O que é?
Imagine que o seu cérebro é como uma biblioteca enorme, cheia de livros que guardam todas as suas memórias, habilidades e conhecimentos. Cada livro representa uma lembrança, uma habilidade ou uma informação que você aprendeu ao longo da vida. Agora, imagine que, aos poucos, alguém começa a apagar páginas desses livros, a misturar as histórias e, por fim, a trancar os armários onde eles estão guardados. É mais ou menos isso que acontece na demência causada pela doença de Alzheimer.
A demência na doença de Alzheimer é uma condição em que o cérebro vai, lentamente, perdendo sua capacidade de funcionar direito. Não é apenas “esquecer onde deixou as chaves” — isso todo mundo faz. Estamos falando de esquecer como voltar para casa depois de uma caminhada no parque, não reconhecer o próprio filho ou não saber mais como amarrar os sapatos. É como se o “sistema operacional” do cérebro começasse a falhar, afetando memória, raciocínio, linguagem e até mesmo a personalidade.
Essa condição é diferente do envelhecimento normal. Todo mundo fica um pouco mais esquecido com a idade, mas na doença de Alzheimer os esquecimentos são frequentes, graves e interferem na vida diária. Também não é a mesma coisa que um “branco” momentâneo ou estresse. É uma doença progressiva, o que significa que os sintomas pioram com o tempo, e não tem cura — pelo menos por enquanto.
No Brasil, estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas vivam com Alzheimer, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). A maioria dos casos aparece depois dos 65 anos, mas existe uma forma rara que pode começar mais cedo, até mesmo aos 40 ou 50 anos. As mulheres são mais afetadas que os homens, em parte porque vivem mais, mas também por fatores biológicos que ainda estão sendo estudados.
A doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, que estudou o caso de uma paciente chamada Auguste Deter. Ela tinha sintomas estranhos para a época: esquecimentos graves, desorientação e mudanças de comportamento. Quando ela faleceu, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e encontrou alterações que nunca tinha visto antes — placas e emaranhados que hoje sabemos serem marcas registradas da doença.
Quais são os sintomas?
A demência na doença de Alzheimer afeta várias funções do cérebro. Vamos explicar cada um dos principais sintomas de um jeito que você consiga reconhecer no dia a dia.
1. Comprometimento da memória
O que é?
A memória é como um arquivo no cérebro. Na doença de Alzheimer, esse arquivo começa a falhar, especialmente para coisas recentes. Primeiro, a pessoa esquece eventos que acabaram de acontecer. Depois, começa a esquecer informações mais antigas.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode perceber que a pessoa repete a mesma pergunta várias vezes em poucos minutos, como “Que horas é o almoço?”, mesmo que você já tenha respondido.
– É como se ela vivesse em um “loop”: conta a mesma história para as mesmas pessoas várias vezes, sem perceber.
– No começo, ela pode esquecer onde deixou objetos importantes, como a carteira ou os óculos. Depois, pode esquecer até mesmo o nome de pessoas próximas.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo esquece onde deixou o celular às vezes. Mas na doença de Alzheimer, a pessoa pode esquecer que tem um celular ou como usá-lo.
2. Afasia (dificuldade com a linguagem)
O que é?
Afasia é quando a pessoa tem dificuldade para se expressar ou entender o que os outros dizem. É como se as palavras sumissem ou ficassem embaralhadas.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode notar que a pessoa “trava” no meio de uma frase, como se não conseguisse encontrar a palavra certa. Por exemplo: “Eu quero… aquela coisa… para escrever… sabe?” (referindo-se a uma caneta).
– Ela pode usar palavras erradas sem perceber, como chamar um garfo de “colher” ou um neto de “filho”.
– Em estágios mais avançados, a fala pode ficar confusa, como se ela estivesse falando uma língua desconhecida.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo tem um “branco” às vezes, como esquecer o nome de um ator famoso. Mas na afasia, a pessoa pode esquecer palavras simples do dia a dia, como “água” ou “comer”.
3. Apraxia (dificuldade para realizar tarefas motoras)
O que é?
Apraxia é quando a pessoa perde a capacidade de fazer movimentos que antes eram automáticos, mesmo que seus músculos estejam saudáveis. É como se o cérebro “esquecesse” como dar as instruções para o corpo.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode perceber que a pessoa não consegue mais abotoar a camisa, mesmo que não tenha nenhum problema nas mãos.
– Ela pode ter dificuldade para usar talheres, como se não soubesse mais como segurar um garfo.
– Em casos mais avançados, pode até esquecer como engolir, o que aumenta o risco de engasgos.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo tem dias em que está desajeitado, como derrubar um copo de água. Mas na apraxia, a pessoa pode não conseguir mais realizar tarefas que fazia todos os dias, como escovar os dentes.
4. Agnosia (dificuldade para reconhecer objetos ou pessoas)
O que é?
Agnosia é quando a pessoa não consegue reconhecer objetos, pessoas ou até mesmo partes do próprio corpo, mesmo que seus sentidos (visão, audição) estejam funcionando.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode notar que a pessoa não reconhece um objeto comum, como um pente, e pergunta “O que é isso?”.
– Ela pode não reconhecer o próprio reflexo no espelho e achar que é outra pessoa.
– Em estágios avançados, pode não reconhecer familiares próximos, como o cônjuge ou os filhos.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo já confundiu uma pessoa com outra na rua. Mas na agnosia, a pessoa pode não reconhecer o próprio filho, mesmo que ele esteja na sua frente.
5. Dificuldade no funcionamento executivo
O que é?
O funcionamento executivo é como o “CEO” do cérebro. Ele ajuda a planejar, organizar, tomar decisões e controlar impulsos. Na doença de Alzheimer, essa função fica comprometida.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode perceber que a pessoa não consegue mais fazer tarefas que exigem planejamento, como preparar uma refeição ou pagar contas.
– Ela pode ter dificuldade para tomar decisões simples, como escolher o que vestir ou o que comer.
– Pode agir de forma impulsiva, como gastar dinheiro sem necessidade ou falar coisas inapropriadas.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo já teve dificuldade para organizar uma festa ou um projeto grande. Mas na doença de Alzheimer, a pessoa pode não conseguir mais fazer tarefas básicas, como tomar banho sozinha.
6. Mudanças de personalidade e comportamento
O que é?
A doença de Alzheimer não afeta apenas a memória, mas também a personalidade. A pessoa pode se tornar mais irritada, apática ou até mesmo agressiva.
Como aparece no dia a dia?
