genéticos

Imagine que seu cérebro é como um computador. Algumas pessoas nascem com um “hardware” mais sensível a alucinógenos. Isso significa que, se você tem parentes que tiveram problemas com drogas ou transtornos mentais, você pode ter uma predisposição genética para desenvolver um transtorno causado por alucinógenos.

Analogia:
Pense no seu cérebro como um copo. Algumas pessoas nascem com um copo maior — elas conseguem beber mais álcool ou usar mais drogas sem ter problemas. Outras nascem com um copo menor — qualquer quantidade de droga pode transbordar e causar problemas.

Exemplos concretos:
– Se seu pai ou sua mãe teve esquizofrenia, você tem mais chances de desenvolver um transtorno causado por alucinógenos.
– Se você tem um irmão gêmeo que desenvolveu um transtorno causado por alucinógenos, você também tem mais chances de desenvolvê-lo.


Fatores neurobiológicos

Os alucinógenos mexem com a química do cérebro. Eles aumentam a quantidade de um neurotransmissor chamado serotonina, que está ligado ao humor, à percepção e à cognição. Quando você usa alucinógenos, é como se você estivesse jogando gasolina numa fogueira — o cérebro fica sobrecarregado e começa a funcionar de forma desregulada.

Analogia:
Pense no seu cérebro como um carro. Os neurotransmissores são como o combustível. Quando você usa alucinógenos, é como se você estivesse colocando um combustível muito forte no carro — ele começa a acelerar demais e pode acabar quebrando.

Exemplos concretos:
LSD: O LSD se liga aos receptores de serotonina no cérebro e faz com que eles fiquem superativados. Isso causa alucinações e delírios.
Ecstasy: O ecstasy aumenta a quantidade de serotonina no cérebro, o que pode causar euforia, mas também paranoia e depressão depois que o efeito passa.
Cogumelos mágicos: Os cogumelos mágicos contêm uma substância chamada psilocibina, que também mexe com os receptores de serotonina e causa alucinações.


Fatores ambientais

O ambiente em que você vive também pode influenciar o desenvolvimento de um transtorno causado por alucinógenos. Por exemplo:
Estresse: Se você está passando por um período de muito estresse, como a morte de um ente querido ou um divórcio, você pode ser mais vulnerável aos efeitos das drogas.
Traumas: Se você sofreu abuso ou violência na infância, você pode ter mais chances de desenvolver um transtorno causado por alucinógenos.
Pressão social: Se seus amigos usam drogas e te pressionam a experimentar, você pode acabar desenvolvendo um problema.

Exemplos concretos:
Adolescentes: Os adolescentes são mais vulneráveis aos efeitos das drogas porque seus cérebros ainda estão em desenvolvimento.
Pessoas em situação de rua: Pessoas que vivem na rua têm mais chances de usar drogas como forma de lidar com o sofrimento.
Vítimas de abuso: Pessoas que sofreram abuso na infância podem usar drogas como forma de escapar da dor emocional.


Fatores da gestação e desenvolvimento

O que acontece durante a gestação e os primeiros anos de vida também pode influenciar o desenvolvimento de um transtorno causado por alucinógenos. Por exemplo:
Exposição a drogas na gestação: Se sua mãe usou drogas durante a gravidez, você pode ter mais chances de desenvolver um transtorno mental.
Complicações no parto: Se você teve complicações no parto, como falta de oxigênio, você pode ter mais chances de desenvolver problemas mentais.
Traumas na infância: Se você sofreu abuso ou negligência na infância, você pode ter mais chances de desenvolver um transtorno causado por alucinógenos.

Exemplos concretos:
Síndrome alcoólica fetal: Se sua mãe bebeu álcool durante a gravidez, você pode ter mais chances de desenvolver problemas mentais.
Prematuridade: Se você nasceu prematuro, você pode ter mais chances de desenvolver problemas de desenvolvimento que aumentam o risco de transtornos mentais.
Abuso infantil: Se você sofreu abuso na infância, você pode ter mais chances de usar drogas como forma de lidar com o trauma.


Modelo biopsicossocial

Os transtornos causados por alucinógenos não são causados por um único fator — eles são resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. É como se você estivesse construindo uma casa: se a fundação é fraca (fatores biológicos), as paredes são tortas (fatores psicológicos) e o telhado está vazando (fatores sociais), a casa vai desabar.

Analogia:
Pense nos transtornos mentais como um quebra-cabeça. Cada peça representa um fator diferente — genética, ambiente, traumas, etc. Quando todas as peças se encaixam, o quadro fica completo e o transtorno se desenvolve.


Mitos sobre as causas

Vamos desfazer alguns mitos comuns sobre as causas dos transtornos causados por alucinógenos.

Mito: “Só pessoas fracas desenvolvem transtornos causados por alucinógenos.”
Verdade: Os transtornos causados por alucinógenos não têm nada a ver com força ou fraqueza. Eles são causados por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Qualquer pessoa pode desenvolver um transtorno se estiver exposta a esses fatores.

Mito: “Se você usar alucinógenos uma vez, vai ficar louco para sempre.”
Verdade: Usar alucinógenos uma vez não significa que você vai desenvolver um transtorno. A maioria das pessoas que experimentam alucinógenos não desenvolve problemas sérios. Mas o uso frequente ou em doses altas aumenta o risco.

Mito: “Os transtornos causados por alucinógenos são culpa da pessoa.”
Verdade: Os transtornos causados por alucinógenos não são culpa de ninguém. Eles são causados por uma combinação de fatores que estão fora do controle da pessoa. Culpar a pessoa só aumenta o estigma e dificulta o tratamento.

Mito: “Só pessoas que usam drogas pesadas desenvolvem transtornos causados por alucinógenos.”
Verdade: Qualquer pessoa que use alucinógenos, mesmo em doses pequenas, pode desenvolver um transtorno. O risco depende de uma combinação de fatores, não só do tipo ou quantidade de droga usada.


Como é feito o diagnóstico?

Receber um diagnóstico de transtorno mental pode ser assustador, mas também pode ser o primeiro passo para melhorar. Vamos entender como é feito o diagnóstico de um transtorno causado por alucinógenos.