– Você pode notar que a pessoa fica mais desconfiada, achando que os outros estão “roubando” suas coisas (mesmo que não estejam).
– Ela pode perder o interesse por atividades que antes adorava, como hobbies ou sair com amigos.
– Em alguns casos, pode ter alucinações, como ver pessoas que não estão lá, ou delírios, como achar que está sendo perseguida.
Normal vs. Sintomático:
Todo mundo tem dias ruins e fica irritado. Mas na doença de Alzheimer, as mudanças de personalidade são persistentes e interferem na vida da pessoa e de quem está ao redor.
Importante: Ter alguns sintomas não significa ter Alzheimer
É normal esquecer onde deixou as chaves ou ter um “branco” de vez em quando. O que diferencia a doença de Alzheimer é a frequência, a gravidade e o impacto desses sintomas na vida da pessoa. Se os esquecimentos ou as dificuldades estão atrapalhando o trabalho, os relacionamentos ou a independência, é hora de procurar ajuda.
Como se manifesta no dia a dia?
A doença de Alzheimer afeta todas as áreas da vida. Vamos ver como ela se manifesta em diferentes situações.
No trabalho ou na escola
- Dificuldade para acompanhar tarefas: A pessoa pode não conseguir mais seguir instruções complexas, como preencher um relatório ou organizar um projeto.
- Esquecimento de compromissos: Pode esquecer reuniões importantes ou prazos de entrega.
- Erros frequentes: Pode cometer erros simples, como digitar números errados em uma planilha ou esquecer etapas de um processo.
- Dificuldade para aprender coisas novas: Pode ter dificuldade para usar um novo software ou seguir um novo procedimento.
Exemplo concreto:
João, de 58 anos, sempre foi um contador exemplar. Nos últimos meses, seus colegas notaram que ele estava esquecendo de enviar documentos importantes para os clientes e cometendo erros em cálculos simples. Ele também começou a se perder no meio de uma tarefa e precisava pedir ajuda várias vezes. No começo, todos acharam que era estresse, mas os erros foram ficando mais frequentes.
Nos relacionamentos
- Isolamento: A pessoa pode evitar encontros sociais porque se sente perdida ou envergonhada por não conseguir acompanhar as conversas.
- Mudanças de humor: Pode ficar irritada ou triste sem motivo aparente, o que afeta os relacionamentos com familiares e amigos.
- Desconfiança: Pode acusar os outros de roubar suas coisas ou de estar “contra ela”.
- Dificuldade para reconhecer pessoas: Em estágios avançados, pode não reconhecer o próprio cônjuge ou filhos.
Exemplo concreto:
Maria, de 72 anos, sempre foi muito sociável e adorava receber os netos em casa. Nos últimos meses, ela começou a evitar as visitas, dizendo que “não tinha tempo”. Quando os netos iam, ela não conseguia lembrar os nomes deles e ficava irritada quando eles tentavam ajudá-la. Um dia, ela acusou a neta de ter roubado seu colar, mesmo que o colar estivesse no seu pescoço.
Na rotina diária
- Dificuldade para se vestir: Pode colocar a roupa do avesso ou não conseguir abotoar a camisa.
- Esquecer de comer: Pode pular refeições porque não lembra que está com fome.
- Problemas com higiene: Pode esquecer de tomar banho ou escovar os dentes.
- Dificuldade para dormir: Pode acordar várias vezes durante a noite ou dormir durante o dia.
Exemplo concreto:
Carlos, de 68 anos, sempre foi muito vaidoso e gostava de se arrumar para sair. Nos últimos meses, sua esposa notou que ele estava usando a mesma roupa por dias seguidos e não tomava banho com frequência. Um dia, ela o encontrou tentando escovar os dentes com um pente, sem perceber o erro.
Na saúde física
- Problemas de mobilidade: Em estágios avançados, a pessoa pode ter dificuldade para andar ou ficar acamada.
- Dificuldade para engolir: Pode engasgar com frequência, o que aumenta o risco de pneumonia.
- Incontinência: Pode perder o controle da bexiga ou do intestino.
- Perda de peso: Pode emagrecer porque esquece de comer ou não sente fome.
Exemplo concreto:
Ana, de 75 anos, sempre foi muito ativa e adorava caminhar no parque. Nos últimos meses, ela começou a ter dificuldade para andar e precisava de ajuda para se levantar da cadeira. Um dia, ela caiu no banheiro e precisou ser levada ao hospital. Os médicos descobriram que ela estava desidratada e desnutrida porque esquecia de beber água e comer.
O que causa essa condição?
A doença de Alzheimer é complexa e não tem uma única causa. É como se várias peças de um quebra-cabeça precisassem se encaixar para que a doença apareça. Vamos entender cada uma delas.
Fatores genéticos
Como funciona?
Imagine que o seu DNA é como um manual de instruções para o seu corpo. Em algumas famílias, esse manual tem “erros de impressão” que aumentam o risco de desenvolver Alzheimer. Esses erros são chamados de mutações genéticas.
O que a ciência sabe?
– Se um parente de primeiro grau (pai, mãe ou irmão) teve Alzheimer, o risco de desenvolver a doença é um pouco maior.
– Em casos raros, a doença é causada por mutações em genes específicos, como o gene da proteína precursora amiloide (APP) ou os genes da presenilina 1 e 2. Essas mutações são responsáveis por menos de 1% dos casos, mas quando estão presentes, a doença costuma aparecer mais cedo, antes dos 65 anos.
– Outro gene importante é o APOE-e4, que aumenta o risco de desenvolver Alzheimer, mas não garante que a pessoa terá a doença.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Se meu avô teve Alzheimer, eu vou ter também.”
✅ Verdade: Ter um parente com Alzheimer aumenta o risco, mas não significa que você vai desenvolver a doença. Muitos fatores influenciam, como estilo de vida e saúde geral.
Fatores neurobiológicos
O que acontece no cérebro?
Imagine que o cérebro é como uma cidade movimentada, cheia de ruas (neurônios) e conexões (sinapses). Na doença de Alzheimer, duas coisas principais acontecem:
- Placas amiloides: São como “lixos” que se acumulam entre os neurônios, atrapalhando a comunicação entre eles. É como se alguém jogasse entulho nas ruas da cidade, impedindo o trânsito.
- Emaranhados neurofibrilares: São como “nós” dentro dos neurônios, feitos de uma proteína chamada tau. Esses nós impedem que os nutrientes cheguem até as células, fazendo com que elas morram. É como se as ruas da cidade começassem a desabar.