O processo de avaliação

O diagnóstico não é feito com um exame de sangue ou uma ressonância magnética. Ele é baseado numa avaliação clínica, ou seja, numa conversa detalhada com um profissional de saúde mental. Essa conversa pode durar uma ou mais sessões e geralmente inclui:

  1. Histórico médico: O profissional vai perguntar sobre seu histórico de saúde, incluindo doenças físicas e mentais, uso de medicamentos e histórico familiar de transtornos mentais.
  2. Histórico de uso de substâncias: O profissional vai perguntar sobre seu uso de drogas, incluindo quais substâncias você usou, com que frequência, em que doses e por quanto tempo.
  3. Sintomas atuais: O profissional vai perguntar sobre os sintomas que você está vivendo, incluindo quando eles começaram, como eles se manifestam e como eles afetam sua vida.
  4. Exames físicos e laboratoriais: O profissional pode pedir exames de sangue ou urina para descartar outras condições que possam estar causando os sintomas, como infecções ou problemas hormonais.

Exemplo de perguntas que o profissional pode fazer:
– “Quando você começou a usar alucinógenos?”
– “Com que frequência você usa?”
– “Você já teve alucinações ou delírios depois de usar?”
– “Como esses sintomas afetam sua vida?”
– “Você já tentou parar de usar? Como foi?”


Quanto tempo leva para receber o diagnóstico?

O diagnóstico não é feito numa única consulta. Geralmente, são necessárias várias sessões para que o profissional possa entender o que está acontecendo e descartar outras condições. Esse processo pode levar de algumas semanas a alguns meses.

Exemplo de cronograma:
1. Primeira consulta: O profissional faz uma avaliação inicial e pede exames.
2. Segunda consulta: O profissional analisa os resultados dos exames e faz mais perguntas.
3. Terceira consulta: O profissional faz o diagnóstico e discute as opções de tratamento.


Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico de um transtorno causado por alucinógenos só pode ser feito por um profissional de saúde mental, como:
Psiquiatra: Médico especializado em transtornos mentais. Ele pode fazer o diagnóstico e prescrever medicamentos.
Psicólogo: Profissional especializado em saúde mental. Ele pode fazer o diagnóstico e oferecer psicoterapia.
Neurologista: Médico especializado em doenças do sistema nervoso. Ele pode ajudar a descartar outras condições que possam estar causando os sintomas.

Onde procurar ajuda?
SUS: Você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O SUS oferece atendimento gratuito com psiquiatras e psicólogos.
Particular: Você pode procurar um psiquiatra ou psicólogo particular. Os valores variam, mas muitos profissionais oferecem descontos para pacientes de baixa renda.
Planos de saúde: Se você tem plano de saúde, pode procurar um profissional credenciado.


O que esperar da primeira consulta?

A primeira consulta pode ser um pouco assustadora, mas é importante lembrar que o profissional está lá para te ajudar. Você não precisa ter vergonha de falar sobre seus sintomas ou seu uso de drogas — tudo o que você disser será mantido em sigilo.

O que levar para a consulta?
Documentos: Leve seus documentos pessoais, como RG e CPF, e o cartão do SUS ou do plano de saúde, se tiver.
Lista de medicamentos: Leve uma lista dos medicamentos que você está tomando, incluindo os nomes e as doses.
Histórico médico: Se possível, leve um resumo do seu histórico médico, incluindo doenças, cirurgias e internações.
Perguntas: Anote as perguntas que você quer fazer ao profissional. Por exemplo: “Quais são as opções de tratamento?” ou “Quanto tempo vai levar para eu melhorar?”

O que o profissional vai fazer?
Ouvir: O profissional vai ouvir o que você tem a dizer sem julgamentos.
Perguntar: O profissional vai fazer perguntas para entender melhor seus sintomas e seu histórico.
Explicar: O profissional vai explicar o que está acontecendo e quais são as opções de tratamento.
Encaminhar: Se necessário, o profissional vai encaminhar você para outros especialistas ou serviços.


Diagnóstico diferencial

O diagnóstico de um transtorno causado por alucinógenos não é simples. Muitas condições podem causar sintomas parecidos, e é importante descartá-las antes de fazer o diagnóstico. Algumas das condições que podem ser confundidas com um transtorno causado por alucinógenos incluem:

  1. Esquizofrenia: A esquizofrenia é um transtorno mental grave que causa alucinações, delírios e pensamento desorganizado. A diferença é que, na esquizofrenia, os sintomas não são causados pelo uso de drogas.
  2. Transtorno bipolar: O transtorno bipolar causa episódios de euforia e depressão. Durante os episódios de euforia, a pessoa pode ter alucinações ou delírios, mas esses sintomas não são causados pelo uso de drogas.
  3. Depressão psicótica: A depressão psicótica é um tipo de depressão grave que causa alucinações e delírios. A diferença é que, na depressão psicótica, os sintomas são causados pela depressão, não pelo uso de drogas.
  4. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): O TEPT pode causar flashbacks e pesadelos, que podem ser confundidos com alucinações. A diferença é que, no TEPT, os sintomas são causados por um trauma, não pelo uso de drogas.
  5. Delirium: O delirium é um estado de confusão mental aguda, geralmente causado por febre alta, infecções ou desidratação. A diferença é que, no delirium, os sintomas desaparecem quando a causa é tratada.

Como o profissional diferencia essas condições?
Histórico de uso de drogas: Se os sintomas começaram depois que a pessoa começou a usar alucinógenos, é mais provável que sejam causados pela droga.
Exames laboratoriais: Exames de sangue ou urina podem mostrar se a pessoa usou drogas recentemente.
Histórico familiar: Se a pessoa tem parentes com esquizofrenia ou transtorno bipolar, é mais provável que os sintomas sejam causados por essas condições.
Resposta ao tratamento: Se os sintomas melhoram quando a pessoa para de usar drogas, é mais provável que sejam causados pela droga.


Tratamento

Receber um diagnóstico de transtorno causado por alucinógenos pode ser assustador, mas é importante lembrar que há tratamento. Com a ajuda certa, é possível controlar os sintomas e levar uma vida plena. Vamos entender as opções de tratamento disponíveis.

Medicamentos

Os medicamentos são uma parte importante do tratamento dos transtornos causados por alucinógenos. Eles ajudam a controlar os sintomas e a estabilizar o humor. Vamos entender como cada classe de medicamentos funciona.

Antipsicóticos

Os antipsicóticos são medicamentos usados para tratar alucinações e delírios. Eles funcionam bloqueando os receptores de dopamina no cérebro, o que ajuda a reduzir os sintomas psicóticos.

Como funcionam?
Imagine que seu cérebro é como uma televisão. Os antipsicóticos são como um controle remoto que ajusta o volume — eles ajudam a diminuir os “ruídos” (alucinações e delírios) e a deixar a imagem mais clara.

Exemplos de antipsicóticos:
Risperidona: É um dos antipsicóticos mais usados. Ele ajuda a controlar alucinações e delírios e também pode melhorar o humor.
Olanzapina: É outro antipsicótico comum. Ele ajuda a controlar os sintomas psicóticos e também pode ajudar a melhorar o sono.
Quetiapina: É um antipsicótico que também pode ser usado para tratar a ansiedade e a depressão.

Efeitos colaterais comuns:
Sonolência: Você pode se sentir mais cansado ou com sono durante o dia.
Ganho de peso: Alguns antipsicóticos podem causar ganho de peso.
Tremores: Você pode sentir tremores nas mãos ou em outras partes do corpo.

O que fazer se tiver efeitos colaterais?
Não pare de tomar o medicamento por conta própria. Converse com seu médico — ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento por outro com menos efeitos colaterais.


Estabilizadores de humor

Os estabilizadores de humor são medicamentos usados para tratar transtornos de humor, como o transtorno bipolar. Eles ajudam a estabilizar o humor e a prevenir episódios de euforia ou depressão.

Como funcionam?
Imagine que seu humor é como um pêndulo. Os estabilizadores de humor são como um freio que impede o pêndulo de balançar demais para um lado ou para o outro.

Exemplos de estabilizadores de humor:
Lítio: É um dos estabilizadores de humor mais usados. Ele ajuda a controlar os episódios de euforia e depressão.
Ácido valproico: É outro estabilizador de humor comum. Ele ajuda a controlar os episódios de euforia e também pode ajudar a melhorar a ansiedade.
Lamotrigina: É um estabilizador de humor que também pode ser usado para tratar a depressão.

Efeitos colaterais comuns:
Tremores: Você pode sentir tremores nas mãos ou em outras partes do corpo.
Ganho de peso: Alguns estabilizadores de humor podem causar ganho de peso.
Problemas renais: O lítio pode causar problemas renais se não for monitorado corretamente.

O que fazer se tiver efeitos colaterais?
Não pare de tomar o medicamento por conta própria. Converse com seu médico — ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento por outro com menos efeitos colaterais.


Antidepressivos

Os antidepressivos são medicamentos usados para tratar a depressão e a ansiedade. Eles ajudam a aumentar a quantidade de serotonina e noradrenalina no cérebro, o que melhora o humor e reduz a ansiedade.

Como funcionam?
Imagine que seu cérebro é como um jardim. Os antidepressivos são como adubo — eles ajudam a nutrir o jardim e a fazer as flores crescerem.

Exemplos de antidepressivos:
Fluoxetina: É um dos antidepressivos mais usados. Ele ajuda a melhorar o humor e reduzir a ansiedade.
Sertralina: É outro antidepressivo comum. Ele ajuda a melhorar o humor e também pode ajudar a reduzir os sintomas de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).
Escitalopram: É um antidepressivo que também pode ser usado para tratar a ansiedade.

Efeitos colaterais comuns:
Náusea: Você pode sentir enjoo nos primeiros dias de uso.
Insônia: Alguns antidepressivos podem causar insônia.
Diminuição do desejo sexual: Alguns antidepressivos podem diminuir o desejo sexual.

O que fazer se tiver efeitos colaterais?
Não pare de tomar o medicamento por conta própria. Converse com seu médico — ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento por outro com menos efeitos colaterais.


Psicoterapia

A psicoterapia é uma parte fundamental do tratamento dos transtornos causados por alucinógenos. Ela ajuda a pessoa a entender seus sintomas, a desenvolver estratégias para lidar com eles e a melhorar sua qualidade de vida. Vamos entender as abordagens mais usadas.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A TCC é uma das abordagens mais usadas para tratar transtornos mentais. Ela ajuda a pessoa a identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que estão causando sofrimento.

Como funciona?
Imagine que seus pensamentos são como óculos. Se você está usando óculos escuros, tudo parece mais sombrio. A TCC ajuda a trocar esses óculos por outros mais claros, para que você possa ver as coisas de forma mais realista.

O que acontece numa sessão de TCC?
Identificação de pensamentos disfuncionais: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar pensamentos negativos ou distorcidos, como “Todo mundo está contra mim” ou “Eu nunca vou melhorar”.
Desafio de pensamentos disfuncionais: O terapeuta ajuda a pessoa a questionar esses pensamentos e a encontrar evidências que os contradigam.
Desenvolvimento de estratégias de enfrentamento: O terapeuta ajuda a pessoa a desenvolver estratégias para lidar com situações difíceis, como técnicas de relaxamento ou resolução de problemas.

Exemplo de exercício de TCC:
Registro de pensamentos: A pessoa anota situações que causam ansiedade ou tristeza, os pensamentos que teve nessas situações e as evidências que apoiam ou contradizem esses pensamentos.

Quanto tempo dura a TCC?
A TCC geralmente dura entre 12 e 20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da pessoa.


Terapia de aceitação e compromisso (ACT)

A ACT é uma abordagem que ajuda a pessoa a aceitar seus pensamentos e sentimentos difíceis, em vez de lutar contra eles. Ela também ajuda a pessoa a identificar seus valores e a tomar ações que estejam alinhadas com esses valores.