Com o tempo, essas alterações fazem com que o cérebro encolha, especialmente em áreas importantes para a memória e o raciocínio, como o hipocampo.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Alzheimer é só falta de memória, não tem nada a ver com o cérebro.”
✅ Verdade: Alzheimer é uma doença cerebral. As placas e emaranhados danificam os neurônios, causando os sintomas que vemos.
Fatores ambientais
O que pode influenciar?
Alguns fatores do ambiente ou do estilo de vida podem aumentar ou diminuir o risco de desenvolver Alzheimer. É como se o cérebro fosse uma planta: ele precisa de cuidados para crescer saudável.
Fatores que aumentam o risco:
– Traumatismo craniano: Sofrer uma pancada forte na cabeça, como em um acidente de carro, pode aumentar o risco.
– Doenças cardiovasculares: Pressão alta, colesterol alto e diabetes danificam os vasos sanguíneos do cérebro, o que pode contribuir para o Alzheimer.
– Sedentarismo: Ficar muito tempo sentado ou sem fazer exercícios físicos pode prejudicar a saúde do cérebro.
– Isolamento social: Ficar sozinho por muito tempo pode acelerar o declínio cognitivo.
Fatores que protegem:
– Exercício físico: Caminhar, nadar ou dançar ajuda a manter o cérebro saudável.
– Alimentação saudável: Uma dieta rica em frutas, verduras, peixes e azeite (como a dieta mediterrânea) pode reduzir o risco.
– Estimulação mental: Ler, fazer palavras cruzadas ou aprender coisas novas mantém o cérebro ativo.
– Sono de qualidade: Dormir bem ajuda o cérebro a se “limpar” das toxinas que podem causar Alzheimer.
Mito vs. Verdade:
❌ Mito: “Alzheimer é só coisa de velho, não tem o que fazer para prevenir.”
✅ Verdade: Embora o risco aumente com a idade, há muitas coisas que podemos fazer para proteger o cérebro, como exercícios e alimentação saudável.
Modelo biopsicossocial
O que é?
O modelo biopsicossocial é uma forma de entender que a saúde não depende apenas do corpo (bio), mas também da mente (psico) e do ambiente (social). No caso do Alzheimer, isso significa que a doença é influenciada por uma combinação de fatores:
- Biológicos: Genes, alterações no cérebro, doenças cardiovasculares.
- Psicológicos: Estresse, depressão, ansiedade.
- Sociais: Isolamento, falta de apoio familiar, condições de vida.
Exemplo:
Maria, de 70 anos, tem um gene que aumenta o risco de Alzheimer, mas ela faz exercícios regularmente, come bem e tem uma vida social ativa. Seu risco de desenvolver a doença é menor do que o de João, de 65 anos, que fuma, tem pressão alta e vive sozinho.
Como é feito o diagnóstico?
Receber o diagnóstico de Alzheimer pode ser assustador, mas é o primeiro passo para planejar o cuidado e garantir qualidade de vida. Vamos entender como funciona esse processo.
Passo a passo da avaliação
- Consulta inicial:
- O médico (geralmente um neurologista, psiquiatra ou geriatra) vai conversar com a pessoa e com um familiar para entender os sintomas.
-
Perguntas comuns: “Quando começaram os esquecimentos?”, “Você tem dificuldade para fazer tarefas do dia a dia?”, “Já se perdeu em lugares conhecidos?”.
-
Testes cognitivos:
-
O médico pode aplicar testes simples para avaliar memória, linguagem e raciocínio. Um dos mais usados é o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), que faz perguntas como “Que dia é hoje?”, “Onde estamos?” e pede para a pessoa repetir palavras ou desenhar uma figura.
-
Exames de imagem:
- Tomografia ou ressonância magnética: Esses exames ajudam a ver se há alterações no cérebro, como atrofia (encolhimento) ou lesões.
-
PET scan: Em alguns casos, pode ser usado para detectar placas amiloides no cérebro.
-
Exames de sangue:
-
Servem para descartar outras causas de esquecimento, como deficiência de vitaminas, problemas na tireoide ou infecções.
-
Avaliação psicológica:
-
Um psicólogo pode avaliar se há depressão ou ansiedade, que podem piorar os sintomas de esquecimento.
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Avaliação funcional:
- O médico pode perguntar sobre a capacidade da pessoa de realizar tarefas do dia a dia, como cozinhar, tomar banho ou gerenciar finanças.
Quanto tempo leva?
O diagnóstico não é feito em uma única consulta. Pode levar semanas ou até meses, porque o médico precisa descartar outras condições e observar a evolução dos sintomas.
Quem pode diagnosticar?
- Neurologista: Especialista em doenças do cérebro e do sistema nervoso.
- Geriatra: Médico especializado em idosos.
- Psiquiatra: Especialista em saúde mental, especialmente útil se houver sintomas como depressão ou ansiedade.
- Equipes do SUS: No Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico pode ser feito em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou hospitais universitários.
SUS vs. Particular:
– SUS: O diagnóstico é gratuito, mas pode demorar mais por causa da fila de espera. O tratamento também é oferecido pelo SUS, incluindo medicamentos e acompanhamento com equipes multidisciplinares.
– Particular: O diagnóstico é mais rápido, mas pode ser caro. Alguns planos de saúde cobrem parte dos exames e consultas.
O que esperar da primeira consulta
- Conversa detalhada: O médico vai perguntar sobre os sintomas, histórico familiar e rotina da pessoa.
- Testes simples: Pode pedir para a pessoa repetir palavras, desenhar um relógio ou responder perguntas sobre datas e lugares.
- Explicação clara: O médico deve explicar o que está acontecendo e quais são os próximos passos, sem usar termos técnicos complicados.
- Espaço para dúvidas: É importante levar uma lista de perguntas, como “Quanto tempo dura a doença?” ou “Quais são os tratamentos disponíveis?”.
Diagnóstico diferencial: O que pode ser confundido com Alzheimer?
Algumas condições têm sintomas parecidos com os do Alzheimer, mas são tratáveis ou têm causas diferentes. O médico precisa descartar essas possibilidades antes de confirmar o diagnóstico.
- Depressão:
- A depressão em idosos pode causar esquecimentos e falta de motivação, mas geralmente melhora com tratamento.
-
Diferença: Na depressão, a pessoa costuma se queixar dos esquecimentos, enquanto no Alzheimer ela pode não perceber os sintomas.
-
Delirium:
- É uma confusão mental aguda, geralmente causada por infecções, desidratação ou efeitos colaterais de remédios.
-
Diferença: O delirium aparece de repente e pode melhorar em dias ou semanas, enquanto o Alzheimer é progressivo.