Como funciona?
Imagine que seus pensamentos e sentimentos são como ondas no mar. Se você tentar lutar contra as ondas, vai acabar se afogando. Mas se você aprender a surfar nelas, vai conseguir se manter na superfície.

O que acontece numa sessão de ACT?
Aceitação: O terapeuta ajuda a pessoa a aceitar seus pensamentos e sentimentos difíceis, em vez de tentar eliminá-los.
Desfusão cognitiva: O terapeuta ajuda a pessoa a se distanciar de seus pensamentos, em vez de se identificar com eles. Por exemplo, em vez de pensar “Eu sou um fracasso”, a pessoa aprende a pensar “Estou tendo o pensamento de que sou um fracasso”.
Identificação de valores: O terapeuta ajuda a pessoa a identificar seus valores, como família, amizade ou trabalho.
Ações comprometidas: O terapeuta ajuda a pessoa a tomar ações que estejam alinhadas com seus valores, mesmo que isso cause desconforto.

Exemplo de exercício de ACT:
Exercício de desfusão: A pessoa escreve um pensamento negativo em um cartão e o segura na frente do rosto. Depois, ela afasta o cartão e observa como o pensamento parece menos intenso quando está longe.

Quanto tempo dura a ACT?
A ACT geralmente dura entre 12 e 20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da pessoa.


Terapia familiar

A terapia familiar é uma abordagem que envolve a família no tratamento. Ela ajuda a melhorar a comunicação entre os membros da família e a resolver conflitos que possam estar contribuindo para o problema.

Como funciona?
Imagine que sua família é como um time de futebol. Se os jogadores não se comunicam bem, o time não vai funcionar direito. A terapia familiar ajuda a melhorar a comunicação e a fazer o time funcionar melhor.

O que acontece numa sessão de terapia familiar?
Identificação de padrões disfuncionais: O terapeuta ajuda a família a identificar padrões de comunicação ou comportamento que estão causando problemas.
Melhoria da comunicação: O terapeuta ajuda a família a desenvolver estratégias para se comunicar de forma mais clara e respeitosa.
Resolução de conflitos: O terapeuta ajuda a família a resolver conflitos de forma construtiva.

Exemplo de exercício de terapia familiar:
Escuta ativa: Cada membro da família pratica ouvir o outro sem interromper e depois repete o que ouviu para garantir que entendeu corretamente.

Quanto tempo dura a terapia familiar?
A terapia familiar geralmente dura entre 12 e 20 sessões, mas pode ser mais longa dependendo das necessidades da família.


Mudanças no dia a dia

Além dos medicamentos e da psicoterapia, algumas mudanças no dia a dia podem ajudar a controlar os sintomas e a melhorar a qualidade de vida. Vamos entender quais são elas.

Exercício físico

O exercício físico é uma das melhores formas de melhorar a saúde mental. Ele ajuda a reduzir a ansiedade, a melhorar o humor e a aumentar a autoestima.

Como o exercício ajuda?
Imagine que seu cérebro é como um carro. O exercício é como uma revisão — ele ajuda a deixar o carro em bom estado e a evitar problemas.

Quais tipos de exercício ajudam mais?
Exercícios aeróbicos: Caminhada, corrida, natação e ciclismo são ótimos para melhorar o humor e reduzir a ansiedade.
Exercícios de força: Musculação e pilates ajudam a melhorar a autoestima e a reduzir os sintomas de depressão.
Exercícios de relaxamento: Yoga e tai chi ajudam a reduzir o estresse e a melhorar a qualidade do sono.

Quanto exercício fazer?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana, ou 75 minutos de exercício intenso.


Sono

O sono é fundamental para a saúde mental. Dormir bem ajuda a reduzir a ansiedade, a melhorar o humor e a aumentar a capacidade de concentração.

Como melhorar o sono?
Estabeleça uma rotina: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
Crie um ambiente propício: Mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco.
Evite estimulantes: Não tome café, chá preto ou refrigerantes à noite.
Relaxe antes de dormir: Faça atividades relaxantes, como ler um livro ou tomar um banho quente.

O que fazer se tiver insônia?
Não fique na cama acordado: Se você não conseguir dormir em 20 minutos, levante-se e faça algo relaxante até sentir sono.
Evite cochilos durante o dia: Cochilos podem atrapalhar o sono à noite.
Converse com seu médico: Se a insônia persistir, seu médico pode prescrever um medicamento para ajudar.


Alimentação

Uma alimentação saudável é fundamental para a saúde mental. Alguns nutrientes, como ômega-3, vitaminas do complexo B e magnésio, são especialmente importantes para o cérebro.

Quais alimentos ajudam a saúde mental?
Peixes: Salmão, sardinha e atum são ricos em ômega-3, que ajuda a melhorar o humor e a reduzir a ansiedade.
Frutas e verduras: São ricas em vitaminas e minerais que ajudam a proteger o cérebro.
Grãos integrais: Arroz integral, aveia e quinoa são ricos em fibras e ajudam a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis.
Castanhas e sementes: São ricas em magnésio, que ajuda a reduzir o estresse e a melhorar o sono.

Quais alimentos evitar?
Açúcar refinado: Doces, refrigerantes e bolos podem causar picos de açúcar no sangue e piorar o humor.
Gorduras trans: Alimentos fritos e industrializados podem aumentar a inflamação no cérebro e piorar os sintomas de depressão.
Álcool: O álcool pode piorar a ansiedade e a depressão e interferir no sono.


Rotina

Ter uma rotina estruturada ajuda a reduzir a ansiedade e a melhorar a qualidade de vida. Quando você sabe o que esperar do seu dia, fica mais fácil lidar com os imprevistos.

Como estruturar a rotina?
Defina horários fixos: Tente acordar, comer, trabalhar e dormir sempre nos mesmos horários.
Faça uma lista de tarefas: Anote as tarefas que você precisa fazer no dia e priorize as mais importantes.
Inclua momentos de lazer: Reserve um tempo para fazer atividades que você gosta, como ler, assistir a um filme ou sair com amigos.
Pratique a gratidão: No final do dia, anote três coisas pelas quais você é grato. Isso ajuda a melhorar o humor e a reduzir a ansiedade.


Técnicas de manejo de sintomas

Algumas técnicas podem ajudar a controlar os sintomas no dia a dia. Vamos entender quais são elas.

Técnicas de relaxamento:
Respiração profunda: Inspire profundamente pelo nariz, segure o ar por alguns segundos e expire lentamente pela boca. Repita por alguns minutos.
Relaxamento muscular progressivo: Contraia e relaxe cada grupo muscular do corpo, começando pelos pés e subindo até a cabeça.
Meditação: Sente-se em um lugar tranquilo, feche os olhos e concentre-se na sua respiração. Se sua mente vagar, traga-a de volta para a respiração.

Técnicas de distração:
Atividades manuais: Desenhar, pintar, cozinhar ou fazer artesanato podem ajudar a distrair a mente dos sintomas.
Exercícios mentais: Jogos de memória, palavras cruzadas ou sudoku podem ajudar a melhorar a concentração e a reduzir a ansiedade.
Música: Ouvir música pode ajudar a melhorar o humor e a reduzir o estresse.

Técnicas de enfrentamento:
Resolução de problemas: Identifique o problema, pense em possíveis soluções, escolha a melhor opção e coloque-a em prática.
Reestruturação cognitiva: Identifique pensamentos negativos ou distorcidos e substitua-os por pensamentos mais realistas.
Exposição gradual: Se você tem medo de alguma situação, como sair de casa ou falar em público, comece enfrentando-a aos poucos, em etapas.


Convivendo com o diagnóstico

Receber um diagnóstico de transtorno causado por alucinógenos pode ser um baque, mas é importante lembrar que você não está sozinho. Com o tratamento certo e o apoio da família e dos amigos, é possível levar uma vida plena e feliz. Vamos entender como conviver com o diagnóstico.

Para a pessoa com o diagnóstico

Aceitação

O primeiro passo para conviver com o diagnóstico é aceitá-lo. Isso não significa que você precisa gostar da situação, mas sim que precisa reconhecer que ela existe e que você precisa de ajuda para lidar com ela.

Como aceitar o diagnóstico?
Informe-se: Leia sobre o transtorno e entenda o que está acontecendo com você. Quanto mais você souber, menos assustador será.
Converse com seu médico: Tire todas as suas dúvidas e peça orientações sobre o tratamento.
Fale com outras pessoas: Converse com amigos, familiares ou grupos de apoio. Saber que outras pessoas passaram pelo mesmo que você pode ser reconfortante.

Exemplo de aceitação:
Imagine que você está com uma dor de dente. Você pode ignorar a dor e esperar que ela passe, ou pode ir ao dentista e tratar o problema. Aceitar o diagnóstico é como ir ao dentista — você reconhece que tem um problema e busca ajuda para resolvê-lo.


Autocuidado

O autocuidado é fundamental para a saúde mental. Ele ajuda a reduzir o estresse, a melhorar o humor e a aumentar a autoestima.

Como praticar o autocuidado?
Cuide do seu corpo: Alimente-se bem, durma o suficiente e faça exercícios físicos.
Cuide da sua mente: Pratique técnicas de relaxamento, como meditação ou respiração profunda.
Faça coisas que você gosta: Reserve um tempo para fazer atividades que te dão prazer, como ler, assistir a um filme ou sair com amigos.
Estabeleça limites: Aprenda a dizer “não” quando precisar e a priorizar suas necessidades.

Exemplo de autocuidado:
Imagine que você é um jardineiro. Seu corpo e sua mente são como um jardim. Se você não cuidar do jardim, as plantas vão murchar e morrer. Mas se você regar as plantas, podar as folhas e tirar as ervas daninhas, o jardim vai florescer.


Adesão ao tratamento

Seguir o tratamento à risca é fundamental para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Isso inclui tomar os medicamentos conforme prescrito, comparecer às sessões de psicoterapia e fazer as mudanças no dia a dia recomendadas pelo médico.

Como aderir ao tratamento?
Tome os medicamentos corretamente: Não pule doses e não pare de tomar os medicamentos por conta própria.
Compareça às consultas: Não falte às consultas com seu médico ou terapeuta.
Siga as orientações: Faça as mudanças no dia a dia recomendadas pelo médico, como praticar exercícios físicos ou melhorar a alimentação.
Comunique-se: Se tiver dúvidas ou efeitos colaterais, converse com seu médico. Ele pode ajustar o tratamento para melhorar sua qualidade de vida.

Exemplo de adesão ao tratamento:
Imagine que você está construindo uma casa. O tratamento é como o projeto da casa — se você não seguir o projeto à risca, a casa pode desabar. Mas se você seguir o projeto, a casa vai ficar firme e segura.


Rede de apoio

Ter uma rede de apoio é fundamental para conviver com o diagnóstico. Isso inclui familiares, amigos, grupos de apoio e profissionais de saúde mental.

Como construir uma rede de apoio?
Converse com seus familiares: Explique o que está acontecendo e peça ajuda. Seus familiares podem te apoiar emocionalmente e te ajudar a seguir o tratamento.
Participe de grupos de apoio: Grupos de apoio são espaços seguros onde você pode compartilhar suas experiências e aprender com outras pessoas que estão passando pelo mesmo que você.
Mantenha contato com seus amigos: Não se isole. Mantenha contato com seus amigos e faça atividades que te dão prazer.
Converse com seu médico ou terapeuta: Eles podem te ajudar a lidar com os desafios do dia a dia e a encontrar estratégias para controlar os sintomas.

Exemplo de rede de apoio:
Imagine que você está escalando uma montanha. Sua rede de apoio é como uma corda de segurança — se você escorregar, a corda vai te segurar e te impedir de cair.


Para familiares e amigos

Como ajudar

Se você tem um familiar ou amigo com um transtorno causado por alucinógenos, pode ser difícil saber como ajudar. Mas seu apoio é fundamental para a recuperação da pessoa. Vamos entender como você pode ajudar.