-
Deficiência de vitaminas:
- Falta de vitamina B12 ou ácido fólico pode causar esquecimentos e dificuldade de concentração.
-
Diferença: Os sintomas melhoram com a reposição da vitamina.
-
Hipotireoidismo:
- Quando a tireoide não funciona direito, pode causar lentidão mental e esquecimentos.
-
Diferença: Os sintomas melhoram com o tratamento da tireoide.
-
Demência vascular:
- Causada por pequenos derrames no cérebro, que danificam áreas importantes para a memória e o raciocínio.
-
Diferença: Na demência vascular, os sintomas podem piorar de forma “em degraus” (melhora e piora repentina), enquanto no Alzheimer a piora é gradual.
-
Doença de Parkinson:
- Além dos tremores, pode causar lentidão mental e dificuldade para planejar tarefas.
- Diferença: Os sintomas motores (tremores, rigidez) costumam aparecer antes dos sintomas cognitivos.
Tratamento
Não existe cura para a doença de Alzheimer, mas há tratamentos que podem ajudar a controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença. Vamos entender cada um deles.
Medicamentos
Os remédios usados no Alzheimer não “consertam” o cérebro, mas podem ajudar a aliviar alguns sintomas ou retardar a piora. É como tomar um remédio para dor de cabeça: não cura a causa, mas melhora o desconforto.
Inibidores da colinesterase
Como funcionam?
Imagine que os neurônios são como telefones que precisam de bateria para funcionar. Na doença de Alzheimer, a “bateria” (uma substância chamada acetilcolina) está em falta. Os inibidores da colinesterase ajudam a preservar essa bateria, melhorando a comunicação entre os neurônios.
Remédios comuns:
– Donepezila (Aricept)
– Rivastigmina (Exelon)
– Galantamina (Reminyl)
Efeitos colaterais:
– Náusea, vômito ou diarreia (geralmente melhoram depois de algumas semanas).
– Perda de apetite.
– Tontura ou insônia.
O que fazer se os efeitos colaterais aparecerem?
– Converse com o médico. Ele pode ajustar a dose ou trocar o remédio.
– Tome o remédio com comida para reduzir a náusea.
Quanto tempo para fazer efeito?
Os efeitos podem ser percebidos em algumas semanas, mas o benefício máximo costuma aparecer depois de 3 a 6 meses.
Memantina
Como funciona?
A memantina é como um “protetor” para os neurônios. Ela bloqueia o excesso de uma substância chamada glutamato, que em grandes quantidades pode danificar as células cerebrais.
Remédio comum:
– Memantina (Ebix, Namenda)
Efeitos colaterais:
– Dor de cabeça.
– Constipação.
– Confusão ou tontura (em alguns casos).
Quanto tempo para fazer efeito?
Os efeitos podem ser percebidos em algumas semanas.
Outros medicamentos
- Antidepressivos: Podem ser usados se a pessoa tiver depressão ou ansiedade.
- Antipsicóticos: Em casos de agitação, alucinações ou delírios, mas devem ser usados com cuidado, pois podem aumentar o risco de efeitos colaterais graves em idosos.
- Estabilizadores de humor: Podem ajudar em casos de irritabilidade ou mudanças bruscas de humor.
Importante:
– Nunca pare ou mude a dose de um remédio sem falar com o médico.
– Alguns remédios podem interagir com outros medicamentos, por isso é importante informar ao médico tudo o que a pessoa está tomando.
Psicoterapia
A psicoterapia não “cura” o Alzheimer, mas pode ajudar a pessoa e a família a lidar com os desafios emocionais da doença.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
Como funciona?
A TCC ajuda a pessoa a identificar pensamentos negativos e substituí-los por outros mais realistas. Por exemplo, se a pessoa pensa “Eu não sirvo para nada porque esqueci o nome do meu neto”, o terapeuta pode ajudá-la a pensar “Todo mundo esquece nomes às vezes, e eu ainda posso aproveitar o tempo com minha família”.
Para quem é indicada?
– Pessoas nos estágios iniciais da doença, que ainda têm consciência dos seus esquecimentos e se sentem frustradas ou ansiosas.
– Familiares que estão se sentindo sobrecarregados ou culpados.
O que acontece na sessão?
– O terapeuta faz perguntas para entender como a pessoa está se sentindo.
– Juntos, eles identificam situações que causam estresse e criam estratégias para lidar com elas.
– Podem ser usadas técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação.
Quanto tempo dura?
Geralmente, as sessões são semanais e duram cerca de 12 a 20 semanas, mas isso varia de acordo com a necessidade de cada pessoa.
Terapia de reminiscência
Como funciona?
A terapia de reminiscência usa fotos, músicas, objetos e histórias para ajudar a pessoa a relembrar momentos importantes da sua vida. É como um “passeio” pela memória, que pode trazer conforto e melhorar o humor.
Para quem é indicada?
– Pessoas em estágios leves a moderados da doença, que ainda conseguem se comunicar e têm memórias antigas preservadas.
O que acontece na sessão?
– O terapeuta ou um familiar pode mostrar fotos antigas e perguntar: “Quem é essa pessoa?”, “Onde foi tirada essa foto?”.
– Músicas da juventude da pessoa podem ser tocadas para estimular lembranças.
– Objetos antigos, como um rádio ou uma máquina de costura, podem ser usados para relembrar habilidades e histórias.
Benefícios:
– Melhora o humor e reduz a ansiedade.
– Fortalece a conexão entre a pessoa e seus familiares.
– Pode ajudar a preservar a identidade da pessoa, lembrando-a de quem ela é e do que já realizou.
Terapia familiar
Como funciona?
A terapia familiar ajuda os familiares a entender a doença, aprender a se comunicar melhor com a pessoa e lidar com o estresse do cuidado.
Para quem é indicada?
– Familiares que estão se sentindo sobrecarregados, culpados ou em conflito.
– Famílias que precisam tomar decisões importantes, como contratar um cuidador ou mudar a pessoa para uma instituição.
O que acontece na sessão?
– O terapeuta ajuda a família a entender os sintomas da doença e como eles afetam o comportamento da pessoa.
– São discutidas estratégias para lidar com situações difíceis, como quando a pessoa se recusa a tomar banho ou fica agressiva.
– A família aprende a se comunicar de forma clara e paciente, evitando discussões ou frustrações.
Benefícios:
– Reduz o estresse e a sobrecarga dos cuidadores.
– Melhora a qualidade de vida da pessoa com Alzheimer e de sua família.
– Ajuda a família a tomar decisões difíceis de forma mais tranquila.