O que fazer?
Informe-se: Leia sobre o transtorno e entenda o que a pessoa está passando. Quanto mais você souber, melhor poderá ajudar.
Seja paciente: A recuperação pode ser lenta e cheia de altos e baixos. Não pressione a pessoa para “melhorar logo”.
Ofereça apoio emocional: Escute a pessoa sem julgamentos e ofereça seu apoio. Às vezes, só estar presente já é uma grande ajuda.
Ajude no tratamento: Incentive a pessoa a seguir o tratamento e ofereça ajuda prática, como acompanhá-la às consultas ou lembrá-la de tomar os medicamentos.
Cuide de si mesmo: Cuidar de uma pessoa com transtorno mental pode ser desgastante. Não se esqueça de cuidar da sua própria saúde mental.

Exemplo de como ajudar:
Imagine que você está ajudando um amigo a aprender a dirigir. Você não pode dirigir o carro por ele, mas pode dar dicas, encorajá-lo e estar ao lado dele durante o processo.


O que NÃO fazer

Algumas atitudes podem piorar a situação e dificultar a recuperação da pessoa. Vamos entender o que não fazer.

O que não fazer?
Minimizar os sintomas: Não diga coisas como “Isso é frescura” ou “Você está exagerando”. Os sintomas são reais e causam sofrimento.
Culpar a pessoa: Não diga coisas como “Isso é culpa sua” ou “Você fez isso consigo mesmo”. Os transtornos mentais não são culpa de ninguém.
Pressionar a pessoa: Não diga coisas como “Você precisa melhorar logo” ou “Por que você não se esforça mais?”. A recuperação é um processo lento e cheio de altos e baixos.
Ignorar os sinais de alerta: Se a pessoa falar em suicídio ou automutilação, leve a sério e procure ajuda profissional imediatamente.

Exemplo do que não fazer:
Imagine que seu amigo está com uma perna quebrada. Você não diria “Isso é frescura, você está exagerando” ou “Você precisa andar logo”. Da mesma forma, não minimize os sintomas de um transtorno mental.


Como cuidar de si mesmo

Cuidar de uma pessoa com transtorno mental pode ser desgastante. É importante que você também cuide da sua própria saúde mental.

Como cuidar de si mesmo?
Estabeleça limites: Não se sinta obrigado a estar disponível 24 horas por dia. Estabeleça limites saudáveis e respeite suas próprias necessidades.
Busque apoio: Converse com amigos, familiares ou grupos de apoio. Saber que você não está sozinho pode ser reconfortante.
Pratique o autocuidado: Reserve um tempo para fazer atividades que te dão prazer e que te ajudam a relaxar.
Procure ajuda profissional: Se você estiver se sentindo sobrecarregado, procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.

Exemplo de como cuidar de si mesmo:
Imagine que você é uma bateria. Se você não recarregar a bateria, ela vai acabar. Da mesma forma, se você não cuidar de si mesmo, vai acabar sem energia para ajudar os outros.


Quando os sintomas podem piorar?

Os sintomas dos transtornos causados por alucinógenos podem piorar em algumas situações. Vamos entender quais são elas.

Situações que podem piorar os sintomas:
Estresse: Situações estressantes, como problemas no trabalho ou na família, podem piorar os sintomas.
Privação de sono: Dormir pouco pode aumentar a ansiedade e a paranoia.
Uso de substâncias: Usar álcool ou outras drogas pode piorar os sintomas e interferir no tratamento.
Isolamento social: Ficar isolado pode aumentar a depressão e a ansiedade.
Mudanças na rotina: Mudanças bruscas na rotina, como uma viagem ou uma mudança de casa, podem piorar os sintomas.

Como lidar com essas situações?
Reduza o estresse: Pratique técnicas de relaxamento, como meditação ou respiração profunda.
Durma bem: Estabeleça uma rotina de sono e evite estimulantes à noite.
Evite substâncias: Não use álcool ou outras drogas, pois elas podem piorar os sintomas.
Mantenha contato social: Não se isole. Mantenha contato com amigos e familiares.
Planeje mudanças: Se você precisar fazer uma mudança na rotina, planeje-a com antecedência e converse com seu médico ou terapeuta.


Perguntas frequentes

Vamos responder algumas perguntas que pacientes e familiares costumam fazer sobre os transtornos causados por alucinógenos.

1. “Usar alucinógenos uma vez pode causar um transtorno mental?”

Resposta:
Usar alucinógenos uma vez não significa que você vai desenvolver um transtorno mental. A maioria das pessoas que experimentam alucinógenos não desenvolve problemas sérios. No entanto, algumas pessoas podem ter uma reação ruim à droga, conhecida como “bad trip”, que pode incluir alucinações assustadoras, paranoia e ansiedade intensa.

O risco de desenvolver um transtorno mental aumenta com o uso frequente ou em doses altas. Além disso, pessoas com histórico familiar de transtornos mentais, como esquizofrenia ou transtorno bipolar, têm mais chances de desenvolver um transtorno causado por alucinógenos.

Se você ou alguém próximo teve uma “bad trip” ou está tendo sintomas persistentes depois de usar alucinógenos, é importante procurar ajuda de um profissional de saúde mental.


2. “Os efeitos dos alucinógenos são permanentes?”

Resposta:
Na maioria dos casos, os efeitos dos alucinógenos não são permanentes. Eles geralmente duram algumas horas e desaparecem quando a droga sai do corpo. No entanto, algumas pessoas podem ter efeitos persistentes, como alucinações ou delírios, que duram dias, semanas ou até meses depois de parar de usar a droga.

Em casos raros, os alucinógenos podem causar um transtorno chamado Transtorno Persistente da Percepção por Alucinógeno (TPPA), também conhecido como “flashbacks”. Nesse transtorno, a pessoa tem alucinações ou distorções perceptivas mesmo depois de parar de usar a droga. Esses sintomas podem durar anos e são mais comuns em pessoas que usaram alucinógenos com frequência ou em doses altas.

Se você ou alguém próximo está tendo sintomas persistentes depois de usar alucinógenos, é importante procurar ajuda de um profissional de saúde mental.


3. “Como posso ajudar um amigo que está tendo uma ‘bad trip’?”