Mudanças no dia a dia
Além dos medicamentos e da psicoterapia, algumas mudanças na rotina podem ajudar a pessoa a viver melhor com a doença.
Exercício físico
Por que ajuda?
O exercício físico melhora a circulação sanguínea no cérebro, reduz o estresse e ajuda a manter a mobilidade. É como um “remédio natural” para o cérebro.
Quais exercícios são melhores?
– Caminhada: 30 minutos por dia, em um ritmo confortável.
– Dança: Além de ser divertida, ajuda a melhorar o equilíbrio e a coordenação.
– Tai chi ou yoga: São exercícios suaves que melhoram a flexibilidade e reduzem a ansiedade.
– Natação: É uma ótima opção para quem tem problemas nas articulações.
Dicas:
– Escolha uma atividade que a pessoa goste e que seja segura.
– Comece devagar e aumente a intensidade aos poucos.
– Faça exercícios em grupo para estimular a socialização.
Sono
Por que é importante?
Dormir bem ajuda o cérebro a se “limpar” das toxinas que podem causar Alzheimer. Além disso, uma boa noite de sono melhora o humor e a memória.
Dicas para uma boa noite de sono:
– Rotina: Tente dormir e acordar sempre no mesmo horário, mesmo nos fins de semana.
– Ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e em uma temperatura agradável.
– Evite estimulantes: Reduza o consumo de café, chá preto e refrigerantes à tarde e à noite.
– Atividade física: Exercícios durante o dia ajudam a dormir melhor à noite.
– Banho morno: Um banho morno antes de dormir pode ajudar a relaxar.
O que fazer se a pessoa tiver insônia?
– Evite sonecas longas durante o dia.
– Reduza o uso de telas (TV, celular) antes de dormir.
– Converse com o médico se a insônia persistir.
Alimentação
O que a ciência diz?
Uma dieta saudável pode ajudar a proteger o cérebro e reduzir o risco de Alzheimer. A dieta mediterrânea, por exemplo, é rica em alimentos que fazem bem para o cérebro.
Alimentos recomendados:
– Peixes: Salmão, sardinha e atum são ricos em ômega-3, que ajuda a proteger os neurônios.
– Frutas e verduras: São ricas em antioxidantes, que combatem os danos causados pelas placas amiloides.
– Azeite de oliva: É uma gordura saudável que ajuda a reduzir a inflamação no cérebro.
– Nozes e castanhas: São ricas em vitamina E, que protege as células cerebrais.
– Grãos integrais: Arroz integral, aveia e quinoa ajudam a manter os níveis de energia estáveis.
Alimentos para evitar:
– Açúcar refinado: Doces e refrigerantes podem aumentar a inflamação no cérebro.
– Gorduras trans: Presentes em alimentos industrializados, como salgadinhos e margarina.
– Excesso de sal: Pode aumentar a pressão arterial, prejudicando os vasos sanguíneos do cérebro.
Dicas:
– Cozinhe em casa sempre que possível, usando ingredientes frescos.
– Faça refeições em família para estimular a socialização.
– Se a pessoa tiver dificuldade para engolir, converse com o médico ou um nutricionista para adaptar a dieta.
Rotina
Por que é importante?
Uma rotina estruturada ajuda a pessoa a se sentir mais segura e reduz a ansiedade. É como ter um “mapa” do dia, que mostra o que vai acontecer em seguida.
Como estruturar o dia:
– Manhã: Acordar, tomar café da manhã, fazer uma atividade leve (como caminhar ou ouvir música).
– Tarde: Almoçar, descansar um pouco, fazer uma atividade prazerosa (como jardinagem ou pintura).
– Noite: Jantar, assistir a um programa de TV ou conversar com a família, preparar-se para dormir.
Dicas:
– Use um quadro ou um calendário para lembrar a pessoa dos compromissos do dia.
– Mantenha horários fixos para as refeições e o sono.
– Inclua atividades que a pessoa goste e que sejam adequadas ao seu nível de habilidade.
Tecnologia assistiva
A tecnologia pode ser uma grande aliada para ajudar a pessoa a manter sua independência e segurança.
Exemplos de tecnologia assistiva:
– Relógios e calendários inteligentes: Podem lembrar a pessoa de tomar remédios, beber água ou ir a uma consulta.
– GPS: Dispositivos como pulseiras ou aplicativos de celular podem ajudar a localizar a pessoa se ela se perder.
– Sensores de movimento: Podem alertar os familiares se a pessoa cair ou sair de casa durante a noite.
– Assistentes virtuais: Dispositivos como Alexa ou Google Home podem ajudar a pessoa a lembrar de tarefas ou fazer ligações com comandos de voz.
Dicas:
– Escolha dispositivos fáceis de usar e que se adaptem às necessidades da pessoa.
– Ensine a pessoa a usar a tecnologia aos poucos, com paciência.
– Converse com o médico ou um terapeuta ocupacional para saber quais dispositivos são mais indicados.
Convivendo com o diagnóstico
Receber o diagnóstico de Alzheimer pode ser um baque, tanto para a pessoa quanto para a família. Mas é possível viver bem com a doença, especialmente se houver apoio e planejamento.
Para a pessoa com o diagnóstico
Aceitar a doença:
– No começo, é normal sentir raiva, tristeza ou negação. Esses sentimentos são parte do processo de aceitação.
– Converse com um psicólogo ou participe de grupos de apoio para pessoas com Alzheimer. Compartilhar suas experiências com outras pessoas que estão passando pela mesma coisa pode ser muito reconfortante.
Manter a independência:
– Faça uma lista das coisas que você ainda consegue fazer sozinho e das que precisam de ajuda. Isso ajuda a manter a autonomia pelo maior tempo possível.
– Use estratégias para compensar os esquecimentos, como anotar tudo em um caderno ou usar alarmes no celular.
Cuidar da saúde mental:
– Pratique atividades que você goste e que ajudem a relaxar, como ouvir música, pintar ou caminhar.
– Mantenha contato com amigos e familiares. O isolamento pode piorar os sintomas.
– Se sentir ansiedade ou depressão, converse com um psicólogo ou psiquiatra.
Planejar o futuro:
– Converse com sua família sobre seus desejos para o futuro, como onde quer morar e quem vai cuidar de você.
– Organize documentos importantes, como testamento e procuração, enquanto ainda consegue tomar decisões.
– Considere participar de pesquisas clínicas. Elas podem dar acesso a novos tratamentos e ajudam a avançar a ciência.
Para familiares e amigos
Como ajudar de forma efetiva:
– Seja paciente: Lembre-se de que a pessoa não está fazendo as coisas de propósito. Ela está doente e precisa de compreensão.
– Comunique-se de forma clara: Use frases curtas e simples. Evite perguntas complexas ou que exijam memória recente, como “O que você fez ontem?”.
– Estimule a independência: Ajude a pessoa a fazer as coisas sozinha sempre que possível. Por exemplo, em vez de vestir a roupa para ela, entregue as peças uma de cada vez e dê instruções simples.
– Crie um ambiente seguro: Retire tapetes escorregadios, instale barras de apoio no banheiro e evite móveis com quinas pontiagudas.
– Mantenha uma rotina: Isso ajuda a pessoa a se sentir mais segura e reduz a ansiedade.
O que NÃO fazer:
– Não discuta: Se a pessoa estiver confusa ou irritada, não tente convencê-la de que está errada. Isso só vai aumentar a frustração.
– Não infantilize: Trate a pessoa com respeito, mesmo que ela tenha dificuldades. Evite falar com ela como se fosse uma criança.
– Não isole: Incentive a pessoa a participar de atividades sociais, mesmo que ela resista no começo.
– Não ignore seus próprios sentimentos: Cuidar de alguém com Alzheimer pode ser desgastante. É normal sentir raiva, tristeza ou culpa. Não guarde esses sentimentos para si.
Como cuidar de si mesmo:
– Peça ajuda: Não tente fazer tudo sozinho. Divida as tarefas com outros familiares ou contrate um cuidador.
– Tire um tempo para si: Reserve algumas horas por semana para fazer algo que você goste, como ler, caminhar ou encontrar amigos.
– Participe de grupos de apoio: Conversar com outras pessoas que estão passando pela mesma situação pode ser muito reconfortante. A ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) oferece grupos de apoio em várias cidades.
– Cuide da sua saúde: Durma bem, alimente-se de forma saudável e faça exercícios. Você não vai ajudar ninguém se estiver esgotado.
Como explicar para outras pessoas:
– Para crianças: Use uma linguagem simples e honesta. Por exemplo: “O vovô está doente e às vezes esquece as coisas. Não é culpa dele, e nós vamos ajudá-lo”.
– Para amigos e familiares: Explique que a pessoa tem uma doença que afeta a memória e o comportamento. Peça paciência e compreensão.
– Para estranhos: Se a pessoa fizer algo inapropriado em público, como tirar a roupa ou falar alto, explique brevemente que ela tem Alzheimer e peça desculpas pelo constrangimento.
Quando os sintomas podem piorar?
A doença de Alzheimer é progressiva, o que significa que os sintomas vão piorando com o tempo. No entanto, alguns fatores podem acelerar essa piora ou causar uma deterioração mais rápida.
Fatores que podem piorar os sintomas:
– Doenças físicas: Infecções, desidratação ou problemas cardíacos podem piorar a confusão mental.
– Mudanças no ambiente: Uma mudança de casa, a perda de um familiar ou até mesmo uma viagem podem causar desorientação.
– Efeitos colaterais de remédios: Alguns medicamentos, como antidepressivos ou antipsicóticos, podem piorar a confusão ou a sonolência.
– Estresse ou ansiedade: Situações estressantes, como uma discussão ou um barulho alto, podem deixar a pessoa mais agitada.
– Falta de sono: A insônia ou um sono de má qualidade podem piorar os sintomas no dia seguinte.
Sinais de que os sintomas estão piorando:
– A pessoa está mais confusa ou desorientada do que o normal.
– Está tendo mais dificuldade para realizar tarefas do dia a dia, como se vestir ou comer.
– Está mais agitada, agressiva ou deprimida.
– Está tendo alucinações ou delírios com mais frequência.
– Está perdendo peso ou tendo dificuldade para engolir.
O que fazer?
– Converse com o médico para avaliar se é necessário ajustar os medicamentos ou investigar outras causas.
– Mantenha uma rotina estável e evite mudanças bruscas no ambiente.
– Ofereça apoio emocional e tente reduzir o estresse da pessoa.
Perguntas frequentes
1. Alzheimer tem cura?
Infelizmente, ainda não existe cura para a doença de Alzheimer. Os tratamentos disponíveis hoje ajudam a controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença, mas não conseguem reverter os danos já causados no cérebro.
No entanto, a ciência está avançando rapidamente. Há muitas pesquisas em andamento para desenvolver novos medicamentos e terapias, incluindo vacinas e tratamentos que visam remover as placas amiloides do cérebro. Participar de pesquisas clínicas pode ser uma opção para algumas pessoas, dando acesso a novos tratamentos e ajudando a avançar a ciência.
Enquanto a cura não chega, o foco é viver bem com a doença. Com o apoio certo, muitas pessoas com Alzheimer conseguem manter uma boa qualidade de vida por vários anos.
2. Alzheimer é hereditário?
A maioria dos casos de Alzheimer não é hereditária. Apenas cerca de 1% dos casos são causados por mutações genéticas específicas que são passadas de geração em geração. Esses casos costumam aparecer mais cedo, antes dos 65 anos, e são chamados de Alzheimer familiar.
Para a maioria das pessoas, o Alzheimer é causado por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Ter um parente com Alzheimer aumenta um pouco o risco, mas não significa que você vai desenvolver a doença. Por exemplo, se sua mãe teve Alzheimer, seu risco é um pouco maior do que o de alguém sem histórico familiar, mas ainda assim é possível reduzir esse risco com hábitos saudáveis.
Se você tem histórico familiar de Alzheimer e está preocupado, converse com um médico geneticista. Ele pode avaliar seu risco e orientar sobre medidas preventivas.
3. Como diferenciar Alzheimer de esquecimento normal?
Todo mundo esquece coisas às vezes, especialmente com a idade. A diferença entre o esquecimento normal e o Alzheimer está na frequência, na gravidade e no impacto na vida da pessoa.
Esquecimento normal:
– Esquecer onde deixou as chaves ou o celular.
– Ter um “branco” e esquecer o nome de um ator famoso.
– Esquecer um compromisso, mas lembrar depois.
– Esquecer uma palavra no meio de uma frase, mas lembrar depois.
Alzheimer:
– Esquecer como voltar para casa depois de uma caminhada no parque.
– Não reconhecer um familiar próximo.
– Esquecer como fazer tarefas que sempre fez, como cozinhar ou se vestir.
– Repetir a mesma pergunta várias vezes em poucos minutos, sem perceber.
– Colocar objetos em lugares estranhos, como guardar a carteira na geladeira.