Resposta:
Se um amigo está tendo uma “bad trip”, o mais importante é manter a calma e garantir a segurança dele. Aqui estão algumas dicas de como ajudar:

  1. Mantenha a calma: Fale com seu amigo de forma tranquila e reconfortante. Lembre-o de que os efeitos da droga são temporários e que ele vai ficar bem.
  2. Garanta a segurança: Leve seu amigo para um lugar tranquilo e seguro, longe de estímulos excessivos, como luzes fortes ou barulhos altos.
  3. Não o deixe sozinho: Fique com seu amigo até que os efeitos da droga passem. Não o deixe sozinho, pois ele pode se machucar ou fazer algo perigoso.
  4. Ajude-o a se distrair: Tente distrair seu amigo com atividades relaxantes, como ouvir música suave ou conversar sobre coisas agradáveis.
  5. Não o julgue: Não diga coisas como “Você está exagerando” ou “Isso é frescura”. Os sintomas são reais e causam sofrimento.
  6. Procure ajuda profissional: Se os sintomas forem muito intensos ou se seu amigo estiver em perigo, procure ajuda médica imediatamente.

O que não fazer:
– Não dê mais drogas para seu amigo, mesmo que ele peça.
– Não tente “curar” a “bad trip” com remédios caseiros ou álcool.
– Não o deixe dirigir ou operar máquinas.


4. “Os alucinógenos podem causar esquizofrenia?”

Resposta:
Os alucinógenos não causam esquizofrenia diretamente, mas podem desencadear a doença em pessoas que já têm uma predisposição genética. A esquizofrenia é um transtorno mental grave que causa alucinações, delírios e pensamento desorganizado. Ela geralmente começa na adolescência ou no início da idade adulta.

Se uma pessoa tem histórico familiar de esquizofrenia, o uso de alucinógenos pode aumentar o risco de desenvolver a doença. Além disso, pessoas que já têm esquizofrenia podem ter os sintomas piorados pelo uso de alucinógenos.

É importante lembrar que a esquizofrenia não é causada apenas pelo uso de drogas. Ela é resultado de uma combinação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.

Se você ou alguém próximo está tendo sintomas de esquizofrenia, como alucinações ou delírios, é importante procurar ajuda de um profissional de saúde mental.


5. “Como é o tratamento no SUS?”

Resposta:
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para transtornos mentais, incluindo os causados por alucinógenos. O tratamento geralmente inclui:

  1. Avaliação inicial: Você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para uma avaliação inicial. O profissional de saúde vai fazer perguntas sobre seus sintomas e seu histórico de uso de drogas.
  2. Encaminhamento: Se necessário, você será encaminhado para um psiquiatra ou psicólogo. No SUS, o atendimento com psiquiatra pode ter uma fila de espera, mas o atendimento com psicólogo geralmente é mais rápido.
  3. Tratamento: O tratamento pode incluir medicamentos, psicoterapia e grupos de apoio. Os medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS, e as sessões de psicoterapia também são gratuitas.
  4. Acompanhamento: Você terá consultas regulares com seu médico ou terapeuta para monitorar seu progresso e ajustar o tratamento conforme necessário.

Onde procurar ajuda?
UBS: Você pode procurar a UBS mais próxima da sua casa. Lá, você será avaliado por um clínico geral ou enfermeiro, que poderá encaminhá-lo para um especialista.
CAPS: Os CAPS são serviços especializados em saúde mental. Eles oferecem atendimento com psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde mental.
CAPS AD: Se o seu problema estiver relacionado ao uso de drogas, você pode procurar um CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Eles oferecem tratamento específico para dependência química.

Dica:
Se você precisar de ajuda urgente, pode ligar para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no número 188. O CVV oferece apoio emocional gratuito 24 horas por dia.


6. “Posso tomar medicamentos para transtorno mental e usar alucinógenos ao mesmo tempo?”

Resposta:
Não. Misturar medicamentos para transtorno mental com alucinógenos pode ser extremamente perigoso. Os alucinógenos podem interferir no funcionamento dos medicamentos e piorar os sintomas. Além disso, eles podem causar efeitos colaterais graves, como aumento da pressão arterial, convulsões ou até mesmo coma.

Se você está em tratamento para um transtorno mental, é importante não usar alucinógenos. Converse com seu médico sobre os riscos e as alternativas para lidar com o estresse ou a ansiedade.

Exemplo de riscos:
Antipsicóticos + LSD: O LSD pode aumentar os efeitos colaterais dos antipsicóticos, como tremores e sonolência.
Estabilizadores de humor + ecstasy: O ecstasy pode aumentar o risco de convulsões em pessoas que tomam estabilizadores de humor.
Antidepressivos + cogumelos mágicos: Os cogumelos mágicos podem aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal.


7. “Como explicar meu diagnóstico para outras pessoas?”

Resposta:
Explicar seu diagnóstico para outras pessoas pode ser difícil, mas é importante lembrar que você não deve vergonha. Os transtornos mentais são condições médicas, assim como diabetes ou hipertensão. Aqui estão algumas dicas de como explicar seu diagnóstico:

  1. Escolha o momento certo: Escolha um momento tranquilo, quando a pessoa estiver receptiva e você estiver se sentindo bem.
  2. Seja honesto: Fale sobre seus sintomas e como eles afetam sua vida. Não minimize o que você está passando.
  3. Use uma linguagem simples: Explique o diagnóstico de forma clara e acessível. Por exemplo: “Eu tenho um transtorno causado pelo uso de alucinógenos. Isso significa que meu cérebro teve uma reação ruim à droga e agora tenho alucinações e delírios.”
  4. Dê exemplos: Se a pessoa não entender, dê exemplos de como os sintomas se manifestam no seu dia a dia.
  5. Peça apoio: Diga à pessoa como ela pode te ajudar, seja ouvindo, acompanhando você às consultas ou simplesmente estando presente.

Exemplo de como explicar:
“Eu fui diagnosticado com um transtorno causado pelo uso de alucinógenos. Isso significa que meu cérebro teve uma reação ruim à droga que eu usei, e agora tenho alucinações e delírios. Às vezes, vejo coisas que não existem ou acredito em coisas que não são verdade. Isso tem sido difícil para mim, mas estou em tratamento e estou melhorando. Gostaria que você entendesse o que estou passando e me apoiasse.”