Se os esquecimentos estão atrapalhando a vida da pessoa ou causando preocupação, é importante procurar um médico para uma avaliação.
4. Quanto tempo dura a doença?
A duração da doença de Alzheimer varia de pessoa para pessoa, mas em média, a sobrevida após o diagnóstico é de 8 a 10 anos. Algumas pessoas vivem menos de 5 anos, enquanto outras podem viver mais de 20 anos, especialmente se o diagnóstico for feito cedo e a pessoa tiver um bom acompanhamento médico.
A progressão da doença também varia. Algumas pessoas têm uma piora lenta e gradual, enquanto outras podem ter períodos de estabilidade seguidos por pioras repentinas. Fatores como idade, saúde geral e acesso a tratamento podem influenciar a velocidade da progressão.
Nos estágios finais, a pessoa pode ficar acamada, perder a capacidade de se comunicar e precisar de cuidados 24 horas por dia. É uma fase difícil para a família, mas com apoio e planejamento, é possível garantir conforto e dignidade para a pessoa.
5. Como lidar com a agressividade?
A agressividade é um sintoma comum em pessoas com Alzheimer, especialmente em estágios moderados a avançados. Ela pode ser causada por frustração, confusão, dor ou até mesmo por não conseguir se comunicar.
O que fazer:
– Mantenha a calma: Não discuta ou tente convencer a pessoa de que ela está errada. Isso só vai aumentar a frustração.
– Identifique a causa: Pergunte-se: “Ela está com fome, sede ou dor?”, “O ambiente está muito barulhento ou confuso?”, “Ela está cansada ou com sono?”.
– Redirecione a atenção: Tente distrair a pessoa com uma atividade que ela goste, como ouvir música ou olhar fotos.
– Simplifique as tarefas: Se a pessoa está frustrada porque não consegue fazer algo, divida a tarefa em etapas menores e mais simples.
– Ofereça segurança: Às vezes, a agressividade é uma reação ao medo. Tranquilize a pessoa dizendo que ela está segura e que você está ali para ajudá-la.
O que NÃO fazer:
– Não leve para o lado pessoal. A agressividade não é contra você, é um sintoma da doença.
– Não use restrições físicas, a menos que seja absolutamente necessário para a segurança da pessoa.
– Não ignore a agressividade. Se ela estiver acontecendo com frequência, converse com o médico para avaliar se é necessário ajustar os medicamentos.
6. É possível prevenir o Alzheimer?
Não existe uma forma garantida de prevenir o Alzheimer, mas há muitas coisas que podemos fazer para reduzir o risco e manter o cérebro saudável.
O que ajuda a reduzir o risco:
– Exercício físico: Caminhar, nadar ou dançar pelo menos 30 minutos por dia ajuda a proteger o cérebro.
– Alimentação saudável: Uma dieta rica em frutas, verduras, peixes e azeite (como a dieta mediterrânea) pode reduzir o risco.
– Estimulação mental: Ler, fazer palavras cruzadas, aprender um novo idioma ou tocar um instrumento mantém o cérebro ativo.
– Sono de qualidade: Dormir bem ajuda o cérebro a se “limpar” das toxinas que podem causar Alzheimer.
– Controle de doenças crônicas: Manter a pressão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue sob controle protege os vasos sanguíneos do cérebro.
– Vida social ativa: Manter contato com amigos e familiares reduz o risco de isolamento e depressão, que podem acelerar o declínio cognitivo.
O que evitar:
– Tabagismo: Fumar danifica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de Alzheimer.
– Excesso de álcool: Beber muito pode prejudicar a memória e aumentar o risco de demência.
– Sedentarismo: Ficar muito tempo sentado ou sem fazer exercícios prejudica a saúde do cérebro.
– Estresse crônico: O estresse prolongado pode danificar áreas do cérebro importantes para a memória.
Lembre-se: nunca é tarde para adotar hábitos saudáveis. Mesmo que você já tenha mais de 60 anos, cuidar do cérebro pode fazer diferença.
7. Como é o estágio final do Alzheimer?
O estágio final do Alzheimer é o mais difícil, tanto para a pessoa quanto para a família. Nesse momento, a pessoa perde a capacidade de se comunicar, de se movimentar e de realizar tarefas básicas, como comer ou tomar banho. Ela pode ficar acamada e precisar de cuidados 24 horas por dia.
Sintomas comuns:
– Perda da fala: A pessoa pode parar de falar ou emitir apenas sons incompreensíveis.
– Dificuldade para engolir: Isso aumenta o risco de engasgos e pneumonia.
– Incontinência: Perda do controle da bexiga e do intestino.
– Perda de mobilidade: A pessoa pode não conseguir mais andar ou se sentar sem ajuda.
– Alterações no sono: Pode dormir durante o dia e ficar acordada à noite.
Cuidados no estágio final:
– Conforto: Garanta que a pessoa esteja confortável, com roupas limpas, lençóis macios e um ambiente tranquilo.
– Hidratação e alimentação: Ofereça líquidos e alimentos pastosos ou líquidos, se a pessoa tiver dificuldade para engolir.
– Prevenção de infecções: Mantenha a higiene em dia para evitar infecções urinárias ou respiratórias.
– Contato físico: Toque, carinho e música podem trazer conforto, mesmo que a pessoa não consiga se comunicar.
– Apoio à família: Esse é um momento muito difícil para os familiares. Procure apoio emocional, seja em grupos de apoio, terapia ou com amigos.
Quando procurar ajuda médica:
– Se a pessoa estiver com febre, dificuldade para respirar ou sinais de dor.
– Se ela parar de comer ou beber por mais de 24 horas.
– Se a família estiver se sentindo sobrecarregada e precisar de ajuda para os cuidados.
8. Como explicar para uma criança que o avô tem Alzheimer?
Explicar o Alzheimer para uma criança pode ser desafiador, mas é importante ser honesto e usar uma linguagem que ela entenda. Aqui estão algumas dicas:
Use uma linguagem simples:
– “O vovô está doente e sua doença faz com que ele esqueça as coisas. Não é culpa dele, e nós vamos ajudá-lo.”
– “Às vezes, ele pode não reconhecer você ou ficar confuso, mas ele ainda ama você muito.”
Compare com algo que a criança conheça:
– “É como se o cérebro do vovô fosse um computador que está com um vírus. Ele não consegue mais guardar as informações direito.”
– “Você sabe quando a gente esquece onde deixou o brinquedo? Com o vovô, isso acontece com coisas mais importantes, como o nome das pessoas.”
Envolva a criança nos cuidados:
– Peça para ela ajudar em pequenas tarefas, como levar um copo de água para o avô ou escolher uma música para tocar.
– Incentive-a a desenhar ou escrever cartas para o avô, mesmo que ele não consiga responder.
Valide os sentimentos da criança:
– “Eu sei que é difícil ver o vovô assim. Você pode ficar triste ou com raiva, e tudo bem.”
– “Se você tiver dúvidas ou quiser conversar, pode me perguntar a qualquer hora.”
Evite:
– Mentir ou esconder a verdade. As crianças percebem quando algo está errado e podem ficar mais ansiosas se não souberem o que está acontecendo.
– Culpar a criança. Nunca diga coisas como “O vovô está assim por sua causa” ou “Se você fosse mais bonzinho, ele melhoraria”.
9. Quais são os direitos da pessoa com Alzheimer?
No Brasil, a pessoa com Alzheimer tem direitos garantidos por lei, que visam proteger sua dignidade e garantir acesso a tratamento e cuidados. Alguns dos principais direitos são:
Direito à saúde:
– Tratamento pelo SUS: O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico, tratamento e acompanhamento para pessoas com Alzheimer, incluindo medicamentos gratuitos.
– Atendimento prioritário: Pessoas com Alzheimer têm direito a atendimento prioritário em hospitais, bancos, supermercados e outros estabelecimentos.
Direito à assistência social:
– Benefício de Prestação Continuada (BPC): Pessoas com Alzheimer que não têm condições de se sustentar podem receber um salário mínimo por mês, mesmo sem nunca terem contribuído para a Previdência Social.
– Isenção de impostos: Em alguns estados, pessoas com Alzheimer têm direito à isenção de IPVA, IPTU e outros impostos.
Direito à acessibilidade:
– Vagas especiais: Pessoas com Alzheimer têm direito a vagas especiais em estacionamentos.
– Transporte gratuito: Em algumas cidades, idosos com Alzheimer têm direito a transporte público gratuito.
Direito à proteção legal:
– Curatela: Se a pessoa não tiver mais condições de tomar decisões, um familiar pode pedir a curatela para representá-la legalmente.
– Testamento vital: A pessoa pode registrar suas vontades sobre tratamentos médicos futuros, como não querer ser mantida viva por aparelhos.
Como garantir esses direitos?
– Procure um advogado ou a Defensoria Pública para orientação.
– Entre em contato com a ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) para saber mais sobre os direitos da pessoa com Alzheimer.
– Informe-se sobre os serviços oferecidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da sua cidade.
10. Como lidar com a culpa de colocar um familiar em uma instituição?
Colocar um familiar em uma instituição de longa permanência (como um asilo ou uma clínica especializada) é uma decisão difícil e muitas vezes acompanhada de culpa. É normal se sentir assim, mas é importante lembrar que essa decisão pode ser a melhor para todos, especialmente se a família não tiver condições de oferecer os cuidados necessários.
Por que a culpa aparece?
– Expectativas sociais: Muitas pessoas acreditam que “filho bom cuida dos pais em casa”, o que pode gerar culpa.
– Medo de abandono: Você pode se sentir como se estivesse “abandonando” seu familiar.
– Pressão familiar: Outros familiares ou amigos podem criticar sua decisão, aumentando a culpa.
Como lidar com a culpa:
– Lembre-se do motivo da decisão: Você não está fazendo isso por egoísmo, mas porque é o melhor para o seu familiar e para você.
– Visite com frequência: Manter o contato ajuda a reduzir a sensação de abandono.
– Converse com outros familiares: Compartilhe seus sentimentos e peça apoio.
– Procure ajuda profissional: Um psicólogo pode ajudar a lidar com a culpa e a tomar decisões mais tranquilas.
– Lembre-se de que você também precisa de cuidados: Cuidar de alguém com Alzheimer é desgastante. Você não pode ajudar ninguém se estiver esgotado.
Sinais de que a instituição é a melhor opção:
– A pessoa precisa de cuidados 24 horas por dia e a família não consegue oferecer isso.
– A saúde física ou mental dos cuidadores está sendo afetada.
– A pessoa está se sentindo isolada ou deprimida em casa.
– A família não tem condições financeiras ou emocionais para cuidar da pessoa.
Como escolher uma boa instituição?
– Visite várias instituições antes de decidir.
– Observe a limpeza, a segurança e o tratamento dado aos residentes.
– Converse com outros familiares para saber suas experiências.
– Verifique se a instituição tem profissionais capacitados para cuidar de pessoas com Alzheimer.
Quando procurar ajuda urgente
Alguns sintomas podem indicar que a pessoa com Alzheimer precisa de atendimento médico imediato. Fique atento aos seguintes sinais:
Sinais de alerta moderado (procure um médico nas próximas 24-48 horas):
- A pessoa está mais confusa ou desorientada do que o normal.
- Está tendo dificuldade para engolir ou recusando comida e água.
- Está com febre ou sinais de infecção, como dor ao urinar ou tosse.
- Está mais agitada, agressiva ou deprimida do que o habitual.
- Caiu ou teve um pequeno acidente, mesmo que não tenha se machucado gravemente.
Sinais de alerta grave (procure atendimento médico imediato ou ligue para o SAMU 192):
- A pessoa está inconsciente ou não responde a estímulos.
- Está com dificuldade para respirar ou com dor no peito.
- Teve uma convulsão.
- Está com sinais de desidratação, como boca seca, urina escura ou tontura.
- Sofreu uma queda com suspeita de fratura ou lesão na cabeça.
- Está com sangramento que não para.
- Está com sinais de dor intensa, como gritos ou choro.
Sinais de emergência psicológica (procure ajuda imediata ou ligue para o CVV 188):
- A pessoa está falando em se machucar ou machucar os outros.
- Está tendo alucinações ou delírios graves, como achar que está sendo perseguida.
- O cuidador está se sentindo sobrecarregado e pensando em desistir.
Lembre-se: é sempre melhor prevenir do que remediar. Se você estiver em dúvida sobre a gravidade de um sintoma, não hesite em procurar ajuda médica.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 10ª ed. São Paulo: EDUSP, 1997.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 5ª ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria da ABP. 2022.
- Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos Mentais. Brasília, 2021.
- Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Guia para Familiares e Cuidadores. 2020.
- Alzheimer’s Association. 2023 Alzheimer’s Disease Facts and Figures. Alzheimer’s & Dementia, 2023.
- National Institute on Aging. Alzheimer’s Disease Fact Sheet. 2022.
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Demências: Guia Prático para Cuidadores. 2019.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento psíquico, procure um profissional de saúde mental.