8. “O que fazer se eu tiver uma recaída?”

Resposta:
Uma recaída pode acontecer, e isso não significa que você falhou. O importante é não desistir e procurar ajuda o mais rápido possível. Aqui estão algumas dicas de o que fazer se você tiver uma recaída:

  1. Reconheça a recaída: Admita para si mesmo que teve uma recaída. Não tente minimizar ou ignorar o que aconteceu.
  2. Procure ajuda: Converse com seu médico ou terapeuta sobre o que aconteceu. Eles podem ajustar seu tratamento ou oferecer estratégias para evitar novas recaídas.
  3. Identifique os gatilhos: Tente identificar o que levou à recaída. Foi estresse? Pressão social? Solidão? Identificar os gatilhos pode ajudar a evitá-los no futuro.
  4. Reveja seu plano de tratamento: Converse com seu médico ou terapeuta sobre o que pode ser ajustado no seu tratamento para evitar novas recaídas.
  5. Não se culpe: Uma recaída não é culpa sua. Os transtornos mentais são condições complexas, e a recuperação é um processo cheio de altos e baixos.

Exemplo de como lidar com uma recaída:
Imagine que você está aprendendo a andar de bicicleta. Você pode cair algumas vezes, mas isso não significa que você nunca vai aprender. Cada queda é uma oportunidade de aprender e melhorar. Da mesma forma, uma recaída é uma oportunidade de aprender e ajustar seu tratamento.


9. “Como lidar com o estigma?”

Resposta:
O estigma em torno dos transtornos mentais pode ser muito doloroso. Muitas pessoas ainda acreditam que os transtornos mentais são “frescura” ou “falta de força de vontade”. Mas é importante lembrar que você não é seu diagnóstico. Você é uma pessoa que está passando por um momento difícil e que merece respeito e compaixão.

Aqui estão algumas dicas de como lidar com o estigma:

  1. Informe-se: Quanto mais você souber sobre seu diagnóstico, mais fácil será explicar para os outros e combater o estigma.
  2. Fale sobre isso: Não tenha vergonha de falar sobre seu diagnóstico. Quanto mais as pessoas souberem, menos estigma haverá.
  3. Procure apoio: Converse com amigos, familiares ou grupos de apoio. Saber que você não está sozinho pode ser reconfortante.
  4. Defenda-se: Se alguém fizer um comentário estigmatizante, não tenha medo de se defender. Explique que os transtornos mentais são condições médicas e que merecem respeito.
  5. Cuide de si mesmo: Não deixe que o estigma te impeça de buscar ajuda ou de viver sua vida. Você merece ser feliz e saudável.

Exemplo de como lidar com o estigma:
Imagine que você está usando uma camiseta com a frase “Eu tenho um transtorno mental”. Algumas pessoas podem olhar para você com preconceito, mas outras podem te olhar com compaixão e respeito. Não deixe que o preconceito das outras pessoas te impeça de ser quem você é.


10. “Posso me recuperar completamente?”

Resposta:
Sim, é possível se recuperar completamente de um transtorno causado por alucinógenos. A recuperação pode ser um processo lento e cheio de altos e baixos, mas com o tratamento certo e o apoio da família e dos amigos, muitas pessoas conseguem levar uma vida plena e feliz.

A recuperação não significa que você nunca mais vai ter sintomas. Significa que você vai aprender a controlar os sintomas e a viver bem mesmo com eles. Algumas pessoas conseguem parar de tomar medicamentos depois de um tempo, enquanto outras precisam continuar o tratamento por toda a vida. O importante é encontrar o que funciona para você.

Exemplo de recuperação:
Imagine que você está aprendendo a tocar um instrumento. No começo, pode ser difícil e frustrante, mas com prática e paciência, você vai melhorando. A recuperação de um transtorno mental é como aprender a tocar um instrumento — pode levar tempo, mas vale a pena.


Quando procurar ajuda urgente

Alguns sintomas são sinais de alerta de que a situação é grave e requer ajuda imediata. Se você ou alguém próximo estiver vivendo algum dos sintomas abaixo, procure ajuda médica imediatamente.

Sinais de alerta moderados (procure ajuda nas próximas 24 horas)

  • Alucinações ou delírios intensos que estão causando sofrimento significativo.
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, mesmo que sem plano concreto.
  • Incapacidade de cuidar de si mesmo, como não comer, não tomar banho ou não tomar medicamentos.
  • Comportamentos de risco, como dirigir sob efeito de drogas ou se expor a situações perigosas.
  • Agressividade ou irritabilidade extrema, com risco de machucar a si mesmo ou aos outros.

Sinais de alerta graves (procure ajuda imediatamente)

  • Tentativa de suicídio ou plano concreto de suicídio.
  • Alucinações ou delírios que estão causando comportamento violento ou autodestrutivo.
  • Incapacidade de reconhecer a realidade, como acreditar que está sendo perseguido por alienígenas ou que é uma pessoa diferente.
  • Sintomas físicos graves, como convulsões, desmaios ou dor no peito.
  • Overdose de drogas, com sintomas como confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.

Onde procurar ajuda?
Pronto-socorro: Se a situação for grave, vá ao pronto-socorro mais próximo.
SAMU: Ligue para o 192 se a pessoa estiver em perigo imediato e não puder se locomover.
CVV: Ligue para o 188 se a pessoa estiver com pensamentos suicidas. O CVV oferece apoio emocional gratuito 24 horas por dia.
CAPS: Se a situação não for de vida ou morte, mas ainda assim grave, procure um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas).


Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
  • Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
  • National Institute on Drug Abuse. Hallucinogens and Dissociative Drugs. 2019.
  • Substance Abuse and Mental Health Services Administration. TIP 42: Substance Abuse Treatment for Persons With Co-Occurring Disorders. 2020.
  • Centro de Valorização da Vida (CVV). Apoio emocional e prevenção do suicídio. Disponível em: www.cvv.org.br.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.

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